Tag: Comportamento Humano

24 fev 2026
Ética, Comportamento Humano, Valores Humanos

A Inviabilidade de um Mundo Sem Ética

Resumo: Estou trazendo um texto para que possamos aproveitar o Dia Internacional da Ética e refletir um pouco sobre nossa postura como seres humanos. Faço um questionamento sobre as posturas, atividades e relações humanas que precisam ser trabalhadas para a garantia e sobrevivência de nossa espécie.


A data de 23 de fevereiro tem sido comemorada como sendo o “Dia Internacional da Ética”, desde 2016, portanto ela está completando 10 anos, neste ano. Para marcar esse primeiro decênio resolvi escrever este artigo a fim de que possamos refletir uma pouco mais sobre a situação do mundo e da importância da ética em todas a ações e relações humanas.

Num mundo sem ética, céu e inferno se integram no mesmo local, tocam na mesma tecla, discutindo nos mesmos momentos. Desta maneira, ocupam o mesmo espaço/tempo e se auto digladiam como num passatempo eletrônico inocente. O mundo sem ética, tristemente, consiste numa terapia ocupacional que visa, tão somente, manipular a maioria das pessoas e garantir a degradação humana. O mais desagradável é que a maioria dos seres humanos não percebe este fato e, indiretamente, muitos humanos trabalham ativamente na facilitação desse processo inescrupuloso.

No mundo sem ética, não importa mais nada, somente a discussão afiada, maldosa, inócua e insensata, que é capaz de cortar violentamente como navalha ou mesmo de degolar como uma guilhotina as relações humanas. O mundo sem ética não só evidencia o descaso de certos “humanos” com seus semelhantes, como manifesta oportunamente a crueldade humana que se estabeleceu.

Ou seja, não há bom tom, ou melhor, não há nem tom, quanto mais, bom. Tudo é conflito, confusão e interesse sem nenhum critério. Assim, o pensamento generalizado é: “quanto maior forem a intriga e o tumulto, tudo fica melhor”. Desta maneira, o mundo fica cada vez mais afastado da ética e dos valores humanos fundamentais.

O mundo sem ética, produz ações patéticas e sem nenhuma virtude estética e nem benevolência na prática da melhor vivência comum entre os humanos. A humanidade é o que menos importa ao “ser humano” aético, pois sua realidade é etérea, virtual, torta, indecente, egocêntrica e totalmente degradante para as verdadeiras necessidades da existência humana. O verdadeiro ser humano, no mínimo, tinha que ter respeito por outro ser humano, mas, por óbvio, não é isso que se propaga midiaticamente no mundo sem ética.

A felicidade e o bem comum são meras inutilidades, que estão se tornando coisas mortas no interesse coletivo. Apenas a aparência se manifesta com importância real e efetiva. Só a guerra, promovida pelos interesses fúteis de alguns, conforta os instintos grotescos e primitivos, pois a paz não é entendida como uma necessidade ética, sadia e nobre. Para muitos “seres humanos”, a paz é uma coisa fraca e pequena que atinge a mente dos idiotas e desocupados. Isto é, aqueles seres humanos verdadeiros, que ainda não possuem os ideais maléficos e destruidores que se distribuem nas comunidades e na sociedade como um todo.

O mundo sem ética é exatamente igual a um planeta qualquer, sem vida, ou um mundo que, mesmo possuindo vida, direta ou indiretamente, todos os seres vivos estão contra todos e não respeitam nem a própria casa (planeta), porque não existe interesse comum. Desta maneira, também não há nenhum bem comum. O egoísmo é sempre o principal predicado dos indivíduos aéticos que possam existir num mundo sem ética. No mundo sem ética, ser feliz é uma questão individual e não coletiva, que não satisfaz as necessidades do próprio mundo. Ou seja, a felicidade é uma questão pessoal e exclusiva. A regra é: “se eu sobreviver, os outros que se lasquem”.

O mundo sem ética carece de amor ou de qualquer sentimento fraternal e por isso, nesse tipo de mundo, a vida vai se acabando progressiva e continuamente, pois, a esperança segue morrendo de maneira sucessiva e contundente. O sofrer é uma regra e, o que é pior, uma regra onde não há exceção e assim, todos perdem, padecem e caminham para a morte compulsória e definitiva. Contudo, há quem ainda imagine que está “se dando bem”.

No mundo sem ética, o coração e o cérebro parecem não existir no ser humano, haja vista que o homem não pensa e nem sente. Quer dizer, o ser humano não age como ser humano, ele deixa de ser gente e se confunde com qualquer animal irracional.  No mundo sem ética tudo é ilusão, que fica e se intensifica na imaginação dos “gênios do mal”. A razão fica à margem de tudo e assim, não há solução coletiva para mais nada.

No mundo sem ética, o planeta é, apenas e tão somente, uma fonte de recursos e divisas que permite a sobrevivência e do qual podemos e devemos utilizar sem nenhuma preocupação e muito menos parcimônia. No mundo sem ética, o consumo e o lixo, que deveriam ser consequência das necessidades momentâneas dos seres humanos e por isso mesmo, também deveriam ser tratados com todo cuidado, precaução e interesse, na verdade, são meras contingências de quem está vivendo naquele momento e, por conta disso, não há nenhuma responsabilidade sobre as consequências das ações produzidas.

 Os seres viventes que vierem depois, se vierem, que procurem resolver seus problemas e cada um que aproveite o planeta como puder, a seu modo e vontade. Quer dizer, o mundo sem ética é um absurdo e um contrassenso, além de ser uma violência humanitária e planetária, pois não há respeito ao espaço físico planetário e a nenhum ser vivente, nem mesmo ao ser humano.

Voltemos à ética, para podermos voltar a possibilidade de viver bem. Aliás, ética é exatamente isso: ética é o bem coletivo.  Todavia, hoje, quem está realmente interessado nesse bem coletivo? Quem quer a ética de fato e direito? Pois então, a ausência de ética é “um tiro no pé”, ou melhor, “um tiro na cabeça” de cada um dos seres humanos, porque sem ética, toda a humanidade fica acéfala e acaba prejudicando o planeta e sendo prejudicada também.

Precisamos caminhar para a ética, indo muito além do mínimo necessário, mas, como seres humanos, estamos certos de que também devemos estar aquém do máximo especial e virtuoso, para continuarmos nossa caminhada sonhando e crescendo realmente. No mundo sem ética não há nada, nem realidade e nem sonho, pois tudo se constitui numa triste ilusão. Deste modo, a humanidade fica totalmente perdida na espera infundada de ter mais e vegeta na escuridão, manifestando um contrassenso insano, maltratando a própria humanidade sem remorso e sem perdão.

