Tag: meio ambiente

20 jun 2020
REFLEXÕES SOBRE O CONSUMO EXAGERADO (CONSUMISMO)

REFLEXÕES SOBRE O CONSUMO EXAGERADO (CONSUMISMO)

Resumo: Nesse é proposta uma reflexão sobre a nossa maneira de consumo e como a humanidade tem tratado os recursos naturais que o planeta nos fornece e que nos mantêm vivos. Além disso, é questionada a nossa preocupação com os futuros seres humanos, aqueles que nem nasceram ainda. E a questão que fica é a seguinte: que planeta estamos construindo para os que virão?


Uma das questões ambientais que mais tem preocupado a humanidade atualmente é o Consumismo, isto é, a mania de consumir sem necessidade, ou melhor, o consumo exagerado de produtos: consumismo é o consumo feito por vício, um grande prazer em consumir. Vou me ater aqui, apenas a questão do consumismo como uso excessivo e desnecessário dos Recursos Naturais e não vou me preocupar com as questões econômicas relacionadas ao tema.

Vejam bem, o homem, como qualquer espécie viva retira e consome produtos naturais ou produtos derivados de produtos naturais. Quer dizer, na verdade qualquer coisa que usamos se origina de matéria prima (Recursos Naturais) que vêm da natureza, isto é, do planeta Terra. Os demais organismos também se utilizam de recursos naturais oriundos da Terra, mas eles usam aquilo que efetivamente necessitam, enquanto o homem, “Dono da Terra”, usa o que quer.

Pois então, a humanidade tem que entender que o verbo necessitar não é sinônimo de querer, a necessidade é imperante e vital, enquanto o querer e diletante e opcional. A humanidade não só tem que entender essa questão, como precisa agir no sentido que ela seja uma prioridade comportamental. Isto é, o consumo humano tem que passar a ser um mecanismo de auto-regulação do uso dos recursos naturais, para garantir a manutenção desses recursos às futuras gerações.

Nos apropriamos da natureza e assim fazemos dela o uso que bem queremos, sem nos importar com as demais formas vivas e principalmente, sem nos preocuparmos com os demais seres humanos do planeta. Usamos e esgotamos tudo a nosso bel prazer, sem medir as consequências desse uso. Essa maneira de agir é consumismo e esse processo degradante tem que acabar para o bem da própria humanidade.

Consumir, obviamente é necessário, mas extrapolar o consumo é desperdício de recursos naturais e, pior ainda, é impedir que outros, que efetivamente necessitam daquele recurso, possam se utilizar dele. O Planeta Terra e a natureza sempre nos forneceram tudo que necessitamos e poderão continuar fornecendo por muito tempo, desde que saibamos utilizar os recursos naturais com parcimônia. Como disse Gandhi: “na Terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”.

A Humanidade tem confundido a ideia de patrimônio natural com a ideia de recurso natural e tem entendido que todo o patrimônio da Terra deve virar recurso para a própria humanidade. Temos agido como se achássemos que todo o patrimônio planetário está aí para ser dilapidado e exaurido pelo homem, mas certamente essa é uma maneira errônea de pensar e principalmente de agir. É bom lembrar que se usarmos tudo hoje, não sobrará coisa alguma e assim, vai fazer falta lá na frente. Ou seja, estamos impedindo que os humanos que nem nasceram, possam nascer e ter os mesmos direitos que tivemos até aqui. Precisamos considerar esse fato e compatibilizar a nossa forma de consumo, dentro de um padrão racional e sem exageros.

Eu poderia ficar dando vários exemplos sobre o consumismo e uso indevido dos recursos naturais, mas vou me limitar e dar aqui apenas três exemplos para esclarecer melhor e tentar demonstrar mais efetivamente o que estou querendo dizer, quanto aos danos produzidos pelo excesso de consumo pela Humanidade.

Num primeiro momento vamos pensar no simples ato de pescar. Se um pescador amador sai de casa para pescar, deve ser imaginado que a princípio ele pesca para se alimentar ou até para se distrair e se divertir. Mas, ao pescar de fato, certamente a grande maioria dos pescadores, não se contentarão em trazer apenas os peixes necessários para o seu consumo e de sua família ou em devolver vivos aqueles que pescou apenas por lazer. Na verdade, eles acabam pegando todos os peixes que forem possíveis e posteriormente, até jogam alguns no lixo, depois de mortos.

Quer dizer, eles tiram a vida dos peixes e os transformam em lixo, impedindo que pudessem ser utilizados como alimento por outros seres humanos ou mesmo por outros animais.  É claro que aqueles peixes mortos também servirão de alimento para outros organismos, mas se eles não fossem mortos desnecessariamente, talvez o número de peixes na próxima temporada pudesse ser maior, em consequência da maior possibilidade de reprodução e geração de descendentes.

 Além disso, sem a interferência humana, ou, pelo menos sem o exagero da interferência humana, talvez houvesse um benefício ao próprio ecossistema onde estavam os peixes. Por outro lado, isso poderia enriquecer a pesca e beneficiar mais gente (mais humanos). Enfim, é possível fazer várias conjecturas, mas geralmente não se faz nenhuma delas e apenas se pesca, se retira e se mata o que não interessa. O peixe aqui é só um modelo de recurso natural e nesse exemplo pode ser demonstrado que o desperdício numa simples pescaria também é uma forma de consumismo.

Outro situação interessante pode ser aquela, já famosa, do número de aparelhos eletrodomésticos nas casas, as televisões, por exemplo. Até três ou quatro dezenas de anos atrás, cada casa geralmente tinha (quando tinha) uma televisão e todos os membros da família iam muito bem e estavam satisfeitos quanto a essa condição. Roa, então por que hoje tem que existir uma TV em cada canto da casa, se na casa só residem, por exemplo, duas pessoas? Na verdade, uma só TV bastaria ou, no máximo duas, uma para cada uma das pessoas (o que já seria um absurdo), mas não; nós preferimos colocar uma em cada lugar e nos esquecemos que tem muita gente, muito ser humano como nós, sem TV nenhuma.

Aliás, tem muito ser humano por aí, sem casa e sem abrigo, o que é um grande absurdo e a maioria dos humanos não está nem aí para esse fato. O hábito de comprar nos ilude, nos tira da realidade e nos leva a supor que, quando estamos comprando algo é quase como se pudéssemos tudo, inclusive esconder a realidade da desgraça humana, onde mais de 1 bilhão de pessoas, seres humanos como nós, vivem na mais total miserabilidade. O Consumismo também nos transforma sem seres mais egoístas, insanos e inconsequentes.

Por fim quero falar também de outro exemplo interessante e trágico, que o da exploração dos recursos minerais, a mineração. Quando se trata de retirar minério, seja ele qual for, sempre se pensa em tirar tudo, muitas vezes sem nem saber se aquilo vai de fato ser utilizado por alguém naquele momento, pois é importante ter “reservas” do mineral. Mas, eu pergunto: por que as riquezas minerais não podem ficar no terreno, onde se formaram?

Na verdade, com a quantidade de minérios que já retiramos do planeta, se tivéssemos uma visão sustentável do uso real e efetivo dos minerais, além dos possíveis mecanismos de reciclagem desses materiais, talvez não precisássemos mais retirá-los da natureza de maneira progressiva e aviltante até esgotá-los como temos feito. Quanta coisa se estraga por desuso e quanta coisa se destrói por uso indevido.

Será que precisamos mesmo retirar totalmente o minério encontrado num dado lugar? Será que é correto, ou melhor, que é humano, prejudicar a muitos indivíduos para beneficiar alguns com a extração mineral? E aqui, não se está nem fazendo referência ao dano ambiental extremamente significativo da mineração.

Vejam bem, que coerência têm esses três exemplos, para quem vive num espaço limitado, com recursos naturais escassos e definidos como é a Terra? Por que o ser humano parece gostar de estragar, de destruir, de gastar e de desperdiçar o planeta? Acredito que seja preciso pensar no futuro, se é que realmente se pretende ter um futuro?

Se a maior parte da humanidade continua gerando filhos e netos e se alguns humanos ainda estiverem pensando em possuir bisnetos, trinetos e etc., então, há que se preparar para se entregar, para essa geração futura, um planeta com uma quantidade razoável de recursos naturais para que eles possam viver e sobreviver. Ou será que estou errado em pensar dessa maneira?

Aqui cabe discutir rapidamente sobre esses dois termos: viver e conviver. Viver é a condição de estar vivo, isto é, metabolicamente ativo, mas para que isso aconteça é necessário que se tenha o mínimo necessário de recursos que viabilizem essa condição e isso é que nos permite sobreviver. Assim, sobreviver é continuar vivendo.  Para continuar vivendo precisaremos sempre de recursos naturais, não existe outra possibilidade, porque não há mágica na natureza.

Sendo assim, logicamente não podemos consumir todos os recursos naturais agora, nem usar todos os produtos deles derivados nesse momento. O futuro é uma “caixinha de surpresas”, que está sendo construída pelas nossas ações cotidianas ao longo da história humana e até aqui, sinto dizer, mas, não trabalhamos de forma correta, pois caminhamos na contramão dos interesses maiores da humanidade.

Será que aquele pescador pensa nessa situação, quando pesca mais do que precisa? Será que aquele telespectador pensa nessa situação, quando enche sua casa de aparelhos de televisão? Será que aquele minerador pensa nessa situação quando extrai todo o minério de uma determinada mina? Será que a humanidade pensa realmente naqueles seres humanos que ainda virão?

Senhores, é preciso que a Humanidade acorde para a realidade. Urge que seja mudada nossa filosofia de vida e o nosso comportamento em relação ao planeta. É fundamental começar a pensar mais seriamente na nossa relação com os nossos futuros descendentes. Já foi dito várias vezes e vou repetir mais uma, que é impossível retirar para sempre as coisas do mesmo lugar, porque, por uma questão física, certamente um dia as coisas vão acabar. Deste modo, tem que existir uma maneira sustentável de garantir uso indeterminado e mais prolongado possível dos recursos naturais.

Dessa mesma maneira torna-se premente o entendimento de que é impossível consumir sem responsabilidade, porque hoje já temos quase 8 bilhões de seres humanos no planeta e a população humana não para de crescer. De alguma forma, toda humanidade tem e continuará tendo as mesmas necessidades básicas para sobreviver. Temos que garantir que esses recursos sejam perpetuados.

Assim, é preciso uma tomada de consciência a fim de que seja possível parar de consumir por puro prazer e que se passe a consumir apenas o estritamente necessário, sem desperdício de recursos naturais. Aqui vale lembrar o ditado que diz: “dia de muito é véspera de pouco”. E eu tomo a liberdade de complementar: “dia de muito é véspera de pouco [e antevéspera de nada]”.

Pensem nisso e tentem limitar o consumo dos recursos naturais ao mínimo necessário e se, por ventura, observarem que não estão conseguindo, por favor, procurem ser mais responsáveis, mais parcimoniosos e sobretudo mais racionais no tratamento e uso desses recursos naturais, tentando se educarem progressivamente, se autoquestionando com aquelas três perguntinhas básicas: Quero? Posso? Devo? 

Se vocês responderem não a qualquer uma das três questões básicas, por favor, procurem outro meio para resolver aquele problema ou usem outros recursos que possam produzir danos menores (menos significativos) ao patrimônio do planeta. Pensem que, desde já, a humanidade e principalmente as gerações futuras agradecem.

Uma das questões ambientais que mais tem preocupado a humanidade atualmente é o Consumismo, isto é, a mania de consumir sem necessidade, ou melhor, o consumo exagerado de produtos: consumismo é o consumo feito por vício, um grande prazer em consumir. Vou me ater aqui, apenas a questão do consumismo como uso excessivo e desnecessário dos Recursos Naturais e não vou me preocupar com as questões econômicas relacionadas ao tema.

Vejam bem, o homem, como qualquer espécie viva retira e consome produtos naturais ou produtos derivados de produtos naturais. Quer dizer, na verdade qualquer coisa que usamos se origina de matéria prima (Recursos Naturais) que vêm da natureza, isto é, do planeta Terra. Os demais organismos também se utilizam de recursos naturais oriundos da Terra, mas eles usam aquilo que efetivamente necessitam, enquanto o homem, “Dono da Terra”, usa o que quer.

