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15 set 2026

O bom e necessário hábito de ler

Resumo: Nesse artigo é feita uma abordagem histórica do envolvimento dos jovens brasileiros com a leitura, sendo discutido o porquê do hábito de ler, tão comum em outros países, ter passado a ser sem nenhuma importância no Brasil. A culpa do fato é atribuída aos governos que se sucederam e não deram o devido valor à Educação. A correção dessa falha e a mudança devem começar pelo voto nas eleições.


Confesso que, quando menino, eu não gostava muito de ler. Porém, diferentemente da garotada de hoje, apesar de pouco gostar, eu até lia bastante. Todavia, se comparado aos meus exemplos em casa, ainda era muito pouco, porque minha avó paterna era livro maníaca e meu pai, um verdadeiro devorador de livros. Eu era um menino que se ocupava muito da leitura, mas meu pai e sua mãe liam absurdamente além de mim.

Aliás, é curioso que os irmãos da minha avó, meu tio e minhas tias, também liam muito. E minha tia, irmã de meu pai, era outra viciada em ler. Engraçado que cresci imaginando, absurdamente, que o interesse pela leitura também poderia ter um componente genético, ao menos, na minha família. E, mais interessante e que, graças a Deus, meus filhos também desenvolveram o mesmo hábito.

Hoje os pedagogos modernos entendem que a criança só deve ser alfabetizada entre os 6 e 7 anos de idade, quando estiver cursando o primeiro ano do Ensino Fundamental. Quando ingressei na escola, aos 6 anos, já sabia ler. Havia aprendido em casa entre os 4 e os 5 anos, pela ação dos meus pais sob orientação particular.

 Não quero contrariar a Pedagogia, nem me vangloriar ou me considerar melhor que qualquer pessoa. Porém, naquela época era comum, ao menos na cidade do Rio de Janeiro, que as crianças aprendessem a ler ainda com pouca idade, começando o processo em casa.  Contudo, devo dizer que minhas duas filhas e meu filho aprenderam a ler de acordo com os preceitos da nova Pedagogia, da qual não tenho nada a reclamar, haja vista que todos são exímios leitores e escritores.

Quando menino, li basicamente todos os clássicos das histórias infantis. Depois, um pouco mais crescido, iniciei as leituras mais robustas, como Vinte Mil Léguas Submarinas, Moby Dick, Dom Quixote e os Contos de Edgar Allan Poe. Durante a puberdade e a juventude, foi o período de leitura da ficção de Arthur Clarke e Isaac Asimov. Ah! Eu ia me esquecendo! Sempre li muitos gibis também, como Fantasma, Super-Homem e Cavaleiro Negro – meus preferidos. E Flash Gordon, embora nunca tenha achado muito legal.

Por influência da Igreja Católica e da minha avó materna – portuguesa e super devota –, li sobre a vida de vários santos, pois ela me trazia. Não me lembro de todos, mas certamente sobre a vida de São Francisco, São Lucas, Santa Bernadete, Santa Cecília, Santa Tereza, São Paulo, Santa Catarina e São Cosme e São Damião. Eram revistas sobre a vida dos santos, um formato que desapareceu. Aliás, estava me esquecendo de dizer que, durante minha infância, pude ler quase todas as histórias fabulosas de Hans Christian Andersen.

Obviamente, também li sobre todos os personagens de Walt Disney e, a propósito, meu preferido sempre foi o Pato Donald. Quando foi publicada a primeira Revista da Turma da Mônica, fui à banca de jornais, comprei, li e não gostei. Mas, ainda assim, li vários exemplares. Nessa época eu tinha entre 14 e 15 anos, portanto já me interessava por literaturas menos infantis. Hoje, tristemente, os gibis quase não existem mais.

