Categoria: Artigos

Artigos Professor Luiz Eduardo Corrêa Lima

03 set 2014

A Biologia, o Pensamento Evolutivo e a Sociedade

Se formos levar em consideração o fato de que a Biologia como Ciência não pode existir sem a Teoria da Evolução, facilmente iremos entender e concordar que nós, Biólogos, somos pessoas diferentes da maioria das pessoas e acabamos incomodando bastante a sociedade por conta de nossas atitudes naturalmente desenvolvidas em prol do evolucionismo. Essa nossa maneira generalizada de pensar e de agir evolutivamente contraria direta e indiretamente certos preceitos e desagrada muitos setores da sociedade, mormente alguns dogmas religiosos. Além disso, essa nossa postura ainda questiona certos conceitos inverídicos (crendices) e padrões sociais absurdos arraigados em muitos indivíduos dentro dos mais diversos grupos sociais. Isso obviamente também esbarra no conceito que a Sociedade em geral tem sobre nós e nossa profissão.

Há momentos em que somos venerados por conta de nossa preocupação com a vida, somos quase “super-heróis da natureza” e há outros momentos em que somos odiados pela nossa pretensa condição ateísta, manifestada por alguns setores da sociedade, no intuito exclusivo de nos colocar contra a opinião pública. Assim, quando nos referimos as questões relacionadas a salvar a vida humana no planeta e a biodiversidade, por exemplo, somos adorados pela sociedade em geral, porém, quando nos referimos ao pensamento darwiniano básico da seleção natural ou ao nosso parentesco evolutivo com os demais Primatas, por exemplo, vamos ao inferno no conceito social.

Em suma, a Sociedade nos vê de uma maneira bastante controvertida e às vezes totalmente contraditória, embora cada um de nós seja uma pessoa única, parecemos ser camaleões, como se sofrêssemos uma adaptação mimetista no pensamento social. Nossa profissão, por sua vez, flutua desde a mais total pureza, chegando às raias da ingenuidade, até a absoluta maldade, com todos os ares de perversidade que se puder conceber. Num instante somos bons e justos e no momento seguinte somo maus e perversos.

Eu tenho mesmo alguns amigos que aparentemente me adoram pela minha preocupação com a natureza e com a vida, porém sou proibido de comentar com eles sobre qualquer tema relacionado à Evolução das espécies. Pois é, por mais que a Evolução tenha a ver com a Biodiversidade planetária, grande parte da sociedade separa essas questões de forma diametralmente oposta. Quer dizer, a verdade natural do processo evolutivo que permitiu construir toda diversidade orgânica do planeta ainda não consegue ser percebida pela maioria da sociedade e, o que é pior, por questões alheias ao problema em si.

Conheço mesmo algumas pessoas que acreditam que Darwin e seus seguidores (eu inclusive) são pessoas incoerentes e mal intencionadas que querem negar a existência de Deus e descaracterizar toda e qualquer crença divina. Por outro lado, fico pensando o que é mais incoerente: o Deus bom que deixa acontecer coisas ruins ou o homem ignorante que se mantém alheio à realidade planetária e que atribui a Deus os absurdos que são cometidos pelo próprio homem contra a natureza? Além disso, parece que para alguns basta pensar assim: “como foi Deus quem criou as espécies, então Ele que cuide, pois o homem não tem nenhuma responsabilidade sobre a natureza”. O homem se coloca numa condição de exclusão da natureza, esquecendo que também é produto dela e, o que é pior, que tem tudo a ver com o atual estado de coisas.

Assim, a humanidade pode ficar esperando que Deus resolva todos os problemas naturais que a própria humanidade criou, porque, segundo esse pensamento, a espécie humana obviamente é uma entidade diferente, que se encontra acima de toda a Biodiversidade planetária. Essa transferência de responsabilidade é, no mínimo, mais cômoda para a humanidade, entretanto, é tremendamente drástica para o planeta. A atitude humana, oriunda desse pensamento incoerente e inconsequente é mais ou menos o seguinte: “Deus que se vire e o planeta que se dane!” Até aqui, com esse pensamento irresponsável e anti-evolucionista da sociedade humana o planeta e a própria espécie humana só tiveram prejuízo.

Mas, por que isso acontece dessa maneira? O que faz a maioria das pessoas pensar e agir dessa forma tão radical e antagônica aos interesses planetários e mesmo humanitários? E nós, Biólogos, temos realmente alguma coisa a ver com isso?

Provavelmente eu também não tenha as respostas corretas para nenhuma dessas questões propostas, entretanto eu gostaria de dar alguns palpites e opinar um pouco sobre o assunto. É bem possível que eu não convença ninguém com meus argumentos, mas discutir certas questões é um bom exercício de intelecto, além de ser algo fundamental para o desenvolvimento final de conceitos e eu quero aqui expor e defender o meu pensamento.

Primeiramente eu quero dizer que independente de qualquer religião ou filosofia de vida, não dá mais, de maneira absolutamente nenhuma, para não se aceitar a Evolução como um fato natural, ao qual estão sujeitas todas as espécies vivas do planeta, inclusive nós, os seres humanos. Até porque, além da incoerência apresentada anteriormente, já está cientificamente provado, faz pelo menos 60 anos, que a vida teve uma origem bioquímica a cerca de 3,5 bilhões de anos atrás e a Evolução foi o mecanismo que permitiu a existência da grande diversidade de espécies vivas. O que ainda se discute e provavelmente nunca se deixe de discutir, são os diferentes mecanismos que propiciaram e capacitaram o acontecimento evolutivo ao longo do tempo.

Aliás, é exatamente aqui, onde a Ciência discute o “como acontece”, que os anti-evolucionistas, os embusteiros e os picaretas de plantão, teimam em questionar o “que acontece”, alegando os maiores absurdos possíveis e tentando negar à realidade científica, através de argumentos risíveis e que chegam às raias da idiotice. Lamentavelmente a opinião pública é facilmente direcionável e sofre grande influência da mídia, enquanto a Ciência não faz proselitismo de suas descobertas e convicções, até porque essa não é sua função. A Ciência apenas tenta progredir no conhecimento das coisas para tentar melhorar a vida da humanidade, enquanto alguns segmentos retrógrados dessa mesma humanidade querem continuar a demonstrar o que não existe para defender interesses questionáveis, burlescos e algumas vezes até mesmo escusos.

De qualquer maneira, é claro que eu entendo que seja pouco provável que a maioria das pessoas simplesmente abandone, de uma hora para outra, a ideia de que um demiurgo seja o criador de todo o Universo e do planeta Terra em particular, com todas as formas vivas nele existente. Até porque, isso envolve uma série de questões que, lamentavelmente, ainda não podem ser entendidas pela maioria da população humana, por conta da falta generalizada de informações e de conhecimentos, mormente conhecimentos científicos. Assim, não vou aqui tentar brigar com as crendices e nem com os picaretas de plantão, que se aproveitam da situação de ignorância da população. Vou apenas apresentar a minha opinião e sugestão sobre a questão que poderia ser bem aproveitada pela mídia, se existisse, de fato, um interesse em tirar a humanidade da ignorância.

Proponho que sejam unidas as duas maneiras fundamentais de pensar e que se crie uma terceira maneira oriunda dessa união e que possa ser admitido o demiurgo e também a Evolução concomitantemente. Quero deixar claro que não é impossível pensar assim, até porque eu e muitas outras pessoas que conheço somos exemplos vivos desse tipo de pensamento. Ao contrário do que muitas pessoas são levadas a pensar, acreditar em Deus não impede que se admita a Evolução e muito menos a Evolução impede ou desqualifica a crença em Deus. Como eu já disse lamentavelmente isso é um mito desenvolvido pelos picaretas de plantão, infelizmente reforçado pela mídia e distribuído para sociedade. Na minha maneira de pensar, Deus e a Evolução não são apenas compatíveis, ambos podem até serem concludentes.

Admitindo, a priori, que Deus tenha efetivamente criado o Universo como ele está até hoje e considerando o grau de diversidade biológica e de fenômenos naturais que existem no universo, certamente não haveria possibilidade nenhuma de manter o controle efetivo de todas as coisas ao mesmo tempo, pois o grau de complexidade de fenômenos é quase que infinito. Assim, certamente as coisas se organizam por processos físicos e químicos que acontecem por causas estritamente naturais e assim a Evolução, independente de Deus, segue seu curso. Deus pode ter definido os extremos, mas não tem como controlar indistintamente todos os processos ao mesmo tempo e assim esses processos só podem ocorrer aleatoriamente, isto é, ao acaso e por conta dos mecanismos evolutivos. As coisas que existem aqui no planeta podem até terem sido estabelecidas, a priori, por um Deus, mas sua continuidade é obra da seleção natural e do acaso evolutivo.

É bom a gente recordar que a Seleção Natural não dimensiona o acaso, mas dimensiona os resultados evolutivos como sendo obras do acaso que tenham valor de sobrevivência para as espécies. Na verdade, o que se chama de acaso é a escolha da melhor opção entre as inúmeras que são apresentadas. O que é vantajoso tende a sobressair sobre o que não é vantajoso e assim tende também a se manter evolutivamente. É importante que não se coloque uma condição totalmente aleatória e desvinculada do interesse da espécie em sobreviver quando se pensa em Evolução, porque é exatamente isso que as pessoas de má índole, que estão apenas preocupadas em negar o processo evolutivo a qualquer custo, fazem para tentar ridicularizar o pensamento e a lógica evolutiva aos que desconhecem totalmente o assunto.

A Evolução não tem nenhum propósito em si mesmo, a vida é que tem objetivos estabelecidos. O principal propósito da vida, aquele que realmente interessa, é continuar a viver e vivendo cada vez melhor. Isto é, a vida está sempre querendo melhorar a vida e o resultado dessa melhora é o que se chama Evolução. Assim, a Evolução se estabelece através de mudanças ocasionais boas e ruins. Entretanto, como as mudanças boas (aquelas que favorecem a vida) são mais interessantes ao propósito da própria vida, então elas tendem a se manter e a continuar ao longo do tempo. Já as mudanças ruins (aquelas que não favorecem ao propósito da vida) tendem a não se manter e assim desaparecer ao longo do tempo. Esse mecanismo que tende aglutinar o bom e rechaçar o ruim é muito fácil de ser entendido e não há nenhuma necessidade de interferência divina para que ele possa ocorrer. Além disso, também não há, a priori, nada de imoral, de herege ou contra a aceitação de um Deus nessa maneira de pensar e proceder. Esse é apenas um mecanismo natural e admitir que isso ocorra não é, em hipótese nenhuma, negar a existência de Deus ou tentar reduzir sua importância.

Se existe mesmo aquilo que grande parte da sociedade convencionou chamar de pecado, quero acreditar que pecado é negar a realidade biológica e natural para satisfazer interesses outros e se aproveitar da condição de dependência intelectual ou mesmo psíquica das outras pessoas, como fazem alguns setores da sociedade, particularmente certas religiões e alguns falsos profetas de determinadas religiões. Entretanto, em contra partida, é bom lembrar que existem outras religiões que entendem e acatam perfeitamente o processo evolutivo como sendo a única maneira possível de esclarecer o alto grau de diversidade biológica planetário.

Não há pecado e nem crime nenhum em admitir a Evolução e muito menos certamente existe ateísmo nessa maneira de pensar. Ao contrário, para os mais religiosos, talvez até o mecanismo evolutivo possa ser considerado uma maneira mais eficaz de demonstrar a beleza, a capacidade e a grandeza de Deus, quando deixa a vida traçar o seu ritmo a partir do interesse e da necessidade natural da própria vida em se manter e continuar. A genialidade de Deus poderia estar demonstrada no fato de ter permitido a existência de um mecanismo que se auto gerencia e se mantém independente de qualquer infortúnio ou ação externa. A natureza segue seu caminho no interesse único da vida.

A perfeição de Deus poderia ser dimensionada quando atribuiu a possibilidade da Evolução produzir uma espécie como a nossa. Pena que as pessoas são tão pequenas que se quer se disponham a parar, pensar e tentar compreender que se Deus existe, Ele é algo muito maior e está muito acima dessa discussão tola que só favorece a alguns embusteiros e que acaba por garantir à manutenção da ignorância de muitos indivíduos da espécie humana.

