24 fev 2026
Ética, Comportamento Humano, Valores Humanos

A Inviabilidade de um Mundo Sem Ética

Resumo: Estou trazendo um texto para que possamos aproveitar o Dia Internacional da Ética e refletir um pouco sobre nossa postura como seres humanos. Faço um questionamento sobre as posturas, atividades e relações humanas que precisam ser trabalhadas para a garantia e sobrevivência de nossa espécie.


A data de 23 de fevereiro tem sido comemorada como sendo o “Dia Internacional da Ética”, desde 2016, portanto ela está completando 10 anos, neste ano. Para marcar esse primeiro decênio resolvi escrever este artigo a fim de que possamos refletir uma pouco mais sobre a situação do mundo e da importância da ética em todas a ações e relações humanas.

Num mundo sem ética, céu e inferno se integram no mesmo local, tocam na mesma tecla, discutindo nos mesmos momentos. Desta maneira, ocupam o mesmo espaço/tempo e se auto digladiam como num passatempo eletrônico inocente. O mundo sem ética, tristemente, consiste numa terapia ocupacional que visa, tão somente, manipular a maioria das pessoas e garantir a degradação humana. O mais desagradável é que a maioria dos seres humanos não percebe este fato e, indiretamente, muitos humanos trabalham ativamente na facilitação desse processo inescrupuloso.

No mundo sem ética, não importa mais nada, somente a discussão afiada, maldosa, inócua e insensata, que é capaz de cortar violentamente como navalha ou mesmo de degolar como uma guilhotina as relações humanas. O mundo sem ética não só evidencia o descaso de certos “humanos” com seus semelhantes, como manifesta oportunamente a crueldade humana que se estabeleceu.

Ou seja, não há bom tom, ou melhor, não há nem tom, quanto mais, bom. Tudo é conflito, confusão e interesse sem nenhum critério. Assim, o pensamento generalizado é: “quanto maior forem a intriga e o tumulto, tudo fica melhor”. Desta maneira, o mundo fica cada vez mais afastado da ética e dos valores humanos fundamentais.

O mundo sem ética, produz ações patéticas e sem nenhuma virtude estética e nem benevolência na prática da melhor vivência comum entre os humanos. A humanidade é o que menos importa ao “ser humano” aético, pois sua realidade é etérea, virtual, torta, indecente, egocêntrica e totalmente degradante para as verdadeiras necessidades da existência humana. O verdadeiro ser humano, no mínimo, tinha que ter respeito por outro ser humano, mas, por óbvio, não é isso que se propaga midiaticamente no mundo sem ética.

A felicidade e o bem comum são meras inutilidades, que estão se tornando coisas mortas no interesse coletivo. Apenas a aparência se manifesta com importância real e efetiva. Só a guerra, promovida pelos interesses fúteis de alguns, conforta os instintos grotescos e primitivos, pois a paz não é entendida como uma necessidade ética, sadia e nobre. Para muitos “seres humanos”, a paz é uma coisa fraca e pequena que atinge a mente dos idiotas e desocupados. Isto é, aqueles seres humanos verdadeiros, que ainda não possuem os ideais maléficos e destruidores que se distribuem nas comunidades e na sociedade como um todo.

O mundo sem ética é exatamente igual a um planeta qualquer, sem vida, ou um mundo que, mesmo possuindo vida, direta ou indiretamente, todos os seres vivos estão contra todos e não respeitam nem a própria casa (planeta), porque não existe interesse comum. Desta maneira, também não há nenhum bem comum. O egoísmo é sempre o principal predicado dos indivíduos aéticos que possam existir num mundo sem ética. No mundo sem ética, ser feliz é uma questão individual e não coletiva, que não satisfaz as necessidades do próprio mundo. Ou seja, a felicidade é uma questão pessoal e exclusiva. A regra é: “se eu sobreviver, os outros que se lasquem”.

O mundo sem ética carece de amor ou de qualquer sentimento fraternal e por isso, nesse tipo de mundo, a vida vai se acabando progressiva e continuamente, pois, a esperança segue morrendo de maneira sucessiva e contundente. O sofrer é uma regra e, o que é pior, uma regra onde não há exceção e assim, todos perdem, padecem e caminham para a morte compulsória e definitiva. Contudo, há quem ainda imagine que está “se dando bem”.

No mundo sem ética, o coração e o cérebro parecem não existir no ser humano, haja vista que o homem não pensa e nem sente. Quer dizer, o ser humano não age como ser humano, ele deixa de ser gente e se confunde com qualquer animal irracional.  No mundo sem ética tudo é ilusão, que fica e se intensifica na imaginação dos “gênios do mal”. A razão fica à margem de tudo e assim, não há solução coletiva para mais nada.

No mundo sem ética, o planeta é, apenas e tão somente, uma fonte de recursos e divisas que permite a sobrevivência e do qual podemos e devemos utilizar sem nenhuma preocupação e muito menos parcimônia. No mundo sem ética, o consumo e o lixo, que deveriam ser consequência das necessidades momentâneas dos seres humanos e por isso mesmo, também deveriam ser tratados com todo cuidado, precaução e interesse, na verdade, são meras contingências de quem está vivendo naquele momento e, por conta disso, não há nenhuma responsabilidade sobre as consequências das ações produzidas.

 Os seres viventes que vierem depois, se vierem, que procurem resolver seus problemas e cada um que aproveite o planeta como puder, a seu modo e vontade. Quer dizer, o mundo sem ética é um absurdo e um contrassenso, além de ser uma violência humanitária e planetária, pois não há respeito ao espaço físico planetário e a nenhum ser vivente, nem mesmo ao ser humano.

Voltemos à ética, para podermos voltar a possibilidade de viver bem. Aliás, ética é exatamente isso: ética é o bem coletivo.  Todavia, hoje, quem está realmente interessado nesse bem coletivo? Quem quer a ética de fato e direito? Pois então, a ausência de ética é “um tiro no pé”, ou melhor, “um tiro na cabeça” de cada um dos seres humanos, porque sem ética, toda a humanidade fica acéfala e acaba prejudicando o planeta e sendo prejudicada também.

Precisamos caminhar para a ética, indo muito além do mínimo necessário, mas, como seres humanos, estamos certos de que também devemos estar aquém do máximo especial e virtuoso, para continuarmos nossa caminhada sonhando e crescendo realmente. No mundo sem ética não há nada, nem realidade e nem sonho, pois tudo se constitui numa triste ilusão. Deste modo, a humanidade fica totalmente perdida na espera infundada de ter mais e vegeta na escuridão, manifestando um contrassenso insano, maltratando a própria humanidade sem remorso e sem perdão.

O mundo sem ética é o oposto das aptidões humanas é o corrompimento de todos os valores humanitários mais sublimes que deveriam nortear todas as ações da humanidade. Pois então, meus amigos, é drástico, não é? Contudo, este é o mundo que, infelizmente, estamos vivenciando. E o mais assustador de tudo, é que este mundo sem ética segue crescendo muito rapidamente.

Trocamos tanto os valores morais, que estamos caminhando muito rapidamente para o caos. Segundo dizem, no início do mundo era assim e só havia o caos e pelo que temos visto, parece no final deverá ser da mesma maneira. Há necessidade de acordarmos, antes do final da viagem ou nunca chagaremos a lugar nenhum e o caos se estabelecerá novamente.

Precisamos estar atentos e lembrar sempre, de que “a ética é um princípio que não pode ter fim”, como nos propõe o Companheiro Aroldo Araújo, desde 1986. Caso contrário, a extinção prematura da espécie humana e de inúmeras espécies vivas será a única consequência possível. Desta forma, temos que readequar o nosso rumo e necessitamos voltar a ter a ética como nosso eterno princípio.

Meus amigos, pensem seriamente nisso e, se ainda não fazem, comecem logo a colocar a ética como fundamento e prioridade em todas as ações. Ou será que nós já desistimos de viver e, por óbvio, já estamos, certamente, condizentes com o término de nosso tempo como espécie viva aqui na Terra?

Caçapava, 23 de fevereiro de 2026
Luiz Eduardo Corrêa Lima (70)

22 fev 2026

OS 70 ANOS DE UM ETERNO APRENDIZ

Resumo: Neste texto comemoro os 70 anos e apresento um resumo das atividades que desenvolvi depois dos 60 anos. Não pensei que chegaria aos 60 e agora já cheguei aos 70 anos me sentindo bastante útil, porque, de certo modo, tenho mais atividades agora e sigo produzindo, aprendendo e querendo continuar.


Dizem que aos setenta anos a questão do permanecer vivo, além de ser a mais importante, vai ficando cada vez mais séria e, em muitas situações, até mais violenta e aí, quase ninguém aguenta, porque a morte tende a ser certa e às vezes até é sangrenta. Assim, o indivíduo apenas se acalma, se assenta e, em certo sentido, deixa de viver tentando apenas sobreviver e por isso mesmo, a vida somente a poucos sortudos contenta e esses excepcionais do tempo, acabam conseguindo chegar aos oitenta e por vezes até ultrapassar os noventa.

Bem, meus amigos, pensamentos filosóficos e rimas poéticas à parte, é bom lembrar que eu já demonstrei minha pouca preocupação com a idade e a possibilidade de morrer, quando completei meus sessenta (60) anos. Naquele momento, publiquei um artigo alegre, de grande motivação e poder, sobre essa questão da preocupação com a proximidade da morte. Porque, no fundo, esse problema de proximidade maior com o fim da vida, pensava eu, naquele momento, fosse tudo uma simples questão de azar ou sorte, ou de saúde fraca ou forte, ou então, uma mera contingência do destino ou da sina ou ainda, uma ação simples da benevolência divina.

Amigos, chego aos setenta e continuo despreocupado com a morte, porque sei que ela é uma contingência natural e compulsória e assim, ela também faz parte da vida. Não tenho medo de morrer, mas tenho pena do que vou perder com essa realidade histórica que se aproxima a cada segundo que passa. Pois então, eu continuo querendo seguir aprendendo, criando e construindo. É claro que a morte interfere nesse meu roteiro, mas ela faz parte do roteiro também. Aliás, a única coisa que todos sabem desde que nascem é que um dia irão morrer e a maioria fica muito preocupada com esse dia e acaba se esquecendo de viver todos os outros dias.

O efeito do tempo, ou melhor, a idade, está principalmente naqueles em que a cabeça envelhece na mesma proporção que o restante do corpo. Assim, o segredo, se é que existe segredo, para não se preocupar com o tempo é manter a cabeça sempre ativa. A cabeça necessita se manter ocupada e preocupada com coisas boas e benéficas, independente do tempo e da idade que se possui. Viva cada dia como se fosse o ultimo, porque um determinado dia, que você e ninguém sabe previamente quando chegará, vai ser mesmo e procure ser feliz. Ou melhor, faça a sua vida valer a pena para os outros e para você, porque talvez esta seja a melhor definição de felicidade.

Portanto não deve haver nenhuma regra absoluta para viver mais ou menos, contudo devem existir várias regras para ser mais ou menos feliz e eu me apego, a priori, na direção de procurar as regras que me levem à felicidade e a dias cada vez melhores. Eu acredito que a felicidade está, antes de qualquer coisa, em ser e estar bem. É claro que o tempo existe, que o corpo tem limites e que a idade pesa, mas o tempo pesa muito mais para quem se importa com ele. Esqueça o tempo e viva todo o tempo que tiver.

Assim, vou seguindo minha trilha, mantendo minha cabeça jovem e buscando sempre ter e fazer o bem. E como eu disse naquele artigo dos sessenta anos, a morte, se quiser, que se preocupe comigo e que venha atrás de mim, porque eu não estou nem aí para ela. A minha preocupação é com a vida e enquanto eu estiver vivo, certamente eu quero viver da maneira mais agradável possível. Minha sugestão é a seguinte: não se imponha regras para viver mais ou menos tempo, mas, invista tudo o que puder, em regras para viver bem e você será mais feliz e menos preocupado.

Eu quero ainda comentar que, de acordo com esse meu um jeito, fica parecendo que: “ou dei sorte ou fiz a coisa certa”, porque passaram-se dez anos desde que completei os sessenta e eu ainda estou por aqui. Apesar de alguns danos físicos à massa corpórea (corpo) e à mente (cabeça), também já prejudicada, porque não há mágica na existência e por óbvio o tempo realmente cobra seu imposto. Contudo, acredito que a cabeça continua seguindo muito bem. Ou seja, continuo na estrada da vida e apenas ganhei mais algumas feridas, por conta das batalhas travadas. Todavia, certamente, nada que me impeça de continuar na minha investida maior pela vida.

Quando fiz os sessenta anos, escrevi e comentei que: “como dizem que a vida começa aos quarenta anos, na verdade e com todo requinte, eu disse que estava fazendo apenas completando os “vinte”. Deste modo, seguindo na mesma analogia, agora chegando aos setenta, na verdade, estou completando apenas “trinta” e ainda longe de qualquer possível situação crônica de nostalgia, quero me manter com a mesma alegria, buscando sempre a felicidade. Quer dizer continuo jovem, só que há muito mais tempo do que antes. Estou muito jovem e a morte que se cuide, porque eu ainda não estou muito preocupado com ela e nem quero pensar em qualquer relação de proximidade mais amiúde.

Ou melhor, algo preocupado, de veras, eu sei que estou, porque sei que já vivi mais que a maioria dos seres humanos consegue viver e por óbvio, essa reflexão me alivia, me traz sabedoria e até, já me causa uma certa euforia. Contudo, sou ciente de ali na frente também vou morrer, como tudo que vive. Entretando, talvez eu não seja o melhor parâmetro para grande parte das pessoas da minha freguesia, pois meus amigos costumam viver muito e vivem com satisfação e alegria. Assim, continuo vivendo, um dia de cada vez e 4,5 semanas por mês, continuando a ser o Luiz, que sempre fez e disse o que quis, cuidando de tudo sem muito verniz, criando um caso aqui e outro ali, porém sempre muito contente e feliz, estudando e aprendendo como um Eterno Aprendiz.

Aliás, eu sou mesmo um Eterno Aprendiz. Como filho, fui aprendiz de meus saudosos e maravilhosos pais. Como pai, fui aprendiz da vida e da família que construí com minha mulher e agora como avô, estou sendo aprendiz do alto da minha vivência e da minha experiência e, com toda sapiência e afeto, estou aprendendo com algo que muito me satisfaz, os meus queridos netos. Aliás, meus netos constituem uma realidade que eu nem imaginava viver, mas que agora possuo dois e um terceiro a caminho da natalidade. Posso dizer que tenho um casal de netos muito legais e mais uma menininha chegando para situações e momentos ainda mais geniais, os quais conhecerei e aprenderei mais à frente.

E sabem o que mais interessante, minha experiência como avô, ainda é muito curta e sinto que preciso vive-la um pouco (ou quem sabe, um muito) mais. Portanto, como eu disse antes, a morte que se cuide, porque eu estou muito mais a fim de viver agora do que estava aos sessenta. Assim, como eterno aprendiz, pretendo passar de série e de ano, seguindo pelos setenta e, quem sabe até chegando aos oitenta e, quiçá, aos noventa.

Também tenho aprendido muito com os meus amigos, principalmente os mais velhos, mas não posso descartar a influência que tenho de minha relação direta com os mais jovens. Aliás, não sei bem o porquê, mas, sou um sujeito de extremos, me relaciono melhor com os amigos mais velhos e com os amigos mais novos.  Sempre tenho mais dificuldades com meus coetâneos, mas isso é um detalhe personal que não importa nesse contexto.

Imaginem só o que já aconteceu, depois dos sessenta, ainda trabalhei mais cinco anos como Professor Universitário, carreira a que me dediquei por quarenta e cinco longos anos. Assim, eu me aposentei, definitivamente, com sessenta e cinco anos e resolvi que não trabalharia mais, pois achei que minha missão escolar já estava concluída, a partir de então, seria só esperar uma oportunidade diferente ou a vontade de Deus. Inesperadamente, a oportunidade diferente chegou e, Caramba! Como eu estava pensando errado! Nunca vivi tanto como depois dos sessenta e cinco anos de idade. Aliás, vou ampliar o texto, mas tenho que contar isso para vocês.

Aos 66, passei 40 dias na Europa, onde meu filho estava morando. Apesar do frio e da neve, conheci lugares maravilhosos. Aos 67, mais 30 dias na Europa para conhecer meu primeiro neto, que acabara de nascer e quase que meu time do coração foi campeão brasileiro. Aos 68 anos, vi nascer a minha neta e, depois de 29 anos, pude ver meu time do coração ser campeão do Brasil pela terceira vez (Tricampeão Nacional) e se isso fosse pouco, de quebra e de maneira frenética, também foi o Campeão da América, jogando lá no Sul da nossa América do Sul, com o estádio cheio de gente, bem mais da metade torcendo para a gente.

Ainda aos 68, fui convidado pelo Prefeito Eleito de Caçapava e seu Secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente para colaborar na administração da cidade e obviamente, aceitei com todo orgulho e respeito. Deste modo, desde então, estou trabalhando na Prefeitura da cidade, em que moro e que adoro, com toda minha vontade interior. Dentro daquilo que acredito e que posso fazer, estou empregando toda minha vontade e minha capacidade intelectual para termos uma Caçapava melhor e com mais qualidade de vida.

Caçapava é um capítulo à parte na minha vida. Tenho muito a agradecer a Caçapava, que me deu tudo que tenho, a começar pela minha família. Caçapava é a cidade que tenho dentro do meu peito, que eu escolhi para viver e onde pretendo morrer, mas mesmo que eu morra longe, quero ser enterrado aqui. Caçapava para mim é uma cidade mágica, que conheci por acaso e que me deu uma família linda, me elegeu duas vezes como Vereador e Presidente da sua Câmara Municipal e que me adotou como seu filho natural, através da outorga do Título de Cidadão Caçapavense.

Mas, continuando o que estava dizendo. Eu, sem nenhuma experiência na minha nova função administrativa, porém, como Eterno Aprendiz, entreguei minha inteligência e minha sensibilidade, meu cérebro e meu coração e, cheguei aos 69 anos, já trabalhando feliz, fazendo algo de bom pela comunidade e algo que, de certo modo, eu sempre quis. Hoje, do alto dos meus 69/70 anos, estou trabalhando com jovens lideres, curiosamente a maioria deles, inclusive meus chefes, são meus ex-alunos, e eu, modestamente, ainda, indiretamente, colaborando nas suas respectivas formações, em certo sentido, me sinto como eterno Professor e Criador de muitas dessas queridas criaturas.

Vou discutindo e me envolvendo sobre a cidade a região na área do Meio Ambiente, ramo do conhecimento em que sou um dos pioneiros regionais, trabalhando há mais de 50 anos, ensinando e aprendendo, enfim estou vivendo e convivendo com muita gente. Aqui na Prefeitura de Caçapava, como Professor que sempre fui, estou atuando no Monitoramento, na Gestão e na Educação Ambiental, procurando manter o equilíbrio do ambiente construído e proteger o ambiente natural, além de estar observando e cuidando da vida de toda gente, em particular dos mais jovens, dos que ainda virão e todas as demais formas vivas locais presentes e futuras.

Olhem que legal, depois de 50 longos anos, trabalhando com Educação, Pesquisa e Ensino, principalmente na área ambiental, agora tenho o Meio Ambiente como meu trabalho principal para acrescentar ao meu Curriculum vitae, mas, principalmente, para colocar no meu memorial. Como cidadão atuante da área ambiental, estou podendo demonstrar toda minha experiência nesta seara profissional. Meus amigos, tudo isso nesses “30 anos” de vida que estou concluindo com certeza. Vejam só, se isso não é uma coisa fantástica, uma beleza!

Quando fiz sessenta anos, os meus leitores costumeiros e mesmo os ocasionais que leram o meu famoso artigo:”60 anos e agora?”, certamente um dos meus textos mais lidos, com mais de 50 mil leituras, devem lembrar que, naquele texto, eu disse o seguinte, com toda minha sinceridade e lisura: “cheguei até aqui, que eu não esperava e assim, o que vier é lucro”. Pois então, agora a coisa ficou mais complicada e difícil para a morte, porque, por alguns motivos, agora estou pensando diferente e tenho em mente outro norte. Quero mais um pouco de vida e assim preciso de muito mais ocupação, saúde e sorte.

Agora, eu tenho dois netinhos: um neto que completa 3 anos, em abril e uma netinha que completou 2 anos, agora em fevereiro, que são os meus diletos e que vão tornando os meus sonhos mais concretos. E neste ano, chega mais uma netinha, provavelmente no início de junho, que vai enriquecer ainda mais o meu ego de avô e quem sabe levá-lo a condição de superego. Por outro lado, agora, como eu já disse, também voltei a trabalhar e tenho aprendido e gostado muito do que estou fazendo no Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Caçapava e preciso concluir o ciclo desta minha atividade laboral.

O mais legal e interessante é que agora o meu compromisso é comigo mesmo e com as coisas que gosto, minha família, meus amigos, meus escritos e meu trabalho pelo planeta e pela vida. Ou seja, agora é por amor, por puro prazer e não por obrigação, pois hoje trabalho por opção e não por imposição, faço porque quero e não porque tenho necessidade. Meus filhos estão criados e não dependem em nada de mim. Enfim, agora estou começando a gostar mais efetivamente de viver e assim, acho que ainda não está na hora de chegar o meu crepúsculo final. Minha história precisa continuar, porque “ainda tenho muita lenha para queimar” e hoje tenho muitos motivos verdadeiros, para querer ficar mais tempo por aqui, muito além deste mês de fevereiro.