Pois então, a humanidade tem que entender que o verbo necessitar não é sinônimo de querer, a necessidade é imperante e vital, enquanto o querer e diletante e opcional. A humanidade não só tem que entender essa questão, como precisa agir no sentido que ela seja uma prioridade comportamental. Isto é, o consumo humano tem que passar a ser um mecanismo de auto-regulação do uso dos recursos naturais, para garantir a manutenção desses recursos às futuras gerações.

Nos apropriamos da natureza e assim fazemos dela o uso que bem queremos, sem nos importar com as demais formas vivas e principalmente, sem nos preocuparmos com os demais seres humanos do planeta. Usamos e esgotamos tudo a nosso bel prazer, sem medir as consequências desse uso. Essa maneira de agir é consumismo e esse processo degradante tem que acabar para o bem da própria humanidade.

Consumir, obviamente é necessário, mas extrapolar o consumo é desperdício de recursos naturais e, pior ainda, é impedir que outros, que efetivamente necessitam daquele recurso, possam se utilizar dele. O Planeta Terra e a natureza sempre nos forneceram tudo que necessitamos e poderão continuar fornecendo por muito tempo, desde que saibamos utilizar os recursos naturais com parcimônia. Como disse Gandhi: “na Terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”.

A Humanidade tem confundido a ideia de patrimônio natural com a ideia de recurso natural e tem entendido que todo o patrimônio da Terra deve virar recurso para a própria humanidade. Temos agido como se achássemos que todo o patrimônio planetário está aí para ser dilapidado e exaurido pelo homem, mas certamente essa é uma maneira errônea de pensar e principalmente de agir. É bom lembrar que se usarmos tudo hoje, não sobrará coisa alguma e assim, vai fazer falta lá na frente. Ou seja, estamos impedindo que os humanos que nem nasceram, possam nascer e ter os mesmos direitos que tivemos até aqui. Precisamos considerar esse fato e compatibilizar a nossa forma de consumo, dentro de um padrão racional e sem exageros.

Eu poderia ficar dando vários exemplos sobre o consumismo e uso indevido dos recursos naturais, mas vou me limitar e dar aqui apenas três exemplos para esclarecer melhor e tentar demonstrar mais efetivamente o que estou querendo dizer, quanto aos danos produzidos pelo excesso de consumo pela Humanidade.

Num primeiro momento vamos pensar no simples ato de pescar. Se um pescador amador sai de casa para pescar, deve ser imaginado que a princípio ele pesca para se alimentar ou até para se distrair e se divertir. Mas, ao pescar de fato, certamente a grande maioria dos pescadores, não se contentarão em trazer apenas os peixes necessários para o seu consumo e de sua família ou em devolver vivos aqueles que pescou apenas por lazer. Na verdade, eles acabam pegando todos os peixes que forem possíveis e posteriormente, até jogam alguns no lixo, depois de mortos.

Quer dizer, eles tiram a vida dos peixes e os transformam em lixo, impedindo que pudessem ser utilizados como alimento por outros seres humanos ou mesmo por outros animais.  É claro que aqueles peixes mortos também servirão de alimento para outros organismos, mas se eles não fossem mortos desnecessariamente, talvez o número de peixes na próxima temporada pudesse ser maior, em consequência da maior possibilidade de reprodução e geração de descendentes.

 Além disso, sem a interferência humana, ou, pelo menos sem o exagero da interferência humana, talvez houvesse um benefício ao próprio ecossistema onde estavam os peixes. Por outro lado, isso poderia enriquecer a pesca e beneficiar mais gente (mais humanos). Enfim, é possível fazer várias conjecturas, mas geralmente não se faz nenhuma delas e apenas se pesca, se retira e se mata o que não interessa. O peixe aqui é só um modelo de recurso natural e nesse exemplo pode ser demonstrado que o desperdício numa simples pescaria também é uma forma de consumismo.

Outro situação interessante pode ser aquela, já famosa, do número de aparelhos eletrodomésticos nas casas, as televisões, por exemplo. Até três ou quatro dezenas de anos atrás, cada casa geralmente tinha (quando tinha) uma televisão e todos os membros da família iam muito bem e estavam satisfeitos quanto a essa condição. Roa, então por que hoje tem que existir uma TV em cada canto da casa, se na casa só residem, por exemplo, duas pessoas? Na verdade, uma só TV bastaria ou, no máximo duas, uma para cada uma das pessoas (o que já seria um absurdo), mas não; nós preferimos colocar uma em cada lugar e nos esquecemos que tem muita gente, muito ser humano como nós, sem TV nenhuma.

Aliás, tem muito ser humano por aí, sem casa e sem abrigo, o que é um grande absurdo e a maioria dos humanos não está nem aí para esse fato. O hábito de comprar nos ilude, nos tira da realidade e nos leva a supor que, quando estamos comprando algo é quase como se pudéssemos tudo, inclusive esconder a realidade da desgraça humana, onde mais de 1 bilhão de pessoas, seres humanos como nós, vivem na mais total miserabilidade. O Consumismo também nos transforma sem seres mais egoístas, insanos e inconsequentes.

Por fim quero falar também de outro exemplo interessante e trágico, que o da exploração dos recursos minerais, a mineração. Quando se trata de retirar minério, seja ele qual for, sempre se pensa em tirar tudo, muitas vezes sem nem saber se aquilo vai de fato ser utilizado por alguém naquele momento, pois é importante ter “reservas” do mineral. Mas, eu pergunto: por que as riquezas minerais não podem ficar no terreno, onde se formaram?

Na verdade, com a quantidade de minérios que já retiramos do planeta, se tivéssemos uma visão sustentável do uso real e efetivo dos minerais, além dos possíveis mecanismos de reciclagem desses materiais, talvez não precisássemos mais retirá-los da natureza de maneira progressiva e aviltante até esgotá-los como temos feito. Quanta coisa se estraga por desuso e quanta coisa se destrói por uso indevido.

Será que precisamos mesmo retirar totalmente o minério encontrado num dado lugar? Será que é correto, ou melhor, que é humano, prejudicar a muitos indivíduos para beneficiar alguns com a extração mineral? E aqui, não se está nem fazendo referência ao dano ambiental extremamente significativo da mineração.

Vejam bem, que coerência têm esses três exemplos, para quem vive num espaço limitado, com recursos naturais escassos e definidos como é a Terra? Por que o ser humano parece gostar de estragar, de destruir, de gastar e de desperdiçar o planeta? Acredito que seja preciso pensar no futuro, se é que realmente se pretende ter um futuro?

Se a maior parte da humanidade continua gerando filhos e netos e se alguns humanos ainda estiverem pensando em possuir bisnetos, trinetos e etc., então, há que se preparar para se entregar, para essa geração futura, um planeta com uma quantidade razoável de recursos naturais para que eles possam viver e sobreviver. Ou será que estou errado em pensar dessa maneira?

Aqui cabe discutir rapidamente sobre esses dois termos: viver e conviver. Viver é a condição de estar vivo, isto é, metabolicamente ativo, mas para que isso aconteça é necessário que se tenha o mínimo necessário de recursos que viabilizem essa condição e isso é que nos permite sobreviver. Assim, sobreviver é continuar vivendo.  Para continuar vivendo precisaremos sempre de recursos naturais, não existe outra possibilidade, porque não há mágica na natureza.

Sendo assim, logicamente não podemos consumir todos os recursos naturais agora, nem usar todos os produtos deles derivados nesse momento. O futuro é uma “caixinha de surpresas”, que está sendo construída pelas nossas ações cotidianas ao longo da história humana e até aqui, sinto dizer, mas, não trabalhamos de forma correta, pois caminhamos na contramão dos interesses maiores da humanidade.

Será que aquele pescador pensa nessa situação, quando pesca mais do que precisa? Será que aquele telespectador pensa nessa situação, quando enche sua casa de aparelhos de televisão? Será que aquele minerador pensa nessa situação quando extrai todo o minério de uma determinada mina? Será que a humanidade pensa realmente naqueles seres humanos que ainda virão?

Senhores, é preciso que a Humanidade acorde para a realidade. Urge que seja mudada nossa filosofia de vida e o nosso comportamento em relação ao planeta. É fundamental começar a pensar mais seriamente na nossa relação com os nossos futuros descendentes. Já foi dito várias vezes e vou repetir mais uma, que é impossível retirar para sempre as coisas do mesmo lugar, porque, por uma questão física, certamente um dia as coisas vão acabar. Deste modo, tem que existir uma maneira sustentável de garantir uso indeterminado e mais prolongado possível dos recursos naturais.

Dessa mesma maneira torna-se premente o entendimento de que é impossível consumir sem responsabilidade, porque hoje já temos quase 8 bilhões de seres humanos no planeta e a população humana não para de crescer. De alguma forma, toda humanidade tem e continuará tendo as mesmas necessidades básicas para sobreviver. Temos que garantir que esses recursos sejam perpetuados.

Assim, é preciso uma tomada de consciência a fim de que seja possível parar de consumir por puro prazer e que se passe a consumir apenas o estritamente necessário, sem desperdício de recursos naturais. Aqui vale lembrar o ditado que diz: “dia de muito é véspera de pouco”. E eu tomo a liberdade de complementar: “dia de muito é véspera de pouco [e antevéspera de nada]”.

Pensem nisso e tentem limitar o consumo dos recursos naturais ao mínimo necessário e se, por ventura, observarem que não estão conseguindo, por favor, procurem ser mais responsáveis, mais parcimoniosos e sobretudo mais racionais no tratamento e uso desses recursos naturais, tentando se educarem progressivamente, se autoquestionando com aquelas três perguntinhas básicas: Quero? Posso? Devo? 

Se vocês responderem não a qualquer uma das três questões básicas, por favor, procurem outro meio para resolver aquele problema ou usem outros recursos que possam produzir danos menores (menos significativos) ao patrimônio do planeta. Pensem que, desde já, a humanidade e principalmente as gerações futuras agradecem.

É fundamental que seja feito o exercício de se lembrarem diuturnamente que temos um só planeta Terra e que dele tiramos absolutamente tudo que precisamos e que utilizamos dele para sobreviver. Assim, eu acredito que, apesar de nosso egoísmo e pensando como espécie biológica que evolui, ainda queremos, podemos e devemos viver e sobreviver aqui na Terra por muito tempo.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (64)

05 jun 2020
ALVÍSSARAS AOS FUTUROS DIAS INTERNACIONAIS DO MEIO AMBIENTE

ALVÍSSARAS AOS FUTUROS DIAS INTERNACIONAIS DO MEIO AMBIENTE

Resumo: O artigo traz umpequeno resumo histórico da degradação ambiental planetária causada pela espécie humana desde o surgimento de nossa espécie até hoje. Como esta situação é impossível de ter continuidade, é considerado que daqui para frente as coisas terão que caminhar de maneira diferente, pois a vida e o planeta deverão passar a ser as prioridades nas ações humanas.


“Ainda há tempo para a Humanidade aqui na Terra, mas temos que parar de andar na contramão da história e do planeta” “A Humanidade, que tem um só planeta, também precisava ter, apenas e tão somente, um único povo”
(Luiz E. Corrêa Lima, 2020) (Luiz E. Corrêa Lima, 2020)

Meus amigos, hoje é dia 05 de junho, data dedicada ao Meio Ambiente, pela Organização das Nações Unidas, desde 1972, portanto, como estamos em 2020, podemos dizer que o Meio Ambiente no mundo está completando oficialmente 48 anos hoje, ainda que a história do planeta tenha cerca de 5 bilhões e que os seres humanos e, em especial a nossa espécie tenha algo em torno de 350 mil anos. No início nossa espécie era uma espécie nômade, composta de caçadores e coletores, que caminhavam e sobreviviam em pequenos grupos, sem causar grandes danos ambientais, pois o efeito era apenas local e logo se dispersava, quando o grupo, por algum motivo ia embora dali.

A fase mais antiga da Pré-história, que vem desde o surgimento dos primeiros hominídeos (até cerca de 13 mil anos A.P.) é o momento da diáspora dos diferentes grupos humanos e da produção de suas diversas características fundamentais. Esses grupos se espalharam pela África e acerca de 75 a 70 mil anos já existia humanos na Ásia e a 40 mil anos estavam na Europa. Aqui na América a chegada dos humanos ainda é muito discutida, mas certamente não se deu há menos de 10 mil anos.

