21 dez 2022

PONTO DE VISTA: PREMISSAS BÁSICAS À EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Resumo: Nesse artigo apresento meu pensamento particular sobre o que acredito que deve acontecer para começarmos a resolver a questão educacional brasileira. Pode ser muita loucura, mas penso que seja a única solução possível para sairmos do histórico marasmo educacional em que nos encontramos.


INTRODUÇÃO

Nos últimos tempos, temos visto que a educação tem se deteriorado numa velocidade crescente e mesmo com a gritaria contrária de alguns profissionais que atuam na área, entre os quais eu tenho que me incluir, nada tem acontecido que pareça efetivamente querer mudar essa triste situação. Deste modo, o país segue batendo recordes de piores índices educacionais no mundo. Todavia, muito pior do que os recordes negativos é a certeza de eles são verdadeiros e que estamos caminhando contra os interesses da humanidade, porque estamos progressivamente regredindo a qualidade educacional de nossa gente.

Dito isso, quero ainda me manifestar sobre o fato de que essa verdade infeliz é muito mais desagradável do que possa parecer, pois não se trata apenas de não melhorar a educação, mas sim de progressivamente piorar nossa triste realidade educacional com a anuência de toda sociedade. A escola brasileira tem regredido a passos largos e isso não é um problema apenas governamental, pois a maior parte da sociedade também aparenta estar satisfeita com a situação, haja vista que poucos reclamam do continuo “status quo” de decadência da educação. Ou, se não está satisfeita, a sociedade também não se sente incomodada, porque existe um silencio coletivo e preocupante, além de uma indiferença quase unanime sobre esse assunto.

Desta maneira, como quase ninguém se manifesta verdadeira e efetivamente contra esse descalabro e os poucos que reclamam acabam não sendo ouvidos, porque não há vontade política e nem envolvimento para que as coisas possam fluir melhor, a situação segue cada vez pior. Aqui no Brasil, tristemente a educação ainda é considerada como uma coisa pouco ou nada importante, perto de outras questões. Ser educado ainda é um diletantismo para a grande maioria da população. Essa é uma verdade histórica e lamentável de nosso país, que necessita ser mudada no interesse nacional.

Além dessa terrível constatação, nós temos criado alguns mecanismos que, se já não são bons, onde poderiam até ser úteis, acabam sendo bem piores, onde são efetivamente inúteis, porque gasta-se grande quantidade de dinheiro, perde-se tempo e muito trabalho para nada. O resultado é aquele que já conhecemos, meninos e meninas saindo do Ensino Fundamental não alfabetizados, rapazes e moças saindo do Ensino Médio sem noção de nada, ingressando nas Instituições de Ensino Superior sem nenhuma condição e saindo dessas instituições muitas vezes sem saber o que fazer com o “canudo” que lhes foi entregue, geralmente sem nenhum merecimento.

Meus amigos, essa situação é muito grave e nós sabemos que um país que quer ser vanguarda no cenário mundial, tem que ter a educação como sendo a principal via de transformação de sua sociedade. Depois de mais de 520 anos de história, já deveríamos estar cientes de que a educação é a característica mais importante de qualquer sociedade, que todas as demais questões são secundárias e que a resolução de qualquer problema social dependerá sempre do estágio de desenvolvimento da educação. Entretanto, ainda estamos longe de entender e muito menos de alcançar essa verdade. Infelizmente, como já foi dito, ainda há quem pense que educação seja um luxo, um simples diletantismo, que o povo brasileiro não precisa ter. O pior é que existem muitos políticos e administradores públicos que trabalham no sentido de reforçar esse absurdo.

Pois então, baseado nesses aspectos é que eu, mais uma vez, estou me atrevendo a “colocar o dedo na ferida” e novamente estou chamando a atenção da sociedade sobre a realidade educacional brasileira, sobre a necessidade premente de ações que propiciem mudanças do “status quo” e que possam gerar uma melhoria progressiva de nossa educação. Tomara que alguém me ouça e faça coro comigo nesta luta. Para orientar meu trabalho, vou me ater a quatro premissas que acredito sejam fundamentais para mudar a realidade educacional do Brasil.

Devo deixar claro que essas premissas são opiniões pessoais minhas e resultam apenas e tão somente de minha vivência e minhas observações ao longo de toda minha vida estudantil e de quase 50 anos de exercício do magistério. Talvez, as opiniões aqui emitidas possam não condizer absoluta e totalmente com as reais necessidades educacionais do país, mas tenho certeza de que essas opiniões estão muito próximas ao ideal que se precisa ter para o verdadeiro crescimento moral e intelectual da população brasileira.

AS QUATRO PREMISSAS

1 – Qualquer mecanismo que leve a possibilidade de aprendizagem sem entendimento não é educação, é um simples adestramento ou, quando muito, é um treinamento passivo que cria monstros humanos, fantoches manipulados, a serviço do interesse de algo, uma ideia por exemplo ou mesmo de alguém, outro ser humano, que muitas vezes é maldoso e infeliz. Há necessidade de acabar com esse modelo.

2 – É necessário combater essa maneira de “ensinamento” que existe no Brasil e que faz das pessoas (seres humanos), meros autômatos, que se satisfazem com uma simples instrução e com a possibilidade de repetir as ações consideradas. Considera-se que o intelecto do cidadão brasileiro não precisa existir, haja vista que ele tem apenas que repetir algumas tarefas para sobreviver. Certamente o ser humano tem que ser muito mais que isso.

3 –O ser humano tem que ser capaz de pensar e agir de acordo com suas próprias possibilidades, intenções e interesses, porque é isso que o torna efetivamente humano e o brasileiro não pode ser diferente dos demais seres humanos. Entretanto parece que há um conluio nessa direção retrógada, que visa manter a inferioridade do cidadão brasileiro em relação ao restante do mundo. A sociedade precisa reagir.

4 – Pensar (refletir sobre), discernir (escolher a opção) e concluir (definir a ação) são atitudes fundamentais que permitem a principal característica do ser humano que é a liberdade de intenção e de ação. Enquanto o conhecimento avança rapidamente no mundo inteiro, aqui no Brasil ainda continuamos caminhando lentamente com passos de tartaruga ou mesmo para trás como caranguejo. É preciso caminhar para frente.

OS ARGUMENTOS ESSENCIAIS

Além dessas quatro premissas, eu ainda quero me basear, no que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida em 10 de dezembro de 1948, diz, em seu artigo primeiro: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Pois então, eu acredito que a educação plena da coletividade faz parte desse espírito de fraternidade que deve existir entre todos os seres humanos.

O livre arbítrio, a escolha pela própria vontade, talvez seja a principal característica que permite separar o homem dos demais animais e, deste modo, consiste na única maneira de garantir que o homem assuma integralmente a sua humanidade e o seu direito verdadeiro de liberdade. O conhecimento e a cultura acumulados e passados ao longo do tempo são os fatores que determinam a influência e o grau de importância do livre arbítrio para a humanidade. Um indivíduo carente de educação é um ser humano incompleto e não possui condições mínimas efetivas para exercer o seu livre arbítrio.

Pois então, enquanto a escola como instituição libertadora e a educação como meio de aglutinação humana não puderem trabalhar prioritária e coletivamente no sentido de garantir que o homem assuma sua humanidade plenamente, sempre estará faltando algo.  Quer dizer, enquanto a educação não for a meta para o engrandecimento da pessoa humana, não haverá livre arbítrio e consequentemente, não haverá fraternidade humana. Por outro lado, enquanto a escola não se manifestar como entidade totalmente imparcial e livre para aquisição de conhecimento e de cultura, ela não estará sendo uma escola verdadeira, mas sim um arremedo de entidade educacional, ou, quando muito, um teatro de marionetes mal elaboradas.

Historicamente, a escola brasileira pode ser traduzida exatamente da maneira acima citada, porque não tem educado e nem formado pessoas, quando muito tem treinado alguns indivíduos no desenvolvimento de algumas práticas, muitas delas totalmente deficientes e ultrapassadas. Deste modo, se quisermos realmente crescer como nação, há uma necessidade premente de construirmos um novo modelo de educação e de mudarmos a escola fazendo sua adaptação a esse novo modelo.

Não adianta ficar aqui comparando o Brasil com outros lugares e muito menos copiando esses outros lugares. Nosso contexto é diferente e muito provavelmente nenhum modelo de sucesso se enquadre no nosso país, porque nossa realidade é outra e as nossas necessidades também devem ser. Os números só servem para nos mostrar que estamos mal, qualquer outra projeção certamente é inverídica ou, pelo menos, inexata sobre nossa realidade.

Nosso novo modelo tem que ser efetivamente um modelo novo, total e exclusivamente pensado e adaptado aos interesses do Brasil e do povo brasileiro, com toda sua diversidade natural, social e cultural. Modelos exóticos, por mais que tenham dado certo em seus países de origem, certamente não serão adequados à realidade brasileira. Deste modo, eles não funcionaram devidamente e obviamente não darão certo.

AS AÇÕES DOS ATORES PRINCIPAIS

Recado aos Professores

Senhores professores, por favor, fiquem bem atentos a essas condições primordiais nas suas respectivas escolas e cuidem para que aqueles alunos que foram confiados a vocês, aprendam no sentido lato do termo aprender, ou seja, no verdadeiro sentido de demonstrar suas respectivas humanidades, como cidadãos éticos, cônscios e sobretudo, livres. Se as escolas em que vocês atuam não condizem com a realidade que se quer e se precisa ter, cumpram suas funções de educadores e denunciem. Por favor, não sejam cúmplices desse crime contra a sociedade brasileira.

A capacidade de buscar o aprendizado e consequentemente de aprender, também é um atributo peculiar, quase exclusivo do ser humano. Por isso mesmo, o aprendizado, além de estimulado pela escola, deve ser amplo e gerador de possibilidades coletivamente desafiadoras e individualmente diversas para quem o recebe. A escola que não intriga, não desafia, não permite a competitividade e que não interpela, nem questiona o mundo aos seus alunos, acaba desestimulando a aprendizagem e fugindo ao seu propósito como instituição social.  

Estimular e provocar no aluno a vontade de aprender, talvez sejam atitudes mais importantes ao aprendiz do que simplesmente ensiná-lo a fazer qualquer coisa. Cabe lembrar que o professor é o ser humano que na escola passa a ser o principal responsável pela formação do aluno. Ou seja, é o professor o sujeito que faz a diferença para que seu aluno cresça como ser humano.

Outra questão importante, que está preconizada nas normas educacionais, mas que poucos consideram nas escolas, é a necessidade de contextualização. Converse e discuta com seus alunos sobre problemas e situações que faça algum sentido para eles, isto é, que sejam reais aos sentidos deles. Não adianta você criar exemplos mirabolantes ou longínquos, apresente situações verdadeiras e de preferência, que seus alunos possam viver (sentir e experimentar).

Nós, professores, pecamos muito no processo educacional brasileiro, exatamente porque estamos quase sempre alheios à realidade da maioria dos alunos. Geralmente falamos sobre um mundo, uma realidade, que os alunos não conhecem. O mundo do professor e do aluno precisa ser o mesmo. É preciso acabar com existe esse hiato social que muitas vezes existe entre as duas partes e o professor tem que ser o principal agente provocador dessa ação.

É preciso estar atento ao fato de que o Brasil é um país imenso com uma diversidade fantástica. O que é verdade para um estado brasileiro, muitas vezes só serve como verdade para aquele estado. Muitas vezes o professor trabalha com um livro que foi desenvolvido em outro estado ou região, diferente de onde trabalha e, o que é pior, o professor não sabe criar uma situação similar para aquele lugar. E aí, como contextualizar? Ou o professor mente, ou inventa uma história próxima, ou temos que ter professores regionais (locais) nesse país, para que se possa contar histórias verdadeiras e para que possa existir contextualização. Pense nisso, na próxima vez que for ministrar uma aula.

Eu vou me atrever um pouco mais nessa questão da contextualização e vou discutir alguns exemplos. Bem, talvez os professores de Matemática, de Física e de Química sejam os únicos que poderão dar a mesma aula em qualquer situação ou lugar, mas o de Química ainda terá problemas. Entretanto, os professores de todas as outras disciplinas não podem. Imagine o professor de Biologia, Geografia, História, ou mesmo de Português que nasceu, cresceu, se formou e trabalhou até os 35 anos no litoral Sul do Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande, por exemplo, e agora terá que ir a ministrar aulas em Manaus, em Teresina ou em Goiânia. Será que ele estará automaticamente preparado para contextualizar suas aulas?

Pois então, esse é o maior problema do Brasil: o país é grande e pensa como pequeno. Se a Finlândia tem a melhor educação do mundo, por outro lado tem um território pequeno, homogêneo, com uma população pequena (certamente menor que qualquer estado brasileiro) e economicamente equilibrado. Num país desses, ter uma boa educação é uma contingência natural, desde que haja vontade de todos. Mas aqui, no Brasil, a realidade é bem outra e fica difícil falar para que todos possam entender. Para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre essa questão da contextualização, sugiro a leitura do artigo, que publiquei em meu “site” (LIMA,2018).

Recado aos Alunos

Senhores alunos, é preciso que vocês queiram aprender sempre mais. Não se satisfaçam, não queiram apenas ser capaz de fazer alguma coisa, busquem sempre ir mais além. Procurem saber o que e como fazer as coisas, mas saibam principalmente porque e para que fazer tais coisas. Somente os porquês e suas justificativas dão significado ao conhecimento e somente os porquês se justificam como forma de pensar e de agir.

Na verdade, vocês só conhecem de fato alguma coisa, quando são capazes de conversar livre e independentemente sobre essa coisa, ou seja, quando vocês têm efetiva condição de discutir e emitir opiniões sobre determinados assuntos. E acreditem, essa condição de emitir opinião própria, só é possível para os gênios ou para aqueles que questionam e querem saber os porquês das coisas. Se você não é um gênio, então trate de questionar as situações e as coisas, sejam elas quais forem.

O aluno tem que ser ativo para crescer intelectualmente, pois a passividade não agrega valor ao aprendizado. É preciso buscar sempre mais conhecimento. Assim, nunca se apeguem à prática comum de ser e fazer o mínimo necessário, procurem saber sempre mais, tentando ir além das expectativas. Sejam curiosos, porque foi exatamente a curiosidade do ser humano, que permitiu a humanidade chegar aonde chegou.

Comecem, desde já, a questionar tudo aquilo que já vem pronto na escola, porque a escola existe para construir e demonstrar que nada está totalmente pronto ou acabado. Procurem se lembrar que: “quem pergunta, quer saber” e que fazer perguntas é mais difícil do que dar respostas. As perguntas incomodam porque muitas vezes ninguém quer ou ninguém sabe dar as devidas respostas. 

Quem faz perguntas é alguém que quer sanar uma ou mais dúvidas. Assumam o fato de que, a dúvida talvez seja o maior mecanismo de informação que existe, pois, quanto maior for o número de dúvidas, maior será o número de perguntas e maior também será o número de respostas. Ou seja, a busca da informação traz sempre mais informação. Usem e abusem dos seus respectivos “desconfiômetros” e não aceitem, a priori, qualquer informação que lhes sejam outorgadas como verdadeira, principalmente aquelas que não condizem com a pertinência do assunto em discussão. 

Agindo assim, a vida certamente lhes mostrará que a cada novo conceito, surgirão novas dúvidas, outras ideias e inúmeras possibilidades, sempre mais diversas que as anteriores. Vocês contemplarão que o exercício de questionar e de pensar leva progressivamente à necessidade de pensar e de aprender cada vez mais. Na verdade, o aprendizado é uma imensa “bola de neve” que está sempre crescendo ao longo de nossas vidas ou como um “buraco”, que sempre aumenta, quando se tira algo dele.

Procurem sempre se utilizar das suas respectivas capacidades de raciocínio em prol do engrandecimento de vocês mesmos, de seus afins e de suas comunidades próximas. Exijam que seus professores lhes desafiem sempre mais, propondo novas questões, progressivamente mais complexas. Embora essa situação pareça ser e, de fato seja mesmo, mais difícil e trabalhosa, o resultado também será bem melhor para vocês, porque lhe trará mais cultura e enriquecerá a sua capacidade intelectual.