O mundo sem ética é o oposto das aptidões humanas é o corrompimento de todos os valores humanitários mais sublimes que deveriam nortear todas as ações da humanidade. Pois então, meus amigos, é drástico, não é? Contudo, este é o mundo que, infelizmente, estamos vivenciando. E o mais assustador de tudo, é que este mundo sem ética segue crescendo muito rapidamente.

Trocamos tanto os valores morais, que estamos caminhando muito rapidamente para o caos. Segundo dizem, no início do mundo era assim e só havia o caos e pelo que temos visto, parece no final deverá ser da mesma maneira. Há necessidade de acordarmos, antes do final da viagem ou nunca chagaremos a lugar nenhum e o caos se estabelecerá novamente.

Precisamos estar atentos e lembrar sempre, de que “a ética é um princípio que não pode ter fim”, como nos propõe o Companheiro Aroldo Araújo, desde 1986. Caso contrário, a extinção prematura da espécie humana e de inúmeras espécies vivas será a única consequência possível. Desta forma, temos que readequar o nosso rumo e necessitamos voltar a ter a ética como nosso eterno princípio.

Meus amigos, pensem seriamente nisso e, se ainda não fazem, comecem logo a colocar a ética como fundamento e prioridade em todas as ações. Ou será que nós já desistimos de viver e, por óbvio, já estamos, certamente, condizentes com o término de nosso tempo como espécie viva aqui na Terra?

Caçapava, 23 de fevereiro de 2026
Luiz Eduardo Corrêa Lima (70)

01 dez 2025
O Atalho e o Caminho Correto

O Atalho e o Caminho Correto

Resumo: O texto traz uma reflexão filosófica sobre a necessidade de crescer a qualquer preço que é imposta a humanidade pela mídia e procura demonstrar que essa certamente não é a melhor maneira de crescer, porque essa situação nos coloca contra os interesses da humanidade e nos expõe a interesses puramente comerciais.


Vivemos numa época veloz e todo mundo sempre quer chegar mais rápido a algum lugar ou a lugar nenhum, para, também, rapidamente, decidir aonde vai realmente chegar, se é que quer mesmo chegar em lugar algum. Complicado, não é? Mas, é isso mesmo que está escrito.  Ou seja, há muita dúvida sobre o porquê, o onde e o como chegar a qualquer lugar, porque geralmente não há um plano de viagem estabelecido, apenas se quer chegar de maneira mais rápida.

 Pois então, meus amigos, o nome desse caminho mais rápido, todos sabem é atalho. Assim, muita gente vive, simplesmente, buscando atalhos. Contudo, o que muitos não sabem e alguns não querem saber é que o atalho nem sempre é o melhor caminho. Além disso, na maioria das vezes, o atalho acaba mesmo sendo o caminho errado. Atalho é uma necessidade de vida, mas não pode ser uma prática cotidiana dessa mesma vida. Atalhos ocasionais podem ser importantes, mas atalhos diuturnos costumam ser tentativas de fugir da verdade ou de tirar vantagens sempre, ou seja, são falcatruas, que grande parte das vezes dão errado.

Às vezes o caminho correto, além de longínquo, também é muito complicado e difícil, deste modo, um jeitinho aqui, uma mentirinha ali e uma embustice acolá, acabam resolvendo certas situações momentâneas. No entanto, essas situações tendem a se prolongar e ficar mais compridas ou, como se diz na linguagem popular, “deixam rabo”. Normalmente o rabo cresce, cresce e quando quebra, geralmente quebra do lado mais fraco. O que a maioria das pessoas não sabe exatamente é o seguinte: qual o lado mais fraco. Senhores, o lado mais fraco é sempre aquele que procura encontrar a facilidade a qualquer custo, o atalho, e eu vou tentar esclarecer porque isso acontece.

Quem segue o procedimento normal tem a imagem verdadeira da questão, porque conhece o todo do processo. Se não conhece, pode voltar ao longo da própria história ou situação e assim, pode identificar e aprender com as nuances do próprio processo. Já quem toma o atalho, pula momentos e etapas e assim sua história nunca está completa e sempre vão faltar detalhes a serem esclarecidos no contexto de toda a história. Pois é, a corda sempre estoura do lado mais fraco, e o lado mais fraco é sempre aquele que menos conhece toda corda (história).

As pessoas que procuram atalhos para ganhar vantagens (“Lei de Gérson”), sobretudo, tempo, acabam sendo pessoas atabalhoadas, desorientadas e pagam muito carpo pelo tempo que economizam. Essas pessoas confundem as coisas porque são apressadas, inexperientes e incompletamente formadas. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição, mas isso, por óbvio, não é necessariamente uma verdade e se for, não é obrigatória. Existem coisas em que a pressa até pode ajudar, desde que quem se utiliza da pressa conheça exatamente aquilo que está fazendo. O que não se pode é querer que tudo se desenvolva sempre apressadamente.

Aprendemos desde cedo que a menor distância entre dois pontos é uma reta e por conta disso tentamos tornar tudo que nos envolve em linhas retas, contudo o mundo e sobretudo, as relações humanas são tortuosas e muitas vezes precisamos vivê-las para sermos capaz de entende-las. É preciso compreender que o menor caminho, o das retas, nem sempre é o melhor caminho e que, muitas vezes, pode ser o pior. De vez enquanto é bom passar dificuldades para que se possa aprender mais sobre a vida e sobre os nossos próprios limites. Infelizmente, nossa vida é uma “caixa preta” que será analisada por outros depois da nossa morte. É exatamente isso, meu amigo, nós vamos morrer e consequentemente ficaremos sem saber quase nada a nosso respeito.

Pois então, isso só não poderá acontecer, se nos dispusermos a aprender mais sobre nos mesmos e isso necessariamente passa por viver e superar as nossas dificuldades. Os atalhos nos levam a fugir das dificuldades e isso nos afasta de nossa verdadeira condição humana. Eu só me conheço mais, quando aprendo mais alguma coisa sobre mim. Isso implica em encarar problemas, combater infortúnios e perder ou vencer lutas. Os atalhos nos distanciam da realidade que teríamos que conhecer, principalmente, sobre nós mesmos.

Conscientemente nós nunca saberemos exatamente como será nossa vida, mas temos que estar dispostos e preparados para tentar nos conhecermos melhor. Ousar é algo perigoso, mas é interessante e nos permite compreender melhor as coisas. Atalhos geralmente impedem que ousemos e que desafiemos os nossos pretensos limites. Atalhos normalmente facilitam as coisas, mas certamente dificultam aprendizado sobre a vida. Podem ter certeza de que estamos aqui para aprender e evoluir, ou será que nascemos apenas para morrer? Ora, se nascemos apenas para morrer, então para que viver? 

