Tag: Educação Brasileira

21 dez 2022

PONTO DE VISTA: PREMISSAS BÁSICAS À EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Resumo: Nesse artigo apresento meu pensamento particular sobre o que acredito que deve acontecer para começarmos a resolver a questão educacional brasileira. Pode ser muita loucura, mas penso que seja a única solução possível para sairmos do histórico marasmo educacional em que nos encontramos.


INTRODUÇÃO

Nos últimos tempos, temos visto que a educação tem se deteriorado numa velocidade crescente e mesmo com a gritaria contrária de alguns profissionais que atuam na área, entre os quais eu tenho que me incluir, nada tem acontecido que pareça efetivamente querer mudar essa triste situação. Deste modo, o país segue batendo recordes de piores índices educacionais no mundo. Todavia, muito pior do que os recordes negativos é a certeza de eles são verdadeiros e que estamos caminhando contra os interesses da humanidade, porque estamos progressivamente regredindo a qualidade educacional de nossa gente.

Dito isso, quero ainda me manifestar sobre o fato de que essa verdade infeliz é muito mais desagradável do que possa parecer, pois não se trata apenas de não melhorar a educação, mas sim de progressivamente piorar nossa triste realidade educacional com a anuência de toda sociedade. A escola brasileira tem regredido a passos largos e isso não é um problema apenas governamental, pois a maior parte da sociedade também aparenta estar satisfeita com a situação, haja vista que poucos reclamam do continuo “status quo” de decadência da educação. Ou, se não está satisfeita, a sociedade também não se sente incomodada, porque existe um silencio coletivo e preocupante, além de uma indiferença quase unanime sobre esse assunto.

Desta maneira, como quase ninguém se manifesta verdadeira e efetivamente contra esse descalabro e os poucos que reclamam acabam não sendo ouvidos, porque não há vontade política e nem envolvimento para que as coisas possam fluir melhor, a situação segue cada vez pior. Aqui no Brasil, tristemente a educação ainda é considerada como uma coisa pouco ou nada importante, perto de outras questões. Ser educado ainda é um diletantismo para a grande maioria da população. Essa é uma verdade histórica e lamentável de nosso país, que necessita ser mudada no interesse nacional.

Além dessa terrível constatação, nós temos criado alguns mecanismos que, se já não são bons, onde poderiam até ser úteis, acabam sendo bem piores, onde são efetivamente inúteis, porque gasta-se grande quantidade de dinheiro, perde-se tempo e muito trabalho para nada. O resultado é aquele que já conhecemos, meninos e meninas saindo do Ensino Fundamental não alfabetizados, rapazes e moças saindo do Ensino Médio sem noção de nada, ingressando nas Instituições de Ensino Superior sem nenhuma condição e saindo dessas instituições muitas vezes sem saber o que fazer com o “canudo” que lhes foi entregue, geralmente sem nenhum merecimento.

Meus amigos, essa situação é muito grave e nós sabemos que um país que quer ser vanguarda no cenário mundial, tem que ter a educação como sendo a principal via de transformação de sua sociedade. Depois de mais de 520 anos de história, já deveríamos estar cientes de que a educação é a característica mais importante de qualquer sociedade, que todas as demais questões são secundárias e que a resolução de qualquer problema social dependerá sempre do estágio de desenvolvimento da educação. Entretanto, ainda estamos longe de entender e muito menos de alcançar essa verdade. Infelizmente, como já foi dito, ainda há quem pense que educação seja um luxo, um simples diletantismo, que o povo brasileiro não precisa ter. O pior é que existem muitos políticos e administradores públicos que trabalham no sentido de reforçar esse absurdo.

Pois então, baseado nesses aspectos é que eu, mais uma vez, estou me atrevendo a “colocar o dedo na ferida” e novamente estou chamando a atenção da sociedade sobre a realidade educacional brasileira, sobre a necessidade premente de ações que propiciem mudanças do “status quo” e que possam gerar uma melhoria progressiva de nossa educação. Tomara que alguém me ouça e faça coro comigo nesta luta. Para orientar meu trabalho, vou me ater a quatro premissas que acredito sejam fundamentais para mudar a realidade educacional do Brasil.

Devo deixar claro que essas premissas são opiniões pessoais minhas e resultam apenas e tão somente de minha vivência e minhas observações ao longo de toda minha vida estudantil e de quase 50 anos de exercício do magistério. Talvez, as opiniões aqui emitidas possam não condizer absoluta e totalmente com as reais necessidades educacionais do país, mas tenho certeza de que essas opiniões estão muito próximas ao ideal que se precisa ter para o verdadeiro crescimento moral e intelectual da população brasileira.

AS QUATRO PREMISSAS

1 – Qualquer mecanismo que leve a possibilidade de aprendizagem sem entendimento não é educação, é um simples adestramento ou, quando muito, é um treinamento passivo que cria monstros humanos, fantoches manipulados, a serviço do interesse de algo, uma ideia por exemplo ou mesmo de alguém, outro ser humano, que muitas vezes é maldoso e infeliz. Há necessidade de acabar com esse modelo.

2 – É necessário combater essa maneira de “ensinamento” que existe no Brasil e que faz das pessoas (seres humanos), meros autômatos, que se satisfazem com uma simples instrução e com a possibilidade de repetir as ações consideradas. Considera-se que o intelecto do cidadão brasileiro não precisa existir, haja vista que ele tem apenas que repetir algumas tarefas para sobreviver. Certamente o ser humano tem que ser muito mais que isso.

3 –O ser humano tem que ser capaz de pensar e agir de acordo com suas próprias possibilidades, intenções e interesses, porque é isso que o torna efetivamente humano e o brasileiro não pode ser diferente dos demais seres humanos. Entretanto parece que há um conluio nessa direção retrógada, que visa manter a inferioridade do cidadão brasileiro em relação ao restante do mundo. A sociedade precisa reagir.

4 – Pensar (refletir sobre), discernir (escolher a opção) e concluir (definir a ação) são atitudes fundamentais que permitem a principal característica do ser humano que é a liberdade de intenção e de ação. Enquanto o conhecimento avança rapidamente no mundo inteiro, aqui no Brasil ainda continuamos caminhando lentamente com passos de tartaruga ou mesmo para trás como caranguejo. É preciso caminhar para frente.

OS ARGUMENTOS ESSENCIAIS

Além dessas quatro premissas, eu ainda quero me basear, no que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida em 10 de dezembro de 1948, diz, em seu artigo primeiro: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Pois então, eu acredito que a educação plena da coletividade faz parte desse espírito de fraternidade que deve existir entre todos os seres humanos.

O livre arbítrio, a escolha pela própria vontade, talvez seja a principal característica que permite separar o homem dos demais animais e, deste modo, consiste na única maneira de garantir que o homem assuma integralmente a sua humanidade e o seu direito verdadeiro de liberdade. O conhecimento e a cultura acumulados e passados ao longo do tempo são os fatores que determinam a influência e o grau de importância do livre arbítrio para a humanidade. Um indivíduo carente de educação é um ser humano incompleto e não possui condições mínimas efetivas para exercer o seu livre arbítrio.

Pois então, enquanto a escola como instituição libertadora e a educação como meio de aglutinação humana não puderem trabalhar prioritária e coletivamente no sentido de garantir que o homem assuma sua humanidade plenamente, sempre estará faltando algo.  Quer dizer, enquanto a educação não for a meta para o engrandecimento da pessoa humana, não haverá livre arbítrio e consequentemente, não haverá fraternidade humana. Por outro lado, enquanto a escola não se manifestar como entidade totalmente imparcial e livre para aquisição de conhecimento e de cultura, ela não estará sendo uma escola verdadeira, mas sim um arremedo de entidade educacional, ou, quando muito, um teatro de marionetes mal elaboradas.

Historicamente, a escola brasileira pode ser traduzida exatamente da maneira acima citada, porque não tem educado e nem formado pessoas, quando muito tem treinado alguns indivíduos no desenvolvimento de algumas práticas, muitas delas totalmente deficientes e ultrapassadas. Deste modo, se quisermos realmente crescer como nação, há uma necessidade premente de construirmos um novo modelo de educação e de mudarmos a escola fazendo sua adaptação a esse novo modelo.

Não adianta ficar aqui comparando o Brasil com outros lugares e muito menos copiando esses outros lugares. Nosso contexto é diferente e muito provavelmente nenhum modelo de sucesso se enquadre no nosso país, porque nossa realidade é outra e as nossas necessidades também devem ser. Os números só servem para nos mostrar que estamos mal, qualquer outra projeção certamente é inverídica ou, pelo menos, inexata sobre nossa realidade.

Nosso novo modelo tem que ser efetivamente um modelo novo, total e exclusivamente pensado e adaptado aos interesses do Brasil e do povo brasileiro, com toda sua diversidade natural, social e cultural. Modelos exóticos, por mais que tenham dado certo em seus países de origem, certamente não serão adequados à realidade brasileira. Deste modo, eles não funcionaram devidamente e obviamente não darão certo.

AS AÇÕES DOS ATORES PRINCIPAIS

Recado aos Professores

Senhores professores, por favor, fiquem bem atentos a essas condições primordiais nas suas respectivas escolas e cuidem para que aqueles alunos que foram confiados a vocês, aprendam no sentido lato do termo aprender, ou seja, no verdadeiro sentido de demonstrar suas respectivas humanidades, como cidadãos éticos, cônscios e sobretudo, livres. Se as escolas em que vocês atuam não condizem com a realidade que se quer e se precisa ter, cumpram suas funções de educadores e denunciem. Por favor, não sejam cúmplices desse crime contra a sociedade brasileira.

A capacidade de buscar o aprendizado e consequentemente de aprender, também é um atributo peculiar, quase exclusivo do ser humano. Por isso mesmo, o aprendizado, além de estimulado pela escola, deve ser amplo e gerador de possibilidades coletivamente desafiadoras e individualmente diversas para quem o recebe. A escola que não intriga, não desafia, não permite a competitividade e que não interpela, nem questiona o mundo aos seus alunos, acaba desestimulando a aprendizagem e fugindo ao seu propósito como instituição social.  

Estimular e provocar no aluno a vontade de aprender, talvez sejam atitudes mais importantes ao aprendiz do que simplesmente ensiná-lo a fazer qualquer coisa. Cabe lembrar que o professor é o ser humano que na escola passa a ser o principal responsável pela formação do aluno. Ou seja, é o professor o sujeito que faz a diferença para que seu aluno cresça como ser humano.

Outra questão importante, que está preconizada nas normas educacionais, mas que poucos consideram nas escolas, é a necessidade de contextualização. Converse e discuta com seus alunos sobre problemas e situações que faça algum sentido para eles, isto é, que sejam reais aos sentidos deles. Não adianta você criar exemplos mirabolantes ou longínquos, apresente situações verdadeiras e de preferência, que seus alunos possam viver (sentir e experimentar).

Nós, professores, pecamos muito no processo educacional brasileiro, exatamente porque estamos quase sempre alheios à realidade da maioria dos alunos. Geralmente falamos sobre um mundo, uma realidade, que os alunos não conhecem. O mundo do professor e do aluno precisa ser o mesmo. É preciso acabar com existe esse hiato social que muitas vezes existe entre as duas partes e o professor tem que ser o principal agente provocador dessa ação.

É preciso estar atento ao fato de que o Brasil é um país imenso com uma diversidade fantástica. O que é verdade para um estado brasileiro, muitas vezes só serve como verdade para aquele estado. Muitas vezes o professor trabalha com um livro que foi desenvolvido em outro estado ou região, diferente de onde trabalha e, o que é pior, o professor não sabe criar uma situação similar para aquele lugar. E aí, como contextualizar? Ou o professor mente, ou inventa uma história próxima, ou temos que ter professores regionais (locais) nesse país, para que se possa contar histórias verdadeiras e para que possa existir contextualização. Pense nisso, na próxima vez que for ministrar uma aula.

Eu vou me atrever um pouco mais nessa questão da contextualização e vou discutir alguns exemplos. Bem, talvez os professores de Matemática, de Física e de Química sejam os únicos que poderão dar a mesma aula em qualquer situação ou lugar, mas o de Química ainda terá problemas. Entretanto, os professores de todas as outras disciplinas não podem. Imagine o professor de Biologia, Geografia, História, ou mesmo de Português que nasceu, cresceu, se formou e trabalhou até os 35 anos no litoral Sul do Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande, por exemplo, e agora terá que ir a ministrar aulas em Manaus, em Teresina ou em Goiânia. Será que ele estará automaticamente preparado para contextualizar suas aulas?

Pois então, esse é o maior problema do Brasil: o país é grande e pensa como pequeno. Se a Finlândia tem a melhor educação do mundo, por outro lado tem um território pequeno, homogêneo, com uma população pequena (certamente menor que qualquer estado brasileiro) e economicamente equilibrado. Num país desses, ter uma boa educação é uma contingência natural, desde que haja vontade de todos. Mas aqui, no Brasil, a realidade é bem outra e fica difícil falar para que todos possam entender. Para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre essa questão da contextualização, sugiro a leitura do artigo, que publiquei em meu “site” (LIMA,2018).

Recado aos Alunos

Senhores alunos, é preciso que vocês queiram aprender sempre mais. Não se satisfaçam, não queiram apenas ser capaz de fazer alguma coisa, busquem sempre ir mais além. Procurem saber o que e como fazer as coisas, mas saibam principalmente porque e para que fazer tais coisas. Somente os porquês e suas justificativas dão significado ao conhecimento e somente os porquês se justificam como forma de pensar e de agir.

Na verdade, vocês só conhecem de fato alguma coisa, quando são capazes de conversar livre e independentemente sobre essa coisa, ou seja, quando vocês têm efetiva condição de discutir e emitir opiniões sobre determinados assuntos. E acreditem, essa condição de emitir opinião própria, só é possível para os gênios ou para aqueles que questionam e querem saber os porquês das coisas. Se você não é um gênio, então trate de questionar as situações e as coisas, sejam elas quais forem.

O aluno tem que ser ativo para crescer intelectualmente, pois a passividade não agrega valor ao aprendizado. É preciso buscar sempre mais conhecimento. Assim, nunca se apeguem à prática comum de ser e fazer o mínimo necessário, procurem saber sempre mais, tentando ir além das expectativas. Sejam curiosos, porque foi exatamente a curiosidade do ser humano, que permitiu a humanidade chegar aonde chegou.