Na faculdade, além das minhas obrigações voltadas à formação profissional, li os (já aqui citados) autores de ficção e quase tudo o que encontrava sobre humor. Lembro-me de ter adquirido todos os volumes de As Anedotas do Pasquim, os livros do Chico Anísio e do Carlos Eduardo Novaes, os textos e livros do Juca Chaves e do Jô Soares e tantos outros. Enfim, ainda era pouca leitura, se comparada à do meu pai e à da minha avó, mas era significativa e estimulada por meu pai, que sempre me trazia mais livros e sugestões de leitura. Na verdade, eu não lia mais porque escrever era, para mim, mais importante. E podem acreditar, desde menino eu já escrevia bastante. Produzi poesias, letras de músicas, piadas e pequenos contos.

Meu pai e sua mãe tinham outro vício: fazer palavras cruzadas! Nisso, certamente, eu não só copiei o hábito deles, como acredito ter superado ambos. Desde menino até hoje, sou viciado em palavras cruzadas. Naquela época havia competições entre escolas, bairros, cidades e até mesmo entre estados e países. Nunca participei das grandes competições, mas venci muitas das locais.

Em suma, com o estímulo de meu pai e minha avó, eu sempre fui freguês de livrarias, bancas de jornais e bibliotecas. Na faculdade eu era um “rato de livrarias e de bibliotecas” e já pensava na minha carreira como futuro Biólogo e Professor. Porém, hoje as bancas de jornal praticamente foram extintas, as livrarias físicas são raras, as pequenas bibliotecas praticamente acabaram, e as grandes bibliotecas funcionam mais como museus, devido aos seus grandes acervos, do que efetivamente como lugares de leitura.

Mas, por que estou falando de minha vida quando jovem e das coisas que eu lia? Porque hoje, o hábito de ler praticamente não existe mais. Infelizmente, a maioria dos jovens não tem interesse na leitura e, assim, o hábito de escrever existe menos ainda. Como quase ninguém lê, pouca gente desenvolve a escrita, que se limita a siglas e abreviações absurdas e muitas vezes sem nenhum sentido ou necessidade. O ser humano está emburrecendo aqui no Brasil e acredito que isso, talvez, esteja acontecendo no mundo todo.

Parece que a humanidade está se esquecendo de que Voltaire, no início do século XVIII, nos ensinou que “a leitura engrandece a alma” e, deste modo, talvez a leitura seja “o melhor caminho para o céu”. Isso mesmo, eu acredito que, sem leitura, não se caminha para a felicidade. Pois é, meus amigos, muitos dos seres humanos têm preguiça de ler e, em consequência disso, não sabem escrever nem conseguem raciocinar direito. Ou seja, a vida desses seres humanos deve ser um inferno!

Ainda pior, o governo brasileiro, historicamente, tem dado o maior apoio a essa situação, quando não faz absolutamente nada para impedir que a avalanche de ignorância se amplie. Também pudera, com o nível dos exemplos que temos nos cargos públicos, mormente os eletivos, onde qualquer idiota pode tomar assento, desde que receba os votos e seja eleito. Pois é, somos responsáveis pelo inferno coletivo que se estabeleceu no país, já que todos nós votamos nesses cargos.

Contudo, se não bastassem os políticos, também há muita pobreza linguística nas letras das músicas, que antes eram verdadeiras obras de literatura e que, atualmente, não passam de textos abjetos e promíscuos, sem nenhum valor intelectual ou mensagem de conotação significativa e efetiva. Realmente, sem leitura, tudo fica muito difícil. São jornalistas e atores que falam e escrevem errado e muitos que não entendem o que falam, apenas decoram frases e textos. E vai por aí.  A coisa está muito feia. Todavia, tem gente que acha que está tudo bem.

Para muitos, tanto faz, desde que a comunicação seja feita e entendida, ainda que erroneamente, tudo está valendo. Não há controle, porque todos erram e assim o erro vira acerto e vamos em frente, que atrás vem gente. Aliás, como não há controle, em certo sentido, real e, tristemente, não há nenhum erro. Quem sofre é a nossa língua pátria. A língua portuguesa não é apenas “a última flor do Lácio, inculta e bela”, como disse Olavo Bilac. Mas, agora, está realmente ficando burra e feia porque é mal falada e não é escrita corretamente.