O problema é que as pessoas que costumeiramente usam os atalhos, normalmente não tem conhecimento suficiente de quase nada, muito menos de si próprias, porque acumularam atalhos e perderam a noção do todo, tanto exterior, quanto interior. Assim, sempre vai ficar uma ou mais pendências (uns rabos) e isso, muitas vezes, é o suficiente para inviabilizar a situação ou viabilizar de maneira equivocada ou pouco convincente e assim gerar dúvidas no processo, além de comprometer o resultado. Situações dúbias e duvidosas, bem ou mal-intencionadas, frequentemente derivam de tomada de atalhos indevidos.

Atalhos podem ser benéficos? Sim, eles podem. Entretanto, não costumam ser e a grande maioria das pessoas, certamente, já sabe disso. Então, porque, mesmo sabendo disso, algumas pessoas insistem em procurar atalhos, investindo cada vez mais na busca da rapidez e cada vez menos na eficiência? Essa é a pergunta, cuja resposta certa, vale US$ 1.000.000 (um milhão de dólares). Vou me atrever e me esforçar para tentar respondê-la, ainda que não consiga ganhar absolutamente nada com isso.

A propaganda, a mídia, o “marketing” e o mundo moderno fictício vivem enganando as pessoas, dizendo para elas que elas precisam ser aquilo que não são e ter aquilo que não necessitam. Eles mostram a imagem de que tudo é fácil e que todo mundo pode fazer o que quiser e assim ficar muito rico, porque tudo é muito fácil e esse é o “grande objetivo” do ser humano. Entretanto, obviamente, isso não é verdade. Aliás, a verdade costuma ser totalmente antagônica a isso, até porque o objetivo real é ser feliz!

Todavia, quem pode afirmar que seguramente é preciso ser rico para ser feliz? E mais, quem disse que não existem pobres felizes ou ricos infelizes?  Meus amigos, as pessoas que normalmente dão certo e são felizes, geralmente trabalham muito, pensam muito e seguem caminhos muito longos, difíceis e geralmente sem atalhos. E cabe ressaltar, elas não são e nem querem ser ricas, querem apenas viver bem. É bom esclarecer que a palavra bem não envolve a necessidade de nenhum cifrão!

Faz muito tempo que, saímos do “tempo da carochinha”, mas, graças a propaganda, vivemos num faz de contas muito maior do que naquele tempo. Acreditamos piamente na mídia, na Televisão, no Google, na Internet e, mais recentemente, na Inteligência Artificial. Somos seguidores e veneradores do “deus propaganda” e rezamos na sua cartilha, descaradamente, sem nenhuma vergonha. Esse “deus propaganda”, serve ao seu primo, “o deus comércio”, que é irmão do ‘deus dinheiro” e ambos são filhos da mesma “deusa economia”. Essa família de falsos deuses são o engodo que tem destruído progressivamente a humanidade. É incrível, mas parece que a humanidade não quer mais ser feliz!

Pois então, essa corja de falsos deuses, colocam um monte de bobagem na cabeça das pessoas a desta maneira, acabam as convencendo de que ao vida é curta e o tempo urge e que eu preciso estar encima e com dinheiro suficiente para realizar todos os meus prazeres. Por isso, pernas para que te quero? Assim, vamos passar sebo nas canelas e sigamos em frente o mais rápido possível, mesmo que tenha que mentir e passar por cima de outras pessoas.

Algumas dessas pessoas que, muitas vezes, passamos por cima, são parentes próximos e amigos que deveriam ser amados, prezados e respeitados. Pais, enganam filhos, os filhos enganam os seus irmãos e todo mundo engana todo mundo para chegar mais rápido à “glória” (ficar rico). Mas, que glória é esta, que não tem sensibilidade, nem escrúpulos e muito menos vergonha. O pior de tudo é que ninguém mais quer ser feliz.

Durante mais de vinte anos nas minhas aulas inaugurais que ministrei para alunos que ainda não me conheciam e u sempre fiz a seguinte pergunta: o que é que todo mundo quer? E, pasmem Senhores, quase sempre, 100% dos alunos respondiam, dinheiro. Eu insistia e alguém respondia, ter uma casa, ter um carro do tipo “x” e assim, apenas coisas materiais. Ninguém queria ter uma família ou ver o fim das guerras, ou sei lá, qualquer besteira. O pessoal aprendeu, por conta da mídia, que fundamental é ter dinheiro e ninguém mais quer, simplesmente, ser feliz ou ter felicidade.

Ser rico é o que importa, ser feliz, não é prioridade de ninguém. Trocamos a felicidade, a família e os amigos pelo interesse do “deus dinheiro”, em função dos fortes e promissores apelos produzidos pelos seguidores e marqueteiros do “deus propaganda”.  Assim, enfiamos os pés pelas mãos. Os atalhos nos levam a ser cada vez mais gananciosos, mais egocêntricos e nos tiram a sensibilidade e o respeito com as demais pessoas. Passamos a ser indivíduos insensíveis, que nos preocupamos, apenas e tão somente, com o nosso sucesso econômico-financeiro e que deverá acontecer a qualquer preço.

Nessas alturas, já estamos literalmente viciados em procurar atalhos para ganhar vantagens sobre os “otários” que aparecem no nosso caminho. Essa prática cotidiana de ter que levar vantagem em tudo, parece que está ficando mais eficiente e nós nos iludimos, cada vez mais, com essa aparência. Alguns de nós até conseguem algumas coisas, mas a maioria, além de não conseguir nada, ainda perde muito mais, porque fica doente do corpo e do espírito. Aí surgem as drogas, os roubos e outras atitudes incoerentes e os rabos começam a aparecer. Com isso, o hedonismo passa a ser uma necessidade e uma obrigação, enquanto os “gurus” e os “pseudoanalistas de plantão” passam a trazer as novas verdades estabelecidas e a “vida” vai seguindo com o seu sonho do sucesso, que nunca chega.

É nesse momento que um ou mais daqueles rabos, deixados ao longo da história, passa a ser conhecido e aí o sujeito, dos atalhos que iam dar certo, cai na lama social, na fofoca e a realmente fazer parte da mídia, como sempre quis, mas de maneira diferente daquela que ele havia pensado em estar, pois ele passa a ser apenas mais um na estatística dos degradados. Nesse instante ele começa a pensar em morrer, alguns tentam mesmo o suicídio e muitos até conseguem. Porém alguns, são tão pouco eficientes que não conseguem nem completar o suicídio e continuam “vivos” ou quase isso, esperando a hora que Deus vai lembrar deles e vai levá-los para o outro mundo.