Comecem, desde já, a questionar tudo aquilo que já vem pronto na escola, porque a escola existe para construir e demonstrar que nada está totalmente pronto ou acabado. Procurem se lembrar que: “quem pergunta, quer saber” e que fazer perguntas é mais difícil do que dar respostas. As perguntas incomodam porque muitas vezes ninguém quer ou ninguém sabe dar as devidas respostas. 

Quem faz perguntas é alguém que quer sanar uma ou mais dúvidas. Assumam o fato de que, a dúvida talvez seja o maior mecanismo de informação que existe, pois, quanto maior for o número de dúvidas, maior será o número de perguntas e maior também será o número de respostas. Ou seja, a busca da informação traz sempre mais informação. Usem e abusem dos seus respectivos “desconfiômetros” e não aceitem, a priori, qualquer informação que lhes sejam outorgadas como verdadeira, principalmente aquelas que não condizem com a pertinência do assunto em discussão. 

Agindo assim, a vida certamente lhes mostrará que a cada novo conceito, surgirão novas dúvidas, outras ideias e inúmeras possibilidades, sempre mais diversas que as anteriores. Vocês contemplarão que o exercício de questionar e de pensar leva progressivamente à necessidade de pensar e de aprender cada vez mais. Na verdade, o aprendizado é uma imensa “bola de neve” que está sempre crescendo ao longo de nossas vidas ou como um “buraco”, que sempre aumenta, quando se tira algo dele.

Procurem sempre se utilizar das suas respectivas capacidades de raciocínio em prol do engrandecimento de vocês mesmos, de seus afins e de suas comunidades próximas. Exijam que seus professores lhes desafiem sempre mais, propondo novas questões, progressivamente mais complexas. Embora essa situação pareça ser e, de fato seja mesmo, mais difícil e trabalhosa, o resultado também será bem melhor para vocês, porque lhe trará mais cultura e enriquecerá a sua capacidade intelectual.

Também é bom que vocês tenham sempre em mente que, ainda que os erros possam aumentar com essa prática cotidiana, não haverá problemas graves a partir deles, porque a escola é local certo dos erros acontecerem. Além disso, cabe ressaltar que a escola é o local onde os erros devem acontecer e onde devem ser corrigidos, para que não venham acontecer fora dela, ou seja, nas ações efetivas da vida. Quem erra e é corrigido na escola, tem menos chance de errar na vida.

Por outro lado, se o número de erros aumentar nas suas tarefas escolares, com certeza os êxitos também deverão ser progressivamente maiores e muito mais compensadores, o que levará vocês mais próximos do nirvana e certamente os afastará cada vez mais da mediocridade do mundo. Acreditem, vocês vão se sentir muito melhores e superiores, porque o conhecimento faz exatamente isso. O conhecimento nos torna seres humanos melhores, mais seguros, eficientes e corajosos.

Contudo, tomem bastante cuidado com o exibicionismo e o orgulho exacerbado, sejam humildes e continuem crescendo individualmente, mas sempre respeitando as demais pessoas. Não deixem suas respectivas condições de maior conhecimento subir pelas suas cabeças mais do que deve. É de bom alvitre nunca esquecer que você é um ser humano como qualquer outro e que a humildade é prima irmã da razão e da coerência.

Depois que vocês se sentirem no nirvana, procurem juntar todo o conhecimento que adquiriram e identifiquem o seu verdadeiro cabedal. Como já disse, sejam humildes e isso lhes dará sabedoria suficiente para viver e serem felizes. É óbvio que sempre haverá momentos melhores e momentos piores, mas isso é consequência da própria vida. A sabedoria que cada um de vocês acumulou deverá ser suficiente para mostrar os melhores caminhos em qualquer situação. Reflitam sempre e suas respectivas liberdades individuais serão suas melhores conselheiras.

OUTROS COMENTÁRIOS PERTINENTES

Meus amigos, professores e alunos, certamente vocês já ouviram a seguinte expressão: “a educação liberta”. Entretanto, é preciso investir nesse propósito e ter vontade efetiva de se sentir realmente livre. Essa libertação só é possível quando o processo educacional de ensino e aprendizagem é feito de maneira integral. Isto é, quando há participação real, efetiva e conjunta do educando e do educador na tarefa de promover a emancipação humana através do conhecimento, enriquecendo cada ser humano individualmente e a humanidade coletivamente. Se não existe aplicação e questionamento quanto ao saber, não existe educação e não se caminha para a liberdade efetiva da humanidade.

Assim, não fiquem esperando suas possibilidades caírem do céu, porque isso dificilmente irá acontecer. Corram atrás de novas realidades e procurem agir como seres humanos em toda a amplitude dessa expressão. Não se esqueçam que conhecimento nunca é demais e que ele é capaz de transformar o ser humano para melhor. Mas, é preciso querer que essa melhora aconteça.

Outra questão bastante importante é que o conhecimento necessita ser sempre aprimorado, porque as coisas mudam e, mesmo quando não mudam, muitas vezes o entendimento sobre elas muda também. Uma peculiaridade do conhecimento é o seu caráter crescente, isto é, o conhecimento está sempre gerando conhecimento, tanto sobre coisas e questões novas, como sobre verdades que já haviam se estabelecido, mas que sofreram adequações e novas visões.

Além de ser aprimorado, o conhecimento também precisa ser sempre repassado, porque ele não pode ser exclusividade de nenhum indivíduo, ele pertence a toda humanidade. É preciso ter ciência e consciência desse fato. O descobridor é o “pai” de sua descoberta, mas a humanidade é a sua herdeira e verdadeira “proprietária” da mesma e como tal necessita ser informada e atualizada sobre seu patrimônio. A informação sobre o conhecimento humano em qualquer área do saber tem que ser pública, não pode existir nenhum tipo de controle sobre o conhecimento.

Eu particularmente, nos últimos 20 anos, tenho dedicado grande parte de meu tempo à tarefa de socializar e divulgar o conhecimento daquilo que conheço para a humanidade. Obviamente ninguém é capaz de, sozinho, atingir toda a humanidade, mas todos podem falar de suas experiências com a comunidade que está próxima. Se todos que puderem, investirem tempo e trabalho nesse aspecto, a humanidade toda será mais bem informada.

Qualquer novo conhecimento necessita ser divulgado e repartido, porque somente assim ele se universaliza, faz sentido e passa a ser um atributo patrimonial maior para toda humanidade. Quanto mais seres humanos souberem de mais coisas, maior será o grau efetivo de liberdade da humanidade. A História tem nos mostrado que em vários momentos houve a privação das liberdades humanas por vários indivíduos déspotas e dominadores. 

Esses momentos só aconteceram exatamente porque os sujeitos dominadores guardavam o conhecimento apenas para si e alguns de seus seguidores. De maneira nenhuma, os dominadores repartiam o conhecimento que a humanidade possuía em suas épocas com os demais seres humanos. Eles assumiam todo o conhecimento como condição exclusiva deles, simplesmente porque isso lhes garantia a superioridade sobre os demais seres humanos. Hoje ainda há quem pense assim, por isso é fundamental que todos adquiram conhecimento, pois assim é possível evitar o surgimento de novos possíveis dominadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, com a INTERNET e com as redes sociais é quase impossível que alguém consiga omitir qualquer informação e assim o conhecimento deve estar mais democratizado entre todos os seres humanos e, deste modo, as liberdades individuais também estão muito mais garantidas. É claro, que ainda existem tiranos e absolutistas controlando povos e países, porém essas são situações especiais que fogem ao interesse desse ensaio, mas, obviamente o futuro da educação brasileira não poderá conceber esses tipos de indivíduos determinando os trabalhos a serem desenvolvidos e nem seus correligionários e asseclas.

De qualquer maneira, pensem nisso que foi dito aqui e procurem se lembrar que a espécie humana surgiu e evoluiu para aprender e viver em liberdade. Nenhum ser humano deve ser mantido contra sua própria vontade por qualquer motivo ou situação. Deste modo, todas as ações educativas devem priorizar esses aspectos. Ser livre, envolve o direito de ser informado, pensar e refletir sobre o conhecimento que se possui e sobre suas possibilidades de aplicação para o bem comum da sociedade e inclusive para a ampliação de mecanismos que favoreçam as liberdades individuais.

Resta ainda ressaltar que a liberdade é um bem e um direito que a humanidade almeja e que o indivíduo luta por possuir, mas que está preso à lei e aos direitos dos demais indivíduos. Numa sociedade todos são iguais perante a Lei e assim têm os mesmos direitos e deveres. Da mesma maneira que não se quer a tirania, também não se deve querer a complacência. O equilíbrio entre a necessidade de conhecer e avaliar o mundo em todas as dimensões científicas e culturais e a necessidade de fazer as ações que perpetuem a humanidade deve ser a tônica na escola, desvinculados de qualquer outra questão.

Por fim, procurem suas respectivas áreas de atuação e identifiquem aquele aspecto que mais lhes interessar e se dediquem a estudá-lo mais detalhadamente, mas, a priori, afastem-se da ideia de serem especialistas. A humanidade necessita de seres humanos cada vez mais generalistas, exatamente para que todos possam entender melhor as necessidades de todos e assim resolver mais facilmente os problemas coletivos que, porventura, possam existir.

Lembrem-se sempre que “um especialista é aquele sujeito que sabe cada vez mais, sobre detalhes cada vez menores, até que muitas vezes, acaba chegando ao cúmulo de saber tudo, sobre nada”. Isto é, quando mais se especializa, mais se restringe a área de ação e menos se integra ao mundo real, que costuma ser conturbado e cheio de inter-relacionamentos e conexões. Pois então, é exatamente nessas áreas e condições interconexas e conturbadas que se aprende mais e se cresce como ser humano.

Mas, se, por acaso, você tiver que ser obrigatoriamente um especialista, então seja eficiente nessa condição e procure usar sua especialidade como mecanismo para abrir sua mente e não para restringi-la. A humanidade não precisa desse tipo de pessoa restritiva, ao contrário, os seres humanos necessitam estar, progressivamente mais abertos à diversidade do contato social e as consequentes dificuldades de convivência.

O futuro da escola dependerá bastante das ações que assumamos hoje em prol da educação brasileira. Estou ciente de que não sou “o dono da verdade”, mas estou propondo aqui algumas sugestões para que seja possível discutir a educação no Brasil, ou pelo menos, a educação que os brasileiros precisam e merecem ter. É claro que, mesmo com as ideias contidas neste ensaio, estou certo de que sempre continuará faltando muito, porque a educação é imensurável, além de ser um processo contínuo e que não pode ter fim.

O objetivo maior deste ensaio é conseguir que se discuta mais sobre essa questão e que novas ideias e propostas possam existir e se estabelecer para a melhoria da educação do povo brasileiro. A população brasileira necessita acreditar mais na educação como mecanismo de melhoria da humanidade. O Brasil tem que deixar de querer ser o país do futuro, temos que cair na real e lutar para ser o país do presente, mas isso só acontecerá quando a educação passar a ser a verdadeira prioridade nacional e entrar definitivamente na pauta, como causa primária no interesse de todos os cidadãos brasileiros. 

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor e Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

LIMA, L.E.C, 2018. Contextualização e Regionalização da Educação Ambiental, (www.profluizeduardo.com.br), em 30/04/2018.
ONU, 1948. Declaração Universal dos Direitos Humanos, Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Palais de Chaillot, Paris, 10/12/1948.
01 jul 2022
Educação e Valores Humanos

A Educação e os Valores Humanos

Resumo: O artigo chama a atenção para a falta de seriedade e da desvalorização generalizada que a Educação tem recebido historicamente no país. No Brasil, temos priorizado tudo que não importa nas escolas e com isso temos trocados os valores da sociedade. Acredito que esse desrespeito coletivo interfere drástica e diretamente na condição ética e moral dos brasileiros. 


O Brasil necessita urgentemente de Educação verdadeira. Temos muitos prédios escolares, mas temos poucas escolas. Tem muita gente ministrando aulas, mas tem poucos professores efetivamente ensinando. Tem muitos alunos nas escolas, mas tem poucos estudantes realmente querendo aprender. Tem muitos burocratas na educação, mas têm poucos educadores e pessoas preocupadas com a educação atuando no ensino. Enfim, na educação brasileira tem bastante de quase tudo, mas, tem efetivamente muito pouco daquilo que deveria ter.

Este país continua no marasmo educacional exatamente pelo simples fato de que não se encara a educação com devida e necessária seriedade, tampouco se investe em trabalho efetivo para mudar essa situação. A verdade é muito clara: enquanto existirem Alunos, Professores, Diretores e Reitores, querendo a volta de um sujeito amoral, ladrão e apedeuta à Presidência do país, não existe como melhorar a educação. Estamos num mato sem cachorro e a questão que fica é a seguinte: como fazer para acabar com essa situação incoerente?

Temos transitado estranha e perigosamente numa linha em que não se define bem aquilo que se quer e onde o que importa é somente o dinheiro que se irá conseguir com a ação.  É como se o dinheiro fosse realmente a coisa mais importante para a humanidade. Historicamente tenho feito a seguinte pergunta aos meus alunos no primeiro dia de aula: o que é que todo mundo quer? Em quase todas as respostas, mais de 95%, dizem quase que automaticamente, é dinheiro. Ocasionalmente aparece alguns que citam, a sorte, outros dizem, o trabalho, outros ainda respondem, a saúde e mais raramente ainda, alguém lembra da felicidade.

Pois então, a felicidade, que é a resposta esperada, é sempre a menos citada. Ora se a humanidade quer dinheiro e não quer felicidade o mundo está perdido. Pois é, a noção de ser feliz, talvez tenha sido modificada em ter dinheiro, o que é uma grande idiotice, porque o dinheiro não garante a felicidade de ninguém. O que todo mundo quer é ser feliz e o dinheiro pode até ajudar a que se atinja esse intento, mas o dinheiro sozinho não permite a felicidade de ninguém. Infelizmente a humanidade cometeu o ledo engano de trocar os valores morais e vitais, pelos valores e custos monetários e, deste modo, grande parte das pessoas acham que o dinheiro é o melhor negócio para todos.