Mas a manobra articulada foi tão bem feita, que os embusteiros de plantão polarizaram a coisa de tal forma que parece que humanidade é composta apenas de dois grupos radicais e distintos de pessoas: os cegos pela fé e os cegos pela razão. Talvez, seja melhor a espécie humana começar a enxergar e ver que cegueira nenhuma é boa e que a manutenção do planeta e da vida independem das pessoas serem evolucionistas ou não. Com ou sem pensamento teísta, pelo menos até aqui, só destruímos o planeta e a vida. Isso certamente não é bom e o pensamento evolucionista sempre nos mostrou essa verdade, mas a maioria de nós nunca se dispôs a ver a realidade natural.

Alguns amantes da Biologia e os Biólogos mais especificamente, talvez componham o grupo profissional em que a realidade do processo evolutivo esteja mais clara, mais evidente e mais presente. Por isso a sociedade algumas vezes desconfia desses profissionais de Biologia. Estou convicto de que a sociedade quer estar do nosso lado, mas ela precisa ser mais bem informada sobre a realidade e nós temos que continuar fazendo o nosso trabalho, procurando trazer a sociedade cada vez mais próxima de nós. Isso só será possível, quando conseguirmos fazer com que as verdades sejam ditas e popularizadas nas populações sem qualquer conotação pejorativa e sem qualquer atitude inconveniente dos setores que querem manter o atual status quo.

Albert Einstein disse certa vez que só existem duas maneiras de pensar sobre milagres: “ou os milagres não existem ou todas as coisas são milagres”. Pois então, eu sugiro que fiquemos com a segunda alternativa, isto é, que “todas as coisas são milagres”, inclusive Deus e a Evolução. Porque só assim, independente de nosso nível intelectual e de nossa posição pessoal em relação à aceitação da Evolução Biológica e dos processos evolutivos, seremos capazes de deixar o milagre da vida continuar existindo em nosso planeta. Que Deus tenha pena de nós, mormente daqueles entre nós que insistem em negar a realidade natural, pois, a meu ver, esses é que são os verdadeiros ateus e que fazem um grande mal à humanidade e ao planeta.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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30 ago 2014

A Mobilidade Urbana e a Realidade das Pequenas e Médias Cidades

A grande maioria das cidades brasileiras não tem nem 20 mil habitantes, isto é, são cidades quase sempre muito pequenas. Entretanto, a muitas dessas pequenas cidades já apresentam trânsito caótico, pelo menos em suas áreas mais centrais. Mas, por que será que esse fenômeno ocorre, haja vista que não há gente e nem veículos (carros, ônibus, caminhões, tratores, carroças, motocicletas, bicicletas e outros) suficientes para produzir os engarrafamentos e outras complicações de trânsito nessas cidades?

Penso eu que isso acontece primeiramente porque nesse país se outorga Carteira de Motorista indiscriminadamente para qualquer pessoa, independentemente dela possuir ou não condições intelectuais ou psíquicas para se locomover no trânsito e, o que é pior ainda, independentemente dela possuir de fato qualquer habilidade para desenvolver a prática de dirigir. Os “DETRANs” são meros guichês de distribuição de carteiras de habilitação para qualquer indivíduo, que a partir daí passam a estar devidamente autorizados pela Lei e podem sair pelas ruas dirigindo carros e fazendo todo tipo de absurdo no trânsito. Além disso, e óbvio que, por outro lado, existe também a carência generalizada de educação e mais especificamente a falta de educação direcionada para os problemas de trânsito das cidades, sejam essas cidades quais forem e independentemente do tamanho que elas possam ter.

Os problemas relacionados ao trânsito e à morosidade urbana decorrem exatamente dos aspectos acima e também porque as orientações teóricas são oriundas de Legislação Federal, o que está corretíssimo, enquanto a prática do trânsito é dada pela orientação estadual e normalmente essa prática segue os modelos das capitais estaduais que costumam ser cidades grandes e cheias de outros problemas que favorecem a complexidade do trânsito, o que está completa e tremendamente errado. As práticas de trânsito devem ser desenvolvidas em função da necessidade local. Isto é, o trânsito de qualquer cidade deve ser trabalhado no sentido e na vocação própria daquela cidade e não ser adaptado a partir de outra, principalmente quando essa outra é muito maior e repleta de outras complicações, como acontece na maioria das principais capitais estaduais brasileiras.

O trânsito em São Paulo, por exemplo, ou em qualquer outra megacidade brasileira é um caos e não pode ser modelo para nada. Sua resolução, se é que existe, deve ser encontrada a partir da realidade da própria cidade de São Paulo e não pode de maneira nenhuma ser aplicado como orientação para outra cidade que não tenha os mesmos problemas. São Paulo é uma cidade imensa, a maior do Brasil, tem um grande número de pessoas, de carros, de ruas, de obras e outros transtornos. Enfim, em São Paulo, como em qualquer megalópole, tudo é mais complicado e como a base em que se implantou todo o sistema de trânsito nessas cidades costuma estar totalmente ultrapassada e desajustada, dificilmente haverá solução possível para a maior parte dos problemas de trânsito, quando muito poderá haver minimização de algumas questões em alguns locais, mas é quase impossível admitir resolução com eficácia total.

Pois então, as cidades pequenas não podem e não devem, de maneira nenhuma, seguir esse modelo, porque essas cidades estão em outra situação e seus problemas são localizados e muitas vezes fáceis de serem resolvidos, basta interesse real, boa vontade e bom senso de quem administra. Entretanto, os administradores do trânsito das pequenas cidades vão ser orientados a partir de aulas e palestras ministradas nas grandes cidades, por agentes de trânsito das cidades grandes, que orientam sobre o trânsito dessas cidades e aí o administrador da pequena cidade volta à sua cidade e quer fazer nela, aquilo que acontece na cidade grande. Obviamente isso não pode dar certo, pois as realidades são diferentes. Dessa maneira, ao invés de melhorar o trânsito e resolver os problemas, o administrador acaba piorando e muito a situação, porque ele está projetando e atuando para o trânsito da cidade grande e não para a sua realidade (cidade pequena). Penso que todas as pessoas que vivem no trânsito cotidianamente como eu, têm inúmeros exemplos do que acabo de dizer e estão cansadas de ver como isso, lamentavelmente, é uma verdade recorrente em inúmeras cidades pequenas do interior.

Embora a Legislação seja Federal e a orientação prática do trânsito seja estadual, a funcionalidade e a aplicabilidade têm que ser locais. Não é possível e muito menos pertinente aquilo que acontece no trânsito de uma cidade de 1 milhão ou mais de habitantes, seja aplicado da mesma maneira para uma cidade de 10 ou de 100 mil habitantes. As realidades físicas do espaço e de sua ocupação são imensamente diferentes, as necessidades são diferentes e até mesmo as pessoas e os seus respectivos comportamentos são diferentes. Uma cidade com 10 mil habitantes tem, quando muito, cerca de 2 mil carros, enquanto que uma cidade com 10 milhões de habitantes tem, no mínimo, cerca de 3 milhões da carros e isso gera um grau de necessidades específicas no trânsito que transcende infinitamente o limite do próprio trânsito.

Por conta desse disparate de números e do treinamento errôneo do pessoal, as cidades pequenas estão repletas de sinais de trânsito absurdos, de mãos de direção incoerentes, de caminhos confusos, de estacionamentos ilógicos, de orientações esdrúxulas, de investimentos (gastos) desnecessários, de agentes de trânsito mal formados e algumas vezes até mesmo mal intencionados e de várias outras coisas inoperantes e ineficientes, como acontece nas grandes cidades. Isso ocorre exatamente porque as cidades pequenas “querem imitar” as cidades grandes, ou seja, os administradores das pequenas cidades projetam os seus respectivos sistemas de trânsito da mesma maneira que as cidades grandes. Ora, não pode dar certo e o resultado só pode ser o caos.

É preciso que os administradores de trânsito das pequenas cidades tenham sensibilidade, não queiram perder tempo, nem jogar dinheiro fora e que atentem para o seguinte detalhe: o trânsito de uma cidade é diferente de outra, principalmente se uma delas for uma megalópole e a outra for uma cidade pequena. Por exemplo, não faz sentido absolutamente nenhum ter um sinal de 4 tempos numa cidade com menos de 100 mil habitantes. Também não faz sentido impedir o acesso à direita num cruzamento, obviamente com atenção. Também não há porque encher a cidade de lombadas, ou, o que é ainda muito pior, de valetas nas esquinas. Outro absurdo é achar que mão única é uma necessidade. A mão única é muitas vezes bem-vinda, mas não deve ser entendida como uma necessidade (obrigação) do trânsito nas cidades pequenas, como querem algumas pessoas ligadas aos setores de trânsito, em algumas situações a mão dupla não só é útil, como necessária para manter a velocidade controlada em níveis urbanos satisfatórios e mesmo facilitar o acesso de moradores e trabalhadores em certas áreas. Aliás, é bom lembrar, que os limites de velocidade definidos também são absurdos em muitos casos, pois não existe nenhum critério na sua definição, além da vontade pessoal de alguém. Na maioria das cidades pequenas, certamente metade dos sinais de trânsito são desnecessários. Enfim, são tantos exemplos de absurdos que não é possível entender.

Outras coisas que acontecem nas cidades pequenas e que eu não entendo é o seguinte: uma determinada via tem três faixas de rolamento, mas não sei o porquê, todos andam pela faixa do meio e as outras duas ficam vazias. Além disso, agora se criou uma ideia de “orientar” (forçar) o trânsito e obrigar o motorista a fazer o que os outros querem que ele faça, através de tachões de sinalização no chão. Entretanto, quem inventou esse absurdo, se esqueceu que quem está dirigindo é o motorista e que somente ele é quem sabe como conduzir o veículo durante uma determinada situação de trânsito. Assim, por exemplo, três quarteirões antes de um cruzamento o motorista já é obrigado a levar seu carro na direção a ser seguida lá na frente e se, por ventura, acontece algum problema, aí para tudo, porque se ele sair daquela faixa certamente será multado. Caramba! Não é mais fácil deixar o trânsito seguir o seu curso naturalmente, até mesmo para que o motorista possa desviar se preciso for, porque é isso que favorece a mobilidade urbana e a fluidez do trânsito. Talvez, numa cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro, isso possa ser importante, por causa da grande quantidade de carros, mas certamente isso não é importante para uma cidade pequena. Entretanto, esse tem sido um fator significativo de causa de engarrafamentos de trânsito.

Outra coisa que precisa ser discutida é o seguinte: qual a função da Secretaria ou do Departamento de Trânsito de uma Prefeitura? Se eu não estiver errado, penso que, obviamente, seja cuidar do trânsito. Isto é, fazer com que o trânsito flua e que não haja morosidade na sua fluidez. É bom lembrar que só existe trânsito quando efetivamente está havendo movimento (fluxo), pois o verbo transitar está diretamente relacionado com a mobilidade. Os diferentes fatores que interferem nesse desejo de fluidez, certamente são adversidades ao trânsito e obviamente devem ser pensados, mas não são prioridade para o trânsito. Por exemplo, a arborização urbana não é um problema do trânsito, mas interfere diretamente nele, constituindo-se numa adversidade à fluidez. A segurança dos pedestres e dos motoristas, a educação dos pedestres e dos motoristas também interferem na fluidez do trânsito. Todas essas coisas são adversidades aos interesses do trânsito e não devem ser as prioridades para o trânsito, até porque existem outros setores que devem cuidar dessas atividades. É claro que o trânsito deve estar em concordância com esses fatores, porém eles não podem ser as prioridades do trânsito como querem alguns. Até, porque, se for assim, não há necessidade nenhuma de existir um Departamento ou Secretaria de Trânsito.

Vejam bem, eu não estou dizendo que Segurança e Educação não são importantes para o trânsito. Eu estou dizendo que essas atividades são secundárias ao interesse primário do trânsito. Obviamente que temos que ter segurança e educação no trânsito, mas isso, embora necessário, não é prioritário para o trânsito em si. Uma característica oriunda de outro setor deve ser pensada e tratada em comum acordo com o outro setor, mas há de existir um ponto de estabilidade média entre ambos os setores envolvidos. A Educação para o Trânsito é quem deve estabelecer os critérios, os limites e mesmo os mecanismos de orientação de pedestres e motoristas. O guarda ou agente de trânsito deve orientar, mas não pode querer ser o “dono da verdade”, até porque, na maioria das vezes eles são jovens que pouco ou mesmo nunca dirigiram diuturnamente e não têm experiência prática como motoristas.