Esse é o problema maior dos atalhos, geralmente eles também são atalhos para a vida. As coisas rápidas em vida, também costumam levar a morte rápida. Pensem nisso e vivam um dia de cada vez. Estudem e aprendam sempre e sem pressa. As coisas têm que acontecer, ou não, dentro dos parâmetros corretos, legais e de modos temporariamente estabelecidos pela prudência. Atalhos, até podem existir, mas apenas para resolver questões esporádicas e momentâneas. Os atalhos não devem ser modelos de procedimentos e, principalmente, não podem ser meios efetivos de vida vantajosa, como pensam e insistem alguns.

Não invista sua vida em atalhos e siga os caminhos naturais e reais, que efetivamente são mais longos, mas nos ensinam mais e nos ajudam mais a resolver as questões que decorrem deles próprios. Mas, é claro que, se houver necessidade, em dado momento, um ou outro atalho até pode ser útil, mas não se esqueça que ele é uma forma momentânea de resolução problemática e não pode ser solução para tudo.

Ninguém consegue viver somente através dos atalhos. De qualquer maneira, a escolha sempre será sua. Portanto, procure escolher o caminho certo e se houver necessidade efetiva do atalho, esteja certo de que você escolherá sempre o melhor atalho, no melhor momento, mas jamais tente fazer disso uma prática cotidiana de vida. Se der certo, menos mal, mas se der errado, não insista e mude a estratégia.

Percebeu a diferença, não existe atalho certo, embora, momentaneamente, possa até existir um atalho devido. Mas, lembre-se que, por melhor que o atalho seja, ele sempre será um atalho, que poderá ser melhor ou pior. Desta forma, faça sempre um julgamento de valor e não se anime muito com aquele atalho que até deu bom resultado, porque outros atalhos poderão produzir efeitos bastante desagradáveis

Assim, entenda que o caminho correto, sem atalhos, é o caminho mais seguro e este deve ser o caminho seguido. Se você conseguir andar sempre no caminho correto, você perceberá que gradativa e progressivamente não haverá mais necessidade de tomar atalhos. Deste modo, seja realmente esperto, siga em frente e esqueça os atalhos. Lá no futuro, quando você olhar para trás, certamente você perceberá, que o aparente sacrifício maior de usar o caminho correto terá valido a pena.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista

03 jul 2025
O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

O Homem Moderno não morre mais apenas de Enfarto

Resumo: Neste artigo abordo o aumento das doenças oriundas da degradação ambiental, por conta da irresponsabilidade humana e do descaso com as questões ambientais planetárias.


INTRODUÇÃO

Posso afirmar para os Senhores que existem milhares de outras maneiras de morrer e muitas delas são mais desagradáveis e bem mais difíceis de serem adquiridas que um enfarto comum. Grande parte dessas doenças surgiram por conta da “modernidade”, ou melhor, das novas atividades mais costumeiras, que foram desenvolvidas mais recentemente, em particular, nos últimos 70 anos.

Com certeza, algumas dessas maneiras possivelmente aconteceriam e se desenvolveriam mesmo, mais cedo ou mais tarde, de modo natural, outras, porém, foram e estão sendo provocadas e produzidas, a partir de ações incrementadas e efetivadas pela própria humanidade. Lamentavelmente, esse fato tem acontecido numa escala crescente e extremamente rápida, além de bastante eficiente e assim, quase não sobra mais tempo para que se possa morrer de enfarto, por exemplo, embora os enfartos ainda existam em grande quantidade e continuem sendo a maior causa de mortes.

Contudo, hoje, muito dos enfartos acabam sendo impedidos ou amenizados por uma série de estudos e procedimentos médicos recém desenvolvidos e isso é realmente louvável e genial. Desta maneira, muitos humanos têm morrido de outras causas, muitas das quais, possivelmente, talvez nem existissem mais ou que, talvez, ainda não deveriam ter aparecido, se não fossem as próprias ações antrópicas e suas interferências diretas nas questões naturais. É isso mesmo, o homem, por conta do desleixo ambiental, também é causador e criador de novas e reativador de velhas doenças.

Assim, o homem, além de ser o lobo predador do próprio homem, como sempre aconteceu nas guerras e em várias outras situações de conflito entre seres humanos, também, tristemente, atua como um parasita que prejudica paulatina e sorrateiramente os seus hospedeiros, como acontece, por exemplo, com os efeitos oriundos da crescente poluição. A poluição mata muito mais do que os enfarto hoje em dia. Ou seja, em dado momento, por conta de suas ações antinaturais e anti-humanas, o homem também passou a ser uma forma de “parasita” da própria humanidade e do planeta. 

Até bem pouco tempo vivíamos, em média, pouco mais de 50 anos e morríamos de doenças degenerativas, mas hoje estamos vivendo, pelo menos, 75 anos e morrendo de velhice. Somos capazes de tratar uma série de doenças que, hoje, quase não matam mais ninguém. Isso deveria ser considerado uma beleza, um grande feito da humanidade pois, de fato, é isso mesmo. Entretanto, construímos um mundo artificial e diferente que causa outros males, alguns extremamente mais terríveis do que o infarte e tantos outros que já tivemos em épocas mais remotas.

Temos modificado formas vivas e “criado” formas mutantes e estranhas que tem causado grandes males. Temos produzido substâncias que a natureza não conhece e que fazem grandes danos as espécies vivas, inclusive aos seres humanos. Temos colocado veneno em muitos dos seres humanos e ainda temos colocado muitos seres humanos em áreas envenenadas. Temos contaminado o ar, a água e o solo de maneira contundente e bastante preocupante.

Temos produzido “remédios” que matam mais do que curam e “vacinas duvidosas”, que, em certo sentido, têm perturbado muito mais do que atendido as necessidades humanas, até porque muitas delas efetiva e comprovadamente causaram danos à saúde de inúmeras pessoas. Quem lê as contraindicações de certos remédios acaba ficando com medo de ingerir esses remédios, porque os riscos estão evidentes.

 A propósito, antes que me entendam mal e me rotulem de negacionista ou coisa parecida, quero deixar claro que não sou contra o uso de remédios e muito menos de vacinas, ao contrário, sou tremendamente a favor desses tipos de substâncias e sei da importância que ambas têm para evitar doenças e salvar vidas. Entretanto, sou contrário aos absurdos e ao imediatismo de vacinação em massa obrigatória, sem estudos prévios, apenas promovendo interesses econômicos de laboratórios e empresas do setor farmacêutico, como, infeliz e tristemente, parece já ter acontecido.

Enfim, criamos um mundo novo, em questão de poucas décadas, um mundo bem diferente daquele que a natureza levou bilhões da anos para desenvolver e não sabemos como controlar nossa eficiência danosa em destruir o que a natureza fez e em criar problemas para outros seres humanos, mormente aqueles que mais dependem das coisas e ações naturais. O homem, tristemente, passou a ser um câncer para o planeta e uma anomalia para todas as espécies vivas que aqui se desenvolveram, inclusive o próprio Homo sapiens.