Pois então, agora eu penso que a morte, também tem que arrumar outro norte pois, no meu caso, ela vai precisar esperar um pouco, até porque eu, realmente, não tenho mais nenhuma pressa de morrer. Afinal, eu estou apenas com “trinta anos” de idade e ainda tenho vida em qualidade. Isto é, eu estou apenas começando a vida de verdade e apesar do que diz o ditado: “não confie em ninguém com mais de trinta anos”, eu ainda mereço confiança por inteiro, porque só estou completando os “trinta” agora e, os que me conhecem, sabem bem que eu mereço a confiança de todos. Fevereiro é um mês curto e vai acabar nesta última semana o nosso mês carnavalesco, mas eu quero vida e curto ainda viver alguns anos de modo dantesco.

Quer dizer, eu preciso viver um pouco mais e de maneira mais contundente, pois preciso contar a minha história para muita gente, mormente para que meus netos, que necessitam me conhecer melhor, para que eu possa trabalhar e ensinar mais e sobretudo, para que eu possa compreender da vida o seu valor maior, que é viver por puro prazer, mas sem hedonismo e sim por amor e humanismo, sempre querendo aprender. Caramba! Sendo muito sincero, devo dizer o seguinte: como é bom ter o poder de fazer apenas o que eu gosto e quero.

Necessito curtir mais esse momento, por isso rogo a Deus que faça com que “aquela Senhora sombria” possa esperar um pouco mais e me deixe saborear a vida, como nunca pude fazer, com toda tranquilidade e paz. Bem, se assim não acontecer, porque, se por algum motivo não for possível, que eu, pelo menos, possa ter certeza de que fiz a minha parte e, como Eterno Aprendiz, vou ter que aprender também a morrer e dizer amém, esperando encontrar uma turma boa, como a que tenho aqui, lá do outro lado, no além.

A única coisa que posso dizer, por enquanto, é que, com todos os problemas vividos, certamente, ainda está valendo a pena permanecer vivo. Diz o ditado que: “no fim, tudo dá certo”, mas eu espero que esse ditado esteja errado e que “no início, tudo comece certo e siga certo até o final”, porque, afinal de contas tenho apenas “30 anos”. Estou em tenra idade e tenho muita vida pela frente, para dividir, lado a lado, com a felicidade.

Meus amigos, por favor, vivam comigo a próxima década, porque eu, certamente, quero passar vivo por ela. Ou seja, se Deus permitir, passarei os próximos 10 anos aprendendo mais com a vida e ensinando aos meus netos, os valores que meus saudosos pais, Seu Ormil e Dona Lindalva, me passaram, além, é claro, da cultura e do conhecimento que acumulei. Talvez, meus filhos não tenham conhecido bem o pai deles, até porque, infelizmente, quase não houve tempo para isso. Eles tinham que estudar e aprender e eu tinha que trabalhar e aprender, para ajudá-los a sobreviver. Com certeza, meus netos têm que conhecer o avô deles, assim como eu conheci o meu. Eu vou trabalhar bastante para que isso aconteça.

Agora vai ser diferente, pois eu tenho e terei todo o tempo do mundo para ensinar, aos meus netos, tudo aquilo que não tive tempo e nem condições de ensinar aos meus filhos. Por isso agora, eu, ao contrário do que disse aos “20 anos”, que completei há 10 anos atrás, necessito viver mais 10 anos e chegar aos oitenta e, quem sabe, terei cumprido todas as minhas metas e obrigações como Ser Humano, como Filho, como Pai, como Amigo, como Cidadão Brasileiro e Carioca, como Botafoguense, como Mangueirense, como Ambientalista, como Biólogo, como Zoólogo, como Professor, como Pesquisador, como Escritor, como Poeta, como Livre Pensador,  como Marido Apaixonado pela Mulher e pela Família, como membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos, como Voluntário, como Rotariano, como Ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava,  como Cidadão Caçapavense, como autor de mais de 15 livros e mais de 1200 artigos, como Imortal de 3 Academias de Letras (ACL, ALL e ABLA),  como Avô, como Funcionário Público Municipal e sobretudo, como Eterno Aprendiz de Feiticeiro, querendo fazer a mágica de mudar  o curso da história futura do mundo, esticando a vida e lutando para acabar com todos os problemas do planeta Terra  e com todos os males que afligem a Humanidade.

Se Deus puder me atender, quero ver minha mulher envelhecer lentamente, meus netos crescerem rapidamente e o Botafogo novamente campeão do Brasil e da América e, se possível, campeão do Mundo, de maneira sóbria e convincente. Meus amigos, se essas coisas acontecerem como imagino, sei que vai ser sensacional e, deste modo, eu poderei morrer no Carnaval com a Mangueira fazendo sua festa genial e tradicional, com meus eternos alunos e meus diletos parentes e amigos sambando e cantando em harmonia total no meu réquiem final.

Ah! Como é bom sonhar, porque além de não custar nada, imaginem se der certo? Sonhar, sobretudo, aguça a mente à busca de momentos melhores. Sonhar, inspira a mente (cabeça) e rejuvenesce a massa corpórea (corpo). Meus amigos, façam o bem e sonhem, que vocês, certamente, viverão mais e se, até, não viverem mais, pelo menos, serão muito mais felizes e terão a impressão de que estão vivendo mais do que, de fato, deveriam viver. Por fim, assim, vocês entenderão que no fim das contas, o tempo é o que menos importa na viagem, mas a viagem deve ser aproveitada e curtida integralmente, independentemente do tempo cronológico e das intempéries que ele possa trazer.

Sejam felizes e muito obrigado a todos que, de alguma maneira, têm me auxiliado, direta ou indiretamente, a construir essa história fantástica e mágica que é viver. E vamos continuar seguindo em frente.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69/70) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

04 jan 2026
Sobre a Arborização Urbana na Cidade de Caçapava

Sobre a Arborização Urbana na Cidade de Caçapava

Resumo:


Atualmente a Arborização Urbana é uma questão fundamental para as cidades, haja vista que as árvores, além de retirar Gás Carbônico da atmosfera, atuando contra o Aquecimento Global e fornecer o oxigênio que é fundamental para nossa respiração e da grande maioria dos organismos vivos, ainda refresca o ambiente, atrai e serve de abrigo, alimento, remédio para nós, para as aves e outros animais. Além disso, as árvores têm uma função terapêutica, pois auxiliam a tranquilizar as pessoas e criar condições mais amenas para a população humana em geral e até espiritualmente as árvores fazem bem.

Quer dizer, as árvores têm importância crucial na vida das pessoas, dos animais, das demais plantas, dos ecossistemas e da cidade de maneira integral e do planeta como um todo. Plantar árvores é garantir oxigênio, é garantir alimento, é garantir água, é conter erosão, é manter biodiversidade, é manter os serviços ambientais naturais. Enfim, plantar árvores e tentar garantir e melhorar a qualidade de vida.

É por conta disso que, hoje, quase todas as cidades, independentemente dos seus tamanhos, possuem algum tipo de Programa de Arborização Urbana ou de Recuperação Florestal, que visa exatamente a garantia dos benefícios produzidos pelas árvores para a cidade e para a população. Assim, nossa cidade de Caçapava também tem seu Programa de Arborização Urbana e seus Projetos de Restauração Florestal, para tentar melhorar progressivamente a qualidade de vida da cidade de seus munícipes e ser mais aprazível aos visitantes que por aqui passam.

Infelizmente o nosso município, por questões históricas, que não cabem ser discutidas nesse momento, ficou quase totalmente pelado de vegetação natural, mesmo na zona rural. Além disso, nossa área urbana é muito carente de árvores e muitas pessoas, pelos mais diversos motivos, não entendem ou não querem entender a necessidade da arborização urbana. O Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Prefeitura de Caçapava quer mudar essa imagem e tem trabalhado com afinco para minimizar nossa deficiência de cobertura vegetal, principalmente nas áreas urbanas.

Temos plantado árvores na área urbana, recuperado e restaurado áreas naturais, distribuído mudas, orientado pessoas sobre o plantio e sua importância e ainda temos proferido palestras em escolas, entidades e eventos sobre a necessidade de plantarmos árvores em Caçapava, no Brasil e no mundo. Estamos trabalhando e muito, para promover um acréscimo significativo da cobertura vegetal em nosso território. Além disso, já organizamos um Curso de Educação Ambiental que será oferecido e ministrado aos Professores da Rede Pública Municipal e outros interessados, que acontecerá em 2026 e que obviamente tratará dessa questão de maneira especial, para que nossos professores possam orientar melhor as nossas crianças, quanto a está questão, que é, ambientalmente, preponderante.

O Departamento do Meio Ambiente (DMA) tem um setor específico para cuidar do manejo das árvores, efetuando plantios e orientando podas e retiradas de árvores. O DMA também administra um Viveiro de Mudas que fornece as árvores para que sejam plantadas nas diferentes áreas da cidade, atendendo às solicitações da comunidade e ainda doa mudas para aqueles munícipes que solicitam e que também queiram e possam plantar. Além disso, nas suas atuações, o DMA ainda tem que seguir uma Lei Municipal 5858/2021 que normaliza os procedimentos para a poda e a retirada, quando necessário.

Quer dizer, não há, legalmente, poda e muito menos, corte de árvore aleatório e nem há nenhuma poda drástica realizada por parte do município. Toda e qualquer poda ou retirada precisa ter autorização da Prefeitura, após a análise técnica. Entretanto, temos que admitir que existe uma empresa que atua no município que faz, sem nenhum critério, podas drásticas e desconcertantes e que vive tomando multas da Prefeitura, exatamente, por conta disso. Mas, essa é outra questão, que não vem ao caso neste momento.

Toda pessoa que quer retirar uma ou mais árvores, precisa abrir um processo na Prefeitura, indicando o local onde a(s) árvore(s) se encontra(m) e o motivo pelo qual deseja retirá-la(s) ou deseja fazer a(s) sua(s) poda(s).  O processo aberto é encaminhado ao setor de arborização do DMA, que vai ao local onde a(s) árvore(s) se encontra(m) e avalia tecnicamente suas condições de vida e, sendo comprovada a necessidade, autoriza a poda ou retirada, que é realizada pelo Departamento de Serviços Municipais (DSM).

Para fazer a avaliação técnica, existe um questionário que deve ser preenchido pelo Técnico para cada árvore(s) examinada(s), além da observação geral do estado das árvores em questão. Depois disso ocorre a emissão de um laudo técnico com fotos da(s) árvore(s) e do loca, o qual fornece o parecer final sobre o que deverá ser feito com a(s) árvore(s). Também há avaliação do local e das condições físicas que a árvore possa estar criando e comprometendo naquele local para justificar a necessidade de que a árvore seja cortada, se for o caso. Fora disso, podem estar certos de que, esta(s) árvore(s) continuará(ão) em pé.

Por outro lado, para garantir que o Viveiro de Mudas continue crescendo e que possa ser capaz de cumprir as necessidades para atendimento progressivo ao município, o DMA está sempre procurando ampliar o seu acervo de mudas e consequentemente aumentando a possibilidade de realizar os plantios na cidade. Para isso, existe uma Lei Municipal, onde a Prefeitura ainda exige uma compensação pela árvore ou árvores que são retiradas.

Quando é autorizada a poda, ele é feita pelo Departamento de Serviços Municipais (DSM) e quando é autorizada a retirada, o solicitante (autor do processo) é informado de que a retirada poderá feita, desde que o solicitante faça a doação prévia à Prefeitura, de 15 (quinze) mudas, se a espécie a ser retirada for exótica ou de 25 (vinte e cinco) mudas se a espécie retirada for nativa. Ainda cabe esclarecer que, quando a árvore, já está efetivamente morta, a retirada é feita sem a contrapartida do solicitante. Isto é, nesse caso o solicitante não é obrigado a doar nenhuma muda.

Se a(s) árvore(s) estiver(em) em área pública, a Prefeitura, através do Departamento de Serviços Municipais (DSM), executa os serviços necessários, mas se a(s) árvores estiver(em) em área ou terreno particular, o próprio solicitante é quem deve proceder para a realização da poda ou da retirada. Cabe lembrar que essas tarefas não são tão fáceis quanto muitos imaginam e, por isso mesmo, deve ser realizada por algum profissional ou empresa que possua conhecimento e experiência no assunto, para evitar riscos e danos maiores. Por outro lado, se a poda ou a retirada não for aprovada, simplesmente o solicitante será informado de que a(s) árvore(s) não será(ão) podada(s) ou retirada(s).

Vejam bem, o objetivo maior da Legislação nessa área é não cortar árvores. Ao contrário, o objetivo é somente cortar árvores quando não existir nenhuma outra solução adequada. Assim, Senhoras e Senhores, tenham certeza de que nós não queremos, não devemos e não podemos cortar árvores aleatoriamente, porque, além de sermos prioritariamente contra, haja vista que trabalhos em prol do Meio Ambiente e da Melhoria da Qualidade de Vida, nós também não podemos deixar de cumprir a Lei.

Em suma, o DMA, além de existir para defender o Meio Ambiente, é guiado e obrigado a cumprir uma norma legal, que visa proteger as árvores, antes de tudo. Deste modo, solicito que, por favor, entendam que quando nós autorizamos a poda ou a retirada uma árvore qualquer, nós estamos indo contra a nossa vontade e, principalmente contra nossa obrigação moral de atuar em prol do Meio Ambiente. No meu caso específico, tenho uma história que remonta mais de 50 anos de vivência como ambientalista, trabalhando ativa e efetivamente pela causa ambiental, sobre a qual publiquei alguns livros, centenas de artigos e proferi dezenas de palestras.

 Senhores, podem ter absoluta certeza de que só retiramos uma árvore, quando esta árvore efetivamente tem comprometimento biológico sério ou causa algum dano significativo ou então, porque está colocando pessoas ou alguma coisa de grande valor, em risco iminente. Assim, no que tange a arborização, mais que em qualquer outra área, estamos trabalhando para minimizar a nossa dívida com a natureza. Temos um passivo ambiental muito grande e necessitamos ampliar a arborização urbana, bem como restaurar e reflorestar ao máximo a área rural do município.

Senhores, por favor, colaborem conosco, sejam coerentes e avaliem bem as diferentes possibilidades, antes de fazer qualquer crítica infundada, procurem se informar corretamente sobre determinadas situações específicas no Departamento de Meio Ambiente. Críticas, são bem-vindas e nos auxiliam a melhorar o nosso trabalho, porém críticas infundadas só causam mais transtornos e aborrecimentos ao nosso trabalho.

 A propósito, neste ano que está se encerrando, a Prefeitura Municipal de Caçapava, direta ou indiretamente, já plantou cerca de 4.000 árvores e certamente não retirou nem 100. Em suma, no que tange a arborização e a restauração florestal, temos absoluta certeza de  que Caçapava está caminhando na direção certa. Estejam todos cientes de que a Prefeitura quer e vai continuar plantando muitas árvores até o fim desse mandato.

Professor Luiz Eduardo Corrêa Lima (Biólogo)
Chefe da Divisão de Monitoramento, Gestão e Educação Ambiental
Departamento de Meio Ambiente (DMA)
Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (SPUMA)
Prefeitura Municipal de Caçapava

01 dez 2025
O Atalho e o Caminho Correto

O Atalho e o Caminho Correto

Resumo: O texto traz uma reflexão filosófica sobre a necessidade de crescer a qualquer preço que é imposta a humanidade pela mídia e procura demonstrar que essa certamente não é a melhor maneira de crescer, porque essa situação nos coloca contra os interesses da humanidade e nos expõe a interesses puramente comerciais.


Vivemos numa época veloz e todo mundo sempre quer chegar mais rápido a algum lugar ou a lugar nenhum, para, também, rapidamente, decidir aonde vai realmente chegar, se é que quer mesmo chegar em lugar algum. Complicado, não é? Mas, é isso mesmo que está escrito.  Ou seja, há muita dúvida sobre o porquê, o onde e o como chegar a qualquer lugar, porque geralmente não há um plano de viagem estabelecido, apenas se quer chegar de maneira mais rápida.

 Pois então, meus amigos, o nome desse caminho mais rápido, todos sabem é atalho. Assim, muita gente vive, simplesmente, buscando atalhos. Contudo, o que muitos não sabem e alguns não querem saber é que o atalho nem sempre é o melhor caminho. Além disso, na maioria das vezes, o atalho acaba mesmo sendo o caminho errado. Atalho é uma necessidade de vida, mas não pode ser uma prática cotidiana dessa mesma vida. Atalhos ocasionais podem ser importantes, mas atalhos diuturnos costumam ser tentativas de fugir da verdade ou de tirar vantagens sempre, ou seja, são falcatruas, que grande parte das vezes dão errado.

Às vezes o caminho correto, além de longínquo, também é muito complicado e difícil, deste modo, um jeitinho aqui, uma mentirinha ali e uma embustice acolá, acabam resolvendo certas situações momentâneas. No entanto, essas situações tendem a se prolongar e ficar mais compridas ou, como se diz na linguagem popular, “deixam rabo”. Normalmente o rabo cresce, cresce e quando quebra, geralmente quebra do lado mais fraco. O que a maioria das pessoas não sabe exatamente é o seguinte: qual o lado mais fraco. Senhores, o lado mais fraco é sempre aquele que procura encontrar a facilidade a qualquer custo, o atalho, e eu vou tentar esclarecer porque isso acontece.

Quem segue o procedimento normal tem a imagem verdadeira da questão, porque conhece o todo do processo. Se não conhece, pode voltar ao longo da própria história ou situação e assim, pode identificar e aprender com as nuances do próprio processo. Já quem toma o atalho, pula momentos e etapas e assim sua história nunca está completa e sempre vão faltar detalhes a serem esclarecidos no contexto de toda a história. Pois é, a corda sempre estoura do lado mais fraco, e o lado mais fraco é sempre aquele que menos conhece toda corda (história).

As pessoas que procuram atalhos para ganhar vantagens (“Lei de Gérson”), sobretudo, tempo, acabam sendo pessoas atabalhoadas, desorientadas e pagam muito carpo pelo tempo que economizam. Essas pessoas confundem as coisas porque são apressadas, inexperientes e incompletamente formadas. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição, mas isso, por óbvio, não é necessariamente uma verdade e se for, não é obrigatória. Existem coisas em que a pressa até pode ajudar, desde que quem se utiliza da pressa conheça exatamente aquilo que está fazendo. O que não se pode é querer que tudo se desenvolva sempre apressadamente.

Aprendemos desde cedo que a menor distância entre dois pontos é uma reta e por conta disso tentamos tornar tudo que nos envolve em linhas retas, contudo o mundo e sobretudo, as relações humanas são tortuosas e muitas vezes precisamos vivê-las para sermos capaz de entende-las. É preciso compreender que o menor caminho, o das retas, nem sempre é o melhor caminho e que, muitas vezes, pode ser o pior. De vez enquanto é bom passar dificuldades para que se possa aprender mais sobre a vida e sobre os nossos próprios limites. Infelizmente, nossa vida é uma “caixa preta” que será analisada por outros depois da nossa morte. É exatamente isso, meu amigo, nós vamos morrer e consequentemente ficaremos sem saber quase nada a nosso respeito.

Pois então, isso só não poderá acontecer, se nos dispusermos a aprender mais sobre nos mesmos e isso necessariamente passa por viver e superar as nossas dificuldades. Os atalhos nos levam a fugir das dificuldades e isso nos afasta de nossa verdadeira condição humana. Eu só me conheço mais, quando aprendo mais alguma coisa sobre mim. Isso implica em encarar problemas, combater infortúnios e perder ou vencer lutas. Os atalhos nos distanciam da realidade que teríamos que conhecer, principalmente, sobre nós mesmos.

Conscientemente nós nunca saberemos exatamente como será nossa vida, mas temos que estar dispostos e preparados para tentar nos conhecermos melhor. Ousar é algo perigoso, mas é interessante e nos permite compreender melhor as coisas. Atalhos geralmente impedem que ousemos e que desafiemos os nossos pretensos limites. Atalhos normalmente facilitam as coisas, mas certamente dificultam aprendizado sobre a vida. Podem ter certeza de que estamos aqui para aprender e evoluir, ou será que nascemos apenas para morrer? Ora, se nascemos apenas para morrer, então para que viver? 

O problema é que as pessoas que costumeiramente usam os atalhos, normalmente não tem conhecimento suficiente de quase nada, muito menos de si próprias, porque acumularam atalhos e perderam a noção do todo, tanto exterior, quanto interior. Assim, sempre vai ficar uma ou mais pendências (uns rabos) e isso, muitas vezes, é o suficiente para inviabilizar a situação ou viabilizar de maneira equivocada ou pouco convincente e assim gerar dúvidas no processo, além de comprometer o resultado. Situações dúbias e duvidosas, bem ou mal-intencionadas, frequentemente derivam de tomada de atalhos indevidos.

Atalhos podem ser benéficos? Sim, eles podem. Entretanto, não costumam ser e a grande maioria das pessoas, certamente, já sabe disso. Então, porque, mesmo sabendo disso, algumas pessoas insistem em procurar atalhos, investindo cada vez mais na busca da rapidez e cada vez menos na eficiência? Essa é a pergunta, cuja resposta certa, vale US$ 1.000.000 (um milhão de dólares). Vou me atrever e me esforçar para tentar respondê-la, ainda que não consiga ganhar absolutamente nada com isso.

