Tag: meio ambiente

20 mar 2015

A VERDADEIRA QUESTÃO AMBIENTAL

Resumo: O texto desta semana é mais um daqueles textos “velhos”, pois publiquei pela primeira vez em 2005, mas que continua bastante atual, porque praticamente nada mudou ao longo desses 10 anos, no que se refere a população humana no planeta Terra. Ou melhor, mudou sim, mas para pior, porque ampliamos em pelo menos 1 bilhão de pessoas a população do planeta nesse período. Atualizei o texto para o memento e resolvi republicá-lo. O texto faz um relato da situação do crescimento população humana no planeta, como causa principal dos problemas ambientais e da necessidade de que seja desenvolvido algum mecanismo de controle desse crescimento.


A VERDADEIRA QUESTÃO AMBIENTAL

No dia 05 de junho de 2015, estaremos comemorando 43 anos do “Dia Internacional do Meio Ambiente”. Depois de, pelo menos, 3.000 anos fazendo somente coisas erradas, descobrimos, há apenas 42 anos atrás, que existe uma questão ambiental e que precisamos cuidar bem do único planeta que temos e de onde tiramos tudo o que usamos. Entretanto, é bom que se diga que o principal problema na questão ambiental que hoje estamos vivenciando não é, de forma alguma o aquecimento global, ou mesmo o desmatamento das florestas tropicais, ou ainda a poluição hídrica, ou atmosférica ou edáfica. Essas são meras consequências do único e grande problema que existe. O problema ambiental crucial é o crescimento descontrolado e absurdo da população humana sobre o planeta, porque é desse aspecto que decorrem todos os outros problemas ambientais.

Nossa espécie tem sido de uma eficiência reprodutiva tremenda, pois com todas as guerras, com todas as catástrofes, com todas as doenças e com todos os flagelos que a humanidade tem sofrido ao longo da história, nossa população nunca parou de crescer e nos últimos anos esse crescimento foi vertiginoso. Como uma bola de neve, o crescimento populacional da humanidade tem impulsionado os demais problemas ambientais, os quais, consequentemente, também crescem sem parar e estão cada vez mais difíceis de serem controlados. O planeta, por sua vez, tem nos avisado que não suporta mais, através da ocorrência de catástrofes cada vez maiores.

O aumento da população humana faz com que haja necessidade de aumentar a retirada de recursos naturais, aumenta a necessidade de espaço para os humanos e suas tarefas, aumenta a quantidade de resíduos, aumentando também a poluição e a degradação ambiental, além de várias outras coisas que prejudicam o meio ambiente global, danificando o planeta, extinguindo espécies e diminuindo a qualidade de vida da humanidade. Em suma: “não é possível controlar a degradação ambiental se não tivermos uma detenção no crescimento populacional da humanidade”.

Se fizermos uma revisão histórica e observarmos o que aconteceu com a curva do crescimento populacional humano, veremos que, para atingir o primeiro bilhão de humanos sobre o planeta foram necessários milhares de anos, pois isso ocorreu desde o início dos tempos humanos até aproximadamente o ano de 1750, coincidindo exatamente com a I Revolução Industrial. Para atingir o segundo bilhão, levou cerca de 190 anos, desde 1750 até mais ou menos o ano de 1940. Desta última data até o ano 2000, ou seja, em apenas 60 anos, atingimos a magnífica e assustadora marca de seis bilhões de humanos sobre a Terra. Quer dizer, levamos quase toda a história humana para atingir um bilhão, menos de duzentos anos para dobrar o bilhão e pouco mais de 50 anos para triplicar os dois bilhões e atingir a marca de seis bilhões e hoje já superamos os sete bilhões.

Não parece possível, mas alguma coisa tem que estar errado com a taxa de fecundidade de nossa espécie e com sua capacidade tão profícua de se reproduzir. Na natureza, não é comum uma população crescer tão rápido e as poucas que assim fazem, também decrescem muito rapidamente e não sobrevivem por muito tempo. Ou seja, a extinção chega muito rápido para essas espécies, exatamente porque elas esgotam os recursos à sua volta muito rapidamente.

Até onde iremos chegar? Até quando o planeta nos aguentará? Será possível reverter esse quadro? E se não for, o que faremos?

A situação e o momento que estamos vivenciando são, de veras, preocupantes, e não temos, efetivamente, produzido nenhuma resposta concreta para nenhuma das perguntas anteriores. Entretanto, não é esse o pior problema. A questão maior é que o tempo passa e continuamos coletivamente a não fazer absolutamente nada sobre a situação.

Tirando uns poucos cientistas e ambientalistas que vira e volta lembram do problema, ninguém mais discute e nem diz nada sobre esse tema. Parece haver um grande tabu, quanto ao crescimento populacional humano. Os governos, a sociedade civil e as instituições (principalmente as religiosas), não parecem estar preocupados com o assunto e continuam indiferentes ao problema. Todos falam da necessidade de resolvermos a questão ambiental, porém ninguém faz menção ao crescimento populacional, que precisa ser atacado e assim, nada acontece. Seguimos como se nada pudesse nos acontecer.

Enquanto a gente continuar se preocupando apenas com os efeitos produzidos pela degradação ambiental contínua e não nos detivermos e investirmos em nenhuma ação efetiva contra a causa primária, que é o crescimento populacional, não haverá como resolver os problemas ambientais. Quer dizer, tudo o que se fizer, será sempre paliativo. Estamos trocando seis por meia dúzia. E no fim o resultado é sempre zero. Ou melhor, na verdade, o resultado é sempre negativo, porque o empate, nesse caso, é uma derrota, haja vista que a degradação sempre acaba aumentando.

A ONU e todas as nações do mundo devem conduzir uma grande discussão internacional sobre a temática dos males produzidos pelo crescimento populacional desenfreado da população humana e sobre a necessidade de serem produzidos mecanismos que promovam o controle da natalidade. Esses mecanismos deverão ser viabilizados o mais rápido possível. Acordos internacionais são prementes nessa área e hoje, já virão com grande atraso.

O planeta que hoje abriga, além de toda a diversidade biológica (cerca de 20 milhões de espécies vivas), mais de sete bilhões de humanos e cujos recursos naturais já estão, em várias situações, quase totalmente exauridos, não suporta mais. A continuar assim, com esse crescimento populacional humano desenfreado e absurdo, o fim estará próximo, pelo menos para nós, humanos e talvez para todo o planeta. A Terra não suportará mais uma dobrada da população humana, nos próximos 30 a 50 anos.

Olhe para o seu lado e tente imaginar que a quantidade de tudo o que você vê (exceto de recursos naturais que já deverão ter se exaurido totalmente), daqui a 50 anos estará, no mínimo, dobrada. Ou seja, onde você está agora, existirão duas pessoas com todas as necessidades humanas que você tem, daqui a 50 anos. Acho que fica muito claro, que, por uma questão física, isso não vai ser possível.

Urge que alguma coisa seja feita para impedir o colapso que nos espera. É preciso que a sociedade como um todo e principalmente certos segmentos religiosos, caiam na realidade e parem de fazer devaneios e acreditar em milagres, pois efetivamente, pelo menos nessa questão, eles não existem. O mundo é físico e não metafísico e o que não cabe no mundo físico não pode ser discutido, por uma simples questão de sobrevivência humana.

A verdade física está na Lei de impenetrabilidade da matéria que diz que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo” e sendo assim, não há como colocar mais humanos no planeta sem tirar outras coisas dele. Lamentavelmente, o planeta não cresce como a população humana. Nessa escalada, haverá (talvez, já esteja havendo) um momento em que faltará um dos dois, ou seja, ou faltam humanos ou faltam as coisas que os humanos e as demais criaturas vivas do planeta tanto necessitam. No caso em questão, algumas coisas já estão faltando há muito tempo para alguns humanos.

Sendo assim, o crescimento da população é, indiretamente, também o seu extermínio, pois a competição entre nós e as demais criaturas da Terra é cada vez maior e para sobrevivermos estamos sempre destruindo alguma coisa, até mesmo outros humanos. Ao invés de nos destruirmos, certamente será bem melhor mantermos a medida devida do equilíbrio para nós e para o planeta. O tamanho de nossa população parece já ter chegado nesse nível satisfatório e não deve crescer mais para o bem da Terra e de toda a humanidade.

Como espécie biológica só buscamos a nossa manutenção no planeta e, nesse sentido temos que tentar sobreviver a qualquer custo. Mas, por outro lado, como seres humanos, buscamos a felicidade e para tanto precisamos refletir e avaliar o que temos feito com o planeta, pois não poderemos ser felizes sem a nossa casa, a única que temos, o planeta Terra.

A maneira correta de mantermos o meio termo entre a nossa condição de ser biológico (natural) e a nossa condição de ser humano (social) é controlando o tamanho de nossa mancha populacional e o uso de tudo o que precisamos para nos manter vivos no nosso planeta azul. O Desenvolvimento Sustentável e a Sustentabilidade que tanto se fala, não são possíveis sem o controle do crescimento da população humana no planeta.

O planejamento familiar deve ser item prioritário nas pautas das reuniões dos governos e também deve ser matéria obrigatória nos programas de Educação. A Educação Ambiental, hoje tão em moda, deverá tratar a questão da reprodução humana e do planejamento familiar da maneira mais objetiva que puder, ressaltando as consequências desagradáveis e maléficas do aumento da população humana no planeta.

O mundo precisa saber que não podemos mais reproduzir indefinidamente, pois há um limite de suporte para a Terra. A imprensa precisa trabalhar essa questão da forma mais agressiva possível, para que as pessoas tomem consciência do que significa cada ser humano a mais no planeta.

No passado errávamos porque desconhecíamos, mas hoje, não há mais porque errar. Somos cientes dos males que produzimos ao planeta e a humanidade e quanto maior for a população humana maior será esse mal, até o momento em que entremos numa situação irreversível. Até aqui, só extinguimos prematuramente outras espécies, mas ao que parece, ainda não estamos satisfeitos e caminhamos para causar também o fim prematuro da espécie humana.

Apenas uma espécie nesse planeta é capaz de julgar os seus erros e modificar suas ações conscientemente. Se nós humanos não nos lembrarmos desse fato e se não quisermos, efetivamente, mudar a realidade das coisas, dificilmente o Homo sapiens sobreviverá.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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11 mar 2015

Cordel da Falta d´água na Bacia do Rio Paraíba do Sul

Resumo: O texto desta semana é um Cordel, que procura contar o que está acontecendo com a situação da água na Bacia Hidrográfica do Vale do Paraíba do Rio Paraíba do Sul e que propõe, numa linguagem clara e simples, como é típico na Literatura de Cordel, algumas sugestões do que pode ser feito para minimizar ou mesmo para resolver os problemas estabelecidos. Por outro lado, a história da Bacia Hidrográfica e da região do Vale do Paraíba do Sul, além da fé e da religiosidade da população valeparaibana também são trazidas à baila e demonstradas no texto.