Também é bom que vocês tenham sempre em mente que, ainda que os erros possam aumentar com essa prática cotidiana, não haverá problemas graves a partir deles, porque a escola é local certo dos erros acontecerem. Além disso, cabe ressaltar que a escola é o local onde os erros devem acontecer e onde devem ser corrigidos, para que não venham acontecer fora dela, ou seja, nas ações efetivas da vida. Quem erra e é corrigido na escola, tem menos chance de errar na vida.

Por outro lado, se o número de erros aumentar nas suas tarefas escolares, com certeza os êxitos também deverão ser progressivamente maiores e muito mais compensadores, o que levará vocês mais próximos do nirvana e certamente os afastará cada vez mais da mediocridade do mundo. Acreditem, vocês vão se sentir muito melhores e superiores, porque o conhecimento faz exatamente isso. O conhecimento nos torna seres humanos melhores, mais seguros, eficientes e corajosos.

Contudo, tomem bastante cuidado com o exibicionismo e o orgulho exacerbado, sejam humildes e continuem crescendo individualmente, mas sempre respeitando as demais pessoas. Não deixem suas respectivas condições de maior conhecimento subir pelas suas cabeças mais do que deve. É de bom alvitre nunca esquecer que você é um ser humano como qualquer outro e que a humildade é prima irmã da razão e da coerência.

Depois que vocês se sentirem no nirvana, procurem juntar todo o conhecimento que adquiriram e identifiquem o seu verdadeiro cabedal. Como já disse, sejam humildes e isso lhes dará sabedoria suficiente para viver e serem felizes. É óbvio que sempre haverá momentos melhores e momentos piores, mas isso é consequência da própria vida. A sabedoria que cada um de vocês acumulou deverá ser suficiente para mostrar os melhores caminhos em qualquer situação. Reflitam sempre e suas respectivas liberdades individuais serão suas melhores conselheiras.

OUTROS COMENTÁRIOS PERTINENTES

Meus amigos, professores e alunos, certamente vocês já ouviram a seguinte expressão: “a educação liberta”. Entretanto, é preciso investir nesse propósito e ter vontade efetiva de se sentir realmente livre. Essa libertação só é possível quando o processo educacional de ensino e aprendizagem é feito de maneira integral. Isto é, quando há participação real, efetiva e conjunta do educando e do educador na tarefa de promover a emancipação humana através do conhecimento, enriquecendo cada ser humano individualmente e a humanidade coletivamente. Se não existe aplicação e questionamento quanto ao saber, não existe educação e não se caminha para a liberdade efetiva da humanidade.

Assim, não fiquem esperando suas possibilidades caírem do céu, porque isso dificilmente irá acontecer. Corram atrás de novas realidades e procurem agir como seres humanos em toda a amplitude dessa expressão. Não se esqueçam que conhecimento nunca é demais e que ele é capaz de transformar o ser humano para melhor. Mas, é preciso querer que essa melhora aconteça.

Outra questão bastante importante é que o conhecimento necessita ser sempre aprimorado, porque as coisas mudam e, mesmo quando não mudam, muitas vezes o entendimento sobre elas muda também. Uma peculiaridade do conhecimento é o seu caráter crescente, isto é, o conhecimento está sempre gerando conhecimento, tanto sobre coisas e questões novas, como sobre verdades que já haviam se estabelecido, mas que sofreram adequações e novas visões.

Além de ser aprimorado, o conhecimento também precisa ser sempre repassado, porque ele não pode ser exclusividade de nenhum indivíduo, ele pertence a toda humanidade. É preciso ter ciência e consciência desse fato. O descobridor é o “pai” de sua descoberta, mas a humanidade é a sua herdeira e verdadeira “proprietária” da mesma e como tal necessita ser informada e atualizada sobre seu patrimônio. A informação sobre o conhecimento humano em qualquer área do saber tem que ser pública, não pode existir nenhum tipo de controle sobre o conhecimento.

Eu particularmente, nos últimos 20 anos, tenho dedicado grande parte de meu tempo à tarefa de socializar e divulgar o conhecimento daquilo que conheço para a humanidade. Obviamente ninguém é capaz de, sozinho, atingir toda a humanidade, mas todos podem falar de suas experiências com a comunidade que está próxima. Se todos que puderem, investirem tempo e trabalho nesse aspecto, a humanidade toda será mais bem informada.

Qualquer novo conhecimento necessita ser divulgado e repartido, porque somente assim ele se universaliza, faz sentido e passa a ser um atributo patrimonial maior para toda humanidade. Quanto mais seres humanos souberem de mais coisas, maior será o grau efetivo de liberdade da humanidade. A História tem nos mostrado que em vários momentos houve a privação das liberdades humanas por vários indivíduos déspotas e dominadores. 

Esses momentos só aconteceram exatamente porque os sujeitos dominadores guardavam o conhecimento apenas para si e alguns de seus seguidores. De maneira nenhuma, os dominadores repartiam o conhecimento que a humanidade possuía em suas épocas com os demais seres humanos. Eles assumiam todo o conhecimento como condição exclusiva deles, simplesmente porque isso lhes garantia a superioridade sobre os demais seres humanos. Hoje ainda há quem pense assim, por isso é fundamental que todos adquiram conhecimento, pois assim é possível evitar o surgimento de novos possíveis dominadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, com a INTERNET e com as redes sociais é quase impossível que alguém consiga omitir qualquer informação e assim o conhecimento deve estar mais democratizado entre todos os seres humanos e, deste modo, as liberdades individuais também estão muito mais garantidas. É claro, que ainda existem tiranos e absolutistas controlando povos e países, porém essas são situações especiais que fogem ao interesse desse ensaio, mas, obviamente o futuro da educação brasileira não poderá conceber esses tipos de indivíduos determinando os trabalhos a serem desenvolvidos e nem seus correligionários e asseclas.

De qualquer maneira, pensem nisso que foi dito aqui e procurem se lembrar que a espécie humana surgiu e evoluiu para aprender e viver em liberdade. Nenhum ser humano deve ser mantido contra sua própria vontade por qualquer motivo ou situação. Deste modo, todas as ações educativas devem priorizar esses aspectos. Ser livre, envolve o direito de ser informado, pensar e refletir sobre o conhecimento que se possui e sobre suas possibilidades de aplicação para o bem comum da sociedade e inclusive para a ampliação de mecanismos que favoreçam as liberdades individuais.

Resta ainda ressaltar que a liberdade é um bem e um direito que a humanidade almeja e que o indivíduo luta por possuir, mas que está preso à lei e aos direitos dos demais indivíduos. Numa sociedade todos são iguais perante a Lei e assim têm os mesmos direitos e deveres. Da mesma maneira que não se quer a tirania, também não se deve querer a complacência. O equilíbrio entre a necessidade de conhecer e avaliar o mundo em todas as dimensões científicas e culturais e a necessidade de fazer as ações que perpetuem a humanidade deve ser a tônica na escola, desvinculados de qualquer outra questão.

Por fim, procurem suas respectivas áreas de atuação e identifiquem aquele aspecto que mais lhes interessar e se dediquem a estudá-lo mais detalhadamente, mas, a priori, afastem-se da ideia de serem especialistas. A humanidade necessita de seres humanos cada vez mais generalistas, exatamente para que todos possam entender melhor as necessidades de todos e assim resolver mais facilmente os problemas coletivos que, porventura, possam existir.

Lembrem-se sempre que “um especialista é aquele sujeito que sabe cada vez mais, sobre detalhes cada vez menores, até que muitas vezes, acaba chegando ao cúmulo de saber tudo, sobre nada”. Isto é, quando mais se especializa, mais se restringe a área de ação e menos se integra ao mundo real, que costuma ser conturbado e cheio de inter-relacionamentos e conexões. Pois então, é exatamente nessas áreas e condições interconexas e conturbadas que se aprende mais e se cresce como ser humano.

Mas, se, por acaso, você tiver que ser obrigatoriamente um especialista, então seja eficiente nessa condição e procure usar sua especialidade como mecanismo para abrir sua mente e não para restringi-la. A humanidade não precisa desse tipo de pessoa restritiva, ao contrário, os seres humanos necessitam estar, progressivamente mais abertos à diversidade do contato social e as consequentes dificuldades de convivência.

O futuro da escola dependerá bastante das ações que assumamos hoje em prol da educação brasileira. Estou ciente de que não sou “o dono da verdade”, mas estou propondo aqui algumas sugestões para que seja possível discutir a educação no Brasil, ou pelo menos, a educação que os brasileiros precisam e merecem ter. É claro que, mesmo com as ideias contidas neste ensaio, estou certo de que sempre continuará faltando muito, porque a educação é imensurável, além de ser um processo contínuo e que não pode ter fim.

O objetivo maior deste ensaio é conseguir que se discuta mais sobre essa questão e que novas ideias e propostas possam existir e se estabelecer para a melhoria da educação do povo brasileiro. A população brasileira necessita acreditar mais na educação como mecanismo de melhoria da humanidade. O Brasil tem que deixar de querer ser o país do futuro, temos que cair na real e lutar para ser o país do presente, mas isso só acontecerá quando a educação passar a ser a verdadeira prioridade nacional e entrar definitivamente na pauta, como causa primária no interesse de todos os cidadãos brasileiros. 

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor e Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

LIMA, L.E.C, 2018. Contextualização e Regionalização da Educação Ambiental, (www.profluizeduardo.com.br), em 30/04/2018.
ONU, 1948. Declaração Universal dos Direitos Humanos, Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Palais de Chaillot, Paris, 10/12/1948.
08 nov 2022

Criação do “Santuário do Jequitibá-rosa”, o gigante da floresta*

Resumo: Nesse texto apresento uma curta exposição da necessidade do plantio de grandes árvores, gigantes como o jequitibá-rosa, para conhecimento das comunidades locais e principalmente para possíveis tentativas de restauração de áreas naturais da Mata Atlântica do Sudeste Brasileiro.


Senhoras e Senhores, bom dia, e muito obrigado pela presença de todos vocês nesta solenidade.

Nosso mundo está caminhando muito mal e por incrível que pareça, está situação caótica deriva de questões históricas simples, que, por ganância de alguns, ignorância de outros e desinteresse de muitos se agravou a ponto de atingir um estado de gravidade extremamente preocupante. Infelizmente, o desleixo humano com as questões ambientais planetárias se agravou de tal maneira em todo mundo, que nos últimos 20 anos a humanidade não tem conseguido mais viver com recursos produzidos pelo planeta anualmente e a cada ano que passa temos aumentado o nosso déficit.  

O Brasil não está fora do cenário citado e deste modo, aqui a situação não é diferente. Entretanto, sendo o quinto maior país do planeta, detentor da maior biodiversidade da Terra e como uma das 10 maiores economias do mundo, nosso país deveria ser um dos principais responsáveis por trabalhar manter as condições ambientais compatíveis com a vida atual e futura. Contudo, interesses menos nobres, têm conduzido o Brasil historicamente a também andar na contramão nessa questão específica. Assim, o Meio Ambiente Mundial e Brasileiro têm sido progressivamente degradado e destruído para atender aos interesses particulares e prioritariamente monetários, sem nenhuma preocupação com as consequências desse perigoso fato.  

Nos últimos 50 anos a humanidade identificou mais detalhadamente alguns dos problemas planetários e passou a se preocupar um pouco mais com a questão ambiental, porém, além do passivo acumulado ao longo de cerca de 15 mil anos de história, as mudanças comportamentais efetivas e funcionais necessárias, ainda estão ocorrendo a passos de tartaruga. O planeta tem mandado seu recado, com eventos extremos e catástrofes cada vez mais acentuadas, mas grande parte da humanidade ainda não quer dar atenção aos avisos. Deste modo, chegamos numa fase em que há necessidade de que toda humanidade se mobilize rápida e progressivamente para tentar minimizar os males e alcançar uma já bastante improvável reversão dessa triste situação. Nesse sentido, o Rotary Club de Caçapava-Jequitibá, a ADC MAFERSA e a Prefeitura Municipal de Caçapava se uniram no intuito de demonstrar que têm o interesse efetivo em fazer o dever de casa.

Este evento de criação do Santuário do Jequitibá-rosa pretende ser uma prova de que reconhecemos a importância da proteção da natureza e de que entendemos que as plantas são os seres vivos que mais identificam a dependência humanidade com o planeta, haja vista que as plantas são responsáveis diretas por inúmeras coisas que garantem a vida humana na Terra. Por conta disso, é fundamental garantir sua sobrevivência e consequente continuidade. É óbvio que nosso Santuário é um exemplo simbólico, entretanto ele tem a pretensão de ser emblemático para a comunidade de nossa cidade e região.

Senhoras e Senhores, pelo Leste brasileiro, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, primitivamente existia uma grande floresta. Na verdade, tratava-se de uma extensa massa verde que compunha um imenso Bioma, bastante diversificado e composto de vários tipos de vegetações distintas. Exatamente por causa dessa intensa Biodiversidade e grande endemismo, o Bioma em questão constitui-se num dos principais “hotspots” (área especial de biodiversidade, porém bastante ameaçada) da Terra e certamente é o Bioma mais destruído e ainda o mais ameaçado do país, haja vista que hoje, cerca de 80% da população brasileira habita exatamente no espaço territorial desse Bioma.

O Bioma em questão é conhecido popularmente como Floresta de Mata Atlântica ou simplesmente Mata Atlântica. Recebe esse nome por margear o litoral do Oceano Atlântico no território brasileiro e por sofrer influência direta da umidade e dos ventos que veem do oceano. Fato que lhe confere algumas características especiais e que lhe garante o forte grau de endemismo, tanto de espécies vegetais, quanto de espécies animais.

Na Mata Atlântica, dentre a vasta diversidade de plantas existentes, ainda podem ser encontrados alguns “gigantes”, os jequitibás, alguns com mais de 50 metros de altura. Dentre esses “gigantes” encontra-se o nosso “Jequitibá-rosa” (Cariniana legalis), mais comumente localizado na faixa entre os estados da Bahia e do Paraná. Entretanto, como foi dito, a Mata Atlântica é o Bioma mais explorado e degradado do país e os “gigantes” que nela ainda existem certamente são espécies bastante ameaçadas e em vias de extinção, pois foram os que mais sofreram com a destruição, por conta do interesse em sua madeira nobre e farta. Desse modo, quase nada do que existiu ainda pode ser observado e principalmente os belíssimos “gigantes”, hoje são naturalmente raros de serem encontrados. 

Na região do Vale do Paraíba, particularmente aqui em nesta área do vale, que inclui Caçapava, até bem pouco tempo atrás ainda existiam alguns remanescentes de grande árvore, por isso mesmo Caçapava é famosa pela ocorrência primitiva do Jequitibá-rosa, que está presente, inclusive, no Hino Oficial do Município e dá nome há vários sítios e entidades da cidade. Entretanto, hoje quase todos os Jequitibás-rosa de Caçapava foram derrubados em nome do “progresso”, mas ainda existem alguns em propriedades particulares e tem um famoso remanescente na beira da antiga Rio-São Paulo, logo depois da divisa entre os municípios de Caçapava e São José dos Campos.

Na verdade, esse Jequitibá-rosa de São José, não é apenas um remanescente, mas é, antes de qualquer coisa, um sobrevivente, por tanto que tem sofrido ao longo da história. Volta e meia alguém tentou derrubá-lo ou incendiá-lo, mas o gigante resistiu e agora aquele exemplar está protegido por uma lei municipal de São José dos Campos. Contudo, seu estado de saúde não é dos melhores e seu futuro é bastante incerto.

Por volta de 1990, eu e alguns amigos que compunham o Conselho Municipal de Meio Ambiente da Caçapava da época, conseguimos cerca de 100 mudas de Jequitibá-rosa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(IBAMA) de Lorena e plantamos essas mudas em lugares estratégicos da cidade, mas parece que quase ninguém se interessou por manter a nossa história e tentar proteger essa fabulosa árvore, porque a maioria delas foi totalmente destruída em poucos dias. Algumas sobreviveram um pouco mais e hoje, 32 anos depois, só sobraram pouquíssimos remanescentes daquela época, em propriedades privadas. Esses exemplares hoje têm cerca de 10 metros de altura, mas ainda são jovens e vão crescer muito mais.

Em 2002, como Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava, consegui aprovar um projeto de lei, que foi sancionado pelo Prefeito em 24 de outubro de 2002 e que considera o Jequitibá- rosa como árvore símbolo de Caçapava.  Isto significa dizer que, recentemente fez 20 anos que o Jequitibá-rosa é oficialmente a árvore símbolo da cidade, mas infelizmente a maioria das pessoas não sabe disso e o que é pior, muitos nunca viram um jequitibá.