Enfim, dirigir é uma tarefa complicada, que depois de muita prática parece ser simples e algumas vezes até prazerosa. Pois é, essa tarefa, além de cada vez mais perigosa, também está ficando chata, desagradável e terrivelmente mais complicada do que sempre foi. O pior de tudo é que os carros são melhores, as vias são melhores, a educação é melhor, tanto para pedestres como para motoristas, a sinalização é melhor. Enfim, a única coisa que piorou foi a qualidade de quem organiza e orienta o trânsito, principalmente nas pequenas cidades.

Aqui no Vale do Paraíba, só para dar uns exemplos, sugiro que as pessoas venham conhecer o trânsito de Guaratinguetá. Uma cidade média com um centro velho, cheio de ruas estreitas, que quase não possui sinais de trânsito, nem lombadas, nem valetas e que o trânsito funciona muito bem, perto de outras tantas que conheço na região. Lorena é uma cidade cheia de bicicletas e de ruas de paralelepípedos, onde a velocidade é efetivamente baixa, mas o trânsito flui relativamente bem. Faz pouco tempo que a Prefeitura criou uma coisa absurda: uma rua no centro (que antes era a rua principal da cidade, por onde passava todo o trânsito) e que agora só pode passar um carro, pois suas margens são para ciclistas, pedestres e também para estacionamento, mas mesmo assim o trânsito flui bem, porque não existem sinais desnecessários atravancando o trânsito. São José dos Campos, apesar dos cerca de 700 mil habitantes, tem um trânsito melhor que muitas cidades da região, porque o trânsito da cidade é bem planejado e sinalizado, além disso o anel viário facilita muito o deslocamento dos veículos pelas diferentes regiões da cidade. Em Caçapava, o trânsito começou a melhorar nas áreas centrais porque vários sinais de trânsito incoerentes que existiam, começaram a ser desligados ou mantidos em atenção, mas ainda existem algumas coisas sem sentido no trânsito da cidade que podem ser melhoradas. Enfim, vários são os bons exemplos, mas ainda há muito por fazer.

Por outro lado, Aparecida tem uma avenida de mão única e com faixa extra de acostamento, fora do centro da cidade, com cerca de 4 quilômetros, mas cuja velocidade máxima é de 40Km/h e ainda por cima cheia de radares e lombadas, o que não faz o mínimo sentido, a não ser como fonte adicional de renda para a Prefeitura através da aplicação de multas aos turistas desavisados. Nessa mesma cidade, outra avenida que atravessa grande parte extremamente populosa, cuja faixa da direita serve de estacionamento e que ainda é repleta de áreas comerciais tem o mesmo limite de velocidade. Quer dizer, ou uma das avenidas está com limite abaixo ou a outra está com limite acima do que deveria ser, o que não pode é ter a mesma velocidade nas duas, haja vista que são ambientes de trânsito tão diferentes. Na cidade de Jacareí, as avenida que ligam a cidade com a Dutra, têm excessivos radares e sinais e por outro lado falta sinalização para as pessoas que não conhecem a cidade. Em Taubaté, com as ruas estreitas do centro, o trânsito é historicamente caótico e quanto mais se mexe, mais a coisa complica e agora, por conta de uma série de novos erros, a complicação atingiu também outras áreas mais afastadas do centro.

Enfim, o trânsito das pequenas cidades da região pode e deve melhorar, mas essa melhora está na relação direta da qualidade educacional e prática do motorista e do bom senso do dirigente de trânsito das cidades. É preciso exigir a formação de bons motoristas e acabar com técnicas de trânsito importadas das cidades grandes, pois só assim poderemos ter um trânsito mais confiável e compatível com a dimensão real de nossas cidades. Talvez dê um pouco mais de trabalho, mas certamente não é impossível produzir um trânsito de qualidade e efetivamente menos perigoso nas cidades da região.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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26 ago 2014

Existe apenas um Planeta Terra

O título desse artigo, por mais óbvio que possa parecer, de vez em quando precisa ser lembrado, para que todos os humanos possam manter esse pensamento efetivo e ativo nas suas respectivas mentes. Digo isso, porque a grande maioria das pessoas, embora saiba; que existe apenas um Planeta Terra e que todos os recursos naturais que nós humanos utilizamos são tirados direta e exclusivamente desse único planeta que habitamos; parece que se esquece desse detalhe fundamental na sua vida cotidiana e acaba usando os recursos naturais indevida e levianamente, desperdiçando esses recursos absurdamente e, o que pior, produzindo alguns resíduos que a natureza muitas vezes não conhece e que nós humanos resolvemos chamar de resíduos ou simplesmente lixo.

É bom lembrar que na natureza não existe lixo e assim o lixo é um produto de origem exclusiva da espécie humana. Existe uma boa parte desse material, que nós chamamos de lixo, que pode ser reaproveitado e reutilizado para outros fins e hoje há muitos humanos trabalhando no sentido de tratar melhor esses resíduos e conhecer suas diferentes utilidades. Mas, por outro lado, também existe uma boa parte desses resíduos que não pode ser reutilizada e outra que nem a natureza e nem nós mesmos sabemos como usar ou mesmo exterminar. Desta forma, esse tipo de material totalmente inútil e principalmente indesejável, vai se acumulando pelo planeta afora, ocupando espaço e degradando novas áreas que também poderiam ser utilizáveis.

Em suma, cuidamos muito mal do Patrimônio Natural, pois usamos pessimamente os recursos naturais e pioramos a qualidade do meio ambiente e da vida que nele se insere, inclusive e principalmente a nossa. Desta maneira, precisamos estar constantemente nos lembrando que temos apenas um Planeta Terra, do qual tiramos absolutamente tudo o que utilizamos, para sempre tentarmos agir no sentido de garantir que os recursos naturais sejam utilizados de maneira respeitosa, precisa, coerente e, sobretudo, sem desperdício.

O uso do planeta de forma precisa e coerente pelo homem recebeu recentemente o nome de SUSTENTABILIDADE e é sobre isso que vamos conversar um pouco. Primeiramente devo dizer que a Sustentabilidade consiste num princípio básico que determina que nenhuma geração tem direito de esgotar os recursos planetários, pois todos os humanos e as demais criaturas vivas que já viveram, que estão vivos hoje e aqueles que ainda irão viver tem os mesmos direitos ao uso do Planeta Terra e de seus recursos naturais.

A apropriação do planeta não é um direito exclusivo do homem, mormente do homem atual. Nenhuma espécie, em momento nenhum pode se considerar “dona do planeta”, até porque, na verdade nós e as demais coisas vivas é quem pertencemos a Terra. Isto é, a Terra é que a “dona de todos nós”. O Homo sapiens tem um compromisso maior com a preservação do planeta, primeiro porque é quem mais o explora e segundo porque é a única espécie capaz de explorar os recursos planetários até a exaustão, como já aconteceu em alguns casos.

Por outro lado, devo esclarecer que a ideia de Sustentabilidade transcende bastante essa nefasta capacidade de apropriação indébita que a espécie humana assumiu com o Planeta Terra. O conceito de Sustentabilidade tenta conter a progressão e mesmo impedir esse absurdo. A Sustentabilidade está basicamente contida num tripé que envolve o Ambiente, a Sociedade e a Economia, de forma tal que qualquer mecanismo só pode ser considerado sustentável se todos esses três itens estiverem satisfeitos de forma igualitária na sua composição. Sendo assim, não é possível conceber mais, nos tempos atuais, qualquer tipo de mecanismo que prestigie, mas esse ou aquele aspecto do tripé.

Durante muito tempo a humanidade sempre procurou priorizar o lado econômico, como sendo o mais importante para o seu desenvolvimento. Entretanto, nos últimos tempos, por conta da necessidade imperante e do crescimento do pensamento sustentável nas diferentes sociedades humanas, a visão estrita da Economia precisou perder um pouco de sua avidez. Desta maneira, o componente social passou a ser mais bem considerado nas diferentes situações e também, o componente ambiental, que antes nem era pensado pela maioria dos humanos, passou de insignificante para uma posição de igual importância na escala de prioridades a serem atendidas. Assim, o Desenvolvimento Sustentável passou a ser o mecanismo principal para que se possa tentar alcançar e garantir a Sustentabilidade planetária.

Algumas ações individuais e coletivas, não só podem como devem, ser estabelecidas pelas pessoas físicas (indivíduos humanos) e jurídicas (empresas e grupos socais) no sentido de trabalhar em prol da sustentabilidade e dentre essas, podemos destacar as seguintes:

1 – Desenvolver uma postura ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável, visando o interesse das futuras gerações, ou seja, aqueles seres humanos que herdarão o planeta a partir de nossas ações atuais. Lembrar que o mundo não é só meu, nem é só dos outros seres humanos, mas que também existem inúmeras outras formas de vida que tem o mesmo direito que eu tenho ao planeta. Lembrar, principalmente que dinheiro é um meio e não um fim, o qual só interessa ao homem e não serve em absolutamente nada para as demais criaturas do Planeta.

2 – Redução do Consumo de Recursos Naturais, não comprando coisas supérfluas ou desnecessárias, investindo em Reutilização, no Reaproveitamento e na Reciclagem de materiais e minorando a produção de lixo e resíduos indesejáveis. Avaliar efetivamente a real necessidade do produto antes de adquirir. Não comprar por impulso, nem porque está na moda, ou porque o seu amigo tem aquele produto. É bom lembra que essa também é uma das principais causas da violência urbana. Se você tem uma bicicleta e o outro não tem, ele toma a sua.

3 – Redução e racionalização do Consumo de Energia, principalmente a energia oriunda da queima de Combustíveis Fósseis, que geram muita poluição, gases de Efeito Estufa e que atuam fortemente para o Aquecimento Global e consomem Recursos Naturais não renováveis. Reduzir o uso do carro, do chuveiro elétrico, da geladeira e mesmo da pilha e das baterias elétricas, as quais produzem resíduos tóxicos e altamente contaminantes. Se o quarto está vazio, por que a luz está acesa?

4 – Investimento em Tecnologias Limpas que propiciem novas formas alternativas de obtenção Energia não poluentes e que não ofereçam risco à saúde humana ou planetária. Ser proativo em relação a Energia Solar, Eólica, das Marés, das Correntes e outras não poluentes e naturais que possam existir. Ser atuante em práticas ambientalmente corretas. Pequenas ações como apagar a luz e usar mais a luz solar, desligar o computador, a TV e os demais eletrodomésticos quando não estão sendo usados, não desperdiçar água, reaproveitar o papel, as caixas, reduzir, ou mesmo acabar com o uso de sacolas plásticas e outros produtos descartáveis, que têm grande custo energético e levam anos para se decomporem na natureza.

5 – Buscar a ampliação das Áreas de Preservação Naturais e a Recuperação de Áreas Verdes Urbanas, no sentido de garantir a manutenção dos Ecossistemas Terrestres com seus respectivos Bancos Genéticos e sua Biodiversidade e também de melhorar a qualidade do ar nas cidades. Por exemplo, plantar árvores e não cortar as existentes é um mecanismo simples que garante a absorção da água pelo solo, diminui aquecimento global, refresca os ambientes, atrai pássaros e embeleza os ambientes sobremaneira.

6 – Recuperar, dentro do possível, os ambientes naturais degradados, a fim de minimizar as áreas comprometidas com ações antrópicas insustentáveis ocorridas no passado. Reaproveitar áreas antes impermeabilizadas, onde calçamento indevido ocorreu, aumentando as áreas de jardins e quintais. Nas áreas urbanas é onde mais há necessidade de melhorar a qualidade do ar, portanto faça a sua parte para que isso aconteça.

7 – Educar ambientalmente as populações dentro do preceito de que a sustentabilidade é a única maneira possível de garantir a qualidade e a continuidade da vida humana no planeta. A prática educativa tem que trazer no seu bojo os princípios de garantir a manutenção e a continuidade dos recursos naturais não renováveis e a recuperação efetiva dos renováveis; de não degradar; de não sujar e efetivamente de chamar a atenção de quem age de forma contrária aos interesses do Planeta e da Sociedade, independentemente da justificativa apresentada.

