Tag: Sustentabilidade Planetária

03 jul 2025
O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

Resumo: Neste artigo abordo o aumento das doenças oriundas da degradação ambiental, por conta da irresponsabilidade humana e do descaso com as questões ambientais planetárias.


INTRODUÇÃO

Posso afirmar para os Senhores que existem milhares de outras maneiras de morrer e muitas delas são mais desagradáveis e bem mais difíceis de serem adquiridas que um enfarto comum. Grande parte dessas doenças surgiram por conta da “modernidade”, ou melhor, das novas atividades mais costumeiras, que foram desenvolvidas mais recentemente, em particular, nos últimos 70 anos.

Com certeza, algumas dessas maneiras possivelmente aconteceriam e se desenvolveriam mesmo, mais cedo ou mais tarde, de modo natural, outras, porém, foram e estão sendo provocadas e produzidas, a partir de ações incrementadas e efetivadas pela própria humanidade. Lamentavelmente, esse fato tem acontecido numa escala crescente e extremamente rápida, além de bastante eficiente e assim, quase não sobra mais tempo para que se possa morrer de enfarto, por exemplo, embora os enfartos ainda existam em grande quantidade e continuem sendo a maior causa de mortes.

Contudo, hoje, muito dos enfartos acabam sendo impedidos ou amenizados por uma série de estudos e procedimentos médicos recém desenvolvidos e isso é realmente louvável e genial. Desta maneira, muitos humanos têm morrido de outras causas, muitas das quais, possivelmente, talvez nem existissem mais ou que, talvez, ainda não deveriam ter aparecido, se não fossem as próprias ações antrópicas e suas interferências diretas nas questões naturais. É isso mesmo, o homem, por conta do desleixo ambiental, também é causador e criador de novas e reativador de velhas doenças.

Assim, o homem, além de ser o lobo predador do próprio homem, como sempre aconteceu nas guerras e em várias outras situações de conflito entre seres humanos, também, tristemente, atua como um parasita que prejudica paulatina e sorrateiramente os seus hospedeiros, como acontece, por exemplo, com os efeitos oriundos da crescente poluição. A poluição mata muito mais do que os enfarto hoje em dia. Ou seja, em dado momento, por conta de suas ações antinaturais e anti-humanas, o homem também passou a ser uma forma de “parasita” da própria humanidade e do planeta. 

Até bem pouco tempo vivíamos, em média, pouco mais de 50 anos e morríamos de doenças degenerativas, mas hoje estamos vivendo, pelo menos, 75 anos e morrendo de velhice. Somos capazes de tratar uma série de doenças que, hoje, quase não matam mais ninguém. Isso deveria ser considerado uma beleza, um grande feito da humanidade pois, de fato, é isso mesmo. Entretanto, construímos um mundo artificial e diferente que causa outros males, alguns extremamente mais terríveis do que o infarte e tantos outros que já tivemos em épocas mais remotas.

Temos modificado formas vivas e “criado” formas mutantes e estranhas que tem causado grandes males. Temos produzido substâncias que a natureza não conhece e que fazem grandes danos as espécies vivas, inclusive aos seres humanos. Temos colocado veneno em muitos dos seres humanos e ainda temos colocado muitos seres humanos em áreas envenenadas. Temos contaminado o ar, a água e o solo de maneira contundente e bastante preocupante.

Temos produzido “remédios” que matam mais do que curam e “vacinas duvidosas”, que, em certo sentido, têm perturbado muito mais do que atendido as necessidades humanas, até porque muitas delas efetiva e comprovadamente causaram danos à saúde de inúmeras pessoas. Quem lê as contraindicações de certos remédios acaba ficando com medo de ingerir esses remédios, porque os riscos estão evidentes.

 A propósito, antes que me entendam mal e me rotulem de negacionista ou coisa parecida, quero deixar claro que não sou contra o uso de remédios e muito menos de vacinas, ao contrário, sou tremendamente a favor desses tipos de substâncias e sei da importância que ambas têm para evitar doenças e salvar vidas. Entretanto, sou contrário aos absurdos e ao imediatismo de vacinação em massa obrigatória, sem estudos prévios, apenas promovendo interesses econômicos de laboratórios e empresas do setor farmacêutico, como, infeliz e tristemente, parece já ter acontecido.

Enfim, criamos um mundo novo, em questão de poucas décadas, um mundo bem diferente daquele que a natureza levou bilhões da anos para desenvolver e não sabemos como controlar nossa eficiência danosa em destruir o que a natureza fez e em criar problemas para outros seres humanos, mormente aqueles que mais dependem das coisas e ações naturais. O homem, tristemente, passou a ser um câncer para o planeta e uma anomalia para todas as espécies vivas que aqui se desenvolveram, inclusive o próprio Homo sapiens.

