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03 nov 2026
O FUTURO DA HUMANIDADE

O FUTURO DA HUMANIDADE

Resumo: No artigo está sendo proposta uma reflexão profunda sobre o que tem sido feito pela humanidade, para manter viva a própria humanidade. São discutidos alguns aspectos históricos que, além de inúteis, só depõem contra a própria humanidade, sendo sugerida uma mudança de postura nas ações humanas para garantia do futuro da humanidade.


A partir da premissa acima, início mais uma das minhas discussões acerca do tempo e da vida. Primeiramente quero lembrar e dizer que não há como viver sem conhecimento, pois toda e qualquer ação é feita em função daquilo que se conhece sobre ela. Deste modo, aprender sempre e conhecer cada vez mais deve ser a prioridade do ser humano. Assim, a história é fundamental, porque é a história que, de alguma maneira, registra aquele novo conhecimento, seja ele qual for e mais, também é a história que conta como ele é mantido e passado no estoque cultural ao longo das gerações.

Contudo, a história não é apenas o estudo do passado registrado como pensam alguns idiotas por aí. A história é o estudo da dinâmica temporal da vida humana e das coisas e situações que acontecem cotidianamente. Ou seja, a história é contínua e constantemente ela está acontecendo. A história se processa a todo instante, da mesma maneira que o tempo e a vida. E se novas informações e descobertas contam novas histórias sobre o mesmo assunto que, já havia sido explicado anteriormente, aquele assunto fica estabelecido de uma maneira diferente da anterior.  Ou seja, há um dinamismo e não uma estabilidade na história.

Pois então, embora a vida humana tenha tudo a ver com o tempo e a história, a vida cessa, mas a história o tempo são eternos e continuam seguindo. Desta maneira, quando alguém quiser lhe contar a história da eternidade não se preocupe, porque não há nenhum absurdo nisso e se até houver, o absurdo não estará na história, mas sim na própria noção de eternidade humana. Porém, eu não quero e não vou discutir sobre isso nesse pequeno ensaio teórico. 

Ora, nós já sabemos ou deveríamos saber como foi o ontem (passado), estamos vivendo e descrevendo o hoje (presente) e queremos, alguns desesperadamente, imaginar e saber o amanhã (futuro). Todavia, não somos pitonisas e nem temos “bolinha de cristal” e assim, fazemos elocubrações. Entretanto, nós temos o aprendizado e a experiência vivida ao longo de milhares de anos fazendo e aprimorando as coisas e o conhecimento sobre elas, que nos permitem que nossas elocubrações possam ser mais ou menos efetivas e verdadeiras.

Aqui já cabem algumas questões, a meu ver muito interessantes. Nós acreditamos que estamos sempre caminhando para frente, isto é, melhorando e aprimorando as coisas, mas eu pergunto: isso é uma verdade absoluta? Será que tudo que fazemos é realmente para melhorar? Será que não existem coisas e situações que naturalmente nos levam a repetir ações, exatamente, como foram feitas no passado, talvez até modernizadas e aperfeiçoadas metodológica ou funcionalmente, mas em essência continuamos fazendo exatamente as mesmas coisas? E aí eu faço ainda mais uma pergunta: será que nosso aprimoramento, ao menos, algumas vezes, não nos leva de volta ao passado? Vejam bem, eu não estou afirmando nada, estou apenas questionando esta possibilidade. E acredito que qualquer indivíduo concordará que a resposta a esta pergunta é, certamente, sim.

Pois então, se essas possibilidades existem, eu também penso que elas devem ser, de alguma maneira, analisadas e talvez seja por isso que, naturalmente, olhamos o passado para planejar bem o presente e tomar ações para criar o futuro. Como o tempo não para o presente de hoje também já foi futuro de ontem e o passado de ontem também já foi futuro de antes de ontem. Como eu já disse, há um dinamismo na história, ela não para, enquanto o tempo também segue passando, homens nascem e morrem, coisas surgem, acontecem e a história registra ou não. Todavia, só o tempo vê e registra tudo.

Também é bom ter esta noção de que nem tudo que existiu foi registrado, documentado, ensinado, aprendido e repassado. Certamente muitas coisas que já aconteceram, foram perdidas totalmente e nós não temos referência e não sabemos de sua existência ou ocorrência anterior. Outras ainda, embora tenham sido registradas parece que não importam aos registros ou não tem significância, porque simplesmente, elas não são consideradas. O que eu quero dizer é que tem “falhas na história” também por falta de informação, de documentos comprobatórios e mesmo de ação investigatória e, até mesmo, pelo desinteresse daquela informação em si. 