Entre 60 e 50 mil anos, ainda no Período Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada, que durou até próximo de 10 mil anos a.C., o ser humano aprendeu a utilizar o fogo, desenvolveu significativo grau de interação social e cultural. Nessa época, além da comunicação com linguagem gestual, possivelmente passou a desenvolver também a linguagem oral. Progressivamente criou e aperfeiçoou ferramentas, sempre usando pedras e desenvolveu a música, as crenças e arte de fazer pinturas rupestres.

No Período Mesolítico (entre 13 a 9 mil anos a.C.), ocorre a supremacia das populações dos caçadores coletores sobre os essencialmente caçadores, possivelmente por conta da resistência maior à carência de alimento nos locais onde as glaciações foram mais intensas. Nesse período, parece também terem sido desenvolvidas as cerâmicas e a tecelagem.

No Período Neolítico ou Idade da Pedra Polida (até 3mil a.C.) surgem a escrita e a agricultura, esta última é seguida pela domesticação dos animais para uso agrícola (tração animal) e também para locomoção e transporte. Como consequência dessas coisas que passam a garantir a produção de alimento, cresce a possibilidade de sedentarização.  Deste modo, surge a arquitetura, as primeiras construções de pedra e se desenvolvem as primeiras vilas e cidades. Ao final do Neolítico (Idade dos Metais) progressivamente ocorre a substituição da pedra pelo metal e consequentemente o desenvolvimento da metalurgia.

Mas se, considerarmos os tempos históricos, a partir do surgimento da escrita, como fazem alguns historiadores, podemos considerar as implicações humanas efetivas, desde 4 mil anos antes de Cristo. Deste modo, os quatro períodos fundamentais da História: Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea, se estabelecem de 4 mil anos a.C. até hoje.

Sempre utilizamos, os recursos naturais planetários e assim, de alguma forma sempre impactamos o ambiente, retirando coisas, mudando paisagens e criando novas imagens, mas certamente nossas ações só começaram a ser ambientalmente mais danosas, a partir do final da Idade Moderna e se acentuaram bastante pela Idade Contemporânea, quando nossos problemas ambientais começaram a ter significado planetário mais efetivo e contundente.

Na Idade Antiga, os seres humanos ocupavam ainda uma pequena faixa de terras planetárias às margens de grandes rios, mas as populações ainda eram muito pequenas para produzir grandes danos ambientais e a própria condição natural planetária era capaz de resolver a grande maioria dos problemas que pudessem existir. Excetuando as questões ligadas a exploração mineral, que ainda eram rudimentares naquela época, o planeta ainda não tinha porque reclamar das ações humanas até então.

Na idade Média, além das inúmeras guerras, que acabaram por devastar algumas áreas relativamente importantes, também ocorreram muitos desmatamentos para a retirada da madeira a ser utilizada na construção e na queima para a produção de energia. Além disso, a exploração mineral se acentua e foram produzidas inúmeras mudanças de paisagens para fins agrícolas, como formação de hortas e pomares, mormente na Europa. Mas, ainda assim, o dano era pouco significativo, pois tudo ocorria na base da picareta e do machado, além do que, as populações não eram grandes.

As necessidades energéticas eram baixas e as técnicas para produção de energia ainda eram insipientes, se limitavam a exploração e retirada do carvão ou da retirada e queima do carvão vegetal. Além de algumas poucas tarefas caseiras, o artesanato e a manufatura eram as únicas atividades que dependiam de energia. Assim, a necessidade era pouca e havia muita possibilidade de regeneração das áreas florestadas. O que passava a ser mais complicado e cada vez mais significativo era a exploração mineral, mas a Terra ainda não se demonstrava incomodada com as ações humanas.

Quer dizer, nós começamos realmente a fazer mal ao planeta, na Idade Moderna, por volta de 1750, com a Primeira Revolução Industrial e continuamos mais drasticamente pela Idade Contemporânea. Ou seja, foi apenas nesses últimos 250 anos, particularmente nos últimos 70 anos, que nossa espécie dizimou minerais, plantas, animais e conturbou de vez toda a dinâmica planetária. Aliás, nos últimos 70 anos se degradou mais o planeta do que em toda a história humana.

Pois então, de qualquer maneira, independentemente da data considerada, para definir desde quando efetivamente fazemos danos irreversíveis no planeta, temos uma certeza. O nosso atraso no que tange ao cuidado com o planeta e com as questões ambientais é realmente imenso. Temos um passivo ambiental enorme e se não bastasse isso, de 1972 para cá, apesar de todo o avanço científico e tecnológico que conseguimos obter, nesses 48 anos, principalmente no que diz respeito às ações erradas que cometemos ambientalmente, quase nada mudou no nosso comportamento em relação ao planeta e às demais criaturas nele existente.

Nesses 48 anos, continuarmos aumentando a população humana absurdamente e assim as necessidades de recursos naturais só se ampliaram e nós não pararmos de degradar o planeta. Ao contrário, nós acentuamos drasticamente a destruição dos ambientes naturais, porque além de retirar os recursos, nós modificamos fisionômica e fisiologicamente os ambientes, cada vez mais. Exploramos e deixamos à mingua todos os minerais possíveis de serem explorados. Com essa exploração mineral absurda, temos marcado a superfície do planeta com cicatrizes perpétuas, muitas vezes sem necessidade, porque o minério não tem como sair dali por si só, apenas para garantir um patrimônio econômico maior.

Desmatamos quase todas as Florestas Naturais à busca de madeiras nobres para os mais diversos fins e queimamos a mata baixa de várias regiões para fazer áreas de pastagens para o gado, sem nos importarmos com as milhares de espécies de organismos vivos que são mortas nesses processos.  As poucas espécies que sobram, matamos aleatoriamente ou vendemos nos comércios ilegais de organismos vivos, particularmente o tráfico ilegal de fauna silvestre, que é o terceiro maior negócio econômico do mundo.

Contaminamos a água com esgoto doméstico lançado diretamente nos cursos de água sem nenhum tratamento e envenenamos esses mesmos cursos de água com componentes químicos industriais, mormente metais pesados e resíduos dos mais diversos pesticidas e fertilizantes organoclorados. Além de possuirmos o mal hábito de jogar tudo que não nos interessa nos cursos da água, o que tem levado à morte de vários rios. Aquecemos as águas por conta de efluentes e emissários de indústrias e usinas que utilizam água quente em seus processos, matando inúmeros organismos e mudando gradativamente a biota aquática, nos cursos de água que recebem essa água aquecida.

Por outro lado, transformarmos os oceanos em grandes lixões, principalmente devido à grande quantidade de plásticos e outras coisas indesejáveis, que têm causado, além da poluição, a morte de inúmeros animais marinhos. Isso sem contar os constantes derramamentos de cargueiros carregados de petróleo, que causam contaminação indescritível.  Os grandes vertebrados marinhos e particularmente as aves aquáticas têm sido os animais mais prejudicados com esses absurdos, mas todo o ambiente marinho sofre, até porque as cadeias alimentares são intensamente prejudicadas, haja vista que o óleo acumulado na superfície das águas acaba impedindo a entrada de luz e consequentemente inviabilizando a fotossíntese das algas fitoplanctônicas.

Destruímos o solo com a imensa variedade de agrotóxicos que são aplicados, muitas vezes sem nenhuma necessidade, apenas para manter alta produtividade, o que hoje é muito questionável, pois já existem várias técnicas agrícolas que permitem produzir mais sem uso desses venenos. Muitos solos foram totalmente destruídos e estão estagnados devido ao excesso de exploração, ou estão em processo de desertificação por conta desse mal uso dos agrotóxicos e implementos agrícolas.

Poluímos o ar das cidades com as fuligens e particulados de hidrocarbonetos oriundos das queimadas ou dos processos industriais das fábricas e também com inúmeros compostos químicos gasosos indesejáveis, como Monóxido de Carbono (CO), Óxidos de Nitrogênio (NOx), Óxidos de Enxofre (SOx) e Ozônio (O3), por conta da queima de combustíveis fósseis. Esses gases, além de tóxicos, como o CO, os NOx e o O3, outros podem causar Chuvas Ácidas (SOx).

Por outro lado, a queima de combustíveis orgânicos, também libera (Dióxido de carbono) CO2 e como as queimas não param, a taxa de CO2 na atmosfera, tem crescido indefinidamente, o que causa aumento progressivo da temperatura planetária, o tão falado Aquecimento Global. A redução da taxa de CO2 depende direta e exclusivamente dos organismos fotossintetizantes (principalmente plantas e algas), mas como o homem vem, cada vez mais, desmatando e destruindo plantas e poluindo as águas, a taxa de CO2 só tem aumentado e o aquecimento global também.  

Cabe ressaltar que existe outro gás, resultante de queima e decomposição orgânica, cuja a taxa ainda é pouco significativa na atmosfera, mas que tem crescido progressivamente é o Metano (CH4). Esse gás, junto com o CO2, constituem os principais responsáveis pelo Efeito Estufa, que embora seja um processo natural importantíssimo para permitir e manter a vida no planeta, também atua no aumento da temperatura. Se a taxa de Metano aumentar muito a questão pode se complicar mais drasticamente porque ele é 20 vezes mais eficiente como gás de efeito estufa que o CO2.

Reduzimos fortemente alguns Biomas e até extinguimos alguns ecossistemas naturais inteiramente. Ambientes que a natureza levou milhares de anos para produzir, foram totalmente modificados e hoje não mais existem. Assim, estamos descaracterizando toda a biodiversidade planetária e exterminando os bancos genéticos naturais com a extinção progressiva de espécies parcial ou totalmente. Enfim, os absurdos nunca pararam de acontecer.

Por sua vez, a natureza ultimamente tem se demonstrado irada e tem tratado de produzir respostas cada vez mais violentas e significativas, porque o planeta, simplesmente, não aguenta mais de tanta degradação. Desta maneira, as catástrofes são cada vez mais comuns e mais drásticas. As enchentes são grandiosas, as secas são terríveis, os furacões mais destruidores, os terremotos mais arrasadores, os tsunamis mais violentos e as erupções vulcânicas mais contundentes. E se não bastasse, novas doenças são cada vez mais frequentes, novos vírus surgem e causam moléstias de fácil disseminação, criando epidemias cada vez mais arrebatadoras e complicadas.

Nem bem resolvemos os problemas oriundos da ação do Vírus H1N1 e apareceu o Corona Vírus (COVID 19), que está por aí fazendo vítimas em todo mundo. A espécie humana, que não via uma grande pandemia desde 1918, quando começou a Gripe Espanhola, que se alastrou até 1920 e infectou mais de 500 milhões de pessoas, matando cerca de 50 milhões, está novamente abalada e assustada com o COVID 19. Embora sua capacidade de letalidade seja relativamente baixa, seu grau de contaminação é extremamente grande.

Segundo dados publicados pela BBC News Brasil, em 02 de junho de 2020, que foram fornecidos pela Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), até o dia 31 de maio, o COVID 19 já havia superado a marca de 6.200.000 de infectados e 375.000 mortos no mundo. Aqui no Brasil, já passamos de 500.000 infectados e temos quase 30.000 mortos e os números não param de crescer. Todos estamos querendo saber, como e quando isso vai parar.

Já existem vários estudos provando e assim, não há mais dúvidas de que essas grandes catástrofes atuais e a plêiade de novas doenças infecciosas de origem zoonótica, inclusive o COVID 19, são consequências direta do tratamento irresponsável que a humanidade tem dado ao Meio Ambiente e às questões ambientais. Agora resta saber, o que estamos realmente querendo para o futuro? Queremos que as catástrofes e doenças continuem, cada vez mais drásticas e violentas? Ou que as coisas possam voltar a ser mais brandas e ocasionais dentro da normalidade que sempre existiu?

A resposta à essas perguntas dependerá exclusivamente do caminho que a humanidade tomará após à passagem do COVID 19. Mas, tenhamos certeza, que se continuarmos pensando em crescimento econômico ilimitado num planeta que é finito, do qual retiramos todos os recursos que usamos, estaremos fadados a permanecer no caos e progressivamente aumenta-lo, até a nossa extinção. A tecnologia pode até fazer alguns milagres, mas não consegue multiplicar as coisas e assim, fisicamente é impossível tirar mais do que o que existe num determinado local.