 

Cordel da Falta d´água na Bacia do Rio Paraíba do Sul

Cadê a agua que vinha de riba e que descia pelo Paraíba? Cadê a água que vinha do alto e que corria pelo rio abaixo? Cadê a cheia das represas que sobrava nas barragens a mil? Cada a água de Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil? Onde está a água meu Deus? Por que será que ela sumiu? E agora que a água se foi, Para acabar de vez com a festa, Querem levar o que resta a outras paragens, outro local. Querem mandar para ribeira, fazendo subir pela Cantareira para abastecer a capital. Mas, e nós, donos da água, daqui na nossa terra natal, vamos ficar na seca total? Acho que isso não é legal. E mesmo que seja legal, certamente será imoral. Não faz sentido, eu lamento, tirar nossa alimento e sustento, trocando as águas com o tempo, deixando nosso povo ao relento. Povo que segundo a história, na passagem de muitos anos, ajudou o Brasil e sua glória. Da travessia para as alterosas, subindo ao topo da Mantiqueira, para encontrar pedras preciosas, chegando à produção cafeeira, a grande projeção brasileira, até o desenvolvimento industrial, hoje a maior riqueza regional. No que se refere a água, fazemos mais que a obrigação, doando parte dessa riqueza para gente de outra população, que segue pouco mais adiante, rio abaixo e a montante, lá no estado do Rio de Janeiro, outro grande estado brasileiro, cuja capital e cidade principal, também foi a capital Federal. No passado, naquela cidade, por sina, por vontade divina, ou apenas pura infelicidade, a falta d`água era quase total e seu solo era puro sal. Não fosse nossa colaboração, dando água àquela população, talvez toda a beleza e grandeza, daquela imensa cidade não pudesse existir de verdade. Mas, com o Rio Paraíba, nossa inteligência e prudência e também  com nossa bondade tiramos a capital da carência, com água e vida em qualidade. Nosso Vale da água abençoada, onde apareceu a famosa Santa, que apadrinha e protege o país, Aparecida, que nos encanta, e que nos torna mais feliz. A Santa que surgiu do rio, das águas Paraíba do Sul e hoje, coroada como rainha e vestida em seu manto azul, protege o Brasil de Norte a Sul. É essa água de origem mágica, o nosso manancial sagrado, que hoje está mal tratado, por desleixo, por descaso, falta de atenção e de zelo. Essa riqueza abençoada, agora está desaparecendo. Toda a Bacia do Rio Paraíba está carente e empobrecendo. A vida na região vai perecendo apesar do rio, da Santa, de nosso apelo e lamento. Esquecemos nossa missão relevante, compromisso com o futuro adiante, não cuidamos das fontes d`água, secamos muitas das nascentes, criamos situação preocupante para nós e para muita gente. Agora temos que rezar à Santa, para que ela apareça de novo e com sua força que é tanta, traga água para o povo. Nossa Santa forte e de luz, Aparecida, a mãe de Jesus, de certo nos devolverá nossa paz e o bem viver, porque a água voltará a verter. Fiquem atentos porque em breve, a nossa Bacia vai renascer, a água vai voltar a jorrar e correr e as represas de novo vão encher. Certamente não faltará água, pois Nossa Senhora vai interceder. E mesmo com nova transposição, a água seguirá abundante, e o Paraíba seguirá rumo adiante, indo atravessar o Rio de Janeiro, fertilizando aquele estado inteiro, até chegar na foz, em Atafona, onde o Atlântico lhe espera, e ele completa seu eterno ritual. Gradualmente o Paraíba se encerra, vai descansando devagar e pontual. Além de sua água milagrosa, leva o brio e força de homens e de mulheres belas e valorosas do vale a quem empresta o nome. Gente que conhece suas águas, sabem que elas são poderosas, que nunca vão parar de correr e muito menos de existir, muito embora, algumas vezes, novamente, até possam diminuir. Mas esse será apenas um recado. lembrete de Deus e da Santa, para a gente não se esquecer do rio que nos viu nascer. Cuidemos bem do Rio Paraíba e ele seguirá cuidando do Brasil, Cuidemos mal do Rio Paraíba e não haverá mais água por aqui. Nem aqui, nem na capital estadual e muito menos na ex-capital federal. Não haverá água nas represas, nem Paraibuna, nem Santa Branca, não haverá nem mesmo a pretensa transposição, do Jaguari para a Cantareira e isso soará como brincadeira. Assim, a água não chegará nem perto do lago de Funil. Todo cidadão no Rio de Janeiro de outra fonte dependerá, se quiser encher o seu cantil. Se não guardarmos toda a Bacia, qualquer coisa que se queira fazer, será apenas mais especulação, porque a água irá desaparecer e não haverá nenhuma solução. Para guardar a Bacia Hidrográfica Serão necessárias várias medidas. Manter a flora, com plantas nativas, reflorestando todas as nascentes e margens das águas correntes, controlando a erosão nociva, impedindo o desbarrancamento e controlando o assoreamento. Preservar e proteger as vertentes, garantindo o não secamento. Tratar o esgoto doméstico e industrial, evitando a poluição hídrica geral. Não usar os venenos e tóxicos, que vão se acumulando no solo, degradando todo seu potencial, exterminando os microrganismos, desertificando alguma área regional. Minimizar a poluição da atmosfera, limitando as fuligens e o metano, controlando a taxa de ozônio, óxidos de enxofre e nitrogênio, e do perigoso monóxido de carbono. Assim, melhorando o ar e garantindo nosso oxigênio. Diminuir os gases do efeito estufa, principalmente o gás carbônico, que além de causar poluição aérea, também interfere no clima total, e que hoje é causa mais séria do terrível aquecimento global. Acabar ainda com os particulados, Que há muito têm se acumulado E que causam preocupações Ao ambiente em geral, pois caem do ar sobre o chão e se acumulam por gerações, ou então correm para as água, causando mais poluição. Sigamos pois, nossa obrigação, cuidemos da Bacia inteira e auxiliemos a nação brasileira, pois Nossa Senhora Aparecida, lá do alto está nos vendo e podem estar certos que ela, com muito amor e paixão, seguirá sempre nos protegendo. Diante dessa clara situação, não faltará água à população e sobrará amor no coração, para superar outras crises e reverter qualquer situação.

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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06 mar 2015

A Ocupação e a Preservação do Vale do Paraíba: Ontem, Hoje e Amanhã

Resumo: O texto desta semana faz uma comparação entre o passado, o presente e o que se espera para o futuro de nosso Vale do Paraíba, considerando a situação que se produziu, ao longo de sucessivos erros no processo de ocupação do espaço regional. Fica claro que a região ainda pode atingir alto grau de desenvolvimento sustentável, entretanto tudo dependerá das ações políticas ambientais que forem tomadas, principalmente agora que compomos uma região metropolitana. Essas ações têm que seguir critérios rígidos de ocupação visando a sustentabilidade do Vale do Paraíba. Por outro lado, é fundamental que as posições assumidas e as posturas tomadas na região não sejam ações isoladas, porque há necessidade de que essas ações sejam promovidas, divulgadas e se possível multiplicadas por outras regiões, a fim de que se possa vislumbrar e tentar garantir cada vez mais a sustentabilidade ambiental planetária.    


A Ocupação e a Preservação do Vale do Paraíba: Ontem, Hoje e Amanhã

Meu objetivo nesta palestra é tentar fazer uma comparação entre a situação ambiental existente no Vale do Paraíba, desde antes da chegada do homem branco até os nossos dias e, a partir disso, fazer uma projeção para a situação futura que poderemos esperar para a região. Farei na verdade uma viagem no tempo, tendo como base o Vale do Paraíba e colocarei aqui o meu sonho de futuro, não apenas para o nosso Vale, como também para todo o planeta Terra. Espero que Deus me ajude no desenvolvimento de minhas ideias e que os senhores possam acompanhá-las e assim, possam compartilhar do meu raciocínio.

COMO ERA O VALE DO PARAÍBA ONTEM?

  1. Antes da chegada do homem branco, cerca de 90% do Estado Primitivo da região do Vale do Paraíba do Sul era composto de Florestas. A Mata Atlântica Primária ocupava a grande maioria das áreas da região, mas existiam algumas áreas abertas de campos e campinas. Obviamente anda não existiam espécies exóticas na região.
  2. A ocupação antrópica era apenas da comunidade Indígena. Até a chegada do homem branco existiam várias grupos de Índios da tribo dos Puris espalhados pela região, desde o que hoje é a cidade de São José dos Campos até Bananal, adentrando por Resende já no Rio de Janeiro, porém todos os grupos continham populações relativamente pequenas.
  3. As Águas estavam em excelentes condições, livres de poluição. Havia grande diversidade de fauna ictiológica. Conta à história que os Puris eram bons pescadores e que a pesca era sua principal fonte de alimento. Além disso, havia ausência total de contaminantes e certamente havia muita luminosidade, muitas algas e muita fotossíntese, o que garantia grande quantidade de oxigênio disponível.
  4. A Fauna e Flora estavam quase que praticamente Intocáveis. As Florestas eram exuberantes e densas, por conta disso podiam abrigar grandes Populações de Animais. As Comunidades Biológicas (Biocenoses) eram ricas e os Ecossistemas naturais eram complexos e com alta biodiversidade.
  5. A Geologia era primitiva e natural, era um retrato da evolução e da geodinâmica que o planeta desenvolveu no local. Isto é, a Formação Geológica do Vale do Paraíba era aquela que a natureza havia desenhado ao longo a Evolução. As Intempéries eram fatores regulados pela própria natureza, que da mesma forma que destruía, também corrigia e reconstruía. Por pior que fosse a catástrofe, o seu limite dimensional era compatível com a resistência natural.
  6. O Solo da região era saudável o suficiente para garantir a vida nos ambientes terrestres e enriquecer bastante os ambientes aquáticos, quando carreado para os cursos d’água. Não havia nenhum tipo de contaminação dos solos e por isso eles eram capazes de manter a vida em qualidade e quantidade.
  7. O Ar era límpido e quase totalmente puro. Não existiam sustâncias estranhas no ar, quando muito uma queimada natural liberava um pouco mais de CO2 e alguma fuligem, mas não existiam outros contaminantes e poluentes químicos.
  8. A Poluição não existia e os Ecossistemas estavam certamente bem equilibrados. Tudo que existia de vivo era consequência do Estágio Clímax Natural das Comunidades Biológicas existentes na região. Não havia nenhum tipo de agente biológico estranho.
  9. A Exploração dos Recursos Naturais era muito pequena. Havia caça e pesca, retirada de rochas e derrubada da mata, mas tudo em doses homeopáticas e pouco significativas. O Impacto Ambiental Antrópico sobre a região, embora já existisse, era praticamente desprezível.
  10. Além de tudo disso, havia tempo e havia espaço suficiente para corrigir possíveis danos ambientais. Mesmo que se produzisse algo de significativo impacto ambiental negativo, existia possibilidade de recuperação natural, porque todos os ecossistemas estavam em condições de se recuperar naturalmente.

COMO ESTÁ O VALE DO PARAÍBA HOJE?

  1. Mais de 90% de áreas naturais degradadas e quase totalmente sem florestas. Pouquíssimas Florestas naturais e grandes áreas plantadas com essências exóticas. Introdução de diferentes culturas agrícolas de diversas origens, além de áreas de pastagem com Brachiaria e áreas de reflorestamento com Pinus e Eucaliptus.
  2. A ocupação foi feita e continua sendo desordenada e sem critério, com a maioria das populações nas margens dos rios, em particular do Rio Paraíba do Sul, calha maior da região e por isso mesmo principal componente da Bacia Hidrográfica. Hoje a população do trecho paulista do Vale do Paraíba é superior a 2 milhões de habitantes. As cidades não crescem, porque a qualidade de vida piora progressivamente, entretanto essas cidades incham sem a infraestrutura necessária para suportar o aumento populacional inconsequente. 3. A Água está extremamente contaminada em vários locais, principalmente por conta do Esgoto Orgânico das cidades, mas ainda com altos padrões de toxicidade química em algumas áreas, inclusive com a presença de metais pesados. Há uma baixa diversidade faunística e florística nos ambientes hídricos. Pouco oxigênio disponível, com a taxa de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) chegando algumas vezes a 0% em vários locais da região. Alguns córregos e riachos que atravessam áreas urbanas estão totalmente mortos. 4. A Fauna e Flora quase que totalmente modificada pela introdução de inúmeras espécies exóticas para os mais diversos fins, muitas das quais já dominaram os ambientes locais e hoje são selvagens, pois se naturalizaram. Florestas pobres e frágeis e pequenas populações animais. As Comunidades Biológicas (Biocenoses) são pobres e os Ecossistemas estão pouco diversificados.
  3. A Geologia mudou tanto fisionômica quanto fisiograficamente. Derrubamos montanhas, abrimos túneis, destruímos pedreiras, retiramos minérios, secamos nascentes, represamos rios, mudamos os cursos de rios, criamos e destruímos lagos, fizemos transposições de águas. Agora mesmo estamos construindo novas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) absurdas na região e discutindo a possibilidade de mandarmos água de nossa Bacia Hidrográfica para a região metropolitana da capital do estado. Por conta desses absurdos, as intempéries agora são extremamente destruidoras e incontroláveis.
  4. O solo está quase totalmente perdido, degradado, compactado, contaminado e envenenado. Os microrganismos que lhe davam vida perderam-se por conta do mau uso e da destruição por conta de práticas agrícolas errôneas e infundadas, que aconteceram ao longo do tempo e que infelizmente ainda acontecem atualmente. Monocultura e Mineração ainda são palavras chaves no pensar de muitos e com isso o processo de desertificação já é realidade em algumas áreas.
  5. A qualidade do ar está bastante comprometida em algumas áreas, principalmente nas imediações das zonas industriais das cidades, onde há locais com grande acúmulo de poluentes atmosféricos, mormente no trecho compreendido entre os municípios de Jacareí e Pindamonhangaba. As chuvas ácidas já ocorrem e o aumento da concentração de poluentes ao longo da via Dutra e nos centro urbanos das cidades maiores, em consequência da fumaça produzida por veículos, já é uma perigosa fonte de doenças respiratórias. Não bastasse isso, somos a maior concentração bélica do país e a Via Dutra é o local de tráfego diário de inúmeras cargas perigosas e ainda por cima estamos dentro dos limites de abrangência de qualquer acidente Nuclear que possa ocorrer nas Usinas de Angra dos Reis.
  6. Hoje, além da poluição, os ecossistemas naturais estão todos desequilibrados, degradados e descaracterizados. Poucos são os remanescentes de áreas naturais e mesmo o ambiente antrópico construído encontra-se em condições precárias à qualidade de vida. A modificação ambiental é extremamente degradante e muitos organismos já se extinguiram precocemente na região.  Os agentes estranhos (poluentes e contaminantes) lamentavelmente estão em todos os ambientes naturais e construídos, muitas vezes em níveis perigosos à saúde e alarmantes ao ambiente como um todo.
  7. A Exploração dos Recursos Naturais quase que exauriu todas as fontes que estão limitadas as Áreas de Preservação Permanente (APP) e algumas Unidades de Conservação Integral e de Uso Sustentável. O Impacto Ambiental Antrópico tem sido danoso, violento e tem causado muitas complicações, a maioria das quais, produziu mudanças irreversíveis sob vários aspectos. Mudamos praticamente toda a natureza da região. 10. Agora não há mais tempo e muito menos espaço para nada. Temos que pensar e fazer o Desenvolvimento Sustentável ou então pereceremos. Não há mais como os ecossistemas se recuperarem por si só. E mesmo com toda capacidade Tecnológica que hoje temos a nossa disposição é impossível recuperar tudo, até porque há coisas que não existem mais. Além disso, também seria impossível para nós, humanos modernos, retroagirmos aos modelos e mecanismos do homem primitivo. Temos que viver e conviver com a realidade que está aí estampada e mudá-la progressivamente para melhor. A qualidade de vida não pode ser diletantismo, ela tem que ser a meta que norteará a construção da nova realidade.