Particularmente, aqui no Brasil, as escolas “entraram diretamente pelo cano” ao também assumirem que o dinheiro é melhor que a felicidade e os alunos não gostam da escola porque perdem tempo e não ganham dinheiro com esse “tempo perdido”. O pior é que o sistema reforça esse pensamento absurdo, quando desqualifica profissões e profissionais, em prol de publicidades medíocres sobre profissões que não exigem conhecimento e que geram grandes possibilidades econômicas. Assim se esquece do valor da escola e se trabalha pelo preço daquilo que se pode ganhar por estudar. Infelizmente, quando se coloca essas coisas numa balança, acaba se concluindo que estudar não vale o preço.

A diferença entre o valor e o preço é que o preço é estimável em maior ou menor, mas o valor é inestimável e por isso mesmo, o valor não tem preço. O valor é próprio, único e indistinto e assim, não varia não como o preço. Alguém já disse: “o valor não vale, o valor é”. Em suma, é impossível calcular o valor, mas sempre é possível imaginar alguns preços para certas coisas e infelizmente, isso também é verdadeiro para certas pessoas. Pois então, a educação está cheia de coisas e pessoas com preço, mas que estão muito carentes de valor.

A crise que a humanidade vive é consequência única do que foi dito acima. Isto é, as pessoas se vendem por qualquer preço, deixando de ter valor e passando a ser moeda de barganha dos interesses e das negociatas, na mão de quem quer que seja. Esta irresponsabilidade coletiva gera uma situação triste, mas real, de carência moral, que tem, historicamente, causado grandes males a humanidade, mormente nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

O ser humano, cada vez mais, desconhece a importância e o verdadeiro valor de algumas peculiaridades humanas necessárias à vivência social, como a ética, o comprometimento e a lealdade. Enquanto perdurar esta falsa realidade, do humano valer menos que a o interesse econômico de quem quer que seja, a humanidade não terá descanso, não progredirá e a paz entre os povos estará sempre mais longe.

Alguns mudam o foco e a responsabilidade, falando que Deus está vendo e que só Ele pode resolver a questão, mas, ainda que eu não seja religioso, tenho certeza de que Deus não tem nada a ver com isso e mesmo que Ele exista e que esteja vendo, Ele não irá interferir nos problemas estritamente humanos. Nossos problemas são terrenos e causados por nós mesmos não têm nenhuma relação com Deus. É preciso que mudemos o foco e objetivemos um mundo com pessoas de valor, isto é, com pessoas educadas e isso começa na família e se aprimora e continua pela escola.

Quer dizer, ou a humanidade aprende a viver educadamente com todos os humanos ou não existe humanidade. Acredito que enquanto o ser humano continuar sendo esse estranho ser que confunde valor com preço será impossível que a humanidade possa se manter proativa na direção da paz. Infelizmente, se não tomarmos posturas ética no interesse humanitário, sempre haverá situações conflitantes em que questões econômicas terão peso maior e assim, obviamente serão priorizadas pela sociedade.

O único caminho possível para tentar equilibrar essa questão é a crescer na educação e na formação das pessoas. Deste modo, necessitamos de uma educação que demonstre aos seres humanos, que em qualquer situação ou momento, a vida humana deve ser a única prioridade real. Não importa raça, sexo, ideologia, religião ou qualquer outro fator, a vida humana, seja ela qual for, é o mais importante, porque ela é um valor e como tal, é inegociável e não tem preço.

Somos seres humanos e deveríamos investir e aproximar cada vez mais uma postura altruísta e fraternal entre os humanos e não desenvolver as progressivas maneiras segmentárias e separatistas que temos criado e ampliado na sociedade moderna. Temos desenvolvido, através de um pretexto social e ambientalmente correto, mas que no fundo é apenas uma maquiagem política que serve ao interesse de alguns, uma maneira segmentadora da sociedade e destruidora da humanidade.

Estamos caminhando na contramão das necessidades da humanidade e os politiqueiros, os embusteiros e os maus-caracteres de plantão se aproveitam desse fato para piorar aquilo que já não é bom, na base do quanto pior melhor. Desta maneira as relações humanas ficam perigosamente mais comprometidas e com fortes tendências às rupturas. Quer dizer, atualmente, alguns dos “seres humanos”, não se satisfazem em apenas andar na contramão da humanidade e ainda jogam gasolina no fogo para complicar mais a situação.

É preciso que se esclareça de uma vez por todas que, independentemente de qualquer característica que tenhamos ou que professamos, somos pessoas. Todos os seres humanos são pessoas e como tal, devem ser orientadas nos seus deveres e respeitadas nos seus direitos. Entretanto, aqui reside outro grande problema, pois parece que perdemos a noção exata de deveres e direito humanos. Nesta sociedade corrompida e consequentemente corroída que vivemos, direitos e deveres são privilégios que servem apenas aos interesses dos poderosos, que fazem o que querem, como querem e quando querem.

A sociedade se deturpou por conta do preço e a humanidade se degradou por conta da perda do seu valor primário e ímpar, o ser humano.  O “rei dinheiro” e o “trono ganância” superaram largamente o fundamento da vida e necessidade da ética. A humanidade está pobre de valores morais e podre de sentimento e envolvimento coletivo. Somos apenas um bando de criaturas irresponsáveis e cegas, ocupando um mundo em que os indivíduos não veem nada ou, quando muito, cada um consegue apenas ver o próprio umbigo.  

É bastante triste e preocupante a situação debilitada do ser humano nos tempos atuais. Ao que parece a humanidade está caminhando rápida e irreversivelmente para o caos. Se não bastasse nossa podridão humana, também destruímos o planeta, o único que temos e que nos fornece absolutamente todos os recursos naturais que utilizamos. Ou seja, somos humanos podres, caminhado num planeta que também tornamos cada vez mais podre. Em suma, nossa irresponsabilidade é total, pois não ligamos para nossa vida, para nossa espécie e ainda destruímos a nossa única casa.

Como disse no início deste texto, somente a educação pode nos livrar dessa situação sofrível ou, pelo menos, minimizar os danos produzidos por ela. Não existe outra saída possível! E o que estamos fazendo sobre isso? Infelizmente, não temos feito absolutamente nada.

As nossas escolas têm apenas discutido outras questões, infinitamente menos importantes, pouco significativas, nada prioritárias e que não agregam valor nenhum à humanidade e nem a educação brasileira. Nossos alunos estão alheios a realidade humana e são progressivamente mergulhados em idiotices e coisas inúteis às necessidades da humanidade. Nossos professores defendem argumentos e teses inexpressivas, que não se justificam nos interesses coletivos maiores da humanidade. Nossos dirigentes escolares estão preocupados apenas com a manutenção de seus cargos, cuja origem é principalmente política e assim, tudo fazem, apenas para garantir suas respectivas permanências nos mesmos.

É claro que existem honrosas exceções, mas infelizmente, são apenas exceções, porque não têm força funcional e muito menos política, consequentemente não conseguem mudar a situação imperante. A mídia, por sua vez, também não cumpre seu papel e acaba por demonstrar, cada vez mais, o seu interesse na continuidade dessa conjuntura degradante e assim, faz coro para o que está errado, trabalha contra as mudanças necessárias e ainda interfere bastante produzindo informações que só ampliam a degradação educacional e humana.

O mais estranho de tudo isso, é que tem muita “gente” que acredita e age como se tudo estivesse bem e que defende a manutenção desse “status quo”.  As escolas não são mais capazes de trabalhar para formar pessoas, porque estão preparadas apenas para produzir coisas que produzam lucro para alguém. A educação é uma falácia, um conto de fadas triste, onde não vai haver final feliz, porque, de fato, não se quer educar e nem formar ninguém. Sempre gosto de lembrar Darci Ribeiro, quando ele dizia: “No Brasil, a crise educacional, não é uma crise e sim um projeto”. Eu me permito ir além e tristemente afirmo que esse é o único projeto brasileiro que tem tido continuidade nos últimos anos.

Assim, concluo que a atual e evidente degradação humana é resultado de planejamento trabalhado por especialistas em criar humanos piores, através da “educação”, pelo menos aqui no Brasil. Transformaram a sociedade e fizeram com que grandes massas de seres humanos virassem marionetes no interesse puramente político de alguns. Esqueceram que a humanidade se compõe de pessoas e destroem essas pessoas como se fossem coisas inservíveis, sem sentimentos, sem valores morais e sem nenhuma condição ética.

Até quando continuaremos seguindo nessa direção, que transforma os valores, reverte a ordem e perverte a população, particularmente a juventude brasileira?

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

Artigo publicado em 23/01/2022 no “site” https://oblogdowerneck.blogspot.com e readaptado para esta publicação.
21 nov 2019
Porque a Educação é a única solução do país.

Porque a Educação é a única solução do país.

Resumo: Este texto tenta demonstrar que o grande problema do Brasil é a falta quase generalizada de Educação do povo brasileiro que acontece por questões puramente políticas e conclama a nação brasileira consciente a tomar as rédeas e assumir a grande revolução educacional que precisa ser feita no Brasil para o bem nacional presente e futuro.  


Existe um velho chavão, porém, mais que isso, uma grande verdade que diz: “sem educação não há solução”. Entretanto a postura política e administrativa das autoridades e governantes brasileiros, ao longo da história, tem sido apenas a de repetir o chavão, porém esquecendo da verdade que ele contém, porque não há envolvimento, de fato, e nem interesse em demonstrar essa realidade, para tentar mudar a cara do país. Infelizmente a Educação não tem sido, nem de longe, prioridade para os diferentes administradores brasileiros, ao longo da história contemporânea desse país.

O propósito desse pequeno artigo é exatamente tentar explicar às autoridades constituídas no Brasil, que a frase acima não é apenas um chavão para ser repetido, mas sim uma verdade e que a verdade contida na frase é uma tarefa que precisa ser assumida e cumprida por todos os administradores públicos e seguida pela sociedade brasileira. A Educação tem que ser uma busca constante de qualquer coletividade e uma obrigação efetiva das autoridades no país, assim ela precisa ser privilegiada na aplicação dos recursos públicos. É preciso entender de uma vez por todas que todo e qualquer recurso utilizado na educação não significa custo, mas sim investimento, porque a Educação sempre traz retorno.

Dito isso, vamos aos porquês que, imagino eu, possam esclarecer melhor que o velho chavão, a verdadeira necessidade da educação, para que todos, principalmente os administradores e políticos desse país, possam entender.

1 – Uma pessoa educada é uma pessoa de fato, já uma pessoa não educada não pode se distinguir muito de outros organismos vivos, porque apenas vive e praticamente age por instintos, tentando suprir suas necessidades vitais e não por consciência e reflexão nas suas ações.

2 – Quem tem educação pode perceber a realidade histórica do mundo à sua volta e discernir entre o certo e o errado, as mentiras e as verdades, que são ditas por aí. Pode até fazer confusão, mas sempre terá o direito de escolher a sua opção. Os erros ou acertos conscientes são bem diferentes daqueles produzidos por ação dos outros, através de massificação. A pessoa educada não age como marionete, a não ser que queira.

3 – “Somente a educação liberta a pessoa”. Acredito que essa seja uma frase tão verdadeira quanto o surgimento de um novo dia após cada noite. O problema é que as informações e os “ensinamentos” de áreas que são apresentados às pessoas, por conta de uma mídia safada e infeliz, mostra que as coisas erradas podem e devem prosperar em relação as coisas certas. Não vou dar exemplos, para que não digam que estou sendo preconceituoso ou até mesmo partidário, mas os educados sabem muitos exemplos do que estou falando.

4 – A educação liberta a pessoa, porque o sonho efetivo da liberdade só existe mesmo, para quem tem a verdadeira dimensão do que seja a liberdade e isso só é possível de se estabelecer à luz da educação. O ser humano só é livre quando tem capacidade de escolha e só a educação permite o desenvolvimento consciente dessa capacidade.

5 – O sujeito possuidor de educação pode tudo, obviamente dentro da lei, mas o sujeito carente de educação, nem imagina o que pode, o quanto pode e nem sabe que existem leis impostas pela sociedade. Esse sujeito é digno de pena, pois vive à margem da sociedade e muitas vezes não sabe mesmo o que faz.

6 – Se o país quer crescer, antes de tudo, é preciso educar o seu povo. A Educação é uma causa de interesse nacional. A história de inúmeros povos ao redor do mundo está aí para provar essa verdade, apenas os políticos e administradores brasileiros não conseguem (querem) enxergar isso e preferem manter o status quo para garantir suas falcatruas e maracutaias.

7 – Friamente, dos mais de 210 milhões de brasileiros, estatísticas a parte, pelo menos, metade desse contingente é composto de analfabetos e de analfabetos funcionais. Como é possível falar em desenvolvimento e sustentabilidade para uma população com esse contingente educacional tão pífio?

8 – Um país só será realmente capaz de crescer sustentavelmente, quando sua população for efetiva e suficientemente educada, para entender a importância desse crescimento. Não sendo assim, quando muito, continuará apenas recebendo as benesses interesseiras dos “países amigos” que querem mantê-lo nessa condição inferior.

9 – No Brasil tudo é grande: a área geográfica, a população, a biodiversidade, os recursos hídricos e inúmeras outras coisas, inclusive a falta generalizada de educação e principalmente o egoísmo e a sem-vergonhice dos políticos e administradores públicos. Só mudaremos esses últimos itens se educarmos à população.

10 – Ou saímos do marasmo, acabando com esse ranço e investindo pesada e maciçamente na educação de nosso povo, ou estamos fadados a sermos uma eterna colônia dos países desenvolvidos e marionetes nas mãos dos países ricos e de alguns políticos safados, que historicamente comandam, usando e abusando das pessoas e das instituições desse país.

Enfim, o Brasil tem jeito, mas o país e sua gente estão à mercê de um complô de picaretas que assumiram o poder há décadas e que querem manter o “status quo” da ignorância nacional, para continuar fazendo farra com a coisa pública. Está na hora de darmos um basta nesse negócio e tratar o país e a nação brasileira como merecem. Entretanto, isso só acontecerá se o povo for educado o suficiente para entender que essa é uma grande necessidade nacional. Enquanto a educação for tratada como uma coisa vulgar, um mero encargo, mais um simples problema social, ou ainda, um setor ocasional e pouco importante que existe na administração pública, infelizmente não sairemos desse marasmo histórico e até aqui crônico.