Meus amigos, está faltando leitura e a situação já chegou às raias do absurdo. Antes, costumavam ser os mais pobres e humildes que não sabiam ler e, assim, também não sabiam escrever. Mas hoje a situação é generalizada e quase ninguém está nem aí para a língua portuguesa. Os pobres e humildes ampliaram a condição de falar e escrever erradamente e os ricos criaram línguas novas – o “pseudoinglês”, o “internetês”, o “whatsappês”, o “quase português”, o “comediantês” – todas com vários sotaques. E, ainda, existem inúmeras “línguas tribais” por aí que, embora tribais, fogem bastante do português, do “nheengatu” e mais ainda – do tupi.

Quero dizer, essas “novas línguas” nada têm a ver conosco. Ou melhor, talvez tenham a ver com alguns “brasileiros” desinteressados pelo Brasil e pela sua gente. Uns “brasileiros” que estão apenas preocupados com o dinheiro fácil, que podem ganhar iludindo inúmeras pessoas humildes e de boa-fé. O lugar desse tipo de “brasileiro”, que usa outros para roubar, deveria ser a cadeia e não os cargos políticos e administrativos do país.

Estudar o português mesmo, que é bom e necessário para o crescimento intelectual, “neca de pitibiriba”, haja vista que quase ninguém conhece, realmente, a língua. A propósito, até as nossas expressões mais chulas e simples foram esquecidas. O português castiço, então, nem pensar que saibam. Os próprios corretores de texto dos programas de computador sugerem mudança das palavras quando você usa um termo pouco conhecido.

Então eu pergunto: por que isso acontece? Quem colocou essa informação no programa? Por que o programa de computador tem que fazer esse tipo de “correção” que, na verdade, está mais para distinção e exclusão de determinadas palavras? Tomara que eu esteja errado, mas penso que seja exatamente para que as pessoas fiquem, cada vez mais, limitadas quanto às suas capacidades argumentativas, como consequência de suas deficiências e limitações linguísticas. Limitar a fluência e a diversidade de termos, evitando novas palavras e impedindo a diversidade de aplicação de conceitos, certamente, também é uma maneira de tentar controlar e dirigir o pensamento da população.

A mesmice dos termos é uma forma de controlar as conversas e assim, de criar discursos únicos. E acho que estamos caminhando muito rapidamente para essa situação absurda, onde se perdem totalmente o direito de pensar, de falar e de escrever com liberdade de expressão e de significado. Meu Deus, onde vamos parar com essas restrições incoerentes e inconsequentes? E há alguns sujeitos que ainda insistem em dizer que vivemos numa democracia.

Como disse Fernando Pessoa: “minha pátria é minha língua”. Se essa é uma verdade, e eu penso que seja, então também acredito que se alguém acabar com a língua, certamente, exterminará a pátria. E me parece que esse seja o projeto de alguns indivíduos. Mas, como disse antes, tomara que eu esteja errado. De qualquer maneira, nós, amantes da língua portuguesa e sabedores de sua importância para todos, não podemos mais deixar que essa avalanche de absurdos linguísticos continue acontecendo.

Precisamos dar um basta nessa situação nojenta que se estabeleceu. Devemos começar votando em gente que tenha a educação da população como meta principal do país e a língua portuguesa como uma prioridade nacional. Chega de idiotas travestidos de políticos, liderados por picaretas, sendo eleitos para cargos políticos. O voto tem que representar a vontade real que temos de demonstrar que o Brasil tem jeito e que esse jeito começa, sobretudo ao investir em educação e respeitar o idioma pátrio.

Incentivemos e voltemos massivamente ao bom hábito de ler, que vem sendo esquecido principalmente pelos jovens, os quais, por óbvio, são os mais necessitados de informação e conhecimento. Consequentemente, eles são também os mais prejudicados. Trabalhemos para fazer com que eles entendam essa verdade, adquiram e desenvolvam o hábito de ler. Lutemos para demonstrar que a leitura pode, realmente, ajudar a transformar a vida das pessoas e, consequentemente, do país.