COMO DEVERÁ SER O VALE DO PARAÍBA AMANHÃ?

Não é mais possível retroagirmos e voltarmos às condições primitivas e creio eu que, nós também não queremos e nem devemos de forma alguma pensar dessa maneira, mesmo que fosse possível essa retroação. Ao contrário, nós temos que acreditar no homem, na sua inteligência e no seu poder criador e por isso mesmo, temos que admitir que a mesma Ciência e Tecnologia que nos trouxe ao atual estado de coisas, deverá ser também quem nos permitirá sair dele. Não queremos a volta às cavernas.

Nesse sentido vale a pena lembrar o saudoso Chico Xavier, quando ele disse que: “é impossível voltar no tempo e fazer uma novo começo, mas é possível [e bastante viável] modificar o rumo da história e produzir um fim diferente daquele que se anuncia”. Acredito que nós somos os próprios construtores de nossa história e podemos transformá-la da forma como quisermos.

Sendo assim, acredito que só existem duas formas distintas e bastante antagônicas de imaginarmos o Vale do Paraíba do Sul do futuro: Uma delas, numa visão pessimista e a outra numa visão otimista. A escolha é nossa, pois, como eu já disse, somos, além de atores, também os agentes de nossa história e da história próxima passada desse planeta que nos abriga.

Aliás, sempre é bom ressaltar. A opção sempre foi nossa, pois o homem é a única espécie capaz de mudar parcial ou totalmente a realidade a sua volta e desta forma, também é a única espécie capaz de planejar e desenvolver o seu futuro planetário. Portanto, se há um culpado pelo atual estado planetário, esse culpado é o homem como espécie.

Se nós somos os responsáveis pelos problemas, então também devemos ser capazes de, pelo menos, tentar soluções. Sendo assim, criaremos então os dois cenários para a resolução dos problemas de nossa região.

No primeiro cenário o Vale do Paraíba é parte integrante de um todo maior. Aliás, é uma pequeníssima parte desse todo maior chamado Planeta Terra. Nesse cenário não é possível resolver nada por aqui, se o todo não começar a se resolver também. Qualquer evento isolado é paliativo e não resolve o problema algum, embora até possa minimizar momentaneamente os efeitos do problema. Infelizmente não está parecendo que a maioria dos dirigentes dos diferentes países do mundo esteja pré-disposta a tentar mudar a cara do planeta.

Se até existem alguns humanos que estão propensos a melhorar a qualidade de vida, infelizmente muitos ainda não caíram na realidade ou não querem admiti-la e agem como se nada estivesse acontecendo com o planeta. A preocupação da grande maioria dos humanos continua sendo única e exclusivamente econômica. É de estarrecer, mas infelizmente o dinheiro ainda está acima de tudo na cabeça das pessoas.

Desta forma, não vai adiantar muito fazermos alguma coisa aqui no Vale do Paraíba, porque o planeta parece estar fadado a assumir condições piores e certamente o homem como espécie não sobreviverá a isso. Nem aqui e nem em nenhum outro lugar do planeta. Neste cenário, só nos resta o fim e a extinção compulsória de nossa espécie.

Isso é muito forte e nós, seres humanos sensatos e preocupados com a nossa espécie, não podemos nos dar o direito de nos acomodarmos com isso e de simplesmente esperarmos o fim, como verdade compulsória e única dos próximos e prematuros tempos. Não dá para ficar daquela forma como diz o ditado: “se é inevitável, então relaxe e goze”. Não, mil vezes não! Por mais que se pareça inevitável e irreversível o quadro atual, eu não quero acreditar nisso. Não vou ficar esperando a morte chegar, sem tentar mudar essa realidade. O homem tem que reagir e como eu mesmo já disse e publiquei numa outra oportunidade: “nossa espécie não pode morrer tão jovem, dentro de um universo tão velho” (LIMA, 1995).

Desta maneira nos sobra apenas e tão somente a segunda solução possível, que embora pareça mais difícil, tem que ser aquela que abraçaremos e tem que ser aquela que dará certo e que nos levará a continuar essa caminhada evolutiva pelo nosso planeta azul. Entretanto, só existe um mecanismo capaz de nos permitir a chegada nessa meta. Esse mecanismo denomina-se SUSTENTABILIDADE ou DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Palavra que já está vulgarizada e gasta, mas cujo sentido ainda não foi entendido pela maioria das pessoas que a utiliza. Para somar a mídia ainda reforça progressivamente o conceito errado e ajuda a desinformar cada vez mais as pessoas (LIMA, 2005). Mas, como faremos para chegar à verdadeira Sustentabilidade?

Bom, primeiramente vamos tentar definir o que deve ser entendido como sustentabilidade de maneira mais ampla possível.  De maneira simples a sustentabilidade consiste em garantir um mundo melhor para as gerações que ainda vão nascer e para garantir isso ela está embasada em três aspectos (pilares) fundamentais: o ecológico, o social e o econômico, nessa ordem. Pois então, a Sustentabilidade é por isso mesmo, um negócio extremamente diferente de quase tudo que temos visto até aqui, porque para agir sustentavelmente temos que pensar de outra forma, que é bastante distinta daquela que estamos acostumados a pensar, pois temos que sair do pensamento estritamente econômico. Isto é, o componente econômico até continua existindo, mas ele é o terceiro na ordem de importância.

A sustentabilidade também é algo bastante complexo porque envolve um alto grau de ações, as quais estão relacionadas com todas as atividades humanas produzidas na sociedade e no planeta. Por fim, sustentabilidade e um mecanismo extremamente abrangente porque engloba e interfere em todas as áreas e todas as coisas que o homem como espécie biológica viva atua, tanto no nível natural, quanto social.

Em suma, sustentabilidade é uma atividade que requer uma nova visão de mundo, uma nova Cosmologia e assim exige mudança de Filosofia, de Comportamento e de Conduta nos seres humanos. Na opinião de alguns cientistas a sustentabilidade é algo tão estranho a maioria dos nossos modelos de civilização que acaba por ser utópica, ou seja, é impossível de existir e de aplicar esse conceito genérica e generalizadamente. Entretanto, temos que buscá-la a qualquer preço. Temos que caminhar atrás dessa utopia, pois só ela pode nos conduzir ao futuro e aos dias melhores que queremos dar as gerações vindouras.

Numa visão mais simplista sustentabilidade quer dizer que: precisamos nos tornar um só.

Teremos que nos tornar numa grande colônia que tudo fará para continuar vivendo nesse planeta que nos abriga. Seremos um imenso organismo colonial. Isto é, seremos, a partir de agora, pouco mais de 7 bilhões de humanos agindo e pensando em continuar, em seguir em frente e evoluir, trabalhando efetivamente para que isso seja possível. É claro que muitos organismos da colônia naturalmente irão morrer como acontece em qualquer colônia, mas a colônia como um todo sobreviverá e assim terá continuidade futura. Esse deve ser o nosso objetivo fundamental.

Temos que mudar o nosso pensamento, mas para tanto, temos que acreditar que isso é verdadeiramente possível. Temos que entender que qualquer um de nós é parte de um todo maior e essa será a nossa grande mudança filosófica. O mundo não se esgota em mim, porque eu sou apenas e tão somente uma pequeníssima partícula dentro do universo populacional da humanidade que constrói a grande colônia humana no planeta. O outro, humano ou não, também sou eu, porque eu dependo dele, ele depende de mim e o planeta depende de ambos. O respeito ao outro ser vivo é fundamental, independente de quem seja ele, o planeta depende de sua existência, senão a evolução não teria permitido que ele sobrevivesse.

Temos que sair do egoísmo e esquecer certos valores falsos que nos foram estabelecidos e que infelizmente cultivamos e aprimoramos ao longo da história por várias causas distintas que não cabe serem discutidas aqui. Infelizmente, muitos desses valores estão arraigados ao nosso comportamento. Doravante deveremos pensar, partindo do pressuposto que o único valor real que existe é a vida e todo resto é efetiva e infinitamente menos, talvez nada, importante. Temos que priorizar a vida antes de qualquer coisa.

Concluída essa primeira etapa de pensar diferente, teremos que começar realmente a fazer diferente. Não apenas eu ou você, mas todos nós, seres humanos, teremos que fazer diferente do padrão habitual. Não pode haver divisão e nem interesses diversos no mundo. Praticar aquilo que seja bom para a vida tem que ser a meta da humanidade.

Todos nós teremos que trabalhar bastante para que um novo comportamento humano surja generalizadamente e para que a humanidade pense, queira realmente fazer e faça as coisas de forma diferente e nova, de uma maneira que objetive unicamente a continuidade da vida humana no planeta.

Certamente levará alguns anos para que todos nós possamos nos conscientizar desse fato e partamos para fazer o que tem que ser feito conjunta e coletivamente. Quando esse tempo chegar e ele terá que chegar necessariamente, aí sim é que começaremos a mudar a cara do mundo. Entretanto, sempre haverá algumas caídas e recaídas. Temos que estar atentos a nossa meta e não podemos esmorecer. Alguém já disse que “a carne é fraca”, mas nós teremos que ser fortes o bastante para que, mesmo que alguns busquem o retorno ao atual “status quo”, a maioria de nós não poderá fraquejar. Temos que estar cientes de que só poderemos continuar nossa história evolutiva se seguirmos em frente no novo padrão.

Ao longo do tempo e certamente levará muito tempo, chegará o dia em que finalmente teremos criado todos os hábitos que precisamos ter para garantir nossa existência planetária. Nossa conduta coletiva estará efetivamente mudada para melhor. Isto é, chegará o dia em que a sustentabilidade sonhada deixará de ser sonho e que a utopia terá virado realidade.

Com certeza, isso só dependerá única e exclusivamente de nós.  Talvez, precisemos apenas acreditar mais em nós mesmos e entendermos que é essa crença efetiva que está faltando à humanidade. O homem acreditando cada vez mais no próprio homem.