É preciso entender que a cura para todos os problemas nacionais está na educação. A educação é a única prioridade, pois todas as demais coisas dependem dela. Não existe nenhuma maneira de resolver as questões públicas, TODAS ELAS, sem educação. Por conta disso é que precisamos entender que realmente: “sem educação não há (não houve e nunca haverá) solução”. Senhores políticos, tomem vergonha na cara e parem de brincar com o Brasil.

Meu amigo leitor, você que faz parte daquela metade que não é analfabeta funcional, por favor, exerça a sua função de  cidadão de bem e ajude a trabalhar em prol da educação da outra metade brasileira viva, que ainda não entendeu o óbvio e também daqueles tantos brasileiros que certamente ainda nem nasceram e que precisarão de um país melhor mais educado e estabelecido para viver. Afinal esses futuros brasileiros não devem pagar a conta por aquilo que nós e outras gerações anteriores deixamos de fazer.

Pensem nesse aspecto e façam as suas respectivas partes, porque isso não custa nada e o Brasil, a nação brasileira atual e futura, antecipadamente agradecem. Os futuros brasileiros, dentre esses, os meus e os seus netos e bisnetos, só poderão ser mais felizes se forem mais bem-educados e para isso temos que fazer a nossa parte hoje. Basta de burocracia e enrolação, está na hora da verdadeira educação.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (63)

04 abr 2019
A Escola na Sociedade atual e futura

A Escola na Sociedade atual e futura

Resumo: Resolvi escrever apresentando minha opinião a respeito daquilo que imagino que a escola deve ser como principal entidade social e as expectativas futuras que podem decorrer desse pensamento.


INTRODUÇÃO

Considerando a minha modesta condição de professor e livre pensador, resolvi escrever um pouco sobre a humilde opinião que tenho de como acredito deva ser a escola (qualquer instituição de ensino) como entidade social e que expectativas eu imagino possam decorrer da influência que essa escola é capaz de produzir na sociedade atual e o que isso pode representar, de fato, em melhorias efetivas para toda a humanidade no futuro próximo.

Para começar, quero dizer que considero a escola como sendo a mais importante instituição da sociedade e por mais óbvio que possa parecer, creio que seja fundamental essa afirmação até para justificar, desde já, algumas questões que vou discutir ao longo desse texto. Entendo que a escola é a única instituição social capaz de mudar as pessoas, entretanto também entendo que é chegado o momento em que essa instituição precisa reavaliar o seu compromisso social para poder continuar cumprindo esse mesmo compromisso.

A escola, embora tenha toda a relevância que já destaquei acima, não deve e nem pode estar fechada em si mesma por alguns motivos. Primeiramente porque é uma instituição social e assim necessariamente ela se relaciona e trabalha com pessoas e toda a sorte de atributos que essas pessoas podem ter e que podem demonstrar, ou não, a cada momento. Em segundo lugar porque a escola é uma instituição de ensino e como tal precisa ter uma definição clara de por que ensina, do que ensina, como ensina e a quem ensina. Isto é, a escola necessita ter um processo pedagógico que demonstre claramente quais são os seus princípios, que indique objetivamente suas pretensões e que determine efetivamente suas obrigações. Em terceiro lugar porque a escola é uma instituição que identifica, gera, concentra e divulga saberes e culturas e, por isso mesmo deve estar implicada numa dimensão histórica dentro da comunidade próxima em que está inserida, mas sem se afastar (sem deixar de lado) a realidade humana, num contexto social maior de toda a sociedade planetária, isto é, das questões próprias da humanidade e de todas as suas dimensões sociais ou não.

Assim, acredito que a escola não pode se afastar do tempo e como o tempo atual é de mudanças profundas em toda sociedade, entendo que a escola também precisa se adequar às novas necessidades imperantes. A humanidade precisa continuar sua história planetária e a escola é deverá ser a entidade destacada que permitirá a perpetuação desse fato, independentemente das possíveis rupturas e efeitos colaterais. Entretanto para que isso ocorra serão necessários alguns ajustes, porque os tempos mudam e a escola, desde que foi inventada, até aqui infelizmente não mudou. Já está passando da hora de efetuar as mudanças que se fazem tão necessárias.   

A IDENTIDADE DA ESCOLA

Considerando os aspectos básicos e fundamentais destacados na introdução acima para idealizar a escola é possível generalizar, dizendo que a escola é uma instituição que tem caráter social, cognitivo, cultural, histórico, político e comunitário. Assim, a mescla desses caracteres é que forma, de fato, a instituição social denominada de escola e essa instituição não deve e nem pode se sentir ou agir com tendências maiores ou menores nesse ou naquele caráter. Pois então, essa é a grande dificuldade da escola, pois ela tem que se fazer parte integrante de tudo, sem poder, de fato, tomar parte direta de nada.

Essa é uma condição muito complicada e difícil de ser assumida e desenvolvida da maneira devida e correta, porque certamente existem sobreposições entre os aspectos e principalmente, porque quem faz as escolas são pessoas e naturalmente as pessoas (seres humanos e sociais) não conseguem “controlar” (conter) seus instintos e impulsos, criando situações conflitantes. Muitas vezes, as pessoas, nem ao menos, tentam ou conseguem tentar balizar exatamente as dimensões (caracteres) do processo pedagógico fundamental na escolarização a que a escola deveria se propor como entidade social. Possivelmente, talvez, seja por isso que não existe possibilidade de encontrarmos duas escolas iguais. A identidade da escola é um caráter próprio, individual e exclusivo, que a própria escola desenvolve e conquista ao longo de sua história.

Por mais próximas e parecidas que as escolas possam ser, elas sempre são diferentes.  Existem inúmeros aspectos que garantem esse fato e me permitem fazer essa afirmativa, mas eles podem ser grupados genericamente em dois grupos fundamentais. O primeiro deles está centrado na questão didático-pedagógica da escola, que relaciona-se com o currículo disciplinar e o segundo está relacionado com as raízes culturais, históricas e políticas da comunidade local. Entretanto, volto a dizer, ainda que se imagine escolas vizinhas, com a mesma estrutura curricular básica e com a mesma comunidade histórica, sobre a mesma influência cultural e política, ambas certamente serão diferentes, porque serão compostas por pessoas distintas. Volto a afirmar, não existem duas escolas iguais.

Da forma como tratamos e entendemos a instituição escola até hoje, é impossível pensar na existência de uma escola sem uma proposta curricular, sem um elenco de disciplinas didático-pedagógicas, sem um conteúdo programático, sem um corpo docente e logicamente sem um corpo discente. Mas, por outro lado, também é impossível pensar uma escola sem a cultura do entorno e sem o envolvimento sócio regional de sua localização ou, pelo menos, de sua “população mais característica”. Aliás, essa questão da “população mais característica” também é bastante complexa, por isso constitui-se em algo que precisarei me aprofundar um pouco mais, para depois continuar e discutir a questão curricular.

OS AGENTES SOCIAIS E A “POPULAÇÃO MAIS CARACTERÍSTICA” DA ESCOLA

Numa escola existem pessoas de todos os tipos e em todos os níveis: alunos, professores, funcionários, pais de alunos, e outros visitantes informais menos comuns, porém presentes e constantes no ambiente escolar, como por exemplo, o supervisor de ensino ou o entregador de refrigerante da cantina. Toda essa população faz parte da “comunidade intraescolar”, porque de uma forma ou de outra, eles acabam estando sempre dentro da escola. Entretanto, também existem os “vizinhos” da escola, que por um motivo ou por outro, têm alguma relação com ela, que são o restante da população da rua ou do bairro, os quais também interferem ou são interferidos pela presença da escola naquele local, por exemplo o menino que vai pegar a bola que caiu dentro da escola ou o vidraceiro que foi arrumar o vidro da janela quebrada. Esse pessoal, que não é frequente, mas que existe e participa do espaço escolar, consiste na “comunidade extraescolar”.

Quer dizer, a comunidade da escola se compõe de pessoas que se apresentam em dois segmentos distintos: pessoas efetivamente de dentro da escola, ou melhor, envolvidas diretamente na escola (“comunidade intraescolar”) e pessoas ocasionalmente envolvidas na escola (“comunidade extraescolar”). Todas essas pessoas constituem os chamados “stakeholders” (Freeman, 1984) da comunidade da escola. A escola apesar de seu objetivo maior de educar e ensinar, possui no seu corpo de “stakeholders” inúmeras pessoas que nada têm a ver com a educação.

Pois então, essas pessoas são de raças, sexos e cores diferentes, têm hábitos e costumes diferentes, têm crenças distintas, têm ligações ou interesses políticos diversificados, torcem para diversos times de futebol, gostam de assuntos variados, têm quase que um contingente infinito de inúmeras outras atividades diversas que poderiam ser consideradas aqui. Pois então, como traçar um modelo de “população mais característica” (principal), sem comprometer os interesses das demais pessoas envolvidas? Bem, essa é uma situação própria das escolas, que elas intencionalmente ou não, progressivamente buscam resolver, através das políticas que estabelecem ao longo do tempo. Parece incrível, mas, quase sem perceber, as escolas vão se adequando gradativamente a essa sua “população mais característica”.

É exata e precisamente isso que faz com que escolas próximas possam ser extremamente diferentes. Embora essas escolas muitas vezes até estejam inseridas, por exemplo, numa mesma comunidade de um determinado bairro, essas escolas, ainda assim, se constituem através de públicos alvos principais e perspectivas sociais, históricas e culturais diversificadas, porque seus problemas são diferentes, haja vista que os “stakeholders” que as compõem são pessoas distintas. Mais uma vez, parece incrível, mas são as pessoas que mais causam, quantificam, dimensionam ou imaginam os problemas que dificultam o funcionamento das escolas e assim, são as pessoas da comunidade da escola, que tornam as escolas mais diversas e também muito mais complicadas. O pior e mais triste de tudo é que, a grande maioria dessas pessoas não têm, ao menos diretamente, nada a ver com a função educacional da escola, entretanto elas estão aí causando situações que interferem na engrenagem escolar.

OS CURRÍCULOS E CONTEÚDOS DISCIPLINARES

Existe uma preocupação natural quanto a faixa etária do cliente da escola, o aluno, e a informação a ser “passada para” (discutida com) ele. É evidente que não se pode dizer qualquer coisa para qualquer um em qualquer momento, principalmente quando se fala com jovens estudantes. Aliás, acredito que os meus colegas, professores de Biologia, possam explicar melhor sobre esse aspecto aos leitores mais interessados, porque não vou discutir sobre isso, pois perderemos muito tempo e texto com detalhes que não cabem nesse momento. Mas quero crer que a grande maioria dos leitores, de alguma maneira, tenham a devida dimensão da relação da idade com o grau de informação a ser informada (ministrada) ao aluno.

Por conta dessa questão: idade X grau de informação, lá trás, nos tempos idos, alguém “inventou” um negócio chamado currículo escolar e, o que é pior, estabeleceu regras para que esse currículo fosse ensinado (passado, informado, ministrado ou introduzido) para os alunos. Pois então, currículo escolar e regras de como ministra-lo são realmente duas grandes bobagens que precisam deixar de existir, pelo menos da maneira como são estabelecidos, para o bem da educação.

É evidente que muita gente não vai gostar dessa minha afirmativa, por vários aspectos, mas a mim só está preocupando aqueles que poderão perder o emprego por causa disso, porque infelizmente tem gente entendida e “especializada” em fazer apenas e tão somente isso. Essas são pessoas, que não me conhecem e que já não irão gostar de mim, mesmo sem me conhecer e certamente ficarão deveras assustadas se lerem o que acabo de escrever. Mas, infelizmente essa é uma grande verdade e precisa ser enfrentada para o bem da educação e da escola.

A propósito, passei inúmeras vezes por essa situação em minha vida, pelo simples fato de que: “costumo falar a verdade e o que penso sobre as coisas e isso incomoda a muita gente”.  Quero dizer as pessoas que podem ter ficado assustadas com minha afirmação que não se preocupem, pois basta apenas aprender, trabalhar e ser competente. Por outro lado, cabe ressaltar que: “competência não se mede pelo exercício de apenas uma função definida, mas sim pela capacidade de assumir corretamente múltiplas funções.” Isto é, se essas pessoas forem competentes, certamente elas não perderão seus empregos, porque conseguiram exercer outras funções. Aliás, essa noção de competência deve ser um dos atributos da escola abrigada pelo currículo escolar. Mas, vamos voltar ao assunto.

Nessas alturas, alguém já deve estar dizendo: “esse sujeito é (ou está ficando) maluco”. Como vai ser a escola? O que vamos ensinar se não houver currículo pedagógico e se não houver critério disciplinar rígido estabelecido? Como vamos ensinar? Meu Deus! A escola vai virar um pandemônio.

Pois é, meus amigos, eu estou muito ciente do que estou falando e não vai acontecer nada de anormal na instituição escola. Vou tentar explicar melhor, para todos aqueles que quiserem e que se derem o direito de tentar entender. Aqueles que não quiserem entender podem parar por aqui e desistir da leitura, porque minha loucura está apenas no início.

O programa da disciplina certamente existirá, mas terá apenas temas gerais a serem discutidos e o conteúdo específico será definido dia a dia, aula a aula, de acordo com o interesse dos alunos sobre aquele tema. Podem ter certeza, sempre (sempre mesmo) haverá alguém querendo saber algo sobre alguma coisa e a partir desse algo e da criação do professor, obviamente a discussão se faz, o assunto cresce e os conceitos aparecem. Desta forma o currículo se faz e a disciplina (matéria) é de alguma forma aprendida. O professor exige um relatório ou faz algumas perguntas sobre o assunto e o conteúdo programático está estabelecido. Mais uma vez, a propósito, antes que alguém diga que isso é impossível, eu posso afirmar que não é, porque já fiz essa experiência algumas vezes e podem acreditar: isso funciona, dá muito certo. Aliás, o único risco que se corre, é que muitas vezes o tempo da aula não é suficiente para suprir as discussões, sendo necessário continua-las em outra ou outras aulas. Por outro lado, devo ressaltar que o aproveitamento é ótimo.