 Recentemente o Rotary Club de Caçapava-Jequitibá, por conta de completar 30 anos de existência, juntou-se com a ONG Eco Vital e a Prefeitura Municipal empreendendo um projeto de plantar 30 jequitibás-rosa nos pontos extremos e alguns locais da cidade. Esse projeto ainda não está concluído e encontra-se em pleno andamento, ou seja, estamos plantando os gigantes gradativamente. 

Pois então, foi a partir do projeto dos 30 jequitibás, que tivemos a ideia de fazer este “Santuário do Jequitibá-rosa”, com o plantio de um jequitibá (símbolo de Caçapava) ladeado por dois ipês-brancos (Tabebuia roseoalba), que para nós, rotarianos, há mais de 50 anos, simboliza a “Árvore da Amizade”. Aqui, neste “Santuário do Jequitibá-rosa”, temos certeza de que o nossa “árvore gigante” e suas duas companheiras e damas de honra serão devidamente cuidadas e mantidas em segurança e poderão crescer para a posteridade.

Nós, do Rotary Club de Caçapava-Jequitibá, esperamos que esse pequeno ato seja um exemplo significativo a ser seguido para desencadear uma verdadeira noção de proteção de nossa árvore símbolo e quiçá de respeito e de incremento efetivo em projetos progressivos de recuperação de nossa Mata Atlântica primitiva. Esperamos ainda que todos os munícipes consigam entender a importância de manter viva e lembrada essa espécie ícone, que é uma das guardiãs da Mata Atlântica que aqui existiu e que ainda nos auxilia a contar a história de nossa região e mais particularmente, a história de Caçapava.

Enfim, nossa expectativa maior é que este nosso pequenino passo, além de ser um sonho, possa também significar um marco real nas ações de proteção efetiva às árvores nativas da Mata Atlântica, a partir de seus “gigantes”. Deste modo, esperamos que venham os plantios de outros jequitibás e outras árvores na nossa cidade, com a anuência e o envolvimento dos diferentes setores da comunidade caçapavense. Quem sabe assim, todos nós caçapavenses, de nascimento ou de coração, de fato ou de direito, passemos a compreender melhor a importância de proteger e preservar as árvores e as florestas nativas para as nossas vidas e principalmente para vida dos humanos que ainda vão nascer.

Para terminar, queremos agradecer a ADC MAFERSA e a Prefeitura Municipal de Caçapava, pela colaboração e pela parceria nessa empreitada que certamente será um marco para a história de Caçapava. Façamos coro para o crescimento e o desenvolvimento do nosso “Gigante da Floresta Atlântica” e que Deus permita vida longa ao “Jequitibá-rosa” e às demais árvores que surgirão no município a partir desse insigne momento.

Muito obrigado pela atenção.

Luiz Eduardo Corrêa Lima**

*Discurso proferido na cerimônia de criação do “Santuário do Jequitibá-rosa”, na ADC MAFERSA de Caçapava/SP, em 07/11/2022.

** Associado Representativo do Rotary Club de Caçapava-Jequitibá e Presidente da Comissão de Meio Ambiente do Distrito 4.571 de Rotary International.

17 out 2022
A “Bela da Segunda-feira” e a “Sorte” na vida

A “Bela da Segunda-feira” e a “Sorte” na vida

Resumo: Neste artigo proponho uma reflexão, a partir de uma metáfora que tenta demonstrar que se muitas coisas não acontecem a contento conosco, por conta exclusiva de nossas próprias ações. Acreditar, estar atento e trabalhar com mais foco nas questões pode ser a solução para uma vida melhor e o caminho da felicidade.


Ser feliz é tudo que se quer. Ah! Esse maldito fecho ecler.

Kleiton e Kledir

Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.

William Shakespeare

Eu vejo a vida melhor no futuro. Eu vejo isso por cima do muro de hipocrisia que insiste em nos rodear.

Lulu Santos

A grande maioria das pessoas costuma ir à praia nos finais de semana e assim, principalmente nos domingos as praias estão, além de repletas de todo tipo de pessoas, também fortemente servidas de mulheres bonitas e de homens interessados nessas beldades. Pois então, a diversidade de rostos e corpos é tal, que se torna muito difícil escolher efetivamente e prosperar na paquera daquele dia, porque a concorrência é muito brande, tanto positiva, quanto negativamente.

Já nos dias de semana, particularmente nas segundas-feiras, as praias costumam estar vazias, com poucos rostos interessantes e com uma raridade de corpos atraentes. Assim, embora com um contingente populacional seguramente mais baixo, a competição para quem frequenta a praia nas segundas, acaba sendo menor e o resultado positivo da paquera tende a ser mais efetivo e profícuo que no domingo, porque se a concorrência é menor provavelmente existe mais chance de sucesso.

Mas, quem frequenta a praia no domingo? Todo tipo de pessoa, tanto boa, quanto ruim. E quem frequenta a praia na segunda-feira? Geralmente a segunda-feira é aquele dia que só estão na praia, os “ratos de praia” de sempre ou então, quem é muito tímido, recatado e envergonhado ou ainda alguém que se acha menos bem dotado de beleza e assim, não se sente bem na presença de muita gente e prefere ir à praia nas segundas-feiras. Pois então, a nossa “Bela da Segunda-feira” é exatamente alguém assim: bela, recatada e muito tímida

Não vou aqui tentar descrever um padrão de beleza, para não criar outros conflitos, mas espero que cada leitor faça sua própria imagem daquela mulher que imagina poder ser aquele “monumento de beleza feminina”. Desde já, tenha certeza de que você dificilmente encontrará essa beldade num domingo. Obviamente, elas existem, mas a concorrência é muito grande. Entretanto, é bem possível e bastante provável que a encontre numa segunda-feira, onde ela se destaca mais e a concorrência é infinitamente menor, por isso mesmo resolvi denominá-la de: “Bela da Segunda-feira”.

Obviamente na praia sempre existem outras mulheres, que aqui estão contidas no grupo que intitulei genericamente como “ratos de praia”, porque vão à praia todos os dias, paparicam todo tipo de homem e assim são bastante conhecidas do público masculino praiano. Grande parte dessas mulheres não costuma ser muito atraente e por isso mesmo, elas criam artifícios e usam todos os mecanismos possíveis para tentar laçar e garantir os seus respectivos “príncipes encantados”.

Geralmente, em função da concorrência, principalmente nos domingos, esses mecanismos não costumam dar muito certo e por isso mesmo elas continuam sempre à procura dos seus “príncipes encantados”. Como quase nunca conseguem encontrar, têm necessidade continuada de voltar à praia todos os dias. Ou então, os mecanismos até dão certo demais e elas estão sempre trocando de homens. Penso que nenhum dos dois casos é agradável. Essas mulheres brigam muito entre si, para ver se conseguem aproveitar alguns dos homens disponíveis, mas a competição é tanta, que cada vez fica mais difícil arrumar um namorado sério ou coisa parecida.

Já a “Bela da Segunda-feira”, além de bela, quase só frequenta a praia nas segundas-feiras. Deste modo, ela é pouco conhecida e quando é vista, sempre acaba sendo muito observada e bastante comentada pelos poucos homens presentes, que de alguma maneira tendem a competir entre si por causa dela. A “Bela da Segunda-feira” costuma ser aquela “mulher ideal” que todo homem quer conhecer e se possível, ter como sua companheira eterna.

Meus amigos, assim como acontece com a “Bela de Segunda-feira” também acontece com as demais coisas. Conquistar a “Bela da Segunda-feira” é a minha metáfora para quem quer obter sucesso na vida. Se a competição para chegar nela é menor, certamente a dificuldade de obtê-la deverá ser muito maior. A vida é assim e as compensações se antagonizam. Nem tudo, por pior que seja, acaba sendo totalmente ruim, da mesma maneira que nem tudo, por melhor que seja, acaba sendo totalmente bom.

Desta maneira, sugiro que você comece a vestir a camisa do seu time e a jogar ao seu próprio favor. Inicie indo à praia no dia certo, porque indo no dia errado, apenas aumentamos a nossa dificuldade de chegar na “Bela da Segunda-feira” e das coisas boas acontecerem. Vamos trabalhar a nosso favor e acreditar que a natureza e a vida sempre vão conspirar no intuito de colaborar com a nossa direção. Nós só teremos sucesso, se buscarmos o sucesso. Ou seja, somos obrigados a agir no nosso interesse.

Mas tem gente que dá “sorte”! É realmente tem gente que dá “sorte”, mas isso é totalmente ocasional e não é possível ficar esperando que o acaso, a “sorte”, venha acontecer. Podem acreditar que a “sorte” costuma ser fruto de muito trabalho e que, na realidade, raramente acontece alguma coisa por pura obra do acaso e mesmo quando isso ocorre, não é possível prever logicamente um mecanismo que condicione a esse fato. Portanto, não fique esperando a “sorte” chegar, trabalhe para que ela chegue. Isto é, busque mais aquilo que você quer.

Lembre-se que para ganhar na loteria é preciso fazer um mínimo necessário que é jogar, ou seja, apostar na loteria. Por outro lado, você pode acreditar piamente, que mesmo jogando sua chance de ganhar será sempre quase impossível, mas, como você fez a aposta, agora você está no jogo. Se você quer ganhar na loteria ou quer conhecer a “Bela da Segunda-feira”, as primeiras coisas a fazer são: jogar na loteria e ir à praia nas segundas-feiras.

Não existe mágica, assim, se você quer ter sucesso caminhe na direção do sucesso que você objetiva. Faça com que a “sorte” possa lhe sorrir, pois só assim você terá realmente alguma chance de que isso aconteça. Nunca se esqueça que, apenas no dicionário, é que o sucesso vem antes do trabalho. É preciso trabalhar duro e com afinco para garantir a sobrevivência e tentar chegar ao sucesso. Qualquer coisa diferente disso é falácia e ilusão.

Por exemplo, aproveitando a proximidade das eleições: da mesma maneira que os domingos estão cheios de belas entre os “ratos da praia” à disposição dos inúmeros interessados, a política brasileira está cheia de pessoas sérias e prontas para servir à comunidade apenas nos domingos. Entretanto, estamos precisando de gente que queira trabalhar para a comunidade durante o ano todo. Assim, me parece, mesmo na eleição, ser melhor optar pela difícil “Bela da segunda-feira”, apesar de ainda existir risco, já que ela também é humana.

Entretanto, ela é real, comedida e certamente também será capaz de satisfazer muitos dos interesses coletivos e, inclusive, alguns dos seus. Os “ratos da praia” da política já são bem conhecidos por todos e se sempre estão sendo eleitos é porque algumas pessoas continuam defendendo absurdos e acreditando naquilo que não deve existir. Ou seja, as dificuldades talvez não estejam nos políticos, mas sim na falta de visão das pessoas que os escolhem, por má orientação ou por razões cômodas e mesquinhas. A maioria das pessoas, ainda acredita em “Papai Noel” e vota em qualquer idiota ou mal caráter, apenas para ganhar mais presentes de Natal.

Em suma, faça sua parte, avalie seriamente, reflita, forme sua opinião, acredite em você e não na “sorte”. Espere muito de você mesmo e espere pouco da “sorte”, da aparência ou da opinião de quem quer que seja. Se a “sorte” vier será ótimo, mas lembre-se que isto não costuma ser uma regra. Deste modo, seja proativo e invista no trabalho sério para que as coisas aconteçam mais facilmente para a vida de todos, porque assim, você também deverá ser beneficiado. Se puder, evite grandes competições ou conflitos, mas não espere moleza e nem acredite somente na “sorte” ou nos “amigos”.

Sonhe muito e parta para a “briga”, mas nunca tire o pé do chão. Entretanto, saiba usar o pé para dar impulso e tome bastante cuidado para não o utilizá-lo como uma âncora. Ah! Também não se esqueça que você é incapaz de voar e, principalmente, que todos nós somos seres humanos e que estamos sujeitos as mesmas mudanças comportamentais, por mais óbvias ou radicais que elas possam ser. Algumas coisas aparentemente muito absurdas, improváveis e difíceis, não são determinadamente impossíveis.

Quer dizer, fique atento e tome cuidado, porque sempre será possível que a “Bela de Segunda-feira” possa se transformar num “rato da praia de domingo” ou vice-versa. De qualquer maneira, tenha certeza de que você sempre será capaz de julgar e de fazer a escolha correta, desde que enfoque vontade e trabalho efetivo na ação. O segredo é cumprir o seu papel com coerência, determinação e eficiência, todo o resto será consequência quase exclusiva de sua boa performance.

Em suma, sua vida, em todos os aspectos, depende apenas e tão somente de você. Sendo assim, para seu próprio bem, seja, sobretudo, observador, trabalhador, prudente, altruísta e invista um pouco mais na “Bela da Segunda-feira”, porque, muito provavelmente, talvez ela seja aquele seu “melhor negócio”. Muitas vezes esse “melhor negócio” está extremamente próximo e você não consegue enxergar, exatamente porque você está ludibriado esperando a “sorte”, em consequência da ilusão produzida pela falsa visão condicionada, a partir da sua observação continuada dos “ratos da praia”.  

Meu amigo, saia desse transe, supere a angústia, acorde para viver a realidade da sua vida e comece a ser efetivamente feliz. Acredite em mim e entenda que, os problemas sempre vão surgir, mas, da mesma maneira que surgirem, você deverá progressivamente vencê-los e assim, eles irão gradativamente desaparecendo. A “Bela da Segunda-feira”, talvez possa ser a “sorte” que você tanto procura.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

11 ago 2022
Mensagem aos “Seres Humanos de Pouca Idade”

Mensagem aos “Seres Humanos de Pouca Idade”

Resumo: Este artigo discute sobre a incoerência no desrespeito atual e comum dos humanos mais jovens em relação aos humanos mais velhos. Além disso, se chama a atenção para o fato de que aqui no Brasil, a mídia parece reforçar essa infeliz tendência, ao invés de tentar combatê-la. 


Introdução

Depois que presenciei uma cena desagradável, a qual não comentarei exatamente porque acho ultrajante e assim totalmente desnecessária, na qual um grupo de jovens, deliberadamente debochavam acintosa e intensamente de alguns senhores da chamada “terceira idade”, apenas porque esses senhores não foram felizes em realizar determinada ação. Segundo os jovens em questão, a referida ação não poderia ser desenvolvida por pessoas de mais idade, pois apenas os mais novos são capazes de tal ato e isso lhes dava o direito de gozar dos mais velhos.

Esse fato me deixou bastante constrangido, por também ser mais velho, por não concordar com o acontecido e principalmente por nada poder fazer para resolver a questão naquele momento. Além disso, fiquei tremendamente preocupado ao perceber como está o andamento das coisas nessa sociedade mal-educada, informatizada e pré-fabricada, em que vivemos hoje em dia. Essa sociedade caótica que é cada vez mais injusta e que está totalmente manipulada por ideologias duvidosas.

A mídia, por sua vez, dentre outras coisas erradas, engana e endeusa os mais moços, que passaram a ser sinônimos de vigor e beleza e marginaliza os mais idosos, que passaram a ser sinônimos de feiura e fraqueza. O pior é que os objetivos destas ações são puramente comerciais ou, o que torna a situação mais desagradável ainda, é que, muitas vezes, tem o intuito único de tentar manobrar as atitudes e o comportamento dos mais moços e menos experientes na vida, para mantê-los alheios à realidade.

Aliás, aqui cabe salientar que essa mídia que está escancarada por aí, só almeja, de fato, manter o jovem cada vez mais alienado e desvinculado do mundo real. Deste modo, essa mídia maldosa cria as mais diversas situações para corromper as boas ações, visando a levar o jovem a acreditar em futilidades e coisas totalmente sem nexo. Se não bastasse isso, ainda faz coro com os malfeitores e tenta perverter os valores morais dos poucos jovens que ainda conseguem se manter dentro dos padrões agradáveis aos interesses da sociedade e ao respeito com os demais seres humanos.