Como disse Einstein só há duas formas de pensar a respeito dos milagres: “uma é admitir que milagres não existem e a outra é admitir que tudo o que existe são milagres”. Temos que nos apegar de todas as formas e acreditar nessa segunda linha de raciocínio, independentemente do credo que cada um de nós possa ter, deveremos acreditar que os milagres existem e entender que somos os únicos seres capazes de manifestar o milagre maior, que é traçar a nossa existência e o nosso futuro aqui na Terra.

Meus amigos, num seminário sobre sustentabilidade, talvez eu esteja sendo utópico demais em minha fala, mas podem acreditar, eu acho que isso mesmo que está faltando. Falta um pouco mais de utopia para a nossa triste e cruel realidade cotidiana. Jamais conseguiremos mudar a nossa realidade se não sonharmos com essa possibilidade.

Somos seres superiores como verdade biológica, mas, precisamos nos mostrar superiores nos demais ramos de atividade. Temos que ir além da realidade biológica e, pelo que tenho percebido, só o sonho pode nos levar a isso. A humanidade e o planeta Terra nunca dependeram tanto do Homo sapiens quanto nesse momento, em que vivemos uma crise ambiental extremamente perigosa e sem precedentes históricos, mas que muitos de nós, pelas mais diversas justificativas infundadas, insistimos em não acreditar que existe.

Precisamos sonhar e torcer para que tudo acabe bem. Acreditemos nisso, pratiquemos o nosso sonho e programemos o nosso projeto mundial de Sustentabilidade, de Recuperação Física do Planeta e de Atitude Ética dos Humanos, pois só assim é que conseguiremos ser capazes resolver a maioria dos problemas ambientais da Terra e obviamente também do nosso Vale do Paraíba. Porém, o mais importante disso tudo é que só assim, também seremos capazes de salvar a nossa espécie de uma extinção prematura.

Como biólogo, sou ciente de que a extinção biológica é compulsória para todas as espécies da Terra e certamente ela virá um dia para o Homo sapiens. Entretanto, como ser humano, isto é, como indivíduo dessa mesma espécie, eu quero atuar ativamente no sentido de impedir a prematuridade de nossa extinção e tudo farei para tentar torná-la mais tardia que for possível.

Meus amigos, para encerrar, eu devo dizer que: somente nós, seres humanos, agindo juntos, poderemos impedir que essa tendência da extinção precoce se concretize. E quero também lembrar que alguém já disse a seguinte frase: “quando uma pessoa sonha sozinha, normalmente é apenas mais um sonho, porém, quando muitas pessoas sonham juntas um mesmo sonho, está tendo início uma nova realidade”.

Por favor, senhores, sonhem junto comigo.

Muito obrigado pela atenção.

REFERÊNCIAS

LIMA, L. E. C., 1995. A Transitoriedade do Homem, Revista Ângulo, Lorena, (61):4 – 5, jan/fev de 1995.

(Republicado no www.recantodasletras.com.br/autores/profluizeduardo, em 25/04/2009).

LIMA, L. E. C., 2005. Sensibilidade X Ciência e o Papel Fundamental da Mídia, www.vejosaojose.com.br/correalima, 05/07/2005.

(Republicado no www.recantodasletras.com.br/autores/profluizeduardo, em 31/05/2009).

*Palestra proferida no Primeiro Seminário sobre a Sustentabilidade do Vale do Paraíba – FATEA/Lorena/SP – 07 /XI/2009, sendo devidamente modificada e atualizada para esta publicação.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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25 fev 2015

Educação, Sustentabilidade e Política

Resumo: O texto aborda uma questão que está no “top” da falação atual, mas que ainda não é entendida pela grande maioria das pessoas. Trata-se do conceito de Sustentabilidade, que precisa efetivamente ser popularizado, porém dentro de sua ideia fundamental. A palavra sustentabilidade vem sendo gasta por todos os setores, porém a aplicabilidade da verdadeira noção de sustentabilidade ainda é um sonho que os ambientalistas querem ver acontecer. Devem ser efetivadas políticas públicas que viabilizem mecanismos de educação ambiental que possam contemplar essa necessidade, para a sustentabilidade saia da condição de sonho de alguns e passe a ser realidade de todos.


Educação, Sustentabilidade e Política

Sustentabilidade é um termo que já pode ser considerado relativamente velho, criado a partir da ideia de Desenvolvimento Sustentável definida por Ignacy Sachs, na década de 1980. Segundo o citado autor, o desenvolvimento sustentável é aquele que garante o crescimento econômico, a equiparação social e o equilíbrio ambiental. Isto é, a sustentabilidade é aquela característica que mantêm equalizados três aspectos fundamentais o meio ambiente, a sociedade e a economia. De acordo com o próprio Sachs, referendado por vários outros autores, não é possível pensar em outra forma de desenvolvimento, porque essa é a única maneira de garantir a manutenção da qualidade de vida do planeta. Bem, essa é a fala dos homens da Ciência.

Por outro lado, fica muito difícil falar sobre qualquer assunto quando a população não o conhece e consequentemente não está devidamente preparada para entendê-lo, aceitá-lo e assim, de alguma maneira, tentar colocá-lo em prática. Está é exatamente a situação em que se encontra a tão badalada, porém muito pouco entendida, sustentabilidade. A palavra sustentabilidade está na moda aqui no Brasil e no mundo, mas ao que parece é só isso, porque as coisas, pelo menos aqui no nosso país, continuam acontecendo da mesma maneira, sem nenhuma preocupação efetiva com as idéias estabelecidas pelo conceito de sustentabilidade. Quer dizer emprega-se um termo, mas não se pratica, nem de longe, os conceitos abrangidos por esse mesmo termo.

A palavra sustentabilidade agora está inserida no contexto de tal forma que virou linguagem comum, ou melhor, linguagem viciada, de tanto que se repete. Isso deveria ser um bom negócio, mas infelizmente essa não é a verdade. O conceito de sustentabilidade não está sendo, de maneira absolutamente nenhuma, assumido pela sociedade de forma clara e abrangente como deveria, pois as premissas em que se usa o termo não são nada sustentáveis. Ao invés de se popularizar um conceito, na realidade apenas se vulgarizou mais uma palavra, a qual se relacionou erroneamente com a o crescimento econômico. Infelizmente, a sustentabilidade que é extremamente necessária ao planeta e ao ser humano, virou lugar comum, mera citação, que não demonstra absolutamente nada a ninguém, daquilo que pretendia como filosofia, pois suas vertentes ambientais e sociais são mascaradas pela ideia econômica imperante.

Em suma fala-se em sustentabilidade por simples modismo e isso lamentavelmente é bem pior do que se não se falasse nada sobre o assunto, porque assim não se poderia iludir tanto as pessoas e as organizações como até aqui se tem feito. Pior do que o não entendimento de um conceito é o seu entendimento errôneo. No que diz respeito à sustentabilidade, é exatamente isso que está acontecendo, pois se continua colocando o econômico antes de tudo, o que não se traduz como sustentabilidade. Atualmente quase todo projeto a ser desenvolvido traz a citação da palavra sustentabilidade no seu escopo. Entretanto, a maioria desses projetos não exerce nenhuma ação metodológica que sustente a aplicabilidade efetiva da sustentabilidade em si, a preocupação continua sendo única e estritamente econômica, as outras duas componentes do conceito continuam sendo deixadas de lado ou, quando muito, estão relegadas ao segundo plano.

Quer dizer a humanidade, mesmo sem saber, tem mais um grande problema para resolver, ou seja, entender efetiva e corretamente o que é a sustentabilidade. Porém, os “poderosos” estão trabalhando direitinho para manter esse “status quo” de desconhecimento coletivo, pois isso lhes garante a manutenção do poder. A maioria dos “poderosos” ainda não entende que todo e qualquer poder é provisório e transitório e que as coisas sempre mudam, embora algumas vezes demorem um pouco. Entretanto, no que diz respeito à sustentabilidade a demora das mudanças pode ser tão significativas que talvez levem a inviabilidade total da vida no planeta. Quer dizer, enquanto os “poderosos” mantêm o poder, os recursos naturais vão se extinguindo e a vida no planeta vai ficando cada vez mais ameaçada, mas eles não percebem ou não querem perceber.

Isso posto, fica claro que vivemos um problema real, pois a sustentabilidade é algo vital ao planeta e à humanidade. Porém, a partir disso, fica aqui uma primeira questão: o que deve ser feito para promover as mudanças necessárias que promovam a sustentabilidade e para suplantar os interesses dos “poderosos”?

Certamente aqui, como em quase tudo na vida humana, mais uma vez, entra a necessidade da Educação das pessoas para que a sustentabilidade tenha a sua devida importância estabelecida e o seu entendimento clarificado. Nesse momento surge uma segunda questão: como fazer para demonstrar essa importância, definir o conceito de sustentabilidade corretamente e popularizar esse conceito dentro das escolas para depois estendê-lo às populações? Para responder essa duas questões iniciais é relativamente fácil, como está apresentado a seguir.

Primeiramente é preciso formar professores capazes de entender e transmitir as idéias conceituais da sustentabilidade a partir do tripé em que ele está embasado: ambiental, social e econômico, sempre nesta ordem prioritária, que infelizmente há muitos que insistem em modificar, mesmo dentro dos que defendem a sustentabilidade. Depois devem ser criados mecanismos para contextualizar situações reais em que o conceito de sustentabilidade possa ser empregado amplamente, dando exemplos claros de sua aplicabilidade nas diferentes situações que envolvem o cotidiano das populações nas diferentes regiões. Posteriormente, deve-se promover a popularização dessas idéias a fim de que haja efetiva absorção das mesmas pelas diferentes comunidades.

Quer dizer não dá para falar em sustentabilidade sem que haja uma preparação específica para esse fim. Tem que haver uma educação para sustentabilidade, na qual seja possível distinguir toda abrangência e importância do termo. Mas, é nesse momento, que surgem duas novas questões, as quais são mais complicadas e consequentemente difíceis de serem respondidas. As escolas brasileiras estão preparadas para cumprir mais essa missão relacionada à sustentabilidade? Existem professores devidamente habilitados na questão para atuar como orientadores e multiplicadores do conceito?

Sinto dizer, mas me perece que estamos numa situação nada sustentável em relação ao problema da sustentabilidade, porque não podemos responder positivamente a nenhuma das duas últimas questões propostas. Estamos caminhando para o caos, continuamos explorando os recursos naturais de maneira indevida e degradando os ambientes, desintegrando grupos sociais locais e perdendo recursos econômicos por conta de nossa incapacidade de pensar de maneira verdadeira sustentável e não temos estrutura e nem gente capacitada para trabalhar na mudança desse quadro lamentável.

Como sempre a solução para todos os problemas é apenas e tão somente uma questão de estabelecimento de políticas públicas que priorizem aquilo que se pretende fazer, no caso em questão, a sustentabilidade. Nesse sentido, a boa notícia é que temos uma eleição aí na frente, na qual vamos escolher os novos dirigentes políticos e administrativos do país e dos estados brasileiros. Temos que pensar bem e escolher as melhores propostas, aquelas que envolvam as ideias de sustentabilidade. Mas, é fundamental que essas ideias integrem a educação dentro do contexto, porque da mesma forma que não existe mágica na natureza, também não existe mágica no comportamento humano. Assim, só é possível realizar direito aquilo que se aprende direito e a educação é a única base que pode garantir que os ensinamentos sobre a questão sejam ministrados de maneira eficiente.

As escolas são os agentes sociais efetivos para educar as populações também nesse sentido. Desta maneira, as idéias de sustentabilidade têm que passar a integrar diretamente os currículos escolares em todos os níveis e as escolas devem estar prontas para atuar nessa nova necessidade o mais rápido possível. O tempo urge e não podemos nos dar ao luxo de continuar imaginando que Deus vai dar um jeito naquilo que é atributo exclusivo e obrigatório da ação humana. Nesse contexto, a nossa responsabilidade tem que ser posta à prova e devemos ser capazes de resolver os problemas que são cruciais para a continuidade de nossa existência planetária.

Por fim, quero deixar claro que, com relação à sustentabilidade em si, aqui também, como acontece em outras áreas, o improviso e o empirismo têm se mostrado como maus exemplos. Sendo assim, insisto em que há necessidade de formar e habilitar pessoas nessa questão dentro das escolas. Por outro lado, para que se consiga atingir esse intento, é preciso que dentro dos postos de governança sejam colocados administradores preocupados e imbuídos em melhorar a qualidade de vida das pessoas social e economicamente. Porém, esses administradores, para atuarem efetivamente nesse sentido, têm que ser cônscios das responsabilidades com a manutenção ambiental do planeta e com o uso devido dos recursos naturais, porque é somente a partir dessa base ecologicamente correta que se garantirá a sustentabilidade do planeta e a continuidade da humanidade.

