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Artigos Professor Luiz Eduardo Corrêa Lima

10 ago 2026

PONTO DE VISTA SOBRE A RELIGIÃO E A RELIGIOSIDADE

Resumo: Será mesmo necessário ter uma religião para ser um bom ser humano? Existe uma confusão, talvez, propositalmente estabelecida, entre os termos Religião e Religiosidade, que precisa ser esclarecida. No artigo discuto sobre essa questão que está cada vez mais acentuada no mundo e que tem produzido grande mal à humanidade.


“Antes de usar Deus indevidamente, talvez devêssemos apenas entender, como seres humanos, que apesar de nossas diferenças, somos todos da mesma espécie e deveríamos amar e respeitar mais os demais seres humanos e o planeta para continuarmos existindo e sobrevivendo em paz”. L.E.C. LIMA (27/07/2026)

INTRODUÇÃO

Se nos reportarmos às civilizações humanas mais primitivas, observaremos que a espécie humana possui, intrínseca e naturalmente em sua história, algo de transcendente e místico. Desde os primórdios, a relação homem-natureza, sempre envolveu muitas dúvidas, riscos e dificuldades. Além disso, conforme esta relação foi se estabelecendo, também foi gerando grande medo e respeito por possíveis divindades naturais e ainda pelas incertezas e as possibilidades depois da morte.

Os relatos, registros e documentos pré-históricos e históricos comprovam que essa situação foi se ampliado progressivamente e, talvez, a partir das dúvidas e medos, provenientes da ignorância humanas sobre os fenômenos naturais, é que tenham surgido as problemáticas de toda a complicada religiosidade da espécie humana e suas consequências. Assim, também começaram a aparecer as crenças, crendices e possíveis explicações místicas e o respeito aos fenômenos naturais e aos acontecimentos inexplicados e daí para frente vieram, mais recentemente, as diferentes religiões modernas.

Ainda que a religiosidade seja entendida por muitos apenas como a prática religiosa, ou seja, que ela consiste simplesmente do sequencial de preceitos e atitudes definidos por uma religião qualquer, que é seguida por mera determinação de certos indivíduos. Neste artigo, eu tomo a liberdade de pensar diferente. Aliás, na verdade, penso que a religiosidade seja muito mais que isso. A religiosidade deve ter sido absorvida e desenvolvida daquelas práticas antigas, que produziam a necessidade maior do ser humano de se manter gregário e sempre querer viver junto de outros humanos.

Essas práticas se aglutinaram e moldaram reações e sensações, que geraram grande diversidade de outras práticas, as quais também se diferenciaram mais. Assim, foram produzidas e desenvolvidas várias práticas múltiplas, que podem e devem ter criado inúmeros aspectos e respostas sensoriais e, desta maneira, também puderam produzir diferentes comportamentos, algumas vezes mais afetivos e outras vezes mais conflitantes.  

É provável que muitas das práticas resultantes, que se formaram dessa diversidade tenham originado os preceitos básicos que, em dado momento, determinaram as religiões primitivas. Obviamente, algumas dessas práticas foram mantidas nos costumes das diferentes comunidades humanas ao longo da história. Porém, a aculturação desses costumes também pode ter acontecido e se desenvolvido sem qualquer conotação obrigatoriamente ligada àquelas religiões primitivas.

Também imagino que as diferentes atitudes e características foram assumidas por aprendizados consequentes da vivência e da convivência entre os diferentes grupos de seres humanos, ao longo do tempo. Desta maneira, elas não trazem, em si mesmas, mais nenhum preceito obrigatório e estritamente ligado a qualquer religião antiga que possa ser diretamente aproveitado pelas religiões modernas. De qualquer maneira, quero reafirmar que no título deste artigo, eu indico que este é um “ponto de vista” e, por óbvio, como não sou “dono da verdade”, até posso estar errado.

A meu ver, as características e atitudes, são meras condições e ações repetidas por pura contingência e por costumes humanos que foram assumidas e mantidas naturalmente, sem qualquer vínculo ou implicação religiosa. Por óbvio, algumas dessas características foram consideradas, destacadas e mantidas pelas religiões modernas, talvez, até em consequência e como justificativa para alguns de seus dogmas específicos.

Porém, essas características não foram criadas e nem são exclusividade dessas religiões, porque são, antes de qualquer coisa, essas práticas comportamentais humanas fixadas e desenvolvidas naturalmente pela humanidade podem ter surgido por conta das aculturações ao longo da história, as quais podem ter várias causas primárias. Ou seja, embora essas características já existissem antes das religiões modernas aparecerem e se desenvolverem, elas podem ter inúmeras origens.

DISCUSSÃO

1 – Religião x Religiosidade

Alguns dirão que essa “ideia doida” é puro achismo meu e, eu assumo, é mesmo. Mas, às vezes o achismo de alguém também conduz às verdades para todos. Quantos palpites não viraram regras, depois de comentados e provados? Pois então, essas verdades só são estabelecidas, depois que se discute sobre as suas possibilidades e se comprova a sua real existência. A pretensão deste artigo é, apenas e tão somente, essa: expor e discutir um pouco sobre a questão proposta.

Deste modo, isto é, dentro da minha argumentação, devo dizer que é possível afirmar que a religiosidade é algo naturalmente desenvolvido na nossa espécie, mas a religião é uma consequência social, oriunda de vivência e do aprendizado com o medo do desconhecido e das adaptações decorrentes dessa vivência. Baseado nessa vivência, alguém julgou e escolheu, pessoalmente, a bel prazer, sobre a importância de alguns desses aspectos, para tentar demonstrar sua verve extranatural, dentro daquilo que interessava apenas a quem propunha o julgamento. A propósito, isso também é achismo, mas não fui eu quem propus e nem criei, no entanto, ele já está estabelecido por aí, nas várias religiões modernas.

Então, continuando meu pensamento, a religiosidade é oriunda da cultura acumulada pelas interrelações ao longo de várias gerações em diferentes locais. Por sua vez, a religião surge da necessidade de explicar aquilo que não era possível entender e assim acaba criando situações conflitantes à realidade, por conta da ignorância humana sobre o assunto. Deste modo, ela leva o ser humano a temer os perigos, além de empoderar e endeusar suas possíveis fontes geradoras, algumas vezes, até produzindo exageros, ocasional ou até mesmo, propositalmente.

Em outras palavras, entendo que a religiosidade é intrínseca da vida e das experiências passadas pela espécie humana e de sua vivência planetária natural. Em contrapartida, a religião foi adquirida e desenvolvida a partir da aculturação consequente das manifestações de subordinação produzidas pelos temores produzidos nas primitivas sociedades humanas pelos fenômenos naturais, haja vista que elas eram incapazes de entender e justificar a ocorrência desses fenômenos. Contudo, essa verdade pode não ter se dado obrigatoriamente como as religiões modernas afirmam.

A religiosidade é a tentativa de conexão com o não explicado e pretensamente sagrado, enquanto a religião é uma normatização que pretende explicar como se comunicar e se manter ligado a citada conexão. A religiosidade é livre de obrigações, já a religião é regrada e definida por preceitos, além de estabelecer regras e locais para manifestações específicas. Todavia, a conexão com o pretensamente sagrado não precisa, absolutamente, de regras e locais, haja vista que ela é sagrada e se desenvolve por percepção e sensibilidade individual e assim, não necessita e muito menos exige regras.

A religiosidade é naturalmente estabelecida ou não, dentro da mente humana e historicamente permite reconhecer o que é bom para os seres humanos, enquanto a religião (qualquer uma delas) é imposta por dogmas e ritos totalmente artificiais, definidos por determinados indivíduos humanos, que imaginam e propõem ideias próprias sobre aquilo que deveria ser pretensamente sagrado. Ora, isso, além de dogmático, também é achismo de alguém.

Alguns dirão, mas é isso mesmo, porque religião é um “ato de fé”, todavia eu questiono: fé em quem, na ideia, no imaginador da ideia, no seguidor da ideia ou fé generalizada? Quer dizer, só quem cria sabe o que criou e os outros, apenas, aceitam e passam a acreditar, ou não. Ora, isto é fé no homem e não tem nada de sobrenatural nessa condição.

A mente humana sempre se questionou bastante na expectativa de responder algumas questões, tais como. O que é vida? Por que se vive e se morre? O que acontece depois da morte? Quem criou o mundo? Existe mesmo um Deus ou um demiurgo, que teria criado tudo? Como acontecem alguns fenômenos naturais? De onde veio e para onde vai a humanidade? 

Historicamente, as respostas a essas questões naturais foram se estabelecendo, principalmente, de maneira artificial, subserviente e mística. Nesse rol de coisas, não, existe uma questão mais fácil ou mais difícil, porque todas sempre foram (algumas ainda são) bastante complicadas e impossíveis de serem respondidas.

A tentativa de responder a essas e outras questões, a partir das diferentes maneiras de pensar e de agir, fez com que linhas distintas de raciocínio se desenvolvessem e assim foram sendo criadas as distintas religiões e ainda estão surgindo outras, até hoje. Algumas delas, talvez, a grande a maioria, se basearam na ideia de que houve um criador (demiurgo) com superpoderes que trabalhou para produzir o mundo e todas as coisas nele existentes, inclusive o homem. Outras se basearam na ideia de que foram vários os criadores. Outras, ainda, se basearam em lendas passadas e histórias contadas que descrevem as mais diversas místicas da criação.

Por fim, outras surgiram da mescla de parte ou mesmo de todas essas possibilidades. Enfim, muitas delas são muitíssimo próximas nas suas maneiras de se autodefinir. Porém, nenhuma delas, pelo menos, até aqui, ainda não pode ser provada ou comprovada como verdadeira, embora todas se assumam como sendo a única verdade. Enfim, várias maneiras foram consideradas, desenvolvidas e tratadas, mas este não será o objeto de discussão deste ensaio.

Neste artigo, o que se pretende é tentar interpretar e compreender a religiosidade como sendo um compromisso natural do ser humano com os seus pares, independentemente das religiões, de suas maneiras de proceder e de seus diferentes efeitos sobre a vida humana. É bem possível que a religião possa auxiliar nesse compromisso, mas ela não é, de maneira nenhuma, preponderante para que ele se manifeste, porque ele já está naturalmente incutido na mente dos indivíduos da espécie humana.  A Teoria da Evolução por Seleção Natural parece que seja muito mais verdadeira que as demais propostas oriundas das religiões, mas, como eu disse acima, não quero e não vou discutir sobre essa questão, até porque, como biólogo e evolucionista, sou bastante suspeito nesta questão.

A religiosidade diz respeito à ligação com a transcendência humana na Terra, enquanto a religião é a tentativa de explicar essa ligação e descrever os mecanismos que permitem garantir benesses e vantagens para os seus respectivos seguidores, numa situação posterior à morte, para viver no “céu”. Uma religião, além de tentar ser uma maneira de explicação às perguntas, também pretende descrever um roteiro a ser seguido que dá direito a conquista de um “prêmio” garantido para todos aqueles que seguem os seus determinados princípios e procedimentos.

Que fique claro, toda e qualquer religião, de alguma maneira, fala nos criadores e nas suas transcendências como verdades absolutas, além de descrever mecanismos para garantir a “vida eterna”. Entretanto, é bom lembrar que todas essas afirmações são imaginações de alguém e não há como se comprovar a veracidade desses argumentos. Quer dizer, qualquer religião é realmente um “ato de fé” inexplicável.

Todavia, é necessário ressaltar, que nenhum dos criadores (deuses ou demiurgos) se manifestam pelas suas condições superiores diretamente e que todas as religiões foram definidas e escritas por seres humanos, como qualquer um de nós e que, sendo assim, nada possuem de superior ou de transcendental. Por outro lado, ainda cabe lembrar que o proselitismo, certamente, é a característica mais marcante de qualquer religião, que trabalha efetiva e prioritariamente para divulgar seus preceitos e aumentar o seu rebanho, mas é importante dizer que essa característica, por si só, não tem absolutamente nada a ver com religiosidade. Aliás, talvez tenha muito mais a ver com “marketing” promocional. Ou seja, é uma questão artificial que se preocupa puramente com o crescimento do número de adeptos.

Por sua vez, muitos dos seguidores, salvo raras exceções, geralmente não cumprem efetiva e especificamente tudo aquilo que as suas religiões lhes propõem. Desta maneira não é possível comprovar a veracidade, a nobreza e a eficácia de seus “poderosos ensinamentos”. As religiões até podem propor coisas boas, mas a prática dessas coisas é comprometida pelos maus exemplos de seus líderes e pelas consequentes atitudes desenvolvidas pelos seus demais seguidores. E o criador (Deus ou demiurgo) e as místicas religiosas como ficam nessa história?

Aqui já cabem alguns dos grandes senões. Se a religiosidade é natural, então, por que há necessidade de um criador. Se existe um criador, então por que tantas religiões? Se a religião e o criador são fundamentais, por que sempre existiram seres humanos sem religião (arreligiosos), descrentes e ateus? Por que, os arreligiosos não são necessariamente pessoas de má índole? Por outro lado, por que existem religiosos fervorosos que são pessoas de má índole?

Senhores leitores, a resposta a todas essas questões é única e muito simples: certamente porque, efetivamente, a religiosidade não tem nada a ver com e existência de um Deus e assim, ela tem muito menos a ver com qualquer religião. A religiosidade é uma maneira de bem viver. Digo mais, ela obviamente é a melhor maneira de bem viver, porque envolve fraternidade entre os seres humanos. A religiosidade pode ser um sinônimo moral e natural das atitudes humanitárias e da verdadeira humanidade. Amar e respeitar outros seres humanos, o planeta e toda a vida na Terra, antes de ser uma condição religiosa, obviamente, é uma necessidade moral natural e não há necessidade de um Deus para que se entenda essa verdade, basta apenas fraternidade, bom senso e coerência.

2 – Para que servem as Religiões?

Então, parece que muitos seres humanos se apegam mais as religiões, para que possam ter justificadas (perdoadas) todas as suas fugas das obrigações morais, que lhes são naturalmente impostas pela sua religiosidade, que é intrínseca e inata, mas que eles, costumeiramente, insistem em transgredir. Esses seres humanos se mascaram e falsamente, na dúvida da existência de um Deus ou de um demiurgo, se limitam a seguir (acompanhar) determinadas religiões, para pedir desculpas por suas condutas imorais e anti-humanistas. Através da religião, eles imaginam que Deus, se existir mesmo, possa perdoá-los, haja vista que Deus sabe que “a carne é fraca”, como a religião lhe ensina desde o início.

Certamente, seria bem melhor se, simplesmente, os seres humanos não cometessem os erros costumeiros contra outros seres humanos. Contudo, se o erro, por acaso, já tivesse sido cometido, então deveria ser assumido com todas as suas consequências e não encaminhado à vontade e ao perdão de Deus. Porém, quantos de nós, seres humanos, estamos realmente dispostos a assumir os nossos erros? Deste modo, já que a existem as religiões, com “representatividade legal divina”, é melhor continuar pedindo desculpas a Deus, através delas, e seguir a vida sem se importar muito com os nossos semelhantes, porque Deus perdoa sempre.

Desta maneira, o ser humano verdadeiro, sendo e agindo realmente como ser humano, não precisaria da existência de religiões. Entretanto, o ser humano falso de caráter se sente incomodado com sua religiosidade natural, porque, por mais que ele consiga fingir e mentir em público (na frente dos outros humanos), ele não consegue manter essa postura no seu íntimo. Isto é, ela não consegue fingir e nem mentir para si mesmo, embora muitos tentem conseguir essa façanha, mas um dia a casa acaba caindo e ele se denúncia.

Os seres humanos normais têm uma característica complicada que é denominada consciência. Essa é característica humana que não permite que a mentira seja eterna. Contudo, também existem os seres humanos anormais e os psicopatas que mentem sempre e descaradamente. Todavia, esses sujeitos fora da regra natural costumam ser minoria nas populações humanas.

A consciência é o pior tormento para os homens de má índole e de pouco caráter e assim, alguém, talvez algum deles, inventou um demiurgo bondoso que perdoa tudo, mas que requer muita fidelidade e obediência, principalmente para perdoar às falhas de caráter dos seres humanos e assim se criam, progressivamente, novas religiões e surgem mesmo novos representantes legais dos demiurgos. Esses homens devem ser incapazes de se olhar no espelho e acredito que também não conseguem dormir direito. Porém, infelizmente, eles existem e estão por aí.