Nossos jovens necessitam compreender que, guardadas as devidas proporções, ler é tão necessário quanto respirar, comer ou reproduzir. Porém, como ninguém morre se não fizer sexo, ninguém também morrerá por carência total de leitura. Todavia, a pessoa que não desenvolve essas capacidades ficará, por outro lado, pendente e dependente de várias outras questões, além da simples falta de leitura ou de sexo.

Quem não reproduz tem sua vida limitada, em certo sentido, porque jamais compreenderá, por exemplo, a glória de ter um filho. Da mesma forma, como disse Monteiro Lobato: “Quem não lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, ou seja, quem não lê não sente e não percebe e não discute. Quem não lê não vive de fato; apenas segue sobrevivendo enquanto consegue.

Enfim, precisamos compreender que aquele ser humano que não lê é um ser humano como nós, mas que se encontra incompleto e que só será capaz de se completar de acordo com a leitura que adquirir ao longo da vida. A verdade é que o que se come alimenta o corpo, mas é o que se lê que alimenta a mente. Ou melhor, o que se lê enriquece o espírito e melhora a percepção do ser humano. Seres humanos melhores só aparecerão nesse país de picaretas com a leitura e o conhecimento dela oriundos.

Enquanto tivermos no poder políticos que tratam a educação do povo brasileiro como simples diletantismo, sem nenhuma importância e que se orgulham de dizer: “Não tive educação e cheguei aonde cheguei”, não mudaremos essa situação. Se não mudarmos isso, certamente continuaremos fora da realidade. E nossa língua portuguesa, que surgiu nas ruas do Lácio, estará fadada a ser sempre algo que também não interessa aos “donos” do poder.

Senhores, a coisa é séria, pois a modernidade de outros países não afeta suas línguas pátrias. Somente aqui no Brasil os “poderosos” têm esse interesse. Por que será que isso acontece? Antes de votar, pensem nisso também, particularmente se os senhores têm ou pretendem ter filhos, netos, bisnetos e daí para frente. Que país vocês querem deixar para seus descendentes? Tenho certeza de que não sou o único a pensar que as coisas podem ser muito melhores para o Brasil.

Pois então, o respeito à língua pátria e ao conhecimento sobre ela são fundamentais para garantir que o país possa galgar o respeito que precisa ter, mas que, ultimamente, tem sido desconsiderado por vários outros países, tanto mais desenvolvidos quanto menos. Temos que corrigir essa nossa condição de “vira-latas”, que também passou a ser sinônimo de sem brio e sem valor.

Se quem dirige não tem brio e assume essa condição vexatória, esse é um problema dos dirigentes, mas a população do país não pode ser desrespeitada e considerada sem valor, costumeiramente como tem sido, por qualquer outro país, maior ou menor. O pior é que a “caravana passa”, a “banda segue” e tudo continua, como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, a língua pátria se mantém, tristemente, sendo tratada como algo sem valor, com respaldo e incentivo político e administrativo da maioria dos dirigentes nacionais.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (70), é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor, Revisor e Ambientalista.

12 out 2019
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA FORMAÇÃO DO JOVEM

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA FORMAÇÃO DO JOVEM

Resumo: Dessa vez estou aproveitando um texto que escrevi e li num evento que participei recentemente, discutindo sobre a Importância da Leitura na Formação do Jovem. Faço citações e me atrevo a fazer “complementações” em poesias de outros autores, além de criar e também complementar uma poesia a partir de minha própria opinião, sobre o Cidadão Brasileiro e sua relação pessoal com a Leitura.


Monteiro Lobato afirmava que: “um país se faz com homens e livros” e justificava essa sua argumentação dizendo que “a pessoa que mal lê, mal fala, mal ouve, mal vê”. Pois então, meus amigos, penso que Monteiro Lobato tem razão e posso afirmar que “a leitura é fundamental”. Aqueles que não leem, não sabem o que perdem e nem quanto perdem. Não ler é, em certo sentido, deixar de viver como ser humano.