O professor não tem que estar preocupado em cumprir um programa, ele apenas apresenta um tema e o programa se faz, a partir das opiniões, das questões, das discussões e do interesse direto e imediato dos alunos, os clientes, aqueles que precisam estar satisfeitos com o produto. As questões são tiradas das próprias interlocuções e os conceitos são aplicados para que se esclareçam sobre os termos. Parece incrível, mas é real. Eu já fiz e volto a dizer, o resultado é fantástico, isto é, o aproveitamento (aprendizado) dos alunos é muito maior, porque o aluno é o agente (protagonista) da história tratada e assim, ele aproveita, guarda e aprende muito mais. Colegas professores, por favor, duvidem do que eu digo e façam o teste vocês mesmos.

Agora, tem um outro lado complicado e mais uma vez, alguém vai perder ou alguém vai ganhar um novo emprego. Aquela discussão inócua em nível, às vezes nacional, de qual deve ser o currículo para o Ensino Médio, como se está vivenciando nesse momento, passa a não ser mais tão importante, porque a partir dos temas básicos e do interesse local da comunidade da escola e da população mais característica, a discussão se estabelecerá, sempre dentro dos valores e principalmente dos problemas próximos, condizentes com a contextualização que se faz necessária. Essa metodologia implica em abandonar a escola fictícia, inventada por alguém e partir para o trabalho na escola real, que acontece no cotidiano daquela comunidade.

Volto a afirmar: eu sei que isso funciona, porque eu já experimentei. Entretanto, precisa ser tentado por quem não acredita. Já disse que fiz essa experiência várias vezes e deu muito certo. Infelizmente alguns ainda vão preferir dizer que, na verdade, eu sou um preguiçoso que andei enrolando meus alunos e cabulando aula. Mas, por favor, senhores professores, façam essa experiência também.

Infelizmente, estamos presos a uma legislação e a algumas obrigações idiotizantes que não nos permitem fazer isso sempre, porque temos que cumprir os programas, os prazos estabelecidos e outras “bobagens burocráticas” em de cada bimestre do ano letivo com suas 200 horas obrigatórias de atividades. Vejam bem, eu disse “bobagens burocráticas” porque isso não tem efetivamente nada a ver com a escola ou com a educação. Isso é uma arbitrariedade imposta por alguém, dentro do sistema, e não tem valor pedagógico absolutamente nenhum. 

Aliás, em 1991, o ministro da educação era uma sujeito que o Presidente Collor inventou, Carlos Chiarelli, e que achou que ia acabar com todos os problemas da educação, quando ampliou o número de dias letivos de 180 para 200. Naquela oportunidade, eu publiquei um artigo (LIMA,1991), no Boletim da Universidade de Taubaté, onde chamava a atenção para o fato de que não são 180 ou 200 dias letivos que fazem a diferença e muito menos a melhora da educação, mas sim a postura do aluno, do professor, da escola e do ministro. Isso faz 27 anos e como eu disse, naquela época, até aqui nada mudou, além dos 20 dias a mais. Naquela época se discutiu sobre os números de dias do ano letivo, mas não tratou efetivamente de educação e hoje nem os números de dias letivos são mais discutidos.

Mas, eu quero dar mais um exemplo, na minha área (Biologia), daquilo que estou chamando de “bobagens burocráticas”, para que meus colegas possam entender melhor. De acordo com o programa o professor está ministrando uma aula sobre Biologia Celular e tratando de questões energéticas celulares e de repente, ele tem que se referir e tentar explicar sobre o “Ciclo de Krebs” (Ciclo do Ácido Cítrico), que é um assunto tão complicado, que nem 10% dos professores de Biologia consegue entender, quanto mais explicar. Aí, depois de uma aula inteira cheia de confusão e de nomes de substâncias químicas que ninguém entendeu nada e principalmente que não serviu para nada na vida do aluno, o professor avisa que o aluno tem que saber aquele assunto porque vai cair na prova.

Ora, com licença do termo, isso é uma grande sacanagem, porque como eu disse, a grande maioria dos professores de Biologia também não sabem nada sobre esse assunto e se não fosse “obrigado”, a maioria dos professores nem falaria disso, porque não é algo que seja importante para quem não trabalha diretamente com Bioquímica Celular. Isto é, não agrega valor à vida de quase nenhum indivíduo na sociedade. Então, porque expor o aluno a esse martírio e perder uma aula inteira ou mais falando de algo que não interessa a ninguém, nem mesmo ao professor de Biologia, na maioria das vezes?

Pois é, meus amigos, tem muita coisa que se ensina na escola que não serve para absolutamente nada, mas como está escrito num determinado papel orientador do ensino (currículo escolar) que aquilo deve ser ensinado, ou pior ainda, como está contido no “livro didático” daquela disciplina, então o “professor” pensa que é obrigado a seguir. Será que não seria mais interessante chegar para o aluno e dizer o seguinte: hoje nós vamos discutir sobre a Respiração Celular, deem uma boa lida no livro e conversaremos sobre o assunto depois. Mas é para conversar sobre o assunto mesmo e não para deixar o aluno na expectativa ou na espera eterna. Depois o professor pode fazer alguns questionamentos mais específicos para serem respondidos pelo aluno ou pode solicitar um relatório da discussão.

Para aqueles que se interessam por essa discussão, recomendo a leitura de dois artigos que publiquei, nos quais discuti um pouco mais sobre essa questão, das coisas desnecessárias que a escola, o programa e consequentemente o professor, têm que “ensinar”, por questões burocráticas, mas que não servem para coisa nenhuma no que diz respeito à formação do aluno (LIMA, 2017 e LIMA, 2018).

Sinceramente, qual das duas situações vocês acreditam que gera mais interesse, é mais sincera, mais verdadeira e que produz melhor aproveitamento e conduz a melhores resultados por parte dos alunos: a primeira que é opressora, ditatorial, decorativa, repetitiva e que já vem pronta por alguém ou a segunda que é questionadora, democrática, discursiva, construtiva e que se desenvolve a partir dos questionamentos imediatos?  Acredito que todos vão concordar comigo, que a segunda situação é claramente a mais efetiva, eficiente e eficaz.

Pois então, é disso que estou falando, não precisa mais existirem essas regras medíocres do século XVIII em pleno século XXI e nem esses assuntos irrelevantes que alguém resolveu achar que são importantes e colocar num currículo escolar, mas cuja importância é altamente questionável, principalmente para um jovem estudante. Precisamos adequar as nossas necessidades didáticas ao nosso tempo e precisamos dosar a informação, considerando a importância relativa que ela tem para os nossos jovens. Além disso, temos que fazer a devida contextualização dessa importância, pois do contrário, não faz nenhum sentido a informação que estamos “passando”, pois ela efetivamente passará e não será absorvida pelo aluno. Ao invés de “passarmos” a matéria, temos que discutir os assuntos de maneira criativa e interessante, tentando demonstrar suas respectivas importâncias.

OS OBJETIVOS DA ESCOLA

Por outro lado, o objetivo primário e fundamental de qualquer escola é sempre o mesmo, qual seja, formar, instruir e educar o cidadão para uma vida melhor, ou como se dizia antigamente “educar e preparar para a vida”. Pois então, é nesse argumento que vou, a princípio, me apoiar para continuar minha argumentação. Preparar para vida é muito mais que informar sobre temas de disciplinas (matérias) específicas, mas também é muito mais do que desenvolver procedimentos sociais e comportamentais específicos e ainda é tremendamente mais que desenvolver a possibilidade maior de garantir uma função na sociedade, seja ele profissional ou pessoal. Preparar para vida pode ser um pouco disso tudo, mas não é nada disso exclusivamente.

Penso eu que preparar para a vida seja dar condições mínimas necessárias à sobrevivência no ambiente em que se vive e demonstrar as possibilidades de melhorá-las progressivamente, através das mais diversas ações. Obviamente para isso é necessário conhecimento e orientação sobre muitas coisas e a instituição escola está aí para suprir essas necessidades, dentro de suas devidas possibilidades. A escola ideal deveria fornecer todas as necessidades, mas certamente a escola ideal não existe e o aluno tem que fazer a parte dele criando e procurando cada vez mais. Então, a escola também deve estimular e incentivar o aluno nessa busca ulterior de informação e conhecimento.

Na verdade a escola precisa criar condições para que as pessoas sejam capazes de discernir e ter capacidade de escolha e de emissão de opinião sobre as diferentes situações que essas pessoas terão que passar ao longo de sua existência, antevendo previamente que certamente haverá situações boas e ruins. Isto é, nem sempre os resultados serão os esperados, mas sempre existirão novas oportunidades. Preparar para a vida e produzir a capacidade de acertar, mas também a possibilidade de errar e aí levantar a cabeça e aprender com os erros. É óbvio que o conhecimento dessa ou daquela disciplina auxilia mais ou menos nos diferentes contextos e por isso esse conhecimento é bastante importante, mas ele certamente não é sempre o mais fundamental no aprendizado, pois vivências, convivências, afinidades e afeto também têm grande relevância no contexto da formação do indivíduo (aluno).

A escola tem que ser ciente de seu papel estritamente pedagógico, mas ela também tem que ser ciente de seu papel social maior, mas me parece que é exatamente nesse aspecto que a coisa se complica, porque nesse caso não há avaliação e principalmente não há mérito considerado nesse aspecto. Aquilo que não é disciplinar acaba não tendo valor na escola, aquela instituição que tem que preparar para a vida é, na verdade, a instituição que simplesmente aprova indistintamente ou reprova taxativamente por conta meritória e estritamente disciplinar. Que escola é essa que construímos ao longo da história?

Porque não nos baseamos na “população característica” que já descrevemos para avaliar os alunos? É claro que aí existe muita subjetividade nesse tipo de avaliação e será muito difícil avaliar. Entretanto, quando a avaliação é reduzida apenas a um número ou a um conceito ela fica objetiva demais e acaba não condizendo com a verdade, como acontece até hoje. Infelizmente ainda existem muitos educadores que não conseguem visualizar a avaliação fora desse padrão de objetividade. Alguns desses educadores, mais tacanhas ainda, chegam ao extremo de não conseguirem, se quer, ir além do limite das próprias disciplinas que ministram. Professores do tipo: “não passou na minha disciplina, então não pode ser aprovado, porque a minha disciplina é fundamental”.  Esse tipo de radicalismo infundado não pode mais ter lugar na instituição escola.

Mas, então, como agir para preparar o cidadão (aluno) para a vida?  A primeira coisa a lembrar é que a vida do cidadão pertence ao cidadão e que tutela não faz bem a ninguém. Ah! Então é para a escola passar a ser um “vai-da-valsa” e o aluno pode fazer o que quiser? Obviamente que também não é assim. A instituição escola necessariamente tem uma ordem, uma formalidade, um padrão de conduta típico daquilo que se convencionou definir como escola e que aqui já foi citado. Talvez o velho chavão liberdade com responsabilidade possa ser considerado aqui como o princípio básico a ser estabelecido na escola.

O CONTRATO SOCIAL DA ESCOLA

Pois então, essa formalidade da escola com a sociedade tem que estar clara no contrato social do aluno (cidadão interessado na escola) com a própria escola, que deve manifestar sua intenção objetiva em preparar esse cidadão e o aluno, por sua vez, deve estar ciente que procurou a escola para efetivamente se preparar para a vida. Esse contrato certamente tem gerar uma interdependência intelectual, social e moral entre as duas partes, dentro de todos os preceitos normativos que forem cabidos a ambas, com a responsabilidade mútua do cumprimento. Se não for assim, o contrato deve ser rescindido.

Entretanto, afirmo mais uma vez, a escola não pode assumir a tutela ou paternidade do aluno, se entendendo no direito de “saber” o que é melhor para ele, impondo condições aqui e ali que tentem justificar a manutenção do contrato. Infelizmente é isso que costuma acontecer e por conta desse fato, algumas vezes a situação foge ao controle e surgem problemas mais sérios. Se o aluno não respeita o que está estabelecido e nem se enquadra na sua parte do acordo, ele não pode fazer parte da escola.

Precisamos acabar com esse negócio de achar que a escola é para todo mundo, porque lamentavelmente isso não é nem pode ser uma verdade absoluta. Escola não é um ambiente de recuperação de conduta de quem quer que seja, para isso existem as prisões, penitenciárias e outras instituições disciplinares e corretivas. A escola é um lugar para gente livre, que quer continuar livre e que acredita que pode ser melhor passando pela experiência escolar. Isso é e tem que ser uma questão de vontade e não de imposição.

Eu até entendo e penso que a escola realmente deveria ser para todos, mas infelizmente, existem aqueles que não querem, não se adaptam, não tem nenhum interesse e até mesmo capacidade de se integrar socialmente. Por mais que eu discorde dessa situação, esses indivíduos existem e são pessoas que devem ter a sua vontade respeitada, enquanto não ultrapassam os limites das normais legais estabelecidas para toda a sociedade. Apenas não querer estudar, não pode ser considerado crime. Ao contrário, eu até acho que é um direito do cidadão, mesmo que eu não concorde com esse cidadão, eu não posso imaginar que ele não tenha esse direito.

Obviamente aqui cabe uma pequena discussão, enquanto for menor, esse cidadão já possui uma tutela legal, que são os seus pais ou responsáveis. Assim, qualquer ação deve incidir sobre eles, os pais, e não sobre os seus tutelados. A mesma escola que pune as crianças, não pode punir os pais das crianças que não cumprem as normas e assim não adianta propor regra, porque se os pais não cumprem, porque as crianças irão cumprir? Há que se estabelecer regras que obriguem os pais e tomarem posturas de seus tutelados ou que simplesmente determinem legalmente, que eles não são mais seus tutelados e eu vejo que isso também é um direito, que infelizmente parece não ser reconhecido no Brasil.