Há alguns homens que não concordam com isso e têm dúvida, quanto a existência de um Deus ou um demiurgo, esses são os ateus e os agnósticos. Essa condição não garante de maneira nenhuma que eles sejam pessoas ruins. Quer dizer, com ou sem religião, sempre há necessidade de que existam boas pessoas, bons seres humanos, preocupados com as mazelas da humanidade. Esses sujeitos, embora sem religião professada, não são melhores ou piores que ninguém, mas são seres humanos que têm absoluta certeza de que, para ser bom, honesto, altruísta, amigo e companheiro, não há necessidade de que exista um Deus ou um demiurgo e muito menos, que seja necessário obedecer a qualquer preceito estabelecido por qualquer religião.

 Esse é o tipo de ser humano de boa índole, que não precisa da religião para viver bem, mas ele tem grande percepção de sua religiosidade natural. Sua prudência está na capacidade de servir, tolerar e sobretudo, respeitar e conviver bem com outros humanos, tendo atitudes altruístas e benéficas às comunidades e a sociedade como um todo. Por outro lado, tristemente, muitos homens, de religião assumida, são suscetíveis e possuem fortes tendências à vida perniciosa e degradadora e assim precisam de fugas para esconder as suas dificuldades morais, suas deficiências mentais e, muitas vezes, até mesmo, as suas más índoles naturais.

Senhores leitores, acho que já está claro o que eu pretendia dizer. Então, foi nesse contexto que surgiram, cresceram, se diversificaram e se multiplicaram as religiões, que continuam se multiplicando, até hoje, pelo mundo afora. As religiões, infelizmente, têm agido, apenas, como mecanismos de fuga à triste realidade que aflige muitos dos seres humanos, que estão presos à necessidade de demiurgos para justificar suas fraquezas de caráter.

Posso estar muito errado, mas realmente penso que, em certo sentido, as religiões modernas não têm absolutamente nada a ver com Deus ou com um demiurgo qualquer, embora falem, quase que exclusivamente, apenas e tão somente, sobre essas entidades, como modelo e exemplo a ser seguido por todos. Todavia, muitos dos que divulgam esses modelos de virtudes e decências, são os primeiros a não os seguir, mas essa é outra história que também não cabe nesse momento.

3 – Outras Verdades e Questões Oportunas que precisam ser ditas

Toda e qualquer religião é artificial porque foi criada por um ou mais homens, qualquer um deles idênticos aos demais seres humanos. Esses homens também sofrem todas as adversidades da vida e precisam esconder algumas coisas, além de terem que justificar outras. A maldade humana, em certo sentido, é natural, mas a possibilidade, maior ou menor, de assumir essa maldade é cultural. Ou seja, parte dessa maldade também é aprendida ao longo da vida humana.

As populações humanas, aqui e ali, têm tentado mascarar a verdade natural com as religiões, mas não têm conseguido atingir pleno êxito. Isso acontece porque ainda há grande quantidade de seres humanos que, efetivamente, não são capazes de assumir seus erros com a sociedade e suas transgressões com a verdadeira natureza humana. E por óbvio, também existem humanos que efetivamente acreditam e vivem seus preceitos religiosos.

Não há dúvida de que as religiões ajudam e auxiliam, de alguma forma, a quem faz uso delas, mormente seus líderes é claro. Entretanto, elas também costumam fazer muito bem aos seus fiéis seguidores, em particular, aqueles de boa índole. Porém, o tipo de necessidade premente no momento ou na situação é que acabam por definir as “vantagens” na escolha das religiões e assim elas se diversificam e se intensificam pelo planeta. As religiões, por si sós, não boas e nem ruins, mas, em certo sentido, todas acabam sendo totalmente desnecessárias. Pois então, é exatamente isso que tentei demonstrar no desenvolvimento de minha argumentação.

Mas, onde fica Deus nessa minha modesta história? Já estão perguntando aqueles seres humanos mais “crentes” e mais “religiosos”?

Deus, se existir e acredito que possa existir mesmo, apenas acompanha a situação sem manifestar sua opinião, haja vista que ele é Deus e não tem que interferir em questões menores sobre religiões boas ou não. Se, por outro lado, Deus não existir, também não há necessidade de perder tempo em discussões menores e com teologias infundadas. Contudo, como disse acima, eu até acredito que deva existir algo acima de nós, mas não é um ídolo para ser venerado, solicitado ou temido por conta de determinada regra imposta por uma religião.

Penso que Deus deva ser o exemplo de algo bom, uma entidade superior e sobretudo justa, que apenas deseja que trabalhemos para sermos felizes e que vivamos como verdadeiros seres humanos, mas nós ainda estamos muito longe de assumir essa condição. Longe porque falta muito entendimento e longe porque a maioria de nós, de fato, ainda não se importa muito com essa questão. A maioria dos seres humanos ainda entende que a vida humana é muito curta e que temos outras coisas, talvez, muito mais importantes, para nos preocuparmos.   

Ou seja, nós ainda vamos sofrer muito e talvez não haja tempo para que cheguemos a qualquer lugar, além da “jihad” (a chamada e incoerente “guerra santa”) que divide homens e que alguém nos coloca, em nome de Deus, como sendo uma opção para resolver as mazelas e as pendências da humanidade. O pior é que tem alguns “seres humanos” que, efetivamente, querem que isso aconteça.  Mas, esse lado da história parece que não interessa a maioria dos seres humanos, pois quase ninguém discute a questão. Como eu disse acima, para muitos, sempre há coisas mais importantes.

Alguns, simplesmente confessam, mas não professam mais suas religiões e sufocam suas religiosidades. Aliás, alguns não confessam absolutamente nada e vivem num ateísmo distante e pouco convincente, porque estão quase sempre invocando Deus nas suas diversas ações.  Esse tipo de ser humano segue sua vida como se nada de ruim estivesse acontecendo e não percebe que seu desleixo e sua passividade em relação aos seus semelhantes pode ser parte do estopim para deflagar a tal “guerra santa”. Talvez, seja exatamente por conta disso, que temos nos afastado cada vez mais da religiosidade natural que é necessária à nossa própria condição de seres humanos e assim temos sufocado a nossa necessidade vital de convivência benéfica e salutar com os demais seres humanos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES

Enfim, nossa confusão entre os dois termos (religião e religiosidade), por conta de outros interesses, por ignorância ou por fuga simples da realidade, acaba nos condicionando a cometer erros grosseiros e produzir ações violentas e desnecessárias contra outros seres humanos.  Penso que esse tipo de coisa precisa ter fim. Fraternidade deve ser a palavra prioritária entre os seres humanos.

A humanidade não pode continuar sofrendo com essas atitudes de desprezo e aviltamento, em relação à própria humanidade como tem acontecido cotidianamente. O pior é que, muitas vezes, isso tem acontecido em nome de Deus, que, como eu disse acima, se Ele existir, não tem absolutamente nada a ver com isso.

Ainda que todo ser humano tenha o livre arbítrio de escolher e assumir ou não uma religião qualquer, nenhum ser humano tem o direito de impor qualquer preceito dogmático a outro ser humano. Contudo, as religiões agem assim e seus líderes entendem, ou querem entender, que isso seja correto. Porém, fica a pergunta: por que toda religião é proselitista, se a religiosidade não necessita estar vinculada a padrões? Acredito que a única maneira de entender essa questão é aceitando que, como já foi dito, a religiosidade não precisa da religião, seja ela qual for.  

É preciso entender, como também já foi dito acima, que amar ao próximo, antes de ser um mandamento de qualquer religião, é uma obrigação moral do ser humano com o seu semelhante, assim como, respeitar o local onde ele se encontra e o planeta em que ele habita. Não há necessidade de que se coloque um Deus nessas questões, até porque elas são questões estritamente humanas reais e nada têm de transcendental. Assim, todas as iniciativas para atender a essas questões, não guardam nenhuma relação com as religiões e devem ser empreendidas por qualquer o ser humano, por conta de sua respectiva religiosidade natural.

A humanidade é quem deve resolver as suas questões primárias: amar e respeitar os seres humanos e a Terra. Não precisamos de Deus para entender esse fato e necessitamos, menos ainda, de regras que nos ensinem a nos aproximar de Deus. Nossa religiosidade, maior ou menor, é apenas nossa e não precisa ser imposta por qualquer tipo de regra ou rito. Para acreditar e aceitar a existência de Deus, ninguém precisa professar uma religião qualquer, deve apenas deixar aflorar mais a sua religiosidade natural e fazer o bem, no sentido mais amplo da palavra.

Meus amigos, leitores, vocês são seres humanos como eu e como qualquer outro dos mais de 8,2 bilhões existentes no planeta atualmente e suas conversas com Deus ou com o pretensamente sagrado são só suas e de mais ninguém. Cada um de vocês pode e, talvez, até deva comentar essas conversas e suas crenças com alguém, se quiserem, porém, vocês não podem exigir que esse alguém pense e aja exatamente como vocês.  Por fim, quero encerrar dizendo que a humanidade tem que entender isso urgentemente para terminar, de uma vez por todas, com essas questões infundadas de certas religiões que levam seus adeptos ao fanatismo e que acabam propondo e gerando guerras absurdas, em nome de Deus.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

19 jun 2026

Os “Data Centers” e o Meio Ambiente

Resumo: Os “Data Centers” são necessários, porém como fica o meio ambiente com esses o aumento desses centros de dados? A vida moderna é dependente da Informática, mas os grandes centros de dados que guardam servidores e materiais dessa área, entram em confronto direto com o meio ambiente, porém a grande maioria das pessoas parece desconhecer esta situação conflitante.


A grande maioria das pessoas que se utilizam das utilidades operacionais da “Internet” e de todos os seus benefícios, inclusive e principalmente a Inteligência Artificial, não faz ideia do quanto isso implica no Meio Ambiente, interferindo drasticamente no consumo de energia, de água e ainda, na geração de resíduos eletroeletrônicos. Por óbvio, alguns já questionarão: ué, “Internet” causa problema ambiental?  E eu prontamente já respondo, a “Internet” por si só, não causa, mas os “Data Centers”, sim e, o que pior, causam muitos problemas ambientais. 

Então, afinal, o que são os chamados “Data Centers”? Por que eles se constituem em grandes vilões para o Meio Ambiente e para os Ambientalistas? Bem, vamos conversar um pouco sobre esse tipo de empreendimento, que a grande maioria das pessoas, certamente, nunca ouviu falar e assim, quase ninguém, nem sabe que existe e vamos tentar esclarecer o porquê de eles fazerem tanto mal ao Meio Ambiente das localidades onde são estabelecidos e ao planeta como um todo, haja vista que já existe um grande número desses empreendimentos nos mais diversos países da Terra.

Na verdade, para que todas as coisas continuem seguindo bem com a “Internet” e as maravilhas informáticas dela derivada, direta ou indiretamente, existe a necessidade de centrais de dados que são mantidas sob funcionamento durante 24 horas por dia. Ou seja, essas centrais funcionam “eternamente”. Os locais onde essa situação é desenvolvida e garantida denominam-se “Data Centers”, que estão espalhados pelo mundo afora. Os “Data Centers” são centrais físicas que abrigam toda a infraestrutura de Tecnologia da Informação, ou seja, os “Data Centers” são bases que abrigam e conservam toda a parafernália que mantém ativos os serviços de informática.

Aqui no Brasil, concentramos cerca de 50% (48% para ser exato), de todo o potencial desse tipo de base de dados da América Latina. Até o final do mês de abril, existiam 205 “Data Centers” funcionando no país. Só no estado de São Paulo eram 125, incluindo o maior “Data Center” do país e da América Latina, que está localizado em Vinhedo. Mas, o setor não para de crescer e certamente o Brasil seguirá como líder desse tipo de empreendimento na América Latina.

Então, mas se os “Data Centers” são centros de Tecnologia da Informação, o que eles podem produzir de tão desagradável ao Meio Ambiente?

Os “Data Centers” necessitam de grande quantidade de energia e para isso eles, na maioria das vezes, eles se estabelecem, paralelamente, com centrais elétricas, algumas delas com capacidades e consumo de energia superiores a 300 MW, no intuito de garantir a energia que os “Data Centers” necessitam para manter o seu funcionamento “eterno”. Essa energia até pode vir de outro lugar, em pequenos “Data Centers”, mas isso encarece bastante aquilo que já é muito caro. Deste modo, as fontes elétricas dos “Data Centers”, costumam estar nos próprios centros de dados.

Quer dizer, geralmente, onde existe um grande “Data Center” também existe uma grande central elétrica (Usina) que fornece a energia para manter as suas necessidades operacionais. Na maior parte das vezes, essas Centrais Elétricas são Termelétricas, movidas a óleo ou a gás e por isso mesmo, altamente poluidoras da atmosfera, pois liberam inúmeros compostos poluentes no ar atmosférico, como óxidos de Nitrogênio e de Enxofre, Ozônio, além de inúmeros particulados de Hidrocarbonetos.

Essas termelétricas, em maior ou menor escala, são usinas que geram energia muito cara, são altamente poluidoras do ar atmosférico e que, desta maneira, interferem bastante e diretamente no ambiente na qualidade do ar, do bolso e consequentemente, da qualidade de vida das pessoas e dos demais organismos vivos que estão nas suas proximidades. Se não bastasse isso, essas termelétricas também dependem de grande quantidade de água para resfriar suas caldeiras e manter uma temperatura razoável das estruturas para que possam durar um pouco mais.  Além disso, como há grande quantidade de calor, por conta da energia utilizada, a água também é utilizada para resfriar o sistema e regular a temperatura do local.

Essa água, depois de utilizada no resfriamento, simplesmente desaparece, pois é transformada em vapor d’água e acaba indo para o ar atmosférico, A pequena parte que se mantem líquida, fica bastante aquecida, sendo devolvida com temperatura muito mais elevada do que o normal à natureza do local. Esse fato, interfere diretamente na vida de toda a biota aquática do local e em grande parte da biota terrestre do entorno e, deste modo, compromete todo o ecossistema do lugar.

Pois então, à “boca pequena”, ouvimos falar que já estão sendo construídos, pelo menos, dois “Data Centers” aqui na região do Vale do Paraíba paulista, um pequeno, em São José dos Campos, previsto para entrar em operação em 2027 e outro em Pindamonhangaba (um Mega “Data Center”) previsto para iniciar o funcionamento em 2028. Entretanto, cabe lembrar que nós estamos na Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, certamente a mais importante e mais complicada do país e não podemos dispor de nossa água para essas coisas. 

Modelos pequenos como a de São José dos Campos, abrem precedentes e assustam, mas ainda não estão incomodando muito. Por outro lado, modelos gigantes como o previsto para Pindamonhangaba, precisavam ser impedidos de surgirem e se, de alguma maneira, surgirem, devem ser impedidos de se multiplicarem. Precisamos exigir os Estudos de Impacto Ambiental desses tipos de empreendimentos e acompanhar todo o tramite do licenciamento ambiental desses empreendimentos.

Senhores, das 12 grandes Bacias Hidrográficas Nacionais, vivemos numa Sub-bacia da menor delas, que é Bacia Hidrográfica do Atlântico Sudeste, com aproximadamente 229.972 km². Nossa pequena Sub-bacia do Paraíba do Sul, com aproximadamente 60.000 km² de extensão, atende e abastece diretamente cerca de 30 milhões de pessoas, um imenso parque industrial, uma área agrícola significativa e que já está com sérios problemas, no que tange à sua segurança hídrica. E agora resolvemos empreender em grandes “Data Centers”. Isso me parece algo extremamente perigoso.

E aí, eu pergunto: será podemos nos dar ao luxo de construir grandes “Data Centers” e complicar mais a qualidade e a quantidade de nossa água, que já é precária e está bastante comprometida para atender a população que tem que abastecer? Obviamente, que não podemos. Certamente, essa tendência não é nada boa. Aliás, é temerária.

Essas coisas que acontecem por “debaixo do pano” é que sempre complicam mais a realidade e que transformam esse país em terra de ninguém ou apenas, de alguns privilegiados e “sortudos”. Esse estranho hábito de querer enganar as pessoas por conta de outros interesses é que complica a vida dos lugares e principalmente dos moradores do local, onde se resolve desenvolver certo tipo de empreendimento absurdo ou, no mínimo, incoerente, bastante duvidoso e altamente questionável. 

E o pior é que a comunidade local, sempre fica sem saber, quem é o responsável pelo projeto, como foi feito o Estudo de Impacto Ambiental, se é que foi, e onde e quando serão realizadas as Audiências Públicas para discutir sobre o projeto a ser empreendido. Cabe lembrar que as Audiências Públicas, pela Lei, são obrigatórias, e podem demonstrar o desinteresse comunitário sobre o empreendimento e até impedir que ele se estabeleça. 