Esclarecimentos Fundamentais

Para começar, quero dizer que juventude não tem absolutamente nada a ver com a idade. Juventude tem a ver com estado de espírito ativo e com vontade de viver bem e ser feliz. Deste modo, tem gente que nunca foi jovem, apesar de moço, e tem gente que está sempre jovem, independentemente da idade que tenha. Isto é, há muita gente de mais idade que é bastante jovem nos bons pensamentos e nas boas ações e há muito jovem que é extremamente arcaico e até carente desses nobres aspectos.

Por outro lado, é preciso dizer que os mais maduros constituem o cabedal ético, moral, intelectual e cultural da sociedade, pois nenhum moço aprende sozinho e alguns desses moços, muitas vezes se esquecem que o aprendizado é passado pela experiência dos temporalmente mais vividos. Ninguém, absolutamente ninguém, aprende nada sozinho. Na melhor das hipóteses, pelo menos, é preciso ler o que alguém escreveu, falou ou desenvolveu antes, mas geralmente é preciso muito mais que apenas isso. Quer dizer, a informação e o aprendizado que chega aos moços é necessariamente dependente de precursores, que, por óbvio, etariamente, são sempre os mais velhos. Aliás, é bom ressaltar que essa é uma regra na humanidade de abrangência universal.

Deste modo, é lamentável observar que está faltando, além de boa vontade, gentileza e bondade, principalmente de inteligência a muitos jovens que têm, tristemente, tratado os mais maduros como lixo social, inclusive com frases do tipo “velho tem que morrer”. O jovem precisa entender que o “velho” é um jovem que deu certo. Isso mesmo, porque só fica “velho” aquele jovem que dá certo. Depois que o indivíduo nasce, a única certeza que ele tem é de que vai morrer, todo o resto é dúvida. Alguns não dão certo e infelizmente morrem cedo, outros dão certo e morrem mais tarde.

A morte não é opcional, ao contrário ela é condicional e compulsória para qualquer ser vivo. Entretanto, no caso do ser humano, a maneira de chegar até a morte, na maioria das vezes, é uma escolha que se faz com a vida que se tem. Alguns encaram a vida com seriedade e trabalham com afinco para viver bem e outros apenas passam rapidamente pela vida, sem viver verdadeiramente, sua existência é apenas e tão somente uma consequência de ter nascido.  

Somente alguns daqueles jovens que trabalham com afinco para viver conseguem chegar a condição de ficar “velhos”, os demais geralmente acabam morrendo antes, ou seja, ainda “jovens”. Isto é, esses jovens acabam não dando certo e tem sua existência encurtada. Senhores jovens, por favor, pensem nisso e procurem investir mais seriamente em agir para viver mais e ser mais feliz.

A felicidade é muito mais do que apenas viver alegremente. A felicidade é transcendental e muitas vezes faz com que as pessoas se sintam sempre bem, ou melhor, se sintam sempre “jovens”, porque estão sempre buscando algo. Sonhar é algo que mantem a mente e o corpo do ser humano sempre na “juventude”, independentemente da idade cronológica. Contudo, é preciso acreditar e viver a plenitude do sonho de acordo com a realidade da vida que se tem.

Quer dizer, tem que sonhar com o pé no chão, objetivando alcançar e trabalhando com afinco para o sonho aconteça e se torne realidade. Pense que sua felicidade é uma ação coletiva, que envolve você e tudo à sua volta, ao longo de sua vida. Quer dizer, quando você está feliz, todos à sua volta também parecem estar felizes e, na verdade, estão mesmo e assim, tudo acontece progressivamente melhor.

De alguma maneira, parece que toda a sociedade está encantada e enganada pela mídia e acaba achando normal e aceitando os absurdos que acontecem. Assim, obviamente a culpa não é exclusiva dos jovens. Talvez, os jovens, pela própria pouca idade, ainda não possam, por si só, entender a verdadeira questão e cumpre aos demais membros da sociedade tentar acordá-los para a vida real, que precisa ser vivida com seriedade.

Afinal, cabe lembrar que, os jovens existentes são os filhos, netos e bisnetos dos mais maduros e todos nós juntos compomos a sociedade.  Entretanto, dá a impressão de que grande parte da sociedade está doente e por isso quase nada acontece em contrário aos visíveis absurdos que temos visto acontecer.  

Por conta dos aspectos acima citados, resolvi escrever esse pequeno texto e aproveitarei o espaço para fazer alguns questionamentos e deixar alguns recados aos cidadãos mais jovens do país. Sou ciente que não sou nenhum “Messias” e que não poderei resolver todos os problemas do mundo, mas quero manifestar minha opinião, haja vista minha convivência cotidiana com os mais jovens durante quase 50 anos na minha atividade profissional como professor.

Demonstrando os Fatos e Destacando os Problemas

Meus caros leitores, então entremos diretamente no assunto. Para não criar mais problemas e amenizar possíveis confusões interpretativas, quanto as minhas intenções nesse texto, doravante tratarei, aqui, os cidadãos mais jovens como “seres humanos de pouca idade” e os mais velhos como “seres humanos de mais idade”. Bem, então, vamos lá.

Começarei por citar 5 contatações mais que óbvias da humanidade.

1 – Todo ser vivo tem necessariamente antepassados, progenitores e genitores.

2 – Com os seres humanos, obviamente a condição da afirmativa acima não é diferente.

3 – Assim, todos nós temos antecedentes familiares, pais, avós, bisavós e por aí afora.

4 – É certo que nem todos os seres humanos conheceram todos os seus antecedentes, mas em algum momento obviamente eles existiram.

5 – Todo ser humano, que conviveu algum tempo com algum desses seus antecedentes, de alguma maneira e em dado momento, se relacionou positivamente com alguns deles.

Pois então, os seres humanos, tanto os de pouca idade, quanto os de mais idade, de maneira geral, costumeiramente têm excelentes relações com seus avós. Eu não sei o porquê, mas isto é um fato. Lembro aqui que os avós são os pais dos pais dos seres humanos de pouca ou de mais idade. Deste modo, cabe perguntar a qualquer ser humano: você respeita e gosta de seus avós? Você se dá bem com seus avós? Sua relação com seu avós é boa? Enfim, certamente na esmagadora maioria das vezes, tenho absoluta certeza de as respostas serão positivas.

Traduzindo isso, acredito que seja possível dizer que a esmagadora maioria dos seres humanos gosta e se relaciona bem com seus avós. Gravem bem essa afirmativa, porque ela é superimportante, haja vista que ela serve para nos comprovar que o problema não está na idade, pois ao avós são quase sempre seres humanos de mais idade e os netos são quase sempre seres humanos de pouca idade. Penso que a afinidade real está mais relacionada à proximidade familiar. Isto é, em geral, a maioria pensa assim: “os meus avós são bons, são alegres, são legais, são interessantes, mas os avós dos outros são feios, chatos, bobos, tristes e desinteressantes”.

Infelizmente, a maioria das pessoas aceita, os de mais idade que estão mais próximos, ou seja, que são do seu relacionamento, ainda que, algumas vezes, por pura obrigação e repudia os de mais idade que estão distantes ou que não são do seu relacionamento. Sinto afirmar, mas a palavra que melhor explica esse fenômeno é preconceito. Existe um preconceito contra os seres humanos de mais idade e geralmente só se aceitamos aqueles que, de alguma maneira, têm certa relação conosco.

É triste admitir, mas existe sim um preconceito contra os seres humanos de mais idade e isso precisa acabar para o bem da sociedade brasileira e quiçá, de toda humanidade. Como eu já disse, em geral, nós aceitamos os nossos, mas rejeitamos os demais. Isso é particularmente marcante nos seres humanos de pouca idade. O pior é que a mídia acaba reforçando esse lamentável contexto, com ações maldosas no que se refere aos de mais idade e a sociedade, além de não se manifestar contra esse tipo de ação absurda, ainda costuma achar tudo isso muito engraçado.

Entretanto, é exatamente aqui que surgem outras questões. Se a maioria das pessoas respeita e gosta de seus próprios avós, por que muitas delas, principalmente seres humanos de pouca idade, pelo menos, não respeitam os avós das outras pessoas? Por que esses seres humanos de pouca idade preferem fazer graça com os seres humanos de mais idade que não sejam próximos deles? O que os seres humanos de pouca idade imaginam para tratarem de maneira diferente os seres humanos de mais idade e socialmente distantes, daqueles seres humanos de mais idade socialmente próximos?

Eu realmente não consigo entender e acredito que eu não seja apenas o único a ter dificuldade no entendimento desse aspecto, que considero um “mal sociológico” e bastante crescente na modernidade. Entretanto, penso que esse “mal sociológico”, que é visível na sociedade brasileira necessita ser esclarecido e trabalhado, no sentido de que precisam ser envidados esforços para que esse mal hábito social costumeiro, possa ser evitado e, se possível, banido.

Deixando os Devidos Recados

A partir disso, creio que agora posso deixar aqui os meus recados para os seres humanos de pouca idade. Primeiramente devo dizer que qualquer ser humano, independentemente da idade, antes de qualquer coisa é um ser humano, uma pessoa, e não merece e nem pode ser desconsiderado e desrespeitado apenas por conta da idade que aparente ter ou que tenha efetivamente. É absurdo que a mesma sociedade que vive criando argumentos importantes para combater o preconceito contra várias questões (sexo, raça, religião, etc.), agora venha fortalecendo o preconceito contra a idade.

Em segundo lugar, devo dizer ainda que, os seres humanos de mais idade, mesmo não sendo seus avós ou pessoas próximas de vocês, muitos deles também são avós e certamente eles também são pessoas próximas de outros seres humanos de pouca idade como vocês. Por conta disso, merecem ser, pelo menos, respeitados pelos demais seres humanos, já que são seus semelhantes.

Em terceiro lugar, tente se lembrar que da mesma forma que vocês gostam e respeitam seus avós, os demais seres humanos de pouca idade também devem gostar e respeitar dos avós deles e assim, procure seguir aquela regra que diz: “não faça aos outros aquilo que você não quer para si mesmo”. Se você não quer que tratem mal os seus avós, então também não trate mal os avós dos outros seres humanos. Ou será que você só liga para seus avós quando está perto deles?

Em quarto lugar, procure se lembrar que você hoje é um ser humano de pouca idade, mas se você der certo, chegará também a ser um ser humano de mais idade e até poderá ser também o avô de alguém. Se isso acontecer, e eu sinceramente espero que aconteça, você não vai gostar que um ser humano de pouca idade fique gozando de sua cara, pelo simples fato de você ser um humano de mais idade. Isto é, dele estar gozando de um ser humano mais velho e que nesse caso é você mesmo.

Em quinto e último lugar, resta dizer que você, se quiser e se efetivamente vir a dar certo um dia, com o tempo você deixará de ser um ser humano de pouca idade e progressivamente se tornará um ser humano de mais idade. Nesse processo natural certamente você entenderá que idade é uma grande bobagem, porque você de fato nunca se sentirá efetivamente “velho” (de mais idade). Em condições normais, sua mente não permitirá que você se sinta incapaz para nada, ao contrário, sua mente terá necessidade de aprender sempre.

É claro que fisicamente o seu corpo irá progressivamente ganhar sempre mais problemas, porque esta é uma realidade física e biológica que nunca poderá ser totalmente resolvida. Ou seja, a idade realmente traz o enfraquecimento físico, que passa a ser cada vez mais visível, mas isso é natural e esse fato não lhe transforma num “ser menos humano”. A verdade é que nossa mente trabalha em função da nossa capacidade de conhecimento e quanto mais você aprende, mais você se sente “jovem”, independente da própria condição biofísica e da idade que possua.

Entretanto, apenas aqueles seres humanos que já viveram mais, aqueles que você chama de “velhos”, conseguem compreender melhor esse fato simples e até bestial, porém, como você ainda não viveu o bastante, talvez não entenda direito o que acontece. Invista no seu aprendizado, pesquisa mais sobre essa questão e procure viver bem como ser humano, que sua mente fará o resto e aí você comprovará o que estou dizendo.

Se você está aborrecido agora e querendo acabar comigo, não só porque sou “velho”, mas porque estou lhe orientando ou, se preferir, “dando conselhos”. Não se preocupe, porque no futuro você ficará ainda mais aborrecido, ao descobrir que, além de ter sido um “velho” quem lhe disse essas coisas, esse “velho” sabia o que estava falando e ele só sabia delas, exatamente por que era “velho”. Isto é, porque já tinha vivido algumas experiências que você ainda nem sabe que existem. Ou seja, qualquer ser humano de pouca idade tem muito que aprender, antes de criticar, gozar ou fazer chacota com qualquer ser humano de mais idade, sejam eles quem forem.

Por fim, quero dizer mais uma verdade insofismável para os seres humanos de pouca idade. Se, de fato, vocês quiserem viver bem, terem vida longa e chegarem à condição de seres humanos de mais idade, vocês precisam respeitar e sobretudo ouvir mais aqueles seres humanos de mais idade, como o “Tio Luiz” aqui, porque, independente do “Tio Google” e de toda informação nele contida, os seres humanos de mais idade são os arquivos vivos e verdadeiros do conhecimento humano.

É óbvio que dados são importante e certamente o “Tio Google” acumula muito mais dados que o “Tio Luiz”, entretanto o “Tio Google” não possui vivência sobre nenhum dos dados que pode descrever e assim certamente não é capaz de ensinar como o “Tio Luiz” e outros seres humanos são. A mídia em geral e o “Google”, em particular, são apenas ferramentas de uso informativo da Humanidade e não podem ser mais importantes do que as pessoas que vivenciam realmente os fatos. Desta maneira, a Humanidade não pode continuar sendo guiada por coisas, ideias ou máquinas que dizem (repetem) informações, mas que não sentem e não percebem, de fato, porque não têm nenhuma relação direta com essas informações.

Os seres humanos de mais idade e o conhecimento que acumularam em vida, certamente são melhores professores que os computadores para informar e ensinar aos seres humanos de pouca idade e precisam ser respeitados. Essa verdade precisa ser estabelecida na visão de nossa sociedade moderna, pois só assim garantiremos a efetiva humanidade dos seres humanos de pouca idade do presente e, principalmente, do futuro. 

Podem estar certos de que os seres humanos de mais idade sempre terão realmente muita coisa para ensinar aos seres humanos mais jovens e certamente serão seus melhores mestres, porque eles são seres humanos como vocês. Eles têm sensibilidade, falam, ouvem, conversam, orientam e discutem, além de simplesmente expor uma informação. Os “velhos” contam histórias emocionantes que o “Google” não conhece, porque o “Google” não é humano e não possui sentimentos.

Tem um ditado que diz que a gente aprende pelo amor ou pela dor. Eu sei que o “Google” e a mídia não doem, mas é óbvio que eles também não amam, porque eles são apenas mecanismos transmissores de informações “precisas” e vazias, que muitas vezes não servem para nada, principalmente em tempos de “fake news”. O “Google” é incapaz de criar uma situação que esclareça sua dúvida. É óbvio que ele até informa correto, mas não explica coisa nenhuma.  A mídia até poderia esclarecer algumas questões, mas geralmente ela tem outros interesses e assim, também age na contramão das verdadeiras explicações, como já foi dito, principalmente em tempos de “fake news”.

Conclusão

De qualquer maneira, a escolha será sempre da sociedade em que se vive, de sua cultura e de seus costumes. Assim, meus queridos e preclaros seres humanos de pouca idade, é óbvio que sempre será necessário que vocês, efetivamente, queiram continuar a aprender e adquirir novos conhecimentos e sobretudo, queiram continuar sendo seres humanos. O primeiro passo para que isso seja possível é o respeito e a consideração aos seres humanos de mais idade, pela história pessoal que cada um deles construiu ao longo do tempo de suas respectivas vidas.

Por fim, da próxima vez que você encontrar um ser humano de mais idade numa situação inusitada e desagradável, ao invés de rir, de gozar ou mesmo de menosprezar, procure ajudar e entender. A propósito, procure se lembrar também que, lá na frente, se você viver bastante, por questões biofísicas e puramente naturais, talvez, você possa viver aquela mesma situação e que certamente ficará magoado por ser humilhado por um ser humano igual a você, simplesmente por conta daquela fortuita ocorrência.

 É claro que existe uma forma de você ter certeza absoluta de que o fato não acontecerá com você: basta você morrer com pouca idade. Entretanto, acredito que você, assim como eu, também não pense que esta seja a melhor solução, mas acredite, ela é a única que existe. Desta maneira, faça o possível para viver mais tempo, seja ético e trate sempre muito bem os seres humanos de mais idade, ou como você prefere, “os velhos”, porque se você não morrer cedo, necessariamente você está caminhando para se tornar um deles.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo; Professor, Pesquisador, Escritos, Revisor e Ambientalista; Acadêmico da Academia Caçapavense de Letras – ACL, da Academia de Letras de Lorena – ALL e da Academia Rotária de Letras do Vale do Paraíba – ABROL Vale.