A propaganda, a mídia, o “marketing” e o mundo moderno fictício vivem enganando as pessoas, dizendo para elas que elas precisam ser aquilo que não são e ter aquilo que não necessitam. Eles mostram a imagem de que tudo é fácil e que todo mundo pode fazer o que quiser e assim ficar muito rico, porque tudo é muito fácil e esse é o “grande objetivo” do ser humano. Entretanto, obviamente, isso não é verdade. Aliás, a verdade costuma ser totalmente antagônica a isso, até porque o objetivo real é ser feliz!

Todavia, quem pode afirmar que seguramente é preciso ser rico para ser feliz? E mais, quem disse que não existem pobres felizes ou ricos infelizes?  Meus amigos, as pessoas que normalmente dão certo e são felizes, geralmente trabalham muito, pensam muito e seguem caminhos muito longos, difíceis e geralmente sem atalhos. E cabe ressaltar, elas não são e nem querem ser ricas, querem apenas viver bem. É bom esclarecer que a palavra bem não envolve a necessidade de nenhum cifrão!

Faz muito tempo que, saímos do “tempo da carochinha”, mas, graças a propaganda, vivemos num faz de contas muito maior do que naquele tempo. Acreditamos piamente na mídia, na Televisão, no Google, na Internet e, mais recentemente, na Inteligência Artificial. Somos seguidores e veneradores do “deus propaganda” e rezamos na sua cartilha, descaradamente, sem nenhuma vergonha. Esse “deus propaganda”, serve ao seu primo, “o deus comércio”, que é irmão do ‘deus dinheiro” e ambos são filhos da mesma “deusa economia”. Essa família de falsos deuses são o engodo que tem destruído progressivamente a humanidade. É incrível, mas parece que a humanidade não quer mais ser feliz!

Pois então, essa corja de falsos deuses, colocam um monte de bobagem na cabeça das pessoas a desta maneira, acabam as convencendo de que ao vida é curta e o tempo urge e que eu preciso estar encima e com dinheiro suficiente para realizar todos os meus prazeres. Por isso, pernas para que te quero? Assim, vamos passar sebo nas canelas e sigamos em frente o mais rápido possível, mesmo que tenha que mentir e passar por cima de outras pessoas.

Algumas dessas pessoas que, muitas vezes, passamos por cima, são parentes próximos e amigos que deveriam ser amados, prezados e respeitados. Pais, enganam filhos, os filhos enganam os seus irmãos e todo mundo engana todo mundo para chegar mais rápido à “glória” (ficar rico). Mas, que glória é esta, que não tem sensibilidade, nem escrúpulos e muito menos vergonha. O pior de tudo é que ninguém mais quer ser feliz.

Durante mais de vinte anos nas minhas aulas inaugurais que ministrei para alunos que ainda não me conheciam e u sempre fiz a seguinte pergunta: o que é que todo mundo quer? E, pasmem Senhores, quase sempre, 100% dos alunos respondiam, dinheiro. Eu insistia e alguém respondia, ter uma casa, ter um carro do tipo “x” e assim, apenas coisas materiais. Ninguém queria ter uma família ou ver o fim das guerras, ou sei lá, qualquer besteira. O pessoal aprendeu, por conta da mídia, que fundamental é ter dinheiro e ninguém mais quer, simplesmente, ser feliz ou ter felicidade.

Ser rico é o que importa, ser feliz, não é prioridade de ninguém. Trocamos a felicidade, a família e os amigos pelo interesse do “deus dinheiro”, em função dos fortes e promissores apelos produzidos pelos seguidores e marqueteiros do “deus propaganda”.  Assim, enfiamos os pés pelas mãos. Os atalhos nos levam a ser cada vez mais gananciosos, mais egocêntricos e nos tiram a sensibilidade e o respeito com as demais pessoas. Passamos a ser indivíduos insensíveis, que nos preocupamos, apenas e tão somente, com o nosso sucesso econômico-financeiro e que deverá acontecer a qualquer preço.

Nessas alturas, já estamos literalmente viciados em procurar atalhos para ganhar vantagens sobre os “otários” que aparecem no nosso caminho. Essa prática cotidiana de ter que levar vantagem em tudo, parece que está ficando mais eficiente e nós nos iludimos, cada vez mais, com essa aparência. Alguns de nós até conseguem algumas coisas, mas a maioria, além de não conseguir nada, ainda perde muito mais, porque fica doente do corpo e do espírito. Aí surgem as drogas, os roubos e outras atitudes incoerentes e os rabos começam a aparecer. Com isso, o hedonismo passa a ser uma necessidade e uma obrigação, enquanto os “gurus” e os “pseudoanalistas de plantão” passam a trazer as novas verdades estabelecidas e a “vida” vai seguindo com o seu sonho do sucesso, que nunca chega.

É nesse momento que um ou mais daqueles rabos, deixados ao longo da história, passa a ser conhecido e aí o sujeito, dos atalhos que iam dar certo, cai na lama social, na fofoca e a realmente fazer parte da mídia, como sempre quis, mas de maneira diferente daquela que ele havia pensado em estar, pois ele passa a ser apenas mais um na estatística dos degradados. Nesse instante ele começa a pensar em morrer, alguns tentam mesmo o suicídio e muitos até conseguem. Porém alguns, são tão pouco eficientes que não conseguem nem completar o suicídio e continuam “vivos” ou quase isso, esperando a hora que Deus vai lembrar deles e vai levá-los para o outro mundo.

Esse é o problema maior dos atalhos, geralmente eles também são atalhos para a vida. As coisas rápidas em vida, também costumam levar a morte rápida. Pensem nisso e vivam um dia de cada vez. Estudem e aprendam sempre e sem pressa. As coisas têm que acontecer, ou não, dentro dos parâmetros corretos, legais e de modos temporariamente estabelecidos pela prudência. Atalhos, até podem existir, mas apenas para resolver questões esporádicas e momentâneas. Os atalhos não devem ser modelos de procedimentos e, principalmente, não podem ser meios efetivos de vida vantajosa, como pensam e insistem alguns.

Não invista sua vida em atalhos e siga os caminhos naturais e reais, que efetivamente são mais longos, mas nos ensinam mais e nos ajudam mais a resolver as questões que decorrem deles próprios. Mas, é claro que, se houver necessidade, em dado momento, um ou outro atalho até pode ser útil, mas não se esqueça que ele é uma forma momentânea de resolução problemática e não pode ser solução para tudo.

Ninguém consegue viver somente através dos atalhos. De qualquer maneira, a escolha sempre será sua. Portanto, procure escolher o caminho certo e se houver necessidade efetiva do atalho, esteja certo de que você escolherá sempre o melhor atalho, no melhor momento, mas jamais tente fazer disso uma prática cotidiana de vida. Se der certo, menos mal, mas se der errado, não insista e mude a estratégia.

Percebeu a diferença, não existe atalho certo, embora, momentaneamente, possa até existir um atalho devido. Mas, lembre-se que, por melhor que o atalho seja, ele sempre será um atalho, que poderá ser melhor ou pior. Desta forma, faça sempre um julgamento de valor e não se anime muito com aquele atalho que até deu bom resultado, porque outros atalhos poderão produzir efeitos bastante desagradáveis

Assim, entenda que o caminho correto, sem atalhos, é o caminho mais seguro e este deve ser o caminho seguido. Se você conseguir andar sempre no caminho correto, você perceberá que gradativa e progressivamente não haverá mais necessidade de tomar atalhos. Deste modo, seja realmente esperto, siga em frente e esqueça os atalhos. Lá no futuro, quando você olhar para trás, certamente você perceberá, que o aparente sacrifício maior de usar o caminho correto terá valido a pena.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista

06 out 2025
A Termelétrica que não faz sentido

A Termelétrica que não faz sentido*

Resumo: O texto propõe demonstrar a incoerência de instalação de uma Usina Termelétrica no Brasil, principalmente na região do Vale do Paraíba, na cidade de Caçapava.


Autoridades Civis, Militares e principalmente Eclesiásticas, promotoras deste evento, Senhoras e Senhores, Bom dia.

Nós sabemos que existem vários tipos de projetos. Alguns desses projetos são bons e necessários, mas outros são bestificantes, totalmente ilógicos, inócuos e injustificáveis, ainda que existam pessoas que teimam em planejá-los e, o que é pior, tentam desenvolvê-los. Mas, o “engraçado” é que essa pessoas só querem fazer isso na terra dos outros. Quando os políticos e administradores do país são sérios, eles simplesmente deixam essas questões de lado e esquecem esse tipo de projeto, mas, quando não são, a coisa acaba ficando bastante complicada e quem sofre são as pessoas que moram nos lugares, onde se quer que a desgraça seja implantada.

Pois então, meus amigos, este é o caso da famigerada termelétrica que gente de fora está querendo nos trazer. Para esse pessoal, não importa absolutamente nada a nossa opinião. Alguns deles são incautos e não sabem o que fazem, outros são idiotas e incapazes de pensar, muitos são maus-caracteres mesmo e pouquíssimos estão realmente interessados diretamente, mas apenas pelas questões estritamente econômicas e não energéticas e muito menos, ambientais. Pois então, esse povo estranho à nossa região, preocupado apenas com dinheiro, insiste em querer instalar esse “monstrengo cuspidor de fumaça” aqui na região do Vale do Paraíba e só nos resta lutar para tentar impedir que essa catástrofe possa acontecer.

Enquanto todo mundo clama por fontes energéticas alternativas e inesgotáveis, além de economia de baixo carbono, de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de preservação do planeta, aqui no Brasil os dirigentes, associados a certos empresário insistem em fazer e implantar termelétricas. São mais de 30 espalhadas pelo país afora e a nossa é a maior de todas. Aliás, é a maior de toda a América Latina, para produzir uma quantidade de energia que o país não está precisando. É difícil entender, mas vamos fazer o quê?  Vamos lutar!

Então, sigamos para o que mais nos interessa, neste momento, que é impedir qualquer possibilidade de Construção e Instalação dessa Super, Hiper, Mega “Torradeira Elétrica” de 1.750 Megawatts de potência energética instalada, que querem nos empurrar goela abaixo. Assim, vou, mais uma vez, enumerar alguns aspectos e tentar explicar porque esse “monstrengo”, essa “churrasqueira de gás”, não faz nenhum sentido.

1 – Ela é ruim para toda a região, porque gerará muita poluição atmosférica e concentrará esta poluição aqui mesmo, no nosso Vale do Paraíba, que não possui os ventos necessários para dissipar a poluição gerada. Também afetará diretamente a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, aquela que já possui sua segurança hídrica gravemente ameaçada, porque é relativamente pequena e tem que ser capaz de fornecer água para mais de 30 milhões de pessoas, exatamente, para três, das cinco maiores regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

2 – Além das pessoas, não se pode esquecer das inúmeras indústrias e fazendas agrícolas de nessas regiões, que obviamente consomem muito mais água do que as pessoas e que também serão bastante afetadas. Infelizmente, alguns “humanos” já não estão mais se contentando em apenas minimizar a quantidade da água que tanto precisamos e que nossa Bacia Hidrográfica tem nos fornecido, porque agora também parece que estão querendo poluir e contaminar essa água, complicando violentamente também a sua qualidade.

3 – Ela é péssima para todas as cidades do Vale do Paraíba Paulista, mas será especialmente danosa para as cidades mais próximas do local onde se pretende instalar o” monstro”: Caçapava, Taubaté, Tremembé, Santo Antônio dos Pinhais, Campos do Jordão, Pindamonhangaba Monteiro Lobato e São José dos Campos, que receberão os efeitos mais diretamente, principalmente as 4 primeiras.

4 – Ela será terrível para a saúde, porque ampliará bastante a poluição da região e certamente aumentará os problemas relacionados às doenças respiratórias dos moradores do nosso Vale do Paraíba. Nós já temos alguns locais complicados pela poluição atmosférica e consequentemente, também temos muitas pessoas sofrendo por conta disso e assim, não devemos e nem podemos aumentar o número desses locais de grande capacidade poluente. Segundo a OMS, a poluição mata mais de 7 milhões de pessoas no mundo anualmente.

5 – Ela será muito desagradável para o trânsito, a mobilidade urbana e o transporte na região, porque aumentará significativamente o tráfego de caminhões nas proximidades, principalmente na antiga rodovia Rio-São Paulo, que será a via de acesso ao empreendimento, mormente durante a construção dessa “imensa torradeira”.

6 – Do ponto de vista sociológico, ela será um investimento tremendamente infeliz, porque será uma obra muito cara (custará mais de 6 bilhões de reais), e que, depois de pronta, gerará míseros 40 empregos efetivos, os quais, certamente, não serão ocupados por pessoas da região, haja vista que serão funções especializadíssimas que a região não possui. Apenas durante a construção é que haverá alguns empregos na área da construção civil (cerca de 700), porém, mais de 95% desses empregos serão sem qualquer qualificação e de baixíssima renda e assim, não agregarão grandes recursos econômicos à região. Ou seja, o custo será alto e o benefício, se existir, será insignificante para as cidades e não compensará o investimento.

7 – Além disso, durante a construção e instalação, certamente haverá grandes transtornos à vida das cidades, ampliando os casos de violência urbana e de necessidades hospitalares, educacionais e principalmente, sociais e assistenciais. E, se não bastasse isso, afortunadamente ainda ficarão, como em qualquer grande obra desse país, os “filhos da termelétrica” para serem criados pelos moradores efetivos das cidades locais.

8 – Do ponto de vista econômico esse é o pior negócio que existe, porque a energia térmica custa muito mais caro do que qualquer outra e quem paga essa conta é o contribuinte, que já não tem mais como fazer para sobreviver e ainda tem que pagar pelos novos erros dos políticos e administradores públicos. É triste, mas apenas os donos da empresa ganharão com essa “monstruosidade térmica”.

9 – Cabe lembrar ainda que, hoje, o Brasil pode gerar o dobro da energia que consome e que, deste modo, o país não está precisando dessa imensa quantidade de energia. Se o país voltar a crescer, talvez sejam necessárias novas usinas geradoras de energia nos próximos 10 a 20 anos, mas nunca se deve pensar em usinas termelétricas que poluem muito, destroem bastante o ambiente, causam doenças e custam muito caro. Se existe algo que o Brasil, por óbvio, não necessita, são as Usinas Termelétricas.

10 – O Brasil tem sol o ano todo e pode produzir muita Energia Solar. O Brasil ainda possui mais de 8,5 mil quilômetros de litoral e se considerar as inúmeras ilhas, nossa faixa litorânea facilmente passará de 10 mil quilômetros. Assim, nosso país ainda tem bastante vento em determinadas regiões e pode explorar mais e melhor a energia Eólica. Além disso, ainda temos muitas possibilidades de hidrelétricas e outras modalidades de obtenção de energia ligadas a água, como energia de Marés, de Correntes e de Ondas. Usina Termelétrica só é fundamental para alguém que quer ganhar dinheiro fácil, degradar o meio ambiente e complicar a saúde das pessoas e até matar algumas.

11 – Em suma, esse negócio não interessa a ninguém aqui na nossa região. Hoje somos quase 3 milhões de pessoas no Vale do Paraíba Paulista e temos que fazer valer o nosso direito de não querermos essa “Torradeira poluidora” em nosso meio. Vamos abominar essa coisa horrível, que só trará lucro para os seus proprietários, que não vivem aqui, e que apenas prejudicará toda a nossa região, com um incremento absurdo de poluição atmosférica e de consumo hídrico, que direta ou indiretamente só nos farão mal.

Assim, meus amigos, só me resta dizer: Vá de retro, Satanás. Xô, Termelétrica, Xô!

Taubaté, 4 de outubro de 2025

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

*Palestra Proferida no dia 4 de outubro de 2025, (Dia de São Francisco e Dia Nacional da Ecologia), na Igreja Matriz de São Francisco das Chagas (Padroeiro de Taubaté), na Praça Dom Epaminondas, Matriz da Diocese de Taubaté, na presença de 4 Bispos da região do Vale do Paraíba, inclusive o Bispo de Taubaté (Dom Wilson Luís Angotti Filho), versando contra a possibilidade de Instalação de uma Usina Termelétrica no Vale do Paraíba, mais precisamente no município de Caçapava,

06 set 2025

Ideias Ambientais que deveriam ser apagadas das mentes das pessoas

Resumo: O texto propõe esclarecer sobre algumas ideias ambientais, totalmente infundadas e inverídicas, que a mídia insiste em empurrar na mente do cidadão comum.
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Introdução

Houve um tempo em que falar de Meio Ambiente era coisa de gente ingênua e romântica. Graças a Deus, esse tempo já passou, na maioria dos lugares e das situações. Contudo, ainda existem pessoas que acham que falar de Meio Ambiente é uma coisa de quem não tem o que fazer. Pois então, esse tipo de pensamento também tem que acabar, até porque, hoje, todas as pessoas de senso, têm a convicção de que as questões ambientais são realmente as mais importantes questões planetárias, em que pese o desleixo das autoridades políticas e administrativas, além do evidente e triste desconhecimento de muitos segmentos da sociedade sobre essas questões.

Por conta disso, várias lendas e incoerências se desenvolveram e muitas delas de tanto serem repetidas, principalmente pela mídia incapaz e deficiente ou safada e inconsequente, acabaram por quase se “transformarem em verdades”. Infelizmente, está cheio disso por aí e há necessidade de que se acabe com essas informações absurdas e que se diga a verdade sobre as questões ambientais. É preciso acabar com esse negócio de que qualquer coisa que alguém fala transformar-se em verdade, sendo assumido e repetido como verdade absoluta, sem nenhuma análise e sem nenhum critério.

Vejam bem, eu não quero aqui discutir o óbvio e muito menos descobrir a pólvora pela milionésima vez, porém quero chamar a atenção de quem ainda se ilude com a situação planetária, ouvindo certas opiniões que mais complicam e desinformam do que auxiliam as pessoas a entenderem os problemas que realmente existem. Publicam-se e multiplicam-se mentiras e continuam a publicar, porque ninguém impede que essa idiotice se espalhe pelo país? É preciso dar um basta nessas histórias, para que as comunidades possam ser informadas daquilo que realmente acontece.

Tenho certeza de que o que vou dizer nesse artigo não traz novidade para quem é estudioso das questões ambientais planetárias ou para quem tem real interesse na área do meio ambiente. Contudo, meu trabalho aqui é dedicado prioritariamente ao cidadão comum, que precisa saber a verdade dos fatos para comentar sobre esta verdade e deixar de se iludir com bobagens. É preciso orientar o cidadão comum para que ele não seja usado como inocente útil e simplesmente compartilhe e espalhe mentiras e lorotas, como se fossem verdades científicas.

Assim, vou tentar fazer um apanhado de algumas coisas que se fala sobre diferentes questões socioambientais e tentar fazer um condensado de verdades e mentiras que estão por aí colocando minhoca na mente dos leigos sobre o assunto. O pior é que tem muita gente boa, que mesmo sabendo que é leiga no assunto, simplesmente, prefere, por ignorância ou por birra, não admitir o seu desconhecimento e continua falando e escrevendo bobagem.

Vou começar lá do fundo, falando das coisas mais antigas e mais óbvias, até chegar as mais novas das idiotices citadas por certos setores da imprensa e por alguns de seus infelizes seguidores.  O texto é longo, mas, também deverá ser esclarecedor. Acredito que vai valer a pena ser lido.

1 – A Água no planeta está acabando?

Não, absolutamente não. A quantidade de água no planeta foi, é e continuará sendo sempre a mesma. O que pode mudar é a qualidade da água e o estado físico da água. Além disso, o que também acontece é a mudança é a sua ocorrência geográfica, principalmente, em função da temperatura, das chuvas, das nuvens e dos ventos, basicamente.

Se a água não existe mais num determinado local, certamente ela aparecerá em outro local. Não há mágica na natureza e água é algo natural, portanto, segue a regra, assim, também não há nenhuma mágica.  Deste modo, temos que cuidar da qualidade da água e das condições ambientais que propiciam mudanças significativas de distribuição da água nos diferentes lugares do planeta.

Em suma, nós continuamos tendo água, mas a água está poluída ou está se concentrando cada vez mais onde os seres humanos menos necessitam dela. Mas, os culpados desses acontecimentos, certamente são os próprios seres humanos, que não tratam da água como deveriam, principalmente aqui no Brasil, que é o país que tem as maiores reservas de água em estado líquido do planeta (cerca de 13% do total). Infelizmente, aqui no Brasil, a água ainda é tratada como uma coisa vulgar, que cai do céu por conta da vontade de Deus.

Pois então, é preciso entender que a água é um recurso natural, que serviu como meio congênito que permitiu a formação da vida e que se mantém por conta de um ciclo que faz ela ir e vir entre a Terra e a Atmosfera (Ciclo da Água), passando por três estados físicos distintos: Sólido (gelo), Gasoso (Vapor de água) e Líquido (a água propriamente dita). A água troca de estado físico, mas é sempre água e não é mais e nem menos importante.  

Além disso, a água também está presente nos organismos vivos, sendo responsável pelo transporte das substâncias no interior desses organismos. Assim, a água pode ser considerada a substância mais importante sobre a superfície do planeta. A água é fundamental para todas as espécies do planeta, independentemente de qualquer outra história que se conte sobre ela.

Em suma, a água não vai acabar, por mais que o “bicho homem” queira e tente acabar com ela. Todavia se não tomarmos cuidado com a continuidade de seu ciclo em todo planeta, poderemos ter problemas de escassez em determinadas áreas, onde antes esse risco não existia. Por outro lado, podemos passar a  ter abundância onde antes havia carência de água.

2 – O Planeta vai acabar?