Assim, quando a comunidade, efetivamente, descobre certas desgraças, muitas vezes, o mal já está quase totalmente feito e muitas vezes fica difícil impedir sua construção e seu funcionamento. Por conta disso, nós, cidadãos valeparaibanos, precisamos estar atentos e ligados nessas coisas estranhas que estão acontecendo na surdina.

É preciso deixar claro para os empreendedores e para a sanha econômica deles, de que as pessoas da região do Vale do Paraíba não querem e não vão permitir facilmente a instalação de certos tipos de empreendimentos, causadores de alto teor de poluição atmosférica. Além disso, também é preciso lembrar que nossa Bacia Hidrográfica não pode mais, se dar ao luxo, de desperdiçar água, apenas para resolver questões particulares de grandes projetos e plantas industriais de empresas nacionais ou multinacionais ricas, que querem apenas enriquecer mais e o resto, incluindo os seres humanos locais, que se dane.

 A Lei Federal 9433/1997, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos, afirma que a prioridade da água é o abastecimento humano e a dessedentação de animais. Nossa água já está muito comprometida para perdermos água esfriando caldeiras e enriquecendo mais os bolsos de certos picaretas. Por mais importante que possam ser os “Data Centers”, nós ainda acreditamos que vida humana continua sendo a coisa mais importante e, por sorte, a Lei também pensa assim. Precisamos, apenas e tão somente, trabalhar para que a Lei seja sempre cumprida.

Mas, também é preciso ressaltar que os “Data Centers” não são ruins apenas porque geram energia, causam poluição atmosférica, degradam ambientes naturais e fazem a água desaparecer. Ou seja, além dos resíduos produzidos normalmente pelos funcionários e outros visitantes, 24 horas por dia, sem parar. Só para lembrar que o “Data Center” nunca param de funcionar. Infelizmente, eles ainda podem fazer coisas piores, haja vista que usam muitos outros recursos naturais, principalmente metais e geram muitos resíduos eletroeletrônicos. São carcaças, peças quebradas, metais corroídos, componentes químicos gastos ou parcialmente destruídos, oriundos das máquinas de emprego na Informática.

Pois então, o uso contínuo e o desgaste desses materiais é capaz de gerar muitos contaminantes e substâncias diversas, muitas das quais, ninguém sabe muito bem para onde vão e muito menos o que acontece com elas e principalmente, o que, eventualmente, podem causar.  Essa gama de resíduo gerada e acumulada necessita ser destruída e novos materiais precisam ser colocados em seus lugares para a manter o bom funcionamento das máquinas. Quer dizer, os “Data Centers” estão sempre gerando resíduos e usando novos recursos naturais para se manterem em funcionamento e, desta maneira, usam cada vez mais recursos naturais e geram sempre mais resíduos. Em outras palavras, eles consomem recursos e geram resíduos constantemente e isso tem grande custo ambiental.

Todavia, existem algumas histórias, algumas já realmente comprovadas, que mostram que esse tipo de resíduo, muitas vezes, é transportado, clandestinamente, para países mais pobres, onde o material é separado e reaproveitado para as mais diversas funções naqueles países. Há algumas nações que até agradecem o recebimento desses resíduos, pois para elas isso é fonte dos materiais raros, caros e diversos que, de outra maneira, talvez jamais pudessem ser conseguidos, ainda que isso traga prejuízos à saúde de alguns e custe a vida de outros indivíduos. É triste, mas Thomas Hobbes tinha razão, ao popularizar a celebre frase de Plauto que, antes de Cristo, já dizia: “o homem é o lobo do homem”.

Meus amigos, em linhas gerais, os “Data Centers” são mais ou menos isso que acabei de descrever e tem “gente” que vai dizer que eu sou maluco e que, como ambientalista, eu sou um “ecochato” e contra o desenvolvimento. E por óbvio, que parte dessa “gente” vai ressaltar que os “Data Centers” permitem vantagens operacionais, geram empregos e trazem ganhos econômicos.  Isso é verdade, porém os empregos só são significativos durante as obras de construção do “Data Center”. 

Isso implica em que a mão de obra empregada é temporária, costuma ser desqualificada e consequentemente é muito barata. Ou seja, gera pouca renda e por pouco tempo. Os empregos que exigem gente bem formada e especializada são pouquíssimos, haja vista que, até por questão de segurança das informações, quase tudo deve ser automatizado nos “Data Centers”.  

Pois então, por isso mesmo, eu ainda quero destacar, que esse pessoal, que é contrário ao ambientalismo, se esquece que o negócio tem que ser bom para todos ou, pelo menos, para a maioria e não para alguns. O desenvolvimento tem que ser sustentável e que há necessidade de se considerar a qualidade de vida de todos os envolvidos, de quem está vivendo hoje e de quem ainda vai nascer, quando se fala de desenvolvimento sustentável. É preciso lembrar que a qualidade de vida ainda é a principal “moeda” que deve ser considerada, quando as coisas são colocadas numa balança de custo/benefício, embora exista muitos “seres humanos” que não achem que qualidade de vida seja algo importante.

Senhores, vamos ficar de olhos abertos sobre esses e outros “Data Centers” que vão querer nos empurrar goela abaixo e vamos fazer o mesmo que já fizemos com as seis tentativas de instalação de mega termoelétricas na nossa região. Vamos trabalhar para impedir que eles se instalem, aqui no Vale do Paraíba. É lógico que sabemos da importância dos “Data Centers”, mas nós não os queremos por aqui e tampouco em outra região populosa e, muito menos, com dificuldade de dissipação do ar e pouca disponibilidade de recursos hídricos, como é o nosso Vale do Paraíba. Cabe lembrar, que a pouca disponibilidade de recursos hídricos é consequência exclusiva de escolhas erradas que foram realizadas no passado recente. 

Nós já deveríamos ter aprendido com os nossos erros do passado e hoje, não poderíamos mais permitir que ações abusivas e à revelia da Lei, como algumas, até bastante recentes, pudessem continuar acontecendo aqui na nossa região. Nesse momento, aproveito para citar e recordar um “slogan” velho, mas sempre atual, que foi muito divulgado na região há alguns anos: “no vale, a vida é o que vale”. Pois, então, precisamos demonstrar que isso é uma verdade.

Hoje, nós já sabemos que água, embora caia do céu, é um recurso natural vital que está implicado nas mais diversas funções biológicas que nos permitem manter a nossa vida e que a, já citada, Lei 9433/1997, afirma que tem valor econômico. Que o ar atmosférico, onde se encontra o oxigênio, tão necessário no nosso processo respiratório, também é um recurso natural que precisa estar limpo e em condições de ser inalado para não trazer doenças respiratórias. E por fim, sabemos que o Meio Ambiente é fonte primária de todas as coisas que nos são necessárias e, por isso mesmo, necessitamos mantê-lo em condições de salubridade e qualidade para as gerações futuras.

Os “Data Centers”, por mais necessários que possam ser, principalmente, se considerarmos as implicações da vida moderna, onde a informática e a “Internet”, em especial, têm papel importantíssimo. Todavia, certamente, não são tão fundamentais como água e ar de qualidade e em quantidade suficiente para a vida humana e de outros organismos em todos os tempos. Deste modo, não adianta absolutamente nada existirem os “Data Centers”, se não existirem seres humanos para fazer uso deles. Senhores empreendedores, pensem nisso e ajam como verdadeiros seres humanos e avaliem bem os projetos que pretendem desenvolver, porque vocês podem, sem querer, “estar dando tiros no próprio pé”. 

Senhores governantes, pensem nisso também e lembrem-se que vocês foram eleitos para cuidarem dos espaços físicos e das diferentes populações de organismos vivos que nele habitam, em especial a população humana. Ou seja, os senhores são responsáveis pelo meio ambiente e tudo que ele abriga, deste modo têm que trabalhar para garantir a melhoria constante da qualidade de vida. Nesse sentido estrito, é fundamental que os senhores tenham em mente que os “Data Centers”, se constituem num contrassenso e precisam ser tratados com coerência, parcimônia e, sobretudo, com justiça socioambiental.


Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

27 maio 2026
O PROBLEMA E O VERDADEIRO TAMANHO DO “ELEFANTE”

O PROBLEMA E O VERDADEIRO TAMANHO DO “ELEFANTE”

Resumo: As dificuldades humanas são muitas, mas ainda bem que elas existem, porque elas nos tornam melhores e nos permitem aprender mais. Nesse artigo faço uma reflexão sobre os problemas humanos e a importância que eles têm nas nossas vidas. Na verdade, os problemas são necessários para o crescimento moral e intelectual.


O elefante é, realmente, um animal muito grande. Aliás, é o maior animal terrestre do planeta. Todavia, uma baleia azul é inúmeras vezes maior que um elefante, só que a baleia azul é aquática e marinha, apenas por conta disso ela pode ser do tamanho que é. A propósito, por isso mesmo, a baleia azul também é certamente o maior animal que já existiu no planeta Terra, sendo maior do que qualquer dinossauro que tenha existido. Por uma questão física, nenhum animal terrestre poderia ter o tamanho da baleia azul, porque a gravidade não permitiria. Quer dizer a baleia azul é, realmente, um animal muito grande. O maior animal de todos. 

Talvez, por isso, o elefante e baleia azul devessem ser dois grandes problemas para a humanidade, já que de alguma maneira os humanos se relacionam com ambos. Contudo, pelo que temos visto, o ser humano é que tem sido um grande problema para a baleia azul e para o elefante. Aliás, para todos os animais, inclusive, outros seres humanos, independentemente do tamanho desses animais.

Pois então, os problemas, que o ser humano enfrenta, também são assim. Isto é, alguns são grandes, outros são muito grandes, outros são maiores ainda e outros são tão pequenos que, por fim, não podem realmente existir e só existem no imaginário das pessoas. Contudo, embora ocorram em situações, lugares ou condições diferentes, todos os problemas reais que os seres humanos podem ter que sofrer, acontecem aqui mesmo, no planeta Terra, ou seja, eles são reais.

Não existe um problema semelhante à baleia azul, que possa ser considerado por ela, como sendo o maior de todos, porque ela sabe que viver, em certo sentido, é superar problemas e sobreviver. Porém, todos os seres humanos “pensam” que os seus problemas específicos são semelhantes ao tamanho das baleias azuis, ou seja, são gigantescos. Contudo, a história não é bem assim. Temos que entender que os problemas existem para serem superados.

 Pois então, mas, o que o elefante, a baleia azul, o ser humano e os seus problemas têm em comum? Além do fato de todos serem animais e mamíferos, a única coisa em comum é que todos vivem e acontecem aqui no planeta Terra, mas cada um deles, obviamente, tem as suas devidas peculiaridades e limitações.

Por outro lado, a vida humana não é réplica de elefantes, nem de baleias azuis, porém, ambas estão cheias de problemas. Por exemplo, o elefante deve estar muito preocupado com o crescimento do deserto e a carência cada vez maior de água para sua sobrevivência. A baleia azul, por sua vez, deve estar preocupada com o aquecimento das águas oceânicas, que as levam progressivamente mais ao norte e ainda por cima, com a imensa quantidade de plásticos no oceano que elas têm que engolir. 

Já o ser humano, deveria estar bastante preocupado com o aumento da fome no mundo, embora também se aumente bastante a produção de alimento, parece que não há alimento para todos. O ser humano também deveria estar assustado e temerário com possibilidade real de uma terceira guerra mundial, que, se vier a acontecer, terá, obrigatoriamente, a presença desagradável e devastadora dos armamentos nucleares e poderá causar o fim da espécie humana.

Enfim, todos têm problemas e esses que citei, são apenas alguns, mas eu poderia ficar aqui citando problemas e mais problemas de cada um deles. Alguns desses problemas efetivamente seriam mais ou menos sérios e complicados, como os que eu citei, mas outros, certamente nem tanto. Contudo, eles não deixam de ser problemas. Além disso, todos os problemas requerem tempo e trabalho para que eles possam ser, de alguma maneira, resolvidos ou, pelo menos, minimizados, a ponto de não serem muito incômodos e nem muito aparentes.

Alguns problemas, dimensionalmente falando, podem ser considerados maiores do que as baleias azuis e outros podem ser menores como elefantes e outros bem pequenos, como os protozoários. Contudo, problemas sempre são problemas e nunca deixam de ser problemas e nem deixam de ter seus respectivos graus de importância e significado. Entretanto, na verdade, quem vive e sente o problema, sempre imagina que esse problema é do tamanho de um elefante ou mesmo da baleia azul, ainda que, de fato, o problema possa, na realidade, ser bem menor do que um protozoário. 

Para reforçar um pouco mais minha analogia, devo dizer que o elefante, embora grande, em condições normais, não costuma produzir nenhum problema para o ser humano, enquanto certos tipos de protozoários, embora microscópicos, em condições normais, podem até matar seres humanos. Na verdade, a importância do problema não está no tamanho de quem o causa, mas sim, no efeito daquilo que ele próprio é capaz de causar. Ou seja, a questão está na significância do problema em si. 

Quer dizer, o tamanho do problema é exatamente o grau de importância que o indivíduo referência a ele, por conta do dano que ele pode estar real e efetivamente causando. Como já foi dito acima, cada indivíduo acha (entende) que o seu problema sempre é maior do que o do outro indivíduo, mesmo em situações semelhantes, às vezes mesmo situações idênticas, por conta de diferentes agravantes, mas essa é outra história. Todavia, na maioria das vezes os indivíduos exageram e acabam por superdimensionar o “elefante” e querendo que ele seja uma “baleia azul”, quando, na verdade, ele não passa de um “protozoário”.

Pois então, nós deveríamos deixar de tratar os problemas como imensos animais que no imaginário popular, são imensos e só servem para atrapalhar as nossas vidas e causar grandes perturbações. Talvez, fosse mais interessante pensar que problemas são bons motivos e justificativas para nos forçar a continuar vivendo, pois os problemas nos fazem produzir novas alternativas, além de sobreviver e viver melhor, ainda que, por outro lado, alguns problemas realmente mais sérios, possam até nos levar à morte. 

Nós precisamos lembrar que os elefantes e baleias azuis, embora grandes e desengonçados, são bonitos, inteligentes, geralmente dóceis e humildes, pois quase nunca necessitam demonstrar a força que têm. Pois é, quem é grande não precisa ser mal e muito menos violento. Então, os grandes problemas acabam ficando maiores por conta do nosso desespero. Às vezes, pequenos problemas causam imensas dores de cabeça, porque, como eu já disse, nós dimensionamos muito mal as coisas, principalmente quando essas coisas dizem respeito a nós ou aos nossos afins.

Todos nós, ou nossos filhos, parentes ou amigos “sempre” temos a pior doença, a maior dor, a infinita amargura, o terrível desagrado. Enfim, pensamos que tudo em nós ou nos nossos entes queridos é sempre mais desagradável e mais violento que em qualquer outro indivíduo. O problema do outro é sempre menor que o nosso. Mas, será que isso é mesmo verdade?

Meus amigos, elefantes são animais terrestres e vivos, de carne e osso, como nós e não são coisas mágicas que estão programados para nos destruir. Ao contrário, eles querem apenas sobreviver aqui na Terra como nós, os protozoários e as baleias azuis, apesar dos problemas que possam ter. Nós só precisamos entender isso, porque essas são as únicas coisas comuns a todos nós: estamos no mesmo planeta, queremos sobreviver e os problemas nos atrapalham.

A compreensão dessa realidade será suficiente para entender, que os problemas são tão normais como a própria vida e que devemos continuar vivendo normalmente, apesar deles. O mundo real não aceita os exageros que nós criamos e, infelizmente, quando damos conta disso, nós já fizemos grandes besteiras. A idade e a vivência, costumam nos trazer mais conhecimento e, sobretudo, mais sabedoria, além de nos ajudarem a compreender que, aqui na Terra, tanto baleias, elefantes, homens e protozoários são apenas animais morfologicamente diferentes, mas todos são passageiros (nos dois sentidos). Isto é, eles estão de passagem pelo planeta, além de estarem efetivamente viajando (vivendo). 

Assim, eles convivem e vivem no planeta, com todos os seus respectivos problemas, ou, simplesmente, perecem. Posso estar errado, mas, acredito que deva ser melhor viver com problemas, do que morrer, sem eles. Assim, superar problemas é algo natural e intrínseco a condição de ser um organismo vivo qualquer, que quer e precisa se manter vivo.

Meus amigos, sejamos mais reais e não nos esqueçamos que todo mundo tem problemas. Nós podemos até ser mais enfáticos, aqui e ali, mas nunca catastróficos demais, principalmente com os nossos problemas e vicissitudes, porque eles, de certa forma, nos ajudam a aprender e viver melhor. Aliás, o legal da vida é exatamente isso. Talvez, a vida fosse muito chata e monótona, se não fossem os problemas para nos provocar e interferir na monotonia.