8 – Definir criteriosamente as áreas agricultáveis e as culturas nelas desenvolvidas, visando minimizar o uso indiscriminado de Agrotóxicos e Defensivos Agrícolas, garantindo a manutenção dos solos naturais como forma de produção agrícola. Isso começa na sua casa, não usando veneno nas suas plantas ornamentais e também desenvolvendo sua pequena horta orgânica, da qual você pode tirar a sua alface, o seu tomate e outros alimentos.

9 – No plano político-administrativo, devemos procurar apoiar políticos e administradores públicos que estejam determinados a investir em políticas públicas, que favoreçam a sustentabilidade e que priorizem o interesse ambiental planetário, antes de qualquer interesse econômico particular ou qualquer grupo social específico, de acordo com a máxima ambientalista que diz: “agir localmente, pensando globalmente”. Oriente as pessoas de que as suas ações cidadãs em prol do planeta começam nos seus respectivos votos. Lute e trabalhe para que os seus candidatos tenham postura proativa, para que proponham as mudanças devidas que são necessárias à Sustentabilidade.

10 – Enfim, como ação precípua, procure ser um exemplo daquilo que pregar. Ninguém vai acreditar em você, se realmente você não demonstrar aquilo que fala. Acredite e pratique a sustentabilidade em todas as suas ações, pois assim você estará demonstrando que não é impossível, basta apenas vontade, coerência e persistência. Se você consegue, certamente também é possível que outros consigam.

Por fim, quero dizer que é preciso repetir muito a frase: “Existe apenas um Planeta Terra” e esta é a única morada; o único planeta; a única nave espacial dentro da qual estamos todos nós, mergulhados no espaço universal. Todos nós somos passageiros e estamos na mesma viagem dentro do mesmo veículo denominado Terra. Não é muito pedir para que cada um faça a sua parte no processo de garantir que a viagem continue sem conturbações e realmente não é necessário nada mais que isso, porque se cada um fizer efetivamente a sua parte o todo estará sendo feito.

Sempre vale a pena ressaltar que “os maiores interessados em manter o planeta somos nós mesmos”, pois só assim garantiremos a nossa existência. Isto é: “o planeta não depende de nós, nós é que dependemos dele”. Então, cabe lembrar também, que para que o planeta continue seguindo em frente e com segurança, só depende de nós mesmos, os seres humanos. A nossa continuidade no mundo vivo está em nossas mãos, pois só nós temos o poder da escolha e da definição. Nossas atividades atuais definirão sobre a nossa existência planetária futura.

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima

Este artigo foi inicialmente publicado em www.recantodasletras.com.br/autores/profluizeduardo, em 23/06/2011, tendo sido modificado e atualizado para esta publicação.
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16 ago 2014

A Transitoriedade do Homem

Quando o homem apareceu aqui na Terra, todo o resto do que existe no planeta ou, pelo menos, a maior parte do que existe na Terra, aqui já se encontrava há muito tempo. Essa é uma verdade insofismável.

Se nos utilizarmos do modelo do “Calendário Cósmico”, proposto por Carl Sagan, na década de setenta, vamos observar que, naquela analogia, o homem surgiu somente nas duas últimas horas do último dia do ano, num ano de trezentos e sessenta e cinco dias. Mais precisamente, os primeiros Homo sapiens teriam surgido às vinte e duas horas e trinta minutos, do dia trinta e um de dezembro. E mais, a nossa história só começa a ser conhecida e contada efetivamente a partir das vinte e três horas e cinquenta e nove minutos daquele mesmo dia. Pois é, tudo que sabemos sobre nós mesmos, resume-se a pouco mais de um minuto do Tempo Geológico.

Se continuarmos a analogia, podemos dizer que estamos vivendo o primeiro segundo do ano novo. Todo o nosso conhecimento do homem moderno, não ultrapassa a marca de um minuto e um segundo do “Calendário Cósmico”. Há de se convir que somos quase nada no tempo, nossa existência é insignificante perante a grandiosidade do Tempo Geológico.

Por outro lado, parece que somos o nível máximo de organização biológica em nosso planeta, pelo menos até aqui, e nenhuma espécie desenvolveu-se tão rápida e perigosamente como a nossa. Mas, por que evoluímos tão rapidamente? Por que queremos e podemos tanto? Por que surgimos? Qual o nosso significado? Como chegamos até aqui?

É muito difícil entender porque o processo evolutivo parece ter estacionado na forma humana, pelo menos aqui na Terra. Porém, mais difícil ainda é se admitir um “salto evolutivo” tão grande, apesar de tanta semelhança morfológica e fisiológica entre o macaco e o homem. Ainda que, biologicamente, sejamos macacos (não há como negar nossa condição de Primata), intelectualmente, somos muito superiores a qualquer macaco, por mais evoluído e inteligente que ele possa ser. Talvez, a distância intelectual entre nós e os macacos seja equivalente à distância temporal entre nós e a grande explosão que originou o Universo.

Não há dúvida que algo aconteceu evolutivamente entre os macacos não humanoides, macacos humanoides e o homem, pois esse algo, talvez nunca saibamos explicar fisicamente, ou para explicarmos, deveremos nos reportar a explicações metafísicas e abordagens religiosas, que transcendem a intenção desse artigo.

Por outro lado, temos certeza de nossa transitoriedade. Como tudo que existe e que é vivo, nós também nascemos, crescemos e morremos. Nesse sentido, somos tão frágeis como qualquer outro organismo vivo. Aliás, nesse aspecto, talvez sejamos até mais frágeis do que as outras espécies vivas, porque somos a única espécie que tem consciência desse fato e isso nos faz temer a morte.

Então eu pergunto: se estamos aqui, dependemos daqui, nascemos aqui, crescemos e embora tenhamos medo de morrer não conseguiremos evitar a morte e morreremos aqui, por que então não pensamos em melhorar ao invés de destruir o planeta? A Terra é a nossa casa, por enquanto a única que temos e é bem possível que jamais encontremos outra casa para nós em todo o Universo. Por que não nos utilizamos de nossa razão para tratarmos de preservar as condições de vida do planeta, o que, em última análise, significa tentar preservar a nossa própria vida.

Só existem três respostas compatíveis com essa situação antagônica em que nos colocamos, em relação ao planeta: ou somos alienígenas, ou somos loucos ou somos ignorantes.

Como alienígenas talvez tenhamos tido nossa origem em outro corpo celeste, que se destruiu por qualquer motivo desconhecido e chagamos aqui na Terra e nos mantivemos, até hoje, com o espírito e a índole do colonizador que só quer para si. Mas, se isso for verdade, tudo o que escrevemos sobre evolução, particularmente sobre evolução do homem com todas as analogias e homologias entre nós e outros organismos vivos do planeta, inclusive os macacos, são, na verdade, homoplasias, Isto é, meras coincidências fortuitas e sem nenhum relacionamento evolutivo.

Como loucos, talvez sejamos loucos o bastante para não termos consciência de nada. Se assim fosse, jamais teríamos nos preocupado com a evolução e com a nossa origem, porque sendo loucos, o que menos pesaria em nossas mentes seria a responsabilidade histórica, tanto futura, quanto a passada. Nesse sentido, não valorizaríamos a família, hábitos culturais, arte e outras coisas.

Como ignorantes talvez todos os nossos problemas residissem no nosso desconhecimento generalizado das coisas a nossa volta. Por mais que cada um de nós saiba, sempre há uma infinidade de coisas muito maiores que cada um de nós não sabe. A nossa ignorância não tem limites. Mas isso também não justifica a nossa desunião e as nossas discrepâncias ideológicas e morais, a ponto de se desenvolverem culturas tão diferentes em áreas geográficas tão próximas. Por exemplo, um palestino e um israelita, ou mesmo uma civilização grega e outra romana, para quem quer lembrar-se do passado.

Alienígenas ou não, temos um mundo, o planeta Terra, e estamos saindo à busca de outros. Já estivemos na Lua, conhecemos Marte, Vênus, Saturno, e vamos por aí a fora. Sabemos que esse nosso mundo, o planeta Terra, é nosso. Nosso no sentido mais estrito da palavra, pois somos as únicas criaturas que temos o poder de modificar o ambiente a nossa volta e, consequentemente, podemos mudar toda a fisionomia do planeta. Sempre é bom lembrar, que nós podemos até destruir todo o planeta em poucos segundos. Ou seja, muito mais rapidamente que a natureza levou para produzi-lo e para deixá-lo conforme se encontra nos nossos dias. Mas, por que chegamos a esse nível? Que força maligna ou benigna nos move para tanto? Aonde chegaremos?

Loucos ou não, vivemos. E a maioria de nós não só vive como gera filhos, aumentando assustadoramente nossas populações. Fabricamos crianças, como se fôssemos todos crianças irresponsáveis, que acabamos de ganhar um brinquedo novo de presente. Nosso brinquedo novo é o sexo, do qual fazemos uso indiscriminadamente e que a história nos mostra que sempre foi assim. Sigmund Freud disse que o sexo está presente em todas as nossas atividades e que nós somos quase que totalmente movidos por esse brinquedo diabólico. Nossa loucura chega assim, muito mais para um fanatismo sexual do que para uma neurose, uma psicose, uma demência ou outra doença neurológica qualquer. Somos, generalizadamente, “doentes neurossexuais”.

Ignorantes ou não, muitos de nós procuram abrangência dos conhecimentos e tentam começar a entender o porquê das coisas e das situações. Muitos de nós são conscientes de que existem situações corretas e situações errôneas e, por isso mesmo, procuram acertar mais do que errar. Muitos de nós seguem princípios, mais ou menos, rígidos de conduta ética e moral e, esses princípios não justificam a nossa ignorância, nem nossa loucura e, muito menos, a nossa alienação para com as coisas, em qualquer situação ou lugar, sobre a superfície do planeta.

Que estranho ser o Homo sapiens. Que mistura de coisas e situações produziu essa espécie diferente de todas as outras que vivem no planeta, se não dos pontos de vista anatômico e fisiológico, pelo menos, do ponto de vista comportamental?

Uma espécie que age como um estranho em seu próprio planeta, pois o destrói indiscriminadamente. Que age como um louco em seu próprio planeta, pois se reproduz sem avaliar a consequências do aumento exagerado de suas populações. Que ignora quase tudo que acontece em seu próprio planeta, pois só faz o que não deve, quando não deve e onde não deve, no que tange a preservar a vida na Terra.

O homem é uma anomalia, cuja origem e o entendimento talvez estejam fora dos limites físicos, mas ainda assim, é preciso que se discuta sobre o que fazer. Por menos que nos importemos sobre nossa própria existência, devemos ter em mente que ela é transitória e que essa transitoriedade será maior ou menor em função do destino que dermos a ela. Se temos medo de morrer, é melhor que assumamos o nosso medo abertamente e cuidemos para que nossas vidas valham um pouco mais para nós mesmos.

É possível que não sejamos nem alienígenas, nem loucos e nem ignorantes o suficiente. É possível que sejamos uma espécie suicida, que da mesma forma repentina que surgiu, poderá também desaparecer. Não gostaria de discutir aqui, as questões metafísicas e religiosas que envolvem o problema, mas é possível que as respostas estejam nessas questões. Quantos de nós não preferimos cruzar os braços, alegando que “Deus sabe o que faz”.

Sinceramente, eu espero que Deus saiba realmente o que faz e que em breve ele arrume um novo Noé, uma nova arca e novos passageiros (se sobrar alguma). Do contrário, essa anomalia biológica, esse contrassenso filosófico, essa entidade fisicamente inexplicável, esse monstro ideológico, essa figura ímpar chamada homem, terá acabado com o planeta.

