Tag: Risco Socioambiental

30 maio 2022

USINA TERMELÉTRICA: CUIDADO, O PERIGO ESTÁ RONDANDO A REGIÃO!

Resumo: Este texto visa chamar a atenção das populações da região do Vale do Paraíba, em particular dos municípios de Caçapava e Taubaté, por conta da pretensa instalação de uma grande Central Termelétrica na região, composta por 3 usinas na divisa entre os dois municípios citados. A capacidade de geração de energia do complexo é cerca de 1.740 Megawatts, ou seja, uma central termelétrica gigantesca. O potencial poluidor desse monstrengo é imenso, por isso mesmo, a Central Termelétrica não pode prosperar. 

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Enquanto a cidade e as pessoas boas e pacatas dormem, os inimigos comuns dos cidadãos de bem, os embusteiros e picaretas de plantão, andam por aí à espreita e assim, na surdina, estão tentando aprontar mais uma contra a nossa querida cidade de Caçapava e a região do Vale do Paraíba. Desta feita, trata-se da pretensa implantação de um conjunto de usinas termelétricas (três usinas) que no total produzirão cerca de 1.750 Megawatts de potência.

Quer dizer, uma super central termelétrica que, se efetivada, obviamente poderá causar uma poluição atmosférica gigantesca e quase imensurável de Dióxido de Carbono (CO2), Óxidos de Nitrogênio (NOx), Óxidos de Enxofre (SOx), Ozônio (O3), Particulados e Hidrocarbonetos. Isso sem falar no grande aquecimento e na imensa perda de água por evaporação em consequência do processo de esfriamento das caldeiras.

Ou seja, os picaretas de plantão, estão imaginando um monstro energético nunca visto e nem pensado aqui para a região e muito menos aqui para nossa Caçapava. Certamente nós vamos lutar contra e não deixaremos que esse monstro saia da imaginação dos infelizes que foram capazes de sonhar com sua existência em nossa cidade. População de Caçapava, fiquem atentos, porque uma nova guerra contra a implantação de termelétrica está começando a acontecer.

Quero lembrar aos incautos e aos desinformados que está será a sexta tentativa de implantação de grandes termelétricas aqui na região do Vale do Paraíba. Nas cinco primeiras tentativas o empreendedor acabou não conseguindo o seu intento e a população local saiu vitoriosa, garantindo a manutenção da qualidade de vida da região, pelo menos no que se refere a esse aspecto. Esperamos que dessa vez não seja diferente.

Os incautos, além da não conhecerem a nossa região e suas limitações para esse tipo de empreendimento, também não sabem que a população valeparaibana já está mais que vacinada contra esses absurdos ambientais e que lutará para impedir que o monstro se instale mais uma vez. Por outro lado, os picaretas enganam os incautos e se aproveitam do desconhecimento deles para conseguir algumas benesses em seus próprios interesses.

O que é difícil de entender é que os poderes constituídos e as autoridades locais e regionais ainda permitam que esse tipo de situação se evidencie, mesmo sabendo que a implantação de termelétricas seja algo extremamente comprometedor na região do Vale do Paraíba e que assim seja quase impossível a viabilização desse tipo de empreendimento na região. É bom lembrar que todas as cinco tentativas de implantação de termelétricas na região que ocorreram nos últimos 30 anos foram frustradas.   

Todos sabem, ou deveriam saber, exceto os empreendedores, que são ludibriados pelos picaretas de plantão, por questões geomorfológicas e geodinâmicas, nossa região não aceita esse tipo de empreendimento por vários fatores ambientais. A população local há muito tempo já sabe que esse tipo de empreendimento não se adequa à região e certamente não vai querer um monstro com todo esse tamanho e seu imenso potencial poluidor aqui ao Vale do Paraíba.

Por outro lado, mesmo que a região fosse adequada para receber esse tipo de usina, a condição de poluição aérea e aquática produzida por esse tipo de empreendimento é totalmente incompatível com os interesses regionais. Em tempos de sustentabilidade não se pode pensar em instalação de termelétrica numa região que concentra cerca de 5 milhões de pessoas e que é responsável pela água que alimenta mais de 30 milhões.