A Terra é uma só e tudo que tivemos, temos e teremos certamente veio, vem e continuará vindo daqui mesmo. Pode ser que descubramos outros mundos, mas, por enquanto, temos que nos manter e dar direito às gerações futuras de também se manterem, com as coisas que estão aqui na Terra. Agora parece que está mais claro para todos os seres humanos, que o nosso procedimento com o planeta sempre esteve errado. E cabe lembrar o velho ditado que diz: “não se resolvem coisas novas com receitas velhas”. Assim, vai ser necessário mudar de pensamento, criar nova filosofia e sobre tudo, desenvolver novas posturas comportamentais.

O futuro da humanidade, terá que vir fortemente carregado de biocentrismo. Isto é, a vida deve ser o valor primeiro e deve estar no centro de todas as preocupações e ações humanas. Nada, absolutamente nada, poderá fugir a esse contexto. O planeta e todas as formas de vida nele existentes terão que ser consideradas e respeitadas pela humanidade. O uso dos recursos naturais tem que ser parcimonioso e a economia, por mais importante que ainda possa continuar sendo, terá que ser relegada a segundo plano. O decrescimento de André Gorz, terá que deixar de ser apenas um conceito, para passar a ser uma filosofia de vida efetiva, que deverá ser seguida por toda humanidade. A Terra não vai mudar, mas o homem pode, deve e na condição atual, necessita realmente mudar, porque está é a última alternativa da humanidade sobreviver. Apenas cuidando da Terra e da Vida é que ainda poderemos ter continuidade planetária. Precisamos urgentemente reavaliar os nossos valores e colocar em prática uma nova realidade, que não tenha a economia como referencial primário, para que todos os dias passem a ser considerados como o Dia internacional do Meio Ambiente. Não há como ser de outra maneira.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (64)

01 mar 2020
A gente se destrói enquanto se distrai ou se distrai enquanto se destrói?

A gente se destrói enquanto se distrai ou se distrai enquanto se destrói?

Resumo: Nesse artigo procuroexpor claramente o estado da arte em que o planeta se encontra e a responsabilidade da humanidade sobre essa situação caótica. Discuto sobre a necessidade de agirmos de maneira contrária ao que temos feito até aqui ou então nossa espécie muito rapidamente estará sendo extinta do planeta, haja vista que somos totalmente dependentes da Terra.


Não pense na frase que intitula esse artigo como um simples trocadilho, porque na verdade não é essa a intenção, pois a questão é realmente muito séria. Estamos diante de uma situação em que o planeta está sendo destruído por conta de nossa “distração”, isto é, enquanto nos distraímos a Terra mingua e a vida vai se acabando. Vivemos atualmente essa dicotomia e não parece haver interesse real em resolver a questão. Assim, alguns estarão imaginando que a afirmativa do título possa ser um dilema sem solução. Enquanto isso, os formadores de opinião, aqueles que manobram e conduzem a opinião pública, ludibriada pela falta de vergonha e interesse estritamente político dos governos e ainda pela falta de civilidade e do interesse financeiro exclusivo da mídia, continuam tentando manter a situação exatamente assim.

Antes de começar a discorrer sobre o assunto, primeiramente é preciso discutir sobre os verdadeiros sentidos do verbo distrair. Se o verbo distrair for usado no sentido de “passar despercebido”, não estar focado” ou “não estar atento”, o problema da degradação ambiental planetária, embora seja por causa da humanidade, pode ser considerado um crime culposo, porque muitos seres humanos ainda não sabem, ou melhor, não entendem e nem têm a verdadeira noção da realidade, por falta de informação, de conhecimento e mesmo por desinformação programada.

Entretanto, se, por outro lado, o verbo distrair quiser dizer “espairecer” ou “matar o tempo por prazer”, aí a coisa é bem pior e o crime é doloso. Porque, se além de degradar o planeta a humanidade acha que isso é normal e está de fato se lixando para as possíveis consequências, haja vista que o importante são as benesses imediatas que a degradação traz para alguns dos seres humanos. Pensando deste modo qualquer coisa que aconteça não é responsabilidade dos seres humanos, porque é feito no “interesse maior” da humanidade.

De qualquer maneira, nos dois sentidos, está havendo distração, ocasional ou pensada e o planeta tem sofrido bastante, com incremento cada vez maior do número de espécies ameaçadas de extinção e efetivamente extintas; ecossistemas degradados e totalmente perdidos e ambientes naturais e mesmo artificiais contaminados e destruídos pelas ações humanas. Por outro lado, o planeta, à sua maneira, também tem reclamado bastante, produzindo inúmeras catástrofes naturais e ampliando muito o número, a frequência e os danos produzidos por esses eventos. Ou seja, a distração que causa a degradação e a desgraça, acaba trazendo mais desgraça.

Outra coisa que precisa estar muito bem definida é a verdadeira noção do que seja prioritário. Se observarmos no dicionário, a palavra prioridade significa: “condição do que é o primeiro em tempo, ordem, dignidade”. Assim, ela sempre pede um complemento; prioridade de quê? Prioridade de quem? Prioridade para quê? Prioridade aonde? Prioridade para quando? Enfim, a prioridade deve ser definida, tendo alguns objetivos claros a serem almejados. Deste modo, no que se refere a nossa questão inicial, a primeira pergunta a ser feita é a seguinte: a nossa prioridade é a vida ou é a distração?

 Se estar e se manter vivo forem as prioridades, qualquer coisa que se faça contra a vida não se justifica em hipótese nenhuma. Mas, se a vida for apenas uma brincadeira temporária e, deste modo, consequentemente a distração for a prioridade, qualquer coisa, importante ou não, se justifica para garantir a distração. O que parece é que estamos ativos e preocupados apenas com a segunda hipótese e deste modo eu acredito que estamos vivendo os últimos tempos da estrada evolutiva humana, porque nossa espécie caminha a passos largos para a extinção. Tudo por conta da nossa distração contundente e contumaz.

Sinceramente eu não sei o que a humanidade está esperando para começar a mudar de filosofia, de pensamento e de comportamento em relação ao planeta e a qualidade de vida dos seres humanos e das demais espécies vivas do planeta. Não sei porque cargas de água, mas atualmente muitos dos seres humanos têm confundido viver com sentir prazer e talvez, por causa dessa insigne confusão, os humanos têm preferido mais sentir prazer do que propriamente viver, esquecendo que para ter prazer, antes é preciso estar vivo. Vivemos uma irresponsabilidade coletiva, reforçada por alguns governos, pelas organizações da mídia e lamentavelmente por alguns segmentos arcaicos e obtusos das sociedades humanas.

Não quero aqui me colocar acima do bem e do mal, ao contrário, como ser humano, quero me incluir na parte que causa o problema. Desta maneira tenho que fazer a “mea-culpa” e como ser humano devo demonstrar minha consciência de que o homem como espécie biológica, assim como todas as espécies vivas do planeta, necessita sobreviver e lamentavelmente nossa existência implica na destruição de outras espécies vivas, na destruição dos ambientes naturais e consequentemente na degradação planetária. É impossível que a espécie humana se mantenha viva no planeta sem degradar o ambiente de alguma maneira. É claro que obviamente isso explica grande parte da degradação que causamos, mas não justifica de maneira nenhuma o “status quo” que estamos vivendo, ou seja, essa continuidade incessante e inconsequente de exploração dos recursos.

Ainda que essa nossa condição degradadora seja uma verdade inquestionável, não é por conta desse fato que devamos continuar destruindo sem nenhum critério e principalmente sem comedimento, mormente com as demais espécies vivas. O homem se apoderou do planeta como se fosse seu proprietário e como se a natureza e os recursos naturais fossem infinitos. Assim, a humanidade tem feito o que quer a seu bel-prazer, sem nenhuma preocupação e sem nenhuma responsabilidade com o planeta e com as demais espécies vivas, nem mesmo outros seres humanos.

Nesse sentido, pensar em desenvolvimento sustentável, em sustentabilidade, em uso parcimonioso dos recursos naturais, em controle do crescimento populacional e extermínio do consumismo exacerbado e principalmente no respeito as demais formas vivas, seriam alguns aspectos prioritários aos interesses da vida humana na Terra, que deveriam não só ser estimulados, mas talvez até obrigados aos cidadãos. Entretanto essa não é a tendência que se observa na maioria dos países do planeta, onde cada vez mais, são cometidos abusos do direito uso dos recursos e do espaço planetário. Ao contrário, o que se vê é o aumento progressivo e massificante da população, uma preocupação excessiva com os interesses em transformar os recursos naturais em recursos econômicos e o uso indevido, indiscriminado e cada vez mais descontrolado dos recursos naturais pela humanidade, como se o planeta fosse infinito e como se nossa espécie fosse transcendente e imortal. Além disso, é preciso acrescentar a criação e a introdução de compostos químicos tóxicos, que visam garantir o aumento da produção agrícola sem qualquer preocupação adicional.

O planeta já está cansado de avisar que assim não é possível continuar, mas a humanidade é surda ou insiste em continuar não querendo ouvir, alguns por falta de conhecimento, outros por interesses particulares e a grande maioria por pura falta de sensibilidade e principalmente por falta de responsabilidade, preferindo seguir os falsos profetas do consumismo ou se manter a parte como que achando que o problema não é nosso. Pois então, assim, enquanto a gente se distrai, o planeta e tudo que existe nele, inclusive e principalmente os seres humanos, acaba se destruindo. A continuar assim, o planeta sofrerá muito, porém dará um jeito e irá se manter apesar de tudo, mas muitas das espécies vivas, principal e particularmente a espécie humana, certamente perecerão. Aliás, muitas espécies já estão se extinguindo por conta de nossas ações e ninguém parece se importar.

Aqui cabe lembrar, mais uma vez, que nossa espécie, exatamente por conta de sua versatilidade em explorar e modificar o planeta, acaba sendo também a mais dependente de todas na Terra, porque enquanto outras espécies se utilizam, quase exclusivamente de recursos limitados dos ecossistemas em que habitam, os seres humanos transcenderam o limite ecossistêmico e podem retirar qualquer coisa de qualquer lugar. Enquanto a maioria das espécies tem limitações físicas e geográficas insuperáveis, a espécie humana no seu afã exploratório superou também essas limitações. Nossa espécie é realmente fantástica, pena que nossa visão seja muito caolha e não nos permite enxergar direito.

Por conta disso, temos dificuldade de ver e entender que somos animais de grande porte e nossa capacidade reprodutiva nos permitiu chegar a quase 8 bilhões de indivíduos, todos necessitados dos inúmeros recursos naturais planetários. Pois então, os recursos naturais antes abundantes, agora são escassos e muitos humanos já não têm acesso a eles e essa é uma dependência cada mais progressiva. Isto é, mais humanos, menos recursos disponíveis e mais dependência. Como agravante, muitos humanos ainda se utilizam de muito mais recursos do que realmente necessitam, desperdiçando grande parte por puro prazer (“distração”).

Foram exatamente esses dois aspectos, a extraordinária capacidade exploratória e a fantástica eficiência reprodutiva de nossa espécie, que nos possibilitaram explorar e destruir insana e inconsequentemente os recursos naturais do planeta. Crescemos, multiplicamos e destruímos aleatória e indiscriminadamente. Em outras épocas, nós não tínhamos consciência de quão danoso era esse nosso poder, mas hoje nós certamente temos a exata dimensão do erro que cometemos historicamente. Caramba! Por que, então, simplesmente, não paramos de errar e investimos em começar a fazer a coisa certa?

É preciso que a humanidade passe a entender, de fato, que a gente também se destrói, enquanto se distrai, destruindo o planeta e que somente nós, pode colocar fim ao processo de extinção humana que já está em curso. Apenas nós, a espécie humana, temos o poder de reverter ou pelo menos, protelar essa perspectiva infeliz de extinção. Nossa salvação depende de nós mesmos, mas é necessário começar antes que atinjamos um nível de degradação em que não será mais possível controlar o processo.

Nossa distração, por bem ou por mal, nos levou a uma encruzilhada entre a continuidade e a extinção de nossa espécie, eu acredito e espero que a opção da maioria dos seres humanos seja continuar vivendo. Desta maneira, que nossa distração maior doravante seja trabalhar com afinco para manter nossa espécie viva no planeta Terra. Nós já sabemos o que temos que fazer, só precisamos começar o trabalho. Comecemos dando mais valor aos nossos semelhantes, aos demais organismos vivos, às coisas da natureza e menos valor ao dinheiro e às coisas relacionadas à economia, pois é por aí que as coisas precisam se estabelecer.