01 jul 2022
Educação e Valores Humanos

A Educação e os Valores Humanos

Resumo: O artigo chama a atenção para a falta de seriedade e da desvalorização generalizada que a Educação tem recebido historicamente no país. No Brasil, temos priorizado tudo que não importa nas escolas e com isso temos trocados os valores da sociedade. Acredito que esse desrespeito coletivo interfere drástica e diretamente na condição ética e moral dos brasileiros. 


O Brasil necessita urgentemente de Educação verdadeira. Temos muitos prédios escolares, mas temos poucas escolas. Tem muita gente ministrando aulas, mas tem poucos professores efetivamente ensinando. Tem muitos alunos nas escolas, mas tem poucos estudantes realmente querendo aprender. Tem muitos burocratas na educação, mas têm poucos educadores e pessoas preocupadas com a educação atuando no ensino. Enfim, na educação brasileira tem bastante de quase tudo, mas, tem efetivamente muito pouco daquilo que deveria ter.

Este país continua no marasmo educacional exatamente pelo simples fato de que não se encara a educação com devida e necessária seriedade, tampouco se investe em trabalho efetivo para mudar essa situação. A verdade é muito clara: enquanto existirem Alunos, Professores, Diretores e Reitores, querendo a volta de um sujeito amoral, ladrão e apedeuta à Presidência do país, não existe como melhorar a educação. Estamos num mato sem cachorro e a questão que fica é a seguinte: como fazer para acabar com essa situação incoerente?

Temos transitado estranha e perigosamente numa linha em que não se define bem aquilo que se quer e onde o que importa é somente o dinheiro que se irá conseguir com a ação.  É como se o dinheiro fosse realmente a coisa mais importante para a humanidade. Historicamente tenho feito a seguinte pergunta aos meus alunos no primeiro dia de aula: o que é que todo mundo quer? Em quase todas as respostas, mais de 95%, dizem quase que automaticamente, é dinheiro. Ocasionalmente aparece alguns que citam, a sorte, outros dizem, o trabalho, outros ainda respondem, a saúde e mais raramente ainda, alguém lembra da felicidade.

Pois então, a felicidade, que é a resposta esperada, é sempre a menos citada. Ora se a humanidade quer dinheiro e não quer felicidade o mundo está perdido. Pois é, a noção de ser feliz, talvez tenha sido modificada em ter dinheiro, o que é uma grande idiotice, porque o dinheiro não garante a felicidade de ninguém. O que todo mundo quer é ser feliz e o dinheiro pode até ajudar a que se atinja esse intento, mas o dinheiro sozinho não permite a felicidade de ninguém. Infelizmente a humanidade cometeu o ledo engano de trocar os valores morais e vitais, pelos valores e custos monetários e, deste modo, grande parte das pessoas acham que o dinheiro é o melhor negócio para todos.

Particularmente, aqui no Brasil, as escolas “entraram diretamente pelo cano” ao também assumirem que o dinheiro é melhor que a felicidade e os alunos não gostam da escola porque perdem tempo e não ganham dinheiro com esse “tempo perdido”. O pior é que o sistema reforça esse pensamento absurdo, quando desqualifica profissões e profissionais, em prol de publicidades medíocres sobre profissões que não exigem conhecimento e que geram grandes possibilidades econômicas. Assim se esquece do valor da escola e se trabalha pelo preço daquilo que se pode ganhar por estudar. Infelizmente, quando se coloca essas coisas numa balança, acaba se concluindo que estudar não vale o preço.

A diferença entre o valor e o preço é que o preço é estimável em maior ou menor, mas o valor é inestimável e por isso mesmo, o valor não tem preço. O valor é próprio, único e indistinto e assim, não varia não como o preço. Alguém já disse: “o valor não vale, o valor é”. Em suma, é impossível calcular o valor, mas sempre é possível imaginar alguns preços para certas coisas e infelizmente, isso também é verdadeiro para certas pessoas. Pois então, a educação está cheia de coisas e pessoas com preço, mas que estão muito carentes de valor.

A crise que a humanidade vive é consequência única do que foi dito acima. Isto é, as pessoas se vendem por qualquer preço, deixando de ter valor e passando a ser moeda de barganha dos interesses e das negociatas, na mão de quem quer que seja. Esta irresponsabilidade coletiva gera uma situação triste, mas real, de carência moral, que tem, historicamente, causado grandes males a humanidade, mormente nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

O ser humano, cada vez mais, desconhece a importância e o verdadeiro valor de algumas peculiaridades humanas necessárias à vivência social, como a ética, o comprometimento e a lealdade. Enquanto perdurar esta falsa realidade, do humano valer menos que a o interesse econômico de quem quer que seja, a humanidade não terá descanso, não progredirá e a paz entre os povos estará sempre mais longe.

Alguns mudam o foco e a responsabilidade, falando que Deus está vendo e que só Ele pode resolver a questão, mas, ainda que eu não seja religioso, tenho certeza de que Deus não tem nada a ver com isso e mesmo que Ele exista e que esteja vendo, Ele não irá interferir nos problemas estritamente humanos. Nossos problemas são terrenos e causados por nós mesmos não têm nenhuma relação com Deus. É preciso que mudemos o foco e objetivemos um mundo com pessoas de valor, isto é, com pessoas educadas e isso começa na família e se aprimora e continua pela escola.

Quer dizer, ou a humanidade aprende a viver educadamente com todos os humanos ou não existe humanidade. Acredito que enquanto o ser humano continuar sendo esse estranho ser que confunde valor com preço será impossível que a humanidade possa se manter proativa na direção da paz. Infelizmente, se não tomarmos posturas ética no interesse humanitário, sempre haverá situações conflitantes em que questões econômicas terão peso maior e assim, obviamente serão priorizadas pela sociedade.

O único caminho possível para tentar equilibrar essa questão é a crescer na educação e na formação das pessoas. Deste modo, necessitamos de uma educação que demonstre aos seres humanos, que em qualquer situação ou momento, a vida humana deve ser a única prioridade real. Não importa raça, sexo, ideologia, religião ou qualquer outro fator, a vida humana, seja ela qual for, é o mais importante, porque ela é um valor e como tal, é inegociável e não tem preço.

Somos seres humanos e deveríamos investir e aproximar cada vez mais uma postura altruísta e fraternal entre os humanos e não desenvolver as progressivas maneiras segmentárias e separatistas que temos criado e ampliado na sociedade moderna. Temos desenvolvido, através de um pretexto social e ambientalmente correto, mas que no fundo é apenas uma maquiagem política que serve ao interesse de alguns, uma maneira segmentadora da sociedade e destruidora da humanidade.

Estamos caminhando na contramão das necessidades da humanidade e os politiqueiros, os embusteiros e os maus-caracteres de plantão se aproveitam desse fato para piorar aquilo que já não é bom, na base do quanto pior melhor. Desta maneira as relações humanas ficam perigosamente mais comprometidas e com fortes tendências às rupturas. Quer dizer, atualmente, alguns dos “seres humanos”, não se satisfazem em apenas andar na contramão da humanidade e ainda jogam gasolina no fogo para complicar mais a situação.

É preciso que se esclareça de uma vez por todas que, independentemente de qualquer característica que tenhamos ou que professamos, somos pessoas. Todos os seres humanos são pessoas e como tal, devem ser orientadas nos seus deveres e respeitadas nos seus direitos. Entretanto, aqui reside outro grande problema, pois parece que perdemos a noção exata de deveres e direito humanos. Nesta sociedade corrompida e consequentemente corroída que vivemos, direitos e deveres são privilégios que servem apenas aos interesses dos poderosos, que fazem o que querem, como querem e quando querem.

A sociedade se deturpou por conta do preço e a humanidade se degradou por conta da perda do seu valor primário e ímpar, o ser humano.  O “rei dinheiro” e o “trono ganância” superaram largamente o fundamento da vida e necessidade da ética. A humanidade está pobre de valores morais e podre de sentimento e envolvimento coletivo. Somos apenas um bando de criaturas irresponsáveis e cegas, ocupando um mundo em que os indivíduos não veem nada ou, quando muito, cada um consegue apenas ver o próprio umbigo.  

É bastante triste e preocupante a situação debilitada do ser humano nos tempos atuais. Ao que parece a humanidade está caminhando rápida e irreversivelmente para o caos. Se não bastasse nossa podridão humana, também destruímos o planeta, o único que temos e que nos fornece absolutamente todos os recursos naturais que utilizamos. Ou seja, somos humanos podres, caminhado num planeta que também tornamos cada vez mais podre. Em suma, nossa irresponsabilidade é total, pois não ligamos para nossa vida, para nossa espécie e ainda destruímos a nossa única casa.

Como disse no início deste texto, somente a educação pode nos livrar dessa situação sofrível ou, pelo menos, minimizar os danos produzidos por ela. Não existe outra saída possível! E o que estamos fazendo sobre isso? Infelizmente, não temos feito absolutamente nada.

As nossas escolas têm apenas discutido outras questões, infinitamente menos importantes, pouco significativas, nada prioritárias e que não agregam valor nenhum à humanidade e nem a educação brasileira. Nossos alunos estão alheios a realidade humana e são progressivamente mergulhados em idiotices e coisas inúteis às necessidades da humanidade. Nossos professores defendem argumentos e teses inexpressivas, que não se justificam nos interesses coletivos maiores da humanidade. Nossos dirigentes escolares estão preocupados apenas com a manutenção de seus cargos, cuja origem é principalmente política e assim, tudo fazem, apenas para garantir suas respectivas permanências nos mesmos.

É claro que existem honrosas exceções, mas infelizmente, são apenas exceções, porque não têm força funcional e muito menos política, consequentemente não conseguem mudar a situação imperante. A mídia, por sua vez, também não cumpre seu papel e acaba por demonstrar, cada vez mais, o seu interesse na continuidade dessa conjuntura degradante e assim, faz coro para o que está errado, trabalha contra as mudanças necessárias e ainda interfere bastante produzindo informações que só ampliam a degradação educacional e humana.

O mais estranho de tudo isso, é que tem muita “gente” que acredita e age como se tudo estivesse bem e que defende a manutenção desse “status quo”.  As escolas não são mais capazes de trabalhar para formar pessoas, porque estão preparadas apenas para produzir coisas que produzam lucro para alguém. A educação é uma falácia, um conto de fadas triste, onde não vai haver final feliz, porque, de fato, não se quer educar e nem formar ninguém. Sempre gosto de lembrar Darci Ribeiro, quando ele dizia: “No Brasil, a crise educacional, não é uma crise e sim um projeto”. Eu me permito ir além e tristemente afirmo que esse é o único projeto brasileiro que tem tido continuidade nos últimos anos.

Assim, concluo que a atual e evidente degradação humana é resultado de planejamento trabalhado por especialistas em criar humanos piores, através da “educação”, pelo menos aqui no Brasil. Transformaram a sociedade e fizeram com que grandes massas de seres humanos virassem marionetes no interesse puramente político de alguns. Esqueceram que a humanidade se compõe de pessoas e destroem essas pessoas como se fossem coisas inservíveis, sem sentimentos, sem valores morais e sem nenhuma condição ética.

Até quando continuaremos seguindo nessa direção, que transforma os valores, reverte a ordem e perverte a população, particularmente a juventude brasileira?

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

Artigo publicado em 23/01/2022 no “site” https://oblogdowerneck.blogspot.com e readaptado para esta publicação.
30 maio 2022

USINA TERMELÉTRICA: CUIDADO, O PERIGO ESTÁ RONDANDO A REGIÃO!

Resumo: Este texto visa chamar a atenção das populações da região do Vale do Paraíba, em particular dos municípios de Caçapava e Taubaté, por conta da pretensa instalação de uma grande Central Termelétrica na região, composta por 3 usinas na divisa entre os dois municípios citados. A capacidade de geração de energia do complexo é cerca de 1.740 Megawatts, ou seja, uma central termelétrica gigantesca. O potencial poluidor desse monstrengo é imenso, por isso mesmo, a Central Termelétrica não pode prosperar. 

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Enquanto a cidade e as pessoas boas e pacatas dormem, os inimigos comuns dos cidadãos de bem, os embusteiros e picaretas de plantão, andam por aí à espreita e assim, na surdina, estão tentando aprontar mais uma contra a nossa querida cidade de Caçapava e a região do Vale do Paraíba. Desta feita, trata-se da pretensa implantação de um conjunto de usinas termelétricas (três usinas) que no total produzirão cerca de 1.750 Megawatts de potência.

Quer dizer, uma super central termelétrica que, se efetivada, obviamente poderá causar uma poluição atmosférica gigantesca e quase imensurável de Dióxido de Carbono (CO2), Óxidos de Nitrogênio (NOx), Óxidos de Enxofre (SOx), Ozônio (O3), Particulados e Hidrocarbonetos. Isso sem falar no grande aquecimento e na imensa perda de água por evaporação em consequência do processo de esfriamento das caldeiras.

Ou seja, os picaretas de plantão, estão imaginando um monstro energético nunca visto e nem pensado aqui para a região e muito menos aqui para nossa Caçapava. Certamente nós vamos lutar contra e não deixaremos que esse monstro saia da imaginação dos infelizes que foram capazes de sonhar com sua existência em nossa cidade. População de Caçapava, fiquem atentos, porque uma nova guerra contra a implantação de termelétrica está começando a acontecer.

Quero lembrar aos incautos e aos desinformados que está será a sexta tentativa de implantação de grandes termelétricas aqui na região do Vale do Paraíba. Nas cinco primeiras tentativas o empreendedor acabou não conseguindo o seu intento e a população local saiu vitoriosa, garantindo a manutenção da qualidade de vida da região, pelo menos no que se refere a esse aspecto. Esperamos que dessa vez não seja diferente.

Os incautos, além da não conhecerem a nossa região e suas limitações para esse tipo de empreendimento, também não sabem que a população valeparaibana já está mais que vacinada contra esses absurdos ambientais e que lutará para impedir que o monstro se instale mais uma vez. Por outro lado, os picaretas enganam os incautos e se aproveitam do desconhecimento deles para conseguir algumas benesses em seus próprios interesses.

O que é difícil de entender é que os poderes constituídos e as autoridades locais e regionais ainda permitam que esse tipo de situação se evidencie, mesmo sabendo que a implantação de termelétricas seja algo extremamente comprometedor na região do Vale do Paraíba e que assim seja quase impossível a viabilização desse tipo de empreendimento na região. É bom lembrar que todas as cinco tentativas de implantação de termelétricas na região que ocorreram nos últimos 30 anos foram frustradas.   

Todos sabem, ou deveriam saber, exceto os empreendedores, que são ludibriados pelos picaretas de plantão, por questões geomorfológicas e geodinâmicas, nossa região não aceita esse tipo de empreendimento por vários fatores ambientais. A população local há muito tempo já sabe que esse tipo de empreendimento não se adequa à região e certamente não vai querer um monstro com todo esse tamanho e seu imenso potencial poluidor aqui ao Vale do Paraíba.

Por outro lado, mesmo que a região fosse adequada para receber esse tipo de usina, a condição de poluição aérea e aquática produzida por esse tipo de empreendimento é totalmente incompatível com os interesses regionais. Em tempos de sustentabilidade não se pode pensar em instalação de termelétrica numa região que concentra cerca de 5 milhões de pessoas e que é responsável pela água que alimenta mais de 30 milhões.

A insalubridade que pode ser produzida por uma grande central termelétrica, além de ser uma transgressão das possibilidades ambientais do Vale do Paraíba, é principalmente um crime contra a vida de parte da população paulista e da quase totalidade da população fluminense. Quer dizer, não se trata apenas de uma mera questão ambiental e de um alarde de mais um “ecochato”. Na verdade, trata-se de garantir a vida atual e das gerações futuras do Vale do Paraíba e de todos que dependem da água da Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Senhores moradores da região e de Caçapava em particular, preparem-se para a batalha e doravante acompanhem bem as ações e as posturas assumidas pelos políticos locais no que se refere a essa questão. É possível que muitos desses políticos estejam “convencidos” de que termelétricas na nossa região e na nossa cidade sejam bons negócios.