DISCUTINDO A QUESTÃO

Quer dizer, embora a humanidade esteja notadamente muito melhor sob vários aspectos, ela está bem pior por conta de outros. Quando se coloca essa situação conflitante numa balança de custo-benefício, acaba não sendo possível definir aquilo que é melhor, porque existem vantagens e desvantagens mútuas. Não há dúvida que o nosso desenvolvimento científico e tecnológico permitiu façanhas imensas e inimagináveis em décadas recentes. Contudo, a que preço temos conseguido obter tais façanhas?

Nos últimos 70 anos, certamente nos desenvolvemos cientificamente mais do que em toda a história da humanidade, até antes da segunda guerra mundial. Porém, não sei se estamos mais felizes como indivíduos e mais eficientes como espécie planetária viva, ainda que, na média, estejamos vivendo mais. Contudo, em certo sentido, também estamos sofrendo muito mais e criando muito mais problemas à própria humanidade. Estamos mais angustiados, mais amedrontados, mais ansiosos e mais desconfiados. Nossas posturas têm sido cada vez menos altruístas e mais egocêntricas, menos cooperativistas e mais corporativistas, mais egoístas e aparentemente estamos nos tornando menos humanos, a cada dia que passa. E isso, a meu ver, não é nada bom. 

Nossa eterna busca pela felicidade como indivíduos, parece estar cada vez mais complicada, nossas ações mais confusas, nossos problemas mais conflitantes. Por sua vez, a nossa felicidade coletiva está progressivamente sempre mais distante, embora existam grandes avanços científicos e mesmo sociais e econômicos. Ora, então, porque as coisas parecem estar, cada vez mais difíceis?

Obviamente, eu não sou pitonisa e por certo, também não sei responder à questão proposta. Entretanto, meu “desconfiômetro”, me permite entender que devemos estabelecer uma relação mais clara, mais decente e, sobretudo, mais honesta com o planeta. Precisamos nos lembrar que somos planeta também e que temos que cuidar melhor de nossa casa maior. Talvez, nossas dificuldades possam ser minimizadas a partir dessa constatação e das ações que possam nos levar a estabelecer um novo contrato natural com o planeta que nos abriga.

O ser humano se apropriou de tal forma do planeta que o trata como apenas mais uma coisa, mais um brinquedo que ele pode destruir, como qualquer criança mimada, porque depois ganhará outro. Todavia, todos nós sabemos, que isso é uma grande mentira, porque nosso planeta é ímpar e não dá para ganhar outro. Ele é o único em que somos capazes de existir, pelo menos até aqui. Por outro lado, se quisermos continuar existindo, temos que passar a tratar o planeta de outra maneira. Temos que procurar garantir que ele continue nos abrigando e sendo a nossa casa maior e única.

A maioria dos humanos não entende isso, e alguns, que até entendem, não podem ou não são capazes de efetivamente investir na tarefa de fazer algo para mudar o nosso modus vivendi e consequentemente o status quo da humanidade, que não respeita a vida, nem os limites planetários. A maioria de nós entende que somos os “donos do planeta” e que se dane todo o resto, porque vamos fazer aquilo que quisermos com a nossa “propriedade”. Entretanto, há limites, para a nossa farra e o planeta tem nos dado, a seu jeito, as informações de que estamos caminhando na direção errada, mas nós, idiotamente, continuamos dando de ombros e fingindo que não estamos vendo as grandes catástrofes que se acentuam em quantidade e em proporções.

Aparentemente, as grandes catástrofes “naturais” não nos incomodam e nem nos assustam e o aquecimento global, até agora, também não é acreditado por muitos de nós. A imensa ocupação do espaço geográfico, em determinadas áreas, com a imensa massa da superpopulação humana sempre crescente não incomoda a maioria de nós. Nós estamos sempre precisando de mais e assim, sempre tiramos mais do planeta e não nos importamos com nada, porque, historicamente, sempre foi assim, sempre deu certo e, obviamente, continuará dando certo. 

Pois então, é preciso realmente entender que uma hora vai parar de dar certo e as coisas vão ficar efetivamente insustentáveis. Na verdade, já estão insustentáveis, porque já usamos mais do que podemos anualmente, desde 2023. Contudo, não paramos nem para pensar se isso é algo importante, apenas continuamos a “brincar com coisas sérias”. Não temos nenhum tipo de filtro e, embora alguns até questionem as ações humanas, ninguém, de fato, está fazendo nada para mudar o que vem acontecendo desde que a humanidade surgiu no planeta. 

A diferença é que no passado, nosso efeito era pequeno e nossa marca era quase impercebível e assim seguíamos buscando a nossa felicidade. Mas, parece que pegamos o caminho errado do esbanjamento e do uso sem critério dos recursos naturais e nos acostumamos com essa prática sórdida e inconcebível, que se mantém nas diferentes culturas humanas desde os primórdios da humanidade. Todavia, algo precisa ser feito para mudar esse comportamento daninho que historicamente assumimos com o planeta.

CONCLUSÃO

Senhores, porque não aproveitamos o momento atual, com todo o conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico acumulado que já possuímos e deixamos de lado esse nosso afã destruidor e começamos, real e efetivamente, a nos preocupar em manter a qualidade de vida no planeta. Nós já estamos vivendo muito individualmente, mas podemos e devemos viver mais coletivamente e só nós mesmos temos a capacidade de desenvolver as condições que podem garantir que isso aconteça. Precisamos apenas trabalhar nessa direção, considerando a humanidade como nossa unidade e não as pessoas individualmente ou pequenos grupos populacionais como nossa meta maior.

Temos que pensar no planeta e na humanidade como um todo, porque esta, certamente, é a única saída que temos para tentarmos reestabelecer as regras naturais. Quem sabe assim, poderemos até voltar a morrer mais de enfarto, porém certamente deixaremos de nos envenenar e de envenenar e destruir o planeta e as demais espécies nele viventes. Desta maneira, mesmo que não estejamos perto da plenitude de nosso afã de ser feliz, nós ainda teremos, em média, muito mais tempo para tentarmos ser felizes, como espécie viva. Ou melhor, poderemos ter certeza de que teremos mais tempo para buscar a felicidade que tanto queremos.

Não somos “donos do planeta” como pensamos ser, mas, por óbvio, somos “donos de nosso destino” e devemos trabalhar para termos melhores condições para poder cuidar do planeta e dos demais seres humanos.  É possível que, se atuarmos de maneira menos agressiva e tirana com o planeta e mais afetiva com os demais seres humanos, sejamos mais felizes e, quem sabe até possamos viver mais, sem correr riscos de continuarmos nos envenenando progressivamente a cada dia.