Em suma, a história se faz, mas a narrativa histórica, obviamente, tem falhas, algumas são recuperáveis e podem ser reencontradas, rediscutidas e até reeditadas, mas outras não e assim acabam sendo perdidas na imensidão do tempo. O método científico comprova fatos e assim ele é antagônico à história, que comprova documentos, os quais podem comprovar fatos, embora exista uma metodologia científica aplicável a história, nem sempre ela é possível. Entretanto, como em qualquer área do conhecimento, há coisas que jamais conseguiremos comprovar ou negar a veracidade e aí vamos cair nas dúvidas e nos achismos. 

Pois então, imagine que algum historiador afirmasse, por exemplo, que o “Laptop” sempre existiu, que a “Internet” não é uma novidade e que a Inteligência Artificial foi desenvolvida pelos gregos. É claro que estou propositalmente exagerando nos meus exemplos. Assim, obviamente, todos o chamariam imediatamente de louco, haja vista que nós desconhecíamos tais coisas até bem pouco tempo. 

Contudo, isso também poderia ter sido, apenas mais uma, das muitas, falhas documentares da história. Desta maneira, considerando que não temos todas as informações históricas e sabemos que algumas nós nunca teremos, porque há falhas nas nossas informações, esse tipo de coisa, embora seja bastante improvável, guardadas as devidas proporções, até seria possível de ter acontecido.

Bem, agora vamos voltar a colocar os pés no chão e na realidade. O que eu estou tentando considerar é que o passado pode ter guardado muitas verdades que nós não sabemos e, de repente, surgem coisas que entendemos como “novidades” que, talvez, não sejam coisas necessariamente novas, porque seguimos um critério de crescimento e desenvolvimento científico e tecnológico que entendemos como correto, a partir do conhecimento que temos acumulado, ou melhor, que estamos acumulando ao longo do tempo. Todavia, é possível que muito daquilo que hoje desenvolvemos possa já ter sido pensado ou mesmo ter sido feito pela humanidade de outras maneiras, em outros momentos da história, os quais, simplesmente, nós não temos registros.

Ou seja, eu estou tentando dizer que a informação humana tem muita mais a ver com a história e está muito mais perto dela do que das ciências naturais. Isso me leva a acreditar que a ciência e os cientistas naturais precisam olhar mais o passado, para viverem melhor o presente e assim, trabalharem para construir um futuro mais animador para a humanidade. Até porque, só nos preocupamos, aparentemente, em progredir, melhorar, aprimorar, aperfeiçoar e em evoluir tecnológica e economicamente. Parece que a maioria de nós, historicamente, não tem dado muita importância à nossa evolução como organismos vivos e como pessoas (seres humanos). Pois então, é exatamente nesse momento que surgem outras perguntas.

 Será que isso é bom para nossa espécie ou para o planeta? Será que algumas das respostas que precisamos já não existem ou existiram e foram descartadas? Será que nós não estamos, propositalmente, negando outras realidades, em função de nossa necessidade obsessiva de desenvolvimento? Será que nós não estamos, tristemente, trocando valores materiais extremos, por valores morais fundamentais ou necessidades fisiológicas básicas?

Vamos usar como exemplo o ato de comer (alimentar), que é uma necessidade básica e fundamental de qualquer organismo vivo, inclusive o nosso. Será que o ato de comer não está sendo deixado de lado, para desenvolver tecnologias de alimentações especiais que querem desenvolver “super-humanos” para o futuro? Será que nós, nessa busca incessante pelo ótimo não estamos descartando o bom e deixando de fazer o certo e comum. para tentar fazer apenas o perfeito e genial?

Meus amigos, é preciso nos lembrarmos de que somos organismos biológicos e que vamos morrer certamente, ou será que tem alguém já imaginando uma possível imortalidade? Aliás, aí entra também outra questão, como se comportará esse homem, por exemplo de 200 anos no seu tempo vivente, em meio aos jovens de 5,10, 15, 20, 50 ou mesmo os velhos de 80, 90, 100 anos? E se ele chegar aos 400 ou 1000 anos? Gente, isso não faz nenhum sentido!

Senhores, a morte faz parte do ciclo da vida e todos nós vamos morrer. É claro que devemos continuar estudando para exterminar doenças. Por exemplo, a cura do câncer é fundamental, se conseguimos isso, menos pessoas morrerão de câncer, mas certamente morrerão de outras coisas, porque nada, além do tempo e da história é eterno. Mas a história falha e o tempo não, ele segue compulsoriamente e, de uma maneira ou de outra, todos nós, organismos vivos que somos, vamos morrer. 

