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27 maio 2026
O PROBLEMA E O VERDADEIRO TAMANHO DO “ELEFANTE”

O PROBLEMA E O VERDADEIRO TAMANHO DO “ELEFANTE”

Resumo: As dificuldades humanas são muitas, mas ainda bem que elas existem, porque elas nos tornam melhores e nos permitem aprender mais. Nesse artigo faço uma reflexão sobre os problemas humanos e a importância que eles têm nas nossas vidas. Na verdade, os problemas são necessários para o crescimento moral e intelectual.


O elefante é, realmente, um animal muito grande. Aliás, é o maior animal terrestre do planeta. Todavia, uma baleia azul é inúmeras vezes maior que um elefante, só que a baleia azul é aquática e marinha, apenas por conta disso ela pode ser do tamanho que é. A propósito, por isso mesmo, a baleia azul também é certamente o maior animal que já existiu no planeta Terra, sendo maior do que qualquer dinossauro que tenha existido. Por uma questão física, nenhum animal terrestre poderia ter o tamanho da baleia azul, porque a gravidade não permitiria. Quer dizer a baleia azul é, realmente, um animal muito grande. O maior animal de todos. 

Talvez, por isso, o elefante e baleia azul devessem ser dois grandes problemas para a humanidade, já que de alguma maneira os humanos se relacionam com ambos. Contudo, pelo que temos visto, o ser humano é que tem sido um grande problema para a baleia azul e para o elefante. Aliás, para todos os animais, inclusive, outros seres humanos, independentemente do tamanho desses animais.

Pois então, os problemas, que o ser humano enfrenta, também são assim. Isto é, alguns são grandes, outros são muito grandes, outros são maiores ainda e outros são tão pequenos que, por fim, não podem realmente existir e só existem no imaginário das pessoas. Contudo, embora ocorram em situações, lugares ou condições diferentes, todos os problemas reais que os seres humanos podem ter que sofrer, acontecem aqui mesmo, no planeta Terra, ou seja, eles são reais.

Não existe um problema semelhante à baleia azul, que possa ser considerado por ela, como sendo o maior de todos, porque ela sabe que viver, em certo sentido, é superar problemas e sobreviver. Porém, todos os seres humanos “pensam” que os seus problemas específicos são semelhantes ao tamanho das baleias azuis, ou seja, são gigantescos. Contudo, a história não é bem assim. Temos que entender que os problemas existem para serem superados.

 Pois então, mas, o que o elefante, a baleia azul, o ser humano e os seus problemas têm em comum? Além do fato de todos serem animais e mamíferos, a única coisa em comum é que todos vivem e acontecem aqui no planeta Terra, mas cada um deles, obviamente, tem as suas devidas peculiaridades e limitações.

Por outro lado, a vida humana não é réplica de elefantes, nem de baleias azuis, porém, ambas estão cheias de problemas. Por exemplo, o elefante deve estar muito preocupado com o crescimento do deserto e a carência cada vez maior de água para sua sobrevivência. A baleia azul, por sua vez, deve estar preocupada com o aquecimento das águas oceânicas, que as levam progressivamente mais ao norte e ainda por cima, com a imensa quantidade de plásticos no oceano que elas têm que engolir. 

Já o ser humano, deveria estar bastante preocupado com o aumento da fome no mundo, embora também se aumente bastante a produção de alimento, parece que não há alimento para todos. O ser humano também deveria estar assustado e temerário com possibilidade real de uma terceira guerra mundial, que, se vier a acontecer, terá, obrigatoriamente, a presença desagradável e devastadora dos armamentos nucleares e poderá causar o fim da espécie humana.

Enfim, todos têm problemas e esses que citei, são apenas alguns, mas eu poderia ficar aqui citando problemas e mais problemas de cada um deles. Alguns desses problemas efetivamente seriam mais ou menos sérios e complicados, como os que eu citei, mas outros, certamente nem tanto. Contudo, eles não deixam de ser problemas. Além disso, todos os problemas requerem tempo e trabalho para que eles possam ser, de alguma maneira, resolvidos ou, pelo menos, minimizados, a ponto de não serem muito incômodos e nem muito aparentes.

Alguns problemas, dimensionalmente falando, podem ser considerados maiores do que as baleias azuis e outros podem ser menores como elefantes e outros bem pequenos, como os protozoários. Contudo, problemas sempre são problemas e nunca deixam de ser problemas e nem deixam de ter seus respectivos graus de importância e significado. Entretanto, na verdade, quem vive e sente o problema, sempre imagina que esse problema é do tamanho de um elefante ou mesmo da baleia azul, ainda que, de fato, o problema possa, na realidade, ser bem menor do que um protozoário. 

Para reforçar um pouco mais minha analogia, devo dizer que o elefante, embora grande, em condições normais, não costuma produzir nenhum problema para o ser humano, enquanto certos tipos de protozoários, embora microscópicos, em condições normais, podem até matar seres humanos. Na verdade, a importância do problema não está no tamanho de quem o causa, mas sim, no efeito daquilo que ele próprio é capaz de causar. Ou seja, a questão está na significância do problema em si. 