Sim, um dia o “planeta vai acabar”, como tudo que existe na natureza, contudo, em condições naturais, mas isso ainda levará alguns bilhões de anos para acontecer. Quando se fala em destruição do planeta, na verdade, se está querendo falar das degradações de locais do planeta. É claro que o grau maior ou menor dessas degradações pode ter efeitos mais ou menos danosos, entretanto o planeta não vaia acabar por conta disso.

Ultimamente, temos visto que as Catástrofes são cada vez maiores, mais violentas e mais danosas, porém nenhuma delas isoladamente vai acabar com o planeta. Talvez, a pior das catástrofes, que é o desrespeito contumaz da espécie humana pelo planeta, seja o que acaba cometendo mais danos. Contudo, ainda assim, essa catástrofe não consegue acabar com o planeta, mas certamente tem acabado com algumas espécies e pode acabar com os seres humanos também.

Progressivamente, o Sol nossa fonte ÚNICA de energia vai se consumindo e assim gerando menos energia e certamente chegará um dia em que a energia vinda do sol não será suficiente para manter a vida na Terra.  Quer dizer, a vida na Terra, que é totalmente dependente do sol, deixará de existir, quando o sol não for mais capaz de gerar e irradiar sua energia até a Terra. Como já foi dito, ainda faltam bilhões de anos para que essa situação se evidencie.  Deste modo, não se preocupe todos nós, certamente, morreremos de outras causas.

Por outro lado, a vida (as espécies vivas) nessas localidades podem se extinguir. Aliás, cabe lembrar que extinção é um processo natural que acontece com todas as espécies vivas. Isto é, todas as espécies do planeta vão se extinguir, inclusive a nossa. Quando se fala no planeta acabar, na verdade está se falando na espécie humana acabar, ou melhor, não é o planeta que acaba somos nós quem acabaremos e isso é um fato indiscutível.

Todavia, sempre é bom lembrar que nós, apenas nós, os seres humanos, fazemos coisas que interferem nos processos naturais e assim, apenas nós, podemos acelerar ou retardar a extinção de nossa espécie e, por certo, de muitas outras espécies planetárias. Mas, nem mesmo nós, por mais que estejamos tentando, temos o poder de destruir o planeta totalmente.

3 – A Amazônia é o “Pulmão do Mundo”?

Essa é uma afirmação terrível e uma grande bobagem. Um frase pequena, cheia de erros imensos. O idiota que escreveu isso, além de não conhecer nada de Geografia, nem de Biologia, conhece muito menos ainda de Física. Entretanto, tristemente, o que mais se vê por aí, são outros idiotas repetindo essa incoerência e de boca cheia. Bem, vamos com calma, que eu vou tentar esclarecer o que estou dizendo.

Para começar, a Amazônia é uma região geográfica do Noroeste da América do Sul, que envolve áreas de nove países (Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e o Brasil). A Amazônia brasileira envolve, todos os estados da região Norte do Brasil, dois da região Centro-Oeste (Mato Grosso e Tocantins) e um da Região Nordeste (maior parte do Maranhão).  Acho que todos sabem que região geográfica não tem nenhuma relação com Pulmão.

A Amazônia Brasileira é caracterizada principalmente por florestas tropicais e pelo Bioma da Floresta Amazônica, mas não é nada absolutamente homogêneo na região e assim, vários Biomas específicos podem ser identificados e cada um deles tem uma relação maior ou menor com as taxas de trocas de oxigênio. Além disso, nas trocas orgânicas de oxigênio para fins respiratórios, os pulmões são órgãos que RETIRAM oxigênio do ambiente.

Quando alguém faz referências à Amazônia como “Pulmão do Mundo” está querendo dizer que a Amazônia COLOCA oxigênio no ambiente, o que também não é verdade, como veremos mais à frente. Assim, vamos esclarecer que Chamar Amazônia de Pulmão é uma ilogicidade Física, porque pulmão retira ar e não põe, como se quer considerar. Na verdade, provavelmente, se queria dizer que a Amazônia e o “Aerador ou o Oxigenador do Mundo”. Entretanto, a quantidade de Oxigênio que a Amazônia produz durante o dia e relativamente igual a que ele consome durante a noite e assim a Amazônia não RETIRA e nem COLOCA Oxigênio significativamente na atmosfera global do planeta.  

Aliás, devo esclarecer que os verdadeiros “Aeradores ou Oxigenadores do Mundo” são as algas microscópicas que compõem o fitoplâncton, principalmente o fitoplâncton marinho, que respondem por mais de 90% de toda a quantidade de Oxigênio existente no Planeta. A Amazônia e as grandes Florestas Tropicais ainda existentes, influem muito pouco na quantidade de oxigênio. Na verdade, a importância da Floresta Amazônica, está mais relacionada com o clima da Terra.

Quer dizer, há um erro geográfico, porque região geográfica não produz oxigênio, um erro físico porque pulmão consome oxigênio e não produz e um erro biológico já quem produz, verdadeiramente, oxigênio em escala global são algas microscópicas e não florestas. Entretanto, tem muita gente que enche a boca para repetir essa bobagem bestial.

4 – O Aquecimento Global existe?

É óbvio que sim. Essa é uma discussão que não faz mais sentido e já faz muito tempo. O Aquecimento Global é um fato que está aí claramente para todo mundo ver, mesmo aqueles que não querem ver têm que conviver com ele. Então, como é que tem gente que contesta sua ocorrência. Pois então, essa é a grande mentira que estão tentando colocar pela goela a abaixo das pessoas. Hoje, existe consenso da comunidade científica sobre o Aquecimento Global, o que se discute é se a espécie humana é a responsável pela existência desse fenômeno.

Desde que se passou a medir a temperatura do planeta, ainda no século XIX, a média anual sempre aumentou, o que deixa claro que a temperatura média do planeta está progressivamente aumentando. Contudo, existem vários aspectos que atuam nesse aumento médio da temperatura e o que se discute é qual o grau de comprometimento das ações humanas nesse aumento. Isso sim é que tem dividido as opiniões científicas. Quer dizer, todos concordam que o Aquecimento Global existe, mas a dúvidas se o ser humano é o culpado disso, ou o quanto a culpa do Aquecimento pode ser atribuída aos seres humanos.

Um dos principais aspectos que se considera como causador do Aquecimento Global é o aumento acentuado da quantidade de Gás Carbônico na atmosfera. A queima de Combustíveis fósseis, que cada vez mais acontece no planeta e que libera e consequentemente é o que mais acrescenta Gás Carbônico na atmosfera. Como o homem é o principal causador das queimas que geram o Gás Carbônico, então o homem seria o principal causador do Aquecimento. Entretanto, existem vários outros aspectos que consideram que o Aquecimento é uma questão cíclica planetária e que por mais que o homem esteja jogando Gás Carbônico na atmosfera, isso não seria suficiente para justificar o Aquecimento Global.

Quer dizer, o Aquecimento é um fato, o que existe é uma dúvida de quem é mais responsável: o homem ou a própria natureza. Há estudos e argumentos científicos, produzidos por cientistas respeitados dos dois lados. Mas, nenhum dos lados contesta o Aquecimento. Todavia, a imprensa e certos grupos políticos que não têm nenhum conhecimento sobre o assunto e sem base nenhuma, deturpam o sentido da discussão e falam um monte de besteiras.

5 – Alimentos de origem animal fazem mal à saúde humana?

Essa é uma questão interessante e notoriamente sem sentido e mentirosa. Ela é sem sentido, porque os animais têm mais afinidade bioquímica com os próprios animais e assim, deve ser muito mais fácil decompor e degradar tecido animal do que vegetal, até porque digerir a celulose que existe envolvendo todas as células vegetais é bastante complicado e poucos animais conseguem. Mentirosa, porque se ela fosse verdadeira não existiriam animais carnívoros e nem onívoros. Ou seja, todos os organismos animais seriam essencialmente herbívoros e isso não acontece. Além disso, é bom lembrar que também existem “plantas carnívoras”, ou melhor, plantas que se alimentam diretamente de animais.

Por outro lado, é preciso compreender que existem 20 aminoácidos fundamentais para compor as proteínas que os organismos vivos necessitam. Existem13 aminoácidos que os organismos produzem (não essenciais) e 7 aminoácidos que eles precisam adquirir através da alimentação (essenciais). Muitos desses aminoácidos estão nas mais diferentes fontes de alimento, por isso mesmo, é preciso entender que a espécie humana é onívora, isto é, se alimenta de vegetais e animais, qualquer coisa diferente disso é crendice. Nós precisamos ingerir carne para adquirir aminoácidos e produzir as proteínas que necessitamos.

Ah! Mas, os vegetarianos e os veganos, como ficam? Simplesmente, eles não ficam. Ou seja, se eles não investirem em adquirir proteína animal da maneira suplementar, certamente perecem. E tem mais, de onde vocês acham que veem essas proteínas animais suplementares que eles são obrigados a ingerir? ´Pois é, exatamente isso, dos animais. Ora vegetarianos e veganos só existem em teoria, pois na prática, todos nós, seres humanos, somos onívoros. Qualquer coisa diferente disso é balela ou é conversa para boi dormir.

É claro que existem pessoas que assumem essas condições por alguma necessidade fisiológica, por inclinação ou doutrinação religiosa ou ainda por simples opção de vida e, obviamente, isso um direito que qualquer cidadão tem. Cada indivíduo é livre e tem o direito de fazer o que quiser com sua alimentação e sua própria vida. Não estamos aqui para questionar a liberdade e o direito de quem quer que seja. Ser vegetariano ou vegano é um escolha que qualquer cidadão tem o direito de fazer, mas esse é um ato, a priori, contra sua própria saúde.

Assim, ao contrário de afirmar que alimentos animais fazem mal à saúde, temos que entender que alimentos de origem animal também são fundamentais à saúde humana. A carne, o leite e seus derivados são importantíssimos para a vida dos indivíduos de nossa espécie. As pessoas que não ingerem os nutrientes oriundos desses tipos de alimentos, certamente necessitam fazer suplementação alimentar, porque apresentam uma alimentação incompleta. É claro que existem outros nutrientes, além das proteínas, que nós encontramos também em alimentos de origem vegetal e por isso precisamos misturar as duas fontes. Como eu já disse, nós somos animais onívoros.

6 – Os chamados “Alimentos Orgânicos” tem mais qualidade?

 Sim, entretanto há necessidade de alguns esclarecimentos iniciais. Para começar, devo dizer que todo alimento é necessariamente orgânico. Nós organismos vivos nos nutrimos retirando a energia contida naquilo que ingerimos. Só contêm energia para ser retirada e aproveitada, as substâncias (alimentos) formadas por matéria orgânica. Ou seja, todos os alimentos são orgânicos. Entretanto, nos últimos tempos algumas pessoas convencionaram chamar de “Alimentos Orgânicos”, apenas aqueles alimentos que estão isentos de agentes químicos externos ao processo natural de cultivo.

 Acredito que esse conceito deva ser modificado ou mais bem esclarecido, até para que haja um melhor entendimento da questão de que aquilo que é chamado de orgânico, não é mais orgânico que o alimento industrializado ou tratado com agroquímicos. Isto é, os alimentos considerados “Orgânicos” são apenas aqueles em que a produção não utiliza adubos sintéticos, nem agrotóxicos ou qualquer outro aditivo industrial. Os “Orgânicos” são cultivados de maneira, totalmente, isenta de insumos químicos adicionais. Não há dúvida de que os “Orgânicos” são mais indicados do que os industrializados. Entretanto, sempre é bom lembrar de que: qualquer alimento é orgânico na sua condição química básica.

É óbvio que se pudermos nos alimentar sempre de coisas naturalmente produzidas, certamente, estaremos nos nutrindo melhor e correndo menos riscos de contaminação química. Assim, podemos afirmar que os chamados “Alimentos Orgânicos” são mais interessantes à saúde humana, entretanto estamos muito longe de produzir “Orgânicos” para mais de 8 bilhões de humanos e assim, infelizmente, o mundo ainda depende bastante dos alimentos industrializados, mesmo com seus componentes químicos adicionais.

Desta maneira, é preciso entender que existe um hiato imenso entre os alimentos industrializados e os “Orgânicos” e que, por mais ideal que os “Orgânicos” possam ser, a quantidade desse tipo de alimento, lamentavelmente, ainda é muito pequena para suprir as necessidades alimentares dos mais de 8 bilhões de seres humanos do planeta. Infelizmente a grande quantidade de alimento que o mundo necessita para alimentar os humanos está posta à base de implementos agrícolas que foram permitindo o incremento constante das produções agrícolas no planeta.

Assim, como a necessidade era grande a quantidade de produtos alimentícios, os agrotóxicos se ampliaram em uso e isso interferiu significativamente na qualidade desses produtos. Certamente não deveríamos estar comendo produtos industrializados e cheios de agrotóxicos, mas fomos, historicamente, levados a esta condição. De qualquer maneira, em tese, quem puder optar pelos “Orgânicos”, por óbvio, se alimentará com melhor qualidade, pelo menos, no que tange à natureza do produto que ingerem.

7 – A Agenda 2030 vai resolver todos os Problemas Ambientais do Planeta?

Obviamente, que não. Entretanto, muito já poderia ter sido feito para minorar o atual estado de coisas e não foi e, tristemente, continua não sendo, mesmo com a “Agenda 2030”, porque fala-se muito, mas não se aplica efetivamente nada sobre ela.  Vou ter que contar um pouco de história para explicar melhor essa questão.

A “Agenda 2030 e os seus 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável)”, que foi sugerida e implantada em 2015, é neta da “Agenda 21” que foi sugerida e implantada em 1992 e filha dos ODM (Objetivos do Milênio), que foram implantados em 2002. Vejam bem se alguma coisa contundente estivesse sendo feita desde a “Agenda 21”, em 1992, talvez já não tivéssemos tantos problemas agora, 28 anos depois, em 2025. O problema é que só se discute e nada se resolve. A Agenda 2030 é apenas mais uma tentativa inócua daquilo que se sabe que tem que fazer, mas que, simplesmente, se empurra com a barriga e não se faz.

A mesma coisa pode ser dita em relação as Conferências das Partes (COP), que quando começaram em 1995 (COP 1 – Berlim/Alemanha) estavam cheias de ideias e logo depois produziram o Protocolo de Quioto, 1997 (COP 3 – Quioto/Japão), fizeram o Acorde de Paris, em 2015 (COP 21 – Paris/França), mas até agora, 30 anos depois, quase nada aconteceu. O Problema está exatamente aí. Será que querem mesmo resolver alguma coisa ou apenas se promovem encontros e reuniões para dizer que estão trabalhando?

Eu sinceramente, prefiro acreditar que querem apenas dizer que estão trabalhando, mas não fazem absolutamente nada de significativo para tentar resolver os problemas do planeta.  Acredito que ainda tem que morrer muita gente pela inoperância dos líderes políticos mundiais e só depois de muitas desgraças é que deverão começar as tentativas efetivas de resolução de alguns dos problemas. Talvez, quando também começarem a morrer os ricos. Entretanto, essas verdades a mídia não informa e nem discute.

De qualquer maneira, quando essa época chegar, certamente, eu já não estarei mais por aqui, mas tenho certeza de que um dia, isso vai começar a acontecer. O ser humano é assim mesmo ele pensa no futuro, mas esquece de viver o presente, construindo as condições necessárias para o futuro. Estamos sempre imaginando e querendo algo em alguma das áreas de atividades, mas dificilmente fazemos alguma coisa. Quando muito temos apagado alguns incêndios momentâneos.

Com as atividades ligadas às questões ambientais não é diferente. A propósito, antes que me crucifiquem. Eu não perdi a esperança. Eu continuo acreditando, mas caramba! O futuro que não chega nunca! Deste modo a população continua acreditando em Papai Noel e alguns políticos seguem querendo salvar os “Coalas da Amazônia”, mas continuam mandando matar os Gambás do restante do Brasil.

8 – A Poluição ainda não é significativa para o Planeta?

Talvez essa questão possa ser considerada uma verdade para o Planeta como um todo, mas ela é falaciosa, principalmente para quem vive em áreas que estão diretamente expostas à grande quantidade de poluição. Ou seja, para quem vive em grandes áreas poluídas com poluição atmosférica, aquática ou edáfica, a significância da poluição sofrida acaba sendo drástica e há inúmeras perdas de vidas humanas nestas áreas onde a poluição é imensa.

Há áreas do planeta, principalmente nos centros urbanos das megalópoles e nos grandes centros industriais, que a situação está catastrófica e que é quase impossível sobreviver, pois se está diretamente exposto aos efeitos da poluição atmosférica. Por outro lado, também há áreas em que a poluição oriunda de mineração ou de contaminação hídrica, mas com excelente qualidade do ar, onde também a quantidade da poluição é grande e muita gente também morre em função da poluição.

Por outro lado, ainda temos algumas áreas no planeta que estão livres da poluição, tanto atmosférica, quanto hídrica ou edáfica. Entretanto, isto não quer dizer que essas áreas estejam bem, na verdade elas apenas estão “menos piores”, mas correm riscos sérios, porque nunca se sabe qual será a próxima novidade que a espécie humana vai inventar e nem onde será implantada essa “grande invenção”. Por exemplo, aqui no Brasil, neste momento e na contramão da história, surge essa protusão de usinas termelétricas infundadas e se isso continuar a poluição atmosférica será intensa, mesmo em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.

As outras formas genéricas de poluição também não assustam todo o planeta, mas há áreas totalmente contaminadas, tanto no solo, quanto na água. No que diz respeito ao solo, a desertificação aumenta significativamente e os solos são perdidos em alta velocidade. No que diz respeito a poluição hídrica, são mares invadindo terras, lagos e rios secando, nascentes morrendo e muita porcaria jogada dentro da água sem nenhum tratamento, principalmente, mas não somente, nos países mais pobres. A contaminação química oriunda da agropecuária destrói solo e água ao mesmo tempo e nós não temos muitas alternativas, além de minimizar o uso dos implementos agrícola e tentar controlar esse uso.

Quer dizer, poluição é um nome genérico que identifica inúmeros problemas que ocorrem em diferentes áreas e que tem origens e consequências bem distintas. Desta maneira, cada caso deve ser analisado e destacado especificamente. É lógico que ainda existem regiões planetárias isentas de poluição, mas estas, por óbvio, são áreas raríssimas e quanto mais o ser humano se introduz nessas regiões, mais elas sofrem com a o aumento da poluição nos seus diferentes tipos e formas.

Assim, por menor que possa ser o impacto da poluição é preciso estar atento aos seus efeitos danosos aos ambientes. O ser humano necessita entender que explorar o planeta sempre envolve impactos diretos e danos bastante significativos. Hoje nós sabemos que existe mecanismos de prevenção ou minimização para quase tudo, o que precisa mesmo é responsabilidade socioambiental no momento de desenvolver a exploração da natureza, visando impedir, evitar ou limitar a poluição.  

9 – O Aquecimento da Água não interfere na comunidade aquática?

Ao contrário, do que está dito na questão acima, o aquecimento da água interfere sim e interfere bastante na comunidade aquática, haja vista que a taxa fotossintética aumenta e a produção primária de matéria orgânica também e isto causa influência em toda a cadeia alimentar. É claro que os oceanos são imensos e que para que esse aspecto possa ser significativo, muito tempo tem que passar, mas como o processo não para o tempo que resta é sempre menor do que já foi. Ainda que estejamos muito longe de uma catástrofe global por conta desse fato, nós não podemos simplesmente desconsiderá-lo e dizer que ele não existe.

Na verdade, o problema existe, mas a sua capacidade de ser notado e de ser considerado significativo, ainda é muito pequena, porque é um processo em estágio inicial, considerando o tamanho dos oceanos e das demais massas hídricas planetárias. Entretanto, se analisarmos pequenas áreas, onde o aquecimento da água é facilmente identificado, certamente, é possível perceber grandes mudanças na biota aquática do entorno. Por exemplo, muitos locais com saídas de águas aquecidas de Usinas Nucleares, são locais que tiveram suas comunidades ecossistêmicas primárias significativamente modificadas por conta do “calor exagerado” e do aumento na temperatura da água. A propósito, a expressão “calor exagerado”, não é necessariamente sinônimo de água muito mais quente, mas sim de elevação acima do normal.

Os ambientes se fazem e os ecossistemas se desenvolvem, por conta da adaptação dos seres vivos a estes ambientes. Então, a comunidade vive ali porque está adaptada àquela determinada temperatura. Todavia, se essa temperatura tem um acréscimo constante de 0.5 graus por ano, ao final de 10 anos, aquela água estará 5 graus mais quente e talvez esse seja o limite para a comunidade que ali havia se instalado e assim outros organismos se achegam agora e os anteriores vão simplesmente se extinguindo naquele ambiente. Há inúmeros trabalhos que demonstram e comprovam isso.   

Sendo assim, a expressão calor exagerado, pode ser 0,1 grau de aumento na temperatura por ano. Outra coisa que precisa estar claro é qual o tipo de comunidade que está sendo tratada na questão. Talvez para uma baleia 0,1 grau não represente nada, e ao final de 10 anos, o aumento total de 10 graus seja praticamente nulo para ela, contudo um coral ou uma esponja que viva naquele lugar terá uma mudança muito significativa e provavelmente não resistirá.

Quer dizer o aquecimento da água, por menor que seja certamente será sentido pela comunidade aquática local e talvez alguns não vão sentir quase nada, outros vão sentir um pouco, mas vão resistir, e outros ainda não vão resistir e assim se extinguirão naquele local. Outras formas, mais adaptadas podem assumir o lugar das que se extinguem, ocupando seus nichos na comunidade e a biota aquática local se modifica e vai ficando bem diferente do que era primitivamente.