O planeta sustentável que todos queremos e merecemos passa pela nossa educação e esta, por sua vez, passa por nossas escolhas políticas. Está na hora de pararmos de “brincar de fazer de contas” sobre a sustentabilidade e assumirmos uma postura objetiva que possa propiciar um desenvolvimento sustentável dos diferentes grupos sociais nas diferentes regiões de nosso país. O compromisso com o Meio Ambiente e com os problemas ambientais têm que ser a preocupação primária de qualquer administrador público e a educação deve ser o esteio que dará a devida condição para o entendimento e o envolvimento das pessoas na resolução desse, que é certamente um dos maiores problemas de nosso país e do mundo na atualidade.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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18 fev 2015

Biodiversidade Brasileira: uma ilustre desconhecida da população

Resumo: Desta vez está sendo apresentado um texto recente que acabo de escrever, no qual procuro chamara atenção para uma questão cada mais esquecida e que precisa estar presente no pensamento coletivo do povo brasileiro. Trata-se da Biodiversidade do Brasil, a maior da Terra, e lamentavelmente esquecida pelas autoridades e em consequência disso, quase totalmente desconhecida da população brasileira. É preciso que se estabeleçam mecanismos que permitam informar melhor sobre essa questão e a grande mídia precisa se fazer presente nesse momento, para colocar os brasileiros cientes daquilo que possuem de mais relevante que a Biodiversidade existente no território nacional.


 

Biodiversidade Brasileira: uma ilustre desconhecida da população

Aqui no Brasil, lamentavelmente, as pessoas que militam profissionalmente nas áreas relacionadas com a biodiversidade parecem ser as únicas que são capazes de saber sobre a importância desse aspecto para o país. Não só porque as demais pessoas não sabem que o Brasil possui a maior biodiversidade do planeta, mas principalmente, porque mesmo aquelas que conhecem esse insigne fato, não compreendem o que isso pode representar. Aliás, mesmo os administradores públicos e os políticos do país, salvo raríssimas exceções, também não fazem a mínima ideia do venha a ser biodiversidade e nem a responsabilidade que o Brasil deveria ter em relação a esse aspecto, haja vista que cerca de 20% das espécies vivas do planeta estão aqui localizadas.

Quer dizer, as pessoas não são culpadas por não darem importância àquilo que elas se quer imaginam que possa existir e ser importante. Por isso mesmo, a maioria dos cidadãos brasileiros não está nem aí para a preservação dos Grandes Biomas ou dos inúmeros Ecossistemas degradados por conta da ação antrópica indevida e inescrupulosa. A visão geral da população infelizmente ainda é a seguinte: se a riqueza em alguma parte do Brasil vamos busca-la e transformá-la o mais rapidamente em dinheiro.

Pois então, foi essa visão que dizimou as populações do Jacarandá da Bahia, do Pinheiro do Paraná, do Palmito Juçara do Sudeste e que levou à míngua e quase extinguiu inúmeras espécies de animais utilizadas na alimentação ou temidas por conta de crendices absurdas como algumas espécies de aranhas, cobras, sapos e outros infelizes animais. O uso e a degradação das populações dessas espécies de organismos vivos foi feito sem nenhum critério, apenas para satisfazer o interesse de alguns seres humanos.

Vejam bem que eu só falei de organismos grandes facilmente visíveis e identificáveis. Entretanto, quem é capaz de dizer quantas espécies de pequenos organismos que já desapareceram, sem que a Ciência pudesse conhece-los, porque muitos deles, se quer foram vistos alguma vez por qualquer pessoa. É bom lembrar que a grande maioria dos organismos vivos é pequena e pouco conspícua. Pois então, por essas e outras é que a biodiversidade brasileira é desconhecida e naufraga cada vez mais por conta dessa falta de conhecimento que as pessoas têm a seu respeito.

Ao contrário do que se poderia pensar, essa situação está longe de melhorar e só tem piorado, porque os mais jovens (talvez não por culpa deles, mas por conta da situação imperante), acabam sendo os menos interessados em conhecer o patrimônio natural brasileiro, o qual é progressivamente sempre menos conhecido, tanto pela raridade maior dos diferentes indivíduos, quanto pela falta cada vez maior de informação sobre eles. Em suma, se observa menos, se conhece menos, se estuda menos, se identifica menos e por fim se importa cada vez menos com a realidade natural brasileira.

A biodiversidade do Brasil, que deveria ser enfatizada como a maior riqueza que o país possui, acaba sendo mais um apêndice burocrático aos entraves dos interesses econômicos de empresas que se utilizam de recursos naturais, mormente empresas mineradoras e agrícolas. As mineradoras na retiradas constante de recursos naturais não renováveis e na degradação ambiental desenfreada e as agrícolas na degradação de terras para aumentar as monoculturas, envenenado solos e plantando essências geneticamente modificadas, que além de ocuparem o espaço, são protegidas quimicamente para ficar livres de “pragas” (os outros organismos que poderiam habitar também a área).

Por outro lado, a legislação brasileira tem no SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), uma lei (Lei 9985/2000) que tenta cumprir o previsto no Artigo 225 da Constituição Federal (1988) e ampliar as áreas de preservação, a fim de garantir a manutenção da biodiversidade do país. É bom lembrar que segundo a própria Constituição Federal, preservar áreas significativas dos diferentes biomas brasileiros é uma obrigação do governo e de todos os cidadãos desse país. Entretanto, esse mesmo governo atua na contra mão da constituição, quando deixa de assinar o acordo internacional da biodiversidade, como aconteceu no ano passado, e a população em geral nem ficou sabendo desse fato, porque infelizmente a “grande mídia”, aqui no Brasil, não divulga aquilo que o governo não quer que seja divulgado. Assim, a população segue sem saber o que acontece e o governo continua fazendo o que não deve nessa questão.

É preciso que se estabeleça rapidamente alguma maneira de informar a população do país sobre o verdadeiro significado e a grande responsabilidade que o Brasil tem, sendo o país de maior biodiversidade planetária, a fim de que seja possível exigir que o governo brasileiro cumpra os compromissos estabelecidos e respeite a legislação, principalmente não permitindo a utilização de áreas de preservação permanente para interesses de segmentos sociais específicos, mormente os ruralistas e os grandes mineradores.

Além disso, também é necessário que se divulgue o que já foi destruído da Biodiversidade brasileira e o quanto ainda existe desse patrimônio natural. Infelizmente, quando se fala de biodiversidade, a maioria das pessoas só relaciona o termo com a Amazônia, que é apenas parte do problema. Essa grande falação sobre o desmatamento da Amazônia, além de não resolver nada, porque até aqui o desmatamento só aumentou, também só tem servido para esconder o que está acontecendo nos outros biomas do país. A Mata Atlântica, quase desapareceu, o Cerrado está à míngua, a Caatinga praticamente inexiste, a Vegetação Litorânea (Manguezal e Restinga) sumiu com a especulação imobiliária no litoral brasileiro, o Pantanal está virando um grande areal. Enfim, a situação dos grandes Biomas brasileiros é muito grave na maior parte de suas respectivas áreas.

Mas, o pior de tudo é o que acontece com os microrganismos e com a fauna que habitam os diferentes biomas brasileiros, haja vista que esses tipos de organismos são os mais dependentes dos ambientes naturais e onde se degrada o ambiente natural eles tendem a desaparecer. Assim, a lista de espécies animais ameaçadas de extinção também só tem aumentado. A degradação da biodiversidade que se observa no macro nível, obviamente é significativamente maior no micro nível e produz um grande empobrecimento na biodiversidade das espécies que ocupam os diferentes biomas, principalmente das espécies de microrganismos do solo e de animais invertebrados, que constituem a grande maioria das espécies vivas.

A falta dos microrganismos torna solos pobres e incapazes de reter água e nutrientes. A falta dos pequenos animais invertebrados também empobrece solos e inclusive inviabiliza a polinização de algumas plantas, o que também atua no impedimento da regeneração natural dos próprios biomas. Quer dizer, a degradação ambiental também prejudica sensivelmente a possibilidade da própria recuperação dos ecossistemas naturais.

Enfim, é fundamental que se divulgue a biodiversidade brasileira aos habitantes do Brasil para que seja possível entender que essa é a maior riqueza do país e que o exercício de cidadania se faz necessário na defesa desse patrimônio brasileiro. O povo brasileiro precisa saber mais sobre os recursos naturais que o Brasil possui e precisa estar ciente de que proteger esses recursos é uma obrigação comum a todos os brasileiros.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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12 fev 2015

O Encontro Imprevisível e Inesperado de Darwin com Eva

Resumo: Desta vez está sendo apresentado um texto que escrevi em 2006 e que já foi publicado e até mesmo apresentado em forma de peça teatral inúmeras vezes, mas que ainda é inédito aqui nesse site. O texto é uma utopia, que mesmo abordando uma impossibilidade física, tenta trazer para a discussão dois temas interessantes e bastante atuais da Biologia: a Evolução e a Degradação Ambiental. A composição literária consiste num misto de poesia e prosa que se desenvolve numa discussão entre Eva e Darwin, na qual a evolução, a manutenção e a continuidade da vida são tratadas pelos dois lados, destacando a aparente ingenuidade de Eva e a forte preocupação de Darwin com as ações do homem sobre o Planeta Terra.


O Encontro Imprevisível e Inesperado de Darwin com Eva

Após muito vagar no evo e no pensamento pelos diferentes locais do nosso planeta à busca de entendimento de suas dúvidas, de esclarecimento para suas angústias e de resolução para seus problemas interiores e individuais, os espíritos de Eva e Charles Darwin se encontram em algum lugar perdido na imensidão da Terra.

Eva, aquela que segundo a Bíblia foi a primeira mulher, criada por Deus a partir de uma costela do primeiro homem, seu marido Adão, feito à imagem e semelhança do próprio Deus e Charles Darwin, defensor do Evolucionismo e autor da principal Teoria da Evolução das Espécies, que se opõe frontalmente ao Fixismo (Criacionismo) contido nas ideias bíblicas. Então meus amigos, imaginem comigo e viagem nesse encontro fortuito.

Pensem em Eva procurando compreender o que está acontecendo com a Terra, preocupada com a situação caótica, confusa e desarmônica entre os povos e também com a fisionomia degradada, descaracterizada e desagradável de ser vista, naquele planeta que já foi definido pelo próprio Deus, como sendo o Paraíso e que foi dado ao homem pela benevolência divina. Onde estaria Deus e a previdência divina neste momento terrível que o planeta atravessa? Teria Deus nos abandonado?

Pensem em Darwin, por sua vez, tentando demonstrar que o paraíso terrestre continua existindo, embora numa concepção diferente daquela indicada na Bíblia e por isso mesmo, com uma fisionomia muito distinta, em consequência das modificações ocorridas ao longo do tempo, graças ao processo evolutivo e que foram aceleradas, mais recentemente, por conta da ação muitas vezes maléfica do homem. O homem, criado a imagem e semelhança de Deus, veio destruir a criação divina? A Evolução das espécies é um mau para a vida e para o planeta?

Este encontro, embora seja uma incongruência biológica, filosófica, física e religiosa. Isto é, um absurdo que só é possível de ser concebido à luz da metafísica, se fosse verdadeiro, imagino que deveria ter transcorrido mais ou menos da seguinte maneira:

 

Eva: Olá Charles, tudo bem?

Charles: Tudo bem Eva e você como está?

Eva: Eu não estou nada bem e por isso mesmo resolvi fazer uma viagem. Meu amigo Charles, eu vou viajar.

Charles: Viajar é bom Eva, aproveite a coincidência do seu nome e vá.

Eva: E você Charles, não quer ir também?

Charles: Para onde você está pretendendo ir Eva?

Eva: Vou embora da Terra, eu vou partir para Marte.

Charles: Embora viajar seja bom, sair da Terra não vale a pena Eva. Vá sozinha, porque essa viagem eu não faço. Eva, não vai dar mesmo. Nasci e cresci na Terra e aqui eu quero ficar. A Terra é minha casa e não quero sair e nem trocar. Deus disse para você e para Adão que o paraíso é aqui. Deus tem sempre razão e por isso mesmo eu só viajo se for daqui para aqui.