E aí que eu volto a questionar: será que já não está na hora de pensarmos mais como espécie viva e menos como indivíduos interessados em apenas “melhorar” e viver mais? É bom lembrar que, em certo sentido, viver mais também representa sofrer mais, haja vista que sempre teremos alguma das inúmeras moléstias e doenças, porque quanto mais velhos ficamos, mais estamos sujeitos a elas.  Será que é mais vantajoso para a espécie, indivíduos mais jovens naturalmente sãos ou mais velhos medicamentosamente resolvidos? 

Temos que entender que, por outro lado, viver mais também é ocupar mais espaço, exigir mais alimento e mais cuidados e assim, é incomodar mais, interferir mais, atrapalhar mais. Enfim, tudo costuma ser mais difícil para os seres humanos mais velhos, tanto por questões puramente biológicas, quanto por questões sociais e funcionais. Desta maneira, qual é a vantagem para a espécie humana de que alguns seres humanos possam viver 200 anos ou mais, contrariando as pressões seletivas naturais?  E se ele tiver 400, 500 ou 1000 anos?

Por favor, não façam juízo de valor de minhas palavras, estou apenas afirmando que esta realidade criada a partir de certos “modismos” é antinatural e a propósito, por óbvio, eu também quero viver o máximo que a natureza me permitir, mas, cabe lembrar que, milagres não existem. Ou seja, eu sou ciente de que esse máximo sempre terá que um limite e acredito que esse limite deva ser estabelecido naturalmente e não por critérios estritamente antrópicos e previamente definidos, como diferenças sexuais, legais, econômicas, políticas, religiosas, raciais ou qualquer outro aspecto que possa ser considerado.

Essa ilusão do viver muito ou do viver para sempre tem que sair da mídia e, principalmente do pensamento coletivo humano, porque isso nos leva e investir muito em algo nada importante e nos deixa pendente em outras coisas, a meu ver, muito mais importantes, mormente, no que tange as nossas descendências, os humanos que ainda vão nascer, suas histórias e sua sobrevivência planetária. Contudo, isso não tem parecido ser fundamental para, infelizmente, a maioria dos seres humanos que são iludidos tomando pílula disso, fortificante daquilo, rejuvenescedor e injeção para ganhar mais um mês de vida ou para melhorar um detalhe aqui e outro ali. 

Meus amigos, já passou da hora de acabar com essa balela. Cada dia surge uma droga nova que promete um novo milagre e a mídia explora e o “idiota de plantão”, ali em frente à TV, acredita e vende a própria mãe para se entupir com aquelas drogas que não servem objetivamente para nada. Isso é um absurdo e necessita ter um fim. Esse é o novo paradigma da história moderna, que possivelmente não venha a ser contado por ninguém no futuro, porque talvez nossa espécie não tenha futuro, haja vista que nossa preocupação é com a manutenção mentirosa dos nossos atuais indivíduos, com nossa beleza física e com a nossa imortalidade, ainda que todos saibamos que, de fato, isso seja impossível.

O passado já nos mostrou quem somos e o que já vivemos, o presente tem que nos mostrar como nos manter e o futuro terá que ser feito por quem estiver lá, ou seja, as gerações futuras. Nós podemos e devemos viver o presente, obviamente com ações e projeções que promovam as nossas possibilidades e, logicamente, a nossa qualidade de vida, mas não devemos de forma nenhuma, querer nos transformar em super-homens robotizados como peças mecânicas e aliviados, ou não, por drogas e tecnologias oriundas de cuidados paliativos que não conduzirão nossa espécie a lugar nenhum, além do cemitério, do incinerador ou ainda, como acreditam e fazem alguns dos mais idiotas, que estão no congelamento criobiológico, a fim de viver para sempre. 

É bom lembrar que devemos respeitar o nosso corpo e que morrer, além de ser uma necessidade da própria vida para reciclar a matéria, também é um direito do indivíduo e que há países que, até, já assumiram esse fato legalmente. Por outro lado, as religiões que estão aí, também devem ser respeitadas.  A propósito, eu não sou religioso, mas tem muita gente que é religiosa e essa gente, que se constitui na grande maioria da população humana, também merece o respeito dos demais seres humanos. Onde está a ética em relação a essas pessoas que são tão humanos quanto nós?