Considerações Finais

Einstein já nos demonstrou que tudo é relativo e essa é uma grande verdade que precisa ser entendida quando se fala na questão ambiental. A mídia costuma enriquecer os extremos das informações e assim enfraquece a verdade das informações que estão no seu cerne e não nas suas extremidades. Tudo faz bem e tudo faz mal, ou melhor, qualquer coisa e boa ou ruim, dependendo do peso que se queira dar, mas a gente também sabe que a diferença entre o antídoto e o veneno é a dose. Assim evitemos os extremismos e nos dediquemos a informar sem mentiras, sem paixões e sem exageros.

A mídia necessita se profissionalizar mais e melhor para poder informar, principalmente no que se refere as questões ligadas ao meio ambiente, onde se costuma fazer alarde das inverdades e se deixa de promover a verdade.  Embora eu não esteja aqui para julgar ninguém, quero salientar que, tristemente, muitas vezes a informação errada é intencional, resultando de matéria paga, mas também existem casos em que a verdade não é dita por simples falta de conhecimento da própria mídia. Quer dizer, a mídia pode mentir deliberadamente, mas também pode errar efetivamente, porque às vezes, eles até acham que estão falando verdades.

Certas situações precisam ser questionadas elos leitores antes de serem simplesmente repetidas e divulgadas. Hoje isso está cada vez mais difícil, porque a maioria das pessoas, ao receber uma notícia, já vai logo compartilhando, sem questionar a veracidade daquele texto. Dessa maneira, as inverdades crescem e o desconhecimento fica cada vez maior. Nosso povo precisa crescer no conhecimento e não na desinformação e no desconhecimento.

Tenho certeza de que o que vou dizer nesse artigo não traz novidade para quem é estudioso ou para quem tem real interesse na área do meio ambiente, mas meu trabalho aqui é dedicado prioritariamente ao cidadão comum, que precisa saber a verdade dos fatos para comentar sobre esta verdade. É preciso orientar o cidadão comum para que ele não seja usado como inocente útil e simplesmente compartilhe e espalhe mentiras e lorotas, como se fossem verdades científicas.

O leitor deve usar o seu “desconfiômetro” e principalmente a sua responsabilidade socioambiental, antes de divulgar qualquer matéria da qual não tenha o devido conhecimento. Ser criterioso e questionar o que se lê é uma responsabilidade do leitor. Deste modo, não faça divulgação cega de qualquer texto que você recebe, procure discutir ou se informar com alguém que seja conhecedor do assunto em questão, antes de simplesmente repetir e divulgar o texto.

Só assim, conseguiremos, como brasileiro que somos, sair da mesmice e de nosso desnível cultural em relação a outros povos do mundo e no que se refere ao nosso assunto específico, conhecer uma pouco mais das questões ambientais. Temos que ser conscientes de que: “não existe mágica na natureza, porque a natureza é a própria mágica”. O que precisamos é procurar entender melhor os segredos da mágica natural, para podermos aproveitar melhor as suas maravilhas, sem causar grandes comprometimentos ambientais. Temos que compreender que também somos apenas parte da mágica.

Luiz EIdeias Ambientais que deveriam ser apagadas das mentas das pessoas

Luiz Eduardo Corrêa Lima

Introdução

Houve um tempo em que falar de Meio Ambiente era coisa de gente ingênua e romântica. Graças a Deus, esse tempo já passou, na maioria dos lugares e das situações. Contudo, ainda existem pessoas que acham que falar de Meio Ambiente é uma coisa de quem não tem o que fazer. Pois então, esse tipo de pensamento também tem que acabar, até porque, hoje, todas as pessoas de senso, têm a convicção de que as questões ambientais são realmente as mais importantes questões planetárias, em que pese o desleixo das autoridades políticas e administrativas, além do evidente e triste desconhecimento de muitos segmentos da sociedade sobre essas questões.

Por conta disso, várias lendas e incoerências se desenvolveram e muitas delas de tanto serem repetidas, principalmente pela mídia incapaz e deficiente ou safada e inconsequente, acabaram por quase se “transformarem em verdades”. Infelizmente, está cheio disso por aí e há necessidade de que se acabe com essas informações absurdas e que se diga a verdade sobre as questões ambientais. É preciso acabar com esse negócio de que qualquer coisa que alguém fala transformar-se em verdade, sendo assumido e repetido como verdade absoluta, sem nenhuma análise e sem nenhum critério.

Vejam bem, eu não quero aqui discutir o óbvio e muito menos descobrir a pólvora pela milionésima vez, porém quero chamar a atenção de quem ainda se ilude com a situação planetária, ouvindo certas opiniões que mais complicam e desinformam do que auxiliam as pessoas a entenderem os problemas que realmente existem. Publicam-se e multiplicam-se mentiras e continuam a publicar, porque ninguém impede que essa idiotice se espalhe pelo país? É preciso dar um basta nessas histórias, para que as comunidades possam ser informadas daquilo que realmente acontece.

Tenho certeza de que o que vou dizer nesse artigo não traz novidade para quem é estudioso das questões ambientais planetárias ou para quem tem real interesse na área do meio ambiente. Contudo, meu trabalho aqui é dedicado prioritariamente ao cidadão comum, que precisa saber a verdade dos fatos para comentar sobre esta verdade e deixar de se iludir com bobagens. É preciso orientar o cidadão comum para que ele não seja usado como inocente útil e simplesmente compartilhe e espalhe mentiras e lorotas, como se fossem verdades científicas.

Assim, vou tentar fazer um apanhado de algumas coisas que se fala sobre diferentes questões socioambientais e tentar fazer um condensado de verdades e mentiras que estão por aí colocando minhoca na mente dos leigos sobre o assunto. O pior é que tem muita gente boa, que mesmo sabendo que é leiga no assunto, simplesmente, prefere, por ignorância ou por birra, não admitir o seu desconhecimento e continua falando e escrevendo bobagem.

Vou começar lá do fundo, falando das coisas mais antigas e mais óbvias, até chegar as mais novas das idiotices citadas por certos setores da imprensa e por alguns de seus infelizes seguidores.  O texto é longo, mas, também deverá ser esclarecedor. Acredito que vai valer a pena ser lido.

1 – A Água no planeta está acabando?

Não, absolutamente não. A quantidade de água no planeta foi, é e continuará sendo sempre a mesma. O que pode mudar é a qualidade da água e o estado físico da água. Além disso, o que também acontece é a mudança é a sua ocorrência geográfica, principalmente, em função da temperatura, das chuvas, das nuvens e dos ventos, basicamente.

Se a água não existe mais num determinado local, certamente ela aparecerá em outro local. Não há mágica na natureza e água é algo natural, portanto, segue a regra, assim, também não há nenhuma mágica.  Deste modo, temos que cuidar da qualidade da água e das condições ambientais que propiciam mudanças significativas de distribuição da água nos diferentes lugares do planeta.

Em suma, nós continuamos tendo água, mas a água está poluída ou está se concentrando cada vez mais onde os seres humanos menos necessitam dela. Mas, os culpados desses acontecimentos, certamente são os próprios seres humanos, que não tratam da água como deveriam, principalmente aqui no Brasil, que é o país que tem as maiores reservas de água em estado líquido do planeta (cerca de 13% do total). Infelizmente, aqui no Brasil, a água ainda é tratada como uma coisa vulgar, que cai do céu por conta da vontade de Deus.

Pois então, é preciso entender que a água é um recurso natural, que serviu como meio congênito que permitiu a formação da vida e que se mantém por conta de um ciclo que faz ela ir e vir entre a Terra e a Atmosfera (Ciclo da Água), passando por três estados físicos distintos: Sólido (gelo), Gasoso (Vapor de água) e Líquido (a água propriamente dita). A água troca de estado físico, mas é sempre água e não é mais e nem menos importante. 

Além disso, a água também está presente nos organismos vivos, sendo responsável pelo transporte das substâncias no interior desses organismos. Assim, a água pode ser considerada a substância mais importante sobre a superfície do planeta. A água é fundamental para todas as espécies do planeta, independentemente de qualquer outra história que se conte sobre ela.

Em suma, a água não vai acabar, por mais que o “bicho homem” queira e tente acabar com ela. Todavia se não tomarmos cuidado com a continuidade de seu ciclo em todo planeta, poderemos ter problemas de escassez em determinadas áreas, onde antes esse risco não existia. Por outro lado, podemos passar a  ter abundância onde antes havia carência de água.

2 – O Planeta vai acabar?

Sim, um dia o “planeta vai acabar”, como tudo que existe na natureza, contudo, em condições naturais, mas isso ainda levará alguns bilhões de anos para acontecer. Quando se fala em destruição do planeta, na verdade, se está querendo falar das degradações de locais do planeta. É claro que o grau maior ou menor dessas degradações pode ter efeitos mais ou menos danosos, entretanto o planeta não vaia acabar por conta disso.

Ultimamente, temos visto que as Catástrofes são cada vez maiores, mais violentas e mais danosas, porém nenhuma delas isoladamente vai acabar com o planeta. Talvez, a pior das catástrofes, que é o desrespeito contumaz da espécie humana pelo planeta, seja o que acaba cometendo mais danos. Contudo, ainda assim, essa catástrofe não consegue acabar com o planeta, mas certamente tem acabado com algumas espécies e pode acabar com os seres humanos também.

Progressivamente, o Sol nossa fonte ÚNICA de energia vai se consumindo e assim gerando menos energia e certamente chegará um dia em que a energia vinda do sol não será suficiente para manter a vida na Terra.  Quer dizer, a vida na Terra, que é totalmente dependente do sol, deixará de existir, quando o sol não for mais capaz de gerar e irradiar sua energia até a Terra. Como já foi dito, ainda faltam bilhões de anos para que essa situação se evidencie.  Deste modo, não se preocupe todos nós, certamente, morreremos de outras causas.

Por outro lado, a vida (as espécies vivas) nessas localidades podem se extinguir. Aliás, cabe lembrar que extinção é um processo natural que acontece com todas as espécies vivas. Isto é, todas as espécies do planeta vão se extinguir, inclusive a nossa. Quando se fala no planeta acabar, na verdade está se falando na espécie humana acabar, ou melhor, não é o planeta que acaba somos nós quem acabaremos e isso é um fato indiscutível.

Todavia, sempre é bom lembrar que nós, apenas nós, os seres humanos, fazemos coisas que interferem nos processos naturais e assim, apenas nós, podemos acelerar ou retardar a extinção de nossa espécie e, por certo, de muitas outras espécies planetárias. Mas, nem mesmo nós, por mais que estejamos tentando, temos o poder de destruir o planeta totalmente.

3 – A Amazônia é o “Pulmão do Mundo”?

Essa é uma afirmação terrível e uma grande bobagem. Um frase pequena, cheia de erros imensos. O idiota que escreveu isso, além de não conhecer nada de Geografia, nem de Biologia, conhece muito menos ainda de Física. Entretanto, tristemente, o que mais se vê por aí, são outros idiotas repetindo essa incoerência e de boca cheia. Bem, vamos com calma, que eu vou tentar esclarecer o que estou dizendo.

Para começar, a Amazônia é uma região geográfica do Noroeste da América do Sul, que envolve áreas de nove países (Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e o Brasil). A Amazônia brasileira envolve, todos os estados da região Norte do Brasil, dois da região Centro-Oeste (Mato Grosso e Tocantins) e um da Região Nordeste (maior parte do Maranhão).  Acho que todos sabem que região geográfica não tem nenhuma relação com Pulmão.

A Amazônia Brasileira é caracterizada principalmente por florestas tropicais e pelo Bioma da Floresta Amazônica, mas não é nada absolutamente homogêneo na região e assim, vários Biomas específicos podem ser identificados e cada um deles tem uma relação maior ou menor com as taxas de trocas de oxigênio. Além disso, nas trocas orgânicas de oxigênio para fins respiratórios, os pulmões são órgãos que RETIRAM oxigênio do ambiente.

Quando alguém faz referências à Amazônia como “Pulmão do Mundo” está querendo dizer que a Amazônia COLOCA oxigênio no ambiente, o que também não é verdade, como veremos mais à frente. Assim, vamos esclarecer que Chamar Amazônia de Pulmão é uma ilogicidade Física, porque pulmão retira ar e não põe, como se quer considerar. Na verdade, provavelmente, se queria dizer que a Amazônia e o “Aerador ou o Oxigenador do Mundo”. Entretanto, a quantidade de Oxigênio que a Amazônia produz durante o dia e relativamente igual a que ele consome durante a noite e assim a Amazônia não RETIRA e nem COLOCA Oxigênio significativamente na atmosfera global do planeta. 

Aliás, devo esclarecer que os verdadeiros “Aeradores ou Oxigenadores do Mundo” são as algas microscópicas que compõem o fitoplâncton, principalmente o fitoplâncton marinho, que respondem por mais de 90% de toda a quantidade de Oxigênio existente no Planeta. A Amazônia e as grandes Florestas Tropicais ainda existentes, influem muito pouco na quantidade de oxigênio. Na verdade, a importância da Floresta Amazônica, está mais relacionada com o clima da Terra.

Quer dizer, há um erro geográfico, porque região geográfica não produz oxigênio, um erro físico porque pulmão consome oxigênio e não produz e um erro biológico já quem produz, verdadeiramente, oxigênio em escala global são algas microscópicas e não florestas. Entretanto, tem muita gente que enche a boca para repetir essa bobagem bestial.

4 – O Aquecimento Global existe?

É óbvio que sim. Essa é uma discussão que não faz mais sentido e já faz muito tempo. O Aquecimento Global é um fato que está aí claramente para todo mundo ver, mesmo aqueles que não querem ver têm que conviver com ele. Então, como é que tem gente que contesta sua ocorrência. Pois então, essa é a grande mentira que estão tentando colocar pela goela a abaixo das pessoas. Hoje, existe consenso da comunidade científica sobre o Aquecimento Global, o que se discute é se a espécie humana é a responsável pela existência desse fenômeno.

Desde que se passou a medir a temperatura do planeta, ainda no século XIX, a média anual sempre aumentou, o que deixa claro que a temperatura média do planeta está progressivamente aumentando. Contudo, existem vários aspectos que atuam nesse aumento médio da temperatura e o que se discute é qual o grau de comprometimento das ações humanas nesse aumento. Isso sim é que tem dividido as opiniões científicas. Quer dizer, todos concordam que o Aquecimento Global existe, mas a dúvidas se o ser humano é o culpado disso, ou o quanto a culpa do Aquecimento pode ser atribuída aos seres humanos.

Um dos principais aspectos que se considera como causador do Aquecimento Global é o aumento acentuado da quantidade de Gás Carbônico na atmosfera. A queima de Combustíveis fósseis, que cada vez mais acontece no planeta e que libera e consequentemente é o que mais acrescenta Gás Carbônico na atmosfera. Como o homem é o principal causador das queimas que geram o Gás Carbônico, então o homem seria o principal causador do Aquecimento. Entretanto, existem vários outros aspectos que consideram que o Aquecimento é uma questão cíclica planetária e que por mais que o homem esteja jogando Gás Carbônico na atmosfera, isso não seria suficiente para justificar o Aquecimento Global.

Quer dizer, o Aquecimento é um fato, o que existe é uma dúvida de quem é mais responsável: o homem ou a própria natureza. Há estudos e argumentos científicos, produzidos por cientistas respeitados dos dois lados. Mas, nenhum dos lados contesta o Aquecimento. Todavia, a imprensa e certos grupos políticos que não têm nenhum conhecimento sobre o assunto e sem base nenhuma, deturpam o sentido da discussão e falam um monte de besteiras.

5 – Alimentos de origem animal fazem mal à saúde humana?

Essa é uma questão interessante e notoriamente sem sentido e mentirosa. Ela é sem sentido, porque os animais têm mais afinidade bioquímica com os próprios animais e assim, deve ser muito mais fácil decompor e degradar tecido animal do que vegetal, até porque digerir a celulose que existe envolvendo todas as células vegetais é bastante complicado e poucos animais conseguem. Mentirosa, porque se ela fosse verdadeira não existiriam animais carnívoros e nem onívoros. Ou seja, todos os organismos animais seriam essencialmente herbívoros e isso não acontece. Além disso, é bom lembrar que também existem “plantas carnívoras”, ou melhor, plantas que se alimentam diretamente de animais.

Por outro lado, é preciso compreender que existem 20 aminoácidos fundamentais para compor as proteínas que os organismos vivos necessitam. Existem13 aminoácidos que os organismos produzem (não essenciais) e 7 aminoácidos que eles precisam adquirir através da alimentação (essenciais). Muitos desses aminoácidos estão nas mais diferentes fontes de alimento, por isso mesmo, é preciso entender que a espécie humana é onívora, isto é, se alimenta de vegetais e animais, qualquer coisa diferente disso é crendice. Nós precisamos ingerir carne para adquirir aminoácidos e produzir as proteínas que necessitamos.

Ah! Mas, os vegetarianos e os veganos, como ficam? Simplesmente, eles não ficam. Ou seja, se eles não investirem em adquirir proteína animal da maneira suplementar, certamente perecem. E tem mais, de onde vocês acham que veem essas proteínas animais suplementares que eles são obrigados a ingerir? ´Pois é, exatamente isso, dos animais. Ora vegetarianos e veganos só existem em teoria, pois na prática, todos nós, seres humanos, somos onívoros. Qualquer coisa diferente disso é balela ou é conversa para boi dormir.

É claro que existem pessoas que assumem essas condições por alguma necessidade fisiológica, por inclinação ou doutrinação religiosa ou ainda por simples opção de vida e, obviamente, isso um direito que qualquer cidadão tem. Cada indivíduo é livre e tem o direito de fazer o que quiser com sua alimentação e sua própria vida. Não estamos aqui para questionar a liberdade e o direito de quem quer que seja. Ser vegetariano ou vegano é um escolha que qualquer cidadão tem o direito de fazer, mas esse é um ato, a priori, contra sua própria saúde.

Assim, ao contrário de afirmar que alimentos animais fazem mal à saúde, temos que entender que alimentos de origem animal também são fundamentais à saúde humana. A carne, o leite e seus derivados são importantíssimos para a vida dos indivíduos de nossa espécie. As pessoas que não ingerem os nutrientes oriundos desses tipos de alimentos, certamente necessitam fazer suplementação alimentar, porque apresentam uma alimentação incompleta. É claro que existem outros nutrientes, além das proteínas, que nós encontramos também em alimentos de origem vegetal e por isso precisamos misturar as duas fontes. Como eu já disse, nós somos animais onívoros.

6 – Os chamados “Alimentos Orgânicos” tem mais qualidade?

 Sim, entretanto há necessidade de alguns esclarecimentos iniciais. Para começar, devo dizer que todo alimento é necessariamente orgânico. Nós organismos vivos nos nutrimos retirando a energia contida naquilo que ingerimos. Só contêm energia para ser retirada e aproveitada, as substâncias (alimentos) formadas por matéria orgânica. Ou seja, todos os alimentos são orgânicos. Entretanto, nos últimos tempos algumas pessoas convencionaram chamar de “Alimentos Orgânicos”, apenas aqueles alimentos que estão isentos de agentes químicos externos ao processo natural de cultivo.

 Acredito que esse conceito deva ser modificado ou mais bem esclarecido, até para que haja um melhor entendimento da questão de que aquilo que é chamado de orgânico, não é mais orgânico que o alimento industrializado ou tratado com agroquímicos. Isto é, os alimentos considerados “Orgânicos” são apenas aqueles em que a produção não utiliza adubos sintéticos, nem agrotóxicos ou qualquer outro aditivo industrial. Os “Orgânicos” são cultivados de maneira, totalmente, isenta de insumos químicos adicionais. Não há dúvida de que os “Orgânicos” são mais indicados do que os industrializados. Entretanto, sempre é bom lembrar de que: qualquer alimento é orgânico na sua condição química básica.

É óbvio que se pudermos nos alimentar sempre de coisas naturalmente produzidas, certamente, estaremos nos nutrindo melhor e correndo menos riscos de contaminação química. Assim, podemos afirmar que os chamados “Alimentos Orgânicos” são mais interessantes à saúde humana, entretanto estamos muito longe de produzir “Orgânicos” para mais de 8 bilhões de humanos e assim, infelizmente, o mundo ainda depende bastante dos alimentos industrializados, mesmo com seus componentes químicos adicionais.

Desta maneira, é preciso entender que existe um hiato imenso entre os alimentos industrializados e os “Orgânicos” e que, por mais ideal que os “Orgânicos” possam ser, a quantidade desse tipo de alimento, lamentavelmente, ainda é muito pequena para suprir as necessidades alimentares dos mais de 8 bilhões de seres humanos do planeta. Infelizmente a grande quantidade de alimento que o mundo necessita para alimentar os humanos está posta à base de implementos agrícolas que foram permitindo o incremento constante das produções agrícolas no planeta.

Assim, como a necessidade era grande a quantidade de produtos alimentícios, os agrotóxicos se ampliaram em uso e isso interferiu significativamente na qualidade desses produtos. Certamente não deveríamos estar comendo produtos industrializados e cheios de agrotóxicos, mas fomos, historicamente, levados a esta condição. De qualquer maneira, em tese, quem puder optar pelos “Orgânicos”, por óbvio, se alimentará com melhor qualidade, pelo menos, no que tange à natureza do produto que ingerem.

7 – A Agenda 2030 vai resolver todos os Problemas Ambientais do Planeta?