Eva: Mas Charles conhecer outros lugares não é interessante? E, por outro lado, estão falando tanto de Marte.

Charles: Eva, primeiro vamos pensar e discutir um pouco, antes de você decidir sobre fazer a sua viagem. Quem sabe, depois disso você até não muda de ideia e de imagem. De qualquer forma, eu vou ficar por aqui mesmo, no nosso planeta azul. Posso até conhecer outras paragens, quem sabe ir para o Norte ou para o Sul, mas é aqui que quero ficar. Vou tentar ver se sou capaz de evoluir um pouco mais nesse planeta.

Eva: Mas, há Evolução na Terra, Charles?

Charles: É claro que há Evolução Eva. Existe uma bela e expressiva Evolução Biológica onde as espécies são e se dão evolutivamente numa teia. A intrincada teia da vida que cresce, diverge e multiplica em todas as direções.

Eva: Adão tinha me comentado alguma sobre isso Charles. E em meus pensamentos, Evo também me falou, mas não acreditei. Aliás, na verdade eu não entendi?

Charles: Mas você ainda pode e deve entender um pouco mais.

Eva: E você Charles, de Evolução você entende, não é?

Charles: Não sei se entendo, mas eu sinto a necessidade biológica de sua existência, por isso mesmo é que estou dizendo e pedindo: Eva não vá viajar para Marte, porque lá não existe vida, apenas a plenitude apática e o silêncio do Evo se mantém. Marte é sempre igual e lá não há nada e nem ninguém. Lá em Marte, ao contrário da Terra, lá em Marte só há morte. Morte, de Leste a Oeste. Morte, tanto no Sul quanto no Norte. Marte é o planeta vermelho, o planeta cor de sangue. O sangue que corre no corpo do homem e de muitos animais durante a vida, Sempre indo e vindo, parelho como se fosse um espelho, mas que estanca na morte, como um circuito que sofre um corte. Eva, Marte é o Deus da guerra e hoje em seu planeta não há nada.

Eva: Mas Charles, aqui na Terra também tem guerra.

Charles: Lamentavelmente, eu sei Eva, mas não devia e nem queria. Aqui na Terra, há, como eu, quem saiba que a guerra erra, pois com ela, toda a humanidade berra e a sociedade emperra. E isso, não adianta porque a boca cerra e como nada acontece e toda ação em prol da vida se encerra. Assim, nada se faz contra a guerra que parece eterna. Eva existe um Evo de guerras subsequentes que destrói a Terra e a gente. Eva, além da guerra, qual a outra marca de Marte? Lá em Marte o solo é rochoso, compactado e seco. Parece que em Marte não tem água. Há quem diga que já teve ou que tem, mas ainda assim é muito seco. Eva, aqui na Terra ainda tem muita água.

Eva: Ah! A água. Coisa boa que é a água, não é verdade Charles?

Charles: Muito boa Eva, talvez a melhor de todas as coisas do Universo. Porém o planeta aqui é a Terra. Ele tem água e vive em guerra. Lá o Planeta é Marte, não há água, nem guerra, mas o solo arde. Pois é Eva, Marte é ou foi o planeta de Tanatus, o Deus da morte!

Eva: Charles, como Marte ficou assim?

Charles: Não sei Eva, mas foi a Evolução ou então foi a “vontade” de Deus.

Eva: Charles, então a Evolução leva ao fim da vida.

Charles: Não Eva, a Evolução é o fim em si mesmo. Ela busca a melhora constante das espécies no planeta, porém, se ocorrerem coisas erradas, ela pode acarretar na extinção das espécies e no fim da vida. Eva, a Evolução é uma dádiva de Deus em prol a melhoria constante da vida no planeta.

Eva: Charles, Deus é bom, não é?

Charles: É Claro Eva, Deus é a própria bondade.

Eva: Então, que Deus é esse que você diz, que teria a “vontade” de destruir as espécies como aconteceu em Marte, meu caro Charles? Esse Deus é o meu ou o seu Deus Charles?

Charles: Eva, Deus é um apenas e sendo bondoso, não tem vontade de destruir nada. Deus é aquele que tudo sabe, aquele que tudo vê, e que acompanha o homem em suas ações. A vontade de Deus é consequência do livre arbítrio e das ações do homem no planeta. Podes crer Eva, agora mesmo Ele está nos vendo e observando a nossa conversa.

Eva: Vê nos como, Charles?

Charles: Ele está lá em cima, no alto, sempre perto da Lua, nos observando.

Eva: O planeta Vênus está perto da Lua, então Vênus é Deus Charles?

Charles: Acho que não Eva, mas em certo sentido sim, já que Deus é tudo. Entretanto Eva, lá de cima, Vênus também tudo vê. Eva, Vênus é uma estrela branca e alva, a famosa Estrela Dalva, sempre brilhante e vigilante que não sai de perto da Lua, nem por um instante. Às vezes não o vemos, mas ele está sempre lá. E, como Deus, ele sempre nos vê.

Eva: Charles e a Lua, a Lua é sua Charles?

Charles: Não Eva, a Lua é o satélite da Terra. Mas, existem inúmeras outras Luas. Marte, por exemplo, tem duas Luas. E o grande planeta Júpiter, tem várias Luas no entorno de sua esfera.

Eva: Então Júpiter é melhor que a Terra Charles?

Charles: Penso que não Eva, porém não sei, mas até gostaria de saber. Mas, deixemos Júpiter de lado e voltemos à Terra e à vida Eva.

Eva: Que vida Charles? Aquela que só a Terra teve e que hoje se vê na TV? Ou aquela que se quer ter, mas que a própria TV indiretamente não deixa?

Charles: Aquela vida fabulosa, diversa, efervescente e brilhante Eva. Aquela diversidade de formas e espécies que só existe na Terra.

Eva: Brilhante que nem Vênus, grande e diversa como Júpiter e suas luas Charles?

Charles: Não, mais brilhante do que Vênus, maior e mais diverso que Júpiter Eva.

Eva: Então, que vida Charles? A vida fabulosa dos Deuses da Mitologia?

Charles: Não Eva, muito melhor ainda. A vida alegre da gueixa. Aquela que tudo deixa, apenas para dar prazer ao homem. A vida feliz e sem perigo, do planeta e do homem amigo. Sem tristeza e sem castigo, da mulher e do marido. A vida que Deus nos deu por conta de seu Evo de bondade. A vida do animal, que mesmo vivendo do vegetal, controla a sua ganância e seu apetite para garantir sua continuidade.

Eva: Que tipo de vida é essa que você fala Charles?

Charles: A vida que evoluiu na Terra Eva, apesar da motosserra, que hoje tudo pode e tudo ferra e que destrói a própria Terra. A vida que surgiu e evoluiu na água e que apesar de toda mágoa ainda cresceu e multiplicou.

Eva, A vida que Deus mandou e que a natureza herdou. A vida que virou morte. A vida de toda sorte, cujo azar tirou do Norte, e que eu mostrei que é forte e que a natureza selecionou, mas que agora, por pouco, quase acabou.

Eva: Então, não tem mais jeito Charles?

Charles: Não Eva, sempre há um jeito, basta sonhar e querer.

Eva: Então Charles, menos mal para nós!

Charles: Não Eva, porque o mal somos nós e o bem depende do mal. Eva, o bem, tal qual o mal, também somos nós. Eva, só nós podemos dar jeito. Um jeito que, com efeito, urge para ser feito, antes que se chegue ao leito.

Eva: Que leito Charles, o leito do Rio?

Charles: Não Eva, esse é outro que sofre, mas não é dele que falo. Refiro-me ao leito da morte Eva.

Eva: Assim como lá em Marte Charles?

Charles: Isso Eva, em Marte há morte. Aqui na Terra também tem havido morte. É morte de toda sorte, em todos os cantos de nosso Universo. O Universo da Terra é aquele que já foi diverso, mas que está ao inverso e que, se visto pelo anverso, não produz mais nenhum verso.

Eva: Por falar em verso, qual a poesia da vida Charles?

Charles: Eva, a vida é a própria poesia.

A vida dança, canta e rima, pula de cima para baixo, salpica de baixo para cima e explode por causa do clima.

Eva: Clima, o que é clima Charles?

Charles: Eva, o clima é o pai da vida na Terra.

Eva: Então o clima é Deus, Charles?

Charles: Claro que não Eva, mas é quase isso, pois o clima é tudo para a vida na Terra. Mas Eva, o triste é que estão mudando o clima.

Eva: Quem está mudando o clima Charles?

Charles: Nós Eva, o homem, o mal! Eva, está tudo virando sal, um sal do tipo da cal. Eva, o planeta Terra e a vida estão voltando ao caos.

Eva: Charles, o nosso planeta Terra está virando Marte?

Charles: Em certo sentido, é exatamente isso Eva.

Eva: Então a vida será morte, Charles?

Charles: Pois é, Eva, continuamos evoluindo, porém na direção errada. Hoje, estamos muito mais indo para a extinção do que qualquer outra coisa. Estamos nos dirigindo para o Evo da morte que nem em Marte. Por isso mesmo Eva, eu lhe peço: Não vá para Marte. Fique aqui mesmo na Terra, viaje pelo nosso planeta e veja como ainda é belo e diverso. Eva, ainda há muito o que ver aqui na Terra. Não deixe que a Terra vire Marte. Ajude a conservar a vida que nosso planeta encerra. Voltemos a evoluir na rota certa e por inteiro, esqueçamos o conforto e o dinheiro e recuperemos o planeta primeiro. Comecemos acabando com a guerra. Restabeleçamos o clima do planeta e continuemos e viver na Terra. Eva acredite, que isso será possível! Basta apenas que o bem ganhe do mal, que o planeta não vire sal e que o homem, como Deus, queira de fato ser imortal. Eva, isso vai ser muito legal, o homem, o vegetal e o animal. Todos num planeta natural, real e igual. Eva imagine só, que maravilha: No futuro próximo, quem sabe na próxima estação, você e Adão, eu e a Evolução e a Terra numa perfeição. E lá do alto, Deus acenando positivamente com a mão.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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25 out 2014

Sustentabilidade X Sustentação

Resumo: O Prof. Luiz Eduardo propõe uma discussão interessante sobre o sentido errado que tem sido empregado generalizadamente para a palavra sustentabilidade por falta de conhecimento real da sociedade sobre o assunto e chama a atenção da mídia para o cumprimento de seu papel na orientação correta das pessoas no que se refere a temática da sustentabilidade.


Sustentabilidade X Sustentação

Ultimamente, em função do modismo com o termo sustentabilidade, esta palavra tem sido empregada com muitíssima frequência, entretanto o seu sentido real tem sido bastante deturpado. Isto é, o uso do termo, na maior parte das vezes, não condiz com o seu verdadeiro significado. Na verdade, o termo tem sido empregado de maneira muito mais relacionado com a ideia contida na palavra sustentação.

Baseado nesse fato, entendo que cabe discutir um pouco essa questão, para tentar esclarecer melhor as pessoas que sustentabilidade é muito mais do que apenas a manutenção ou a viabilidade de alguma coisa. Sustentabilidade não é apenas alicerce, nem base de apoio e muito menos esqueleto de nada. Sustentabilidade é garantia de continuidade sem prejuízo ambiental, social ou econômico de qualquer empreendimento visando sua manutenção para as gerações futuras. Sustentabilidade não é ficar em pé apenas hoje, mas é manter-se em pé para sempre, respeitando o meio ambiente, incluindo e envolvendo as sociedades e produzindo benefícios econômicos.

Tem sido bastante comum a gente ouvir, por exemplo, a seguinte frase: “tal coisa ou situação é economicamente sustentável”. Ora, na verdade, isso não quer, de maneira nenhuma, dizer que a coisa ou a situação em questão efetivamente tenham sustentabilidade, mas sim que essa coisa ou situação se sustentam e se mantêm, do ponto de vista estritamente econômico. A sustentabilidade não pode ser dissociada em estritamente econômica, ou a situação é sustentável nas três vertentes de abrangência (ambiental, social e econômica) ou ela não é sustentável, apesar de poder ter sustentação em uma das três vertentes individualmente. O fato de alguma coisa ou situação ter sustentação em uma das três vertentes da sustentabilidade não evidencia a existência de uma verdadeira sustentabilidade da coisa ou situação em si, porque faltam as duas outras vertentes.