Alguém já disse, que: “a diferença entre o antídoto e o veneno é a dose”. Assim, cuidemos do planeta e da humanidade na dose certa e a felicidade será mais real e efetiva para todos nós humanos e, logicamente, para as demais espécies vivas que pululam e se multiplicam em diversidade neste planeta fantástico chamado Terra, que tem nos mantido e levado pelo tempo nessa aventura chamada vida.

Não devemos nos esquecer que a Terra é a casa maior que une e abriga todos nós e que a vida é a aventura comum das espécies, que tem sido contada no planeta por cerca de 3,5 milhões de anos. Muitas espécies já passaram por aqui e se extinguiram e certamente nós também passaremos, haja vista que a extinção é um processo natural. Contudo, quero acreditar que nós podemos e devemos agir para que nossa estada, como passageiros dessa “nave espacial planetária”, seja mais longa e consequentemente, seja a mais duradoura possível. Só depende de nós mesmos. Só nós podemos fazer com que isso possa ser uma verdade efetiva.

Cabe lembrar que a extinção é um processo gradativo que também traz a morte. Entretanto, eu prefiro ter um enfarte fatal do que saber que sou parte causadora da extinção progressiva de minha própria espécie, porque essa é uma morte que nenhum indivíduo de nenhuma espécie quer e nem merece ter. No caso humano, se continuarmos nossa escalada de desleixo em relação ao planeta e a extinção começar efetivamente a acontecer, certamente será pior ainda, porque somos consciente desse fato.

Atualmente falamos muito na questão da sustentabilidade planetária e da nossa obrigação de deixarmos boas condições e recursos naturais suficientes e condizentes com as necessidades das gerações futuras. Contudo, será que essas gerações futuras poderão realmente existir se continuarmos seguindo essa linha suicida de conduta planetária que tivemos até aqui?

Mantendo o atual modus vivendi, apenas estamos perpetuando o status quo e deste modo, a extinção humana está sendo antecipada e de maneira bastante célere. A extinção deverá ser uma mortandade coletiva, progressiva, forçada, prematura e tristemente causada pela irresponsabilidade do próprio ser humano. Ou seja, deverá ser uma espécie de suicídio coletivo com anuência e assistência de todos os envolvidos. Enfim, se isso acontecer, deverá ser uma coisa horrenda e tétrica que nenhuma espécie viva merece vivenciar, principalmente, uma espécie tão inteligente, brilhante e destacada como é o Homo sapiens.

Senhores, o planeta abriga milhões de espécies, mas apenas uma pode fazer alguma coisa para tentar resolver essas questões, que incluem diretamente a sua própria existência. Como eu já disse: só depende de nós mesmos. Essa responsabilidade planetária é única e exclusiva da espécie humana. Certamente, se quisermos, ainda temos algum tempo para tentar impedir, ou pelo menos, tentar adiar o Armagedom que se anuncia, agindo para minimizar o sofrimento coletivo. Entretanto, quando vamos começar a colocar as mãos na massa e realmente fazer alguma coisa?

Luiz Eduardo Corrêa Lima (69) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

14 abr 2015

Refletindo sobre alguns valores esquecidos pela vida moderna

Resumo: O texto dessa semana traz à baila uma questão séria, que está cada vez mais preocupando algumas pessoas e que precisa ser mais discutida e refletida pela sociedade. Trata-se do uso exagerado das novas tecnologias e do consequente afastamento entre as pessoas que esse uso tem trazido. Com o uso desregrado das tecnologias e com os superpoderes a elas concedidos, a humanidade parece estar perdendo sua relação direta com os ambientes primários da natureza e com os demais seres vivos, inclusive com os próprios seres humanos, o que tem trazido consequências progressivamente mais trágicas para a natureza e mais desagradáveis ao relacionamento humano.


Refletindo sobre alguns valores esquecidos pela vida moderna

Ultimamente tenho me preocupado muito com o rumo dos relacionamentos entre os seres humanos e ainda que eu não possa taxativamente afirmar que a fragilidade desses relacionamentos seja uma verdade mundial, eu tenho quase certeza que os relacionamentos humanos atuais pelo mundo afora são meras externalidades. Com certeza, essa é uma verdade brasileira, porque aqui em nosso país, as pessoas efetivamente, têm progressivamente caminhado para trás, no que diz respeito aos relacionamentos humanos e também às coisas da natureza, das tradições, dos valores culturais e morais em geral.

Também não sei se posso e nem quero considerar como uma verdade absoluta de que a causa dessa condição seja exclusivamente da tecnologia, mas infelizmente, tenho que considerar o fato de que o avanço tecnológico tem ajudado bastante no atual estado da arte e no momento, vou me ater exatamente ao seguinte questionamento: porque a tecnologia parece estar nos arrastando cada vez mais para longe das coisas e dos valores que nos deveriam ser mais importantes?

A propósito, devo dizer que não tenho absolutamente nada contra o avanço tecnológico e nem mesmo sou avesso aos novíssimos e diversificados aparelhos eletrônicos. Ao contrário acho todos eles ferramentas importantíssimas e que bom que nós conseguimos desenvolvê-los para facilitar muitas das diferentes tarefas que temos que resolver. O problema é que muitos de nós somos incapazes de entender que esses aparelhos são apenas e tão somente ferramentas. Esses aparelhos não são e nem podem ser considerados, de maneira nenhuma, como se fossem elementos vitais, que precisamos para continuar vivos, como o ar ou a água, pois já vivíamos anteriormente independentemente da existência deles. Como disse antes, esses aparelhos são úteis, mas certamente não são fundamentais. Obviamente existem alguns casos em que peças tecnológicas foram desenvolvidas exatamente para auxiliar a vida de algumas pessoas, mas essas são situações excepcionais e não regras.

A tecnologia está aí para tentar nos fazer mais capazes, mais eficientes e consequentemente mais felizes e tudo isso é obviamente muito bom num primeiro momento. Entretanto, será que essa felicidade inicialmente prevista tem sido secundariamente uma verdade em si, quando o avanço tecnológico nos leva a esquecer, ou pelo menos, nos afastar de outras coisas que, na nossa condição de seres vivos e principalmente de indivíduos humanos, talvez nos fossem muito mais importantes? Será que o nosso apoderamento tecnológico não nos coloca frente à questões que, talvez, possam estar nos trazendo mais prejuízos do que benefícios, apesar de nos permitir soluções aparentemente mais efetivas? A eficiência tecnológica nem sempre tem se mostrado eficaz sob vários aspectos, principalmente nas questões socioambientais. Bem, vou exemplificar meus questionamentos para tentar ser um pouco mais claro.