Façamos com que todos os humanos entendam que todas as coisas (os recursos naturais|) têm valor por elas mesmas e que o dinheiro é só uma maneira de representar o valor dessas coisas. Assim, nós não precisamos de dinheiro, precisamos sim dos recursos naturais. Lembrem-se que na hora que os recursos naturais acabarem, obrigatoriamente o dinheiro perderá seu valor e simplesmente não servirá para nada, porque não adiantará ter dinheiro, se não existir o que comprar ou que vender.

É muito simples entender o raciocínio que estou propondo. Se não quisermos que nossa espécie desapareça da Terra precocemente, temos que parar de destruir o planeta e garantir a perpetuação dos recursos naturais planetários. Temos que dar mais valor aos recursos naturais e menos valor ao dinheiro e tudo que dele decorre.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

14 set 2019
Meio Ambiente, Políticas Públicas Ambientais, Desenvolvimento Regional

Políticas Públicas Municipais para o Meio Ambiente

Resumo: Nesse artigo, que foi escrito para provocar uma discussão durante a Mesa Redonda sobre Políticas Públicas Ambientais Municipais, promovida pelo Centro Universitário Teresa D´Ávila – UNIFATEA, são apresentados vários exemplos, que demonstram como o cidadão e grande parte dos administradores são enganados, pela mídia, quanto às questões ambientais. Também fica claro que há muitos administradores que se aproveitam desse “status quo” e deixam de lado às políticas públicas ambientais.


Senhoras e senhores, exatamente em setembro de 2008, publiquei no portal do Recanto das Letras e na Revista Eletrônica Veja São José um artigo intitulado “As Políticas Públicas para o Meio Ambiente”, artigo que continua na INTERNET para quem quiser ler, já foi lido até aqui, cerca de 11 mil vezes no portal do Recanto das Letras e outras quase 5 mil vezes na Revista Veja São José, que foi extinta, em 2014. Além disso, ele certamente foi lido outras tantas mil vezes, considerando outras publicações, que o republicaram, e ainda a distribuição de centenas de cópias impressas que muitas pessoas pediram e eu autorizei.

Sou suspeito, mas penso que o artigo é realmente muito bom. Inclusive fui homenageado num evento aqui na Câmara Municipal de Lorena, em 2011, num debate sobre o tema Políticas Públicas para o Meio Ambiente, onde o citado artigo foi lido e assumido como documento base para o estabelecimento das discussões que nortearam o evento. Bem, imagino que o artigo tenha sido lido, até aqui, pelo menos 30 mil vezes, entretanto creio que poucos administradores públicos tenham lido, além dos de Lorena daquela época, a quem aproveito para agradecer a homenagem.

Confesso que depois de 11 anos passados, duas eleições municipais transcorridas e mais uma chegando, acredito que nesse período quase nada mudou, porque os administradores públicos continuam não dando muita trela para a questão ambiental. Mas, a questão que fica é, por que isso acontece? Por que os administradores públicos de maneira geral e salvo raras exceções, aparentemente não estão nem aí com os problemas ambientais?

Bem, considerando o que acontece em outras áreas, acredito que o setor de Meio Ambiente deveria decidir sobre os interesses relacionados ao Meio Ambiente, entretanto não é exatamente isso que tem sido visto em nenhuma das esferas de governo. Lamentavelmente o meio ambiente tem sobrevivido administrativamente a reboque de outras áreas. Isto é, áreas onde os setores efetivos e reais do meio ambiente têm abrangência, mas que, na verdade, são obrigados a negociar com outros interesses dessas áreas, por exemplo, saúde, agricultura, planejamento, transporte, educação e outras.

É óbvio que dessa maneira torna-se muito difícil que sejam definidas políticas públicas ambientais efetivas, principalmente na esfera municipal, onde, além de tudo, existe uma carência generalizada de recursos públicos, tanto financeiros, quanto humanos. No caso específico dos municípios da região do Vale do Paraíba a situação se agrava ainda mais, por conta de outros interesses locais ou mesmo externos à região serem considerados mais importantes. Logicamente isso não deveria acontecer dessa maneira, até porque o Artigo 30 da Constituição da República Federativa do Brasil garante ao município o direito de legislar nos assuntos de interesse local, mas questões ambientais aparentemente não costumam ser do interesse local para a maioria dos municípios.

Por outro lado, é fundamental que se diga, que o município é, de fato, o único espaço físico que realmente existe, pois tudo acontece, em última análise, no espaço físico do município. O saudoso Governador André Franco Montoro já dizia: “nada acontece na União ou no Estado, tudo acontece no município”. E certamente o Montoro tem razão na sua fala. Por uma questão aparentemente fortuita, a grande maioria dos administradores e governantes municipais ainda não se aperceberam dessa realidade e assim, muitos desses administradores insistem em se submeter, principalmente na área ambiental, aos interesses e muitas vezes aos desmandos da União ou do Estado.

O Município de Lorena tem sido uma das raras exceções a essa questão, pois o trabalho do Secretário Willinilton Portugal, dentro de suas limitações, tem sido bastante profícuo e merece ser destacado. O nosso ex-aluno Luiz Marcelo Marcondes, em sua passagem pela Diretoria de Meio Ambiente da Prefeitura de Aparecida, também fez um bom trabalho. Quer dizer, temos aqui duas exceções, porque essa não a regra para a grande maioria dos municípios da região. Muitos dos municípios, lamentavelmente, ainda nem possuem setores específicos para tratar o Meio Ambiente em suas estruturas organizacionais. Sendo assim, a grande maioria dos municípios do Vale do Paraíba ainda tem questões ambientais sendo tratadas por outros setores, pois, como já foi dito, “não existem recursos financeiros e nem pessoal técnico na área”. Em suma, o meio ambiente é relegado a segundo e terceiro planos no interesse político municipal, ou simplesmente é deixado de lado e esquecido. Há de se convir que desse modo é quase impossível que sejam estabelecidas políticas públicas municipais de meio ambiente. 

Na maioria das vezes, no que se refere ao meio ambiente, literalmente, os administradores municipais tentam “apagar os incêndios, quando eles surgem” ou, quando muito, apenas seguem os procedimentos genéricos definidos pela Legislação Federal ou Estadual, para dizer que estão cumprindo a lei. Mas, mesmo assim, essa segunda hipótese geralmente só ocorre, quando essa condição, de alguma maneira é conveniente a outros interesses que a justifiquem, porque o, já citado, artigo 30 da Constituição Federal propicia esse direito ao município. Isto é, quando interessa ao município o artigo 30 é praticado, pois no interesse público local o município pode legislar e geralmente estabelece uma lei municipal que resolve a situação omitindo o problema ou arrumando outro maior.

Quer dizer, em termos de políticas públicas ambientais, os municípios ficam semelhantes aos “cachorros correndo atrás dos respectivos rabos” e quase nada se resolve ambientalmente. Por sorte, de vez em quando acontece uma catástrofe ou um evento anormal e algo precisa ser providenciado de maneira mais efetiva. Mas, aí já foram vidas perdidas e ambientes destruídos. A nova preocupação só vai surgir, quando nova catástrofe acontecer, por isso algumas pessoas até torcem para que as catástrofes aconteçam mais regularmente. Enfim, enquanto a coisa seguir assim, com esse descomprometimento generalizado da maioria dos administradores públicos e da falta de cobrança efetiva e contundente das comunidades pela solução dos problemas ambientais, dificilmente haverá o estabelecimento das políticas públicas ambientais que se fazem necessárias.

Por outro lado, existem alguns municípios que têm áreas protegidas por Unidades de Conservação ou por outros aspectos particulares (represas, usinas, quarteis, margens de rodovias e ferrovias, áreas de segurança e outras) e por isso acabam sendo mais bem cuidados. Mas, é bom lembrar que isso também é resultado das legislações específicas federais e estaduais que existem para cada caso desses e obviamente a União e o Estado fiscalizam melhor aquilo que lhes interessa. Entretanto, mesmo assim, tudo costuma ser muito superficial ou extremamente específico aos interesses próximos e às necessidades intrínsecas dos administradores. Os possíveis relacionamentos e as questões próximas servem apenas como válvulas de escape e não importam muito. Aliás, essa é uma prática bastante comum aos interesses administrativos, muda-se o foco central para minimizar os danos, tentado demonstrar que o problema real não ocorre efetivamente.

A máxima ambientalista que diz: “pensar globalmente e agir localmente”, costuma ser esquecida, mascarada e até mesmo invertida, pois as pessoas são levadas a pensar e agir sobre realidades distantes com as quais elas não têm nenhuma relação ou qualquer poder para tentar atuar. O foco muda e são transferidos os problemas, como se eles não acontecessem exatamente naquele local. A barulheira que se está fazendo sobre as queimadas na Amazônia é um bom exemplo desse fato. É claro que os incêndios na Amazônia são problemas ambientais gravíssimos e precisam ser impedidos, combatidos e os causadores têm que ser presos, entretanto eles sempre aconteceram e em algumas épocas em níveis mais violentos que os atuais e nunca houve nada parecido com essa barulheira que está aí. Na verdade, a questão não são os incêndios, eles apenas estão servindo ao propósito de alguém e a mídia safada se aproveita disso. Mas, vamos deixar isso de lado e voltar ao nosso tema. 

Hoje temos muitos outros problemas mais graves, mais prementes, mais próximos de nós e talvez até mais fáceis de serem resolvidos. Mas, desses problemas, muitas vezes, nós nem ficamos sabendo, porque a mídia não nos informa, pois não há interesse da mídia e também porque ninguém sabe que esses são problemas ambientais, haja vista que não existem políticas públicas preocupadas com essas questões e elas passam despercebidas como problemas pequenos e muitas vezes nem são consideradas problemas, quanto mais relacionadas ao meio ambiente. É tudo muito bem feito e se não há alarde de ninguém e nem denúncia, obviamente não há crime e assim a mídia continua informando o que não interessa e caravana passa como se não existissem problemas locais.

Meus amigos, nós estamos andando na contramão dos interesses públicos ambientais e criando, cada vez mais, problemas a qualidade de vida das pessoas e ao meio ambiente, com a conivência de administradores públicos, da mídia e principalmente da falta de participação comunitária, de exercício pleno de cidadania das populações que, na maioria das vezes, prefere não se envolver. Temos que acabar com o “jeitinho brasileiro” e a permissibilidade nesse país, porque isso não nos permite conhecer as coisas e obras absurdas e ambientalmente incorretas que acontecem na frente dos nossos narizes. É incrível, mas muitos de nós realmente não vemos e outros, que não querem mesmo ver, fazem tudo para que continuemos não vendo, a fim de as coisas continuem assim. Além disso, a vida, o meio ambiente e o planeta que se danem, desde alguém possa ganhar alguma coisa.

Vou dar alguns exemplos de algumas dessas coisas absurdas que aconteceram na região para reforçar um pouco a memória dos senhores: desmatamentos em Unidades de Conservação à revelia da lei e com justificativas infundadas, construção de teleférico sobre autoestrada, supermercado e loteamentos em Áreas de Preservação Permanente, degradação de centenas de hectares de terra para construção de aeroporto sem nenhuma autorização, tentativas de implantação de Usinas Termelétricas para favorecer multinacionais, autorização de construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas em áreas indevidas e contra a vontade do Comitê da Bacia Hidrográfica, criação de centros religiosos sem  nenhum critério ambiental e secando nascentes, implantação de “Shoppings Centers” sem estrutura viária compatível, construção de estradas e represas sem autorização, impermeabilização do solo, mineração de areia em área proibida e indevida, poluição atmosférica e hídrica visível sem nenhum constrangimento, transposição de água por decreto e vai por aí afora.