Obviamente, que não. Entretanto, muito já poderia ter sido feito para minorar o atual estado de coisas e não foi e, tristemente, continua não sendo, mesmo com a “Agenda 2030”, porque fala-se muito, mas não se aplica efetivamente nada sobre ela.  Vou ter que contar um pouco de história para explicar melhor essa questão.

A “Agenda 2030 e os seus 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável)”, que foi sugerida e implantada em 2015, é neta da “Agenda 21” que foi sugerida e implantada em 1992 e filha dos ODM (Objetivos do Milênio), que foram implantados em 2002. Vejam bem se alguma coisa contundente estivesse sendo feita desde a “Agenda 21”, em 1992, talvez já não tivéssemos tantos problemas agora, 28 anos depois, em 2025. O problema é que só se discute e nada se resolve. A Agenda 2030 é apenas mais uma tentativa inócua daquilo que se sabe que tem que fazer, mas que, simplesmente, se empurra com a barriga e não se faz.

A mesma coisa pode ser dita em relação as Conferências das Partes (COP), que quando começaram em 1995 (COP 1 – Berlim/Alemanha) estavam cheias de ideias e logo depois produziram o Protocolo de Quioto, 1997 (COP 3 – Quioto/Japão), fizeram o Acorde de Paris, em 2015 (COP 21 – Paris/França), mas até agora, 30 anos depois, quase nada aconteceu. O Problema está exatamente aí. Será que querem mesmo resolver alguma coisa ou apenas se promovem encontros e reuniões para dizer que estão trabalhando?

Eu sinceramente, prefiro acreditar que querem apenas dizer que estão trabalhando, mas não fazem absolutamente nada de significativo para tentar resolver os problemas do planeta.  Acredito que ainda tem que morrer muita gente pela inoperância dos líderes políticos mundiais e só depois de muitas desgraças é que deverão começar as tentativas efetivas de resolução de alguns dos problemas. Talvez, quando também começarem a morrer os ricos. Entretanto, essas verdades a mídia não informa e nem discute.

De qualquer maneira, quando essa época chegar, certamente, eu já não estarei mais por aqui, mas tenho certeza de que um dia, isso vai começar a acontecer. O ser humano é assim mesmo ele pensa no futuro, mas esquece de viver o presente, construindo as condições necessárias para o futuro. Estamos sempre imaginando e querendo algo em alguma das áreas de atividades, mas dificilmente fazemos alguma coisa. Quando muito temos apagado alguns incêndios momentâneos.

Com as atividades ligadas às questões ambientais não é diferente. A propósito, antes que me crucifiquem. Eu não perdi a esperança. Eu continuo acreditando, mas caramba! O futuro que não chega nunca! Deste modo a população continua acreditando em Papai Noel e alguns políticos seguem querendo salvar os “Coalas da Amazônia”, mas continuam mandando matar os Gambás do restante do Brasil.

8 – A Poluição ainda não é significativa para o Planeta?

Talvez essa questão possa ser considerada uma verdade para o Planeta como um todo, mas ela é falaciosa, principalmente para quem vive em áreas que estão diretamente expostas à grande quantidade de poluição. Ou seja, para quem vive em grandes áreas poluídas com poluição atmosférica, aquática ou edáfica, a significância da poluição sofrida acaba sendo drástica e há inúmeras perdas de vidas humanas nestas áreas onde a poluição é imensa.

Há áreas do planeta, principalmente nos centros urbanos das megalópoles e nos grandes centros industriais, que a situação está catastrófica e que é quase impossível sobreviver, pois se está diretamente exposto aos efeitos da poluição atmosférica. Por outro lado, também há áreas em que a poluição oriunda de mineração ou de contaminação hídrica, mas com excelente qualidade do ar, onde também a quantidade da poluição é grande e muita gente também morre em função da poluição.

Por outro lado, ainda temos algumas áreas no planeta que estão livres da poluição, tanto atmosférica, quanto hídrica ou edáfica. Entretanto, isto não quer dizer que essas áreas estejam bem, na verdade elas apenas estão “menos piores”, mas correm riscos sérios, porque nunca se sabe qual será a próxima novidade que a espécie humana vai inventar e nem onde será implantada essa “grande invenção”. Por exemplo, aqui no Brasil, neste momento e na contramão da história, surge essa protusão de usinas termelétricas infundadas e se isso continuar a poluição atmosférica será intensa, mesmo em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.

As outras formas genéricas de poluição também não assustam todo o planeta, mas há áreas totalmente contaminadas, tanto no solo, quanto na água. No que diz respeito ao solo, a desertificação aumenta significativamente e os solos são perdidos em alta velocidade. No que diz respeito a poluição hídrica, são mares invadindo terras, lagos e rios secando, nascentes morrendo e muita porcaria jogada dentro da água sem nenhum tratamento, principalmente, mas não somente, nos países mais pobres. A contaminação química oriunda da agropecuária destrói solo e água ao mesmo tempo e nós não temos muitas alternativas, além de minimizar o uso dos implementos agrícola e tentar controlar esse uso.

Quer dizer, poluição é um nome genérico que identifica inúmeros problemas que ocorrem em diferentes áreas e que tem origens e consequências bem distintas. Desta maneira, cada caso deve ser analisado e destacado especificamente. É lógico que ainda existem regiões planetárias isentas de poluição, mas estas, por óbvio, são áreas raríssimas e quanto mais o ser humano se introduz nessas regiões, mais elas sofrem com a o aumento da poluição nos seus diferentes tipos e formas.

Assim, por menor que possa ser o impacto da poluição é preciso estar atento aos seus efeitos danosos aos ambientes. O ser humano necessita entender que explorar o planeta sempre envolve impactos diretos e danos bastante significativos. Hoje nós sabemos que existe mecanismos de prevenção ou minimização para quase tudo, o que precisa mesmo é responsabilidade socioambiental no momento de desenvolver a exploração da natureza, visando impedir, evitar ou limitar a poluição. 

9 – O Aquecimento da Água não interfere na comunidade aquática?

Ao contrário, do que está dito na questão acima, o aquecimento da água interfere sim e interfere bastante na comunidade aquática, haja vista que a taxa fotossintética aumenta e a produção primária de matéria orgânica também e isto causa influência em toda a cadeia alimentar. É claro que os oceanos são imensos e que para que esse aspecto possa ser significativo, muito tempo tem que passar, mas como o processo não para o tempo que resta é sempre menor do que já foi. Ainda que estejamos muito longe de uma catástrofe global por conta desse fato, nós não podemos simplesmente desconsiderá-lo e dizer que ele não existe.

Na verdade, o problema existe, mas a sua capacidade de ser notado e de ser considerado significativo, ainda é muito pequena, porque é um processo em estágio inicial, considerando o tamanho dos oceanos e das demais massas hídricas planetárias. Entretanto, se analisarmos pequenas áreas, onde o aquecimento da água é facilmente identificado, certamente, é possível perceber grandes mudanças na biota aquática do entorno. Por exemplo, muitos locais com saídas de águas aquecidas de Usinas Nucleares, são locais que tiveram suas comunidades ecossistêmicas primárias significativamente modificadas por conta do “calor exagerado” e do aumento na temperatura da água. A propósito, a expressão “calor exagerado”, não é necessariamente sinônimo de água muito mais quente, mas sim de elevação acima do normal.

Os ambientes se fazem e os ecossistemas se desenvolvem, por conta da adaptação dos seres vivos a estes ambientes. Então, a comunidade vive ali porque está adaptada àquela determinada temperatura. Todavia, se essa temperatura tem um acréscimo constante de 0.5 graus por ano, ao final de 10 anos, aquela água estará 5 graus mais quente e talvez esse seja o limite para a comunidade que ali havia se instalado e assim outros organismos se achegam agora e os anteriores vão simplesmente se extinguindo naquele ambiente. Há inúmeros trabalhos que demonstram e comprovam isso.  

Sendo assim, a expressão calor exagerado, pode ser 0,1 grau de aumento na temperatura por ano. Outra coisa que precisa estar claro é qual o tipo de comunidade que está sendo tratada na questão. Talvez para uma baleia 0,1 grau não represente nada, e ao final de 10 anos, o aumento total de 10 graus seja praticamente nulo para ela, contudo um coral ou uma esponja que viva naquele lugar terá uma mudança muito significativa e provavelmente não resistirá.

Quer dizer o aquecimento da água, por menor que seja certamente será sentido pela comunidade aquática local e talvez alguns não vão sentir quase nada, outros vão sentir um pouco, mas vão resistir, e outros ainda não vão resistir e assim se extinguirão naquele local. Outras formas, mais adaptadas podem assumir o lugar das que se extinguem, ocupando seus nichos na comunidade e a biota aquática local se modifica e vai ficando bem diferente do que era primitivamente.

Considerações Finais

Einstein já nos demonstrou que tudo é relativo e essa é uma grande verdade que precisa ser entendida quando se fala na questão ambiental. A mídia costuma enriquecer os extremos das informações e assim enfraquece a verdade das informações que estão no seu cerne e não nas suas extremidades. Tudo faz bem e tudo faz mal, ou melhor, qualquer coisa e boa ou ruim, dependendo do peso que se queira dar, mas a gente também sabe que a diferença entre o antídoto e o veneno é a dose. Assim evitemos os extremismos e nos dediquemos a informar sem mentiras, sem paixões e sem exageros.

A mídia necessita se profissionalizar mais e melhor para poder informar, principalmente no que se refere as questões ligadas ao meio ambiente, onde se costuma fazer alarde das inverdades e se deixa de promover a verdade.  Embora eu não esteja aqui para julgar ninguém, quero salientar que, tristemente, muitas vezes a informação errada é intencional, resultando de matéria paga, mas também existem casos em que a verdade não é dita por simples falta de conhecimento da própria mídia. Quer dizer, a mídia pode mentir deliberadamente, mas também pode errar efetivamente, porque às vezes, eles até acham que estão falando verdades.

Certas situações precisam ser questionadas elos leitores antes de serem simplesmente repetidas e divulgadas. Hoje isso está cada vez mais difícil, porque a maioria das pessoas, ao receber uma notícia, já vai logo compartilhando, sem questionar a veracidade daquele texto. Dessa maneira, as inverdades crescem e o desconhecimento fica cada vez maior. Nosso povo precisa crescer no conhecimento e não na desinformação e no desconhecimento.

Tenho certeza de que o que vou dizer nesse artigo não traz novidade para quem é estudioso ou para quem tem real interesse na área do meio ambiente, mas meu trabalho aqui é dedicado prioritariamente ao cidadão comum, que precisa saber a verdade dos fatos para comentar sobre esta verdade. É preciso orientar o cidadão comum para que ele não seja usado como inocente útil e simplesmente compartilhe e espalhe mentiras e lorotas, como se fossem verdades científicas.

O leitor deve usar o seu “desconfiômetro” e principalmente a sua responsabilidade socioambiental, antes de divulgar qualquer matéria da qual não tenha o devido conhecimento. Ser criterioso e questionar o que se lê é uma responsabilidade do leitor. Deste modo, não faça divulgação cega de qualquer texto que você recebe, procure discutir ou se informar com alguém que seja conhecedor do assunto em questão, antes de simplesmente repetir e divulgar o texto.

Só assim, conseguiremos, como brasileiro que somos, sair da mesmice e de nosso desnível cultural em relação a outros povos do mundo e no que se refere ao nosso assunto específico, conhecer uma pouco mais das questões ambientais. Temos que ser conscientes de que: “não existe mágica na natureza, porque a natureza é a própria mágica”. O que precisamos é procurar entender melhor os segredos da mágica natural, para podermos aproveitar melhor as suas maravilhas, sem causar grandes comprometimentos ambientais. Temos que compreender que também somos apenas parte da mágica.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

03 jul 2025
O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

Resumo: Neste artigo abordo o aumento das doenças oriundas da degradação ambiental, por conta da irresponsabilidade humana e do descaso com as questões ambientais planetárias.


INTRODUÇÃO

Posso afirmar para os Senhores que existem milhares de outras maneiras de morrer e muitas delas são mais desagradáveis e bem mais difíceis de serem adquiridas que um enfarto comum. Grande parte dessas doenças surgiram por conta da “modernidade”, ou melhor, das novas atividades mais costumeiras, que foram desenvolvidas mais recentemente, em particular, nos últimos 70 anos.

Com certeza, algumas dessas maneiras possivelmente aconteceriam e se desenvolveriam mesmo, mais cedo ou mais tarde, de modo natural, outras, porém, foram e estão sendo provocadas e produzidas, a partir de ações incrementadas e efetivadas pela própria humanidade. Lamentavelmente, esse fato tem acontecido numa escala crescente e extremamente rápida, além de bastante eficiente e assim, quase não sobra mais tempo para que se possa morrer de enfarto, por exemplo, embora os enfartos ainda existam em grande quantidade e continuem sendo a maior causa de mortes.

Contudo, hoje, muito dos enfartos acabam sendo impedidos ou amenizados por uma série de estudos e procedimentos médicos recém desenvolvidos e isso é realmente louvável e genial. Desta maneira, muitos humanos têm morrido de outras causas, muitas das quais, possivelmente, talvez nem existissem mais ou que, talvez, ainda não deveriam ter aparecido, se não fossem as próprias ações antrópicas e suas interferências diretas nas questões naturais. É isso mesmo, o homem, por conta do desleixo ambiental, também é causador e criador de novas e reativador de velhas doenças.

Assim, o homem, além de ser o lobo predador do próprio homem, como sempre aconteceu nas guerras e em várias outras situações de conflito entre seres humanos, também, tristemente, atua como um parasita que prejudica paulatina e sorrateiramente os seus hospedeiros, como acontece, por exemplo, com os efeitos oriundos da crescente poluição. A poluição mata muito mais do que os enfarto hoje em dia. Ou seja, em dado momento, por conta de suas ações antinaturais e anti-humanas, o homem também passou a ser uma forma de “parasita” da própria humanidade e do planeta. 

Até bem pouco tempo vivíamos, em média, pouco mais de 50 anos e morríamos de doenças degenerativas, mas hoje estamos vivendo, pelo menos, 75 anos e morrendo de velhice. Somos capazes de tratar uma série de doenças que, hoje, quase não matam mais ninguém. Isso deveria ser considerado uma beleza, um grande feito da humanidade pois, de fato, é isso mesmo. Entretanto, construímos um mundo artificial e diferente que causa outros males, alguns extremamente mais terríveis do que o infarte e tantos outros que já tivemos em épocas mais remotas.

Temos modificado formas vivas e “criado” formas mutantes e estranhas que tem causado grandes males. Temos produzido substâncias que a natureza não conhece e que fazem grandes danos as espécies vivas, inclusive aos seres humanos. Temos colocado veneno em muitos dos seres humanos e ainda temos colocado muitos seres humanos em áreas envenenadas. Temos contaminado o ar, a água e o solo de maneira contundente e bastante preocupante.

Temos produzido “remédios” que matam mais do que curam e “vacinas duvidosas”, que, em certo sentido, têm perturbado muito mais do que atendido as necessidades humanas, até porque muitas delas efetiva e comprovadamente causaram danos à saúde de inúmeras pessoas. Quem lê as contraindicações de certos remédios acaba ficando com medo de ingerir esses remédios, porque os riscos estão evidentes.

 A propósito, antes que me entendam mal e me rotulem de negacionista ou coisa parecida, quero deixar claro que não sou contra o uso de remédios e muito menos de vacinas, ao contrário, sou tremendamente a favor desses tipos de substâncias e sei da importância que ambas têm para evitar doenças e salvar vidas. Entretanto, sou contrário aos absurdos e ao imediatismo de vacinação em massa obrigatória, sem estudos prévios, apenas promovendo interesses econômicos de laboratórios e empresas do setor farmacêutico, como, infeliz e tristemente, parece já ter acontecido.

Enfim, criamos um mundo novo, em questão de poucas décadas, um mundo bem diferente daquele que a natureza levou bilhões da anos para desenvolver e não sabemos como controlar nossa eficiência danosa em destruir o que a natureza fez e em criar problemas para outros seres humanos, mormente aqueles que mais dependem das coisas e ações naturais. O homem, tristemente, passou a ser um câncer para o planeta e uma anomalia para todas as espécies vivas que aqui se desenvolveram, inclusive o próprio Homo sapiens.

DISCUTINDO A QUESTÃO

Quer dizer, embora a humanidade esteja notadamente muito melhor sob vários aspectos, ela está bem pior por conta de outros. Quando se coloca essa situação conflitante numa balança de custo-benefício, acaba não sendo possível definir aquilo que é melhor, porque existem vantagens e desvantagens mútuas. Não há dúvida que o nosso desenvolvimento científico e tecnológico permitiu façanhas imensas e inimagináveis em décadas recentes. Contudo, a que preço temos conseguido obter tais façanhas?

Nos últimos 70 anos, certamente nos desenvolvemos cientificamente mais do que em toda a história da humanidade, até antes da segunda guerra mundial. Porém, não sei se estamos mais felizes como indivíduos e mais eficientes como espécie planetária viva, ainda que, na média, estejamos vivendo mais. Contudo, em certo sentido, também estamos sofrendo muito mais e criando muito mais problemas à própria humanidade. Estamos mais angustiados, mais amedrontados, mais ansiosos e mais desconfiados. Nossas posturas têm sido cada vez menos altruístas e mais egocêntricas, menos cooperativistas e mais corporativistas, mais egoístas e aparentemente estamos nos tornando menos humanos, a cada dia que passa. E isso, a meu ver, não é nada bom. 

Nossa eterna busca pela felicidade como indivíduos, parece estar cada vez mais complicada, nossas ações mais confusas, nossos problemas mais conflitantes. Por sua vez, a nossa felicidade coletiva está progressivamente sempre mais distante, embora existam grandes avanços científicos e mesmo sociais e econômicos. Ora, então, porque as coisas parecem estar, cada vez mais difíceis?

Obviamente, eu não sou pitonisa e por certo, também não sei responder à questão proposta. Entretanto, meu “desconfiômetro”, me permite entender que devemos estabelecer uma relação mais clara, mais decente e, sobretudo, mais honesta com o planeta. Precisamos nos lembrar que somos planeta também e que temos que cuidar melhor de nossa casa maior. Talvez, nossas dificuldades possam ser minimizadas a partir dessa constatação e das ações que possam nos levar a estabelecer um novo contrato natural com o planeta que nos abriga.

O ser humano se apropriou de tal forma do planeta que o trata como apenas mais uma coisa, mais um brinquedo que ele pode destruir, como qualquer criança mimada, porque depois ganhará outro. Todavia, todos nós sabemos, que isso é uma grande mentira, porque nosso planeta é ímpar e não dá para ganhar outro. Ele é o único em que somos capazes de existir, pelo menos até aqui. Por outro lado, se quisermos continuar existindo, temos que passar a tratar o planeta de outra maneira. Temos que procurar garantir que ele continue nos abrigando e sendo a nossa casa maior e única.

A maioria dos humanos não entende isso, e alguns, que até entendem, não podem ou não são capazes de efetivamente investir na tarefa de fazer algo para mudar o nosso modus vivendi e consequentemente o status quo da humanidade, que não respeita a vida, nem os limites planetários. A maioria de nós entende que somos os “donos do planeta” e que se dane todo o resto, porque vamos fazer aquilo que quisermos com a nossa “propriedade”. Entretanto, há limites, para a nossa farra e o planeta tem nos dado, a seu jeito, as informações de que estamos caminhando na direção errada, mas nós, idiotamente, continuamos dando de ombros e fingindo que não estamos vendo as grandes catástrofes que se acentuam em quantidade e em proporções.

Aparentemente, as grandes catástrofes “naturais” não nos incomodam e nem nos assustam e o aquecimento global, até agora, também não é acreditado por muitos de nós. A imensa ocupação do espaço geográfico, em determinadas áreas, com a imensa massa da superpopulação humana sempre crescente não incomoda a maioria de nós. Nós estamos sempre precisando de mais e assim, sempre tiramos mais do planeta e não nos importamos com nada, porque, historicamente, sempre foi assim, sempre deu certo e, obviamente, continuará dando certo. 

Pois então, é preciso realmente entender que uma hora vai parar de dar certo e as coisas vão ficar efetivamente insustentáveis. Na verdade, já estão insustentáveis, porque já usamos mais do que podemos anualmente, desde 2023. Contudo, não paramos nem para pensar se isso é algo importante, apenas continuamos a “brincar com coisas sérias”. Não temos nenhum tipo de filtro e, embora alguns até questionem as ações humanas, ninguém, de fato, está fazendo nada para mudar o que vem acontecendo desde que a humanidade surgiu no planeta. 

A diferença é que no passado, nosso efeito era pequeno e nossa marca era quase impercebível e assim seguíamos buscando a nossa felicidade. Mas, parece que pegamos o caminho errado do esbanjamento e do uso sem critério dos recursos naturais e nos acostumamos com essa prática sórdida e inconcebível, que se mantém nas diferentes culturas humanas desde os primórdios da humanidade. Todavia, algo precisa ser feito para mudar esse comportamento daninho que historicamente assumimos com o planeta.

CONCLUSÃO

Senhores, porque não aproveitamos o momento atual, com todo o conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico acumulado que já possuímos e deixamos de lado esse nosso afã destruidor e começamos, real e efetivamente, a nos preocupar em manter a qualidade de vida no planeta. Nós já estamos vivendo muito individualmente, mas podemos e devemos viver mais coletivamente e só nós mesmos temos a capacidade de desenvolver as condições que podem garantir que isso aconteça. Precisamos apenas trabalhar nessa direção, considerando a humanidade como nossa unidade e não as pessoas individualmente ou pequenos grupos populacionais como nossa meta maior.