Nós passamos sempre por situações diferentes e aprendemos sempre mais com cada uma delas, desde que queiramos realmente aprender. Contudo, esse “querer aprender” é um aspecto exclusivamente individual. Cada um de nós precisa crescer e perceber, que só aprendemos quando queremos. Esse é o segredo, pois só assim conseguimos dominar, compreender, conter e solucionar os nossos “elefantes”, ou melhor, os nossos problemas.

Que os “elefantes” continuem aparecendo e que sejamos capaz de encará-los, de contorná-los ou mesmo de domá-los, mas, principalmente, que possamos aprender e consequentemente, viver melhor graças a existência deles. Lembrem-se de que, os verdadeiros “elefantes” são animais grandes e não é possível serem simplesmente jogados para debaixo do tapete, precisamos encará-los e tentar superá-los progressiva e continuamente. Assim, é preciso entender que, independentemente do tamanho do “elefante”, cada um deles que for, de alguma maneira, controlado é mais uma batalha ganha na luta pela sobrevivência. 

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

13 abr 2026

Inteligência Artificial x Língua Portuguesa: um problema mais sério do que parece.

Resumo: A Inteligência Artificial é uma verdade, mas há muita gente fazendo mentira a partir dessa verdade. Para acabar com isso temos que agir rapidamente no intuito de salvar os nossos escritores e a nossa língua portuguesa. O artigo é mais um alerta sobre o uso abusivo e indevido da Inteligência Artificial. Todos precisam estar atentos, particularmente, os escritores e as editoras.


Neste nosso país do absurdo, uma das muitas verdades históricas é que, além dos vários políticos e de um presidente semianalfabeto, pouquíssima gente sabe efetivamente escrever. Por outro lado, mesmo entre aqueles que escrevem, quase ninguém conhece realmente a língua pátria. Deste modo, como semelhante atrai semelhante, o que tem de coisa errada e de besteiras escritas e impressas por aí é uma grande “festa da incompetência linguística”. Aliás, o saudoso Sérgio Porto (“Stanislaw Ponte Preta”) e os seus 3 volumes do FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País), já nos contaram bastante sobre isso, desde a década de 1960.

Entretanto, agora, com o “internetês” e a infinitas siglas que não dizem nada e só atrapalham, mas que todo mundo usa discriminada e aleatoriamente, pois já são costumeiros em muitos textos, a coisa está cada vez mais degradante. Contudo, nada é tão ruim que não possa piorar. Assim, com o advento da Inteligência Artificial (IA), essa piora está acontecendo muito mais rapidamente do que poderia ser imaginado.

A Inteligência Artificial certamente é uma ferramenta interessante, importante e que pode, de fato, ajudar muito a todo mundo, porém, infelizmente, ela já está sendo mal utilizada. Alguns estão usando como muleta, principalmente aqueles que têm preguiça e aqueles que não sabem escrever, absolutamente nada. Imaginem só: um desses sujeitos pede a Inteligência Artificial que faça um determinado texto e ela faz, então, alguém afirma. “Poxa, que coisa legal! E em seguida, solta a pergunta: então para que saber escrever”?  Pois é, meus amigos, escrever deixou de ser algo necessário para os humanos. Pelo menos, para aqueles aqui do Brasil, que deveriam falar e escrever na nossa Língua Portuguesa, “a última flor do lácio, inculta e bela”, no dizer de Olavo Bilac.

Porém, é preciso lembrar que, em contrapartida, também ficam outras perguntas, que ninguém tem questionado. É isso mesmo, simplesmente, ninguém levanta dúvidas sobre essa questão. Quem avalia se o texto feito é bom?  Se o texto é correto e faz sentido? Se o texto condiz com a verdade?  Então, dessa maneira, aquele texto, produzido por Inteligência Artificial, é publicado, repetido e multiplicado muito rapidamente, sem que seja avaliado e analisado. Depois ela cai nas redes sociais e aí, meus amigos, somente Deus sabe o que pode acontecer.

Ou seja, a pessoa manda a Inteligência Artificial fazer um texto e usa esse texto sem nenhum escrúpulo. Entretanto, isso gera, pelo menos, três problemas que necessitam ser discutidos: primeiro é a falta de ética do indivíduo ao assumir, descaradamente, a propriedade um texto que não é seu. O segundo é que, nem tudo que a Inteligência Artificial faz é necessariamente correto ou verdadeiro. Terceiro, como o sujeito não sabia escrever, ele pediu a Inteligência Artificial que fizesse o texto e isso leva diretamente ao fato de que, mais pessoas agora estão, cada vez menos compreendendo a língua pátria, até porque na cabeça dessas pessoas, isso deixou de ser importante saber e assim, não precisa ser feito, porque a Inteligência Artificial faz sozinha e resolve o problema rapidamente.

Quer dizer, com essa possibilidade, tristemente, já praticada em larga escala, muitas pessoas passaram a ter uma preocupação e um trabalho a menos. Entretanto, produzem besteiras a mais e ampliam a falta de conhecimento da língua pátria. Simplesmente as palavras são, progressivamente, jogadas e assim, por óbvio, acabam sendo menos entendidas, tanto na grafia, quanto na semântica. E tanto por quem “escreve”, ou melhor, quem manda a Inteligência Artificial escrever, quanto por quem apenas lê o eu está escrito.

Quem lê, ainda pode sofrer menos, porque, quando existe dúvida, sempre é possível “consultar a Inteligência Artificial novamente”, no intuito de compreender o significado das palavras e das sentenças. Todavia, isso também não é bom, porque, de qualquer maneira, quase ninguém consulta mais as pessoas ou os livros e seus autores. Todo mundo fica satisfeito com a informação da Inteligência Artificial, haja vista que “ela não erra”. Aqui cabe ressaltar que, sempre é bom não esquecer que a Inteligência Artificial é uma criação humana e que “errar é humano” (Sêneca).

Mas, esta situação ainda pode gerar um quarto problema, que a Inteligência Artificial aparenta não conhecer, ou. se conhece, não costuma utilizar e que o seu usuário costumeiro, conhece menos ainda. Estou me referindo às regras nas citações e usos aleatórios de siglas e palavras de outros idiomas. Desta maneira, o que já era ruim, está, progressiva e agravantemente, ficando muitíssimo pior e muitos textos importantes estão sendo grafados de maneira ilógica e incoerente, ou seja, “sem pé e nem cabeça”.

Por outro lado, graças ao nosso colonialismo cultural, as palavras e os termos de outras línguas estão sendo, cada vez mais empregadas, sem nenhuma filtragem e sendo assumidos, descaradamente, sem critério e sem nenhuma cerimônia. O Português está passando a ser qualquer coisa escrita ou dita, sem nenhum padrão linguístico. Enfim, a coisa está muito difícil e, lamentavelmente, só tem piorado. Agora que, já quase acabamos com a Língua Portuguesa, estamos também começando a acabar com as outras línguas. O clássico exemplo para isso é o “cheese” (queijo em inglês), que no “novo português”, faz algum tempo que já virou “X”. Foi assim, que o “cheeseburger”, virou “Xburguer”, nesse “novo português” que anda por aí.

A ferramenta Inteligência Ambiental, transcendeu o seu limite e deixou de ser mais uma ferramenta boa, passando a ser uma muleta e as pessoas a estão usando para tudo, o tempo todo e ainda, sem nenhuma parcimônia. Ou seja, se foi a Inteligência Artificial que falou (escreveu) é “verdade” e, por óbvio, está valendo. Entretanto, não é bem assim. Aliás, não deveria ser nem “meio assim”. O português é uma língua difícil e uma língua dessa estirpe não pode funcionar como um “macaco pesado”, servindo para quebrar qualquer galho de outra “língua”, que nem existe oficialmente.

 Imaginem se as coisas interpretativas que a Inteligência Artificial, usando os seus algoritmos, não consegue ver e se, “por acaso” até vê, como decidir linguisticamente sobre eles. Se quem está utilizando a Inteligência Artificial também não tem nenhum conhecimento dessas coisas, certamente, os erros interpretativos vão continuar se acumulando e se ampliando.

De qualquer maneira tem gente adorando porque os acentos vão perder o sentido totalmente e, por óbvio, vão, simplesmente, deixar de existir. A pontuação então, nem se fala. Pontuação, para quê? Vai ser difícil entender se Deus disse que: nós nos amássemos ou que nos amassemos. Pelo menos, não ficaremos mais preocupados com ao maneira de escrever: Por que, porque, por quê ou porquê e muito menos de saber quando usar cada uma de suas formas. É, tem muita gente torcendo para ser assim, porque, certamente, vai ser bem mais fácil, já que assim, qualquer porquê serve.

Pior do que os ignorantes e incautos, que são apenas incapazes, são os espertos, que acham que estão ganhando tempo e fazendo um bom negócio, mas, na verdade, eles ainda não entenderam que “malandro demais se atrapalha” ou, como disse Jorge Bem; “se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só de malandragem”. Hoje, inventamos um novo português, que até pode se aproximar do verdadeiro português, mas que, certamente, não é português. É uma outra língua, onde se misturam coisas e se esquecem regras gramaticais básicas e onde se interpretam coisas, a partir de conceitos totalmente errados e incoerentes.

Meu Deus, alguém tem que impedir que isso continue acontecendo, para que nossa gente volte a tentar escrever e falar na nossa língua, ainda que esteja falando naturalmente errado, porque, deste modo, pelo menos existe a coerência de ideias e sentido. Isto é, do tipo: “nós fumo de bliscreta para ver a largatixa na sambambaia”, mas “agente” entende. E se a gente não for nenhum agente? Duro vai ser, quando a Inteligência Artificial concluir que Sertão é um lugar em que tudo dá certo ou um lugar que tem um jeito de ser tão “serto”, que nada dá errado ou ainda que “o problema é sempre um pobrema, ou que às vezes pode ser um plobrema”? Ou, pior ainda, quando ela concluir que “o progressio e o desenvolvimento são contrários à sustentabilidade e que só tem sustentabilidade aquilo que fica em pé”. Meus amigos, parece que a coisa vai ficar muito feia, mas, não se assustem, que pode ficar bem pior.

A Inteligência Artificial e seus infelizes e costumeiros usuários parecem desconhecer certos erros e assim, sem nenhuma vergonha, deverão assumir abertamente que esses erros ainda poderão continuar existindo, porque isso não tem nenhuma importância. Considerando que hoje a “Internet” é a mãe de todas as mídias e que o ócio é o pai de muitos homens de comunicação e, principalmente, que a velocidade com que as notícias correm é fantástica, talvez já seja quase impossível tentar frear essa situação constrangedora.    

O pior ainda é que, se isso é ruim para o cidadão adulto comum, imaginem para as crianças e jovens que precisam aprender a escrever e para certos profissionais, como os jornalistas, professores, advogados, escritores e pesquisadores que vivem quase que exclusivamente do que escrevem? Ou esses profissionais acabarão, pois morrerão de fome ou o uso da Inteligência Artificial terá que, necessariamente, ser regrado por legislação federal, haja vista que, certamente, teremos muita bobagem sendo discutida, publicada e ensinada, além de muita “gente boa” defendendo essas bobagens.

Para quem não conhece nada de nada, no que se refere a língua portuguesa, apenas tentar “aprender” a escrever por conta dos textos elaborados pela Inteligência Artificial, certamente, será uma grande lastima. Acredito que se está decretando o fim da nossa querida língua portuguesa. E como disse Fernado Pessoa (heterônimo Bernardo Soares): “Minha pátria é a língua portuguesa”. Talvez, por isso mesmo é que estamos também perdendo a própria noção do que seja pátria.

A lógica linguística da Inteligência Artificial, se é que existe, é uma lógica puramente comercial e comunicativa e não tem nenhuma conotação realmente linguística. Isto é, por exemplo palavras semelhantes ou mesmo iguais terão sempre uma conotação mais comercial, a qual, muitas vezes, vai levar a um entendimento errado daquela ideia que se queria. Eu não sou contra a Inteligência Artificial ou contra o comércio. Aliás, muito pelo contrário, sou até favorável ao seu uso em determinadas situações, mas nunca como regra geral.  Senhores, nós somos seres pensantes e temos que, necessariamente, ser capazes de entender e explicar as coisas, primeiramente em bom português, antes de apenas repetir (“papagaiar” ou “macaquear”) alguns termos.

Se já era difícil escrever e ser entendido em português, porque a língua portuguesa é realmente muito difícil e complexa, agora, então, está ficando muito mais difícil, porque não se está mais escrevendo, efetivamente, em português, mas sim, numa língua mista cuja base pode até ser a língua portuguesa, porém sem que haja qualquer pensamento e nem mesmo preocupação com os princípios da língua em si. É preciso entender que a língua tem vida e não é um simples conjunto de palavras, ou um vocabulário especial, que somente define quando e como se deve usar determinados termos.      

De qualquer maneira, é fundamental que alguma coisa seja feita para conter o avanço absurdo dessa situação. Nós membros de Academias de Letras e, em certo sentido, guardiões da nossa língua pátria, temos a obrigação de ficar de olho e de agir contrariamente ao contínuo crescimento dessa questão, que já passou do estágio de ser apenas uma preocupação, porque já está bastante disseminada na sociedade, inclusive, nas escolas, o que é mais lastimável ainda.

Nesse país, historicamente, em termos culturais, temos perdido quase tudo e agora também estamos perdendo a nossa base cultural maior que é a Língua Portuguesa. Precisamos mudar essa tendência, defendendo uma Língua Portuguesa mais castiça, antes que seja tarde demais. Monteiro Lobato nos disse e nos incentivou a acreditar que: “Um país se faz com homens e livros”, pois, então, meus confrades, estão querendo nos mostrar que isso não é um uma verdade e nem mesmo que isso seja algo importante, porque, hoje, a Inteligência Artificial já consegue resolver todos os problemas linguísticos por si só.

Será? Eu, sinceramente, não acredito! E espero, sinceramente, que tenha muito mais gente pensando da mesma maneira que eu penso. Pois é, talvez, apenas talvez, essa seja verdadeiramente a grande questão: para escrever é preciso pensar. Pois então, atualmente pensar não parece ser algo muito interessante para a maioria dos brasileiros, que estão sendo levados, pela mídia safada, a se digladiarem por questões infinitamente menores, enquanto inserem bobagens e picuinhas nas suas respectivas cabeças. Desta forma insólita, triste e lamentavelmente, acabam existindo muitas coisas mais importantes do que “apenas” escrever.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

22 mar 2026
O Rio “Burro” ou o Rio “Orientado por Deus?”

O Rio “Burro” ou o Rio “Orientado por Deus?”

Resumo: Nessa Comemoração do Dia da Água (22 de março), venho prestar minha gratidão ao Rio Paraíba do Sul e fazer o meu alerta sobre a situação. O artigo é um resumo da história do Rio Paraíba do Sul, que dá nome e vida à nossa região, destacando sua luta para chegar ao mar e a obrigação que temos de cuidar de suas águas.


Era uma vez um rio. Aliás, um rio como outro qualquer, mas muito especial como será visto à frente. Diz a crendice popular que:” todo rio caminha para o mar”, mas graças a Deus isso é só mais uma crendice e, no caso específico desse rio, ele ousou seguir para o mar de uma maneira diferente, ou Deus, por algum motivo, fez com que esse rio se desenvolvesse assim. Bem, eu vou contar essa história.

Se traçarmos uma linha reta, esse rio nasce a menos de 100 quilômetros do Oceano Atlântico, ou seja, bem próximo do mar. Mas, ele nasce na vertente Oeste e o mar está na vertente Leste da montanha e ele não pode ultrapassá-la, por conta da gravidade e assim o rio se desenvolve seguindo na vertente Oeste, porque, obviamente, a água não sobe morro, apenas desce. Assim, o rio que deveria caminhar para o mar, não consegue chegar nele imediatamente.

Todavia, ele segue margeando o mar pelo lado Oeste da montanha, seguindo no sentido Sudoeste, por vários quilômetros. De repente ele começa a se afastar progressivamente do mar e segue mais para Oeste, indo cada vez mais longe do mar. Até que, em dado momento, como dizia Carlos Drumond de Andrade: “no meio do caminho tinha uma pedra”. Nesse caso, uma pedreira intransponível, a Soleira de Arujá, e assim, o rio não consegue ultrapassá-la.