Em síntese, não existe sustentabilidade econômica, porque o que é apenas econômico não tem sustentabilidade e não se enquadra no conceito explicito do termo. Desta maneira, sempre é preciso que se esteja atento com os vários “projetos sustentáveis” que temos ouvido falar nos últimos tempos e que não passam de meras falácias sobre um termo que está na moda e que parece garantir algum bônus para quem o usa, porque está muito carregado de tendência ambiental e social, mas que nem sempre são reais, mormente no viés de quem está aplicando o termo. Isto é, em tempos de vantagens para questões ecologicamente corretas, falar em sustentabilidade pode ser conveniente na apresentação de um determinado produto, entretanto é preciso tomar cuidado, porque tem muito produto dizendo falsamente que tem sustentabilidade, apenas para garantir marketing ecológico.

A verdadeira ideia de sustentabilidade é algo que lamentável e infelizmente a grande maioria das pessoas, com certeza, ainda não conhece, não sabe definir e muito menos tem condições de diferenciar. Assim, essas pessoas acabam sendo enganadas, pois são levadas a confundir, pelo desconhecimento delas próprias e pela má intenção programada da propaganda, a noção real do termo sustentabilidade que é mascarada pela ideia prática e comercial do termo sustentação. O conceito de sustentabilidade obviamente envolve o de sustentação, porém é muito superior e muito mais abrangente. Ao que parece, a ignorância de alguns e a má intenção de outros tantos são as causas mais óbvias para produzir a confusão entre os dois sentidos, porque tem sido assim que certos setores têm garantido a criação e o desenvolvimento de muitos projetos nefastos e outras coisas absurdas nesse país sem nenhuma preocupação com a sustentabilidade, mas com o interessante e desejável rótulo de sustentável.

Fala-se bastante na sustentabilidade da implantação de determinados programas ou projetos, os quais por si sós, não são nada sustentáveis e muito menos têm qualquer conotação com a verdadeira sustentabilidade. Por exemplo, o desenvolvimento de um novo tipo de agrotóxico é uma situação em que não é possível ter nenhuma sustentabilidade, haja vista de tratar-se de mais um, entre os atuais 15.000 venenos, a ser lançado primeiramente no mercado e posteriormente no ambiente, afetando o solo, a água e a saúde. Porém, esse tipo de situação é “vendida” na propaganda para as pessoas como sendo algo sustentável. É bom que se tenha a consciência de que isso é feito com o credenciamento da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que dá aval e garante a autorização do governo brasileiro.

Pois então, a palavra sustentabilidade ganhou projeção e popularizou-se, entretanto seu sentido real não alcançou a maioria das pessoas como já foi dito anteriormente. Na verdade se massificou um termo (uma palavra) para mascarar uma ideia (um conceito) e assim as pessoas estão sendo iludidas pela conveniência daquelas outras que têm interesse nessa maquinação. É bom lembrar que, do ponto de vista estritamente ecológico, essa não é a primeira vez que se usa esse estratagema de travestir um conceito a fim de direcionar a informação para outro caminho que se tenha interesse. Aliás, aqui no Brasil, a partir dos governos (em todos os níveis) isso tem sido relativamente comum ultimamente. Foi assim, por exemplo com a “revitalização” do Rio São Francisco, com a “despoluição” da Baia de Guanabara, com a “diminuição” do desmatamento da Amazônia, com a “ampliação” na distribuição de energia e outros tantos exemplos, todos com o rótulo da sustentabilidade, mas que na realidade não possuem nem sustentação ambiental, quanto mais sustentabilidade no seu sentido real.

A mídia séria, se é que ainda existe mídia séria nesse país austral, precisa estar atenta a essas questões maquinadas e precisa cumprir sua função informando devida e corretamente a população e, principalmente, precisa esclarecer as questões dúbias como esta que é determinada pela má aplicação do conceito de sustentabilidade, porque o cidadão comum não costuma se aperceber desse tipo de enganação que lhe é proposta todos os dias pelos aproveitadores e picaretas de plantão. Por outro lado, alguns setores dos diferentes governos devem procurar estabelecer os objetivos de alguns de seus projetos mais claramente, no intuito de não agir contra os interesses maiores da coletividade. Quando o setor privado mente para o público ele deve ser punido e às vezes (raramente) é punido mesmo. Mas, quando é o governo mente para o público que o elegeu para defender os interesses desse mesmo público, o que deve acontecer?

A situação que nos encontramos é exatamente essa, quase todos mentem sobre quase tudo, quando de alguma maneira está envolvido o componente ambiental e no que se refere diretamente à sustentabilidade parece que a mentira virou verdade, pois nada, absolutamente nada, acontece com ninguém quando se está enganando a população nesse contexto.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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05 jun 2014

Dia Internacional do Meio Ambiente

Hoje, 05 de junho, Dia Internacional do Meio Ambiente, pois é, o Meio Ambiente completa 42 anos. A Terra tem 4,5 bilhões de anos e só comemora o Meio Ambiente (todos os espaços físicos da Terra) apenas nos últimos 42 anos e ainda assim, a festa não é para todos, ela serva apenas para pouquíssimos convidados, que manipulam o pensamento coletivo da humanidade. Isso é mesmo muito engraçado, não é? Ou será muito triste?

Com 42 anos, se o Meio Ambiente hoje fosse um ser humano, ele seria um jovem senhor no auge de sua competência e na plenitude de seu trabalho profissional e intelectual, porém, infelizmente, o Meio Ambiente não é um ser humano e assim, apesar da tenra idade, sua situação continua indefinida e seus problemas estão cada vez maiores. Existe mesmo quem seja capaz de imaginar que, na atual situação, o suicídio talvez fosse a melhor solução para o Meio Ambiente planetário. Mas, vamos deixar essas conjecturas de lado e entender os fatos, independentemente de qualquer conotação pessoal que se queira atribuir ao Meio Ambiente.

Todo mundo já sabe que o Planeta, do ponto de vista ambiental, vai de mal a pior e que o ser humano, insistindo em fazer coisas erradas, é o único e grande culpado por esse fato. Assim, a pergunta que fica é a seguinte: Até quando, nós humanos, continuaremos degradando inconsequentemente o planeta, brincando com o Meio Ambiente e com a vida?

Nossa mancha populacional, já superior a 7,2 bilhões de seres humanos no planeta, não se satisfaz com a usurpação da Terra e quanto mais essa mancha cresce, maior a desgraça planetária e mais perto a extinção da humanidade. Embora haja muitos que não acreditem nessa possibilidade, certamente estamos caminhando para o fim, porque não há como impedir o processo de extinção se não mudarmos radicalmente a nossa prática cotidiana. Entretanto, o tempo passa rapidamente e nada se faz. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

Fome, pobreza e miséria humana; poluição e degradação ambiental; destruição de ecossistemas naturais e extinção de espécies são cenários costumeiros e já quase naturais de tão comuns em várias áreas do planeta. E as “autoridades nacionais” dos diferentes países o que dizem? E as populações humanas o que fazem? E os grupos sociais e a as diferentes congregações comunitárias o que sugerem? Quem se responsabiliza por tentar mudar a cara do mundo para que a vida humana possa ter continuidade?

É preciso ficar claro que não se trata de salvar o planeta, até porque o planeta vai continuar existindo, independentemente de nós e de qualquer coisa que fizermos. A questão aqui é salvar a espécie humana, que parece não estar muito afim de continuar existindo, pois caminha a passos largos e em uníssono em direção ao suicídio coletivo. Não sei quanto tempo ainda temos, mas sei que está faltando pouco.

Acorda humanidade e para de brincar que a coisa é muito séria. Todo dia estão chegando novos avisos, através da ocorrência de eventos extremos e de grandes catástrofes ambientais. O que mais será preciso para que descruzemos os braços e tomemos uma atitude em prol do planeta e da vida?

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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23 mar 2014

O Consumismo e o Grande Erro da Expressão: "jogar o lixo fora"

Dentre os vários conceitos errôneos que a modernidade, o consumismo e o capitalismo têm propositadamente produzido para enganar as pessoas através do “marketing” e da propaganda enganosa, tem um que está me preocupando muito e tem causado grande transtorno na minha mente. Aliás, não só a mim, como também a todos os ambientalistas e as pessoas sérias, que ainda pensam e que estão preocupadas com as questões ambientais planetárias. O conceito em questão é o que está contido na expressão: “jogar o lixo fora”. Essa expressão, embora corriqueira, é bastante problemática e deveria dar margem a uma grande discussão. Acredito mesmo que, por fim, essa expressão deveria ser banida do vocabulário em todas as línguas e eu vou aqui fazer um pequeno preâmbulo para tentar esclarecer porque eu e algumas pessoas pensam dessa maneira.

Primeiramente, eu vou tentar explicar a ideia que se tem sobre aquilo que se convencionou chamar de lixo ou resíduo sólido (resíduo inútil ou inaproveitável).

Segundo o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, na sua primeira Edição (1975), lixo é: “aquilo que se varre da casa, do jardim, da rua, e se joga fora (grifo nosso); entulho; tudo o que não presta e se joga fora (grifo nosso); sujidade, sujeira, imundície; coisa ou coisas inúteis, velhas e sem valor. Em edição mais recente, o autor também diz que lixo são: “resíduos que resultam de atividades domésticas, industriais e comerciais”.

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) considera que lixo ou resíduo (grifo nosso): “São os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semissólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este possa fluir livremente)” (ABNT, 1987).

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1997), resíduos sólidos ou simplesmente lixo: “é todo e qualquer material sólido proveniente das atividades diárias do homem em sociedade, cujo produtor ou proprietário não o considere com valor suficiente para conservá-lo”.

Bem, acho que já basta e vou parar nessas três definições, porque elas já são mais que suficientes para que possamos refletir sobre o que seja lixo. Entretanto, se o houver necessidade, existem várias outras disponíveis na INTERNET para quem quiser se informar mais sobre o assunto.

Para começar minha explicação, devo dizer que embora sejamos obviamente seres naturais, a natureza ao contrário do homem, não conhece, não produz e nem admite a existência daquilo que chamamos lixo. Pois então, nesse sentido, quando produzimos lixo, somos seres diferentes dos demais seres naturais. Na natureza, TUDO (ABSOLUTAMENTE TUDO) é útil e aproveitável. Na natureza, qualquer sobra é momentânea, de alguma maneira e em tempo consideravelmente rápido, tudo é transformado “biofisicoquimicamente” e reaproveitado. Desta forma, nunca chega a ser uma “coisa inútil” como diz a definição do Aurélio a respeito do lixo. Assim, há de concluir que efetivamente o lixo é um atributo exclusivo, definido e criado pelo Homo sapiens à revelia da natureza e dos mecanismos naturais.

Por outro lado, é preciso esclarecer que foi o homem que produziu e desenvolveu algumas coisas que “a natureza não conhece e não entende fisicoquimicamente” e assim, ela não pode transformar essas coisas, ou se até pode, ela necessita de muito trabalho (energia) e condições temporais próprias para conseguir tal feito, o que dificulta e muitas vezes impede a transformação. Pois então, somente essas coisas que o homem produziu e que “a natureza não conhece e não entende” é que podem ser realmente chamadas de lixo.

Hoje, inventamos muitas dessas coisas: lixo eletrônico, lixo nuclear, lixo tóxico e tantas outras coisas que a natureza não conhece direito, que ela tem dificuldade de degradar para reaproveitar e talvez seja por isso mesmo que, além da super utilização de seus limitados recursos pelo homem, ela esteja ultimamente reclamando bastante e causando sérios transtornos através de eventos catastróficos cada vez mais significativos. Em suma, lixo é apenas uma invenção do homem para nominar aquilo que ele criou e não lhe interessa ou não lhe convém mais como material. O problema é que o homem transfere a sua responsabilidade e deposita esse material que ele não quer e que “a natureza não conhece e não entende” na própria natureza.

Outro conceito que eu gostaria de discutir um pouco e a noção que está contida na expressão “jogar fora”, isto é, “jogar não dentro”, ou seja, lançar alguma coisa em lugar externo. Pois então, essa é mais uma ilogicidade, porque, do ponto de vista planetário, não há nenhuma possibilidade de “jogar fora”, haja vista que da mesma maneira que qualquer coisa que utilizamos é um recurso natural, isto é, um material vindo da natureza, do Planeta Terra. Aliás, embora seja óbvio, mas parece que a gente esquece, e então cabe ressaltar, que a Terra é o único lugar que temos e de onde tiramos todas as coisas que utilizamos. Assim também, todo o resíduo que nós produzimos e chamamos de lixo é depositado aqui, no mesmo Planeta Terra. Quer dizer, “jogar fora” é algo que não existe, porque os resíduos são depositados aqui mesmo, pois tudo acontece DENTRO do Planeta Terra.