Temos que pensar no planeta e na humanidade como um todo, porque esta, certamente, é a única saída que temos para tentarmos reestabelecer as regras naturais. Quem sabe assim, poderemos até voltar a morrer mais de enfarto, porém certamente deixaremos de nos envenenar e de envenenar e destruir o planeta e as demais espécies nele viventes. Desta maneira, mesmo que não estejamos perto da plenitude de nosso afã de ser feliz, nós ainda teremos, em média, muito mais tempo para tentarmos ser felizes, como espécie viva. Ou melhor, poderemos ter certeza de que teremos mais tempo para buscar a felicidade que tanto queremos.

Não somos “donos do planeta” como pensamos ser, mas, por óbvio, somos “donos de nosso destino” e devemos trabalhar para termos melhores condições para poder cuidar do planeta e dos demais seres humanos.  É possível que, se atuarmos de maneira menos agressiva e tirana com o planeta e mais afetiva com os demais seres humanos, sejamos mais felizes e, quem sabe até possamos viver mais, sem correr riscos de continuarmos nos envenenando progressivamente a cada dia.

Alguém já disse, que: “a diferença entre o antídoto e o veneno é a dose”. Assim, cuidemos do planeta e da humanidade na dose certa e a felicidade será mais real e efetiva para todos nós humanos e, logicamente, para as demais espécies vivas que pululam e se multiplicam em diversidade neste planeta fantástico chamado Terra, que tem nos mantido e levado pelo tempo nessa aventura chamada vida.

Não devemos nos esquecer que a Terra é a casa maior que une e abriga todos nós e que a vida é a aventura comum das espécies, que tem sido contada no planeta por cerca de 3,5 milhões de anos. Muitas espécies já passaram por aqui e se extinguiram e certamente nós também passaremos, haja vista que a extinção é um processo natural. Contudo, quero acreditar que nós podemos e devemos agir para que nossa estada, como passageiros dessa “nave espacial planetária”, seja mais longa e consequentemente, seja a mais duradoura possível. Só depende de nós mesmos. Só nós podemos fazer com que isso possa ser uma verdade efetiva.

Cabe lembrar que a extinção é um processo gradativo que também traz a morte. Entretanto, eu prefiro ter um enfarte fatal do que saber que sou parte causadora da extinção progressiva de minha própria espécie, porque essa é uma morte que nenhum indivíduo de nenhuma espécie quer e nem merece ter. No caso humano, se continuarmos nossa escalada de desleixo em relação ao planeta e a extinção começar efetivamente a acontecer, certamente será pior ainda, porque somos consciente desse fato.

Atualmente falamos muito na questão da sustentabilidade planetária e da nossa obrigação de deixarmos boas condições e recursos naturais suficientes e condizentes com as necessidades das gerações futuras. Contudo, será que essas gerações futuras poderão realmente existir se continuarmos seguindo essa linha suicida de conduta planetária que tivemos até aqui?

Mantendo o atual modus vivendi, apenas estamos perpetuando o status quo e deste modo, a extinção humana está sendo antecipada e de maneira bastante célere. A extinção deverá ser uma mortandade coletiva, progressiva, forçada, prematura e tristemente causada pela irresponsabilidade do próprio ser humano. Ou seja, deverá ser uma espécie de suicídio coletivo com anuência e assistência de todos os envolvidos. Enfim, se isso acontecer, deverá ser uma coisa horrenda e tétrica que nenhuma espécie viva merece vivenciar, principalmente, uma espécie tão inteligente, brilhante e destacada como é o Homo sapiens.

Senhores, o planeta abriga milhões de espécies, mas apenas uma pode fazer alguma coisa para tentar resolver essas questões, que incluem diretamente a sua própria existência. Como eu já disse: só depende de nós mesmos. Essa responsabilidade planetária é única e exclusiva da espécie humana. Certamente, se quisermos, ainda temos algum tempo para tentar impedir, ou pelo menos, tentar adiar o Armagedom que se anuncia, agindo para minimizar o sofrimento coletivo. Entretanto, quando vamos começar a colocar as mãos na massa e realmente fazer alguma coisa?

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

04 jun 2025
Dia da Educação Ambiental

Dia da Educação Ambiental

Resumo: Neste artigo faço uma pequena Reflexão sobre a Verdadeira Educação Ambiental que precisa ser ensinada à sociedade. E questiono o que tem sido feito até agora, com o nome de Educação Ambiental.


Nesta semana, temos duas datas “comemorativas” importantes, no dia 05 de junho, o Meio Ambiente, completará oficialmente 53 anos no mundo, embora a Terra (o ambiente que nos abriga) tenha 5 Bilhões. Já, no dia 03 de junho a Educação Ambiental Nacional. A primeira data já é tradicional, mas a segunda data, que foi estabelecida, pela Lei 12.633, tristemente, ainda é pouco conhecida da grande maioria dos brasileiros.

Embora haja uma data Mundial também para a Educação Ambiental, desde 1975, dia 26 de janeiro, que este ano completou 50 anos, aqui estamos pensando na Educação Ambiental mais recentemente e a nossa data está completando apenas 13 anos, ou outros 37 anos podem ser considerados como a inércia nacional em relação ao tema.

O Dia Nacional da Educação Ambiental foi criado de 14 de maio de 2012, para comemorar os 20 anos da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92 ou Eco 92). Entretanto, se pouco tem sido feito pela própria Educação Nacional, como um todo, imaginem então, a situação da Educação Ambiental, particularmente. Essa é mais uma data, como tantas por aí, que são criadas no país, para agradar alguém ou alguma coisa, por simples formalidade, por puro modismo ou ainda para justificar o injustificável.

No caso específico da Educação Ambiental, continuamos falando e fazendo bobagem e a “moda” já pegou, mas o conhecimento em si, está muito longe do que precisa ser. É um tal de reciclagem disso, proteção ambiental daquilo, preservação ambiental daquilo outro, mas é tudo falácia, sem nenhum critério e, o que é pior, sem nenhuma logicidade e sem qualquer conhecimento de causa.

E, de repente, isso passou a ser chamado de “Educação Ambiental”. E os coitados dos estudantes são quem mais sofrem, porque ficam por aí, fazendo coisas sem entender nada, haja vista que ninguém explica. Há um “fazejamento” generalizado de coisas sem nexo, tanto educacional quanto ambientalmente e, desta maneira, sem nenhuma conotação efetiva com a Educação Ambiental em si, a coisa tem seguido seu caminho.

Primeiramente, eu quero falar um pouco do que seja efetivamente essa tal de Educação Ambiental. A priori, a Educação Ambiental é uma maneira lógica de tratar o ambiente, seja ele qual for, e se você já começa reciclando é porque já fez coisa errada antes, porque só se recicla resíduo ou sobra de algo.  Reciclar o resíduo é bom e necessário. Entretanto, se sobrou alguma coisa é porque se produziu mais do que, na verdade, se necessitava.

 A Educação Ambiental, tem tudo a ver com o verbo necessitar. O objetivo primário da Educação Ambiental deve ser usar o mínimo, ou melhor, usar apenas o necessário, cuidando dos espaços físicos e dos recursos naturais neles existentes, dentro dos limites estritamente necessários para não produzir resíduos e nem sobras.

Quer dizer, o ponto de partida da Educação Ambiental consiste, a meu ver, em quatro princípios fundamentais:

1 – fazer o ser humano, independentemente da idade, entender que ele não é dono de nada, além de sua própria vida;

2 – fazer o ser humano, independentemente da idade, entender que todo ambiente (espaço físico) necessita ser respeitado e usado com parcimônia e critério;

3 – fazer o ser humano, independentemente da idade, entender que o planeta é um só e que todas as coisas materiais que existem no planeta são limitadas e finitas. Ou seja, que nada dura para sempre, nem o planeta, nem as coisas e nem as espécies vivas inclusive a nossa espécie.

4 – a partir desse entendimento, a sociedade deve ser ensinada, sobre os modos de como trabalhar ativa e efetivamente para continuar mantendo esse status quo idealizado em todas as situações, momentos e lugares.

Peço vênia, mas qualquer coisa diferente disso, certamente não é Educação Ambiental. Embora, algumas coisas que são feitas, até possam ter uma relação operacional e direta com a Educação Ambiental, a grande maioria do que se vê não protege o ambiente e não educa ninguém na direção de garantir a qualidade da vida e continuidade dos recursos naturais. E deste modo, não podem ser consideradas como formas de Educação Ambiental.

Pois então, temos visto muita gente operacionando em diversas áreas de interesse da Educação Ambiental, sem, entretanto, se preocupar com os 4 pontos de partida citados acima descritos.  Chega-se mesmo a ponto de alguns dizerem que é necessário ter “lixo” (resíduo) para poder haver reciclagem e para que alguém possa ganhar algum dinheiro. Ou seja, a preocupação não é ambiental e muito menos educacional.

Quer dizer, quem pensa assim, não sabe, nem de longe, o que seja Educação Ambiental. Tem gente que diz ser educador ambiental, mas que continua “atirando o pau no gato” até hoje, chamando minhocas e lesmas de “bichinhos nojentos”, insetos de “animais nocivos”, sapo de “bicho feio”, barata de “ser inútil”, cobra de “animal terrível” e algumas plantas que liberam toxinas de “plantas perigosas”. Por outro lado, os seres humanos que matam outros seres humanos são considerados “pobres coitados” e vítimas da sociedade.

A Educação Ambiental tem sim, a ver com tudo isso, mas muitos “educadores ambientais” nem desconfiam desse fato. É preciso entender bastante de Educação e de Meio Ambiente para se fazer Educação Ambiental e não apenas “macaquear” coisas que estão na moda. O ser humano é um ser pensante e precisa entender aquilo que faz, respondendo fundamentalmente: por que? Para quê? Como? Onde?  Qual o objetivo que fundamenta a ação que se quer produzir?

Não basta apenas, por exemplo, separar latinhas ou coisa parecida e vender, apenas porque alguém vai ganhar algum dinheiro com isso. Tem que saber de onde vem a latinha, sua origem material, como ela é feita, quanta energia e água é gasta na sua produção e quanto se economiza quando se recicla a latinha, porque, por vários aspectos, é mais barato reciclar do que gerar novas latinhas. Não há necessidade de retirar, nem transportar e nem trabalhar a bauxita para fazer o alumínio, não há necessidade de gastar tanta água e tanta energia como na produção inicial. Isto é, parte do projeto já está andado e assim, a natureza ganha e a economia também. Reciclar é importante, mas não é fundamental.

Ao contrário do que a grande maioria pensa, reciclar latinha não dá lucro. Reciclar latinha diminui o prejuízo ambiental planetário. O reciclador ganha, mas antes dele, a natureza perdeu e alguém que produziu a latinha também perdeu e o que reciclador ganha nem chega perto do que foi perdido. É preciso entender que sempre há perda, embora haja algum lucro para quem apenas se utiliza da parte final do sistema.

Eu usei o exemplo da latinha, mas isso acontece com qualquer outra coisa reciclada. É claro que o reciclado sempre é mais barato do que o original, porque ele não sai diretamente da natureza e assim sua reutilização, além de não necessitar da retirada do recurso da natureza, também envolve menos trabalho Entretanto, os custos operacionais da produção daquela peça inicial estão sempre contidos nela.

Por outro lado, também é preciso entender que não há “lixo” na natureza e que há coisas que são naturalmente recicláveis e que ninguém quer reciclar, porque apodrece e, muitas vezes, cheira mal.  Embora essas coisas não sirvam, diretamente, para ganhar dinheiro, elas servem para não gastar mais dinheiro e eu entendo que se deixar de gastar, já consiste num grande lucro. Estou me referindo ao material orgânico, a sobra de comida, que é 100% reciclável, pois pode ser utilizada para fazer compostagem e consequentemente para produzir novos alimentos sem deixar qualquer resíduo.

Meus amigos, Educação Ambiental é entender o que pode ser feito e trabalhar nos processos de realmente fazer aquilo que é necessário, desde a retirada do recursos da natureza até o seu descarte ou reaproveitamento. Entretanto, antes disso, é preciso que se avalie bem a verdadeira necessidade do recurso natural em questão. Não é possível utilizar qualquer recurso só por puro prazer. A natureza levou muito tempo para produzir as riquezas naturais e não é certo nós as destruirmos por diletantismo, muito menos, que consumamos os recursos naturais por simples prazer.

Essa é verdadeira Educação Ambiental que precisa ser ensinada à sociedade, demonstrando que qualquer ambiente, a sua modo, tem uma maneira especial de ser entendido e posteriormente ocupado e consequentemente utilizado. Aliás, essa deveria ter sido a maneira de ocupar o planeta desde o início, no entanto, a humanidade extrapolou as ações, se apoderou do planeta e foi simplesmente retirando o que lhe interessava a bel-prazer e, infelizmente, degradando e destruindo progressivamente todos os espaços planetários.

Pois então, antes nós não sabíamos das limitações e não entendíamos nada de Ecologia, Ecossistemas, Biomas, ocupação dos espaços e uso dos recursos naturais e assim, erramos muito. Todavia, hoje nós já sabemos como devemos fazer para garantir a continuidade e a questão que fica é a apenas uma: por que continuamos fazendo errado? E, o que pior, continuamos ensinando a fazer errado e ainda chamamos de Educação Ambiental.

Precisamos de uma Educação Ambiental, de fato, para trabalhar em prol da proteção dos espaços planetários naturais e artificiais, para que possamos imaginar (sonhar) um futuro sustentável para os seres humanos que virão. Nós, historicamente, já fizemos tudo errado. Agora, temos que nos corrigir o que ainda é possível e começar a fazer direito, tratando o ambiente com o devido cuidado e toda parcimônia necessária.

Apenas assim, desenvolveremos a verdadeira Educação Ambiental e estaremos orientando a sociedade coerentemente na proteção dos espaços físicos do Planeta Terra. A propósito, é necessário também que se entenda que esta será uma tarefa contínua, que não pode parar de acontecer doravante. Esta situação nos levará a tão sonhada e falada consciência ecológica, que até aqui existe apenas na mente de alguns samaritanos e nas ações de certos abnegados que têm se preocupado com a qualidade de vida e sua continuidade no planeta.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

13 maio 2025

Porque temos que plantar cada vez mais árvores?

Resumo: Neste artigo faço uma analogia do simples fato de plantar árvores com as coisas que acontecem nesse país, onde não se preocupa com o aprendizado e o conhecimento das coisas, mas, apenas com a utilidade que essas coisas produzem para alguns indivíduos de índole questionável.

A aquisição de informação e os novos conhecimentos são crescentes para toda humanidade, contudo individualmente o conhecimento é cada vez mais relativizado e consequentemente diminuído, para a maioria dos indivíduos nas diferentes populações humanas. Ou seja, a quantidade de informação e o conhecimento humano aumentam, mas o conhecimento individual, tristemente, tem decrescido.  Está cada vez mais difícil encontrarmos pessoas com um grau significativo de conhecimento e de cultura entre os cidadãos comuns, independentemente do grau de instrução e das formações específicas.

Em outras, palavras, enquanto a humanidade aprende mais, o indivíduo humano tem cada vez menos conhecimento das coisas, haja vista que ele não é mais obrigado a aprender, pois a informação fica gravada nos computadores e pode ser repetida quando necessário. É como se a memória humana estivesse perdendo o seu sentido prático.  Em suma, parece que os seres humanos estão abdicando da vontade de aprender, saber e guardar o conhecimento (memorizar).

Palavras novas surgem todos os dias e atrás delas vêm os mais diversos conceitos, definições, ilações, controvérsias e argumentações a seus respectivos respeitos. Porém, os indivíduos, progressivamente têm se afastado dessas questões conceituais e cada mais repetem aquilo que ouvem, sem procurar interpretar. Aliás, muitos, fazem mesmo questão de não entender. Vou tratar de exemplos da área em que milito mais precisa e profundamente, que é a área do Meio Ambiente. E vou partir de uma questão comum e extremamente simples. Por exemplo: Por que temos que plantar cada vez mais árvores?

A área ambiental talvez tenha sido a que mais cresceu no quanto a diversidade terminológica, complexidade estrutural e variedade de conceitos. Inúmeras palavras e ideias surgiram e assim, grande quantidade de informação tem sido produzida nesse contexto. Entretanto, coletivamente, por mais que se fale, ou melhor, que se repita palavras, parece que se entende sempre menos daquilo que essas palavras querem dizer. Ao invés de se buscar a ampliação de determinado conceito, faz-se exatamente o contrário e quanto menos complexo ele for melhor.

Há uma ausência de significado daquilo que se faz e, o que é pior, há uma imensa distância entre o que é preciso fazer e o que realmente se faz. Obviamente isso se deve a efetiva carência de compreensão das questões, que é oriunda da própria falta de conhecimento teórico sobre essas questões e ao próprio hiato que se cria entre o que faz e o que deveria ser feito. Isso gera um encurtamento das discussões e até mesmo das conversas mais simples e o uso progressivamente maior de palavras monossilábicas.

Dá até a impressão de que o simples fato de conversar assusta os envolvidos, que parecem ter conhecimento e vergonha de suas incapacidades intelectuais, mas que, por outro lado, também nada fazem de efetivo para tentar mudar essa situação vexatória. Alguém já disse que “a ignorância é uma benção” e que “boca fechada não entra mosca”, pois então isso tem sido reforçado nas conversas e discussões entre indivíduos humanos, que estão sempre mais curtas, haja vista que a mudez e ignorância são as únicas coisas crescentes nessas situações. O vocabulário das pessoas é cada vez mais modesto e limitado.

Sim, mas vamos ao nosso exemplo escolhido para tentar desenvolver melhor o meu pensamento. Eu imagino que, embora nem todo mundo esteja disposto a plantar árvores a todo momento, a grande maioria dos indivíduos humanos acha e, empiricamente, até é capaz de entender que plantar árvores é uma tarefa agradável, necessária e bastante interessante. A princípio, ninguém tem nada contra plantar árvores e muitos, embora não se manifestem abertamente, talvez, até gostariam de ter essa experiência na vida.  

Todavia, será que plantar árvores é algo efetivamente preponderante? Acredito que a maioria das pessoas possivelmente deve achar que não, porque elas entendem que existem inúmeras coisas que podem ser consideradas mais importantes e que ainda são reforçadas pela necessidade imediata e pela mídia safada. Talvez existam mesmo essas coisas mais importantes, em dados momentos e situações, porém, para todo mundo e ao mesmo tempo, poucas coisas devem existir, se é que elas existam mesmo, que possam ser tão importantes quanto plantar árvores.

Ora, então porque tem tanta gente criando problemas quanto ao ato de alguém querer plantar árvores? Por que muitos administradores públicos entendem que plantar árvores é perder tempo, além de trabalho e jogado dinheiro fora? Por que é muito mais fácil derrubar árvores do que plantar árvores? Por que sempre é mais complicado plantar do que destruir árvores?

A meu ver, essas questões não podem ser respondidas por conta da generalizada falta de conhecimento teorizado e sistematizado nas mentes dos indivíduos humanos, que, certamente, já foram muito mais capazes do que são hoje. Está faltando discussão sobre plantar árvores e todas as coisas envolvidas nessa simples questão e em outras, talvez até, mais simples. E, podem ter certeza, que a coisa só está progressivamente piorando e não se faz absolutamente nada para estancar a sangria.

Meu bisavô, foi mais coerente e consciente, que meu avô e meu avô, mais que meu pai e meu pai, mais que eu. E, certamente, meu filho tem uma percepção menor ainda sobre essa e outras questões simples do que eu. Infelizmente, assim caminha a humanidade, com uma visão sempre mais restritiva das coisas que realmente importam a vida e a todos. A visão coletiva da encurta a cada momento.

Quer dizer, os indivíduos humanos estão emburrecendo mais e ficando mais insensíveis sobre determinadas questões, consideradas erroneamente menores e menos importantes. Infelizmente, plantar árvores é uma dessas questões. Isso é uma consequência do grande mal sociológico que está assolando a humanidade, onde só tem valor aquilo que é direto, chamativo e fugaz. Aquilo que se faz por contingência ou por hedonismo. E plantar árvores é um ato demorado, discreto e duradouro, ou seja, que acontece por puro pragmatismo.

Então, é preciso que todos entendam que plantar árvores é muito mais do que apenas gerar novos vegetais arbóreos e que essa atividade envolve inúmeros conceitos e outras questões que precisam ser conversadas e discutidas entre as pessoas. Plantar árvores é garantir vida, é proteger a água e os rios, é aumentar a taxa de oxigênio, é produzir alimento, é evitar erosão, é atrair fauna, é dar prazer, é manter a temperatura amena, é transmitir mais tranquilidade.

Enfim, plantar árvores é fonte para inspiração e resolução de inúmeras outras questões que são fundamentais ao planeta e a vida, inclusive e principalmente humana. Plantar árvores, embora seja uma atividade simples, não é algo tão vulgar e inútil como muitos idiotas pensam e como muitos canalhas querem que seja e  por isso, orientam seus subordinados nessa direção. Plantar árvores é algo fundamental e que necessita ser entendido por todos.

Pois então, meus amigos, é preciso que todos os seres humanos sejam capazes de compreender que plantar árvores é muito mais do que parece ser. Plantar árvore necessita ser uma atividade realmente orientada, para que a humanidade tenha a devida dimensão da importância dessa atividade.  Ou seja, plantar árvores tem que ser uma atividade coerente e consciente, que precisa ser feita com vontade e com determinação, porque ela tem importância vital para o planeta e porque tem influência em quase todas as demais atividades humanas.