Imagine que quando não tínhamos agendas eletrônicas ou objetos semelhantes (alguns de nós nem conseguem imaginar isso), éramos obrigados a guardar os números de telefone, anotando ou mesmo decorando esses números e isso era bom para nós, porque nos forçava a escrever e pensar. E mais, quando íamos ligar para aquele número, necessariamente tínhamos que discar ou digitar, o que nos obrigava também a realizar um exercício físico, ainda que pequeno. Quando queríamos falar com uma pessoa e não podíamos ir à casa dela, nós telefonávamos e conversávamos com essa pessoa. Muitos de nós ficavam horas no telefone, o que era ruim, porque a conta a ser paga era alta. Entretanto, hoje usamos o “Whats App” e não pagamos nada e isso é bom, mas também não conversamos verdadeiramente com ninguém, apenas mandamos mensagens simples, sem qualquer conotação pessoal. Assim, as inter-relações são frias e de pouquíssimo conteúdo. Não escrevemos mais, apenas trocamos recados cheios de frases viciadas, com códigos, abreviaturas e símbolos, muitas vezes insuficientes para definir ou mesmo apenas para indicar uma determinada condição.

Tudo bem, é claro que essas mensagens de internet também são uma forma de linguagem, mas certamente essa não é uma linguagem que sirva para aproximar os seres humanos, porque ela é superficial e não expressa sentimento nenhum. O “internetês” é a comunicação pela comunicação e nada mais que isso e por mais que ele aproxime (facilite) as informações ele afasta as pessoas, que ficam cada vez mais isoladas em seu mundo exclusivo com seu celular, seu “tablet” ou seu computador de última geração. Posso estar errado, mais isso absolutamente não é humano, pelo menos do ponto de vista sensitivo.

Chamamos as redes de “internet” do tipo “facebook” e “linkedin”, por exemplo, de “Redes Sociais”, mas eu pergunto: essas redes são sociais mesmo? Tudo bem, elas envolvem grupos de pessoas da sociedade, mas elas não se comportam como algo que socialize as populações? Não, elas fazem exatamente ao contrário, pois elas excluem pessoas, quando não permitem sua participação em determinados grupos e isso ao meu ver é uma atitude antissocial. Talvez, fosse interessante chamar essas redes de outro nome, porque “Redes Sociais” é que elas não são mesmo. Porém, deixemos essa questão de lado, porque não é disso que quero eu tratar aqui.

Na minha infância, nós convivíamos muito mais com a natureza e com as pessoas do que qualquer criança de hoje em dia, mormente nos últimos anos com o advento da internet. Nós brincávamos de pique, jogávamos futebol, bola de gude, rodávamos pião, soltávamos pipa e várias outras coisas que hoje, tem criança (talvez a maioria delas) que nem sabe do que se tratam essas coisas, simplesmente porque nunca as viram e não têm nenhuma relação com outros humanos, além da internet e das “Redes Sociais”. Quer dizer, quase não há convivência efetiva com outros humanos, a não ser nos meios de transportes, quase sempre particulares e nos ambientes corporativos familiares, escolares, culturais e laborais. Hoje inventamos até “bichinhos virtuais” até para afastar mais as pessoas umas das outras e o que é mais grave, em certo sentido, para afastar as pessoas dos animais também.

Essa situação atual de contraste com que havia em épocas anteriores, pode até ser vantajosa em determinados aspectos, mas certamente é prejudicial em outros tantos. Se for colocado numa balança de custos X benefícios, acredito que certamente há menos vantagens e mais desvantagens no atual modelo, que é resultante do uso inadequado e excessivo da tecnologia.

A meu ver isso tem afastado cada vez mais as pessoas umas das outras e assim também dos valores e das tradições. As diferentes formas de expressões culturais vão ficando esquecidas e a natureza está sempre mais longe e menos importante, pois a vida humana passou a ser quase que exclusivamente urbana e tecnológica. O natural e o rural perderam o sentido e não interessam em praticamente nada na paisagem antrópica atual. Os humanos tendem a viver isolados em seus espaços artificiais.

Esse isolamento, por sua vez, leva cada vez mais ao egoísmo e ao olhar para dentro de si mesmo, o que também aumenta os preconceitos e o medo generalizado das diferenças. O outro humano cada vez importa menos para os humanos. Lamentavelmente, nós temos caminhado no sentido de achar que a felicidade é quase um sinônimo de solidão, porque nos preocupamos apenas conosco e tudo fazemos apenas no nosso interesse individual.

Enfim, reflitam comigo e digam se eu não tenho razão. Penso que está na hora de começarmos a fazer alguma coisa para mudar essa tendência, porque acredito que ela seja muito maléfica aos interesses e valores reais da humanidade. Acredito que nós, os seres humanos, estamos precisando de menos tecnologia e mais humanidade, para podermos engrandecer as nossas vidas, solidificar as nossas sociedades e principalmente estreitar as nossas relações com os demais seres humanos.

Segundo o pensador russo, Lev Semenovitch Vygotsky, nós não nascemos humanos, nós nos tornamos humanos ao longo de nossa vida, pois s nossa humanização é construída progressivamente. Esse mesmo autor vai mais fundo ainda, quando diz que: “o homem só pode se tornar homem na presença de outro homem”, isto é, só nos tornamos homens convivendo com outros homens. Pois então, penso que temos andado na contramão da humanidade e estamos precisando conviver mais com outros humanos para nos humanizarmos mais.

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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28 set 2014

Externalidades e Hipocrisia

Resumo: O Prof. Luiz Eduardo apresenta mais um artigo, dessa vez fazendo uma reflexão acerca do uso maciço e cotidiano da INTERNET e do afastamento entre as pessoas, o que ele acredita ser ruim para o relacionamento forte e real que precisa existir entre os seres humanos. O texto é relativamente curto, embora um pouco subjetivo e procura demonstrar que é preciso controlar o egoísmo que naturalmente existe nos representantes de nossa espécie. Apesar da complexidade do assunto, acredito que o artigo possa servir como boa fonte de reflexão para pensarmos juntos num mundo melhor, com humanos melhores. Leiam o texto e digam o que acharam do mesmo.