Mas, por outro lado, eu prefiro não ter que depender de Deus para resolver os problemas terrenos criados pelo homem. O ano novo está apenas começando agora, estamos apenas no primeiro segundo do ano novo do “Calendário Cósmico” e o homem tem que ser capaz de sair da ignorância, da loucura e da alienação em relação às coisas do planeta. Nossa espécie não pode morrer tão jovem, dentro de um Universo tão velho.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

*Artigo escrito em 1994 e publicado na Revista Ângulo, Lorena/SP, Número 61, p. 4-5, jan/fev. 1995; também publicado no site www.recantodasletras.com.br/autores/profluizeduardo, em 25/04/2009.
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05 jun 2014

Dia Internacional do Meio Ambiente

Hoje, 05 de junho, Dia Internacional do Meio Ambiente, pois é, o Meio Ambiente completa 42 anos. A Terra tem 4,5 bilhões de anos e só comemora o Meio Ambiente (todos os espaços físicos da Terra) apenas nos últimos 42 anos e ainda assim, a festa não é para todos, ela serva apenas para pouquíssimos convidados, que manipulam o pensamento coletivo da humanidade. Isso é mesmo muito engraçado, não é? Ou será muito triste?

Com 42 anos, se o Meio Ambiente hoje fosse um ser humano, ele seria um jovem senhor no auge de sua competência e na plenitude de seu trabalho profissional e intelectual, porém, infelizmente, o Meio Ambiente não é um ser humano e assim, apesar da tenra idade, sua situação continua indefinida e seus problemas estão cada vez maiores. Existe mesmo quem seja capaz de imaginar que, na atual situação, o suicídio talvez fosse a melhor solução para o Meio Ambiente planetário. Mas, vamos deixar essas conjecturas de lado e entender os fatos, independentemente de qualquer conotação pessoal que se queira atribuir ao Meio Ambiente.

Todo mundo já sabe que o Planeta, do ponto de vista ambiental, vai de mal a pior e que o ser humano, insistindo em fazer coisas erradas, é o único e grande culpado por esse fato. Assim, a pergunta que fica é a seguinte: Até quando, nós humanos, continuaremos degradando inconsequentemente o planeta, brincando com o Meio Ambiente e com a vida?

Nossa mancha populacional, já superior a 7,2 bilhões de seres humanos no planeta, não se satisfaz com a usurpação da Terra e quanto mais essa mancha cresce, maior a desgraça planetária e mais perto a extinção da humanidade. Embora haja muitos que não acreditem nessa possibilidade, certamente estamos caminhando para o fim, porque não há como impedir o processo de extinção se não mudarmos radicalmente a nossa prática cotidiana. Entretanto, o tempo passa rapidamente e nada se faz. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

Fome, pobreza e miséria humana; poluição e degradação ambiental; destruição de ecossistemas naturais e extinção de espécies são cenários costumeiros e já quase naturais de tão comuns em várias áreas do planeta. E as “autoridades nacionais” dos diferentes países o que dizem? E as populações humanas o que fazem? E os grupos sociais e a as diferentes congregações comunitárias o que sugerem? Quem se responsabiliza por tentar mudar a cara do mundo para que a vida humana possa ter continuidade?

É preciso ficar claro que não se trata de salvar o planeta, até porque o planeta vai continuar existindo, independentemente de nós e de qualquer coisa que fizermos. A questão aqui é salvar a espécie humana, que parece não estar muito afim de continuar existindo, pois caminha a passos largos e em uníssono em direção ao suicídio coletivo. Não sei quanto tempo ainda temos, mas sei que está faltando pouco.

Acorda humanidade e para de brincar que a coisa é muito séria. Todo dia estão chegando novos avisos, através da ocorrência de eventos extremos e de grandes catástrofes ambientais. O que mais será preciso para que descruzemos os braços e tomemos uma atitude em prol do planeta e da vida?

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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22 abr 2014

Dia Mundial do Planeta Terra

Hoje é o Dia Mundial da Terra, data criada nos Estados Unidos pelo Senador Gaylord Nelson e comemorada desde 22 de abril de 1970 naquele país, porém só reconhecida pela ONU em 2009, sendo assim a Terra hoje está comemorando oficialmente apenas 5 anos. O Brasil também aniversaria hoje e completa 514 anos de descobrimento. Em que pese o fato de aniversários serem datas comemorativas, ao meu ver, nessa data, não deveria haver motivo para festa, para ambos os aniversariantes.

Na verdade, o Planeta Terra surgiu por volta de 4,5 a 5 bilhões de anos e não 5 anos apenas e ao que parece, pelo menos até aqui, é o único que conseguiu desenvolver o fenômeno da vida, há pouco mais de 3 bilhões de anos atrás e, sempre é bom lembrar, até aqui é o único local no Universo, onde o fenômeno vida foi observado, pelo menos a vida como conhecemos e entendemos fisicamente. Pois então, esse pequeno prodígio em forma de astro celeste, que superou seus primos maiores está carente e perigosamente doente.

Sua carência obviamente não é fruto de uma deficiência própria, mas, ao contrário, ela é resultante do mal tratamento que a espécie humana (seu habitante mais ilustre) tem lhe dado, mormente nos últimos 250 anos e mais propriamente nos últimos 70 anos, através da degradação significativa e violenta de sua condição primária, que tem mudado sua perigosamente sua conformação original. A transformação geomorfológica sofrida pelo Planeta, acabou por produzir inúmeras outras modificações, as quais têm influído drasticamente nos ecossistemas naturais e na qualidade de vida dos organismos vivos que ocupam esses diferentes espaços planetários, inclusive e principalmente o próprio Homo sapiens.

O clima certamente é a característica planetária que mais se modificou por conta da ação antrópica, em que pese o fato de alguns governos e alguns pseudocientistas que estão a serviço de interesses puramente econômicos, insistirem que tudo o que acontece com o planeta hoje é natural e cíclico. Todos nós, inclusive esses sujeitos de índole e moral inescrupulosa, sabem que a verdade é uma só: “o homem é o grande culpado das mudanças climáticas atuais”. O excesso de C02 na atmosfera produzido pela queima cada vez maior de combustíveis fósseis que é produzida pela humanidade é que tem causado a aumento alarmante e cada vez mais significativo da temperatura da Terra e esse fato é o grande causador das alterações climáticas extremas e catastróficas que temos observado ultimamente de maneira intensa, progressiva e mais frequente.

Derivando diretamente desse fato, não só o ar, como a água e também o solo estão deteriorados e comprometidos e parece que o ser humano ainda não reparou as seguintes consequências desses detalhes: falta água potável, falta ar puro, falta áreas verde natural, falta vida animal, falta espaço físico habitável, falta solo em condições agricultáveis, falta alimento e falta energia. Em suma, falta tudo aquilo que a espécie humana necessita para sua continuidade sobre a superfície do planeta e sobram degradação, destruição e poluição ambiental e orgânica.

O outro aniversariante, o Brasil, além de fazer parte do planeta e possuir todas as carências já citadas, também falta cidadania, falta vergonha na cara, falta brio, falta dignidade, falta honestidade, falta sobretudo ética e seriedade dos administradores públicos e dos magistrados, além obviamente de decência da população. O país virou terra de ninguém, ou melhor, terra de alguns malfeitores que em conluio com pessoas de estirpes ruins e magistrados safados, criaram essa “democratura” do mal que assola o país.

Mas, alguns dirão: nós não estamos aqui para discutir sobre esse fato aqui, afinal estamos num evento para discutir sobre o dia da Terra e o Brasil é pequena parte nesse todo. Entretanto eu quero ressaltar que não somos tão pequenos do ponto de vista planetário e, digo mais, talvez sejamos a parte mais importante, já que possuímos a maior biodiversidade, o maior rio, a maior reserva de água doce, a maior floresta tropical, a quinta área geográfica e a quinta população planetária, dentre outras coisas que não precisam ser citadas no momento. O que infelizmente ainda não temos é gente educada e administradores sérios no país.

Pois então, nessa data tão marcante para a Terra e para o Brasil, que como já demonstrei acima é uma parte importantíssima desse planeta, eu estou aqui para pedir a todos que procurem fazer uma pequena reflexão e ao mesmo tempo proponho uma grande revolução comportamental no ser humano, em particular nós, os brasileiros, para que trabalhemos no sentido de permitir que o planeta possa continuar cuidando da vida como sempre cuidou, em especial à vida humana.

Aos brasileiros especificamente, eu proponho também que desenvolvamos uma nova postura, que nos permita assumir outros valores, os quais nos possibilitem uma saída da mediocridade da eterna condição de país do futuro e nos coloque definitivamente na condição de país do presente. Precisamos “abrasileirar” o Brasil, como dizia Mario de Andrade. Para tanto, temos educar as pessoas e acabar com modismos estrangeiros e com essa corja de canalhas que enganam o povo e que só tem trazido malefícios ao Brasil e sua gente. Precisamos fazer o Brasil Moreno de Darcy Ribeiro. Nosso compromisso prioritário nas eleições desse ano e de todos os anos daqui para frente, será tentar mudar o que está estabelecido nessa ditadura comunista que quer se instalar e que não medirá esforços para degradar ambientalmente ainda mais o nosso país, como se vê, por exemplo, em obras absurdas como Transposição do São Francisco, Rodovia Transpacífica, Usina Hidrelétrica de Belo Monte, entre outras.

Precisamos de Liberdade no seu sentido mais amplo para construir o Brasil que Capistrano de Abreu sonhou e descreveu no final do século XIX, quando propôs a resolução de todos os problemas do Brasil com uma Lei de apenas dois artigos: “Artigo Primeiro – Daqui para frente todo brasileiro toma vergonha na cara; Artigo Segundo – Revogam-se as disposições em contrário”.

É bom lembrar também Cecília Meireles, quando disse a seguinte frase: “Liberdade é a palavra que o sonho humano alimenta, que não ninguém que explique e ninguém que não entenda.” Acredito mesmo que está na hora de nosso grito de liberdade e de emancipação dessa corja que tem estado aí humilhando os mais capacitados, envergonhando os remediados e destruindo os mais carentes. Parece que deixamos de sermos seres humanos, pois nos tratam como coisas totalmente inúteis e o que é pior, nada fazemos.

O Planeta Terra e o País Brasil podem e devem ter mais coisas em comum que o dia 22 de abril para comemorar, mas essas coisas dependem fundamentalmente dos seres humanos que habitam esses lugares. Façamos pois, um Brasil melhor e lutemos por fazer também uma Terra melhor, “antes que a natureza morra”, como disse Jean Dorst e que seja tarde demais para a nossa liberdade, no dizer e no mesmo sentido sugerido por Cecília Meireles.

Há uma máxima ambientalista que diz: “pensar globalmente e agir localmente”. Pois então meus amigos, o nosso local é o Brasil, a nossa “Terra Brasilis” e nosso global é a Terra, a nossa “Orbi” e o único planeta habitável que se conhecemos. Se fizermos a nossa parte aqui em nosso país, estaremos fazendo a nossa parte no interesse do planeta também. Por favor, pensem nisso.

Lorena, 22 de abril de 2014.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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23 mar 2014

O Consumismo e o Grande Erro da Expressão: "jogar o lixo fora"

Dentre os vários conceitos errôneos que a modernidade, o consumismo e o capitalismo têm propositadamente produzido para enganar as pessoas através do “marketing” e da propaganda enganosa, tem um que está me preocupando muito e tem causado grande transtorno na minha mente. Aliás, não só a mim, como também a todos os ambientalistas e as pessoas sérias, que ainda pensam e que estão preocupadas com as questões ambientais planetárias. O conceito em questão é o que está contido na expressão: “jogar o lixo fora”. Essa expressão, embora corriqueira, é bastante problemática e deveria dar margem a uma grande discussão. Acredito mesmo que, por fim, essa expressão deveria ser banida do vocabulário em todas as línguas e eu vou aqui fazer um pequeno preâmbulo para tentar esclarecer porque eu e algumas pessoas pensam dessa maneira.

Primeiramente, eu vou tentar explicar a ideia que se tem sobre aquilo que se convencionou chamar de lixo ou resíduo sólido (resíduo inútil ou inaproveitável).

Segundo o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, na sua primeira Edição (1975), lixo é: “aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua, e se joga fora (grifo nosso); entulho; tudo o que não presta e se joga fora (grifo nosso); sujidade, sujeira, imundície; coisa ou coisas inúteis, velhas e sem valor. Em edição mais recente, o autor também diz que lixo são: “resíduos que resultam de atividades domésticas, industriais e comerciais”.

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) considera que lixo ou resíduo (grifo nosso): “São os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semissólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este possa fluir livremente)” (ABNT, 1987).

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1997), resíduos sólidos ou simplesmente lixo: “é todo e qualquer material sólido proveniente das atividades diárias do homem em sociedade, cujo produtor ou proprietário não o considere com valor suficiente para conservá-lo”.