Mesmo municípios velhos, grandes e potencialmente ricos não fazem o dever de casa direito. Projetos e programas ambientais comprovadamente bem planejados, interessantes, benéficos e até premiados internacionalmente são destituídos e extintos por outros interesses menores. Por exemplo, o Projeto Sementes do Amanhã e a Casa Ambiente de Guaratinguetá, a liberação das margens dos rios para a exploração de areia sem critério em vários municípios, o desrespeito às áreas protegidas e seus respectivos entornos, até mesmo por parte dos administradores públicos. Administradores públicos que burlam, esquecem ou mudam leis para valorizar suas áreas e outros criam zonas especiais em seus municípios sem nenhum critério técnico. Emancipação e criação de novos municípios, a despeito da real capacidade econômica, sem nenhuma coerência lógica e principalmente sem nenhuma análise técnica que justifique o ato.

Meus amigos, nós brasileiros, somos campeões mundiais em desatenção ao interesse coletivo e desfaçatez. Somos os verdadeiros “caras de pau” e só olhamos para o nosso umbigo. Assim, como poderemos fazer políticas públicas ambientais municipais de qualidade?

Lamentavelmente estou cada vez mais cético quanto a qualidade e a competência da maioria dos nossos administradores e acho que enquanto nós não votarmos em administradores públicos com visão regional, preocupados com o meio ambiente e comprometidos com o devido interesse em proteger a coletividade na ocupação do espaço físico dos municípios, dificilmente teremos melhoras no quadro. Aliás, penso que a coisa tende a piorar e só a população entendendo que os problemas locais são mais importantes, participando do processo e cobrando as ações devidas poderá mudar essa situação calamitosa e cujas perspectivas em alguns municípios, pelo que temos visto, infelizmente, são as piores possíveis.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

10 ago 2019
Educação, Meio Ambiente, Educação Ambiental, Recursos Naturais, Consumismo.

Educação e Meio Ambiente: dois assuntos e uma abordagem

Resumo: Desta vez estou trazendo um texto reflexivo, através de uma crítica, a meu ver necessária, aos mecanismos que têm sido utilizados como modelos de Educação Ambiental. Esses modelos precisam ser repensados, pois na verdade eles estão progressivamente colaborando para que os recursos naturais continuem sendo explorados sem critério ou de maneira indevida


Se houver uma necessidade objetiva e real de se identificar e de definir qual é a área do conhecimento mais prioritária à formação e ao desenvolvimento humano, certamente haverá um consenso de que esta é a área da Educação. Por outro lado, se também houver uma necessidade real e objetiva de se identificar e de definir qual é a área mais importante para a manutenção dos padrões de segurança e de qualidade de vida dos organismos e dos grandes ecossistemas planetários, obviamente também haverá um consenso de que esta é a área do Meio Ambiente.

Na verdade, essas duas áreas compreendem todos os grandes problemas humanos, pois tudo decorre dessas duas bases operacionais. Ou não se tem educação e assim não se sabe tratar o meio ambiente, ou não se trata devidamente o meio ambiente porque se desconhece a educação. Embora, aparente mente distintas, essas duas áreas são extremamente associadas e conseguem unidas responder por todos as questões pendentes e preocupantes da humanidade ao longo da história.

A Educação é muito antiga, sendo entendida como necessária desde o surgimento da humanidade. Ensinar e aprender são verbos obrigatoriamente presente em todas as atividades humanas e tanto os progressos como os retrocessos humanos, obviamente são frutos da educação ao longo da existência da humanidade. Já o meio ambiente é um aspecto novo que começou a ser colocado formalmente dentro dos parâmetros humanitários nos últimos 50 anos e de repente se espalhou e se misturou por todas as atividades humanas.

Há alguns anos foi criado um termo, muito em moda na atualidade, Educação Ambiental, cujo intuito era o de tentar associar a educação ao meio ambiente, mas sempre se reduziu essa ideia a meras formalidades e situações específicas e, na verdade, a Educação Ambiental continua sendo, até aqui, muito artificial, porque ela se ocupa de situações problemáticas específicas e locais. Entretanto, o mundo hoje é globalizado e não adianta eu me referir a determinado caso de um determinado setor de uma certa localidade, porque isso não é educativo e muito menos é ambientalmente correto. A educação tem que ser preventiva e o meio ambiente tem que estar também previamente prevenido das ações antrópicas potencialmente causadoras de dano.

Quer dizer, não adianta se desenvolver um programa sobre uma questão localizada qualquer. Há necessidade de que se trate o problema de maneira genérica, projetando uma maneira desse problema não ter como existir. O planeta é um só e as demais entidades vivas sobre o planeta, inclusive e preferencialmente os humanos, precisam estar propensos a ter boa qualidade de vida em qualquer lugar ou situação da Terra. Se não for assim, não se está devidamente educado e tampouco está se cuidando do meio ambiente da maneira correta. Em suma, o termo Educação Ambiental, acaba não sendo, nem educação e nem meio ambiente, apenas se ocupa das duas áreas para justificar um determinado problema. Portanto, essa ideia de Educação Ambiental é pequena para a necessidade e muito pouco abrangente para a necessidade real.

Quando se está falando de Educação existe a preocupação de que se esteja instruindo, guiando, ensinando. A palavra Educação vem do latim educere (ex + ducere), que significa “guiar para fora”, ou seja, conduzir para além das necessidades próximas, ou melhor, instruir para resolver outros problemas. No seu sentido mais amplo a palavra quer dizer: “levar uma pessoa para fora” de si mesma, mostrar o que mais existe além dela.

A expressão Meio Ambiente, que é uma redundância e um pleonasmo, “o meio do meio” ou o “ambiente do ambiente”, porque meio e ambiente, em certo sentido são palavras sinônimas, ou seja, têm exatamente o mesmo significado. Ambas as palavras que compõem a expressão, também vem do latim ambiens, que significa “andar ao redor” ou “ir em volta” e medius, que significa “meio” ou “lugar acessível a todos”. Talvez um termo apenas, como no idioma inglês, environment, fosse mais correto. Mas, nós não vamos discutir etimologia aqui, até porque a noção geral da expressão parece ser bem clara a todos.  

Então, a educação visa “guiar para fora”, o ambiente visa “andar ao redor”, ambos conceitos que saem do indivíduo e que dizem respeito ao seu exterior, objetivando exatamente o entendimento do que está fora. Desta maneira, eu não posso fazer Educação Ambiental apenas daquilo que está no meu entorno, se o mundo é muito maior e mais abrangente do que o meu limite físico. Certamente um exemplo pode será mais bem interpretado.

Imagine que você é um professor de Educação Ambiental e trabalhou a coleta do lixo e a reciclagem, aliás esse é efetivamente um tema muito comum, nessa chamada educação ambiental. Durante sua aula você demonstrou que a latinha de alumínio é um resíduo que pode ser reciclado e recolocado na produção, para tanto é necessário apenas quer alguém que coleta as latinhas usadas. Desculpe-me, mas não há nenhuma educação e muito menos ambiental nesse fato.

Ao contrário, existe sim um fato lamentável, que demonstra que o alumínio é reciclável e que   usar as latinhas de alumínio é algo legal porque gera “emprego” para alguém. Aliás, existe até algumas pessoas que pensam (se iludem) e juram que reciclar é um bom negócio porque dá lucro.  Então, está tudo errado e eu vou pontuar alguns dos motivos, porque está errado.

1 – Reciclar não dá lucro, quando muito, consegue diminuir o prejuízo de alguém e permite o lucro para outro alguém, mas de qualquer maneira a perda para quem produziu, no caso a natureza, sempre é maior do que o lucro de quem usou e vendeu, de quem reciclou e revendeu (“ganhou”).

2 – Reciclável ou não a latinha de alumínio é um produto oriundo da alumina (óxido de alumínio) que é o principal componente bauxita, que é o principal minério formador do alumínio. Portanto o alumínio é um recurso natural não renovável e como tal, depois de retirado da natureza não há como retorná-lo à condição inicial. Desta maneira sua exploração não deve ser incentivada, pois à hora que acabar, simplesmente acabou.

3 – Não há nada de interessante na utilização constante e predatória de um recurso natural não renovável, principalmente quando existem alternativas cabíveis para resolver o mesmo problema, a custos ambientais e muitas vezes também econômicos, mais vantajosos.

4 – Reciclar é bom e necessário, pois reaproveita material, diminui custos energéticos e outros. Entretanto, reciclar não é fundamental para o meio ambiente, antes é melhor repensar certas práticas e certos usos de determinados recursos. As tecnologias e os usos alternativos, além de produzirem um desincentivo cada vez maior ao consumo de recursos naturais, devem ser as verdadeiras orientações e premissas básicas da Educação Ambiental.

5 – Por fim, não se deve partir para falar de Educação Ambiental já assumindo a reciclagem como uma prioridade, pois as prioridades educacionais para o meio ambiente devem ser: não utilizar recursos indevidamente e não produzir resíduos.

A partir do exemplo dado, vejam bem que, se até houve alguma educação, não foi mito boa para o Meio Ambiente, isto é não foi Educação Ambiental. Talvez tenha sido boa educação comercial ou educação industrial ou sei lá o quê, ou ainda educação de como conseguir obter algum dinheiro com o resíduo dos outros, através da degradação do planeta. Ambientalmente então, na verdade, se estimulou para que se continue usando latinhas, porque elas vão gerar recursos para alguém. Aliás, aqui a coisa é mais complicada ainda, porque sempre se pensa, infelizmente, em alguém pobre que vai conseguir alguma coisa através do resíduo de alguém rico e isso, a meu ver é até preconceituoso e deveria ser evitado.

Quero crer que haveria educação se fosse informado e trabalhado o fato de que o uso do alumínio é apenas conveniente para quem vende o produto e que o custo da lata já está inserido no referido produto, portanto não houve perda econômica, houve apenas perda ambiental. Por outro lado, deve ser dito também que o lixo (resíduo produzido), isto é, a latinha, que pode dar lucro para alguém, acaba, infelizmente, atraindo as pessoas mais necessitadas ou menos esclarecidas e indiretamente intensificando mais a desqualificação profissional e prejudicando o desenvolvimento de outras formações e profissões, que talvez possam produzir melhores salários às pessoas.

O melhor lugar para a bauxita, assim como de qualquer recurso natural, é onde ela se formou, isto é, na própria natureza. Se o homem decidiu se apropriar e utilizar a bauxita porque esse é um tipo de minério interessante, que se presta a vários produtos de interesse humano, então que o seu uso seja exatamente do mesmo tamanho de sua necessidade e que não haja excesso na sua exploração. A sustentabilidade é um conceito que deve fazer parte primária de qualquer ação ligada à questão ambiental e a Educação Ambiental, para cumprir seu propósito de maneira efetiva, não pode deixar a sustentabilidade de lado.

O consumo exacerbado não cabe dentro do conceito de sustentabilidade e os humanos que ainda não nasceram têm tanto direito de usar a bauxita quanto nós temos, mas se o uso continuar do jeito que está, eles só poderão conhecer o minério bauxita num Museu de História Natural. Mas, isso também só será possível se alguém lembrar de guardar uma porção de bauxita para tal fim. Muitos recursos naturais não renováveis já não existem mais na natureza e nem estão presentes na maioria dos museus.

Mas, vejam bem, me utilizei de um recurso natural não renovável como exemplo, mas eu também poderia utilizar de exemplo um recurso natural renovável. Por exemplo o Jacarandá-da-Bahia é (ou era) uma árvore frondosa, de madeira nobre e dura, bastante utilizada na indústria moveleira e na construção civil. Pois então, por conta de seu uso indiscriminado está em processo crônico de extinção na natureza e já desapareceu totalmente em alguns estados, como São Paulo, por exemplo. Restam poucas áreas no estado da Bahia e praticamente desapareceu no restante do Leste brasileiro. Primitivamente, ocorria de Pernambuco até o Paraná. Será que o neto do seu filho será capaz de ver um Jacarandá na natureza?

A Educação Ambiental deveria ensinar primeiro o que é o Jacarandá-da-Bahia como espécie de planta, depois dizer como manter a espécie e da importância das reservas naturais da espécie por questões biológicas e só depois deveria falar de sua utilidade paro o interesse humano. Mas, infelizmente não é assim que se costuma proceder e por isso progressivamente espécies são extintas, tanto as espécies vegetais, como é o caso do Jacarandá, mas, principalmente, as espécies animais, que estão por aí, sendo dizimadas sem nenhum critério, para atender a vontades infundadas e utilidades indevidas (algumas vezes absurdas) de quem quer que seja.