DISCUTINDO A QUESTÃO

Quer dizer, embora a humanidade esteja notadamente muito melhor sob vários aspectos, ela está bem pior por conta de outros. Quando se coloca essa situação conflitante numa balança de custo-benefício, acaba não sendo possível definir aquilo que é melhor, porque existem vantagens e desvantagens mútuas. Não há dúvida que o nosso desenvolvimento científico e tecnológico permitiu façanhas imensas e inimagináveis em décadas recentes. Contudo, a que preço temos conseguido obter tais façanhas?

Nos últimos 70 anos, certamente nos desenvolvemos cientificamente mais do que em toda a história da humanidade, até antes da segunda guerra mundial. Porém, não sei se estamos mais felizes como indivíduos e mais eficientes como espécie planetária viva, ainda que, na média, estejamos vivendo mais. Contudo, em certo sentido, também estamos sofrendo muito mais e criando muito mais problemas à própria humanidade. Estamos mais angustiados, mais amedrontados, mais ansiosos e mais desconfiados. Nossas posturas têm sido cada vez menos altruístas e mais egocêntricas, menos cooperativistas e mais corporativistas, mais egoístas e aparentemente estamos nos tornando menos humanos, a cada dia que passa. E isso, a meu ver, não é nada bom. 

Nossa eterna busca pela felicidade como indivíduos, parece estar cada vez mais complicada, nossas ações mais confusas, nossos problemas mais conflitantes. Por sua vez, a nossa felicidade coletiva está progressivamente sempre mais distante, embora existam grandes avanços científicos e mesmo sociais e econômicos. Ora, então, porque as coisas parecem estar, cada vez mais difíceis?

Obviamente, eu não sou pitonisa e por certo, também não sei responder à questão proposta. Entretanto, meu “desconfiômetro”, me permite entender que devemos estabelecer uma relação mais clara, mais decente e, sobretudo, mais honesta com o planeta. Precisamos nos lembrar que somos planeta também e que temos que cuidar melhor de nossa casa maior. Talvez, nossas dificuldades possam ser minimizadas a partir dessa constatação e das ações que possam nos levar a estabelecer um novo contrato natural com o planeta que nos abriga.

O ser humano se apropriou de tal forma do planeta que o trata como apenas mais uma coisa, mais um brinquedo que ele pode destruir, como qualquer criança mimada, porque depois ganhará outro. Todavia, todos nós sabemos, que isso é uma grande mentira, porque nosso planeta é ímpar e não dá para ganhar outro. Ele é o único em que somos capazes de existir, pelo menos até aqui. Por outro lado, se quisermos continuar existindo, temos que passar a tratar o planeta de outra maneira. Temos que procurar garantir que ele continue nos abrigando e sendo a nossa casa maior e única.

A maioria dos humanos não entende isso, e alguns, que até entendem, não podem ou não são capazes de efetivamente investir na tarefa de fazer algo para mudar o nosso modus vivendi e consequentemente o status quo da humanidade, que não respeita a vida, nem os limites planetários. A maioria de nós entende que somos os “donos do planeta” e que se dane todo o resto, porque vamos fazer aquilo que quisermos com a nossa “propriedade”. Entretanto, há limites, para a nossa farra e o planeta tem nos dado, a seu jeito, as informações de que estamos caminhando na direção errada, mas nós, idiotamente, continuamos dando de ombros e fingindo que não estamos vendo as grandes catástrofes que se acentuam em quantidade e em proporções.

Aparentemente, as grandes catástrofes “naturais” não nos incomodam e nem nos assustam e o aquecimento global, até agora, também não é acreditado por muitos de nós. A imensa ocupação do espaço geográfico, em determinadas áreas, com a imensa massa da superpopulação humana sempre crescente não incomoda a maioria de nós. Nós estamos sempre precisando de mais e assim, sempre tiramos mais do planeta e não nos importamos com nada, porque, historicamente, sempre foi assim, sempre deu certo e, obviamente, continuará dando certo. 

Pois então, é preciso realmente entender que uma hora vai parar de dar certo e as coisas vão ficar efetivamente insustentáveis. Na verdade, já estão insustentáveis, porque já usamos mais do que podemos anualmente, desde 2023. Contudo, não paramos nem para pensar se isso é algo importante, apenas continuamos a “brincar com coisas sérias”. Não temos nenhum tipo de filtro e, embora alguns até questionem as ações humanas, ninguém, de fato, está fazendo nada para mudar o que vem acontecendo desde que a humanidade surgiu no planeta. 

A diferença é que no passado, nosso efeito era pequeno e nossa marca era quase impercebível e assim seguíamos buscando a nossa felicidade. Mas, parece que pegamos o caminho errado do esbanjamento e do uso sem critério dos recursos naturais e nos acostumamos com essa prática sórdida e inconcebível, que se mantém nas diferentes culturas humanas desde os primórdios da humanidade. Todavia, algo precisa ser feito para mudar esse comportamento daninho que historicamente assumimos com o planeta.