Bem, acho que já basta e vou parar nessas três definições, porque elas já são mais que suficientes para que possamos refletir sobre o que seja lixo. Entretanto, se o houver necessidade, existem várias outras disponíveis na INTERNET para quem quiser se informar mais sobre o assunto.

Para começar minha explicação, devo dizer que embora sejamos obviamente seres naturais, a natureza ao contrário do homem, não conhece, não produz e nem admite a existência daquilo que chamamos lixo. Pois então, nesse sentido, quando produzimos lixo, somos seres diferentes dos demais seres naturais. Na natureza, TUDO (ABSOLUTAMENTE TUDO) é útil e aproveitável. Na natureza, qualquer sobra é momentânea, de alguma maneira e em tempo consideravelmente rápido, tudo é transformado “biofisicoquimicamente” e reaproveitado. Desta forma, nunca chega a ser uma “coisa inútil” como diz a definição do Aurélio a respeito do lixo. Assim, há de concluir que efetivamente o lixo é um atributo exclusivo, definido e criado pelo Homo sapiens à revelia da natureza e dos mecanismos naturais.

Por outro lado, é preciso esclarecer que foi o homem que produziu e desenvolveu algumas coisas que “a natureza não conhece e não entende fisicoquimicamente” e assim, ela não pode transformar essas coisas, ou se até pode, ela necessita de muito trabalho (energia) e condições temporais próprias para conseguir tal feito, o que dificulta e muitas vezes impede a transformação. Pois então, somente essas coisas que o homem produziu e que “a natureza não conhece e não entende” é que podem ser realmente chamadas de lixo.

Hoje, inventamos muitas dessas coisas: lixo eletrônico, lixo nuclear, lixo tóxico e tantas outras coisas que a natureza não conhece direito, que ela tem dificuldade de degradar para reaproveitar e talvez seja por isso mesmo que, além da super utilização de seus limitados recursos pelo homem, ela esteja ultimamente reclamando bastante e causando sérios transtornos através de eventos catastróficos cada vez mais significativos. Em suma, lixo é apenas uma invenção do homem para nominar aquilo que ele criou e não lhe interessa ou não lhe convém mais como material. O problema é que o homem transfere a sua responsabilidade e deposita esse material que ele não quer e que “a natureza não conhece e não entende” na própria natureza.

Outro conceito que eu gostaria de discutir um pouco e a noção que está contida na expressão “jogar fora”, isto é, “jogar não dentro”, ou seja, lançar alguma coisa em lugar externo. Pois então, essa é mais uma ilogicidade, porque, do ponto de vista planetário, não há nenhuma possibilidade de “jogar fora”, haja vista que da mesma maneira que qualquer coisa que utilizamos é um recurso natural, isto é, um material vindo da natureza, do Planeta Terra. Aliás, embora seja óbvio, mas parece que a gente esquece, e então cabe ressaltar, que a Terra é o único lugar que temos e de onde tiramos todas as coisas que utilizamos. Assim também, todo o resíduo que nós produzimos e chamamos de lixo é depositado aqui, no mesmo Planeta Terra. Quer dizer, “jogar fora” é algo que não existe, porque os resíduos são depositados aqui mesmo, pois tudo acontece DENTRO do Planeta Terra.

A diferença básica entre a ação planetária e a ação humana e que a Terra sabe tratar o seu resíduo rapidamente e assim o resíduo não se acumula, não se espalha, não atrapalha e nem degrada o local (Meio Ambiente), onde é lançado. Já o Homo sapiens, infelizmente, só aprendeu a gerar (produzir) resíduo e historicamente nunca achou importante tratar esse tipo de material, até recentemente. Sempre consideramos o lixo como sendo algo muito ruim, mas tão ruim mesmo, que nunca mereceu qualquer preocupação ao longo de nossa história. Pois então, talvez o lixo é realmente algo muito ruim, mas é algo que nós inventamos, criamos e desenvolvemos, por isso cumpre a nós, os seres humanos, a obrigação de cuidar dele, para que não cause nenhum mal a ninguém e nem prejudique o Planeta Terra.

Atualmente, alguns seres humanos já estão pensando de maneira diferente em relação ao lixo e estão tentando imitar a natureza, trabalhando para minimizar os efeitos desenvolvidos ao longo da história com a produção de coisas que “a natureza não conhece e não entende”. Além disso, também existem seres humanos entendendo de maneira mais clara que a expressão “jogar o lixo fora” é falaciosa, pois na verdade, indica apenas uma troca de lugar, mas deixa o lixo aqui mesmo, haja vista que tudo ocorre dentro do planeta. A expressão “jogar o lixo fora” só nos fez estocar cada vez mais materiais que “a natureza não conhece e não entende” dentro do planeta, muitas vezes ocupando espaços nobres ou estragando (poluindo e envenenando) totalmente imensas áreas planetárias. Bem, de minha parte, eu vou torcer e continuar lutando para que essa maneira de pensar ganhe progressivamente mais força e que mais humanos se preocupem com a retirada inconsequente de recursos naturais e com a produção absurda de lixo no planeta.

A única espécie que retira da natureza aquilo que não precisa é a espécie humana e o pior é que depois ainda deixa o resíduo daquilo que não aproveitou. Para minimizar alguns desses problemas tem sido extremamente comum ouvirmos falar em Reciclar, Reaproveitar, Recuperar e Reutilizar. Entretanto é preciso ter em mente que reciclar é benéfico, reaproveitar é o ótimo, recuperar e sensacional, reutilizar é importantíssimo, entretanto, não consumir é que é fundamental. É preciso que o Homo sapiens tenha mais parcimônia e coerência na utilização dos recursos naturais para não exaurir esses recursos que estão cada vez mais escassos, para não degradar o planeta e principalmente para não produzir resíduos que não possam ser tratados.

A mesma modernidade massificante e o mesmo capitalismo selvagem que nos trouxeram o consumismo exacerbado em que a humanidade tem vivido, mormente nos últimos anos, talvez também possam trazer o remédio que irá trazer a cura que estamos precisando para consumir menos, aproveitar mais os recursos naturais e consequentemente produzir menos lixo no planeta. O trabalho é relativamente simples, basta apenas investir com afinco num modo de fazer a humanidade entender que só teremos algumas coisas enquanto a Terra permitir que tenhamos e nós precisamos trabalhar para fazer com que a Terra continue permitindo. Para que a Terra continue fornecendo esses recursos que precisamos, é fundamental começar a propaganda e o “marketing” para que passemos a consumir progressivamente menos. Acredito que perdas econômicas certamente sejam muito mais interessantes do que a possível extinção da espécie em consequência da carência de recursos naturais e do excesso de lixo.

No passado, nós seres humanos, por conta da nossa busca incessante pela felicidade, fizemos muitas coisas erradas. Entretanto, nós estávamos bem intencionados e não sabíamos que aquelas coisas eram erradas. Infelizmente nós ainda não tínhamos praticamente conhecimento de Ecologia. Hoje, porém, nós não podemos e nem devemos continuar cometendo os mesmos erros do passado, até porque, hoje nós sabemos efetivamente quais são esses erros e continuar a errar conscientemente é idiotice pessoal e loucura coletiva.

A Terra é um planeta único do qual já estamos retirando anualmente cerca de 30% a mais do que seria possível repor em igual período de tempo, isso sem contar o lixo que produzimos e que volto a dizer “a natureza não conhece e não entende”. Isto é, nós já ultrapassamos o limite do possível e começamos a andar contra a realidade física. A persistir assim nessa incongruência a humanidade não terá como se manter. Acredito que esteja na hora de pararmos, refletirmos e refazermos o nosso conceito de felicidade e a nossa noção de qualidade de vida. Podemos começar entendendo que tudo vem da natureza, que apenas nós produzimos lixo e que na verdade nada se joga fora.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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11 mar 2014

Dinheiro: é possível viver sem ele?

Se as pessoas continuarem acreditando que o dinheiro é a coisa mais importante do mundo, vai ser muito difícil, talvez seja mesmo impossível para elas, o fato de conseguir viver sem grande quantidade do fatídico dinheiro. Entretanto, se as pessoas começarem a entender que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas sim que ele é um meio para nos levar a determinados fins. Isto é, que o dinheiro é apenas o veículo necessário para que seja possível adquirir (comprar) algumas coisas e que essas coisas é que podem ser ou não fundamentais. Se isso começar a acontecer, poderemos entender que o dinheiro, embora possa até ser algo importante, não é efetivamente fundamental e deste modo, certamente será possível sim, viver sem a sua dependência total.

Isso quer dizer que nós estamos de frente para duas alternativas quase que diametralmente opostas e precisamos tomar uma decisão imediata sobre qual delas é prioritária:

1 – O dinheiro é mais que importante, ele é fundamental e vital;

2 – O dinheiro é importante, mas não é fundamental e muito menos vital.

Se você admitir a primeira alternativa, então devo lhe perguntar o seguinte: as atividades de comer, beber, dormir, excretar, reproduzir, respirar e outras funções biológicas são importantes ou são vitais? Por outro lado, também devo lhe perguntar de onde vêm todas as coisas que você usa cotidianamente, como o alimento que você come; a roupa que você veste e protege seu corpo; a madeira, a rocha e o metal com que você constrói a sua casa; a água que você bebe, o ar que você respira e outras coisas mais específicas que você utiliza nas diferentes funções? E mais, devo perguntar ainda se esses materiais também são importantes para você ou são vitais?

Pois então, acredito que o dinheiro serve apenas e tão somente para permitir a aquisição das coisas que vão lhe permitir continuar vivendo, ou melhor, aquelas que são realmente vitais. Assim, me parece claro que os recursos naturais são fundamentais e o dinheiro serve apenas para atender as necessidades de compra e aquisição dos recursos naturais, os quais você realmente precisa. Sendo assim, efetivamente você não precisa de todo o dinheiro do mundo, você precisa apenas do dinheiro necessário à sua subsistência. Isto é, aquela quantidade de dinheiro necessária para que você possa comprar aquilo que verdadeiramente precisa.

Mas, eu tenho a impressão (quase certeza) que a questão da dependência do dinheiro não está só no que acaba de ser dito, porque isso me parece óbvio e de fácil entendimento para a grande maioria das pessoas. O problema maior está no fato de que hoje muitas pessoas vivem num tempo e numa condição em que elas são levadas a imaginar de forma ilusória, mágica e enganadora que “têm que necessitar de dinheiro sempre mais, mais e mais”, apenas para satisfazer também outras necessidades, as quais não são fundamentais. E assim, obviamente não existe dinheiro que satisfaça essa incrível feitiçaria, porque sempre surgem novas “necessidades” e consequentemente nova “dependência de dinheiro”.

Quer dizer, existe um ciclo vicioso, ou melhor, um ciclo “viciado”, que leva a precisar sempre e cada vez mais daquilo que na verdade não se precisa nunca e desta maneira sempre há uma falsa necessidade de mais dinheiro. É exatamente como disse o empresário Norueguês, Oystein Dahle: “As pessoas usam o dinheiro que não têm, para comprar as coisas que não necessitam, para impressionar outras pessoas que não conhecem”.

Esse é o principal efeito maléfico do capitalismo selvagem, o insuportável e degradante consumismo, que ajudou muito a arruinar o planeta e destruir inúmeras vidas humanas ao longo da história. O problema não está no capitalismo, nem no dinheiro, mas está sim, no consumismo. Na estranha mágica do consumismo o ser é suplantado pelo ter e assim, se acaba dando mais importância ao que se tem do que ao que se é. Desta maneira é mais importante ter do que ser. Esse fato ilusório transformou a humanidade em simples objeto do interesse monetário. “A coisa que eu compro e consumo é sempre muito mais importante do que a coisa que eu sou.”

Essa coisa que as pessoas sempre acham que precisam, mas que não precisam de fato, consiste naquilo que se convencionou chamar de supérfluo. A maior parte (quase a totalidade) do dinheiro é gasta na compra desses famigerados supérfluos. O consumismo, que atualmente é a principal causa de degradação planetária consiste nisso, na eterna aquisição de supérfluos e por isso existe essa sede incessante de dinheiro por parte das pessoas, a fim de que possam consumir cada vez mais.