Paulo Leminski, em sua relativamente breve passagem pela vida terrena, quando questionado sobre a leitura disse o seguinte:

Leite, leitura
Letras, literatura,
Tudo o que passa,
Tudo o que dura
Tudo o que duramente passa
Tudo o que passageiramente dura
Tudo, tudo, tudo
Não passa de caricatura
De você, minha amargura
De ver que viver não tem cura.
Paulo Leminski (1944 – 1989, Curitiba)

E eu complementaria:
Mas, existe um remédio,
Que cura, como água na fervura,
Que afaga como carinho na amargura,
E que enobrece bastante toda criatura,
O nome do remédio só pode ser leitura.

Clarice Pacheco, jovem poetisa que morreu com apenas 13 anos, mas que viveu bastante para entender a importância de ler, disse o seguinte sobre “Viajar pela leitura”.

Viajar pela leitura
Sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
Que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
Quem gosta de ler.
Experimente!
Assim, sem compromisso,
Você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
Na imaginação!
Clarice Pacheco (1889 – 2002, Porto Alegre)


E eu, mais uma vez, acrescentaria:
Mas antes faça uma reflexão
E viaje com direção,
Porque a leitura tem ser reta
Firme e com pé no chão,
Seu norte é o conhecimento
E seu porto é a glorificação.

Já Bruno Bezerra, poeta baiano e porreta, nascido em Feira de Santana, resolveu fazer o seu “Tributo ao livro”, ao qual ele mesmo deu o subtítulo de “poeminha do prazer”, afirmando o seguinte:

O sumo prazer humano
Sente o ser que é seduzido
Não apenas pela leitura
Mas, sobretudo, pelo livro
Porque o livro é o corpo
E a leitura, o espírito…
Bruno Bezerra (1977 – Feira de Santana)

E eu, mais uma vez, abusando, ainda incluiria e consagraria:
E o autor do livro equivale ao próprio Deus,
Que inventou e deu vida a criatura.
Criatura que só pode ser traduzida,
Depois de analisada através da leitura.

Enfim, são tantos exemplos e tantas situações em que a gente pode enfocar a importância da leitura, que de repente passa a ser lugar comum, num evento como esse, nós falarmos sobre o tema. Até porque, certamente todos, aqui presentes, são interessados e cientes da importância desse assunto. Entretanto, essa não é a realidade da grande maioria de nossos compatriotas brasileiros, que mesmo sem saber, exatamente porque não têm leitura, sofrem as mazelas dessa terrível lacuna nas suas respectivas formações pessoais.

Penso eu, levianamente, que a grande maioria dos brasileiros se perguntada sobre a importância da leitura diria, mais ou menos assim:

Ler, ler para quê?
O que eu vou ganhar com essa tal leitura?
Serei ao menos capaz de conseguir me livrar da tortura,
De compensar a minha vida de penúria,
E morar com mais prazer e frescura?
De sair do barraco quente em que vivo?
De poder olhar de frente e altivo,
Para aqueles com quem convivo?
De ter minha casa própria e porventura,
Quem sabe até conseguir uma viatura?
Não, eu não quero andar a ler,
Pois tenho mais com que me preocupar,
Tenho mais o que fazer.
Antes ler, eu tenho que viver.
Ler, ler para quê?
Para me enganar sobre aquilo
Que certamente não poderei ter.

E eu, humildemente, mais uma vez, insistiria, dizendo:
Não meu amigo, não é nada disso,
Você está muito enganado sobre a leitura.
Ler, ler, apenas por ler, para ter prazer.
Ler para relaxar, descansar e imaginar,
Ler para sonhar, refletir e discernir.
Ler para melhor entender e escrever,
Ler para crescer, viver e conviver,
Pois basta ler, acreditar e aprender,
Para todo resto começar a acontecer.
Acredite em mim, pois eu sei que:
“O mundo muda, quando a gente lê”.
A leitura é capaz de mudar você.
Você e todo mundo que você vê.
E a mudança é sempre para melhor.
Claro, talvez ela não resolva tudo,
Mas, certamente, o sofrimento será menor.
Aquele que lê, aprende mais e sabe mais.
Mas, ele também reage mais, aceita mais,
Absorve mais, responde mais, discute mais
E, sobretudo, acaba compreendendo mais.
Por que ele se comunica mais,
Porque ele é mais livre e discute mais,
Ele observa mais e percebe melhor.
Assim, a cada leitura, ele se torna maior,
Passa a ser um humano mais capaz de viver
De lutar, de buscar, de amar, de perdoar.
Enfim, de progressivamente se engrandecer.