De repente eles vão começar a falar que a implantação das termelétricas na região vão dar conta da necessidade de geração de energia no país, vão ampliar a geração de empregos na região, vão falar que não há risco porque haverá absoluto controle da poluição e principalmente vão dizer que isso trará riqueza à região, pois produzirá um significativo aumento dos recursos econômicos para os municípios ou para toda a região do Vale do Paraíba. Entretanto, é preciso ficar claro que mesmo que essas fossem indagações verdadeiras, o risco socioambiental oriundo de um complexo termelétrico como o que está sendo proposto, certamente não compensa.

 Então, é preciso deixar claro que por vários aspectos, essas são efetivamente grandes mentiras. Essas outras afirmativas não passam de argumentos falaciosos e fictícios para enganar a população. A verdade é que no Vale do Paraíba não pode existir termelétricas e no caso específico do município de Caçapava, de acordo com a Lei Orgânica, para implantar uma termelétrica, haverá necessidade de um plebiscito. Isto é, somente a população poderá determinar se haverá ou não termelétrica na cidade.

Por outro lado, há necessidade de se questionar, ainda que se essas pretensas afirmações fossem verdades e não são, as questões que ficariam, seriam as seguintes: Vale à pena, matar muitos pelo benefício de poucos? Vale à pena, poluir, degradar e descaracterizar o ambiente em que seu filho, seu neto ou bisneto vai viver? Vale à pena correr esse risco?

Por fim, apesar de todas as dificuldades e a periculosidade, se esse absurdo vier a ser implantado, ninguém sabe o que realmente vai acontecer, mas a gente sabe o que costuma acontecer quando os interesses particulares e escusos suplantam os interesses comunitários, principalmente aqui no Brasil. Assim, deixo aqui também o meu alerta às cidades vizinhas, mormente aquelas que estão mais próximas de Caçapava e que possuem as maiores populações da região, ou seja, Taubaté e São José dos Campos, que juntas somam cerca de 1 milhão de habitantes.

Cabe lembrar ainda, que a poluição não será apenas para Caçapava, pois os efeitos maléficos de uma termelétrica, creio que todos já saibam, mas sempre é bom ressaltar, certamente é regional. Quer dizer, todos nós estamos todos no mesmo barco e no meio do mesmo furacão, principalmente as duas cidades citadas acima que são lindeiras à Caçapava, mas é preciso termos mente que todo o Vale do Paraíba pode estar à deriva.

Fiquem atentos, porque Usina Termelétrica, embora possa ser uma boa negociata para alguns, aquela minoria que só pensa em dinheiro no bolso, certamente é uma insanidade e um péssimo negócio para todos que esperam viver bem, em paz e com qualidade de vida. Já temos muitos problemas por aqui, sendo assim, nossa Caçapava, nosso Vale do Paraíba e as pessoas que aqui vivem, não merecem mais essa desgraça.

Meus amigos, por favor, TERMELÉTRICA NO VALE DO PARAÍBA, NUNCA!

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista; Foi Vereador (1998 a 2004) e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava (2001 e 2002); Conselheiro do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo – CONSEMA/SP (1996 a 2002 e 2018 a 2020), Conselheiro e Primeiro Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Caçapava – CONDEMA (1990 a 1992) e Conselheiro do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Lorena – COMMAM (2008 a 2010); é Membro Efetivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – CBH-PS (desde 1999 até o presente) e da Câmara Técnica de Institucional do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul – CEIVAP (1999 a 2001 e 2021 a 2023); Membro associado de várias ONGs Ambientalistas da Região, inclusive da ECO VITAL de Caçapava.

15 maio 2022

O que está acontecendo com o uso da Língua Portuguesa?

Resumo: Neste artigo procuro chamar a atenção sobre o atual desprestígio da Língua Portuguesa pelas pessoas e sobre os problemas oriundos dessa constataçãoTento demonstrar que a população brasileira está esquecendo a importância da língua pátria e que esse fato se constitui num fator de significativo empobrecimento cultural que necessita ser extinto para o engrandecimento da Brasil. 

Agora, depois de quase um ano e meio sem trabalhar, ou melhor, sem ministrar aulas regulares, por estar aposentado e inativo, na minha função precípua de Professor, tenho conversado mais com outras pessoas, apesar de todas as dificuldades impostas pela pandemia do COVID 19. Desta maneira, tenho tido mais tempo para observar e reparar melhor o comportamento dessas pessoas. Pois então, tenho me preocupado em observar, principalmente os hábitos de falar, o uso das palavras e à utilização da nossa língua portuguesa.

Então, foi neste contexto que surgiram duas questões fundamentais, as quais têm me chamado bastante a atenção. O que está acontecendo com o povo brasileiro, em relação à Língua Portuguesa, que está sendo cada vez mais esquecida? Será que os brasileiros, dentre outras coisas, também estão ficando progressivamente mais mudos, quanto ao nosso querido português? Deste modo, vou comentar um pouco do meu pensamento sobre o que pode estar acontecendo.

Para começar, devo dizer que minhas observações têm me permitido chegar a conclusões preocupantes e algumas delas até estarrecedoras sobre o forte incremento da superficialidade no conhecimento linguístico dos indivíduos brasileiros e talvez mesmo, sobre o crescimento exponencial da bestialidade humana, porque às vezes penso que esse pode não ser somente um problema brasileiro, mas, quem sabe uma questão mundial de “emudecimento humano”. Pude identificar que a maioria das pessoas é incapaz de estabelecer frases e resolver questões linguísticas simples. Muitas pessoas também são incapazes de criar e realizar ações práticas e funcionais comuns que envolvam a fala e principalmente a escrita, pelos mais diversos motivos.

A meu ver, isso acontece, primeiramente porque, simplesmente, algumas dessas pessoas foram levadas a acreditar que ser superficial e que não opinar são boas características humanas na atualidade. Por outro lado, também parece que enriquecer o vocabulário pessoal ou se envolver em questões linguísticas são condições pouco importantes para o ser humano. Deste modo, as pessoas imaginam que questões relacionadas a capacidade de fala humana não precisam ser condizentes com os interesses delas.

Diz o ditado que: “quem fala o que quer, ouve o que não quer”. O problema é que atualmente quase ninguém fala e consequentemente quase ninguém ouve e assim também quase não se ensina e quase não se aprende, porque falar, além de difícil, é perigoso é vexatório para muitos. Tem gente que prefere ficar calado porque “quem fala muito acaba dizendo besteiras”; entretanto, é preciso lembrar que “quem cala, consente” e que se “em boca fechada, não entra mosquito”, certamente também não entra cultura.

Outras pessoas consideram que “essas coisas” linguísticas, terminológicas, gramaticais, semânticas e principalmente relacionadas à concordância são bastante complicadas e dão muito trabalho para serem organizadas. Assim, preferem desconsiderá-las descaradamente, sem nenhum constrangimento. Outras, ainda porque elas sabem que, de fato, elas não possuem base intelectual linguística para planejar e desenvolver tais feitos. Essas pessoas são conscientes de suas limitações e preferem ficar caladas por pura opção.

Ainda que todas as possibilidades citadas sejam terríveis, infelizmente a última, pelo menos na minha maneira de pensar, é a mais comprometedora, porque incide exatamente na possibilidade de pensar que a língua, além de não ser importante, não compromete a formação intelectual e mesmo construtora da comunicação entre os indivíduos. Tenho medo de imaginar a que ponto chegaríamos se todas as pessoas começassem a simplesmente não falar ou apenas dizer coisas sem noção e sem sentido. Ou seja, como se falar fosse simplesmente emitir sons e fazer barulhos sem nenhuma logicidade.

Os brasileiros precisam entender que o simples ato de falar, além de ser a nossa principal maneira de comunicação, também é um mecanismo fundamental para o crescimento intelectual e cultural do ser humano e isso precisa ser divulgado para que se aprenda e se procure conhecer cada vez mais corretamente a nossa língua oficial. É preciso que haja um investimento educacional sério para o uso cotidiano regular da língua portuguesa, tanto falada, quanto escrita.

Estamos vivendo um momento da história, em que a humanidade desenvolveu bastante a sua capacidade de comunicação e assim deveria se esperar que a comunicabilidade entre as pessoas fosse maior, melhor e sobretudo mais efetiva, porém, não é isso que se percebe. A comunicação está ficando mais fácil para os mais próximos e mais afins, por conta de outros códigos comunicativos, mas a comunicabilidade está ficando mais difícil entre os diferentes grupos, porque o entendimento tem piorado drástica e progressivamente.

As “tribos”, quase, só conseguem se comunicar nas próprias “tribos”, ou seja, entre si. Assim, as palavras são menores, as falas estão cada vez mais curtas, os assuntos mais restritos e exigindo menor conhecimento de tudo, inclusive e principalmente da língua pátria, do nosso bom e velho idioma português. Na linguagem escrita, as construções são muito pobres e repetitivas. As preocupações com a maneira correta de escrever inexistem. A concordância não tem mais nenhuma importância. Os acentos atualmente são objetos de luxo da língua, pois não costumam mais serem empregados. Assim, usa acento quem quer e geralmente usa errado.

Em outras palavras, estamos criando dialetos e determinando códigos e simbolismos, cada vez mais específicos e exclusivos de interesses dos grupos sociais específicos e, deste modo, mesmo com todas as facilidades atuais, temos diminuído muito a nossa verdadeira capacidade de comunicação. Embora isso soe mal e pareça muito estranho, é exatamente o que tem acontecido. A verdade é que estamos falando pouco, conversando pouco e consequentemente ouvindo pouco. E, por outro lado, também estamos lendo menos e escrevendo muito menos ainda.  

Por incrível que pareça, o português, que está oficialmente em 4 continentes da Terra, em 9 países e atualmente é a quinta língua mais falada no mundo, exatamente por conta do grande contingente populacional brasileiro. Como contrassenso, o português está morrendo principalmente aqui no Brasil. Agora criamos siglas para tudo e entenda quem quiser ou puder. O “internetês” também tem atuado para ampliar essa situação, mas quero deixar claro que o problema é bem maior e que as siglas e o “internetês” não são os únicos culpados.

Em suma, acredito que a Comunicação entre os diferentes grupos sociais humanos, pelo menos aqui no Brasil, está cada dia pior e isso precisa mudar. Cabe ressaltar que, embora existam várias espécies, onde os indivíduos têm a capacidade de se comunicar entre si, a possibilidade de falar, a imensa diversidade de sons produzidos, além dos diversos tipos de códigos e simbolismos na comunicação humana são fatores fundamentais que efetivamente demonstram nossa superioridade evolutiva em relação às demais espécies vivas.

Os seres humanos estão cada vez mais próximos dos objetos e das questões de seus interesses do que das demais pessoas. Quando eu digo isso, não me refiro apenas à proximidade espacial, mas também a proximidade parental efetiva, pois parece haver uma necessidade progressiva e perigosa de se envolver menos com as pessoas de outros grupos sociais. Esse fato, além ampliar o emburrecimento linguístico coletivo, também acaba por aumentar o egoísmo, o individualismo e o corporativismo, características que conduzem a outros males bem maiores e muito mais comprometedores à nossa espécie.

Estamos deixando de ser humanos e nos tornando quase objetos, talvez tipos especiais de máquinas. A tecnologia, que na sua raiz, veio para auxiliar os seres humanos na realização dos trabalhos, assumiu, por conta de outros interesses sociais, a função maior de orientar a vida da humanidade e isso está emburrecendo o homem. A humanidade está, cada vez mais, idiotizada e perdendo a capacidade de pensar, de falar, de escrever, de discutir, enfim de criar e de demonstrar os principais atributos da espécie humana. Somos diferentes das demais formas animais vivas, exatamente por conta desses atributos especiais que adquirimos ao longo da nossa evolução biológica e que estamos progressivamente perdendo. A capacidade de falar talvez seja o principal desses atributos

Passei 45 anos ministrando aulas e sempre me considerei um excelente professor, porque além de cumprir com responsabilidade, afinco e firmeza o meu trabalho no magistério, na pesquisa e na orientação de jovens, eu também sempre me preocupei em tratar bem os meus alunos, colegas e demais pessoas do convívio escolar e, além disso, em todos esses 45 anos, sempre fui de alguma maneira homenageado pelo meu trabalho, pelos meus alunos, ou pelos meus colegas de profissão, ou mesmo pelas instituições onde trabalhei. Ou seja, além de eu me achar competente, as pessoas à minha volta e diretamente ligadas ao meu trabalho, aparentemente também pensavam da mesma maneira.

Enfim, minha carreira como Professor e Pesquisador parece ter sido aquilo que costumamos chamar de sucesso e de minha parte, mesmo sendo suspeito por falar de mim mesmo, eu penso que foi um grande sucesso mesmo a minha carreira profissional. Entretanto, tenho observado que gente como eu e alguns outros “dinossauros” que ainda se encontram por aí, certamente serão totalmente extintos nos próximos anos. E aí, automaticamente eu me pergunto: o sucesso de minha carreira só serviu para mim? Se for assim mesmo, então minha carreira foi um verdadeiro fracasso e não um sucesso, porque, aquilo que eu sempre entendi como sucesso, na verdade nunca existiu.

Meus alunos, colegas e instituições foram meus camaradas ao me incentivarem e homenagearem, pois eles já imaginavam que eu era algo diferente, um ser estranho dos demais, porque eu argumentava e sabia sobre o que argumentava e ainda procurava esclarecer sobre aquilo que argumentava, usando a Língua Portuguesa. Pois então, esse tipo de pessoa preocupada em informar, orientar e sobretudo esclarecer e contextuar o assunto, no meu caso específico como professor, mas esse tipo de pessoa existe (existia) em qualquer profissão ou em qualquer área do saber, agora está em extinção, porque hoje é difícil encontrar alguém que ainda se expresse e se faça entender corretamente em bom Português.

Atualmente pessoas do tipo acima citado são verdadeiras raridades, pois são entidades diferentes da realidade sociológica que se propaga. A Sociedade hoje, investe pesadamente num padrão bastante diferente desse, onde o conhecimento, mormente linguístico, e tudo que ele produz de bom ao indivíduo humano não consiste mais numa característica essencial e importante dos indivíduos de nossa espécie, pelo menos aqui no Brasil. Não precisamos conhecer basicamente mais nada, basta apenas existir e sobreviver.

Pois então, como eu não concordo com essa vida insignificante e sem sentido da atualidade, que desprestigia o conhecimento e prioriza futilidades, eu tenho que confessar que estive tremendamente enganado ao longo de minha vida. Eu pensava que agradava com meus discursos e minhas preleções, onde, aparentemente, todos ficavam extremamente atentos, mas na verdade a maioria dos espectadores apenas escutava (se é que escutava mesmo) as minhas palavras e talvez imaginava algo sobre minha pessoa. Hoje eu sei que a grande maioria desses espectadores, nunca foram expectadores, porque nunca houve expectativa, pois de fato eles não me ouviam, eles apenas visualizavam a minha fala.

Na verdade, talvez, eles apenas admirassem a minha capacidade de colocar as palavras e demonstrar o meu conhecimento sobre um determinado assunto abordado, mas na mente deles, esse conhecimento, que era exclusivamente meu, constituía-se numa grande bobagem, porque o conhecimento para eles está no computador e infelizmente eles são incapazes de querer pensar de outra forma. Quer dizer, a atenção era resultante do espanto de ver que alguém é capaz de saber alguma coisa, às vezes, até muita coisa, independentemente da existência ou não do computador. Possivelmente, alguns nem imaginem, que quem criou as informações e colocou-as dentro do computador foram seres humanos como nós.

Para esse tipo de espectador, o “Tio Google” é um gênio, que nasceu sozinho, culto e inteligente e o “Tio Luiz” é um infeliz que estudou e trabalhou muito porque alguém impôs, ou porque ele queria ser melhor que os outros, ou porque não havia coisa melhor para fazer com o seu tempo, ou ainda porque não havia outra forma de ser, mas hoje tudo isso é dispensável e ninguém precisa obter conhecimento, porque o Google já tem toda a informação necessária. É lamentável, mas esta é uma triste realidade.