A partir de então, ele muda totalmente o seu percurso e faz uma volta de 180 graus, o “Cotovelo de Guararema” e o rio, que seguia em direção Sudoeste, agora passa a seguir na direção Nordeste e num traçado, relativamente, mais afastado do mar. Nesse caminho, o rio vai criando um imenso vale, que tem terras pertencentes a três estados da União, sempre margeando a vertente Oeste da montanha, que vai ficando gradativamente mais baixa.

As terras por onde ele passa, são enriquecidas com os nutrientes que ele carrega e abastecida com suas águas e ele continua sempre seguindo na direção Nordeste. Somente depois de percorrer mais de 1.130 quilômetros, desde sua origem, ele finalmente encontra o mar, ou melhor, o Oceano Atlântico, na Praia de Atafona, no município de São João da Barra/RJ.

Se não fosse esse rio “maluco” e “complicado”, muitos dos locais ao longo desse grande percurso e principalmente, alguns locais fora dele, não teriam água. Esse rio é muito “burro” mesmo, ou Deus é muito maior do que se imagina. O Rio nasce a menos de 100 quilômetros do Oceano Atlântico e, mesmo não querendo, vai se afastando cada vez mais dele. Assim, o rio tem que fazer uma volta imensa, percorrendo mais de 1000 quilômetros, para encontrar o mesmo Oceano Atlântico e no caminho, vai distribuindo água, nutrientes e gerando vida, direta ou indiretamente para 184 cidades dos 3 estados brasileiros mais importantes do Brasil.

Sim, esse rio tem nome, chama-se Rio Paraíba do Sul. O “do Sul’ é apenas para ficar diferente do seu xará, mas modesto no tamanho e talvez, menos importante, lá do estado da Paraíba, o Rio Paraíba do Norte. Graças a “loucura” ou “burrice” do Rio Paraíba do Sul de querer conhecer o mar, confirmando a crença, ele foi obrigado, por Deus. a andar muito para chegar no seu objetivo, que era o mar. Deste modo, suas benesses vão sendo distribuídas por mais de 1100 quilômetros. Graças a Deus, isso aconteceu aqui e somos imensamente gratos pela “burrice” do rio e pela infinita bondade divina. Tem um ditado que diz: “Deus escreve certo através de linhas tortas”. Sem dúvida nenhuma, o caso do Rio Paraíba do Sul é uma prova efetiva de que essa é uma grande verdade.

Cabe ressaltar que, sem o Rio Paraíba do Sul e suas “águas sagradas”, muitos de nós, certamente, não existiríamos, simplesmente porque não haveria água e sem água não é possível viver. Os meus conterrâneos de nascimento, lá na cidade do Rio de Janeiro, região já fora da área de abrangência da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, nascidos, principalmente, nos últimos 73 anos, em sua grande maioria, na qual eu me incluo, nem teriam nascido, porque só existe água “doce” naquela cidade, por causa da transposição das águas do Rio Paraíba do Sul. 

Se Heródoto chamou o Rio Nilo de “a dádiva do Egito”, porque a civilização egípcia só existe e se desenvolveu por conta dele. Aqui, modestamente, nós também podemos dizer que o Rio Paraíba do Sul é “a dádiva do Rio de Janeiro”, que só continuou crescendo, depois de 1953, por conta, quase que exclusiva, de suas águas mágicas. Mais recentemente, o Rio Paraíba do Sul também passou a ser “a dádiva de grande parte da cidade de São Paulo”, depois da transposição feita em 2015. 

A “burrice” do Rio Paraíba do Sul, tentando chegar ao mar, mostra, por outro lado, a bondade de Deus com os homens valeparaíbano, carioca e paulistano. Se o Rio Paraíba do Sul tivesse seguido o caminho Sudoeste, como fez “seu primo”, o Rio Tietê, atravessando o Estado de São Paulo e se afastando definitivamente do mar, o Vale do Paraíba não existiria, pelo menos por aqui. Contudo, o Rio Paraíba do Sul queria conhecer o oceano, mas não podia transpor a montanha e assim, resolveu contorna-la num “longo passeio” e criando aqui um grande vale, o nosso Vale do Rio Paraíba do Sul.

Se o Rio Paraíba do Sul tivesse seguido a direção de “seu primo”, o Vale do Paraíba do Sul, como conhecemos, não existiria, tampouco a cidade do Rio de Janeiro de hoje e ainda grande parte da cidade de São Paulo, pois não teriam água. Cabe lembrar que São Paulo e Rio de Janeiro são as duas maiores cidades desse país continental. Imaginem a cidade do Rio de Janeiro totalmente sem água há 73 anos e grande parte de São Paulo, nos últimos 11 anos.

Realmente, o Rio Paraíba do Sul é uma benção de Deus e talvez por isso Nossa Senhora tenha sido encontrada exatamente aqui, nas suas “águas sagradas e milagrosas”. Entretanto, nós, os seres humanos que vivemos por aqui no seu Vale, além dos cariocas e paulistanos, que dependemos diretamente ou indiretamente do Rio Paraíba do Sul para tudo que fazemos, aparentemente, AINDA NÃO ENTENDEMOS ESSA NECESSIDADE DIREITO.

O nosso rio “burro”, mas, certamente, abençoado espera que nós não sejamos “burros” e que também devolvamos para ele, a mesma bondade que ele sempre nos outorgou. Essa nossa gratidão obrigatoriamente tem que ser demonstrada. Temos que procurar manter o Rio Paraíba do Sul e suas águas nas melhores condições possíveis, para que as gerações futuras possam entender sua importância natural, social e o quanto nós devemos ao Rio Paraíba do Sul pela nossa existência. Além disso, as novas gerações, também deverão continuar trabalhando para garantir que suas águas continuem correndo e nos alimentando.

Engraçado, mas o nativo indígena que atribuiu o nome de Paraíba (“Rio Ruim”), por conta da dificuldade de navegar no Paraíba do Sul, parece que já estava, naquela época, tentando nos passar uma mensagem, porque o rio é bom e ruins somos nós, os seres humanos, que estamos dando as costas, que repudiamos e judiamos do nosso “bondoso” Rio Paraíba do Sul. Precisamos mudar esse quadro e demonstrar mais a nossa gratidão.

Talvez, até nós, devêssemos “trocar o nome do rio”, para nos atentarmos mais a sua missão conosco. Quem sabe, doravante poderíamos passar a ser chama-lo de “Rio Paracatu” (“Rio Bom”), pois ainda que suas águas sejam difíceis de navegar, elas têm sido maravilhosas e mágicas para desenvolver, manter e multiplicar a vida. Todavia, cabe lembrar que embora a bondade divina seja infinita, o Rio Paraíba do Sul é finito, como tudo na Terra e, por óbvio, milagres não acontecem eternamente.

Meus amigos, esse texto poderia ser um conto, porém não é. Essa é a mais pura verdade. Hoje, dos mais de 30 milhões que dependem diretamente do Rio Paraíba do Sul, apenas cerca de 20% sabem dessa história e se importam com o a condição da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Os outros 80%, irresponsavelmente, apenas vivem, usando e abusando do direito de utilizar sua água e se esquecem do rio que a conduz e distribui e, principalmente de sua história. Deixemos de ser burros e lembremos que nossa continuidade depende da continuidade do Rio Paraíba do Sul.

Muito obrigado pela atenção.

Lorena, 21 de março de 2026.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

24 fev 2026
Ética, Comportamento Humano, Valores Humanos

A Inviabilidade de um Mundo Sem Ética

Resumo: Estou trazendo um texto para que possamos aproveitar o Dia Internacional da Ética e refletir um pouco sobre nossa postura como seres humanos. Faço um questionamento sobre as posturas, atividades e relações humanas que precisam ser trabalhadas para a garantia e sobrevivência de nossa espécie.


A data de 23 de fevereiro tem sido comemorada como sendo o “Dia Internacional da Ética”, desde 2016, portanto ela está completando 10 anos, neste ano. Para marcar esse primeiro decênio resolvi escrever este artigo a fim de que possamos refletir uma pouco mais sobre a situação do mundo e da importância da ética em todas a ações e relações humanas.

Num mundo sem ética, céu e inferno se integram no mesmo local, tocam na mesma tecla, discutindo nos mesmos momentos. Desta maneira, ocupam o mesmo espaço/tempo e se auto digladiam como num passatempo eletrônico inocente. O mundo sem ética, tristemente, consiste numa terapia ocupacional que visa, tão somente, manipular a maioria das pessoas e garantir a degradação humana. O mais desagradável é que a maioria dos seres humanos não percebe este fato e, indiretamente, muitos humanos trabalham ativamente na facilitação desse processo inescrupuloso.

No mundo sem ética, não importa mais nada, somente a discussão afiada, maldosa, inócua e insensata, que é capaz de cortar violentamente como navalha ou mesmo de degolar como uma guilhotina as relações humanas. O mundo sem ética não só evidencia o descaso de certos “humanos” com seus semelhantes, como manifesta oportunamente a crueldade humana que se estabeleceu.

Ou seja, não há bom tom, ou melhor, não há nem tom, quanto mais, bom. Tudo é conflito, confusão e interesse sem nenhum critério. Assim, o pensamento generalizado é: “quanto maior forem a intriga e o tumulto, tudo fica melhor”. Desta maneira, o mundo fica cada vez mais afastado da ética e dos valores humanos fundamentais.

O mundo sem ética, produz ações patéticas e sem nenhuma virtude estética e nem benevolência na prática da melhor vivência comum entre os humanos. A humanidade é o que menos importa ao “ser humano” aético, pois sua realidade é etérea, virtual, torta, indecente, egocêntrica e totalmente degradante para as verdadeiras necessidades da existência humana. O verdadeiro ser humano, no mínimo, tinha que ter respeito por outro ser humano, mas, por óbvio, não é isso que se propaga midiaticamente no mundo sem ética.

A felicidade e o bem comum são meras inutilidades, que estão se tornando coisas mortas no interesse coletivo. Apenas a aparência se manifesta com importância real e efetiva. Só a guerra, promovida pelos interesses fúteis de alguns, conforta os instintos grotescos e primitivos, pois a paz não é entendida como uma necessidade ética, sadia e nobre. Para muitos “seres humanos”, a paz é uma coisa fraca e pequena que atinge a mente dos idiotas e desocupados. Isto é, aqueles seres humanos verdadeiros, que ainda não possuem os ideais maléficos e destruidores que se distribuem nas comunidades e na sociedade como um todo.

O mundo sem ética é exatamente igual a um planeta qualquer, sem vida, ou um mundo que, mesmo possuindo vida, direta ou indiretamente, todos os seres vivos estão contra todos e não respeitam nem a própria casa (planeta), porque não existe interesse comum. Desta maneira, também não há nenhum bem comum. O egoísmo é sempre o principal predicado dos indivíduos aéticos que possam existir num mundo sem ética. No mundo sem ética, ser feliz é uma questão individual e não coletiva, que não satisfaz as necessidades do próprio mundo. Ou seja, a felicidade é uma questão pessoal e exclusiva. A regra é: “se eu sobreviver, os outros que se lasquem”.

O mundo sem ética carece de amor ou de qualquer sentimento fraternal e por isso, nesse tipo de mundo, a vida vai se acabando progressiva e continuamente, pois, a esperança segue morrendo de maneira sucessiva e contundente. O sofrer é uma regra e, o que é pior, uma regra onde não há exceção e assim, todos perdem, padecem e caminham para a morte compulsória e definitiva. Contudo, há quem ainda imagine que está “se dando bem”.

No mundo sem ética, o coração e o cérebro parecem não existir no ser humano, haja vista que o homem não pensa e nem sente. Quer dizer, o ser humano não age como ser humano, ele deixa de ser gente e se confunde com qualquer animal irracional.  No mundo sem ética tudo é ilusão, que fica e se intensifica na imaginação dos “gênios do mal”. A razão fica à margem de tudo e assim, não há solução coletiva para mais nada.

No mundo sem ética, o planeta é, apenas e tão somente, uma fonte de recursos e divisas que permite a sobrevivência e do qual podemos e devemos utilizar sem nenhuma preocupação e muito menos parcimônia. No mundo sem ética, o consumo e o lixo, que deveriam ser consequência das necessidades momentâneas dos seres humanos e por isso mesmo, também deveriam ser tratados com todo cuidado, precaução e interesse, na verdade, são meras contingências de quem está vivendo naquele momento e, por conta disso, não há nenhuma responsabilidade sobre as consequências das ações produzidas.

 Os seres viventes que vierem depois, se vierem, que procurem resolver seus problemas e cada um que aproveite o planeta como puder, a seu modo e vontade. Quer dizer, o mundo sem ética é um absurdo e um contrassenso, além de ser uma violência humanitária e planetária, pois não há respeito ao espaço físico planetário e a nenhum ser vivente, nem mesmo ao ser humano.

Voltemos à ética, para podermos voltar a possibilidade de viver bem. Aliás, ética é exatamente isso: ética é o bem coletivo.  Todavia, hoje, quem está realmente interessado nesse bem coletivo? Quem quer a ética de fato e direito? Pois então, a ausência de ética é “um tiro no pé”, ou melhor, “um tiro na cabeça” de cada um dos seres humanos, porque sem ética, toda a humanidade fica acéfala e acaba prejudicando o planeta e sendo prejudicada também.

Precisamos caminhar para a ética, indo muito além do mínimo necessário, mas, como seres humanos, estamos certos de que também devemos estar aquém do máximo especial e virtuoso, para continuarmos nossa caminhada sonhando e crescendo realmente. No mundo sem ética não há nada, nem realidade e nem sonho, pois tudo se constitui numa triste ilusão. Deste modo, a humanidade fica totalmente perdida na espera infundada de ter mais e vegeta na escuridão, manifestando um contrassenso insano, maltratando a própria humanidade sem remorso e sem perdão.

O mundo sem ética é o oposto das aptidões humanas é o corrompimento de todos os valores humanitários mais sublimes que deveriam nortear todas as ações da humanidade. Pois então, meus amigos, é drástico, não é? Contudo, este é o mundo que, infelizmente, estamos vivenciando. E o mais assustador de tudo, é que este mundo sem ética segue crescendo muito rapidamente.

Trocamos tanto os valores morais, que estamos caminhando muito rapidamente para o caos. Segundo dizem, no início do mundo era assim e só havia o caos e pelo que temos visto, parece no final deverá ser da mesma maneira. Há necessidade de acordarmos, antes do final da viagem ou nunca chagaremos a lugar nenhum e o caos se estabelecerá novamente.

Precisamos estar atentos e lembrar sempre, de que “a ética é um princípio que não pode ter fim”, como nos propõe o Companheiro Aroldo Araújo, desde 1986. Caso contrário, a extinção prematura da espécie humana e de inúmeras espécies vivas será a única consequência possível. Desta forma, temos que readequar o nosso rumo e necessitamos voltar a ter a ética como nosso eterno princípio.

Meus amigos, pensem seriamente nisso e, se ainda não fazem, comecem logo a colocar a ética como fundamento e prioridade em todas as ações. Ou será que nós já desistimos de viver e, por óbvio, já estamos, certamente, condizentes com o término de nosso tempo como espécie viva aqui na Terra?

Caçapava, 23 de fevereiro de 2026
Luiz Eduardo Corrêa Lima (70)

22 fev 2026

OS 70 ANOS DE UM ETERNO APRENDIZ

Resumo: Neste texto comemoro os 70 anos e apresento um resumo das atividades que desenvolvi depois dos 60 anos. Não pensei que chegaria aos 60 e agora já cheguei aos 70 anos me sentindo bastante útil, porque, de certo modo, tenho mais atividades agora e sigo produzindo, aprendendo e querendo continuar.


Dizem que aos setenta anos a questão do permanecer vivo, além de ser a mais importante, vai ficando cada vez mais séria e, em muitas situações, até mais violenta e aí, quase ninguém aguenta, porque a morte tende a ser certa e às vezes até é sangrenta. Assim, o indivíduo apenas se acalma, se assenta e, em certo sentido, deixa de viver tentando apenas sobreviver e por isso mesmo, a vida somente a poucos sortudos contenta e esses excepcionais do tempo, acabam conseguindo chegar aos oitenta e por vezes até ultrapassar os noventa.

Bem, meus amigos, pensamentos filosóficos e rimas poéticas à parte, é bom lembrar que eu já demonstrei minha pouca preocupação com a idade e a possibilidade de morrer, quando completei meus sessenta (60) anos. Naquele momento, publiquei um artigo alegre, de grande motivação e poder, sobre essa questão da preocupação com a proximidade da morte. Porque, no fundo, esse problema de proximidade maior com o fim da vida, pensava eu, naquele momento, fosse tudo uma simples questão de azar ou sorte, ou de saúde fraca ou forte, ou então, uma mera contingência do destino ou da sina ou ainda, uma ação simples da benevolência divina.