Já passou da hora de brincar com Educação Ambiental. Está na hora de fazer coisa séria, entendendo que educação é um processo genérico e que o meio ambiente é diferente de um local para o outro, mas que qualquer local é um meio ambiente e que há necessidade de uma maneira devida e certa de tratar com esse local. Entretanto, é preciso estar claro que essa maneira não pode e não deve ser a mesma em locais diferentes, exatamente porque esses locais são diferentes, a dinâmica é diferente, os organismos são diferentes as condições físicas e químicas são diferentes. E mesmo nas cidades ou nas indústrias, os mecanismos e os processos são diferentes e assim o procedimento em cada caso deve e tem que ser diferente. A Educação ambiental deve levantar e discutir os problemas, mas para resolvê-los, cada situação será uma situação e assim, terá certamente uma resposta diferente.

Não é possível tratar educação e meio ambiente isoladamente ou apenas como causa e efeito de um processo local. O ambiente é teoricamente tudo e a educação teoricamente tem que ser capaz de resolver ou pelo menos de pensar a cerca de tudo, pois do contrário não é educação é apenas e tão somente treinamento, ou melhor adestramento. Isto é, ensina e resolver um problema, mas não cria a possibilidade de gerar novas situações a partir daquela. No meio ambiente sempre vão existir novas situações e o homem precisa estar preparado para atendê-las da melhor maneira, sempre atentando para o fato de que a natureza e os inúmeros ambientes planetários são para todos os organismos, atuais e futuros, terem vida com qualidade.

Educação e Meio Ambiente têm que ser tratados de uma maneira globalizada, porque ainda que os interesses primários sejam locais, o interesse de qualquer questão ambiental planetário, pois atinge direta ou indiretamente todos no planeta. A educação que se presta a esse tipo de interesse planetário tem que ser interessante para toda humanidade, porque deverá servir como forma de orientação para todo e qualquer ser humano e não como simples modelo de uso de uma situação ou localidade, que necessita de uma solução momentânea.

Continuarei sendo um crítico desse modelo de Educação Ambiental que se limita a fazer curativos em situações, mas que não se preocupa de fato com a origem da doença. Precisamos pensar preventivamente antes de propor qualquer programa de Educação Ambiental. Não devemos apenas resolver problemas, a profilaxia ambiental tem que ser o objetivo primário da Educação Ambiental. Ao invés de controlar a dengue matando mosquitos, porque não ensinamos aos nossos alunos e pesquisamos o porquê da dengue não se transmitir a partir das bromélias, se elas estão cheias de água parada e repletas de larvas de mosquitos.

Quando nós partirmos para esse tipo de Educação Ambiental, que envolve o todo e não as partes isoladamente, veremos que não haverá diferença na abordagem entre a Educação e o Meio Ambiente, porque ambos estão relacionados ao cuidado com o entorno, com o que está ao redor. Mas, é bom lembrar ainda que a expressão “ao redor”, também é relativa, porque esse “ao redor” está limitado ao espaço planetário.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (63)

25 jun 2017

Políticas Públicas Ambientais no Brasil: uma questão de prioridade e de vida

Resumo: Nesse texto estou tentando chamar a atenção da população brasileira para a necessidade de Políticas Públicas Ambientais no país, haja vista a importância do Brasil como parte físico-geográfica e político-social que compõe o planeta e também proponho que a população brasileira deve procurar se esclarecer mais sobre esse assunto e deve cobrar mais dos poderes constituídos.


Políticas Públicas Ambientais no Brasil: uma questão de prioridade e de vida Há muito tempo eu venho publicando artigos na tentativa de chamar a atenção das autoridades brasileiras para a efetivação e se possível a ampliação do estabelecimento de Políticas Públicas na Área do Meio Ambiente. Aliás, ao meu ver, depois das Políticas Públicas Educacionais (que também não têm acontecido no tempo e na necessidade devida), as Políticas Públicas Ambientais deveriam ser as principais prioridades de qualquer país. No caso específico do Brasil, por conta de sua dimensão geográfica, sendo o quinto maior país do planeta; da sua grande quantidade de recursos hídricos, com a maior Bacia Hidrográfica planetária e abrigando a maior reserva de água doce no estado líquido da Terra e de sua megabiodiversidade, com a principal e mais exuberante floresta tropical do planeta, além de possuir a maior diversidade faunística do mundo. As Políticas Públicas Ambientais obrigatoriamente deveriam ser preocupação e ação constante de quem administra esse país. Pois, mais importante que possuir as citadas características naturais notáveis, é o fato de entender que todas essas coisas constituem um patrimônio pertencente à nação brasileira, que hoje consiste de cerca de 205 milhões de pessoas (quinta maior população do planeta) e que zelar pela manutenção desse patrimônio é uma necessidade planetária, ou seja, que ultrapassa os limites da responsabilidade brasileira. Nós, a população brasileira, que compomos a nação brasileira, somos os humanos proprietários do Brasil, então somos todos sócios e assim todos também somos responsáveis pelo que aqui acontece, tanto governantes, como os cidadãos comuns. Por conta disso, os dirigentes nacionais e a população brasileira deveriam estar efetivamente muito mais preocupados com seu patrimônio natural e deveriam estar tentado proteger, preservar e dentro do possível ampliar as áreas de proteção das riquezas naturais do país, conforme está estabelecido no capítulo 225 da Constituição Federal (BRASIL,1988). Ou seja, todos os brasileiros deveriam estar preocupados com a garantia da manutenção das características naturais do Brasil, para que elas não sejam consideradas apenas como sendo meros detalhes geofísicos e geográficos interessantes no mapa ou somente como belezas cênicas fortuitas, que por acaso estão em nosso território. Cada cidadão brasileiro precisa entender o real significado, a verdadeira importância de ter nascido no Brasil e relevância desse fato no cenário mundial, para assumir de maneira clara e objetiva as devidas responsabilidades oriundas dessa condição natural ímpar que o país possui. No mundo atual não existe nenhum caminho satisfatório que esteja alheio aos interesses ambientais primários, mas no Brasil esse fato e essa conceituação de grande magnitude na histórica contemporânea ocorre de maneira oposta e ainda é motivo de insatisfação de alguns, chacota de outros e principalmente de pouca importância ou nenhuma, para muitas pessoas da sociedade em geral e principalmente para a grande maioria dos políticos. Na verdade, parece que não haver quase nenhum conhecimento real a respeito do Patrimônio Ambiental brasileiro por parte dos políticos e da população e, o que é pior, parece haver um interesse do Estado de que essa situação absurda persista.  Esse artigo objetiva primeiramente tentar suprir esta falha, orientando a população e tentado chamar a atenção dos políticos sérios que ainda possam existir no país sobre essa questão fundamental. Infelizmente, a nossa população, historicamente vem sendo ludibriada pelos maus políticos, que se elegem apenas para fazer manobras e conchavos visando seus interesses particulares escusos. Além disso, a população ainda é manuseada e claramente enganada pela mídia nacional, que não faz o seu papel devidamente e sobrevive do “jabá”, a reboque dos interesses dos maus políticos e dos administradores corruptos. Desta maneira, há necessidade urgente de mudar o atual “status quo”, para que seja possível trabalhar mais ativamente na melhoria da qualidade de vida da população. Num segundo momento, o artigo também, humildemente, procura ser capaz de demonstrar o que precisa ser feito para garantir que essa necessidade seja suprida. Para começar, é preciso dizer que os administradores públicos têm que ser pessoas de uma visão ampla, a qual, além de ser globalizada, ao mesmo tempo tem que integradora, para poder propor soluções de amplitudes significativas e que permitam agir de acordo com prioridades que envolvam as ações coletivas prementes. As prioridades não podem ser aquelas que os políticos e administradores querem, ou que eles acham interessantes por qualquer motivo pessoal, mas sim aquelas que as comunidades específicas e a sociedade em geral efetivamente precisam. As Políticas Públicas devem ser estabelecidas visando o interesse público, o interesse coletivo das comunidades e os agentes políticos têm que trabalhar unicamente direcionados nesse sentido, até porque eles são eleitos com esse objetivo. Desta maneira, nenhum dos agentes políticos, em qualquer nível de poder, pode agir no sentido de discriminar prioridades a partir de seus interesses pessoais. As prioridades têm que ser públicas e somente a sociedade é capaz de democraticamente definir quais são as prioridades. Os dirigentes podem propor, mas sociedade é quem tem que definir, pois do contrário, não existe democracia. Nesse sentido, a área de Meio Ambiente é hoje a principal área de interesse, pois é exatamente a que mais interage com as demais áreas e portanto afeta vários setores e segmentos das comunidades e assim, a sociedade como um todo. O Meio Ambiente se relaciona diretamente com a educação, com a saúde, com o transporte, com o planejamento, com a economia. Enfim, o Meio Ambiente é uma grande teia que se espalha por todos os níveis da administração pública e desta forma, precisa ser uma prioridade primária para os agentes políticos, em todas as esferas administrativas. Entretanto, até pelo seu enraizamento com os outros setores, não é possível pensar o Meio Ambiente isoladamente e assim as Políticas Públicas Ambientais devem ser propostas a partir de bases efetivas de conhecimento das necessidades reais dos entes federativos envolvidos. Por conta disso é que os dirigentes, em qualquer nível, têm obrigatoriamente que possuir uma visão sistêmica da administração pública como me referi anteriormente. Políticas segmentares e fragmentadas desta ou daquela área algumas vezes até podem produzir efeitos específicos positivos e benéficos nas respectivas áreas definidas, porém certamente terão efeitos colaterais e também produzirão efeitos negativos em outras áreas, se a ocupação do espaço físico não for pensada como um todo. A única maneira de integrar os espaços é através de um planejamento embasado nos interesses de ocupação sustentável e viável desse espaço físico, que pode ser observada a partir de suas próprias características e principais afinidades. Isto é, qualquer ação inicial deve ser estudada, planejada e tem que levar em consideração a vocação do ambiente físico, suas potencialidades e as consequências benéficas e maléficas oriundas dos possíveis impactos produzidos. O licenciamento ambiental não é mera formalidade como ainda pensam alguns, mas é sim uma necessidade preponderante para o ocupar qualquer espaço, mormente nas cidades. Não é mais possível propor políticas públicas totalmente isoladas ou mesmo distanciadas dos interesses ambientais, até porque nós já sabemos que não existem mais espaços significativos e viáveis para permitir o desenvolvimento de certas atividades, principalmente quando nos referimos às áreas urbanas. Além disso, também existe a necessidade de preservar e proteger as áreas naturais remanescentes ou mesmo as possíveis áreas degradadas em estado de regeneração. O espaço físico e sua forma de ocupação devem ser prioridades de qualquer governante e as comunidades devem estar acompanhando proximamente, fiscalizando e denunciando o mal uso desse espaço para que a qualidade de vida não continue se deteriorando cada vez mais. A vida é o bem maior que temos e nós só temos uma vida, num tempo definido e que é relativamente curto. É preciso que vivamos da melhor maneira possível esse pouco tempo de vida que temos, mas isso certamente dependerá muito de como vamos continuar tratando o planeta que nos abriga. Até aqui nós só “pensamos” como indivíduos isolados e está na hora de pensarmos como população, como espécie planetária, se quisermos ter continuidade em nossa caminhada aqui na Terra. Ou nos preocupamos e tomamos todos os cuidados necessários com o planeta ou desapareceremos dele muito mais rápido que a maioria de nós é capaz de imaginar. Como eu tenho dito, desde 1995, em vários artigos anteriores: “nossa espécie não pode se extinguir tão jovem, num planeta tão velho” (LIMA,1995). Nossa preocupação, nossa visão de ocupação e uso do Planeta Terra deve começar pelo nosso quarto, pela nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado, nosso país e assim progressivamente. Isto é, de baixo para cima. Quem sabe dos problemas é quem convive com eles e não necessariamente os administradores públicos. Aliás, cabe lembrar, que os administradores públicos são empregados da população. Doravante, qualquer ação antrópica desenvolvida deve ter significado positivo para o planeta, pois até aqui nós só fizemos o contrário e o passivo ambiental que temos é bastante grande e não podemos, nem por acaso, permitir a contínua ampliação dessa situação caótica que produzimos ao longo da história. Desta maneira, precisamos de agentes políticos que procurem desenvolver Políticas Públicas Ambientais sérias, benéficas e embasadas no interesse da comunidade próxima e do desenvolvimento sustentável, porque essas terão que ser os alicerces primários para a continuidade da vida humana na Terra. Alguns administradores pelo mundo afora já se aperceberam dessa necessidade e já estão a algum tempo trabalhando em conjunto de suas comunidades e assim, estão produzindo Políticas Públicas que visam favorecer ao Meio Ambiente e manutenção ou a melhoria das condições ambientais e da qualidade de vida da população, ou seja, sempre no sentido progressivo de minimizar os riscos ambientais e também estão traçando programas interativos e projetos sustentáveis.  Entretanto, essa ainda não é uma regra, pois a maioria dos dirigentes ainda não possuem (ou não querem possuir) a devida visão sistêmica, que é fundamental para atuar nesse contexto. A maioria dos dirigentes ainda põe a moeda e o cifrão num primeiro plano e acaba se esquecendo que o dinheiro é apenas um símbolo, pois o verdadeiro valor está nos recursos naturais. O esgotamento dos recursos certamente produzirá o fim do dinheiro, mas antes acabará com a espécie humana, que é a mais dependente de todas as espécie planetárias, Aqui no Brasil, estamos tão distante dessa realidade que ainda tratamos o Patrimônio Natural Brasileiro como algo que está aí apenas para servir ao homem e seguimos numa rota louca de exploração e utilização até que tudo seja destruído. As explorações de minério e de madeira e também o uso absurdo de agrotóxicos, por exemplo, exemplificam bem essa situação em nosso país. Nós desmatamos, explotamos, contaminamos, poluímos, exploramos, degradamos e destruímos muito além das necessidades e, o que é pior, sem nenhum critério e sem nenhuma parcimônia. A maioria da população não reclama e grande parte dessa população, tristemente, ainda faz coro com os governantes e empresários safados para que a degradação prossiga, alegando aquela premissa de que o país precisa economicamente “crescer” e “desenvolver”. Lamentavelmente, o crescimento econômico, ainda é a única coisa que a maioria dos brasileiros é capaz de entender como forma de crescimento. Meus amigos, sinto dizer, mas é preciso mudar de paradigma e passar efetivamente a pensar sustentavelmente, estabelecendo as Políticas Públicas devidas que permitirão que o Brasil se destaque e que a nação brasileira seja menos infeliz. Entretanto, antes de tudo, é óbvio que será fundamentalmente preciso educar e orientar a população brasileira para a realidade planetária. O Brasil necessita urgentemente entrar no mundo real ou nunca ocupará o lugar que tem direito no cenário internacional, até porque não haverá tempo, pois a humanidade perecerá antes. Infelizmente ainda estamos vivendo no tempo da carochinha, mas na realidade estamos no século XXI, tempo de aumento da taxa de carbono na atmosfera, de aquecimento global, de grandes cataclismas e de desastres “naturais”. Apesar de tudo, ainda temos a grande chance de pular na frente, porque somos naturalmente privilegiados, mas o país tem insistido em continuar “deitado eternamente em berço esplêndido”. Brasil: é preciso acordar!
Referências 
BRASIL, 1988. Constituição da República Federativa do Brasil (Livro Digital), Senado Federal, Secretaria de Editoração e Publicações – Coordenação de Edições Técnicas, Brasília, 514 p, 2016.
LIMA, L. E. C., 1995. A Transitoriedade do Homem, Ângulo (61): 4 – 5, Lorena.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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23 abr 2016