Meus amigos, tudo isso tem que ser pensado, antes das inúmeras bobagens que têm sido ditas e feitas por aí. Meu avô materno, mesmo com sua limitadíssima condição intelectual, muito antes do “Personal Computer Desktop” ou “Laptop”, da “Internet” e da Inteligência Artificial, já costumava dizer o seguinte: “as coisas estão muito diferentes da minha época, quando as pessoas queriam viver bem, mas hoje, elas viram de costas para a realidade e assim, fazem tudo para ver as coisas piorarem”.  

É preciso citar Plauto (254 – 184 a.C.) e o Leviatã de Thomas Hobbes (1651) mais uma vez, com a frase, “o homem é o lobo do homem”. Na verdade, só para atualizar e dizer que o homem continua sendo o lobo do homem, mais de 2200 anos, depois que Plauto escreveu a frase e quase 400 anos, depois que Hobbes, tornou a frase de Plauto famosa e popular. Pois então, fama e popularidade não é tudo. Aliás, não é nada de preponderante. Todavia o mundo atual só parece buscar isso e assim, continua sendo lobo de si mesmo e “fazendo as coisas piorarem” para outros humanos, como dizia meu avô.  

Eu só espero que, no futuro, os nossos filhos, netos e bisnetos, se vierem a existir, que nos perdoem por nossas loucuras e nossos absurdos “modernos”. Enquanto falamos em melhorar, aprimorar, aperfeiçoar, ao mesmo tempo estamos, por mero desleixo, matando homens, mulheres e crianças de sede, de fome, de poluição atmosférica, de poluição química (aquática e edáfica), de excesso de agrotóxicos e de novas doenças e novos contaminantes, muitos dos quais, hoje, são fabricados, deliberadamente, dentro dos laboratórios pelo mundo afora. 

Somos mais violentos do que os nossos ancestrais pré-históricos e até mesmo que alguns povos antropófagos que existiram. Estamos mais agressivos do que éramos na idade média e continuamos fazendo guerras e destruindo as coisas e a vida sem nenhuma parcimônia, inclusive e principalmente, outros seres humanos.  Naquela época um soldado na guerra ou ser humano muito violento talvez tivesse matado algumas dezenas de homens em toda sua vida. Hoje, fazemos armas que dizimam populações e cidades inteiras em segundos. E ainda dizem, que estamos “melhorando as coisas” e “evoluindo socialmente”.

O pão e o circo continuam sendo a máxima e a mídia está aí, fazendo a sua parte e sendo cada vez mais ativa para manter esse lamentável status quo. Somos uma lástima como espécie viva, que mata seu semelhante por prazer, ao invés de tentar realmente melhorar a própria espécie para garantir existência e continuidade futura. Aparentemente, queremos apenas melhorar alguns indivíduos de índole e moral duvidosa e, o que é pior, tem quem ache e divulgue que isso é algo muito bom.

A realidade é que, nos últimos anos, nós estamos vivendo num mundo rico de mentiras deslavadas e repleto de seres humanos cafajestes que se orgulham de iludir e enganar outros seres humanos apenas para lhes tirar as suas posses, os seus direitos e degradar as suas vidas e suas dignidades. Meu Deus, onde vamos parar com tanta falta de humanidade na Terra? 

O tempo, por óbvio, vai acompanhando e registrando todo o processo, mas, eu não sei se a história vai lembrar, documentar, organizar e, principalmente, se ela vai “querer” ou “poder” contar algo verdadeiro sobre isso. Pior ainda, será que sobrará alguém capacitado para contar a história depois de tanta mesquinhez e destruição humana? Há um ditado popular que diz: “a esperança é a última que morre”. Embora eu continue acreditando nesse ditado, devo confessar que está, cada vez mais difícil manter a minha esperança presente. Ela sobrevive, mas, já está cega, surda, paralítica e demente, com as barbáries que temos observado todos os dias.

 Meus amigos, mais afeto e respeito aos nossos semelhantes e ao planeta são as coisas que a humanidade está precisando. Por favor, temos que pensar no coletivo e deixar de lado as picuinhas e discussões sem sentido, a humanidade tem que ser a nossa verdadeira prioridade, pois do contrário, caminhamos diretamente para o fim trágico de nossa civilização moderna e quiçá, da própria espécie humana. 

Enfim, nossa obrigação maior é planejar seriamente, trabalhar bem e controlar melhor as nossas paixões no presente, para garantir que a humanidade possa ter um futuro. Fraternidade é a palavra de ordem que necessita ser levada como lema pelos seres humanos do mundo inteiro. Somente desta maneira, a humanidade, como um todo, poderá passar a ser, de fato, o fundamento maior das ações humanas.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, escritor, Revisor e Ambientalista.