Aliás, é por isso que eu não acredito muito nessa tal de inclusão, hoje tão falada nos meios educacionais. Pelo menos, na inclusão da maneira que está sendo proposta, porque ela esquece principalmente a identidade e a individualidade do incluído e ele acaba sendo considerado um coitado e sem vontade própria no meio das demais pessoas, ou seja, é um tipo de inclusão que acaba não incluindo nada e nem ninguém. Não sou preconceituoso, mas também não sou demagogo e essa inclusão que está sendo proposta não é boa para o incluído, embora ela seja pretensamente “boa” para quem a projeta. É bom lembrar que, como disse Samuel Johnson “a cadeia e o inferno estão cheios de gente bem intencionada”. Aquilo que a gente pensa que é bom para alguém, nem sempre é bom mesmo. Aliás, na maioria das vezes não costuma ser.

Antes da inclusão propriamente deveria existir uma autorização formal do indivíduo a ser incluído, indicando primeiramente se ele quer ser incluído ou não e se a resposta fosse afirmativa, o próprio indivíduo faria uma indicação de como gostaria de ser incluído. Mas, na verdade, o “pacote inclusivo” já está pronto e alguém joga o indivíduo dentro dele, como se ele fosse um objeto qualquer. Por que não deixar o sujeito se incluir por si só, da maneira dele, na sociedade? Por que a sociedade tem que querer ser mãe daqueles que são diferentes do padrão considerado normal? Mas, vamos deixar isso de lado, porque eu acabei fugindo do meu tema primário.

Então, as funções desenvolvidas pela escola são inúmeras e cada vez mais surgem outras, advogadas pelos teóricos da sociedade e até mesmo da pedagogia, muitos dos quais nunca estiveram dentro de uma escola, nem numa sala de aula, ou melhor, só estiveram quando eram alunos e ao que parecem não aprenderam nada sobre a instituição escola nessas referidas oportunidades. É preciso parar com essa coisa de que sempre existe alguém que sabe e que tem a solução para tudo. Isso é uma falácia, particularmente numa escola, onde tratamos direta e exclusivamente com pessoas, as quais são diferentes e assim, respondem da maneira diferente. Não pode existir uma receita pronta, quando nem os ingredientes utilizados são devidamente conhecidos.

A escola moderna que estou imaginando seria uma entidade social voltada principalmente para discutir questões, o que possivelmente desenvolveria jovens mais interessados em esclarecer situações e em pesquisar, buscando o entendimento cada vez maior das coisas. O futuro da educação a meu ver passa por essa nova escola, a qual deverá trazer respostas promissoras e principalmente deslumbrar um novo mundo aos interesses pessoais dos diferentes alunos.

O aguçar do conhecimento deverá ser uma constante nesse aluno contestador e questionador que se fará com essa escola moderna. Por outro lado, a sociedade em geral só obterá ganhos, porque com alunos mais interessados, certamente a escola se desenvolverá de uma maneira melhor e isso trará uma grande possibilidade de surgirem melhores profissionais em todos os níveis e ramos de atividade. A sociedade deverá se engrandecer e a humanidade tenderá a ser mais justa, com pessoas mais eficazes nas suas funções e mais preocupadas com a qualidade de vida no planeta.

A ESCOLA DO FUTURO

Tenho pensado muito numa escola diferente e aberta. E quando eu digo aberta, quero dizer exatamente isso. A escola não pode se fechar em si mesma e se padronizar publicamente, porque o público é diversificado e grande parte desse público, pelos mais diversos motivos, não concorda e não aceita os padrões arcaicos já estabelecidos na escola. As definições das funções escolares devem ser claras e precisas para que os indivíduos que procuram uma escola tenham a certeza de que encontram a escola certa aos seus interesses. Eu costumo dizer que: “nenhuma escola é naturalmente boa”, porque quem faz a escola é o aluno e assim é o aluno que determina se a escola é boa ou ruim.  Se o aluno se satisfizer com a escola ela será boa, mas se não for assim ele será ruim, independentemente de quem sejam os demais atores sociais que existam naquela escola. Os melhores professores, engrandecem a escola, mas certamente não fazem a melhor escola.

A máxima do comércio diz que: “o cliente tem sempre razão”. O cliente da escola é o aluno e ele deve ditar as regras mínimas da entidade social que existe por conta dele. O balizamento escolar deve se ater as questões organizacionais regulamentares e legais que abrangem qualquer entidade social. A escola não pode fugir as regras éticas da sociedade, mas deve se interessar mais pela satisfação de seus alunos. Óbvia e principalmente daqueles alunos que assumirem o contrato social estabelecido a partir da população mais característica daquela escola. Mas, a escola não pode interferir em outras questões que se relacionem com situações particulares.

A escola aberta a que eu me refiro certamente é uma utopia para muitos que me chamarão de débil mental ou qualquer coisa do gênero, mas pensem nela como algo possível. Pensem, por exemplo, que o programa de uma determinada disciplina é feito a cada aula, onde se discute aquilo que é interessante aos alunos e não aquilo que está estabelecido por uma regra esdrúxula que vem se mantendo desde o século XVIII. A escola tem que evoluir como instituição social do século XXI, onde tudo que existe do ponto de vista disciplinar e informativo, certo ou errado, já está no “Google” e o aluno certamente tem essa informação disponível a hora que ele quiser. Cabe a escola esclarecer, discutir, orientar e talvez até fomentar um pouco mais sobre esses assuntos.

É claro que sair do conservadorismo secular e entrar na modernidade como escola aberta trará um custo efetivo muito grande para a instituição escola em todos os níveis. Os prédios terão que ser melhores, mais modernos e arejados; a informatização deverá ser total, o que diminuirá tremendamente a burocracia dos processos; os funcionários deverão ser de melhor nível sociocultural; os professores terão que ser realmente conhecedores de suas disciplinas, além de pessoas cultas e capazes de mediar discussões e discutir efetivamente sobre os diversos assuntos que serão trazidos ao debate nas salas de aula. Enfim, não vai ser fácil, mas a sociedade atual não quer mais saber dessa escola que existe até hoje.

Eu estou com quase 63 anos, 60 deles foram passados dentro das escolas, os iniciais como aluno e a grande maioria deles como professor. Hoje ainda sou um agente ativo dessa escola arcaica, fechada, conservadora e pretensamente séria. Sempre procurei ser vanguardista e estive muito à frente dos alunos e dos professores do meu tempo. Sempre procurei provocar, desenvolver e criar coisas diferentes e novas. Certamente, como eu não sou herói, não consegui mudar quase nada, até porque o sistema é muito grande e gente como eu, geralmente é mal vista pelo sistema e consequentemente tende a acabar sendo desvalorizada em sua essência.

Mas, eu segui em frente tentando fazer a minha parte e não dei muita trela para as opiniões da maioria conservacionista e retrógrada que compõem o sistema, embora tenham ocorrido alguns desentendimentos mais significativos, eu sobrevivi muito bem. Obviamente sofri muito com minha forma diferente de pensar, ser e de agir, mas ganhei muita consideração daqueles que estavam do outro lado e que como eu já disse, são os verdadeiros “donos da escola”, os alunos. Assim, penso que valeu, ou melhor, ainda está valendo a pena.

Pois então, é por eles e para eles (os alunos) que a instituição escola existe. Todo o restante da comunidade escolar, inclusive o professor, é acessório na escola, apenas o aluno é fundamental. O aluno é o cliente da instituição escola e essa instituição tem que se preocupar em entender e atender bem esse cliente, pois do contrário a escola poderá (deverá) perder prestígio. Em certo sentido é exatamente isso que estamos observando, cada vez mais, nos últimos tempos. A escola deixou de ser algo interessante, se é que algum dia foi, para a maioria dos seus clientes.

A escola é cada vez mais distante aos anseios, menos atraente e pouco interessante aos alunos, os quais, por isso mesmo, estão cada vez menos envolvidos com a escola e com o aprendizado. Mas, será que os alunos não querem aprender? Obviamente que isso não pode ser verdade, porque o aprendizado é fundamental em qualquer situação e os alunos sabem disso. Isto é, qualquer coisa para ser feita com eficácia precisa ser aprendida, sendo assim, os alunos continuam querendo aprender e assim essa nova escola, diferente e aberta, é uma necessidade da sociedade moderna. Atualmente os alunos querem aprender outras coisas diferentes, de outras maneiras diferentes daquelas que a escola tradicionalmente procurou ensinar aos longo do tempo e se a escola não mudar e se abrir a situação ficará cada vez pior.

CONCLUSÕES

Em suma, está bastante claro e indiscutível que o aluno já mudou e vai mudar cada vez mais. Ora, se o cliente mudou e continuará mudando, está na hora da organização comercial que depende desse cliente, isto é, a instituição social escola, a mais importante instituição social, se adaptar às novas e progressivas necessidades e também mudar para continuar existindo no mercado. A sociedade moderna não pode deixar a escola caminhar para a extinção como instituição social, antes de tentar mudar e estabelecer um novo (diferente) contrato social com os alunos que estão aí, ainda ávidos por aprender, mas à moda deles. A escola tem que deixar de ser conservadora, estática e retrógrada, ela deve se ajustar, modificando o seu padrão arcaico e tradicional, ela tem que progressivamente ir se adequando às novas situações e necessidades da sociedade moderna.

A escola do nosso tempo já passou, agora é o tempo deles, os alunos modernos, e daqui para frente vai ser cada vez mais difícil manter esse conservadorismo histórico e esse tradicionalismo arcaico, porque os alunos necessitam de uma escola diferente. A escola do futuro precisa começar a ser construída, ouvindo integralmente os anseios dos atuais alunos e da modernidade. É fundamental e preponderante que o processo de abertura dessa nova escola para a sociedade tenha início o mais rápido possível. Nós não podemos mais continuar com essa padronização esdrúxula do Século XVIII sendo imposta às gerações dos Séculos XXI e muito menos às gerações dos séculos vindouros.  A sociedade necessita rever o seu conceito do que efetivamente significa escola nos tempos atuais e o que significará no futuro.

Devemos pois, nos preocuparmos em criar essa nova escola, projetada nos interesses maiores da sociedade, particularmente centrada na população mais característica de sua comunidade para fazer sentido prático e operacional, mas que ela seja pensada, projetada, construída e principalmente querida e desenvolvida pelos estudantes atuais e por aqueles que ainda virão, adequando-se paulatinamente ao tempo. A escola deve caminhar em paralelo com a sociedade, para que possa continuar cumprindo o seu papel social de destaque a contento, mas ela não pode perder a noção de que o aluno é o seu principal agente social e por isso mesmo ele deve ser a fonte primária de referência para o desenvolvimento contínuo desse tipo de instituição.

O aluno deverá continuar sendo cada vez mais importante na constituição da escola e, por isso mesmo, há necessidade de que a escola pare de ser gerida por ideias estranhas ao seu contexto real. Os problemas e as soluções da escola encontram-se nela mesma e os alunos são as referências primordiais do entendimento e das necessidades que possam existir. É preciso ficar claro que daqui para o futuro, qualquer maneira de pensar e principalmente de agir, que não prestigie e nem privilegie a opinião discente na escola, certamente não deverá prosperar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREEMAN, R. E., 1984. Gestão Estratégica: uma abordagem de “stakeholders”. Boston,  Pitman.

LIMA, L. E. C., 1991. Uma Questão de Coerência, Boletim Informativo da Universidade de Taubaté, Ano III (9), março/abril de 1991.

LIMA, L. E. C., 2017. A Escola Brasileira e a Necessidade do Ensino de Ciências”, http://oblogdowerneck.blogspot.com.br/2017/11/a-escola-brasileira-e-necessidade-do.no.html, 25 de novembro de 2017.

LIMA, L. E. C., 2018. A Burocracia e a Padronização nas Escolas Brasileiras, www.profluizeduardo.com.br, 13 de março de 2018.

13 mar 2019

A Burocracia e a Padronização nas Escolas Brasileiras

Resumo: O texto apresenta uma abordagem referente a questão do atraso sistemático da Educação Brasileira,quando comparada a países efetivamente menos importantes que o Brasil no cenário internacional e considera que grande parte desse atraso resulta diretamente da imensa burocracia e da padronização ilógica que existe no Sistema Educacional.