Pois então, o perigo reside exatamente nesse aspecto, ou seja, na coletividade acreditar que ter conhecimento é algo dispensável. Tem muita gente achando que, como a informação está no computador, ninguém mais precisa se preocupar mais com ela e muito menos em adquiri-la. Desta maneira, “adquirir conhecimento passou a ser uma grande perda de tempo, que não serve para nada”.

O resultado desse descalabro social é o desprezo pelo conhecimento e por qualquer atividade intelectual, principalmente linguística, e o consequente crescimento da bestialidade social, que só se importa com amenidades. Infelizmente a cultura linguística virou sinônimo de futilidade. Como já dizia o saudoso Sérgio Porto (“Stanislaw Ponte Preta”), no seu FEBEAPA (Festival de Besteiras que Assola o País), lá na década de 1960, os erros linguísticos são terríveis. Se os erros já eram terríveis e inadmissíveis naquela época, agora então, o que dizer?

Pois então, as coisas continuam piorando e as perspectivas estão cada vez mais desagradáveis e comprometedoras para a própria sociedade brasileira, que está intelectualmente e linguisticamente cada vez mais pobre. É claro que a língua é dinâmica e obviamente muda com o tempo. Porém, ao contrário do que está acontecendo, a língua, deveria crescer e mudar para melhor, se tornando mais rica com o tempo e essa sua diversidade crescente deveria ser algo natural e inspirador. 

Entretanto, o que se tem, tristemente, observado é uma redução da diversidade língua e da capacidade de comunicação falada e escrita no idioma pátrio. Isto é, a língua portuguesa está cada vez mais pobre, mais generalizada (vulgarizada) e pouco falada e menos escrita ainda. Na verdade, aqui no Brasil hoje, se fala um tipo de “idioma” que consiste numa mistureba de gírias ilógicas, incrementada por palavras de outros idiomas, principalmente o Inglês, que gera uma coisa terrível e quase ininteligível para algumas pessoas, principalmente aquelas mais velhas.

E vejam que eu não estou nem me referindo a essa questão de acabar com o conceito linguístico do gênero das palavras e outros absurdos que estão sendo propostos por alguns analfabetos funcionais, manuseados por outros interesses e envolvidos com outras questões sob o comando de quem quer que seja. Enfim, a bestialidade só aumenta, o país claudica, a nação emburrece e a Língua Portuguesa, lamentavelmente, acaba sendo, quem mais sofre e o que menos importa a todos.

Por outro lado, ainda cabe dizer que essa linguagem diferente e estranha é um “idioma” progressivamente mais bagunçado e sem sentido, que esconde e nega a verdadeira língua portuguesa, além de deformar as demais línguas envolvidas, com criação de termos totalmente incongruentes e teratológicos. Por exemplo, aqui no Brasil se estraga o português e o inglês ao mesmo tempo, quando se cria uma palavra como “X burguer”, porque, ao menos no sanduiche, o cheese do queijo em inglês já virou “X” no português e assim, tem gente comendo sanduiche de” X com hamburguer”, pensando que é queijo com hamburguer.

Eu sinceramente acredito que deveria existir um certo limite para tanto absurdo linguístico e entendo que a própria sociedade deveria se unir no sentido de dar um basta nesta situação que não agrega nenhuma valor à nação brasileira. Ao contrário isso leva a uma situação lamentável e vexatória, que apenas demonstra o quanto a sociedade brasileira ainda está longe de entender os valores nacionais primários.

Franz Kafka, um cidadão da República Tcheca afirma que: “a única coisa que temos que respeitar, porque ela nos une, é a língua”; “Fernando Pessoa, um cidadão Português, disse que: “minha pátria é minha língua”, aquela mesma língua que Olavo Bilac, um cidadão brasileiro chamou de: “a última flor do Lácio”, inculta e bela” e afirmou que: “a pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo”.

Pois é, foi nessa mesma língua portuguesa que Rui Barbosa se tornou o “Águia de Haia” e afirmou que: “a palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”. Infelizmente, na atualidade, grande parte dos brasileiros não consegue perceber os grandes significados contidos em cada uma dessas curtas sentenças e assim destroem propositalmente o nosso querido idioma pátrio e agem para que o país siga seu rumo sempre atrás de outras nações.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista. É Membro da Academia Caçapavense de Letras (ACL), da Academia de Letras de Lorena (ALL) e da Academia Rotária de Letras do Vale do Paraíba (ABROL-Vale do Paraíba)

25 abr 2022
O Emburrecimento da Humanidade e a Falta de Juízo Rumo ao Fim do Mundo

O Emburrecimento da Humanidade e a Falta de Juízo Rumo ao Fim do Mundo

Resumo: Neste artigo estou procurando chamar a atenção da sociedade sobre a fragilidade e a desvalorização da vida humana na atualidade. Tento demonstrar que a humanidade se perdeu e que a vida humana passou a ser mera contingência da existência e não faz nenhum sentido. A vida se resume unicamente a trabalhar e continuar vivendo à espera da morte. 


Atualmente ter algum conhecimento acima da média, embora ainda não seja considerado crime e nem pecado, certamente já é algo desinteressante ou, pelo menos, pouco desestimulante e constrangedor. Se você demonstra que sabe alguma coisa numa determinada área já lhe tacham como um sujeito presunçoso, que pensa ser uma “enciclopédia ambulante”. Hoje saber sobre algo não parece ser uma coisa boa. E como foi que chegamos nesse lamentável nível?

Bem existem várias maneiras de tentar explicar a questão, mas vou ser bastante direto e resumir tudo numa única frase. Hoje, o que vale é a capacidade que o indivíduo tem de fazer alguma coisa. Não importa quem ou o que seja ele, desde que ele se disponha a assumir uma determinada tarefa, com o sem conhecimento, ele tem utilidade à sociedade. Na verdade, sempre foi assim, mas antes, se colocavam níveis de diversidade e esses níveis eram baseados no conhecimento. Hoje, o conhecimento é o que menos importa.

Assim, se o indivíduo faz alguma coisa. Não precisa saber exatamente o que é essa coisa, basta fazê-la, que esse indivíduo terá o seu espaço como ator social garantido. Se o espaço é bom ou ruim é outra questão, mas existe a garantia desse espaço. É tudo muito simples, mecânico e automático. Se faz serve e se pensa não serve. Por conta disso, temos presenciado um progressivo emburrecimento intelectual coletivo da humanidade. Pior é que tem muita gente acreditando que esse é um bom negócio.

As escolas, principalmente as Instituições de Ensino Superior – IES, deixaram de ser centros formadores de pessoas e passaram a ser “grande linhas de montagens de robôs”. Estudantes viraram autômatos ou simulacros de seres humanos. Os simples e importantíssimos atos de pensar e refletir não tem mais sentido e nem significância na escola e muito menos nas diferentes atividades das vidas humanas, mormente a partir da Pandemia do COVID 19.

Acabaram a poesia, o belo, o amor e o lirismo. Agora é na base do “fazejamento” sem entendimento. Se até existe planejamento da ação, esse planejamento se apoia no para quê e no como, mas não considera importante o porquê e nem considera saber ou se preocupar com ele. O conhecimento perdeu a importância e o sujeito culto em alguma área chega quase a ser pecaminoso, além de chato e acaba ficando numa situação vexatória.

Há uma total inversão de valores. Assim, se o sujeito faz alguma coisa ele já é bom, mas se esse sujeito é apenas bom, então ele não presta, porque não serve à sociedade. É como se servir à sociedade fosse apenas fazer algo concreto para ela, como prestar um favor qualquer. O fazer simplesmente superou o ser, que já havia sido superado também pelo ter. Em suma a pessoa hoje está em terceiro lugar, depois da coisa e do custo. Que espécie de homem estamos produzindo? Que sociedade construímos?

A vida humana perde importância e cada vez mais o ser humano conhece menos de outro ser humano. Não existe fraternidade efetiva entre os seres humanos. Ou seja, a humanidade caminha a passos largos para o fim, nesse mundo estranho e desconexo que estamos estabelecendo. A lógica do mundo atual diz, mais ou menos, assim: “o novo (moderno e tecnológico) tudo pode e faz, enquanto o velho (antigo e detalhado) que se dane, porque só faz o que pode, sem transcender a lógica do conhecimento”.

Ora, quem vai contar a história que está dentro do computador? Alguns dirão: o próprio computador, mas isso é falso, porque o computador apenas guarda a informação. O computador não fala e não questiona, ao contrário, ele só responde às perguntas. Alguém já disse, responder é fácil, difícil é fazer perguntas. Pois então, ficarão faltando as perguntas, porque os novos não pensam e certamente isso não é uma incapacidade ou um defeito natural, é apenas um modismo, um mal jeito da nossa sociedade deturpada, que deu ao jovem muito poder, antes de lhe cobrar qualquer dever. É sabido que o excesso de liberdade traz preguiça, ociosidade e libertinagem. Onde vamos parar?

A vida humana atual, se resume em “trabalhar” (produzir) e “brincar” (divertir). Não há mais reflexão e nem contemplação. A felicidade tão sonhada pelos “velhos” é apenas mais um produto que sai da linha de montagem e que se consome muito rapidamente. Sonhos são violências mentais que precisam ser reprimidos, numa realidade sempre mentirosa de que a imagem da pessoa é sempre mais que a própria pessoa. A coisa que eu faço (represento) é mais importante que aquilo que eu sou, isto é, o personagem suplanta a pessoa do ator.

Aliás, cumpre lembrar, imagem é tudo nessa sociedade fotográfica, cinematográfica e visual que hoje vivemos. Não importa a canalhice, pois o importante é manter a boa imagem. Ninguém quer efetivamente saber de nada, além daquilo que possa lhe trazer alguma vantagem mercantil imediata e ilusória. O ser humano virou migalha do egoísmo e trabalha ativamente para que essa migalha vire pó e que desapareça no ar como fumaça. O ser humano está cada vez mais estranho e menos humano.

Desde que o sujeito faça alguma coisa “útil” para si próprio e para o seu grupo de interesse, ele pode tudo. Ninguém precisa e nem deve pensar e refletir sobre a sociedade atual, basta fazer e continuar sempre fazendo aquilo que lhe mantém na condição, de acordo com os interesses próximos. Já viramos máquinas de traquinagem e embustice há muito tempo.

O maior problema é que a educação e os educadores também estão nessa situação de picaretas de plantão ao desserviço da sociedade, alguns por descrédito, outros por conivência e outros ainda por isonomia ou por quaisquer ideais sociais infelizes e impraticáveis dentro da condição fraterna que deveria existir entre seres humanos. Infelizmente, a escola, mormente as IESs, como já foi dito, mas que precisa ser ressaltado, está progressivamente deixando de preparar seres humanos (pessoas) e ninguém quer perceber esse fato.

Uma máscara imaginária cobriu o rosto de todos e a capa do super-homem fez com que o ser humano ligado à educação, queira ser apenas um super-herói de si mesmo, sem caráter e sem causa social comum. Ou seja, e escola hoje é um arremedo do herói que historicamente foi e que deveria continuar sendo. A escola deveria ser a fonte de resistência da boa conduta social e não o avesso disso, como tem acontecido ultimamente.

Muitas escolas viraram balcões de negócios para alguns e espaços de arbitrariedades para outros, quando deveriam ser centros de prosperidade e integridade para todos. Voluntarismo, benemerência, filantropia, que foram palavras costumeiras nas escolas, hoje, salvo raras e insignes exceções, só são encontradas nos dicionários, que ninguém mais lê e quando lê se assusta, porque não conseguem conceber os seus significados. Onde vamos parar?

Nesse exato momento, vivemos numa Pandemia, onde milhões de pessoas já morreram pelo mundo afora, mas a grande maioria dos “seres humanos” não está nem aí e continua brincando com a vida e com a sociedade, como se tudo fosse muito simples e burlescamente divertido. O natural se confunde com a vulgar e o trivial com o ordinário. Nesse mundo da imagem fotográfica, a vida humana é apenas um mero detalhe perdido na história, onde o que vale é a artificialidade e a necessidade de aparecer sempre mais, para agradar o ego e a alguns afetos e interessados.

Os poderosos brincam com a população que se deleita ou se perde em falsas notícias de soluções mágicas e muito duvidosas. Como consolo, muitos ainda dizem, para reforçar a crença, “tudo bem, a vida é assim mesmo e se eu não morrer, chego lá”. Mas, onde fica lá? Isso ninguém sabe e nem explica! Na verdade, não existe projeto, nem rumo de viagem e muito menos existe o porto de chegada.

Não há esperança, além do não morrer ou do morrer mais tarde possível. Viver é uma simples questão cotidiana ilógica e impensada desse ser humano indolente e cada vez mais frio e menos humano. A realidade mais dolorosa já não causa dor nenhuma, nesse infeliz e aí ele diz: “amanhã, se eu ainda estiver vivo e tiver condições, vou pensar em fazer alguma coisa pela sociedade, mas hoje eu só quero trabalhar, ganhar dinheiro e me divertir”. É triste, mas esse ser existe e ele é fisicamente semelhante a qualquer outro ser humano. Entretanto, falta-lhe exatamente a humanidade. Não há nenhum projeto, além do hoje e do agora.

Que os “velhos” pudessem pensar assim, eu, mesmo não concordando, até entenderia, porque a maioria deles já viveu bastante. Esses “velhos” já fizeram suas histórias, contaram outras e certamente já deram a sua colaboração à sociedade de várias maneiras. Mas, os “jovens” necessitam agir de maneira diferente. No entanto, são exatamente os “jovens” que estão agindo como “velhos” nesse mundo incoerente e insano que só emburrece e se torna insistentemente mais desumano.

São “jovens” que estão destinados a permanecer nesse mundo sem história e sem sentido. Ou melhor, são “jovens”, que embora conheçam as escolas, estão totalmente desorientados na vida e cujo único objetivo é o próprio umbigo, ou, quando muito algum umbigo próximo e comum. Todos esqueceram e apagaram o que já existe e criam outra realidade a partir do nada, como se o passado, mesmo o deles, nunca tivesse existido. Entendem o futuro como uma simples continuidade contingencial do presente, que não precisa de nenhuma programação.

Não há sonhos e nem planos, existe apenas conformidade de que tudo vai acabar mesmo, dentro de um niilismo tão profundo que assustaria o próprio Nietzsche. Então, para esses “jovens” não há nenhuma coerência e nem faz sentido pensar no bem, pois a morte é certamente o único sentido da vida. E Deus e a religiosidade, onde ficam nessa história? Infelizmente, Deus também é só mais um detalhe insignificante e quase desprezível para a grande maioria.

Nem Deus e nem as religiões têm conseguido mudar o caos, haja vista que mesmo nessas questões religiosas, apenas dois lados atuam significativamente: os fanáticos e os descrentes, que agem de maneira a manter a condição imperante. Por outro lado, a grande maioria, que transita entre os dois extremos citados, simplesmente não se envolve, possivelmente, porque em algum momento da história, alguém disse: “religião não se discute”. Os “jovens” estão perdidos e ainda não sabem, porque eles acreditam piamente que estão bem, permanecendo longe da discussão religiosa.

Meus amigos, como eu já disse, aparentemente estamos caminhando para o fim e voltando ao caos. Quer dizer, está parecendo que o juízo final será semelhante ao caos inicial. A pandemia do COVID 19 resplandeceu a ironia de Voltaire e todo mundo está podendo dizer e fazer o que quiser numa desordem generalizada. O mundo emburrece, muita gente diz coisas, mas ninguém está fazendo realmente nada para mudar esse quadro lamentável. Ou a humanidade reencontra o fio da história e começa a agir em prol da recuperação dos verdadeiros valores humanos ou o juízo final está mais próximo do que muitos podem pensar.

LUIZ EDUARDO CORRÊA LIMA (66) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista

21 jan 2022
A Situação Atual da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul

A Situação Atual da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul

Resumo: Neste artigo o autor apresenta uma pequena viagem histórica, sobre os 400 anos de ocupação da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, sua consequente degradação e chama a atenção para a necessidade dos cuidados que visam permitir a garantia de água para a gerações atuais e futuras na região.


(Texto base para a Palestra Proferida no Rotary Club do Rio de Janeiro)

Era uma vez um Rio, que nascia no topo de uma serra (Serra do Mar), no município de Areias/SP, com o nome de Rio Paraitinga, a menos de 100 quilômetros do Oceano Atlântico e que, um pouco mais à frente, ainda nessa mesma serra, se encontrava com outro, o Rio Paraibuna, e assim se formava o Rio Paraíba do Sul. Ele segue, descendo esta serra, em sentido Sudoeste, até esbarrar num maciço rochoso intransponível de outra Serra, (Serra da Mantiqueira) e assim é obrigado a mudar de rumo passando a se dirigir para o norte.