Meus amigos, o crescimento individual tem tudo a ver com a leitura. O que todo ser humano busca é a felicidade, mas eu quero aqui, deixar claro que somente a leitura, ainda que não garantindo a felicidade de ninguém, pode nos trazer a verdadeira dimensão da felicidade. A leitura cria a verdadeira liberdade individual de pensar e agir de acordo com preceitos pensados e definidos pelo próprio indivíduo. A leitura traz liberdade de opinião e de escolha sobre as diferentes situações.

Cecília Meireles já nos informou que: “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Pois então, meus amigos, quem não lê, não é livre, porque vive diretamente sobre a influência daqueles que leem e que criam as diferentes situações. Muitas vezes, quem não lê, nem consegue sequer sonhar, de tão preso que está aos preceitos impostos pelos seus falsos mentores, ou melhor, dominadores. Quem não lê vive a mercê de manipuladores que induzem as ações a serem tomadas.

A leitura é sobretudo o verdadeiro fim da escravidão e do domínio de uns homens sobre outros. A leitura é única forma de liberdade, portanto leiam, leiam muito, leiam mais, leiam sempre.  As capacidades de escrever e ler são as características mais exclusivas da espécie humana e esses atributos estritamente humano não podem ser deixados de lado por nenhum de nós. Os povos mais antigos e as nações mais evoluídas já sabem disso há muito tempo, mas os brasileiros ainda estão tentando descobrir essa realidade cristalina.

O jovem que lê, certamente será um adulto mais capaz de resolver os seus próprios problemas e os problemas daqueles que estão em seu entorno ou que vivem na sua dependência direta. O jovem que lê será um adulto melhor e muito mais bem preparado para passar pelas mais diversas vicissitudes e vencer as inúmeras dificuldades que certamente vão surgir ao longo de sua vida.

Meus jovens alunos, aqui presentes, eu sou professor há mais de 40 anos e acredito bastante em vocês e quero ter certeza que o Brasil dos próximos anos deverá ser muito diferente do que tem sido até aqui, porque vocês serão adultos capazes de fazer um país melhor. Obviamente isso só começará a acontecer através do investimento pessoal de vocês na educação e na cultura. Aqui no Brasil, temos o mal hábito de esperar que o governo faça tudo por nós, mas eu quero lembrar, mais uma vez, que o ato de ler é um ato individual, que não depende de nenhuma ação do governo.

John F. Kennedy já dizia: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”. Pois então, ler é uma atitude somente sua, de mais ninguém e o Brasil necessita de leitores. Leia e você fará algo de bom para você e pelo seu país. Você pode ler o que quiser, quando quiser e quanto quiser. A decisão é sua, o que pesa nessa decisão é apenas a vontade de cada um.

Estejam cientes que, o ato de ler, a leitura, é a principal arma de educação e de cultura e será esta arma que levará nosso país ao nível que ele merece e vocês, os jovens leitores, deverão ser os grandes responsáveis por operar essa obra de condução do Brasil ao topo. A nação brasileira dos próximos anos será diferente da atual, será realmente livre e será culta, porque será educada e principalmente porque irá ler e aprender mais que o resto do mundo.

Conto com vocês pelo cumprimento dessa tarefa.
Muito obrigado pela atenção.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (63) é Biólogo (Zoólogo), Professor, Pesquisador, Escritor e Ambientalista; Presidente da Academia Caçapavense de Letras.

Caçapava, 26 de junho de 2019