O que está acontecendo com a humanidade é exatamente isso. Há uma carência total de conhecimento das verdades e um incremento tremendo na satisfação do ego. A propósito, isso, por si só, não é um mal absoluto. O mal é que só se investe nisso e mais, se investe nisso simplesmente como engodo, para enganar e manobrar as pessoas. O não entendimento das coisas é algo pensado e programado, com vistas ao interesse de alguém que quer apenas ganhar mais dinheiro ou mais alguns votos ou quaisquer outras benesses mundanas e individuais, as quais não agregam nenhum valor humanitário.

O ser humano está sendo levado a ficar cada vez mais longe daquilo que a humanidade necessita entender. A questão poderia ser resolvida a partir do famosíssimo, mas eticamente pouco usado, tripé da responsabilidade: querer, dever e poder. Nem tudo que se quer, se deve ou se pode fazer; nem tudo que se deve, se quer ou se pode fazer e nem tudo que se pode se deve ou se quer fazer. Pois então, no Brasil, a grande maioria dos políticos pensa assim: “tudo que eu quero, eu devo e eu posso, o resto que se dane”. Se o político não quer plantar árvores, ele não planta e fica assim. Ele não se explica e assim sua ação acaba não sendo elucidada, porque não é nem, ao menos, discutida.

Infelizmente, hoje a visão que esses políticos têm é de que: o que é bom para mim é bom para todo mundo. Com essa visão eles conseguem enganar a todos e fazem o que querem. Ah! É claro, que às vezes eles até plantam algumas árvores e até podem fazer outras coisas úteis, para não se comprometerem em demasia, mas, obviamente, eles não querem que ninguém aprenda e entenda de coisa alguma. O político safado sabe que, muito mais importante do que, meramente, as pessoas plantarem árvores é que elas não tenham a devida noção da importância que essa atividade possui.

Plantar árvores não poderia ser uma ato mecânico que acontece para agradar alguns, mas, infelizmente, tem sido somente isso. Plantar árvores é uma necessidade que precisa ser esclarecida a todos os seres humanos e que tem que se estabelecer como regra básica das atividades antrópicas no planeta. Lamentavelmente, enquanto alguns pouquíssimos seres humanos desafiam tudo e todos pela simples ideia de que a humanidade necessita plantar árvores, a maioria esmagadora de seres humanos está totalmente alheia e essa verdade. Ou seja, esta é uma informação, um conhecimento, que, embora necessite, não consegue se espalhar devidamente pelas diferentes comunidades

A vida como conhecemos hoje é totalmente dependente das plantas e se não entendermos essa importância e esse fundamento, jamais chegaremos a uma situação de tranquilidade e plenitude moral com relação ao planeta e própria humanidade. Plantemos mais árvores, contudo é preciso termos consciência da preponderância dessa atividade. Isto é, que saibamos e sejamos capazes de explicar o porquê precisamos continuar plantando. É preciso que se fale, que se converse bastante sobre essa questão para que toda a humanidade possa compreender e assumir essa obrigação.

Esta é uma pequena analogia para nos lembrar de que há coisas simples e cotidianas que podem ter relevâncias muito mais abrangentes e significativas do que os picaretas querem que a gente acredite ter. Existem inúmeras outras coisas assim, o problema é que a maioria dos humanos parece estar cega aos interesses mais nobres e se associam facilmente àqueles interesses que não guardam nenhuma relação próxima com a realidade planetária ou com as necessidades maiores da humanidade.

As pessoas simplesmente imaginam que estão fazendo as coisas certas, mas, na verdade, estão sendo manipuladas por qualquer grande ilusionista que trabalha ativamente para que tudo continue sempre da mesma maneira. Falta ética, falta vergonha e sobretudo, falta humanidade a esses ilusionistas de índole dantesca. Todavia, também falta discernimento das pessoas que são ludibriadas e talvez, também falte coragem para encarar as situações constrangedoras e vexatórias que se apresentam diuturnamente.

Meus amigos, por favor, desconfiem e acordem para a realidade. Exerçam as ações com discernimento ou, seguindo o meu exemplo proposto, plantem árvores com vontade, conhecimento e sobretudo, com a sabedoria necessária para a compreensão de que o planeta precisa de árvores e a humanidade precisa ainda mais que o próprio planeta. Plantar árvores é uma obrigação moral e uma necessidade vital planetária e isso precisa ser entendido por toda a humanidade e, por conta disso, esta, assim como tantas outras, é uma questão que precisa ser mais difundida entre os seres humanos.

Mais do que plantar árvores, temos a obrigação de compreender porque necessitamos plantar árvores. O dia em que finalmente compreendermos esta necessidade, provavelmente não precisaremos mais nos preocupar com o plantio de árvores em si mesmo, porque, nessa ocasião, certamente já teremos intensificado o nosso projeto maior, que é manter as árvores que existem no planeta e assim, estaremos muito mais confortáveis, física, mental, ambiental e socialmente.

Senhores, as palavras têm poder, desde que entendidas e vivenciadas. Se não for assim, as palavras acabem sendo meros símbolos que se decora e se repete. Não podemos mais continuar fazendo as coisas sem nenhum entendimento. Somos seres humanos, pensantes, racionais e temos que investir o nosso intelecto em ações preventivas e não apenas curativas das mazelas que criamos ao longo da história.  Nós somos intimados a compreender esse fato.

Não adianta fazer por fazer e preciso saber o porquê daquilo que se está fazendo, pois este é o único modo de dar o verdadeiro valor à ação ou à atividade em questão e de demonstrar que somos realmente seres humanos. Pensem nisso.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e AmbientalistaCaçapava, 06 de maio de 2025.

26 mar 2025
Idiotice Humana e o Mundo Corporativo

A Idiotice Humana e o Mundo Corporativo

Resumo: Desta vez trago minha reflexão sobre a influência nefasta do Corporativismo nas atividades e na vivência social da Humanidade. Há necessidade de ações simples que priorizem a valorização moral dos Seres Humanos e possar trazer melhorias nas relações da Humanidade.


Triste e infelizmente, o mundo corporativo tem movido o restante do mundo humano. E quando eu digo, “tem movido o mundo humano”, eu estou querendo dizer exatamente isso. Ou seja, todas (absolutamente todas) as ações “humanas”, há muito tempo, têm sido consequências de atitudes e ações puramente corporativas e nada humanísticas, o que tem gerado um imenso desastre ético para a humanidade, o que tem produzido situações imorais e inconsequentes.

A humanidade se idiotizou e se ridicularizou na proporção direta em que investiu em interesses cada vez menores, mais insignificantes e menos humanas. O “homem bom” (que vive para o bem da humanidade) está, ao longo do tempo, sendo suplantado pela condição de “bom homem” (que vive apenas para obedecer e servir a outros homens). Esta diferença entre o sujeito, o objeto, no que tange a bondade e a obediência humana está complicando muitas das ações atuais da humanidade e isso tem ficado progressiva e perigosamente mais significativo.

PONDÉ (2022)3 disse que: “basta olhar o mundo corporativo para ver como a estupidez e o “progresso” sempre se dão muito bem”. Ainda que minha ideia de progresso não seja a mesma que a do autor, tenho que concordar que, na verdade, aquilo que a maioria das pessoas ainda entende como sendo progresso, continua prevalecendo na mente dos “super-homens” corporativos e da sociedade como um todo. Desta maneira a incitação da estupidez é realmente muito amiga do mundo corporativo.

Em certo sentido, o homem bom virou o homem bobo e idiota, por conta das implicações do mundo corporativo, enquanto, por outro lado, os corporativistas viraram gênios (“super-homens”) que dominam os idiotas, tolos e bons humanos. O valor do ser humano hoje é dependente de quem mais atende aos interesses dos gênios superiores (“super-homens”), os quais se esqueceram que todos os humanos devem ser iguais em direitos e deveres.  É preciso discutir e rever esse descalabro social e humanitário.

Tudo o que tem acontecido nos últimos anos é consequência da experiência profissional agressiva e insensível, da imposição corporativa e da prioridade trabalhista e funcional do “ser humano”. No passado, tudo era bastante diferente. O ser humano era o sujeito que criava e desenvolvia a condição que lhe gerava o trabalho, o sustento e a evolução da humanidade, além de lhe conceber os devidos qualificativos que eram necessários para realizar e conduzir determinadas funções profissionais. A função profissional era o objeto exclusivo do homem e de sua vontade pessoal.

Hoje, o ser humano é uma peça, uma simples figura, ou melhor, ele se resume na “triste figura de Dom Quixote”, porque tem que se fazer escravo de sua função para poder ser capaz de sobreviver na “grande floresta” das corporações. Hoje o ser humano é o objeto de manobra das corporações e se assumiu como marionete de suas funções sociais e profissionais. A vontade humana perdeu espaço e as diferentes opções de vida deixaram de ser importantes. O trabalho não é mais uma escolha orientada pela vontade, mas, sim, uma exigência determinada pelo sistema, que, ao seu modo, cria regras e impõe obrigações, direta ou indiretamente, a todos os seres humanos.

Os direitos de pensar e agir de acordo com a vontade e com as afinidades na escolha das atividades profissionais, embora ainda existam, são pouco significativos e deixaram de ser importantes. Hoje, cumprir e fazer o desejo de outros é que passou a ser uma regra fundamental e quem não quiser concordar, que se dane. As pessoas simplesmente não conhecem mais as pessoas e nem querem conhecer, talvez, até para sofrer menos. Quanto menor for o contato com outros humanos melhor para tudo e para todos, haja vista que esse contato poderá trazer empecilhos.

Antigamente se dizia, mais ou menos assim. Cadê o João?  Sim, o João, irmão de Tereza e primo da Solange, aquele que é marceneiro e que fez o guarda-roupa da casa da tia Maria. O João, filho do Tião e da Cida, neto seu Virgílio do armazém, que gostava de tocar uma viola e era muito bom de bola, quando jovem. Quando eu me lembra daquele petardo que ele tinha naquela perna esquerda, fico com saudades.  Quer dizer, o João era uma figura única, cheia de qualificativos e todos os seres humanos, a seu modo, eram assim. Qualquer um tinha muitas informações para dar sobre todos os demais.

Agora se qualquer um pergunta pelo João, dificilmente alguém vai além de “que João”? Isso acontece, porque ninguém sabe mesmo nada a respeito do João ou porque todos “conhecem” tantos Joãos, que fica difícil identificar.  Hoje é mais ou menos assim; preciso de um marceneiro e não encontro “nenhum João” que possa me ajudar. Perceberam o marceneiro é o sujeito e o João é o objeto. Isto é, o João não é o que importa e sim o marceneiro que precisa resolver o problema de alguém.

Pois é isso mesmo, meus amigos. Nós invertemos os valores e o objeto passou a ser mais importante que o sujeito e a ter mais predicados relevantes do que o próprio sujeito. A coisa que o indivíduo faz passou a ser mais fundamental do que o próprio indivíduo e dependendo de qual seja essa coisa, ela pode ser preponderante, enquanto ele mesmo é só mais um indivíduo que está temporariamente ocupando um determinado espaço no mundo.  

É claro que existe uma explicação para esta situação vexatória e o pior de tudo é que a explicação é fácil e lógica: “tristemente, as pessoas não conhecem e nem querem conhecer outras pessoas e só se importam com quem elas são”. Saber quem são as pessoas não tem mais cabimento no mundo corporativo em que vivemos e, pelo que parece, vamos continuar “vivendo” assim, se é que isso pode ser chamado de “viver”! Perdemos nossas referências pessoais e supervalorizamos as necessidades situacionais e as referências profissionais corporativas.

Qualquer grupo social hoje, com 10, 100, 500, ou 1000 pessoas (o tamanho do grupo é o que menos importa), não se conhece, ou poucos são os que se conhecem, de fato, dentro do grupo. Isso mesmo: as pessoas convivem, mas não se conhecem! Antes, todo mundo conhecia e sabia algo sobre as pessoas dos seus grupos sociais e até comentavam sobre suas respectivas histórias de vida. Porém, hoje em dia, o que vale é saber: “o que faz esse sujeito que está aí na fila do pão”? As pessoas, são meras “coisas” que exercem determinadas funções e que compram seus pães fresquinhos todos os dias e nada mais.

Ora, como resolver essa questão incômoda e naturalmente ilógica? Como fazer os seres humanos voltarem a entender que antes de qualquer coisa, os demais seres humanos são nossos semelhantes. Isto é, são entes biológicos pensantes, capazes de resolver problemas, sobretudo são naturalmente bons sujeitos e precisam de convivência real com outros seres humanos. Somos seres humanos e, como tal, devemos valorizar, prioritariamente, a humanidade, antes de qualquer outro aspecto. Entretanto, hoje o que o ser humano menos tem referência e menos identifica são, exatamente, os outros seres humanos.

O corporativismo chegou ao ponto de fazer o ser humano passar a ser, deliberadamente, inimigo dos outros seres humanos. Infelizmente a busca pelo poder e pelo dinheiro fez o ser humano desenvolver valores maiores que a própria humanidade. Além disso, o egocentrismo fez o ser humano se esquecer que ele é incapaz de viver sozinho. Isto é, sem se relacionar pessoalmente e sem ter outros seres humanos à sua volta. 

Deste modo, a humanidade está trocando valores verdadeiros por falácias e especulações comerciais frágeis, impostas pelo corporativismo. Enfiamos os pés pelas mãos e trocamos a pessoa, pelo trabalho, a razão pelo dinheiro e a sociedade humana pela solidão. Nossos valores naturais básicos e fundamentais estão sendo perdidos rapidamente por conta dessas novas posturas adquiridas.

O ser humano está progressivamente mais longe (distante) da sua condição básica de ser humano. Infelizmente, ninguém quer saber mais nada sobre ninguém! As pessoas acreditam piamente que elas se bastam para “viver” bem. Hoje não existem mais seres humanos (pessoas) importantes, mas certamente existem inúmeros “CEO” fundamentais para o mundo corporativo e apenas isso importa e inspira as sociedades, o resto é mera e fortuita consequência.

Nos diferentes grupos sociais, sejam eles profissionais, assistenciais, clubistas ou quaisquer outros, as pessoas são o que menos importa! E o que é ainda muito mais triste e terrível é que, por conta disso ninguém quer e nem precisa conhecer mais ninguém. Nesses grupos, os seres humanos “vivem” juntos e se suportam (aturam). Porém, se fossem depender apenas de seus respectivos egos, já teriam se livrado das outras pessoas do entorno, que só atrapalham os seus parcos interesses.

Ninguém mais conhece e muito menos admira, os sujeitos especiais que a história consagrou, porque suas excepcionalidades, simplesmente, perderam suas importâncias históricas. Hoje não existem “grandes líderes”, “grandes inventores”, “grandes heróis” ou simplesmente “grandes sobreviventes”. Hoje, todos nós, somos apenas migalhas dos pães amassados pelos interesses das corporações, gerenciadas por “super-homens” insensíveis.

O ser humano atual não tem coragem e nem vergonha. Pois, falta coragem para duvidar e vergonha para contrariar.  O ser humano virou fantoche dos sistemas políticos, econômicos, midiáticos e empresariais. Quem ousa ser contrário aos sistemas estabelecidos pelas corporações é, simplesmente, descartado da realidade instalada no local e se possível das outras realidades próximas também.  Mais desagradável ainda e saber que quase toda a sociedade, acha, aceita e concorda, que deve ser assim mesmo.

Os grupos sociais não enobrecem mais ninguém. Quem foi o último sujeito que você ouviu falar como exemplo de ser humano para a Humanidade? Papa João Paulo II?  Madre Tereza de Calcutá? Mahatma Gandhi? Qualquer uma dessas pessoas, já faz, pelo menos entre 20 e 70 anos que morreram. Ou seja, faz pelo menos 20 anos que não aparece ninguém para servir de exemplo à humanidade.  Pois é, está parecendo que não existem mais pessoas para servir de exemplo e capazes de mudar o mundo para o bem da humanidade.

O final do século XX e início do século XXI tem mostrado muitos seres humanos inteligentes e acima da média. Entretanto, ainda não nos trouxeram e nem apresentaram grandes sujeitos em valores humanitários. Estamos carentes desses valores, hoje estamos mais para máquinas. Nos tornamos autômatos, isto é, robôs programados para servir aos interesses dos “super-homens”.

Qualquer sujeito normal, hoje, se resume a apenas um número de CPF ou coisa equivalente e um endereço, mas ainda existem muitos que não têm nenhuma dessas duas coisas. Vida, Família, História, Valores, Sonhos e Realizações pessoais ou coletivas são meras recordações que não existem mais. Antigamente o indivíduo tinha um nome, uma identidade e um currículo de vida, com vários características e atividades. O indivíduo, qualquer que fosse, tinha sempre uma história para ser contada sobre sua vida.

Todavia, hoje, o indivíduo tem somente algumas passagens profissionais que compõem o conjunto de toda sua experiência e nada mais. Pouco importa quem ele é, o que ele sabe e o que ele fez de relevante na sua vida ou no seu trabalho, porque esse sujeito é só mais um ocupante de um lugar dentro do sistema e que fique claro: “ele é descartável, porque ninguém é insubstituível”.

Ou seja, qualquer outro ser humano pode fazer o que ele faz. Se o indivíduo der bobeira o sistema, através de outro ser humano, simplesmente, acaba com ele. Aliás, cabe ressaltar que o corporativismo investe bastante nesta condição competitiva e extremamente danosa entre os seres humanos. Por outro lado, muitas funções já não necessitam mais nem de competição entre os seres humanos, pois já existem robôs fazendo quase tudo e agora com o crescimento exponencial da Inteligência Artificial a coisa certamente ficará pior.

Meus amigos, gente virou número e viver virou loteria! Esqueceram que as pessoas, os seres humanos, são reais e estão vivos e que os números nem existem, pois são apenas símbolos quantitativos. Entretanto, se o cidadão quiser sobreviver, ele tem que se contentar em ser apenas mais um número na sociedade. Que situação horrenda esta coisificação do ser humano, que foi criada e que está cotidianamente sendo ampliada. Esta é uma maldade profunda e contundente, que só faz sentido para os interesses corporativos e nada além disso.

Meu Deus, está faltado amor! A humanidade está carente de afetividade, de altruísmo e de companheirismo. É como eu já disse em outro artigo: “está faltando humanidade ao ser humano” (LIMA, 2020)1. Quase ninguém faz mais nada para ajudar ou pelo simples prazer de fazer. Tudo é controlado pelo deus dinheiro e gerenciado pelos impérios das economias e da superficialidade. Está muito difícil (quase impossível) ser humano no planeta dos humanos. Até quando, vamos aguentar esta situação ilógica e infeliz?

O pior e mais triste ainda é que tem “seres humanos” que acreditam que está tudo bem. Aliás, a grande maioria dos seres humanos, nem consegue perceber que está tudo mal. Além disso, ainda existe uns poucos desses seres inumanos insanos que se ufanam das pretensas benesses do sistema e da “excelente condição” da humanidade. É como diz o ditado: “a ignorância é uma benção”. Mas, eu acredito que até para ser ignorante, tem que haver algum grau de prudência e discernimento.

Como disse Bertrand Russell: “o problema do mundo é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”.  Se os idiotas tivessem menos certeza, talvez o mundo fosse muito melhor e o poder do corporativismo, por óbvio, seria menos influente na mente humana. Entretanto a realidade é outra e Bertrand está cobertíssimo de razão. Os idiotas já dominaram o mundo com suas falsas certezas e isso faz muito bem às corporações e aos corporativistas.

Na verdade, estamos apenas sobrevivendo como os demais organismos vivos do planeta. Continuamos com nossas funções biológicas vitais básicas (Nutrição, Respiração, Circulação e Excreção) e alguns de nós, até, ainda conseguem reproduzir. Contudo, certamente nós já passamos por dias melhores e hoje, não conseguimos nos manter tão bem. Nossa espécie está em declínio ético e correndo risco de extinção moral.

Além da falta de coragem e de vergonha, acima citadas, também já não temos mais quase nenhuma vitalidade e nem vivência coletiva como espécie biológica. Faz muito tempo que nossos problemas deixaram de ser nossas questões biológicas e passaram a ser questões psíquicas, afetivas e, talvez, até mesmo espirituais. A humanidade precisa reagir.

É necessário acordar e renascer como fênix voltando à vida. A história já nos mostrou que nossa espécie é resiliente e pode conseguir se reestabelecer. Por óbvio, temos condições de recuperar a nossa capacidade a partir das nossas próprias cinzas. Para tanto, precisamos urgentemente sair da idiotização e recuperar a nossa capacidade de ser feliz, de ser criança de acreditar que o mundo pode ser melhor e que o ser humano pode ser feliz. Temos que redescobrir a criança que existe dentro de nós para voltar a viver e não apenas sobreviver, como seres humanos normais aqui na Terra.

Além disso, é fundamental que voltemos a entender que o ser humano não pode impor regras corporativas e imperialistas a outros seres humanos, porque apesar de nossas diversidades físicas, sociais, culturais, intelectuais e mesmo econômicas. Todos nós somos seres humanos, isto é, somos unidades da mesma humanidade, que está carente e idiotizada, mas que precisa sobreviver ao novo holocausto que se estabeleceu na modernidade por conta das ações corporativistas.

Referências e Leituras Complementares

Caçapava, 19/20 de março de 2025 – 21:30 horas.
Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.