A insalubridade que pode ser produzida por uma grande central termelétrica, além de ser uma transgressão das possibilidades ambientais do Vale do Paraíba, é principalmente um crime contra a vida de parte da população paulista e da quase totalidade da população fluminense. Quer dizer, não se trata apenas de uma mera questão ambiental e de um alarde de mais um “ecochato”. Na verdade, trata-se de garantir a vida atual e das gerações futuras do Vale do Paraíba e de todos que dependem da água da Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Senhores moradores da região e de Caçapava em particular, preparem-se para a batalha e doravante acompanhem bem as ações e as posturas assumidas pelos políticos locais no que se refere a essa questão. É possível que muitos desses políticos estejam “convencidos” de que termelétricas na nossa região e na nossa cidade sejam bons negócios.

De repente eles vão começar a falar que a implantação das termelétricas na região vão dar conta da necessidade de geração de energia no país, vão ampliar a geração de empregos na região, vão falar que não há risco porque haverá absoluto controle da poluição e principalmente vão dizer que isso trará riqueza à região, pois produzirá um significativo aumento dos recursos econômicos para os municípios ou para toda a região do Vale do Paraíba. Entretanto, é preciso ficar claro que mesmo que essas fossem indagações verdadeiras, o risco socioambiental oriundo de um complexo termelétrico como o que está sendo proposto, certamente não compensa.

 Então, é preciso deixar claro que por vários aspectos, essas são efetivamente grandes mentiras. Essas outras afirmativas não passam de argumentos falaciosos e fictícios para enganar a população. A verdade é que no Vale do Paraíba não pode existir termelétricas e no caso específico do município de Caçapava, de acordo com a Lei Orgânica, para implantar uma termelétrica, haverá necessidade de um plebiscito. Isto é, somente a população poderá determinar se haverá ou não termelétrica na cidade.

Por outro lado, há necessidade de se questionar, ainda que se essas pretensas afirmações fossem verdades e não são, as questões que ficariam, seriam as seguintes: Vale à pena, matar muitos pelo benefício de poucos? Vale à pena, poluir, degradar e descaracterizar o ambiente em que seu filho, seu neto ou bisneto vai viver? Vale à pena correr esse risco?

Por fim, apesar de todas as dificuldades e a periculosidade, se esse absurdo vier a ser implantado, ninguém sabe o que realmente vai acontecer, mas a gente sabe o que costuma acontecer quando os interesses particulares e escusos suplantam os interesses comunitários, principalmente aqui no Brasil. Assim, deixo aqui também o meu alerta às cidades vizinhas, mormente aquelas que estão mais próximas de Caçapava e que possuem as maiores populações da região, ou seja, Taubaté e São José dos Campos, que juntas somam cerca de 1 milhão de habitantes.

Cabe lembrar ainda, que a poluição não será apenas para Caçapava, pois os efeitos maléficos de uma termelétrica, creio que todos já saibam, mas sempre é bom ressaltar, certamente é regional. Quer dizer, todos nós estamos todos no mesmo barco e no meio do mesmo furacão, principalmente as duas cidades citadas acima que são lindeiras à Caçapava, mas é preciso termos mente que todo o Vale do Paraíba pode estar à deriva.

Fiquem atentos, porque Usina Termelétrica, embora possa ser uma boa negociata para alguns, aquela minoria que só pensa em dinheiro no bolso, certamente é uma insanidade e um péssimo negócio para todos que esperam viver bem, em paz e com qualidade de vida. Já temos muitos problemas por aqui, sendo assim, nossa Caçapava, nosso Vale do Paraíba e as pessoas que aqui vivem, não merecem mais essa desgraça.

Meus amigos, por favor, TERMELÉTRICA NO VALE DO PARAÍBA, NUNCA!

Luiz Eduardo Corrêa Lima (66) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista; Foi Vereador (1998 a 2004) e Presidente da Câmara Municipal de Caçapava (2001 e 2002); Conselheiro do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo – CONSEMA/SP (1996 a 2002 e 2018 a 2020), Conselheiro e Primeiro Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Caçapava – CONDEMA (1990 a 1992) e Conselheiro do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Lorena – COMMAM (2008 a 2010); é Membro Efetivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – CBH-PS (desde 1999 até o presente) e da Câmara Técnica de Institucional do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul – CEIVAP (1999 a 2001 e 2021 a 2023); Membro associado de várias ONGs Ambientalistas da Região, inclusive da ECO VITAL de Caçapava.