Ética, Comportamento Humano, Valores Humanos

A Inviabilidade de um Mundo Sem Ética

Resumo: Estou trazendo um texto para que possamos aproveitar o Dia Internacional da Ética e refletir um pouco sobre nossa postura como seres humanos. Faço um questionamento sobre as posturas, atividades e relações humanas que precisam ser trabalhadas para a garantia e sobrevivência de nossa espécie.


A data de 23 de fevereiro tem sido comemorada como sendo o “Dia Internacional da Ética”, desde 2016, portanto ela está completando 10 anos, neste ano. Para marcar esse primeiro decênio resolvi escrever este artigo a fim de que possamos refletir uma pouco mais sobre a situação do mundo e da importância da ética em todas a ações e relações humanas.

Num mundo sem ética, céu e inferno se integram no mesmo local, tocam na mesma tecla, discutindo nos mesmos momentos. Desta maneira, ocupam o mesmo espaço/tempo e se auto digladiam como num passatempo eletrônico inocente. O mundo sem ética, tristemente, consiste numa terapia ocupacional que visa, tão somente, manipular a maioria das pessoas e garantir a degradação humana. O mais desagradável é que a maioria dos seres humanos não percebe este fato e, indiretamente, muitos humanos trabalham ativamente na facilitação desse processo inescrupuloso.

No mundo sem ética, não importa mais nada, somente a discussão afiada, maldosa, inócua e insensata, que é capaz de cortar violentamente como navalha ou mesmo de degolar como uma guilhotina as relações humanas. O mundo sem ética não só evidencia o descaso de certos “humanos” com seus semelhantes, como manifesta oportunamente a crueldade humana que se estabeleceu.

Ou seja, não há bom tom, ou melhor, não há nem tom, quanto mais, bom. Tudo é conflito, confusão e interesse sem nenhum critério. Assim, o pensamento generalizado é: “quanto maior forem a intriga e o tumulto, tudo fica melhor”. Desta maneira, o mundo fica cada vez mais afastado da ética e dos valores humanos fundamentais.

O mundo sem ética, produz ações patéticas e sem nenhuma virtude estética e nem benevolência na prática da melhor vivência comum entre os humanos. A humanidade é o que menos importa ao “ser humano” aético, pois sua realidade é etérea, virtual, torta, indecente, egocêntrica e totalmente degradante para as verdadeiras necessidades da existência humana. O verdadeiro ser humano, no mínimo, tinha que ter respeito por outro ser humano, mas, por óbvio, não é isso que se propaga midiaticamente no mundo sem ética.

A felicidade e o bem comum são meras inutilidades, que estão se tornando coisas mortas no interesse coletivo. Apenas a aparência se manifesta com importância real e efetiva. Só a guerra, promovida pelos interesses fúteis de alguns, conforta os instintos grotescos e primitivos, pois a paz não é entendida como uma necessidade ética, sadia e nobre. Para muitos “seres humanos”, a paz é uma coisa fraca e pequena que atinge a mente dos idiotas e desocupados. Isto é, aqueles seres humanos verdadeiros, que ainda não possuem os ideais maléficos e destruidores que se distribuem nas comunidades e na sociedade como um todo.

O mundo sem ética é exatamente igual a um planeta qualquer, sem vida, ou um mundo que, mesmo possuindo vida, direta ou indiretamente, todos os seres vivos estão contra todos e não respeitam nem a própria casa (planeta), porque não existe interesse comum. Desta maneira, também não há nenhum bem comum. O egoísmo é sempre o principal predicado dos indivíduos aéticos que possam existir num mundo sem ética. No mundo sem ética, ser feliz é uma questão individual e não coletiva, que não satisfaz as necessidades do próprio mundo. Ou seja, a felicidade é uma questão pessoal e exclusiva. A regra é: “se eu sobreviver, os outros que se lasquem”.

O mundo sem ética carece de amor ou de qualquer sentimento fraternal e por isso, nesse tipo de mundo, a vida vai se acabando progressiva e continuamente, pois, a esperança segue morrendo de maneira sucessiva e contundente. O sofrer é uma regra e, o que é pior, uma regra onde não há exceção e assim, todos perdem, padecem e caminham para a morte compulsória e definitiva. Contudo, há quem ainda imagine que está “se dando bem”.

No mundo sem ética, o coração e o cérebro parecem não existir no ser humano, haja vista que o homem não pensa e nem sente. Quer dizer, o ser humano não age como ser humano, ele deixa de ser gente e se confunde com qualquer animal irracional.  No mundo sem ética tudo é ilusão, que fica e se intensifica na imaginação dos “gênios do mal”. A razão fica à margem de tudo e assim, não há solução coletiva para mais nada.

No mundo sem ética, o planeta é, apenas e tão somente, uma fonte de recursos e divisas que permite a sobrevivência e do qual podemos e devemos utilizar sem nenhuma preocupação e muito menos parcimônia. No mundo sem ética, o consumo e o lixo, que deveriam ser consequência das necessidades momentâneas dos seres humanos e por isso mesmo, também deveriam ser tratados com todo cuidado, precaução e interesse, na verdade, são meras contingências de quem está vivendo naquele momento e, por conta disso, não há nenhuma responsabilidade sobre as consequências das ações produzidas.