Amigos, chego aos setenta e continuo despreocupado com a morte, porque sei que ela é uma contingência natural e compulsória e assim, ela também faz parte da vida. Não tenho medo de morrer, mas tenho pena do que vou perder com essa realidade histórica que se aproxima a cada segundo que passa. Pois então, eu continuo querendo seguir aprendendo, criando e construindo. É claro que a morte interfere nesse meu roteiro, mas ela faz parte do roteiro também. Aliás, a única coisa que todos sabem desde que nascem é que um dia irão morrer e a maioria fica muito preocupada com esse dia e acaba se esquecendo de viver todos os outros dias.

O efeito do tempo, ou melhor, a idade, está principalmente naqueles em que a cabeça envelhece na mesma proporção que o restante do corpo. Assim, o segredo, se é que existe segredo, para não se preocupar com o tempo é manter a cabeça sempre ativa. A cabeça necessita se manter ocupada e preocupada com coisas boas e benéficas, independente do tempo e da idade que se possui. Viva cada dia como se fosse o ultimo, porque um determinado dia, que você e ninguém sabe previamente quando chegará, vai ser mesmo e procure ser feliz. Ou melhor, faça a sua vida valer a pena para os outros e para você, porque talvez esta seja a melhor definição de felicidade.

Portanto não deve haver nenhuma regra absoluta para viver mais ou menos, contudo devem existir várias regras para ser mais ou menos feliz e eu me apego, a priori, na direção de procurar as regras que me levem à felicidade e a dias cada vez melhores. Eu acredito que a felicidade está, antes de qualquer coisa, em ser e estar bem. É claro que o tempo existe, que o corpo tem limites e que a idade pesa, mas o tempo pesa muito mais para quem se importa com ele. Esqueça o tempo e viva todo o tempo que tiver.

Assim, vou seguindo minha trilha, mantendo minha cabeça jovem e buscando sempre ter e fazer o bem. E como eu disse naquele artigo dos sessenta anos, a morte, se quiser, que se preocupe comigo e que venha atrás de mim, porque eu não estou nem aí para ela. A minha preocupação é com a vida e enquanto eu estiver vivo, certamente eu quero viver da maneira mais agradável possível. Minha sugestão é a seguinte: não se imponha regras para viver mais ou menos tempo, mas, invista tudo o que puder, em regras para viver bem e você será mais feliz e menos preocupado.

Eu quero ainda comentar que, de acordo com esse meu um jeito, fica parecendo que: “ou dei sorte ou fiz a coisa certa”, porque passaram-se dez anos desde que completei os sessenta e eu ainda estou por aqui. Apesar de alguns danos físicos à massa corpórea (corpo) e à mente (cabeça), também já prejudicada, porque não há mágica na existência e por óbvio o tempo realmente cobra seu imposto. Contudo, acredito que a cabeça continua seguindo muito bem. Ou seja, continuo na estrada da vida e apenas ganhei mais algumas feridas, por conta das batalhas travadas. Todavia, certamente, nada que me impeça de continuar na minha investida maior pela vida.

Quando fiz os sessenta anos, escrevi e comentei que: “como dizem que a vida começa aos quarenta anos, na verdade e com todo requinte, eu disse que estava fazendo apenas completando os “vinte”. Deste modo, seguindo na mesma analogia, agora chegando aos setenta, na verdade, estou completando apenas “trinta” e ainda longe de qualquer possível situação crônica de nostalgia, quero me manter com a mesma alegria, buscando sempre a felicidade. Quer dizer continuo jovem, só que há muito mais tempo do que antes. Estou muito jovem e a morte que se cuide, porque eu ainda não estou muito preocupado com ela e nem quero pensar em qualquer relação de proximidade mais amiúde.

Ou melhor, algo preocupado, de veras, eu sei que estou, porque sei que já vivi mais que a maioria dos seres humanos consegue viver e por óbvio, essa reflexão me alivia, me traz sabedoria e até, já me causa uma certa euforia. Contudo, sou ciente de ali na frente também vou morrer, como tudo que vive. Entretando, talvez eu não seja o melhor parâmetro para grande parte das pessoas da minha freguesia, pois meus amigos costumam viver muito e vivem com satisfação e alegria. Assim, continuo vivendo, um dia de cada vez e 4,5 semanas por mês, continuando a ser o Luiz, que sempre fez e disse o que quis, cuidando de tudo sem muito verniz, criando um caso aqui e outro ali, porém sempre muito contente e feliz, estudando e aprendendo como um Eterno Aprendiz.

Aliás, eu sou mesmo um Eterno Aprendiz. Como filho, fui aprendiz de meus saudosos e maravilhosos pais. Como pai, fui aprendiz da vida e da família que construí com minha mulher e agora como avô, estou sendo aprendiz do alto da minha vivência e da minha experiência e, com toda sapiência e afeto, estou aprendendo com algo que muito me satisfaz, os meus queridos netos. Aliás, meus netos constituem uma realidade que eu nem imaginava viver, mas que agora possuo dois e um terceiro a caminho da natalidade. Posso dizer que tenho um casal de netos muito legais e mais uma menininha chegando para situações e momentos ainda mais geniais, os quais conhecerei e aprenderei mais à frente.

E sabem o que mais interessante, minha experiência como avô, ainda é muito curta e sinto que preciso vive-la um pouco (ou quem sabe, um muito) mais. Portanto, como eu disse antes, a morte que se cuide, porque eu estou muito mais a fim de viver agora do que estava aos sessenta. Assim, como eterno aprendiz, pretendo passar de série e de ano, seguindo pelos setenta e, quem sabe até chegando aos oitenta e, quiçá, aos noventa.

Também tenho aprendido muito com os meus amigos, principalmente os mais velhos, mas não posso descartar a influência que tenho de minha relação direta com os mais jovens. Aliás, não sei bem o porquê, mas, sou um sujeito de extremos, me relaciono melhor com os amigos mais velhos e com os amigos mais novos.  Sempre tenho mais dificuldades com meus coetâneos, mas isso é um detalhe personal que não importa nesse contexto.

Imaginem só o que já aconteceu, depois dos sessenta, ainda trabalhei mais cinco anos como Professor Universitário, carreira a que me dediquei por quarenta e cinco longos anos. Assim, eu me aposentei, definitivamente, com sessenta e cinco anos e resolvi que não trabalharia mais, pois achei que minha missão escolar já estava concluída, a partir de então, seria só esperar uma oportunidade diferente ou a vontade de Deus. Inesperadamente, a oportunidade diferente chegou e, Caramba! Como eu estava pensando errado! Nunca vivi tanto como depois dos sessenta e cinco anos de idade. Aliás, vou ampliar o texto, mas tenho que contar isso para vocês.

Aos 66, passei 40 dias na Europa, onde meu filho estava morando. Apesar do frio e da neve, conheci lugares maravilhosos. Aos 67, mais 30 dias na Europa para conhecer meu primeiro neto, que acabara de nascer e quase que meu time do coração foi campeão brasileiro. Aos 68 anos, vi nascer a minha neta e, depois de 29 anos, pude ver meu time do coração ser campeão do Brasil pela terceira vez (Tricampeão Nacional) e se isso fosse pouco, de quebra e de maneira frenética, também foi o Campeão da América, jogando lá no Sul da nossa América do Sul, com o estádio cheio de gente, bem mais da metade torcendo para a gente.

Ainda aos 68, fui convidado pelo Prefeito Eleito de Caçapava e seu Secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente para colaborar na administração da cidade e obviamente, aceitei com todo orgulho e respeito. Deste modo, desde então, estou trabalhando na Prefeitura da cidade, em que moro e que adoro, com toda minha vontade interior. Dentro daquilo que acredito e que posso fazer, estou empregando toda minha vontade e minha capacidade intelectual para termos uma Caçapava melhor e com mais qualidade de vida.

Caçapava é um capítulo à parte na minha vida. Tenho muito a agradecer a Caçapava, que me deu tudo que tenho, a começar pela minha família. Caçapava é a cidade que tenho dentro do meu peito, que eu escolhi para viver e onde pretendo morrer, mas mesmo que eu morra longe, quero ser enterrado aqui. Caçapava para mim é uma cidade mágica, que conheci por acaso e que me deu uma família linda, me elegeu duas vezes como Vereador e Presidente da sua Câmara Municipal e que me adotou como seu filho natural, através da outorga do Título de Cidadão Caçapavense.

Mas, continuando o que estava dizendo. Eu, sem nenhuma experiência na minha nova função administrativa, porém, como Eterno Aprendiz, entreguei minha inteligência e minha sensibilidade, meu cérebro e meu coração e, cheguei aos 69 anos, já trabalhando feliz, fazendo algo de bom pela comunidade e algo que, de certo modo, eu sempre quis. Hoje, do alto dos meus 69/70 anos, estou trabalhando com jovens lideres, curiosamente a maioria deles, inclusive meus chefes, são meus ex-alunos, e eu, modestamente, ainda, indiretamente, colaborando nas suas respectivas formações, em certo sentido, me sinto como eterno Professor e Criador de muitas dessas queridas criaturas.

Vou discutindo e me envolvendo sobre a cidade a região na área do Meio Ambiente, ramo do conhecimento em que sou um dos pioneiros regionais, trabalhando há mais de 50 anos, ensinando e aprendendo, enfim estou vivendo e convivendo com muita gente. Aqui na Prefeitura de Caçapava, como Professor que sempre fui, estou atuando no Monitoramento, na Gestão e na Educação Ambiental, procurando manter o equilíbrio do ambiente construído e proteger o ambiente natural, além de estar observando e cuidando da vida de toda gente, em particular dos mais jovens, dos que ainda virão e todas as demais formas vivas locais presentes e futuras.

Olhem que legal, depois de 50 longos anos, trabalhando com Educação, Pesquisa e Ensino, principalmente na área ambiental, agora tenho o Meio Ambiente como meu trabalho principal para acrescentar ao meu Curriculum vitae, mas, principalmente, para colocar no meu memorial. Como cidadão atuante da área ambiental, estou podendo demonstrar toda minha experiência nesta seara profissional. Meus amigos, tudo isso nesses “30 anos” de vida que estou concluindo com certeza. Vejam só, se isso não é uma coisa fantástica, uma beleza!

Quando fiz sessenta anos, os meus leitores costumeiros e mesmo os ocasionais que leram o meu famoso artigo:”60 anos e agora?”, certamente um dos meus textos mais lidos, com mais de 50 mil leituras, devem lembrar que, naquele texto, eu disse o seguinte, com toda minha sinceridade e lisura: “cheguei até aqui, que eu não esperava e assim, o que vier é lucro”. Pois então, agora a coisa ficou mais complicada e difícil para a morte, porque, por alguns motivos, agora estou pensando diferente e tenho em mente outro norte. Quero mais um pouco de vida e assim preciso de muito mais ocupação, saúde e sorte.

Agora, eu tenho dois netinhos: um neto que completa 3 anos, em abril e uma netinha que completou 2 anos, agora em fevereiro, que são os meus diletos e que vão tornando os meus sonhos mais concretos. E neste ano, chega mais uma netinha, provavelmente no início de junho, que vai enriquecer ainda mais o meu ego de avô e quem sabe levá-lo a condição de superego. Por outro lado, agora, como eu já disse, também voltei a trabalhar e tenho aprendido e gostado muito do que estou fazendo no Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Caçapava e preciso concluir o ciclo desta minha atividade laboral.

O mais legal e interessante é que agora o meu compromisso é comigo mesmo e com as coisas que gosto, minha família, meus amigos, meus escritos e meu trabalho pelo planeta e pela vida. Ou seja, agora é por amor, por puro prazer e não por obrigação, pois hoje trabalho por opção e não por imposição, faço porque quero e não porque tenho necessidade. Meus filhos estão criados e não dependem em nada de mim. Enfim, agora estou começando a gostar mais efetivamente de viver e assim, acho que ainda não está na hora de chegar o meu crepúsculo final. Minha história precisa continuar, porque “ainda tenho muita lenha para queimar” e hoje tenho muitos motivos verdadeiros, para querer ficar mais tempo por aqui, muito além deste mês de fevereiro.

Pois então, agora eu penso que a morte, também tem que arrumar outro norte pois, no meu caso, ela vai precisar esperar um pouco, até porque eu, realmente, não tenho mais nenhuma pressa de morrer. Afinal, eu estou apenas com “trinta anos” de idade e ainda tenho vida em qualidade. Isto é, eu estou apenas começando a vida de verdade e apesar do que diz o ditado: “não confie em ninguém com mais de trinta anos”, eu ainda mereço confiança por inteiro, porque só estou completando os “trinta” agora e, os que me conhecem, sabem bem que eu mereço a confiança de todos. Fevereiro é um mês curto e vai acabar nesta última semana o nosso mês carnavalesco, mas eu quero vida e curto ainda viver alguns anos de modo dantesco.

Quer dizer, eu preciso viver um pouco mais e de maneira mais contundente, pois preciso contar a minha história para muita gente, mormente para que meus netos, que necessitam me conhecer melhor, para que eu possa trabalhar e ensinar mais e sobretudo, para que eu possa compreender da vida o seu valor maior, que é viver por puro prazer, mas sem hedonismo e sim por amor e humanismo, sempre querendo aprender. Caramba! Sendo muito sincero, devo dizer o seguinte: como é bom ter o poder de fazer apenas o que eu gosto e quero.

Necessito curtir mais esse momento, por isso rogo a Deus que faça com que “aquela Senhora sombria” possa esperar um pouco mais e me deixe saborear a vida, como nunca pude fazer, com toda tranquilidade e paz. Bem, se assim não acontecer, porque, se por algum motivo não for possível, que eu, pelo menos, possa ter certeza de que fiz a minha parte e, como Eterno Aprendiz, vou ter que aprender também a morrer e dizer amém, esperando encontrar uma turma boa, como a que tenho aqui, lá do outro lado, no além.

A única coisa que posso dizer, por enquanto, é que, com todos os problemas vividos, certamente, ainda está valendo a pena permanecer vivo. Diz o ditado que: “no fim, tudo dá certo”, mas eu espero que esse ditado esteja errado e que “no início, tudo comece certo e siga certo até o final”, porque, afinal de contas tenho apenas “30 anos”. Estou em tenra idade e tenho muita vida pela frente, para dividir, lado a lado, com a felicidade.

Meus amigos, por favor, vivam comigo a próxima década, porque eu, certamente, quero passar vivo por ela. Ou seja, se Deus permitir, passarei os próximos 10 anos aprendendo mais com a vida e ensinando aos meus netos, os valores que meus saudosos pais, Seu Ormil e Dona Lindalva, me passaram, além, é claro, da cultura e do conhecimento que acumulei. Talvez, meus filhos não tenham conhecido bem o pai deles, até porque, infelizmente, quase não houve tempo para isso. Eles tinham que estudar e aprender e eu tinha que trabalhar e aprender, para ajudá-los a sobreviver. Com certeza, meus netos têm que conhecer o avô deles, assim como eu conheci o meu. Eu vou trabalhar bastante para que isso aconteça.

Agora vai ser diferente, pois eu tenho e terei todo o tempo do mundo para ensinar, aos meus netos, tudo aquilo que não tive tempo e nem condições de ensinar aos meus filhos. Por isso agora, eu, ao contrário do que disse aos “20 anos”, que completei há 10 anos atrás, necessito viver mais 10 anos e chegar aos oitenta e, quem sabe, terei cumprido todas as minhas metas e obrigações como Ser Humano, como Filho, como Pai, como Amigo, como Cidadão Brasileiro e Carioca, como Botafoguense, como Mangueirense, como Ambientalista, como Biólogo, como Zoólogo, como Professor, como Pesquisador, como Escritor, como Poeta, como Livre Pensador,  como Marido Apaixonado pela Mulher e pela Família, como membro do Instituto de Estudos Valeparaibanos, como Voluntário, como Rotariano, como Ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava,  como Cidadão Caçapavense, como autor de mais de 15 livros e mais de 1200 artigos, como Imortal de 3 Academias de Letras (ACL, ALL e ABLA),  como Avô, como Funcionário Público Municipal e sobretudo, como Eterno Aprendiz de Feiticeiro, querendo fazer a mágica de mudar  o curso da história futura do mundo, esticando a vida e lutando para acabar com todos os problemas do planeta Terra  e com todos os males que afligem a Humanidade.