Quer dizer, o tamanho do problema é exatamente o grau de importância que o indivíduo referência a ele, por conta do dano que ele pode estar real e efetivamente causando. Como já foi dito acima, cada indivíduo acha (entende) que o seu problema sempre é maior do que o do outro indivíduo, mesmo em situações semelhantes, às vezes mesmo situações idênticas, por conta de diferentes agravantes, mas essa é outra história. Todavia, na maioria das vezes os indivíduos exageram e acabam por superdimensionar o “elefante” e querendo que ele seja uma “baleia azul”, quando, na verdade, ele não passa de um “protozoário”.

Pois então, nós deveríamos deixar de tratar os problemas como imensos animais que no imaginário popular, são imensos e só servem para atrapalhar as nossas vidas e causar grandes perturbações. Talvez, fosse mais interessante pensar que problemas são bons motivos e justificativas para nos forçar a continuar vivendo, pois os problemas nos fazem produzir novas alternativas, além de sobreviver e viver melhor, ainda que, por outro lado, alguns problemas realmente mais sérios, possam até nos levar à morte. 

Nós precisamos lembrar que os elefantes e baleias azuis, embora grandes e desengonçados, são bonitos, inteligentes, geralmente dóceis e humildes, pois quase nunca necessitam demonstrar a força que têm. Pois é, quem é grande não precisa ser mal e muito menos violento. Então, os grandes problemas acabam ficando maiores por conta do nosso desespero. Às vezes, pequenos problemas causam imensas dores de cabeça, porque, como eu já disse, nós dimensionamos muito mal as coisas, principalmente quando essas coisas dizem respeito a nós ou aos nossos afins.

Todos nós, ou nossos filhos, parentes ou amigos “sempre” temos a pior doença, a maior dor, a infinita amargura, o terrível desagrado. Enfim, pensamos que tudo em nós ou nos nossos entes queridos é sempre mais desagradável e mais violento que em qualquer outro indivíduo. O problema do outro é sempre menor que o nosso. Mas, será que isso é mesmo verdade?

Meus amigos, elefantes são animais terrestres e vivos, de carne e osso, como nós e não são coisas mágicas que estão programados para nos destruir. Ao contrário, eles querem apenas sobreviver aqui na Terra como nós, os protozoários e as baleias azuis, apesar dos problemas que possam ter. Nós só precisamos entender isso, porque essas são as únicas coisas comuns a todos nós: estamos no mesmo planeta, queremos sobreviver e os problemas nos atrapalham.

A compreensão dessa realidade será suficiente para entender, que os problemas são tão normais como a própria vida e que devemos continuar vivendo normalmente, apesar deles. O mundo real não aceita os exageros que nós criamos e, infelizmente, quando damos conta disso, nós já fizemos grandes besteiras. A idade e a vivência, costumam nos trazer mais conhecimento e, sobretudo, mais sabedoria, além de nos ajudarem a compreender que, aqui na Terra, tanto baleias, elefantes, homens e protozoários são apenas animais morfologicamente diferentes, mas todos são passageiros (nos dois sentidos). Isto é, eles estão de passagem pelo planeta, além de estarem efetivamente viajando (vivendo). 

Assim, eles convivem e vivem no planeta, com todos os seus respectivos problemas, ou, simplesmente, perecem. Posso estar errado, mas, acredito que deva ser melhor viver com problemas, do que morrer, sem eles. Assim, superar problemas é algo natural e intrínseco a condição de ser um organismo vivo qualquer, que quer e precisa se manter vivo.

Meus amigos, sejamos mais reais e não nos esqueçamos que todo mundo tem problemas. Nós podemos até ser mais enfáticos, aqui e ali, mas nunca catastróficos demais, principalmente com os nossos problemas e vicissitudes, porque eles, de certa forma, nos ajudam a aprender e viver melhor. Aliás, o legal da vida é exatamente isso. Talvez, a vida fosse muito chata e monótona, se não fossem os problemas para nos provocar e interferir na monotonia.

Nós passamos sempre por situações diferentes e aprendemos sempre mais com cada uma delas, desde que queiramos realmente aprender. Contudo, esse “querer aprender” é um aspecto exclusivamente individual. Cada um de nós precisa crescer e perceber, que só aprendemos quando queremos. Esse é o segredo, pois só assim conseguimos dominar, compreender, conter e solucionar os nossos “elefantes”, ou melhor, os nossos problemas.

Que os “elefantes” continuem aparecendo e que sejamos capaz de encará-los, de contorná-los ou mesmo de domá-los, mas, principalmente, que possamos aprender e consequentemente, viver melhor graças a existência deles. Lembrem-se de que, os verdadeiros “elefantes” são animais grandes e não é possível serem simplesmente jogados para debaixo do tapete, precisamos encará-los e tentar superá-los progressiva e continuamente. Assim, é preciso entender que, independentemente do tamanho do “elefante”, cada um deles que for, de alguma maneira, controlado é mais uma batalha ganha na luta pela sobrevivência. 

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.