A partir daí, em sua caminhada, este rio atravessa toda região do Vale do Paraíba Paulista, adentra o estado do Rio de Janeiro e segue entre essas duas serras, recebendo contribuição de alguns afluentes, margeando o estado de Minas Gerais, até transpor de vez no Rio de Janeiro e seguir em direção sudeste até o Oceano Atlântico, alcançando a praia de Atafona, no município de São João da Barra. Desde seu surgimento até o encontro com o oceano, este rio segue um percurso total de aproximadamente 1.150 quilômetros e sua bacia hidrográfica abrange uma área total com mais de 55 000 Km².

Pois então, no início este rio só conhecia a água que conduzia e as espécies vivas que havia dentro dessa massa de água, além, é claro, das margens que se ampliavam ou diminuíam, de acordo com a quantidade maior ou menor de água que existia, em função das chuvas. Seu entorno era basicamente uma floresta de galeria (mata ciliar) e alguns poucos animais que chegavam às suas margens e obviamente os poucos humanos nativos, os Puris, que já existiam na região.

Por volta de 1560, esse cenário começa a se modificar, com a chegada, ainda escassa e pouco significativa do homem branco. Entretanto, no início do século XVII (1620), essa calmaria se transforma progressiva e rapidamente, porque a presença do homem branco é cada vez maior e suas atividades, a princípio apenas agrícolas e mineradoras de subsistência. Depois o comércio se intensifica, as populações crescem, ampliando as vilas e as cidades que surgem e crescem cada vez mais. Porém, o cenário segue ainda pacato e bucólico.

Passam o ciclo da cana e a rota do ouro e aí, pouco depois de 1800, vem o café, o “ouro verde”. Nesse momento a fisionomia da região se transforma grandemente e o rio Paraíba do Sul, rapidamente também começa a mudar significativamente, porque tudo o que sobra, isto é, todo o resíduo vai diretamente parar em suas águas, que, nessas alturas, já não são tão limpas e vão ficando pior.

Nessa época os empregos eram quase todos agropastoris, e depois de 1880 a ferrovia assumiu alguns trabalhadores e as olarias, as tecelagens, as fábricas de pólvora e os pequenos comércios mealhavam outros. Depois de 1920 o café, que já vinha em declínio, desde 1880, praticamente acabou. Os ricos ou foram embora ou ficaram pobres e os pobres ou morreram ou ficaram miseráveis.

Os negros, não mais escravizados, desde 1888, com a Lei Aurea e sim trabalhadores reforçados pela República em 1889 e a Constituição de 1891, agora não tinham mais empregos, porque o café que ocupava quase toda a mão de obra não existia mais e os demais empregos eram muito raros. Deste modo, as cidades entraram em declínio, a ponto do célebre escritor Monteiro Lobato denominar um grupo delas, localizadas no chamado fundo do vale, de “Cidades Mortas”, haja vista que decresceram grandemente. Em, 1870, por exemplo, a cidade de Silveiras tinha 25.000 e hoje apenas 6.500.

Novas tentativas surgiram, a partir de 1925 veio a exploração do gado leiteiro, num solo pobre por conta do uso excessivo na monocultura do café, e aí esse solo não aguentou com o pisoteio do gado, produzindo algumas pequenas manchas desérticas na região, que até hoje são visíveis. Veio o “crash” (quebra) da bolsa de Nova Iorque (1929) e partir de 1940, iniciou-se o período de Industrialização da região do Vale do Paraíba e daí para frente a Bacia do Paraíba do Sul passa por transformações drásticas e continuas que se sucedem até hoje.

Vou citar, algumas das coisas que aconteceram ao longo desse período, sem nenhuma preocupação com as consequências para o Rio Paraíba do Sul e toda área da Bacia. A Guerra Paulista ou Revolução Constitucionalista (1932) e a consequente implantação da AMAN (1944) em Resende, o que desenvolveu a instalação de uma série de quartéis na região e o incremento da poluição bélica na região, com inúmeras fábricas de armamentos. Ocorreu a implantação de CSN (1946) e os inúmeros represamentos para garantir energia para a megaempresa. Depois vieram as implantações de diques e a retificação do curso natural do Rio Paraíba do Sul (1949); a implantação do CTA (1949), a Transposição para o Rio de Janeiro (1953) e a represa do Ribeirão das Lajes.

Também houve a opção pelas rodovias (“Governar e construir Estradas” – Washington Luiz- 1928) e a vinda da Estrada Rio – São Paulo (1928) e a Rodovia Presidente Dutra (1951) e atrás delas as grandes empresas montadoras de automóveis GM (1959), da FORD (1974) e da VOLKS (1976) e recentemente inúmeras outras. Enquanto a Europa rica, andava de trem, o Brasil pobre investiu em carros. Aconteceu a criação da Petrobrás (1953) e das Refinarias REDUC (1961) e REVAP (1980); a criação da EMBRAER (1969) e suas inúmeras subsidiárias.

Para garantir a água e a energia e ainda para controlar as enchentes houve a formação e a implantação dos reservatórios de Santa Branca (1958), de Funil (1969), de Paraibuna (1970), do Jaguari (1981), inúmeras indústrias Químicas entre 1950 e 1970, a implantação das Indústrias Nucleares do Brasil – INB (1988) e várias outras coisas, todas extremamente comprometedoras da qualidade do meio ambiente e da água da Bacia. Cabe lembrar ainda que nesse período também houve a segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), que, embora longe, do outro lado do atlântico, dificultou mais ainda o que já não ia bem por aqui.

Com isso, a poluição hídrica industrial e orgânica passou a crescer exponencialmente, houve aumento da necessidade progressiva de energia elétrica, as populações das cidades que já estavam dentro das várzeas do Rio Paraíba do Sul e outros rios menores cresceram muito e as manchas urbanas ficaram imensas e com conurbação em vários trechos. Cabe lembrar, que, além disso, a partir de 1990 ainda vieram implantação da monocultura do eucalipto, a instalação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (2009), a fatídica transposição para São Paulo (2015) e mais uma série de coisas não muito bem explicadas.

Que fique claro que muitas dessas ações, obras e empresas foram necessárias, porque muitas delas foram e são efetivamente essenciais ao desenvolvimento da região. Assim, aqui não vai simplesmente crítica a existência delas, mas sim a falta total de critérios e o desrespeito ambiental ao longo de suas respectivas implantações e mesmo de alguns de seus processos operacionais que acontecem até hoje. Como, por exemplo, cabe citar as várias tentativas de implantação de Mega termelétricas no Vale do Paraíba.

É claro que também aconteceram coisas boas, a criação dos Parques Nacionais do Itatiaia (1937) e da Bocaina (1971) e finalmente depois da década de 1990 alguns projetos de recuperação florestal, a implantação legal do licenciamento ambiental, mas que lamentavelmente ainda ocorre à “meia boca” em muitos casos. Vieram as Leis ambientais e a lei da água em 1997, além de algumas práticas de produção mais limpa e de controle da poluição pelas indústrias e ainda as instalações de Estações de Tratamento de Água – ETAs e Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs, também por algumas empresas estaduais ou municipais da região.

Ou seja, dos 400 anos dessa história, apenas nos últimos 30 anos, passamos a estar efetivamente mais preocupados com a qualidade ambiental da região e com a água que ela nos fornece. Há de se convir, que ainda é muito pouco e necessitamos fazer mais, para garantir nossa manutenção e das gerações futuras. A Sustentabilidade não pode ser apenas um modismo, ela tem que ser um compromisso da sociedade e um mecanismo efetivo e eficaz, do qual todos temos que tomar parte.

Enfim, aquela região que outrora era bucólica banhada por aquele rio que era calmo e sereno, cheio de meandros, de velocidade bastante baixa, o que fazia com que as águas subissem muito na época das cheias e inundassem grandes áreas marginais e enriquecesse as várzeas de nutrientes se transformou totalmente. Assim, agora, depois da retificação e do crescimento das cidades e das diversas atividades sem nenhum critério ambiental, ele está poluído, corre rápido e suas cheias são complicadas e trazem doenças, situações calamitosas e outros grandes problemas, tanto nas cheias, quanto nas baixas (crise hídrica). 

Em suma, o Rio Paraíba do Sul, certamente não é mais aquele rio do início da história, hoje ele é outro rio e sua bacia também está muito diferente daquela que existia. Pois então, em pouco mais de 400 anos, nós humanos mudamos quase tudo e nos esquecemos do Rio e de sua Bacia Hidrográfica, que nos alimentam e nos mantêm, pois são fonte de toda água que tanto necessitamos e que, já faz algum tempo, começamos a ter carência. A cada dia que passa essa carência só aumenta e nós continuamos seguindo despreocupadamente como se nada estivesse acontecendo.

Entretanto, nós temos que responder a quatro perguntas simples e fundamentais:

1 – Qual a real situação atual da Bacia?

A Bacia está comprometida, sua segurança hídrica está ameaçada e ela tem que atender o segunda maior concentração humana e o segundo maior parque industrial do país. As Nascentes que geram a água estão secando, o Desmatamento e desbarrancamento das margens e o Assoreamento dos rios, as Cidades dentro dos Rios e Inundações cada vez maiores, a Poluição química industrial está relativamente controlada, mas existe, a poluição química por agrotóxicos e a poluição orgânica chegam a níveis absurdos (falta de tratamento de água e de esgoto). Muito Veneno nas águas, muita gente e muitos usos e pouca água. A conta acaba sendo sempre negativa aos interesses da própria Bacia Hidrográfica e obviamente para quem depende dela, ou seja, todos nós. 

2 – É essa situação que nós queremos?

Se a resposta for sim, então tudo bem, sigamos a caravana para ver onde vamos chegar. Mas, se a resposta for não, então temos que responder a outras perguntas:

3 – Então, já que não queremos o que temos, como devemos proceder para mudar?

Cuidar, essa é a palavra, o verbo, a ação que deve prevalecer antes de qualquer outra no que tange a água da região.  Nossa responsabilidade é proteger e recuperar nascentes, restaurar áreas florestadas, implantar estações de tratamento, desenvolver novas tecnologias industriais (reuso), priorizar as águas para o abastecimento humano conforme está na lei e não permitir usos duvidosos e muito menos indevidos. É claro que todas essas ações envolvem, antes de qualquer coisa, vontade política e governança.

4 – Quais são as nossas perspectivas futuras?

Ou fazemos o dever de casa e cuidamos da Bacia ou não teremos alternativas na região, porque não temos de onde retirar água, a não ser que se invista em grandes projetos de dessalinização, o que é um absurdo num país como o Brasil, que tem o maior contingente de água continental do planeta (13%).

O Brasil tem muita água no Norte, mas o Sudeste e a cidade do Rio de Janeiro, em especial, não tem, porque não tem grandes rios: a cidade, embora esteja fora de sua abrangência, depende das águas da Bacia do Paraíba do Sul. São Paulo, por sua vez, tem rios caudalosos e muita água, mas hoje é o segundo estado mais carente de água do país, porque é o que mais usa e necessita de água. Temos que cuidar desse recurso natural sempre, tendo ou não tendo ele em quantidade.

Para concluir, é preciso lembrar que sem água não existe vida, principalmente vida humana que, além de tudo, depende de um tipo de água especial (a água potável). O Rotary International como entidade humanitária e preocupada com o Meio Ambiente, a Sustentabilidade e a qualidade de vida, tem que ser agente efetivo na cobrança das políticas públicas e, quando possível, no apoio à produção de mecanismos que visem minimizar a degradação ambiental da região e em particular, aqueles mecanismos e ações que garantam a água em quantidade e de qualidade para toda a população.

Bem, essa era a história que eu tinha para contar e agora penso que devamos discutir sobre ela.

Muito obrigado pela atenção.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

Palestra Virtual (Plataforma ZOOM) no Rotary Club do Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 2022

10 jan 2022
100.000 visualizações

Agradecendo 100.000 visualizações

Resumo: Amigos, meu “blog” (www.profluizeduardo.com.br)  atingiu as marcas de 100.000 VISUALIZAÇÕES E 75.000 SESSÕES e 65.000 USUÁRIOS. Muito obrigado a todos!


Meus amigos, após logos 7 anos e 5 meses (89 meses), meu “blog” (www.profluizeduardo.com.br)  finalmente atingiu a significativa e impressionante marca histórica de 100.000 (CEM MIL) VISUALIZAÇÕES E MAIS DE 75.000 (SETENTA E CINCO MIL SESSÕES) e 65.000 (SESSENTA E CINCO MIL) USUÁRIOS e obviamente, eu só tenho a agradecer aos usuários e leitores conhecidos e a grande maioria dos desconhecidos, que me permitiram alcançar tão considerável marca.

Hoje, lá estão publicados 160 textos de minha autoria, muitos dos quais também publicados em outros locais e meios (eletrônicos e impressos). Até aqui mantive uma média geral de mais de 1.123 visualizações por mês, mas certamente, se considerar apenas os três últimos anos a média está acima de 1.250 por mês e tem crescido bastante nos últimos tempos. Além disso, o “blog” recebe um público de 75% de leitores efetivos e quase 87% dos 65.000 usuários que visitaram o “blog”, certamente leram algum texto. 

Se for considerar todas as leituras de meus artigos em “sites”, “blogs” e periódicos impressos, certamente, há muito tempo já passei das 500.000 mil leituras. Só no Portal do Recanto das Letras, onde publiquei 114 artigos e um “E-book”, desde agosto de 2008 até julho de 2014 (quando comecei meu “blog), tenho mais de 284.000 (duzentas e oitenta e quatro mil) leituras. Há, inclusive, um texto com mais de 88.500 (oitenta e oito mil e quinhentas) leituras e outros também na casa das dezenas de milhares de leituras e ainda outros tantos na casa dos milhares.

Então, embora eu não seja um grande “blogger”, nem tenha pretensão de ser um bloguista famoso, quero apenas ser um blogueiro que trata seu “blog” como um local de informação e opinião. Além de amigos e prazer pessoal, nunca ganhei absolutamente nada, do ponto de vista econômico, com meu “blog” ou com minhas outras publicações. Além disso, não escrevo textos pequenos e vazios, para serem lidos por muitos, ao contrário, escrevo textos grandes e repletos de informação, o que acaba sendo “chato” para muita gente.

Não, definitivamente meu “blog” não é para me promover e muito menos para me enriquecer, ele apenas pretende ser um foro de discussão sobre assuntos de interesse. Graças a Deus, eu já passei dessa fase de investir na minha autopromoção apenas para ganhar dinheiro há muito tempo. É claro que quero ser lido, mas não compro leitores e nem vendo informações, continuo sendo um sujeito que gosta de escrever, além de Cientista (Biólogo) que quer aprender mais sobre as coisas e um Professor que quer dividir o conhecimento que pode adquirir ao longo de mais de 45 anos de exercício da pesquisa e do magistério.

Meu “blog” tem sido somente para aqueles que querem informação e conhecimento sobre determinados assuntos que escrevo, principalmente Biologia, Ciência, Educação, Ensino e Meio Ambiente e ainda, que querem conversar sobre esses assuntos. Deste modo, logicamente não posso me comparar com os bloguistas que estão na casa dos milhões de visitas, mas estou extremamente satisfeito com os resultados que tenho conseguido até aqui.

Assim, quero dizer que vou continuar com meu trabalho de produzir textos e mais uma vez, quero agradecer aos usuários e leitores, além convidá-los a continuar apoiando esse pequeno, mas significativo trabalho que tenho desenvolvido. Minha busca continua sendo aprender e informar pessoas e manifestar minhas opiniões sobre determinadas questões cotidianas que, a meu ver, necessitam ser mais bem discutidas por toda a sociedade, para que a humanidade e particularmente o Brasil possa ser melhor no futuro.

Para encerrar, quero dizer que continuo contando com a colaboração dos leitores e por isso mesmo, solicito que continuem lendo, discutindo, compartilhando e divulgando os artigos que, de alguma maneira, acharem interessantes. Mais uma vez, muito obrigado a todos e sigamos no caminho para os duzentos mil.

Prof. Luiz Eduardo Corrêa Lima