Se Deus puder me atender, quero ver minha mulher envelhecer lentamente, meus netos crescerem rapidamente e o Botafogo novamente campeão do Brasil e da América e, se possível, campeão do Mundo, de maneira sóbria e convincente. Meus amigos, se essas coisas acontecerem como imagino, sei que vai ser sensacional e, deste modo, eu poderei morrer no Carnaval com a Mangueira fazendo sua festa genial e tradicional, com meus eternos alunos e meus diletos parentes e amigos sambando e cantando em harmonia total no meu réquiem final.

Ah! Como é bom sonhar, porque além de não custar nada, imaginem se der certo? Sonhar, sobretudo, aguça a mente à busca de momentos melhores. Sonhar, inspira a mente (cabeça) e rejuvenesce a massa corpórea (corpo). Meus amigos, façam o bem e sonhem, que vocês, certamente, viverão mais e se, até, não viverem mais, pelo menos, serão muito mais felizes e terão a impressão de que estão vivendo mais do que, de fato, deveriam viver. Por fim, assim, vocês entenderão que no fim das contas, o tempo é o que menos importa na viagem, mas a viagem deve ser aproveitada e curtida integralmente, independentemente do tempo cronológico e das intempéries que ele possa trazer.

Sejam felizes e muito obrigado a todos que, de alguma maneira, têm me auxiliado, direta ou indiretamente, a construir essa história fantástica e mágica que é viver. E vamos continuar seguindo em frente.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69/70) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

04 jan 2026
Sobre a Arborização Urbana na Cidade de Caçapava

Sobre a Arborização Urbana na Cidade de Caçapava

Resumo:


Atualmente a Arborização Urbana é uma questão fundamental para as cidades, haja vista que as árvores, além de retirar Gás Carbônico da atmosfera, atuando contra o Aquecimento Global e fornecer o oxigênio que é fundamental para nossa respiração e da grande maioria dos organismos vivos, ainda refresca o ambiente, atrai e serve de abrigo, alimento, remédio para nós, para as aves e outros animais. Além disso, as árvores têm uma função terapêutica, pois auxiliam a tranquilizar as pessoas e criar condições mais amenas para a população humana em geral e até espiritualmente as árvores fazem bem.

Quer dizer, as árvores têm importância crucial na vida das pessoas, dos animais, das demais plantas, dos ecossistemas e da cidade de maneira integral e do planeta como um todo. Plantar árvores é garantir oxigênio, é garantir alimento, é garantir água, é conter erosão, é manter biodiversidade, é manter os serviços ambientais naturais. Enfim, plantar árvores e tentar garantir e melhorar a qualidade de vida.

É por conta disso que, hoje, quase todas as cidades, independentemente dos seus tamanhos, possuem algum tipo de Programa de Arborização Urbana ou de Recuperação Florestal, que visa exatamente a garantia dos benefícios produzidos pelas árvores para a cidade e para a população. Assim, nossa cidade de Caçapava também tem seu Programa de Arborização Urbana e seus Projetos de Restauração Florestal, para tentar melhorar progressivamente a qualidade de vida da cidade de seus munícipes e ser mais aprazível aos visitantes que por aqui passam.

Infelizmente o nosso município, por questões históricas, que não cabem ser discutidas nesse momento, ficou quase totalmente pelado de vegetação natural, mesmo na zona rural. Além disso, nossa área urbana é muito carente de árvores e muitas pessoas, pelos mais diversos motivos, não entendem ou não querem entender a necessidade da arborização urbana. O Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Prefeitura de Caçapava quer mudar essa imagem e tem trabalhado com afinco para minimizar nossa deficiência de cobertura vegetal, principalmente nas áreas urbanas.

Temos plantado árvores na área urbana, recuperado e restaurado áreas naturais, distribuído mudas, orientado pessoas sobre o plantio e sua importância e ainda temos proferido palestras em escolas, entidades e eventos sobre a necessidade de plantarmos árvores em Caçapava, no Brasil e no mundo. Estamos trabalhando e muito, para promover um acréscimo significativo da cobertura vegetal em nosso território. Além disso, já organizamos um Curso de Educação Ambiental que será oferecido e ministrado aos Professores da Rede Pública Municipal e outros interessados, que acontecerá em 2026 e que obviamente tratará dessa questão de maneira especial, para que nossos professores possam orientar melhor as nossas crianças, quanto a está questão, que é, ambientalmente, preponderante.

O Departamento do Meio Ambiente (DMA) tem um setor específico para cuidar do manejo das árvores, efetuando plantios e orientando podas e retiradas de árvores. O DMA também administra um Viveiro de Mudas que fornece as árvores para que sejam plantadas nas diferentes áreas da cidade, atendendo às solicitações da comunidade e ainda doa mudas para aqueles munícipes que solicitam e que também queiram e possam plantar. Além disso, nas suas atuações, o DMA ainda tem que seguir uma Lei Municipal 5858/2021 que normaliza os procedimentos para a poda e a retirada, quando necessário.

Quer dizer, não há, legalmente, poda e muito menos, corte de árvore aleatório e nem há nenhuma poda drástica realizada por parte do município. Toda e qualquer poda ou retirada precisa ter autorização da Prefeitura, após a análise técnica. Entretanto, temos que admitir que existe uma empresa que atua no município que faz, sem nenhum critério, podas drásticas e desconcertantes e que vive tomando multas da Prefeitura, exatamente, por conta disso. Mas, essa é outra questão, que não vem ao caso neste momento.

Toda pessoa que quer retirar uma ou mais árvores, precisa abrir um processo na Prefeitura, indicando o local onde a(s) árvore(s) se encontra(m) e o motivo pelo qual deseja retirá-la(s) ou deseja fazer a(s) sua(s) poda(s).  O processo aberto é encaminhado ao setor de arborização do DMA, que vai ao local onde a(s) árvore(s) se encontra(m) e avalia tecnicamente suas condições de vida e, sendo comprovada a necessidade, autoriza a poda ou retirada, que é realizada pelo Departamento de Serviços Municipais (DSM).

Para fazer a avaliação técnica, existe um questionário que deve ser preenchido pelo Técnico para cada árvore(s) examinada(s), além da observação geral do estado das árvores em questão. Depois disso ocorre a emissão de um laudo técnico com fotos da(s) árvore(s) e do loca, o qual fornece o parecer final sobre o que deverá ser feito com a(s) árvore(s). Também há avaliação do local e das condições físicas que a árvore possa estar criando e comprometendo naquele local para justificar a necessidade de que a árvore seja cortada, se for o caso. Fora disso, podem estar certos de que, esta(s) árvore(s) continuará(ão) em pé.

Por outro lado, para garantir que o Viveiro de Mudas continue crescendo e que possa ser capaz de cumprir as necessidades para atendimento progressivo ao município, o DMA está sempre procurando ampliar o seu acervo de mudas e consequentemente aumentando a possibilidade de realizar os plantios na cidade. Para isso, existe uma Lei Municipal, onde a Prefeitura ainda exige uma compensação pela árvore ou árvores que são retiradas.

Quando é autorizada a poda, ele é feita pelo Departamento de Serviços Municipais (DSM) e quando é autorizada a retirada, o solicitante (autor do processo) é informado de que a retirada poderá feita, desde que o solicitante faça a doação prévia à Prefeitura, de 15 (quinze) mudas, se a espécie a ser retirada for exótica ou de 25 (vinte e cinco) mudas se a espécie retirada for nativa. Ainda cabe esclarecer que, quando a árvore, já está efetivamente morta, a retirada é feita sem a contrapartida do solicitante. Isto é, nesse caso o solicitante não é obrigado a doar nenhuma muda.

Se a(s) árvore(s) estiver(em) em área pública, a Prefeitura, através do Departamento de Serviços Municipais (DSM), executa os serviços necessários, mas se a(s) árvores estiver(em) em área ou terreno particular, o próprio solicitante é quem deve proceder para a realização da poda ou da retirada. Cabe lembrar que essas tarefas não são tão fáceis quanto muitos imaginam e, por isso mesmo, deve ser realizada por algum profissional ou empresa que possua conhecimento e experiência no assunto, para evitar riscos e danos maiores. Por outro lado, se a poda ou a retirada não for aprovada, simplesmente o solicitante será informado de que a(s) árvore(s) não será(ão) podada(s) ou retirada(s).

Vejam bem, o objetivo maior da Legislação nessa área é não cortar árvores. Ao contrário, o objetivo é somente cortar árvores quando não existir nenhuma outra solução adequada. Assim, Senhoras e Senhores, tenham certeza de que nós não queremos, não devemos e não podemos cortar árvores aleatoriamente, porque, além de sermos prioritariamente contra, haja vista que trabalhos em prol do Meio Ambiente e da Melhoria da Qualidade de Vida, nós também não podemos deixar de cumprir a Lei.

Em suma, o DMA, além de existir para defender o Meio Ambiente, é guiado e obrigado a cumprir uma norma legal, que visa proteger as árvores, antes de tudo. Deste modo, solicito que, por favor, entendam que quando nós autorizamos a poda ou a retirada uma árvore qualquer, nós estamos indo contra a nossa vontade e, principalmente contra nossa obrigação moral de atuar em prol do Meio Ambiente. No meu caso específico, tenho uma história que remonta mais de 50 anos de vivência como ambientalista, trabalhando ativa e efetivamente pela causa ambiental, sobre a qual publiquei alguns livros, centenas de artigos e proferi dezenas de palestras.

 Senhores, podem ter absoluta certeza de que só retiramos uma árvore, quando esta árvore efetivamente tem comprometimento biológico sério ou causa algum dano significativo ou então, porque está colocando pessoas ou alguma coisa de grande valor, em risco iminente. Assim, no que tange a arborização, mais que em qualquer outra área, estamos trabalhando para minimizar a nossa dívida com a natureza. Temos um passivo ambiental muito grande e necessitamos ampliar a arborização urbana, bem como restaurar e reflorestar ao máximo a área rural do município.

Senhores, por favor, colaborem conosco, sejam coerentes e avaliem bem as diferentes possibilidades, antes de fazer qualquer crítica infundada, procurem se informar corretamente sobre determinadas situações específicas no Departamento de Meio Ambiente. Críticas, são bem-vindas e nos auxiliam a melhorar o nosso trabalho, porém críticas infundadas só causam mais transtornos e aborrecimentos ao nosso trabalho.

 A propósito, neste ano que está se encerrando, a Prefeitura Municipal de Caçapava, direta ou indiretamente, já plantou cerca de 4.000 árvores e certamente não retirou nem 100. Em suma, no que tange a arborização e a restauração florestal, temos absoluta certeza de  que Caçapava está caminhando na direção certa. Estejam todos cientes de que a Prefeitura quer e vai continuar plantando muitas árvores até o fim desse mandato.

Professor Luiz Eduardo Corrêa Lima (Biólogo)
Chefe da Divisão de Monitoramento, Gestão e Educação Ambiental
Departamento de Meio Ambiente (DMA)
Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (SPUMA)
Prefeitura Municipal de Caçapava

01 dez 2025
O Atalho e o Caminho Correto

O Atalho e o Caminho Correto

Resumo: O texto traz uma reflexão filosófica sobre a necessidade de crescer a qualquer preço que é imposta a humanidade pela mídia e procura demonstrar que essa certamente não é a melhor maneira de crescer, porque essa situação nos coloca contra os interesses da humanidade e nos expõe a interesses puramente comerciais.


Vivemos numa época veloz e todo mundo sempre quer chegar mais rápido a algum lugar ou a lugar nenhum, para, também, rapidamente, decidir aonde vai realmente chegar, se é que quer mesmo chegar em lugar algum. Complicado, não é? Mas, é isso mesmo que está escrito.  Ou seja, há muita dúvida sobre o porquê, o onde e o como chegar a qualquer lugar, porque geralmente não há um plano de viagem estabelecido, apenas se quer chegar de maneira mais rápida.

 Pois então, meus amigos, o nome desse caminho mais rápido, todos sabem é atalho. Assim, muita gente vive, simplesmente, buscando atalhos. Contudo, o que muitos não sabem e alguns não querem saber é que o atalho nem sempre é o melhor caminho. Além disso, na maioria das vezes, o atalho acaba mesmo sendo o caminho errado. Atalho é uma necessidade de vida, mas não pode ser uma prática cotidiana dessa mesma vida. Atalhos ocasionais podem ser importantes, mas atalhos diuturnos costumam ser tentativas de fugir da verdade ou de tirar vantagens sempre, ou seja, são falcatruas, que grande parte das vezes dão errado.

Às vezes o caminho correto, além de longínquo, também é muito complicado e difícil, deste modo, um jeitinho aqui, uma mentirinha ali e uma embustice acolá, acabam resolvendo certas situações momentâneas. No entanto, essas situações tendem a se prolongar e ficar mais compridas ou, como se diz na linguagem popular, “deixam rabo”. Normalmente o rabo cresce, cresce e quando quebra, geralmente quebra do lado mais fraco. O que a maioria das pessoas não sabe exatamente é o seguinte: qual o lado mais fraco. Senhores, o lado mais fraco é sempre aquele que procura encontrar a facilidade a qualquer custo, o atalho, e eu vou tentar esclarecer porque isso acontece.

Quem segue o procedimento normal tem a imagem verdadeira da questão, porque conhece o todo do processo. Se não conhece, pode voltar ao longo da própria história ou situação e assim, pode identificar e aprender com as nuances do próprio processo. Já quem toma o atalho, pula momentos e etapas e assim sua história nunca está completa e sempre vão faltar detalhes a serem esclarecidos no contexto de toda a história. Pois é, a corda sempre estoura do lado mais fraco, e o lado mais fraco é sempre aquele que menos conhece toda corda (história).

As pessoas que procuram atalhos para ganhar vantagens (“Lei de Gérson”), sobretudo, tempo, acabam sendo pessoas atabalhoadas, desorientadas e pagam muito carpo pelo tempo que economizam. Essas pessoas confundem as coisas porque são apressadas, inexperientes e incompletamente formadas. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição, mas isso, por óbvio, não é necessariamente uma verdade e se for, não é obrigatória. Existem coisas em que a pressa até pode ajudar, desde que quem se utiliza da pressa conheça exatamente aquilo que está fazendo. O que não se pode é querer que tudo se desenvolva sempre apressadamente.

Aprendemos desde cedo que a menor distância entre dois pontos é uma reta e por conta disso tentamos tornar tudo que nos envolve em linhas retas, contudo o mundo e sobretudo, as relações humanas são tortuosas e muitas vezes precisamos vivê-las para sermos capaz de entende-las. É preciso compreender que o menor caminho, o das retas, nem sempre é o melhor caminho e que, muitas vezes, pode ser o pior. De vez enquanto é bom passar dificuldades para que se possa aprender mais sobre a vida e sobre os nossos próprios limites. Infelizmente, nossa vida é uma “caixa preta” que será analisada por outros depois da nossa morte. É exatamente isso, meu amigo, nós vamos morrer e consequentemente ficaremos sem saber quase nada a nosso respeito.

Pois então, isso só não poderá acontecer, se nos dispusermos a aprender mais sobre nos mesmos e isso necessariamente passa por viver e superar as nossas dificuldades. Os atalhos nos levam a fugir das dificuldades e isso nos afasta de nossa verdadeira condição humana. Eu só me conheço mais, quando aprendo mais alguma coisa sobre mim. Isso implica em encarar problemas, combater infortúnios e perder ou vencer lutas. Os atalhos nos distanciam da realidade que teríamos que conhecer, principalmente, sobre nós mesmos.

Conscientemente nós nunca saberemos exatamente como será nossa vida, mas temos que estar dispostos e preparados para tentar nos conhecermos melhor. Ousar é algo perigoso, mas é interessante e nos permite compreender melhor as coisas. Atalhos geralmente impedem que ousemos e que desafiemos os nossos pretensos limites. Atalhos normalmente facilitam as coisas, mas certamente dificultam aprendizado sobre a vida. Podem ter certeza de que estamos aqui para aprender e evoluir, ou será que nascemos apenas para morrer? Ora, se nascemos apenas para morrer, então para que viver? 

O problema é que as pessoas que costumeiramente usam os atalhos, normalmente não tem conhecimento suficiente de quase nada, muito menos de si próprias, porque acumularam atalhos e perderam a noção do todo, tanto exterior, quanto interior. Assim, sempre vai ficar uma ou mais pendências (uns rabos) e isso, muitas vezes, é o suficiente para inviabilizar a situação ou viabilizar de maneira equivocada ou pouco convincente e assim gerar dúvidas no processo, além de comprometer o resultado. Situações dúbias e duvidosas, bem ou mal-intencionadas, frequentemente derivam de tomada de atalhos indevidos.