Não sei bem o porquê, mas a verdade é que eu nunca gostei de padrões. Padronizar as situações, entidades ou mesmo os objetos sempre me pareceu algo desagradável e estranho, além de ser uma maneira de descaracterizar essas mesmas situações, entidades ou objetos. Aliás, na minha maneira particular de entender, considero que padronizar é um absurdo, porque padronizar é artificializar as situações, as entidades e objetos num interesse qualquer, definido por alguém, que muitas vezes não tem a ver e nem sabe nada sobre a situação, a entidade ou o objeto em questão. No que se refere as escolas, que são entidades que tratam com pessoas (seres humanos), isso me parece mais estranho, mais ilógico e mais absurdo ainda. Até porque a escola é uma entidade diferente e especial, que trata sobre a educação e o aprendizado de pessoas e sempre é bom lembrar que pessoas, além de não serem objetos quaisquer, pensam e respondem a estímulos e obviamente não podem nem devem ser tratados de uma maneira comum e padronizada.
Padronizar é uma atitude comum aos burocratas, os sujeitos que praticam e adoram a burocracia, aqueles indivíduos que criam entraves e sempre se acham mais importantes do que de fato são. A burocracia é algo que me incomoda muito e o burocrata é alguém que procura padronizar tudo o que pode. Isto é, um sujeito que sempre cria uma condição artificial no seu próprio interesse, tornando as questões quase sempre mais complicadas do que fato elas realmente são. E mais, esse sujeito faz isso, sempre visando o seu próprio interesse, mudando a realidade à sua volta e principalmente, deixando de lado, muitas vezes, por puro capricho, a verdadeira natureza das coisas e das pessoas envolvidas, as quais passam a ter que seguir a nova condição criada artificialmente por ele.
Se fizermos uma rápida investida ao dicionário à procura de encontrar um melhor conceito para as palavras burocracia e padronização, certamente encontraremos algumas definições que, em certo sentido, nos dirigirão a uma quase sinonímia entre ambas por vários aspectos. Essas duas palavras, embora tenham grafias muito distintas, tratam de assuntos muito próximos e comuns no que se refere a organização das instituições. Ambas visam estabelecer obediências hierárquicas organizacionais dentro de um sistema classificatório. Mas isso, na grande maioria das vezes, não condiz com a verdade que se observa nos sistemas institucionais em questão.
Uma cria a regra (padronização) e a outra desenvolve o modelo rígido dentro daquela regra (burocracia), entretanto, nenhuma das duas procura saber especificamente sobre a natureza daquilo que está sendo trabalhado. É como se fosse um saco genérico cheio de coisas distintas, mas onde tudo o que está dentro desse saco é considerado exatamente igual, sob todos os aspectos e assim, tudo é tratado da mesma maneira, sem nenhum respeito às peculiaridades e às individualidades.
Por outro lado, é preciso que seja dito, que a educação e as escolas têm feito com as pessoas, ao longo da história, é exatamente isso, ou seja, artificializar as suas naturezas, criando padrões imaginários que se supõem sejam corretos. Isto é, as escolas vêm padronizando, ou melhor, “coisificando” as pessoas histórica e progressivamente e consequentemente burocratizando (complicando) o ensino.
Mas, a questão educacional está entravada exatamente aí. O que deve ser considerado correto? Por que isso deve ser considerado correto? Qual o critério para definir o que é correto? Quem estabeleceu que esse critério ou essa condição como correta? Enfim, por que tem que existir uma padronização curricular, se a realidade e a necessidade podem ser e geralmente são diferentes?
É claro e óbvio que há necessidade de se estabelecer um mecanismo de orientação e um certo balizamento, quando se fala de ensino e educação, mas isso não quer dizer que se deva engessar toda a educação dentro de normas rígidas e intransponíveis, como se o processo educacional estivesse numa redoma totalmente fechada. Até porque, ao meu ver, isso além de restringir a capacidade individual, acaba mascarando a inteligência e obstruindo a criatividade do aluno (estudante), o que certamente são atitudes antipedagógicas, ou melhor, são atitudes que deseducam.
A história tem nos mostrado que nem sempre os grandes gênios das artes e das ciências foram “bons alunos”. Aliás, ao contrário, em geral esses gênios foram (são) pessoas inconformadas e insatisfeitas com as escolas e com os padrões nelas estabelecidos. Esses sujeitos eram (são) pessoas avessas às normas das escolas e por isso mesmo não eram (são) “bons alunos”, ou pelo menos não eram (são) “bons alunos” no conceito padronizado esperado pelas escolas e seus tutores. Há inclusive quem defenda que eles só foram efetivamente gênios porque fugiram aos padrões tradicionais estabelecidos.
Assim, tem me preocupado bastante o fato de que o país está criando e estabelecendo (já estabeleceu) um “novo modelo” curricular para o Ensino Médio, desenvolvido por burocratas e que pretende ser mais um “padrão nacional”. Será que o Brasil, o quinto país do mundo em área geográfica (muito maior que toda a Europa), com a sexta população do planeta (208 milhões de habitantes) deve mesmo estabelecer um “novo modelo” curricular assim?
Peço vênia, aos mais entendidos no assunto, mas penso que isso é mais uma ilogicidade nacional e, o que é pior ainda, trata-se de uma inconveniência grotesca com a nação brasileira. Penso que ao invés de um “novo modelo” rígido, deveríamos ter critérios amplos e deveríamos estabelecer possibilidades de favorecimento àquilo que transcendesse aos padrões criados. Um país como o nosso não precisa e não pode ter padrões curriculares e vou tentar demonstrar porque penso assim.
Na educação, infelizmente estamos cheios de burocratas e assim a questão educacional emperra e se complica muito mais por conta dessa burocracia idiotizante do que qualquer outra coisa pertinente. Mas, obviamente, eu e quero crer que a maioria das pessoas de senso, acredita que isso não deveria, de maneira alguma, ser dessa forma. Isto é, o processo educacional deveria ser mais leve, mais flexível e menos emperrado. Até porque a educação é uma questão especial, que destaca o homem das demais formas vivas e não deveria ser tratada como uma questão qualquer dentro de um saco onde existem outras coisas. A educação tem que ser algo de trato diferenciado e a burocracia, filha pródiga da padronização, com sua característica genérica, vulgariza a educação e só complica e prejudica o processo educacional.
A educação é certamente a mais importante das questões humanas e deve ser considerada como prioridade absoluta sobre todas as demais questões que dizem respeito a humanidade, mormente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. A burocracia educacional atravanca todo o processo e isso é inadmissível num país que precisa educar seu povo para se desenvolver mais e galgar um lugar melhor entre as diferentes nações do mundo.
Estou convencido de que; “quanto mais se burocratiza e padroniza a educação, menos se educa efetivamente”. Assim, a ideia de desenvolver e investir em modelos únicos num país como o nosso, além de ser uma falácia impraticável e um retrocesso sociológico, também significa esquecer os possíveis padrões naturais do Brasil e culturais do povo brasileiro. Ora, certamente, esse esquecimento não é nada conveniente, principalmente quando se trata de educação, pois como será possível educar as pessoas desconsiderando a realidade à sua volta?
Os Padrões Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecidos pelo Ministério da Educação como modelos educacionais para o país, falam o tempo todo na necessidade de contextualização, mas agora mesmo, só para dar um exemplo, o governo está estabelecendo a padronização do currículo do Ensino Médio e gritando aos quatro ventos que isso é um grande negócio. Ora, isso não faz nenhum sentido. Talvez até seja preciso padronizar mecanismos (procedimentos) de ensino, mas não se deve padronizar currículos jamais, haja vista que os currículos devem surgir da necessidade próxima.
Penso que deveriam ser estabelecidos princípios educacionais claros e suficientemente abrangentes, a partir dos quais seriam desenvolvidos os currículos, de acordo com as realidades e as necessidades regionais, ou mesmo locais, desse país continental. A padronização curricular, imposta pela burocracia governamental, a meu ver, certamente irá prejudicar o processo educacional como um todo. Os alunos terão sua realidade modificada por um conhecimento irreal e muitas vezes aviltada por informações menos importantes do que aquelas que lhes são mais próximas. Por sua vez, os professores deverão ter sérias dificuldades de adequação dos seus conteúdos disciplinares aos diferentes interesses estabelecidos pela nova ordem legal imposta, apesar de todo apelo promocional mentiroso feito pela propaganda que circula na mídia, pois os modelos estabelecidos são genéricos e não consideram a regionalização.
Meus Deus, será que é tão difícil entender que a informação fornecida no Rio Grande do Sul não pode ser a mesma que a do Amazonas? Mas, é melhor eu me explicar, antes que me critiquem e me chamem de preconceituoso ou mesmo separatista. O nível do ensino deve ser o mesmo, a metodologia pode até ser a mesma, mas a informação necessariamente é diferente, porque as realidades ambientais, sociais e culturais são diferentes, por vários motivos. Temos que parar com esse negócio de achar que todo mundo é igual, porque isso acaba sendo uma afirmação mais perigosa e comprometedora do que simplesmente entender que todos são diferentes e que devem ser aceitadas, respeitadas, entendidas e trabalhadas essas diferenças.
A cultura humana se forma da diversidade e a padronização interfere drasticamente nesse processo. A padronização é bastante preconceituosa, quando trata todos de uma única maneira, porque ela pressupõe uma maneira (certa ou errada) a ser tratada e assim desconsidera as outras maneiras, não respeitando a diversidade cultural e isso sim, me desculpem os entendidos, é que se traduz numa forma de preconceito. Por isso mesmo, é que, a meu ver, a educação tem que ser livre de padrões que possam engessá-la, mesmo que seja parcialmente.
A educação presa e engessada obviamente é antipedagógica e sobre tudo preconceituosa e anticultural. Desta forma esse tipo de educação não deve servir para um país com tamanha diversidade como o Brasil e que pretende e precisa crescer no cenário internacional. Baseado nesse fato, creio que precisamos regionalizar a educação brasileira para poder torna-la mais verdadeira e para que a nação possa colher os frutos dessa educação mais produtivamente.
A burocracia é um mecanismo que sobremaneira e costumeiramente tem atrapalhado, cada vez mais, ao processo ensino-aprendizagem com sua “coisificação” humana e a padronização, quando põe tudo dentro da mesma regra, acaba fazendo o mesmo. Assim, esses dois conceitos, não deveriam ter tanta importância na educação. Aliás, não deveriam ter importância nenhuma. Desta maneira, devo concluir que tanto a burocracia quanto a padronização não servem aos interesses da educação desse país e por isso resolvi produzir essa pequena reflexão.
Por favor, tentem avaliar o meu raciocínio e, se puderem, digam que estou errado. Precisamos ter coragem de “sair da caixinha”, se é que queremos realmente melhorar a educação desse país e sair do marasmo do subdesenvolvimento. Os exemplos que outros países emergentes nos trazem pelo mundo afora são diametralmente opostos ao que se está pretendendo fazer aqui no Brasil e observem ainda que esses outros países têm tamanhos, populações, ambientes e condições culturais, extremamente menores e menos diversificadas que as nossas.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (63) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Ambientalista
e Presidente da Academia Caçapavense de Letras (ACL)

14 out 2016

Dia do Professor: quem puder que comemore

Resumo: Nesse artigo, além de prestar minha homenagem pessoal a todos os professores (Dia do Professor), procuro chamar a atenção das autoridades constituídas nesse país, no intuito de tentar moralizar as escolas públicas e devolver a autoridade aos professores, porque se isso não acontecer, a educação brasileira continuará seguindo como uma das piores do mundo e o Brasil não chegará ao lugar que merece.


Dia do Professor: quem puder que comemore

Meus amigos, no final desta semana estaremos comemorando mais um dia dos professores (15/10). Foi precisamente no dia 14 de outubro de 1963, que a data de 15 de outubro ficou nacionalmente estabelecida, como sendo “O Dia Nacional do Professor”, através do Decreto Federal de Número 52.682, assinado pelo Senhor Presidente da República, João Goulart. Portanto oficialmente estaremos comemorando 53 anos da data profissional do professor no Brasil. Mas, a pergunta que fica é essa: existe efetiva e realmente o que se comemorar nessa data?

A resposta a questão anterior já é conhecida de todos e acredito que certamente exista unanimidade em afirmar que NÃO EXISTE NADA PARA COMEMORAR. Mas, obviamente isso não ocorre por culpa dos professores, mas sim pelo descaso imenso como a Educação tem sido tratada, historicamente, em nosso país. Temos sucessivamente batido recordes negativos, cada vez maiores, no que diz respeito a má qualidade da educação e do ensino. Nosso país está sempre na rabeira dos diferentes “ranckings” internacionais em Educação, ficando muito atrás de países infinitamente mais pobres. E o pior é que ainda existem muitos “entendidos” que querem colocar a culpa diretamente nos professores, como se eles pudessem ser os únicos culpados por essa situação vexatória que o Brasil se encontra no que tange a educação e o ensino.

Recentemente passamos por três situações que cabem ser brevemente discutidas e comentadas aqui, até para mostrar um pouco da triste situação em que nos encontramos e para lembrar que não há porque fazermos qualquer festa na nossa data.

A primeira dessas situações é fala de um Ministro de Estado, que aliás, cabe ressaltar, NÃO É DO RAMO, pois é Administrador de Empresas e não tem nenhuma formação pedagógica, portanto ocupa o cargo por questões políticas e não profissionais. Mas, voltando ao assunto, o citado Ministro da Educação disse que para resolver os problemas da educação é preciso primeiro acabar com algumas “regalias” dos professores. Quer dizer que, segundo o Ministro da Educação: “o mal da educação são as pretensas “regalias” profissionais dadas aos professores”.

Como eu já disse, ele não é do ramo e assim não entende do assunto e obviamente sabe do que está falando. Se existe profissional nesse país que não tem absolutamente nenhuma regalia, esse é o infeliz do professor. Mas, os Ministros de Estado estão tão longe desse tipo de profissional, que não têm sequer, a verdadeira dimensão do que significa ser professor num país como o Brasil.

Ao contrário do que o Ministro da Educação pensa (se é que ele pensa efetivamente alguma coisa sobre essa questão?), os professores trabalham muito mais que qualquer outro profissional e ganham muito menos, são mal tratados, pelos políticos em todas as esferas do poder, pelos administradores das escolas públicas e principalmente pelos alunos e, o que é pior ainda, pelos pais dos alunos e lamentavelmente já servem de motivo de chacota para grande parte da sociedade brasileira. Hoje no Brasil, para grande parte da sociedade, ser professor é o mesmo que não servir para nada, pois quem servisse para alguma coisa qualquer, jamais teria sido professor. Talvez fosse Ministro da Educação, mas professor certamente não seria.

Pois é, são essas “regalias” que nós temos. Aqui no Brasil, somos profissionais de segunda ou terceira categoria, dirigidos e regidos por ministros de quarta ou quinta categoria, que “quebram o galho” na Educação, mas sem “regalias”, porque os professores são gado manso e não reclamam mesmo. Ora vá para o inferno Senhor ministro! Levante-se dessa cadeira que não lhe pertence e vá procurar a sua turma ou então trabalhe com seriedade, para fazer jus ao cargo que ocupa e deixe essa conversa mole de “regalias” dos professores.

A Educação vai mal porque esse país virou uma bagunça generalizada, porque falta ordem, porque confundiu-se democracia com leviandade e isso não tem nada a ver com os professores. Ou melhor, tem sim, pois são os professores que mais sofrem com esse “status quo” e não pense o senhor que nós professores gostamos ou que trabalhamos em prol dessa situação. Não, senhor ministro, nós somos muito contrários ao que acontece na Educação desse país.

A segunda situação foi a nova Medida Provisória sobre o Ensino Médio. É duro um país que se diz democrático legislar por Medidas Provisórias. Bom, mas como precisa ser feita alguma coisa e como esse governo também é provisório e tem pouco tempo, nós aceitamos e vamos fazer de contas que entendemos a emissão de uma Medida Provisória.

A Medida Provisória em questão, estabelece uma série de mudanças na Lei 9394/1996 que define as bases da Educação Nacional. Pela Medida Provisória, o ensino médio volta a dar ênfase à profissionalização, desobriga-se com as áreas artísticas e sociais, entrega a formação física quase que exclusivamente na mão dos proprietários de academias e desobriga a formação pedagógica específica para os professores.