A diferença básica entre a ação planetária e a ação humana e que a Terra sabe tratar o seu resíduo rapidamente e assim o resíduo não se acumula, não se espalha, não atrapalha e nem degrada o local (Meio Ambiente), onde é lançado. Já o Homo sapiens, infelizmente, só aprendeu a gerar (produzir) resíduo e historicamente nunca achou importante tratar esse tipo de material, até recentemente. Sempre consideramos o lixo como sendo algo muito ruim, mas tão ruim mesmo, que nunca mereceu qualquer preocupação ao longo de nossa história. Pois então, talvez o lixo é realmente algo muito ruim, mas é algo que nós inventamos, criamos e desenvolvemos, por isso cumpre a nós, os seres humanos, a obrigação de cuidar dele, para que não cause nenhum mal a ninguém e nem prejudique o Planeta Terra.

Atualmente, alguns seres humanos já estão pensando de maneira diferente em relação ao lixo e estão tentando imitar a natureza, trabalhando para minimizar os efeitos desenvolvidos ao longo da história com a produção de coisas que “a natureza não conhece e não entende”. Além disso, também existem seres humanos entendendo de maneira mais clara que a expressão “jogar o lixo fora” é falaciosa, pois na verdade, indica apenas uma troca de lugar, mas deixa o lixo aqui mesmo, haja vista que tudo ocorre dentro do planeta. A expressão “jogar o lixo fora” só nos fez estocar cada vez mais materiais que “a natureza não conhece e não entende” dentro do planeta, muitas vezes ocupando espaços nobres ou estragando (poluindo e envenenando) totalmente imensas áreas planetárias. Bem, de minha parte, eu vou torcer e continuar lutando para que essa maneira de pensar ganhe progressivamente mais força e que mais humanos se preocupem com a retirada inconsequente de recursos naturais e com a produção absurda de lixo no planeta.

A única espécie que retira da natureza aquilo que não precisa é a espécie humana e o pior é que depois ainda deixa o resíduo daquilo que não aproveitou. Para minimizar alguns desses problemas tem sido extremamente comum ouvirmos falar em Reciclar, Reaproveitar, Recuperar e Reutilizar. Entretanto é preciso ter em mente que reciclar é benéfico, reaproveitar é o ótimo, recuperar e sensacional, reutilizar é importantíssimo, entretanto, não consumir é que é fundamental. É preciso que o Homo sapiens tenha mais parcimônia e coerência na utilização dos recursos naturais para não exaurir esses recursos que estão cada vez mais escassos, para não degradar o planeta e principalmente para não produzir resíduos que não possam ser tratados.

A mesma modernidade massificante e o mesmo capitalismo selvagem que nos trouxeram o consumismo exacerbado em que a humanidade tem vivido, mormente nos últimos anos, talvez também possam trazer o remédio que irá trazer a cura que estamos precisando para consumir menos, aproveitar mais os recursos naturais e consequentemente produzir menos lixo no planeta. O trabalho é relativamente simples, basta apenas investir com afinco num modo de fazer a humanidade entender que só teremos algumas coisas enquanto a Terra permitir que tenhamos e nós precisamos trabalhar para fazer com que a Terra continue permitindo. Para que a Terra continue fornecendo esses recursos que precisamos, é fundamental começar a propaganda e o “marketing” para que passemos a consumir progressivamente menos. Acredito que perdas econômicas certamente sejam muito mais interessantes do que a possível extinção da espécie em consequência da carência de recursos naturais e do excesso de lixo.

No passado, nós seres humanos, por conta da nossa busca incessante pela felicidade, fizemos muitas coisas erradas. Entretanto, nós estávamos bem intencionados e não sabíamos que aquelas coisas eram erradas. Infelizmente nós ainda não tínhamos praticamente conhecimento de Ecologia. Hoje, porém, nós não podemos e nem devemos continuar cometendo os mesmos erros do passado, até porque, hoje nós sabemos efetivamente quais são esses erros e continuar a errar conscientemente é idiotice pessoal e loucura coletiva.

A Terra é um planeta único do qual já estamos retirando anualmente cerca de 30% a mais do que seria possível repor em igual período de tempo, isso sem contar o lixo que produzimos e que volto a dizer “a natureza não conhece e não entende”. Isto é, nós já ultrapassamos o limite do possível e começamos a andar contra a realidade física. A persistir assim nessa incongruência a humanidade não terá como se manter. Acredito que esteja na hora de pararmos, refletirmos e refazermos o nosso conceito de felicidade e a nossa noção de qualidade de vida. Podemos começar entendendo que tudo vem da natureza, que apenas nós produzimos lixo e que na verdade nada se joga fora.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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31 out 2013

A Insistência no Petróleo e a Degradação Ambiental

A questão da dependência energética circula e se agrava cada vez mais pelos diferentes países que querem “crescer” (entenda gastar energia) progressiva e eternamente. Várias maneiras de adquirir energia já foram desenvolvidas, desde a queima direta da madeira, o carvão mineral, os mais diversos tipos de óleos vegetais e animais, o petróleo e todos os seus derivados, o sol, o vento, as correntes as marés e até mesmo o lixo. Enfim, já foram identificadas e desenvolvidas várias fontes e inúmeros mecanismos para a obtenção de energia.

Alguns desses mecanismos são totalmente avessos aos interesses ambientais e outros são alentadora e paradoxalmente benéficos ao meio ambiente. Pois então, em época de crise ambiental, era de se esperar que os seres humanos dentro de sua racionalidade dessem preferência e prioridade aos mecanismos de obtenção de energia que fossem favoráveis ao meio ambiente e vários países do mundo, mesmo os mais conservadores, estão trabalhando abertamente nesse sentido.

 Aqui no Brasil, como sempre, insistimos em andar na contramão da história e preferimos dar ênfase as práticas mais danosas ao meio ambiente. Além de nossa matriz energética ser altamente diversificada, pois exploramos energia de inúmeras fontes, nós quase sempre damos preferência aos projetos absurdos, como termelétricas onde não há fontes de material para queimar ou em áreas de interesse de empresas multinacionais, hidrelétricas em áreas planas de grandes florestas vivas e nucleares em áreas altamente populosas. Pois é, continuamos reinventando absurdos e, o que é pior, criando situações perigosas.

No momento presente, estamos enfeitiçados pela possibilidade de retirar o petróleo de camadas profundas e estamos achando que explorar o petróleo da camada do pré-sal para produzir energia é o melhor negócio na área energética, quando, na verdade, todos nós, inclusive o próprio governo brasileiro, sabemos que isso não é verdade. O petróleo do pré-sal é uma grande ilusão que certamente trará outras complicações operatórias, tecnológicas e econômicas, além das mais sérias ambientais.

O Brasil é um país tropical, com sol presente quase 365 dias por ano e que possui um litoral com mais de 8.500 Km de extensão, onde o vento sopra sem parar e não exploramos diretamente esse potencial de energia solar e eólica que possuímos. Entretanto, isso não parece ser suficiente e nem é o mais inacreditável de tudo.  O mais interessante é que oferecemos a capacidade de exploração dessa energia a outros países, através de alguns grupos internacionais, os quais obviamente vão se interessar porque vão destruir e degradar outros áreas e espaços físicos em terras alheias. Degradar os ambientes exóticos sempre é melhor do que os nossos.

O pior é que tem brasileiro achando que isso é bom, pois nos trará a tão sonhada independência energética e econômica. Ledo engano! Na verdade estamos voltando a ser colônia, porque estamos cada vez mais presos a uma eterna dependência monetária e financeira de outros países mais ricos. Fomos colônia efetiva por 322 anos, por imposição do colonizador. Hoje estamos voltando a ser colônia por opção exclusiva de nossos governantes. Quer dizer, voltamos a ser colônia por prazer, haja vista que somos nós mesmos que escolhemos os representantes. Estranho esse nosso comportamento, não é?

O recém aprovado pregão do Campo de Libra do pré-sal, que certamente está abrindo um caminho perigosíssimo para novos absurdos do mesmo tipo, comprova o que disse no parágrafo anterior e nos leva a condição de colônia de países mais ricos, em pleno século XXI. O Brasil, que já é a sexta ou sétima economia do mundo, agora está de volta a mesma condição de colônia que teve no passado. Será que precisamos mesmo nos vender para outras economias?

Creio que a resposta a questão do parágrafo anterior é “obviamente não”. Mas essa é apenas mais uma das muitas falcatruas desse governo incapaz que está “administrando” o Brasil. Um governo que negocia tudo o que pode e o que não pode, empobrecendo cada vez mais a nação brasileira e que engana a população com nefastos engodos sociais e, o que é pior, também está destruindo os ambientes naturais brasileiros sem nenhuma necessidade. Por que essa turma não investe em tentar produzir mais energia solar e eólica? Eu me atrevo a dizer que é simplesmente por conta da possibilidade de ser um bom negócio e de dar certo, porque aí eles poderiam deixar de ganhar mais algum dinheiro no caixa 2.

A preferência histórica do governo brasileiro, já faz muitos anos, tem sido viver a reboque de empresas multinacionais do petróleo. No passado, quando fizemos a opção errada por investir no petróleo, de acordo com os interesses externos, ainda que eu não concordasse, conseguia entender a necessidade do capital estrangeiro, haja vista que precisávamos crescer economicamente. Mas, hoje, na condição econômica que já assumimos no cenário internacional, a qual nos coloca entre os 10 países mais ricos do mundo, por que temos que vender a alma para explorar o petróleo? Aliás, cabe ressaltar, que é petróleo da camada do pré-sal, o qual, além de não dever ser explorado, pertence ao povo brasileiro e se tivesse mesmo que ser explorado, não precisaria ser dividido com ninguém.

Quando nos referimos ao petróleo da camada de Pré-sal, em primeiro lugar, sempre é importante lembrar, que por várias questões nós não precisamos e nem devemos explorar por conta dos riscos ambientais e em segundo lugar devemos também lembrar que a Petrobrás tem tecnologia suficiente e todo o “no hall” na área de petróleo sob águas profundas, pois certamente está entre as melhores empresas do mundo nesse tipo de empreendimento. Então, por que precisamos pagar alguém para explorar o que é nosso e para fazer aquilo que sabemos fazer muito bem?

Eu devo ser realmente muito ignorante, mas me recuso a acreditar, entender e muito menos aceitar esse paradoxo.

Enquanto o mundo clama por sustentabilidade, por minimizar danos ambientais, nós, aqui no Brasil, por conta de dirigentes incapazes ou mal-intencionados, seguimos na contramão da história. Exploramos o que não devemos e pagamos a gringos para degradar o nosso ambiente. O governo brasileiro acaba de propor a nação brasileira um “contrato caracu”, no qual o governo entra com a cara e o povo brasileiro entra com o resto. Caramba! Esses caras estão brincando com o povo, estão vendendo o Brasil e ninguém fala nada e ninguém vê. Ou melhor, todo mundo vê, mas não há como impedir, haja vista que esse “governo democrático” controla tudo, desde a imprensa até a justiça e infelizmente até mesmo a opinião pública que, segundo as pesquisas eleitorais, continuará votando na sua manutenção.

Não sei, mas me parece que o Brasil está mesmo num mato sem cachorro e o meio ambiente brasileiro está fadado a total destruição depois da recente aprovação do Novo Código Florestal e agora com a aprovação da exploração petrolífera da Camada do pré-sal por um grupo multinacional, a farra está quase completa. Mas, aguardem porque ainda não acabou, pois certamente ainda vem por aí, mais uma vez, a tentativa do desarmamento da população e está chegando também o Novo Código de Mineração para tomarem conta de tudo e acabarem de vez com o Brasil.

Pois é, e dizem que Deus é brasileiro e pelo que estou vendo, além de brasileiro, Deus também é militante ativo do PT, porque com todas as safadezas e picaretagens, nada acontece em contrário aos interesses dos poderosos petistas. Nação brasileira, vamos acordar o Brasil.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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