Atalhos podem ser benéficos? Sim, eles podem. Entretanto, não costumam ser e a grande maioria das pessoas, certamente, já sabe disso. Então, porque, mesmo sabendo disso, algumas pessoas insistem em procurar atalhos, investindo cada vez mais na busca da rapidez e cada vez menos na eficiência? Essa é a pergunta, cuja resposta certa, vale US$ 1.000.000 (um milhão de dólares). Vou me atrever e me esforçar para tentar respondê-la, ainda que não consiga ganhar absolutamente nada com isso.

A propaganda, a mídia, o “marketing” e o mundo moderno fictício vivem enganando as pessoas, dizendo para elas que elas precisam ser aquilo que não são e ter aquilo que não necessitam. Eles mostram a imagem de que tudo é fácil e que todo mundo pode fazer o que quiser e assim ficar muito rico, porque tudo é muito fácil e esse é o “grande objetivo” do ser humano. Entretanto, obviamente, isso não é verdade. Aliás, a verdade costuma ser totalmente antagônica a isso, até porque o objetivo real é ser feliz!

Todavia, quem pode afirmar que seguramente é preciso ser rico para ser feliz? E mais, quem disse que não existem pobres felizes ou ricos infelizes?  Meus amigos, as pessoas que normalmente dão certo e são felizes, geralmente trabalham muito, pensam muito e seguem caminhos muito longos, difíceis e geralmente sem atalhos. E cabe ressaltar, elas não são e nem querem ser ricas, querem apenas viver bem. É bom esclarecer que a palavra bem não envolve a necessidade de nenhum cifrão!

Faz muito tempo que, saímos do “tempo da carochinha”, mas, graças a propaganda, vivemos num faz de contas muito maior do que naquele tempo. Acreditamos piamente na mídia, na Televisão, no Google, na Internet e, mais recentemente, na Inteligência Artificial. Somos seguidores e veneradores do “deus propaganda” e rezamos na sua cartilha, descaradamente, sem nenhuma vergonha. Esse “deus propaganda”, serve ao seu primo, “o deus comércio”, que é irmão do ‘deus dinheiro” e ambos são filhos da mesma “deusa economia”. Essa família de falsos deuses são o engodo que tem destruído progressivamente a humanidade. É incrível, mas parece que a humanidade não quer mais ser feliz!

Pois então, essa corja de falsos deuses, colocam um monte de bobagem na cabeça das pessoas a desta maneira, acabam as convencendo de que ao vida é curta e o tempo urge e que eu preciso estar encima e com dinheiro suficiente para realizar todos os meus prazeres. Por isso, pernas para que te quero? Assim, vamos passar sebo nas canelas e sigamos em frente o mais rápido possível, mesmo que tenha que mentir e passar por cima de outras pessoas.

Algumas dessas pessoas que, muitas vezes, passamos por cima, são parentes próximos e amigos que deveriam ser amados, prezados e respeitados. Pais, enganam filhos, os filhos enganam os seus irmãos e todo mundo engana todo mundo para chegar mais rápido à “glória” (ficar rico). Mas, que glória é esta, que não tem sensibilidade, nem escrúpulos e muito menos vergonha. O pior de tudo é que ninguém mais quer ser feliz.

Durante mais de vinte anos nas minhas aulas inaugurais que ministrei para alunos que ainda não me conheciam e u sempre fiz a seguinte pergunta: o que é que todo mundo quer? E, pasmem Senhores, quase sempre, 100% dos alunos respondiam, dinheiro. Eu insistia e alguém respondia, ter uma casa, ter um carro do tipo “x” e assim, apenas coisas materiais. Ninguém queria ter uma família ou ver o fim das guerras, ou sei lá, qualquer besteira. O pessoal aprendeu, por conta da mídia, que fundamental é ter dinheiro e ninguém mais quer, simplesmente, ser feliz ou ter felicidade.

Ser rico é o que importa, ser feliz, não é prioridade de ninguém. Trocamos a felicidade, a família e os amigos pelo interesse do “deus dinheiro”, em função dos fortes e promissores apelos produzidos pelos seguidores e marqueteiros do “deus propaganda”.  Assim, enfiamos os pés pelas mãos. Os atalhos nos levam a ser cada vez mais gananciosos, mais egocêntricos e nos tiram a sensibilidade e o respeito com as demais pessoas. Passamos a ser indivíduos insensíveis, que nos preocupamos, apenas e tão somente, com o nosso sucesso econômico-financeiro e que deverá acontecer a qualquer preço.

Nessas alturas, já estamos literalmente viciados em procurar atalhos para ganhar vantagens sobre os “otários” que aparecem no nosso caminho. Essa prática cotidiana de ter que levar vantagem em tudo, parece que está ficando mais eficiente e nós nos iludimos, cada vez mais, com essa aparência. Alguns de nós até conseguem algumas coisas, mas a maioria, além de não conseguir nada, ainda perde muito mais, porque fica doente do corpo e do espírito. Aí surgem as drogas, os roubos e outras atitudes incoerentes e os rabos começam a aparecer. Com isso, o hedonismo passa a ser uma necessidade e uma obrigação, enquanto os “gurus” e os “pseudoanalistas de plantão” passam a trazer as novas verdades estabelecidas e a “vida” vai seguindo com o seu sonho do sucesso, que nunca chega.

É nesse momento que um ou mais daqueles rabos, deixados ao longo da história, passa a ser conhecido e aí o sujeito, dos atalhos que iam dar certo, cai na lama social, na fofoca e a realmente fazer parte da mídia, como sempre quis, mas de maneira diferente daquela que ele havia pensado em estar, pois ele passa a ser apenas mais um na estatística dos degradados. Nesse instante ele começa a pensar em morrer, alguns tentam mesmo o suicídio e muitos até conseguem. Porém alguns, são tão pouco eficientes que não conseguem nem completar o suicídio e continuam “vivos” ou quase isso, esperando a hora que Deus vai lembrar deles e vai levá-los para o outro mundo.

Esse é o problema maior dos atalhos, geralmente eles também são atalhos para a vida. As coisas rápidas em vida, também costumam levar a morte rápida. Pensem nisso e vivam um dia de cada vez. Estudem e aprendam sempre e sem pressa. As coisas têm que acontecer, ou não, dentro dos parâmetros corretos, legais e de modos temporariamente estabelecidos pela prudência. Atalhos, até podem existir, mas apenas para resolver questões esporádicas e momentâneas. Os atalhos não devem ser modelos de procedimentos e, principalmente, não podem ser meios efetivos de vida vantajosa, como pensam e insistem alguns.

Não invista sua vida em atalhos e siga os caminhos naturais e reais, que efetivamente são mais longos, mas nos ensinam mais e nos ajudam mais a resolver as questões que decorrem deles próprios. Mas, é claro que, se houver necessidade, em dado momento, um ou outro atalho até pode ser útil, mas não se esqueça que ele é uma forma momentânea de resolução problemática e não pode ser solução para tudo.

Ninguém consegue viver somente através dos atalhos. De qualquer maneira, a escolha sempre será sua. Portanto, procure escolher o caminho certo e se houver necessidade efetiva do atalho, esteja certo de que você escolherá sempre o melhor atalho, no melhor momento, mas jamais tente fazer disso uma prática cotidiana de vida. Se der certo, menos mal, mas se der errado, não insista e mude a estratégia.

Percebeu a diferença, não existe atalho certo, embora, momentaneamente, possa até existir um atalho devido. Mas, lembre-se que, por melhor que o atalho seja, ele sempre será um atalho, que poderá ser melhor ou pior. Desta forma, faça sempre um julgamento de valor e não se anime muito com aquele atalho que até deu bom resultado, porque outros atalhos poderão produzir efeitos bastante desagradáveis

Assim, entenda que o caminho correto, sem atalhos, é o caminho mais seguro e este deve ser o caminho seguido. Se você conseguir andar sempre no caminho correto, você perceberá que gradativa e progressivamente não haverá mais necessidade de tomar atalhos. Deste modo, seja realmente esperto, siga em frente e esqueça os atalhos. Lá no futuro, quando você olhar para trás, certamente você perceberá, que o aparente sacrifício maior de usar o caminho correto terá valido a pena.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista

06 out 2025
A Termelétrica que não faz sentido

A Termelétrica que não faz sentido*

Resumo: O texto propõe demonstrar a incoerência de instalação de uma Usina Termelétrica no Brasil, principalmente na região do Vale do Paraíba, na cidade de Caçapava.


Autoridades Civis, Militares e principalmente Eclesiásticas, promotoras deste evento, Senhoras e Senhores, Bom dia.

Nós sabemos que existem vários tipos de projetos. Alguns desses projetos são bons e necessários, mas outros são bestificantes, totalmente ilógicos, inócuos e injustificáveis, ainda que existam pessoas que teimam em planejá-los e, o que é pior, tentam desenvolvê-los. Mas, o “engraçado” é que essa pessoas só querem fazer isso na terra dos outros. Quando os políticos e administradores do país são sérios, eles simplesmente deixam essas questões de lado e esquecem esse tipo de projeto, mas, quando não são, a coisa acaba ficando bastante complicada e quem sofre são as pessoas que moram nos lugares, onde se quer que a desgraça seja implantada.

Pois então, meus amigos, este é o caso da famigerada termelétrica que gente de fora está querendo nos trazer. Para esse pessoal, não importa absolutamente nada a nossa opinião. Alguns deles são incautos e não sabem o que fazem, outros são idiotas e incapazes de pensar, muitos são maus-caracteres mesmo e pouquíssimos estão realmente interessados diretamente, mas apenas pelas questões estritamente econômicas e não energéticas e muito menos, ambientais. Pois então, esse povo estranho à nossa região, preocupado apenas com dinheiro, insiste em querer instalar esse “monstrengo cuspidor de fumaça” aqui na região do Vale do Paraíba e só nos resta lutar para tentar impedir que essa catástrofe possa acontecer.

Enquanto todo mundo clama por fontes energéticas alternativas e inesgotáveis, além de economia de baixo carbono, de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de preservação do planeta, aqui no Brasil os dirigentes, associados a certos empresário insistem em fazer e implantar termelétricas. São mais de 30 espalhadas pelo país afora e a nossa é a maior de todas. Aliás, é a maior de toda a América Latina, para produzir uma quantidade de energia que o país não está precisando. É difícil entender, mas vamos fazer o quê?  Vamos lutar!

Então, sigamos para o que mais nos interessa, neste momento, que é impedir qualquer possibilidade de Construção e Instalação dessa Super, Hiper, Mega “Torradeira Elétrica” de 1.750 Megawatts de potência energética instalada, que querem nos empurrar goela abaixo. Assim, vou, mais uma vez, enumerar alguns aspectos e tentar explicar porque esse “monstrengo”, essa “churrasqueira de gás”, não faz nenhum sentido.

1 – Ela é ruim para toda a região, porque gerará muita poluição atmosférica e concentrará esta poluição aqui mesmo, no nosso Vale do Paraíba, que não possui os ventos necessários para dissipar a poluição gerada. Também afetará diretamente a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, aquela que já possui sua segurança hídrica gravemente ameaçada, porque é relativamente pequena e tem que ser capaz de fornecer água para mais de 30 milhões de pessoas, exatamente, para três, das cinco maiores regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

2 – Além das pessoas, não se pode esquecer das inúmeras indústrias e fazendas agrícolas de nessas regiões, que obviamente consomem muito mais água do que as pessoas e que também serão bastante afetadas. Infelizmente, alguns “humanos” já não estão mais se contentando em apenas minimizar a quantidade da água que tanto precisamos e que nossa Bacia Hidrográfica tem nos fornecido, porque agora também parece que estão querendo poluir e contaminar essa água, complicando violentamente também a sua qualidade.

3 – Ela é péssima para todas as cidades do Vale do Paraíba Paulista, mas será especialmente danosa para as cidades mais próximas do local onde se pretende instalar o” monstro”: Caçapava, Taubaté, Tremembé, Santo Antônio dos Pinhais, Campos do Jordão, Pindamonhangaba Monteiro Lobato e São José dos Campos, que receberão os efeitos mais diretamente, principalmente as 4 primeiras.

4 – Ela será terrível para a saúde, porque ampliará bastante a poluição da região e certamente aumentará os problemas relacionados às doenças respiratórias dos moradores do nosso Vale do Paraíba. Nós já temos alguns locais complicados pela poluição atmosférica e consequentemente, também temos muitas pessoas sofrendo por conta disso e assim, não devemos e nem podemos aumentar o número desses locais de grande capacidade poluente. Segundo a OMS, a poluição mata mais de 7 milhões de pessoas no mundo anualmente.

5 – Ela será muito desagradável para o trânsito, a mobilidade urbana e o transporte na região, porque aumentará significativamente o tráfego de caminhões nas proximidades, principalmente na antiga rodovia Rio-São Paulo, que será a via de acesso ao empreendimento, mormente durante a construção dessa “imensa torradeira”.

6 – Do ponto de vista sociológico, ela será um investimento tremendamente infeliz, porque será uma obra muito cara (custará mais de 6 bilhões de reais), e que, depois de pronta, gerará míseros 40 empregos efetivos, os quais, certamente, não serão ocupados por pessoas da região, haja vista que serão funções especializadíssimas que a região não possui. Apenas durante a construção é que haverá alguns empregos na área da construção civil (cerca de 700), porém, mais de 95% desses empregos serão sem qualquer qualificação e de baixíssima renda e assim, não agregarão grandes recursos econômicos à região. Ou seja, o custo será alto e o benefício, se existir, será insignificante para as cidades e não compensará o investimento.

7 – Além disso, durante a construção e instalação, certamente haverá grandes transtornos à vida das cidades, ampliando os casos de violência urbana e de necessidades hospitalares, educacionais e principalmente, sociais e assistenciais. E, se não bastasse isso, afortunadamente ainda ficarão, como em qualquer grande obra desse país, os “filhos da termelétrica” para serem criados pelos moradores efetivos das cidades locais.

8 – Do ponto de vista econômico esse é o pior negócio que existe, porque a energia térmica custa muito mais caro do que qualquer outra e quem paga essa conta é o contribuinte, que já não tem mais como fazer para sobreviver e ainda tem que pagar pelos novos erros dos políticos e administradores públicos. É triste, mas apenas os donos da empresa ganharão com essa “monstruosidade térmica”.

9 – Cabe lembrar ainda que, hoje, o Brasil pode gerar o dobro da energia que consome e que, deste modo, o país não está precisando dessa imensa quantidade de energia. Se o país voltar a crescer, talvez sejam necessárias novas usinas geradoras de energia nos próximos 10 a 20 anos, mas nunca se deve pensar em usinas termelétricas que poluem muito, destroem bastante o ambiente, causam doenças e custam muito caro. Se existe algo que o Brasil, por óbvio, não necessita, são as Usinas Termelétricas.

10 – O Brasil tem sol o ano todo e pode produzir muita Energia Solar. O Brasil ainda possui mais de 8,5 mil quilômetros de litoral e se considerar as inúmeras ilhas, nossa faixa litorânea facilmente passará de 10 mil quilômetros. Assim, nosso país ainda tem bastante vento em determinadas regiões e pode explorar mais e melhor a energia Eólica. Além disso, ainda temos muitas possibilidades de hidrelétricas e outras modalidades de obtenção de energia ligadas a água, como energia de Marés, de Correntes e de Ondas. Usina Termelétrica só é fundamental para alguém que quer ganhar dinheiro fácil, degradar o meio ambiente e complicar a saúde das pessoas e até matar algumas.

11 – Em suma, esse negócio não interessa a ninguém aqui na nossa região. Hoje somos quase 3 milhões de pessoas no Vale do Paraíba Paulista e temos que fazer valer o nosso direito de não querermos essa “Torradeira poluidora” em nosso meio. Vamos abominar essa coisa horrível, que só trará lucro para os seus proprietários, que não vivem aqui, e que apenas prejudicará toda a nossa região, com um incremento absurdo de poluição atmosférica e de consumo hídrico, que direta ou indiretamente só nos farão mal.

Assim, meus amigos, só me resta dizer: Vá de retro, Satanás. Xô, Termelétrica, Xô!

Taubaté, 4 de outubro de 2025

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

*Palestra Proferida no dia 4 de outubro de 2025, (Dia de São Francisco e Dia Nacional da Ecologia), na Igreja Matriz de São Francisco das Chagas (Padroeiro de Taubaté), na Praça Dom Epaminondas, Matriz da Diocese de Taubaté, na presença de 4 Bispos da região do Vale do Paraíba, inclusive o Bispo de Taubaté (Dom Wilson Luís Angotti Filho), versando contra a possibilidade de Instalação de uma Usina Termelétrica no Vale do Paraíba, mais precisamente no município de Caçapava,