A exigência imposta pela propaganda sobre a necessidade de adquirir os supérfluos e o consumismo nos colocam reféns de nossa própria vontade perante a opinião pública a todo momento. Nós não podemos ficar para trás e se alguns podem ter umas coisas, outros também podem, ou melhor “precisam” e “devem” ter. Assim, sempre é necessário mais dinheiro, para se comprar mais supérfluos. Desta maneira quem sofre é o planeta que tem que continuar fornecendo matéria prima (recursos naturais) para as nossas exigências sempre maiores de supérfluos, além dos recursos efetivamente necessários. Pois então, foi exatamente esse pensamento incoerente, infeliz e anacrônico que levou o nosso planeta a esse estado caótico de degradação ambiental e a nossa civilização a essa condição lamentável de violência e de insanidade, principalmente nas áreas urbanas.

Essa situação não pode ser considerada nada boa e se não é boa, também não pode ser fundamental e muito menos vital. A sua continuidade é que será vital, no sentido de que acabará com a vida humana na Terra. O consumismo exacerbado é um câncer e progressivamente será letal aos seres humanos. Nós podemos e devemos ter que parar com essa hemorragia de recursos naturais e de dinheiro que o consumismo e os seus principais agentes, a propaganda e o marketing produziram no nosso imaginário coletivo e que transformaram o comportamento da maioria dos seres humanos, fazendo com que passassem a consumir supérfluos indiscriminadamente.

Por outro lado, se você admitir a segunda alternativa, isto é, que o dinheiro não é fundamental e muito menos vital, então você já está no caminho certo e quero acreditar que nem tudo está perdido e que ainda há luz no fim do túnel. Entretanto, você não pode simplesmente abdicar do dinheiro, até porque você, como qualquer ser humano, faz jus e realmente necessita de alguma quantidade de dinheiro para garantir o seu sustento e assim conseguir sobreviver. Por isso mesmo você deve ter um trabalho o que, aliás é outra coisa extremamente significativa, em determinado sentido necessária e certamente muito mais importante do que o dinheiro.

Ao contrário do que muitas pessoas são levadas a pensar, o ser humano precisa mais do trabalho do que do dinheiro. Deveríamos ter em mente o seguinte tripé: “Recurso – Trabalho – Dinheiro”. Isso quer dizer o seguinte: existe o recurso natural que eu preciso e então eu tenho que trabalhar para adquirir o dinheiro que me propiciará condições conseguir o recurso natural que eu almejo e preciso. Pensando assim, haveria uma tendência maior de que ninguém ficasse sem trabalho e consequentemente sem dinheiro para adquirir os recursos naturais necessários à sobrevivência. Por outro lado, esse pensamento ainda traz no seu bojo outra grande vantagem, pois o homem utilizando apenas os recursos efetivamente necessários (sem supérfluos) não teria como esgotar os recursos naturais do planeta da maneira degradante como até aqui tem acontecido.

Não há mágica na natureza e como dizem os economistas: “não existe almoço grátis, porque alguém sempre tem que pagar a conta”. Até aqui quem pagou a conta foi o planeta Terra com seus recursos naturais e certamente ela deverá continuar pagando, porque todos os recursos continuarão vindo diretamente da natureza, porém temos que criar mecanismos que impeçam os excessos de consumo e principalmente o excesso de consumo de supérfluos e também a reposição daquilo que é necessário Está na hora de todo ser humano compreender que a quantidade do dinheiro tem que ter a dimensão da necessidade natural e real de cada indivíduo.

Excesso de dinheiro também é supérfluo, porque permitirá a continuidade do excesso de consumo. Não sou louco e não quero aqui tentar proibir ninguém de ganhar mais, quero sim ressaltar que ganhar mais pode ser uma possibilidade de degradação maior e que isso pode ser perigoso. O direito de comprar deve ser proporcional a capacidade de agir no interesse da natureza e da comunidade. Os excessos de dinheiro e de consumo certamente são maléficos ao planeta e a grande maioria das pessoas.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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09 mar 2014

O País do Futebol, do Carnaval e dos “Black Blocs”

Por conta do Carnaval, estamos tendo uma trégua nas “manifestações” contra o aumento das passagens e os gastos da Copa do Mundo de Futebol, porque obviamente os “black blocs” e outros baderneiros menos conhecidos estarão muito ocupados com outras questões que, para eles, talvez sejam mais importantes, pois estão relacionadas com a segunda maior paixão nacional, o carnaval. E assim, não é hora de fazer reivindicação política e muito menos social, no período do carnaval é só folia e prazer. Aliás, “é só alegria”, como diz o ditado popular. Durante o carnaval as passeatas são outras, elas consistem nos diferentes desfiles das Escolas de Samba e dos Blocos Carnavalescos nas avenidas pelo país afora, ou nos Grandes Cordões em Clubes, Praças e Ruas do Brasil, onde vão se desenvolvendo importantíssimas atividades festivas e carnavalescas, mas que não acrescentam efetivamente nada à vida das pessoas. Enfim, cobrança política não existe em tempos de carnaval.

Nessa época, nem mesmo o futebol é capaz de ser considerado algo de destaque no interesse nacional. O carnaval supera tudo e os “black blocs” estão aí para confirmar esse fato, tirando férias para se divertirem um pouco durante o carnaval. E assim, no momento presente, futebol não pode, política não pode, mas carnaval não só pode, como deve. Passeata só mesmo das agremiações carnavalescas como já foi dito e obviamente essas passeatas são regadas a muito álcool e outras drogas mais sofisticadas, mas, graças a Deus, nunca de “coquetéis molotov”. Como só se morre e se mata de prazer, costumam ser encontradas também muitas mulheres peladas e homens travestidos, além de obviamente muito samba no pé. Mas os “black blocs” continuam mascarados, apenas por hábito, mas não têm medo de que suas respectivas identidades sejam reconhecidas. É curioso, mas a máscara é uma característica marcante e comum nos carnavais e nas manifestações políticas.

Eu sinceramente não sei se o pior é o futebol ou é o carnaval para o Brasil e toda a sociedade brasileira, mas sei que ambos têm imensa capacidade massificante e que ambos fazem muito mal à política do país. De qualquer maneira, nesta semana, tudo será possível em nome da grande festa do Rei Momo. Aliás, é bom que se diga, uma festa efêmera e profana, que costuma trazer grandes prejuízos sociais, apesar da aparente alegria. Entretanto, por causa desse efêmera alegria, o carnaval sempre foi tempo de trégua e engodo para as lutas políticas.

Francisco Buarque de Holanda, o velho Chico Buarque, (o velho, porque o atual já mostrou que politicamente também é um mal caráter), já falou sobre o engodo carnavalesco no samba “Vai Passar”. Existe dois momentos da letra, particularmente interessante, no primeiro ela diz assim: “e um dia afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chamava carnaval” e no segundo ela diz: “meu Deus vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar a evolução da liberdade, até o dia clarear”. Pois é, será que é isso mesmo que estamos vivenciando?

Sérgio Porto, o saudoso Stanislaw Ponte Preta, conta em seu “Samba do Crioulo Doido”, que o compositor crioulo ficou doido com tanta informação histórica e acabou trocando tudo e todos. O que chama a atenção nos inúmeros erros de fatos históricos apresentados na letra desse samba é que isso pode ser um indicativo de que a história do Brasil, talvez seja menos importante do que o carnaval e assim tanto faz os erros, o que importa é o samba e o carnaval.

É como disse o Músico Marcelo Nova, líder da Banda Camisa de Vênus, quando entrevistado pelo repórter de uma rádio de Taubaté/SP, na véspera de um show que a banda fez na cidade há alguns anos atrás. “Música aqui no Brasil é bumbo e bunda o resto não importa”. Pois é, embora o repórter estivesse se referindo à Música em geral, o Marcelo Nova respondeu que onde tem samba mulher de bunda de fora, todo o restante é insignificante. Pois então, é por isso mesmo que o Carnaval assume essa importância magnânima na massificação da população do país. Confesso que mesmo não gostando do tipo de música de Marcelo Nova e sua banda, tenho que concordar que ele tem razão.

João Bosco e Aldir Blanc também relatam a importância do futebol na letra do samba “Se meu time não fosse o campeão”, quando dizem assim: “e ele gritou gol, fiel a paixão. Salve o meu time querido do meu coração. Hoje eu só quero saber da comemoração e nem quero pensar, se meu time não fosse o campeão. Sorrindo ele me segredou, nós fazia uma revolução”. Os mesmos autores, na letra do samba “De frente para o Crime”, também citam “tá lá o corpo estendido no chão, em vez de rosto uma foto de um gol” …. “sem pressa foi cada um pro seu lado, pensando numa mulher ou num time, olhei o corpo no chão e fechei minha janela de frente pro crime”.

Bem, em suma, no carnaval tudo pode, até mesmo os Ministros do Supremo Tribunal Federal voltarem atrás, absolvendo e liberando bandidos políticos consagrados e contumazes, contrariando os interesses da opinião pública nacional e manifestando total dependência política do governo. Interessante é que sobre esse fato, estranhamente, não apareceu nenhum “black bloc” para fazer qualquer quebradeira ou mesmo alguma caminhada ou comentário crítico. Por que será?

Eu particularmente não sou nada a favor do Brasil sediar uma Copa do Mundo, mas confesso que gosto de futebol, da mesma forma que gosto de samba, mas odeio o carnaval, porque acho que o carnaval é apenas um circo a mais nesse país tumultuado, onde o povo, infelizmente, ainda vive de pão e circo. Entretanto, independentemente desse meu sentimento pessoal, acredito que agora essa discussão sobre a ocorrência da copa do mundo no Brasil é inócua e inoportuna, porque agora, lamentavelmente, Inês é morta e não há como mudar a situação.

Minha dúvida é a seguinte: por que não se brigou contra a possível vinda de uma Copa do Mundo para o Brasil, no momento em que ainda era possível impedir a sua vinda? Será que esses “manifestantes” estão mesmo contrários à Copa do Mundo? Não sei não, mas para mim, isso é só pretexto para fazer tumulto e acabar, ainda que ocasionalmente, como já aconteceu, cometendo assassinatos de pessoas que estão trabalhando durante as passeatas.

Aliás, o que é típico da esquerda festiva que só sabe “agitar a massa para fazer bolo” e infelizmente nada mais. Infelizmente os manifestantes acabam sendo rebeldes sem causa que são usados como massa de manobra de alguns grandes figurões. Pena que os efeitos colaterais produzidos por essas “manifestações”, como a morte do jornalista da Bandeirantes, não sejam punidos exemplarmente. Alguém morre no exercício de sua profissão e fica por isso mesmo, pois tem até Deputado pronto para oferecer ajuda aos criminosos. Caramba! Esse país é coisa de doido mesmo.

O Governo Brasileiro que anda muito preocupado com a situação econômica dos médicos cubanos, com auxílio aos pobres do Haiti, com a crise política na Venezuela e outras coisas que não têm nada a ver com o Brasil, talvez precisasse passar a lembrar que foi eleito para administrar o Brasil e não outros países, por mais que eles necessitem. Além disso, precisa lembrar ainda que o Brasil tem mais de 200 milhões de pessoas e não apenas aqueles cerca de 60 milhões que estão sendo compradas e usadas politicamente com inúmeros tipos de “Bolsas e de Cotas de qualquer coisa”. Mais uma vez eu pergunto: porque os “black blocs” não reclamam desses fatos? Será que essas “manifestações” são apenas para desviar a atenção?

É claro que, mesmo gostando de futebol, esse custo absurdo em estádios superfaturados é uma afronta e obviamente incomoda muito a mim e a qualquer brasileiro sensato, porém os estádios construídos serão de TODOS os brasileiros e “as bolsas e as cotas qualquer coisa” são apenas para os AMIGOS e algumas outras pessoas ocasionais, para fazer de contas que a coisa é séria. Além disso, aqueles que não recebem “as bolsas e cotas qualquer coisa”, acabam pagando para aqueles que recebem. Aqui cabe lembrar que o governo, em momento algum, questionou se aqueles que pagam, gostariam de estar pagando por tudo isso. O governo apenas decidiu que ia ser assim e pronto. Esse governo, na sua artimanha política de “favorecer aos pobres”, usa o dinheiro de alguns, no interesse de outros e que se exploda o avião. Aqueles que pagam não têm nem onde reclamar desse descalabro. O pior é que os membros do governo chamam isso de Democracia.