CONCLUSÃO

Senhores, porque não aproveitamos o momento atual, com todo o conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico acumulado que já possuímos e deixamos de lado esse nosso afã destruidor e começamos, real e efetivamente, a nos preocupar em manter a qualidade de vida no planeta. Nós já estamos vivendo muito individualmente, mas podemos e devemos viver mais coletivamente e só nós mesmos temos a capacidade de desenvolver as condições que podem garantir que isso aconteça. Precisamos apenas trabalhar nessa direção, considerando a humanidade como nossa unidade e não as pessoas individualmente ou pequenos grupos populacionais como nossa meta maior.

Temos que pensar no planeta e na humanidade como um todo, porque esta, certamente, é a única saída que temos para tentarmos reestabelecer as regras naturais. Quem sabe assim, poderemos até voltar a morrer mais de enfarto, porém certamente deixaremos de nos envenenar e de envenenar e destruir o planeta e as demais espécies nele viventes. Desta maneira, mesmo que não estejamos perto da plenitude de nosso afã de ser feliz, nós ainda teremos, em média, muito mais tempo para tentarmos ser felizes, como espécie viva. Ou melhor, poderemos ter certeza de que teremos mais tempo para buscar a felicidade que tanto queremos.

Não somos “donos do planeta” como pensamos ser, mas, por óbvio, somos “donos de nosso destino” e devemos trabalhar para termos melhores condições para poder cuidar do planeta e dos demais seres humanos.  É possível que, se atuarmos de maneira menos agressiva e tirana com o planeta e mais afetiva com os demais seres humanos, sejamos mais felizes e, quem sabe até possamos viver mais, sem correr riscos de continuarmos nos envenenando progressivamente a cada dia.

Alguém já disse, que: “a diferença entre o antídoto e o veneno é a dose”. Assim, cuidemos do planeta e da humanidade na dose certa e a felicidade será mais real e efetiva para todos nós humanos e, logicamente, para as demais espécies vivas que pululam e se multiplicam em diversidade neste planeta fantástico chamado Terra, que tem nos mantido e levado pelo tempo nessa aventura chamada vida.

Não devemos nos esquecer que a Terra é a casa maior que une e abriga todos nós e que a vida é a aventura comum das espécies, que tem sido contada no planeta por cerca de 3,5 milhões de anos. Muitas espécies já passaram por aqui e se extinguiram e certamente nós também passaremos, haja vista que a extinção é um processo natural. Contudo, quero acreditar que nós podemos e devemos agir para que nossa estada, como passageiros dessa “nave espacial planetária”, seja mais longa e consequentemente, seja a mais duradoura possível. Só depende de nós mesmos. Só nós podemos fazer com que isso possa ser uma verdade efetiva.

Cabe lembrar que a extinção é um processo gradativo que também traz a morte. Entretanto, eu prefiro ter um enfarte fatal do que saber que sou parte causadora da extinção progressiva de minha própria espécie, porque essa é uma morte que nenhum indivíduo de nenhuma espécie quer e nem merece ter. No caso humano, se continuarmos nossa escalada de desleixo em relação ao planeta e a extinção começar efetivamente a acontecer, certamente será pior ainda, porque somos consciente desse fato.

Atualmente falamos muito na questão da sustentabilidade planetária e da nossa obrigação de deixarmos boas condições e recursos naturais suficientes e condizentes com as necessidades das gerações futuras. Contudo, será que essas gerações futuras poderão realmente existir se continuarmos seguindo essa linha suicida de conduta planetária que tivemos até aqui?

Mantendo o atual modus vivendi, apenas estamos perpetuando o status quo e deste modo, a extinção humana está sendo antecipada e de maneira bastante célere. A extinção deverá ser uma mortandade coletiva, progressiva, forçada, prematura e tristemente causada pela irresponsabilidade do próprio ser humano. Ou seja, deverá ser uma espécie de suicídio coletivo com anuência e assistência de todos os envolvidos. Enfim, se isso acontecer, deverá ser uma coisa horrenda e tétrica que nenhuma espécie viva merece vivenciar, principalmente, uma espécie tão inteligente, brilhante e destacada como é o Homo sapiens.

Senhores, o planeta abriga milhões de espécies, mas apenas uma pode fazer alguma coisa para tentar resolver essas questões, que incluem diretamente a sua própria existência. Como eu já disse: só depende de nós mesmos. Essa responsabilidade planetária é única e exclusiva da espécie humana. Certamente, se quisermos, ainda temos algum tempo para tentar impedir, ou pelo menos, tentar adiar o Armagedom que se anuncia, agindo para minimizar o sofrimento coletivo. Entretanto, quando vamos começar a colocar as mãos na massa e realmente fazer alguma coisa?

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.