Certamente não creio que todas essas sejam coisas benéficas à educação e ao ensino nacional, mas como já comentei um pouco sobre a Medida Provisória num artigo recente (A “Medida Provisória” para o Ensino Médio e o “Notório Saber”)*, eu não vou agora me ater a essa questão novamente, mas creio que vale a pena dar uma lida no artigo citado.

Por fim, a terceira situação, talvez seja a que mais tenha me “condicionado” a escrever esse artigo. Trata-se da recente divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM de 2015). Meus amigos, lamentavelmente é uma vergonha que continuemos andando para trás na educação e que tenhamos que ficar buscando motivos e culpando principalmente as ações dos professores, por conta dos resultados pífios obtidos pelos nossos estudantes nas diferentes avaliações nacionais e também nas avaliações internacionais em que o país esteja envolvido de alguma maneira ou por algum motivo.

Não vou aqui discutir todos números, até porque a matéria do ENEM 2015 já foi muito bem discutida e comentada na mídia, mas dessa vez ficou óbvia a culpa, pois das 100 primeiras escolas classificadas, apenas 3 são públicas. Desta forma, parece muito claro, que o problema das mas avaliações está na qualidade da escola pública do Brasil. É bom lembrar, que a escola pública não é um problema dos professores, é sim um problema do estado. Aliás, muitos dos professores (certamente a maioria) que ministram aulas nas escolas particulares também são professores de escolas públicas. Então porque o resultado das particulares é significativamente tão melhor?

Bem essa questão pode ser analisada por, pelo menos, dois aspectos: primeiramente os recursos das escolas particulares são utilizados nas escolas e assim, na maioria das vezes, elas funcionam muito bem. Em segundo lugar, cabe lembrar que nessas escolas, alunos, professores e dirigentes estão preocupados com que a escola efetivamente funcione e qualquer outra questão não é relevante. Nas escolas públicas os recursos, se existem, não chegam na escola e, por outro lado, a comunidade da escola não parece estar muito preocupada com o resultado final, até porque nesse país as pessoas são orientadas e entender que “tudo aquilo que é público não pertence a ninguém”.  Assim, é triste assumir, mas obviamente a escola pública não funciona, porque infelizmente ela não tem dono e virou terra de ninguém, sem ordem e sem nenhuma organização. Falta autoridade, controle e disciplina na escola pública brasileira.

É preciso parar com essa brincadeira de achar que a escola pública é somente um lugar de lazer e de relacionamentos estritamente sociais, onde as pessoas envolvidas vão apenas por conta de um compromisso social formal. Não, não e não! A escola tem que ser um lugar de aprendizado e de muito trabalho.  É preciso entender que a disciplina é uma regra fundamental no trabalho escolar. Enquanto não mudarmos essa postura de que o aluno tudo pode e infeliz do professor cheio de “regalias” é o único que não pode e não deve, a escola pública desse país não vai sair da condição em que se encontra. E não adianta nada, ficarem inventando novas teorias e técnicas pedagógicas fantásticas, que apenas transferem, mas não resolvem os problemas reais.

A propósito, antes que me atribuam qualquer qualificativo, quero dizer que sou, antes de qualquer coisa, um liberal, e acredito que as aulas devam ser alegres e os alunos devem ter liberdade, entretanto tem que haver um compromisso de trabalhar pela educação e pelo aprendizado dos dois lados, do professor e do aluno.  Eu sei muito bem a diferença entre liberdade e libertinagem, entre espaço alegre e orgia. Pois então, as escolas públicas viraram centros de orgia, onde os alunos desinteressados se encontram e, por acaso, também encontram professores que não podem (porque o “sistema” impede) fazer absolutamente nada para mudar o estado de caos. É bem verdade que alguns professores, que por benesses outras, caem nas graças dos alunos, até conseguem alguma coisa, mas a grande maioria não consegue fazer nada.

Para resolver a grave situação da educação brasileira será preciso que os recursos cheguem nas escolas, além de ser fundamental que se devolva a autoridade do professor na sala de aula, ainda que o ministro possa dizer que estou querendo mais “regalias” para a minha profissão. O que falta é respeito ao professor e ao seu trabalho e não é só por parte do aluno. Mas esse respeito é também necessário, pelo ministro, pelos dirigentes escolares e principalmente pelos pais dos alunos, enfim por toda a comunidade escola e pela sociedade em geral. Enquanto a profissão de professor for considerada uma profissão menor, que não pode exigir nem aquilo que precisa para cumprir a sua obrigação, obviamente nosso trabalho será menor e os resultados oriundos desse trabalho serão consequentemente, cada vez menores.

O professor tem que voltar a ser aquele sujeito importante e respeitado, que forma todos os outros, independentemente do governo, do ministro e da legislação que se estabeleça no país em relação à educação. Enquanto isso não acontecer, a bagunça educacional vai permanecer a mesma e certamente o Brasil vai continuar batendo recordes negativos.

Bom, de qualquer maneira, eu sei que muitos de nós professores, estamos lutando para que esse país tenha jeito e sabemos que o único jeito é uma educação de qualidade. Nós professores de verdade e por vocação temos que ser os protagonistas da mudança que poderá fazer o Brasil evoluir, para além de ser um grande país em área geográfica, mas para chegar a ser uma grande nação, com povo minimamente educado e instruído.

Temos que parar com esse negócio de imaginar o “país do futuro” Temos que ser primeiramente o país do presente e somente com escolas de qualidade, com educação e ensino efetivos é que poderemos viver o presente que precisamos e partir para construir o futuro que sonhamos. Parabéns aos professores que ainda acreditam que isso seja possível, porque esses são os verdadeiros professores, aqueles que apesar de todas as “regalias” que não possuem, ainda estão por aqui, tentando mudar a cara desse país, em que pese a má vontade e o desinteresse dos administradores desse país.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

Referências
* LIMA, L.E.C., 2016.  A “Medida Provisória” para o Ensino Médio e o “Notório Saber”, www.profluizeduardo.com.br
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27 set 2016

A “Medida Provisória” para o Ensino Médio e o “Notório Saber”

Resumo: O artigo atual está traz uma opinião sobre a perigosa figura do “notório saber” para a função de professor, que está prevista na Medida Provisória, editada pelo Governo Federal, que estabelece as mudanças para o Ensino Médio no país. Deixo claro que isso pode ser um grande retrocesso ao Ensino e que a Educação Brasileira não precisa desse tipo de ação conflitante com os verdadeiros interesses do país.


A “Medida Provisória” para o Ensino Médio e o “Notório Saber”

Na quinta-feira da passada (22/09), além da chegada da primavera, fomos, até certo ponto, surpreendidos com o anúncio do Governo Federal da “Medida Provisória” que impõe várias modificações no Ensino Médio em todo território Nacional. Entre erros e acertos, aparentemente houve, mais acertos, até porque havia efetiva necessidade de mudanças. Entretanto, o que mais chama a atenção é que a nova legislação, que tem 120 dias para ser efetivada ou não, muito mais do que providenciar melhorias no Ensino Médio, sugere algumas coisas, que se não são absurdas, a meu ver, são pelo menos bastante perigosas. Em certo sentido, ficou parecendo que a nova legislação foi feita muito mais para mostrar serviço, do que para tentar resolver os problemas da educação no Ensino Médio do país.

Bem, de qualquer maneira, eu não vou aqui discutir todas as questões, até porque a mídia já está badalando muito alguns aspectos, mas vou me ater a uma situação específica que me parece ter passado despercebida da grande imprensa. Eu não sei se o esquecimento foi ocasional ou foi de caso pensado, mas a verdade que é que não se discutiu sobre esse assunto, o qual, talvez seja o mais importante no texto da “Medida Provisória”. Enfim, a verdade é que, como não vi comentários sobre o assunto, vou levantar o problema aqui.

O processo educacional é consequência de dois patamares elementares, de um lado os estudantes (alunos) e de outro os educadores (professores). A educação boa e profícua, obviamente depende de alunos bons, interessados, envolvidos, capazes e obviamente também de professores sérios, preparados, capazes e sobretudo que acreditam na educação e que por isso mesmo são incentivadores dos seus alunos. Se um dos patamares básicos (alunos ou professores) não for condizente com as necessidades mínimas, certamente a boa educação não poderá existir. Infelizmente, nos últimos tempos é exatamente isso que tem acontecido no Brasil, pois nenhuma das duas partes envolvidas tem sido boa o suficiente e por isso mesmo a educação do país, como um todo, tem historicamente patinado entre o ruim e o pior.

Em suma, precisamos de alunos interessados, ávidos por saber e de professores cônscios, motivadores e capazes de cumprir a função que assumiram, de maneira efetiva, eficaz e eficiente. Ensinar é uma missão, uma tarefa difícil que precisa de gente preparada e capacitada, não por qualquer indivíduo, por mais bem intencionado que possa ser. Pois então, é exatamente aí que reside o problema na “Medida Provisória” apresentada.

Se já vai ser muito difícil para um jovem aluno aos 14/15 anos em média, escolher e decidir sobre sua vida profissional futura, tendo que escolher um currículo compatível com sua futura formação. Imagine então, se os seus respectivos professores, aqueles que convivem e orientam esses alunos, forem quaisquer pessoas, sem nenhuma formação específica e muito menos sem formação didática e pedagógica. Como vai se dar esse diálogo necessário, essa troca de informações, opiniões e por que não de sentimentos, entre os dois personagens básicos da educação?

A “Medida Provisória” ressuscitou uma velha praga, conhecida pela expressão “notório saber”, como uma possibilidade real para definir os sujeitos que poderão ocupar as funções de professores. “Notório saber”, como o nome diz, é uma condição que desobriga que o professor seja diplomado ou que tenha formação específica na área (disciplina ou matéria) em que pretende atuar e ensinar. Obviamente, nós somos cientes de que apenas o diploma não representa e nem garante nada no que diz respeito à competência, pois todos sabemos que existem vários professores e quaisquer outros profissionais de outras áreas, que mesmo diplomados, são incompetentes. Entretanto, por outro lado, é bom lembrar que sem o citado diploma, a coisa deverá ficar muito pior ainda, porque aí se estará correndo o sério risco de que as escolas fiquem cheias de picaretas, com “qualquer um dando aula de qualquer coisa”, se não se definir direito o que seja esse tal de “notório saber”.

Vou ser mais claro e dar alguns exemplos do que poderá facilmente acontecer se não forem tomados os devidos cuidados. Quem tem mais notório saber para dar aulas de Biologia, um Médico, um Agrônomo, um Engenheiro Ambiental ou um Engenheiro Florestal com mais de 30 anos de profissão?  Tem notório saber um Engenheiro Civil ou Arquiteto com mais de 30 anos de profissão, para dar aulas de Matemática? Tem notório saber, em Português, um escritor renomado e consagrado, com vários “best sellers”, mas formado em Química ou Física, ou mesmo sem formação específica nenhuma? Tem notório saber em Biologia, aquele professor de Educação Física, que trabalhou 25 anos nessa função e precisa trabalhar mais alguns anos para se aposentar, porém agora, por conta da Medida Provisória ter diminuído sua carga horária, haja vista que a Educação Física não é mais obrigatória e ele não tem aulas e então ele vai ministrar aulas de Biologia? Tem notório saber aquele professor de qualquer coisa que é amigo do diretor ou do proprietário da escola, em relação a qualquer professor desconhecido ou não querido pelo diretor? Por fim, tem notório saber o líder de uma igreja ou religião qualquer para ministrar aulas de Filosofia ou de História? Tem notório saber o dono ou o gerente de uma agência de viagens para dar aulas de Geografia?

Bem, nós poderíamos ficar aqui, quase que infinitamente, criando situações e dúvidas intermináveis sobre o risco do notório saber, mas não é esse o objetivo e é por isso que eu insisto: o que é esse tal de notório saber? Por que se ressuscitou essa expressão infeliz, dúbia e perigosa? Como vai se decidir sobre essa questão do notório saber? Quais serão os critérios para estabelecer esse tal de notório saber?

Na minha modesta maneira de entender, esse tal de notório saber vai ser mais uma válvula de escape para proteger amigos incompetentes e outros interesses nefastos, do que um bom serviço prestado à educação e por isso mesmo, esse “negócio” tem que sair do texto da “Medida Provisória” e da legislação final que será estabelecida posteriormente. O notório saber não interessa à educação brasileira. Aliás, não interessa a educação nenhuma.

Para dar aula, seja lá do que for, tem que ser uma pessoa diplomada e habilitada nas áreas pedagógicas e específicas da disciplina em questão. É por isso que precisamos formar bons professores em todas as áreas e esquecer esse negócio de “notório saber”.  Se houve uma época em que o “notório saber” foi importante na história passada do Brasil, certamente hoje ele não é mais necessário e muito menos importante. Assim, não há lugar para esse tipo de coisa num país que precisa educar seu povo, particularmente seus jovens. Em suma, esse tal de “notório saber” não faz o mínimo sentido num país que precisa crescer e que precisa investir mais em educação.

Senhores parlamentares, se os senhores estão mesmo dispostos a melhorar a Educação e o Ensino Médio do país, por favor, mudem esse aspecto o mais rápido possível e exijam que haja profissionais formados e com diploma para minimizar o risco de permitirmos, colocarmos e mantermos a incompetência generalizada nas escolas do Brasil. Não sei como vai ficar o elemento aluno com a desordem estabelecida nesse país, porque esta parte dependerá de muitas coisas, alguma dessas coisas, muitas vezes são externas ao ambiente escolar, mas o outro elemento, o professor, esse nós temos a obrigação de tentar garantir um mínimo de profissionalismo e devemos começar estabelecendo regras simples, para que somente professores de carreira possam atuar como professores nas escolas de Ensino Médio.

Antigamente era comum os professores mandarem tarefas para os alunos fazerem nas suas casas, os famosos “deveres de casa”, pois é senhores parlamentares, cumpram os seus respectivos “deveres de casa” e dificultem a possibilidade de “qualquer um dar aula de qualquer coisa”. Os jovens brasileiros atuais e futuros esperam que os senhores cumpram com os seus respectivos “deveres de casa” e reavaliem essa melhor essa questão do “notório saber”, que foi incluída na “Medida Provisória”.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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