 Os seres viventes que vierem depois, se vierem, que procurem resolver seus problemas e cada um que aproveite o planeta como puder, a seu modo e vontade. Quer dizer, o mundo sem ética é um absurdo e um contrassenso, além de ser uma violência humanitária e planetária, pois não há respeito ao espaço físico planetário e a nenhum ser vivente, nem mesmo ao ser humano.

Voltemos à ética, para podermos voltar a possibilidade de viver bem. Aliás, ética é exatamente isso: ética é o bem coletivo.  Todavia, hoje, quem está realmente interessado nesse bem coletivo? Quem quer a ética de fato e direito? Pois então, a ausência de ética é “um tiro no pé”, ou melhor, “um tiro na cabeça” de cada um dos seres humanos, porque sem ética, toda a humanidade fica acéfala e acaba prejudicando o planeta e sendo prejudicada também.

Precisamos caminhar para a ética, indo muito além do mínimo necessário, mas, como seres humanos, estamos certos de que também devemos estar aquém do máximo especial e virtuoso, para continuarmos nossa caminhada sonhando e crescendo realmente. No mundo sem ética não há nada, nem realidade e nem sonho, pois tudo se constitui numa triste ilusão. Deste modo, a humanidade fica totalmente perdida na espera infundada de ter mais e vegeta na escuridão, manifestando um contrassenso insano, maltratando a própria humanidade sem remorso e sem perdão.

O mundo sem ética é o oposto das aptidões humanas é o corrompimento de todos os valores humanitários mais sublimes que deveriam nortear todas as ações da humanidade. Pois então, meus amigos, é drástico, não é? Contudo, este é o mundo que, infelizmente, estamos vivenciando. E o mais assustador de tudo, é que este mundo sem ética segue crescendo muito rapidamente.

Trocamos tanto os valores morais, que estamos caminhando muito rapidamente para o caos. Segundo dizem, no início do mundo era assim e só havia o caos e pelo que temos visto, parece no final deverá ser da mesma maneira. Há necessidade de acordarmos, antes do final da viagem ou nunca chagaremos a lugar nenhum e o caos se estabelecerá novamente.

Precisamos estar atentos e lembrar sempre, de que “a ética é um princípio que não pode ter fim”, como nos propõe o Companheiro Aroldo Araújo, desde 1986. Caso contrário, a extinção prematura da espécie humana e de inúmeras espécies vivas será a única consequência possível. Desta forma, temos que readequar o nosso rumo e necessitamos voltar a ter a ética como nosso eterno princípio.

Meus amigos, pensem seriamente nisso e, se ainda não fazem, comecem logo a colocar a ética como fundamento e prioridade em todas as ações. Ou será que nós já desistimos de viver e, por óbvio, já estamos, certamente, condizentes com o término de nosso tempo como espécie viva aqui na Terra?

Caçapava, 23 de fevereiro de 2026
Luiz Eduardo Corrêa Lima (70)

3 comentário(s)

  1. Olá mestre.
    Lembrando Agostinho: Ame e faze o que quiseres” (Ama et fac quod vis). Mas como é impossível amar a tudo e a todos inventou-se a Ética, um simulacro do amor.
    Pena que não conseguimos nem mesmo imitar o amor, e quando conseguimos ou é com intensidade pífia, ou coercitivamente, o que é incompetência, ou covardia de nossa parte.
    Mas pode ser que num futuro distante consigamos ao menos melhorar nossas relações e amarmos mais ou imitarmos melhor o amor.

    Saudações.

    Wilson Lara Junior

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    1. Meu caro Larinha, a ética é exatamente isso que você falou, um simulacro de amor, contudo, hoje a humanidade não está conseguindo nem imitar o amor. Infelizmente, está faltando humanidade ao ser humano e assim, perdemos a consciência de nossa condição humana. A retomada de posturas éticas, talvez, sejam a melhor forma de tentarmos reencontrar a humanidade perdida e que sabe caminhar para o amor verdadeiro.
      Valeu, meu amigo.
      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Um abraço.
      Luiz Eduardo
      P.S. Nesta sxta-feira temos reunião.

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  2. Olá, Mestre.

    Recordo-me da máxima de Agostinho: “Ama et fac quod vis” (Ama e faze o que quiseres). Contudo, como nos é impossível amar a tudo e a todos, inventamos a Ética — esse simulacro do amor.
    Quem sabe, num futuro longínquo e imaginário, venhamos a amar mais e a desejar menos, afeto esse que, para tantos gigantes do pensamento, é o principal responsável pelas mazelas da existência e da convivência humana. Ao amar mais, poderemos, quiçá, mitigar as inconveniências tão bem lembradas em seu texto.

    Saudações, Wilson Lara Jr.

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