Não sei, mas eu devo ser muito ignorante, porque eu acho uma grande incoerência um governo que se diz democrático governar promovendo Medidas Provisórias, impondo regras absurdas, arbitrárias e ilógicas de distribuição de benefícios e de renda, definindo coisas a “bel prazer” e mandando os contribuintes pagarem, através da Maior Carga de Impostos do Mundo. Pois é, e o “black blocs” não parecem estar preocupados com isso. Os problemas deles são apenas as passagens de ônibus e os estádios da Copa do Mundo. Está parecendo até que os “black blocs” não são atingidos em nada pelos outros fatos. Para eles, legal mesmo é cobrir a cara com uma máscara e quebrar o patrimônio dos outros que trabalharam para conseguir, haja vista que nenhum deles e nem quem os financia deve pagar impostos normalmente e muito menos deve ser dono de lojas ou coisa parecida.

Bem, fica aqui a questão: depois do carnaval, teremos a volta da quebradeira? Se a resposta for sim, então talvez fosse interessante prorrogar o carnaval até a copa do mundo, pois assim não haveria quebradeira até lá. E durante a copa do mundo, os estrangeiros que aqui estiverem sofrerão em igualdade com os danos produzidos pela ira dos “black blocs”? E depois da copa, o que acontecerá? Bem, vamos aguardar para ver o desfecho.

Ah! A propósito, eu ia me esquecendo. Mas, no segundo semestre desse ano de 2014, nós também teremos uma eleição nacional e logo depois da copa do mundo começa a campanha eleitoral. Ao que parece, segundo as pesquisas eleitorais prévias, a coisa não vai mudar e no fim a situação vai ficar do mesmo jeito que está aí, ou quem sabe pode até piorar. Aí eu pergunto, mais uma vez: porque os “black blocs” não aproveitam suas “manifestações” para tentar promover propostas claras de mudanças políticas profundas que possam efetivamente mudar a cara desse país? Porque, por exemplo, não trabalhar seriamente para propor a mudança desse governo que está aí?

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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04 mar 2014

A População Humana também tem que seguir os Princípios Naturais de Crescimento

Apesar de toda a falácia existente sobre a questão do crescimento populacional humano, o número de seres humanos no planeta continua progressiva e perigosamente aumentando e todos os efeitos oriundos desse aumento populacional absurdo e inconsequente são cada vez maiores. Não creio que haja muita necessidade de esclarecer tecnicamente aqui o que acontece quando uma população natural cresce fora do controle. Entretanto, para não parecer aos leigos que estou inventando problemas onde eles não existem, farei um breve resumo da questão.

Toda população natural tem um potencial biótico teórico para crescer que a permitiria crescer indefinidamente, independentemente da sua taxa de mortalidade ou de emigração. Esse potencial biótico costuma ser representado por uma curva exponencial com a forma de “J”. Entretanto, esse crescimento indefinido não acontece na natureza, porque existe um conjunto de fatores, que constituem a resistência do meio (resistência ambiental), fazendo com que a curva que cresceria continuamente seja puxada para baixo, impedindo assim o seu crescimento indefinido. Essa curva é representada por uma forma sigmoide, semelhante a um “S”.

A resistência ambiental é condicionada por inúmeros fatores que podem interferir no crescimento da população como espaço físico, carência de recursos, carência de alimentos, presença de predadores e mesmo cataclismas ou grandes eventos geoclimáticos, que podem mudar a conformação do ambiente significativamente fazendo com que a população não seja capaz de resistir e subsistir. O caminho natural e único das populações naturais presentes nessas situações é a diminuição progressiva de seu tamanho e a consequente extinção. Quero ressaltar que tudo isso pode acontecer naturalmente com qualquer população de organismos vivos existentes no planeta, inclusive com a população humana. Somos organismos vivos como outros quaisquer e estamos sujeitos aos mesmos mecanismos planetários.

Assim, o crescimento real de uma população segue um padrão definido que é regulamentado pela capacidade reprodutiva do seu potencial biótico e pela resistência ambiental. Enquanto a população é pequena a resistência ambiental é pequena, mas quanto mais a população cresce maior fica a resistência. Essa situação é conhecida como capacidade de suporte do meio ou carga biológica máxima e em última análise e ela quem garante uma situação final de equilíbrio populacional. Essa situação final de equilíbrio populacional se mantém com flutuações médias em torno de um tamanho populacional ideal ao longo das gerações e desta forma as populações naturais tendem a se perpetuar no ambiente em que vivem.

É bom também lembrar que, salvo raras exceções, a maioria das populações naturais de organismos vivos não é cosmopolita. Aliás, a maioria das populações cosmopolitas hoje existentes assumiram essa condição em consequência da ação antrópica. Isto é, foi a população humana que propiciou o ir e vir de muitas espécies pelo planeta afora e que fez com que muitas dessas espécies hoje possam estar em quase todos os locais planetários. Entretanto, é preciso que fique claro que essas populações inicialmente se desenvolvem em áreas restritas, elas eram populações endêmicas que viviam em regiões com recursos naturais e espaço físico definidos.

Esse fato do endemismo primitivo precisa ser destacado, porque ele torna a resistência do meio ainda mais limitante ao crescimento populacional, haja vista que são necessárias características ambientais específicas para que as diferentes populações possam sobreviver nos diferentes ambientes. Algumas populações naturais foram capazes de desenvolver significativas possibilidades adaptativas e assim conseguiram resistir em outras regiões. Porém, essa não parece ser uma regra natural abrangente e efetiva na natureza, porque a grande maioria das populações naturais não consegue sobreviver sem essas condições ideais especiais.

No caso humano, em que pese o fato da população humana primitivamente também ser uma população natural, nossa condição endêmica foi desde o início mascarada por nossa capacidade migratória e exploratória. A espécie humana se distribuiu pelo planeta e se tornou uma espécie cosmopolita e além disso, também se tornou uma espécie capaz de criar mecanismos que podiam suplantar alguns dos limites impostos pela resistência ambiental, quando até foi capaz de modificar o meio à sua volta adequando esse ambiente ao seu próprio interesse. Não bastasse isso, a espécie humana inventou e incrementou a agricultura, a domesticação e a transformação física e química dos materiais. Além disso, ela desenvolveu a cultura e através dessa característica pode ir passando o que aprendia e conhecia através da educação e do ensinamento às gerações subsequentes. Nossa espécie criou muitas coisas e se aprimorou cada vez mais nessa capacidade quase exclusiva de se apropriar da natureza e de mudar significativamente o ambiente a sua volta.

Nesse sentido, a espécie humana é realmente muito diferente da grande maioria das demais espécies vivas. Entretanto, é necessário que fique claro, que isso não torna a espécie humana definitivamente independente do ambiente em que vive no planeta, seja esse ambiente qual for, porque tudo o que é utilizado pela população humana é necessariamente originário do planeta Terra que é finito e limitado de recursos naturais. Assim, o poder da espécie humana de modificar as coisas em seu interesse, embora real, é temporário, pois em última análise sempre há dependência do ambiente planetário como fonte de recursos, qualquer ocorre com qualquer espécie viva. A diferença efetiva é apenas o fato de que o espectro de captura e exploração da espécie humana é maior, em função de sua capacidade adaptativa maior e de sua expressiva tendência exploratória e criativa, além, obviamente, de sua condição de espécie cosmopolita assumida secundariamente e de seu próprio desenvolvimento cultural.

Ao longo do tempo, a espécie humana conseguiu fazer com que a resistência ambiental fosse mascarada e até certo ponto, suplantada pela sua capacidade criativa e modificadora. A população humana criou mecanismos adicionais que levaram a modificação dos padrões naturais de crescimento populacional, através da superação da resistência ambiental e do consequente aumento do seu potencial biótico. Assim, ao contrário de outras populações naturais, nós humanos, suplantamos um pouco os limites naturais, por conta de ações tecnológicas que modificaram as nossas possibilidades de crescimento populacional. Essas ações tecnológicas, além de reduzir as taxas de mortalidade e ampliar as taxas de natalidade, permitiram novas situações de ocupação de espaço, de produção de alimentos, de segurança e resistência as ações externas.

Enfim, a população humana, em certo sentido deixou de se enquadrar nos preceitos mínimos estabelecidos à uma população natural, pois foi capaz de adequar quase tudo ao seu interesse imediato e assim pode continuar crescendo de maneira aleatória, porque a maioria dos fatores limitantes estava aparentemente sob o seu controle. Nesse quadro, chegamos a 6 bilhões de habitantes no ano 2000, já passamos de 7 bilhões em 2012 e não sabemos onde vamos parar. Várias pesquisas existem sobre essa questão e os melhores cenários apontam para uma possível estabilização e um “equilíbrio natural” que se dará em torno dos 10 bilhões da habitantes. Na verdade, os cenários variam entre 9 a 12 bilhões. Mas, a que custas ambientais, sociais e econômicas vamos conseguir atingir essa pretensa estabilização?

Hoje quase ¼ da população humana já está vivendo na mais total miséria. Doenças degenerativas oriundas principalmente de maus hábitos alimentares, como o câncer nos diferentes órgãos digestivos, têm matado muita gente. Doenças respiratórias, oriundas de poluição atmosférica têm produzido outro enorme contingente de vítimas. Os ecossistemas naturais desaparecem e são degradados continuamente, por falsos interesses florestais, industriais e minerários. As cidades “incham” de indivíduos, prédios, carros, resíduos e não têm mais como permitir o transitar normal das pessoas e a assim, a violência urbana e mobilidade urbana viraram grandes problemas sociais em consequência da carência de espaço. O consumismo exacerbado e a falta de critério no uso dos recursos naturais, torna cada vez mais difícil e caro o custo de vida.

Em suma, o caos é total. Nada disso parece estar preocupando a população humana que não para de crescer e de aumentar as necessidades de recursos naturais. Será que teremos que produzir mais transgênicos; desmatar maia áreas naturais; utilizar mais agrotóxicos; destruir mais solos férteis; poluir e contaminar mais água, solo e ar; produzir mais resíduo sólido orgânico; gerar mais resíduo químico industrial; extinguir mais espécies vivas degradando ambientes naturais?

Nos últimos anos tem sido observado o aumento progressivo da temperatura planetária, originário principalmente das ações antrópicas, em consequência da produção e liberação excessiva de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. O Aquecimento Global é um fato comprovado e o homem é o principal culpado desse fenômeno, embora muitos ainda insistam em não querer acreditar, esse é um efeito real e cada vez mais evidente das ações antrópicas no planeta. Por outro lado, também têm acontecido eventos geoclimáticos extremos com maior frequência e cada vez mais violentos, os quais também resultam das atividades antrópicas planetárias.

Ora, parece que a resistência ambiental finalmente está mostrando as suas garras e a população humana, como qualquer outra no planeta se evidencia incapaz de resistir e não está conseguindo vencer a natureza. Nós humanos, apesar das aparências e de nossa arrogância e egoísmo, nós não somos “super seres biológicos”, somos iguais a qualquer espécie viva existente no planeta. Nossa população também se comporta como qualquer outra e precisamos estar em acordo com as regras naturais de ocupação do espaço planetário, de limite da utilização dos recursos naturais e de tamanho efetivo da população.

Baseado nisso, precisamos estabelecer rapidamente um padrão de controle populacional planetário que seja compatível com os interesses naturais, pois todas as ações humanas decorrem da necessidade cada vez maior em função da população que não para de crescer e, o que é pior, cresce descontrolada e aleatoriamente. A espécie humana já superou os limites naturalmente estabelecidos e agora só existem duas alternativas possíveis à nossa sobrevivência: ou mudamos os nossos hábitos e tratamos o ambiente em que vivemos como algo efetivamente importante e, para tanto, é necessário começar a diminuir nossa pegada ecológica, o que só poderá acontecer, minimizando progressivamente o crescimento da população humana ou então continuamos a seguir o caminho errado em que investimos historicamente e que lavará certa e rapidamente em direção à extinção anunciada e prematura de nossa espécie.

A escolha é nossa. Agora não se trata mais de discutir picuinhas. Os fatos estão aí para quem quiser ver. A realidade à nossa volta fala por si. A questão é de vida (continuidade) ou morte (extinção) da espécie humana.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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