Externalidades e Hipocrisia

É claro que todo mundo tem problemas e que esses problemas lamentavelmente são pouco significativos para os outros, porém certamente os problemas são fundamentais para as pessoas que os têm. Assim, quase ninguém tem tempo efetivo para os problemas dos outros, haja vista que cada um está olhando para dentro de si mesmo, preocupado com seus próprios problemas. Quer dizer, de uma maneira geral, as pessoas só se preocupam consigo mesmas e seus respectivos problemas (umbigos), mas é óbvio que existem alguns seres humanos raríssimos, ilustres e quase santos que fogem a essa regra, como Madre Teresa de Calcutá, só para dar um exemplo. Mas, não é desses seres humanos especiais como Madre Teresa que eu quero falar. Vou me referir aos humanos comuns. Todos nós, meros seres humanos comuns, apesar de convivermos sistematicamente com outras pessoas, na verdade não conhecemos direito esses outros seres humanos que estão ao nosso lado e na verdade, parece que não queremos mesmo conhecê-los. Quando muito, nós temos apenas e tão somente uma visão externa, superficial e muito pouco abrangente das demais pessoas a nossa volta, salvo raríssimas exceções, como é o caso de pessoas mais próximas e importantes que nos surgem pelos mais diversos motivos e situações, como os pais, os filhos e aqueles amigos mais chegados. Quer dizer, de maneira geral quase todos nós somos bastante desconhecidos de nós mesmos, pois temos uma visão caolha dos outros com quem convivemos e ao mesmo tempo somos naturalmente falsos e hipócritas com os problemas dos outros, com os quais ladinamente fingimos nos preocupar. Não fazemos isso por mal. Na verdade, nós não participamos da vida das outras pessoas, porque estamos muito envolvidos com os nossos problemas e não temos tempo e nem nos damos o direito de conhecer o outro plenamente. Isso não bom e nem é ruim, esse fato é apenas natural, pois essa é uma característica muito marcante de nossa espécie. É duro ter que admitir, mas somos naturalmente uma espécie egoísta e o pior é que essa característica parece ter sido de significativa importância para a nossa evolução, mas essa é outra questão que não cabe ser discutida neste momento. Por outro lado, já que temos consciência desse fato, não podemos, de maneira nenhuma, deixar transcender o limite do possível e utilizar o nosso egoísmo natural como forma de prejudicar outros indivíduos deliberadamente e assim acabar prejudicando toda a nossa espécie. Somos indivíduos, mas temos que pensar como espécie, porque do contrário caminharemos muito rapidamente para a nossa extinção, haja vista que o egoísmo exacerbado de alguns indivíduos pode comprometer todo o grupo social. Essa é realmente uma situação complicada e difícil de entender. Temos que pensar como indivíduos para sobreviver, o que é fundamental para qualquer indivíduo, mas, em contra partida, temos que agir de forma que a nossa sobrevivência não afete a sobrevivência dos demais seres humanos do planeta. Como resolver esse impasse íntimo? Os “grupos sociais fortes” (coesos e melhor identificados) tendem a superar significativamente essa barreira e as pessoas, nesse caso específico, costumam se conhecer melhor e assim convivem bem e são mais francas e reais entre si. Nesses grupos é que encontramos aquilo que se convencionou denominar de altruísmo, embora dificilmente haja um altruísmo puro nos indivíduos da espécie humana. Aqui observamos e encontramos os companheiros, os camaradas e mesmo os grandes amigos da humanidade, mas ainda assim não é muito comum encontrarmos naturalmente esses “grupos sociais fortes”. Parar ilustrar o que estou tentando dizer, tomemos, por exemplo, o ambiente de trabalho, que é um grupo social onde as pessoas convivem e algumas até se relacionam muito bem. Nesse tipo de ambiente, seja ele qual for, cada um de nós, convive diuturnamente com uma infinidade de pessoas, mas não conhecemos, de fato, quase nenhuma delas. Nós apenas identificamos algumas de suas características externas e suas peculiaridades mais chamativas, o que eu vou chamar aqui de “externalidades”. Muitas vezes nós somos obrigados a emitir conceitos e pareceres sobre essas pessoas que não conhecemos direito e que são nossos colegas de trabalho. Exatamente nesse momento, surge a falsa impressão, a opinião, o palpite e muitas vezes a mentira, pois estamos falando daquelas pessoas que deveríamos conhecer, mas que na realidade não sabemos direito quem são. Desta maneira, acabamos por nos tornar hipócritas, desonestos e levianos. Julgamos as pessoas apenas e tão somente por “feeling” ou por “ouvir falar”, pois não conhecemos seu interior, suas vontades, seus pensamentos reais e muitas vezes não conhecemos, nem mesmo, suas opiniões e as possíveis ações que manifestariam nas mais diversas situações do cotidiano. Pois então, nos mais diversos grupos sociais acontece a mesma coisa que foi citada acima. As pessoas lamentavelmente julgam as outras a partir de pareceres e de “externalidades” que ouviram dizer, mas que na realidade não têm como comprovar. Vivemos num mundo de mentiras, onde é comum os filhos não conhecerem pais e vice-versa, irmãos não conhecerem irmãos e amigos não conhecerem amigos. Quer dizer, na verdade, muitas vezes não existe parentesco além da genética e nem afinidade social real entre essas pessoas, que se suportam ou se aturam e assim convivem por mera formalidade ou por pura contingência, graças exclusivamente às suas “externalidades”. Os laços afetivos são fracos e se originam de aspectos externos e pouco efetivos. Infelizmente o mundo moderno está cada vez mais constituído assim, através de conexões informais, frágeis e quebradiças, que não nos permitem saber efetivamente quem é o outro com quem convivemos cotidianamente. Não participamos da vida dos nossos mais afins e por isso mesmo, em dado momento, a relação (conexão) se rompe e já não temos mais aquele vínculo social. De fato, essa conexão nunca existiu, porque ela sempre foi superficial e externa. O comportamento humano precisa mudar para ser mais íntimo, mas real e menos externo. Precisamos conhecer realmente as pessoas com as quais convivemos e nos relacionamos. Precisamos saber efetivamente quem é o outro ao nosso lado. Estamos em tempo de INTERNET, de mundo virtual e desta maneira a situação ideal está ficando cada vez mais difícil de ser conseguida, porque estamos nos afastando sempre mais dos outros humanos e estamos tornando as conexões físicas progressivamente mais fracas. Está na hora de voltarmos a tentar encarar o mundo real, o mundo das pessoas que existem realmente e sairmos do mundo do faz de contas. A INTERNET é uma ferramenta útil e fantástica em alguns aspectos, mas ela não é nem pode ser nada além de uma ferramenta, como muitos têm tentado demonstrar. O mundo virtual não existe e nem pode existir mesmo, do ponto de vista físico. As pessoas, estas sim são reais e com elas é que devemos nos preocupar e nos comprometer. Penso que estamos à beira de um abismo e assim as “externalidades” e o nosso egoísmo natural têm crescido progressivamente por conta do “universo virtual” estabelecido pelas redes sociais. Essa situação precisa ser freada para manter a nossa necessidade existencial maior como indivíduos e permitir a continuidade planetária de nossa espécie. Temos que acabar com a hipocrisia e criar conexões embasadas em valores afetivos e morais mais fortes entre os humanos do presente, porque somente assim iremos garantir a humanidade do futuro.

Luiz Eduardo Corrêa Lima 

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