22 de abril de 2016, mais um “Dia do Planeta Terra”

O texto atual é mais uma citação sobre o Dia da Terra, na qual questionada a data em relação a realidade planetária. Há necessidade de que se reflita sobre e verdadeira necessidade de uma data planetária, quando na realidade a história tem demonstrado que a preocupação com o planeta praticamente inexiste, pois as ações humanas não são condizentes com essa condição.


22 de abril de 2016, mais um “Dia do Planeta Terra”

Pois então, hoje estamos comemorando mais um “Dia do Planeta Terra”, uma data estabelecida pela ONU, no ano de 2009, para lembrar a humanidade da responsabilidade que tem com o planeta que nos abriga. É muito estranho que o planeta Terra, que tem cerca de 5 bilhões de anos, hoje comemore apenas o sétimo aniversário. Mas, para a ONU isso não deve ter nenhuma significância, o importante é comemorar efusivamente a data. Entretanto, apesar disso, hoje foi um dia igual aos outros, onde nada de excepcional aconteceu, nem mesmo em relação ao próprio planeta, que continua sofrendo violentamente nas mãos do homem. Nos últimos 44 anos, desde que o Relatório do Clube de Roma (Os Limites do Crescimento, 1972) foi publicado e que passamos (ou deveríamos ter passado) a tomar efetiva consciência de que os recursos naturais planetários não são perenes e que a espécie humana, assim como todas as espécies vivas, também não viverá para sempre, deveríamos estar promovendo posturas em benefício do planeta, mas não é exatamente isso que temos visto. Mas, é claro que exatamente a partir da publicação do relatório começamos efetivamente a trabalhar um pouco mais com as questões ambientais e correr atrás do prejuízo e a criação e comemoração do “Dia da Terra” fazem parte desse pequeno progresso. Não sei o quanto isso pode ser benéfico ao planeta, mas satisfaz o ego, conforta o coração e ameniza a mente conturbada de alguns seres humanos. O homem é certamente a espécie mais dependente do planeta, porque ao contrário de outras espécies, possuímos uma voracidade pelos recursos naturais extremamente diversificada e bastante abrangente. Nossa necessidade de recursos quase infinita e alguns desse recursos há muito tempo já estão às mínguas no planeta e outros já se exterminaram. Assim, já faz tempo que estamos em dificuldade com a usurpação planetária. Por outro lado, grande parte dos recursos que necessitamos, são recursos renováveis e muitos desses nós aprendemos a reproduzir, o que nos permitiu alguma margem de segurança na sua utilização. Mas, é importante lembrar que não existe mágica na natureza e reações químicas não são milagres. Isto é, para fazer alguma coisa, sempre precisamos de alguma outra coisa e assim nos apropriamos do planeta e o transformamos exclusivamente ao nosso bel prazer, considerando apenas o interesse de nossa espécie. Algumas vezes, por questões várias, nem consideramos os interesses da espécie, mas apenas o de alguns grupos de indivíduos. Pois então, foi assim que criamos muitos dos problemas, além do simples consumo de uma infinidade de recursos da Terra. Já faz algum tempo que estamos tendo muita dificuldade para manter a qualidade do ar, da água e do solo, os três meios físicos que nos garantem a sobrevivência. Temos sérios problemas com a produção de alimentos, com novas doenças infectocontagiosas.  As cidades são sempre maiores, com mias necessidades e mais problemas, além da imensa dificuldade de transporte, o que dificulta sensivelmente a qualidade de vida. Temos investido cada vez mais na produção de novos mecanismos químicos que possam gerar novos materiais para a fabricação de roupas, calçados e inúmeras outras coisas, que há muito deixaram de ser questões estritamente naturais. Hoje somos levados a produzir cada vez mais, para garantir a nossa necessidade cada vez maior, até porque também não paramos de consumir. Por outro lado, nossa necessidade só cresce, haja vista que também não paramos de reproduzir (fabricar novos seres humanos). Já superamos a fantástica marca dos 7.3 bilhões de humanos e continuamos assustadoramente crescendo sem parar, embora com um leve declive na curva de crescimento, mas que nada significa no contexto geral. Verdade é que, quanto mais o tempo passa, vamos progressivamente precisando cada vez mais do planeta e apesar de todo o nosso imenso desenvolvimento tecnológico, nós somos uma espécie carente que depende diretamente de um planeta onde os recursos são limitados. Faz 44 anos que já sabemos que a Terra, além de ser a nossa fonte única de recursos, pois é dela que tiramos tudo que necessitamos, também não é um planeta infinito e que seus recursos também se esgotam ao longo do tempo. Resta agora saber, até quando ele nos aguentará e nos manterá sobre sua superfície, apesar do dano irreparável que temos causado ao longo de nossa curta história natural. Bem, por enquanto, vamos ficando por aqui, festejando mais um “Dia da Terra” e rezando para que esse planeta fantástico e que parece ser o único com vida, possa continuar suportando a investida violenta da espécie humana sobre seus recursos. Eu estou no fim da vida e confesso que tenho muito medo do que poderá ser daqueles que ainda virão se a humanidade não se comprometer rapidamente em mudar a postura e começar a construir uma “Nova Terra”, onde o fator humano seja significativamente menos impactante e possa viver no planeta sem acabar com os recursos que precisa e recuperando aquilo que for possível.

Luiz Eduardo Corrêa Lima

Referência Bibliográfica MEADOWS, D. H; MEADOWS, D.L.; RANDERS, J & BEHRENS III, W.W. The Limits to Growth, Universe Books, New York, 1972.]]>

20 mar 2016

A Mineração e os Riscos ao Meio Ambiente

Resumo: O texto atual discute sobre a mineração, os riscos ao meio ambiente por elas produzido e o Novo Código de Mineração que tramita no Congresso Nacional. O texto chama a atenção de que a mineração é uma prática muito lucrativa, bastante degradadora e que os interesses econômicos e financeiros costumam ser prioritários. Desta forma, é preciso ficar atento, porque existe grande possibilidade de que os riscos, relacionadas ao meio ambiente, oriundos de atividades mineradoras sejam drasticamente ampliados.


A Mineração e os Riscos ao Meio Ambiente

Os diferentes processos de Mineração, ainda que tragam vantagens necessárias ao desenvolvimento econômico de determinadas áreas e locais, além de melhoria nas condições materiais de vida das diferentes comunidades pelo mundo afora, é preciso refletir que a mineração sempre traz desvantagens ambientais. Não há como fazer mineração, sem produzir danos irreversíveis ao ambiente explorado. Desta maneira, a mineração é disparadamente o “principal inimigo” do meio ambiente. Assim, a humanidade tem vivido um impasse histórico, entre a necessidade de explorar os recursos minerais e garantir a qualidade do ambiente em que esses recursos são explorados e principalmente tentar garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas que trabalham e vivem nessas áreas de mineração. Obviamente, essa dicotomia de interesses consiste numa tarefa extremamente difícil, mas é uma equação que precisa ser resolvida para o bem da humanidade e do planeta.

No passado, nunca houve qualquer preocupação com os efeitos oriundos da exploração dos recursos minerais e a prática minerária sempre aconteceu sem absolutamente nenhuma preocupação ambiental. Nos tempos recentes, graças a preocupação ambiental planetária e a escassez cada vez maior dos recursos minerais, a prática minerária teve que ser determinada e prevista por ações e mecanismos legais que orientam e indicam como proceder para a retirada dos diferentes tipos de minérios que a humanidade constantemente necessita. Assim, surgiram pelo mundo afora, os diferentes Códigos de Mineração e as demais leis que regem a exploração mineral. Aqui no Brasil, não foi diferente e, por isso mesmo, aqui também foi produzido o Decreto Lei Nº 62.934, de 2 de julho de 1968 (Código de Mineração), que definiu os padrões legais para a exploração mineral em nosso país, naquela época, mas que, 48 anos depois, está em vigência até hoje.

Por outro lado, as necessidades ambientais atuais são cada vez mais prementes e as exigências legais, por sua vez, devem ser maiores e mais efetivas, tanto nos mecanismos de concessão das licenças e autorização para exploração mineral, como na fiscalização das ações desenvolvidas pelas empresas mineradoras, antes, durante e depois das respectivas explorações. A Constituição Federal Brasileira (1988) determinou que qualquer atividade minerária necessita apresentar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que demonstre a situação do local de lavra antes, durante e depois do processo exploratório, bem como as possíveis propostas e ações de minimização e compensação dos impactos e ainda a recuperação da área degradada depois de realizada toda a exploração mineral.

Pois então, o atual Código de Mineração, feito em 1968, está fora da realidade proposta pela Política Nacional de Meio Ambiente, Lei 6938 de 31 de agosto de 1981, que determina os procedimentos fundamentais na área ambiental no Brasil, e também está em desacordo com a própria Constituição Federal, que como já foi dito, é de 1988. Assim o Código de Mineração precisa ser atualizado e melhorado, para que sejam garantidas as práticas minerárias dentro de padrões factíveis aos interesses ambientais planetários, nacionais, estaduais, regionais e, principalmente, que essas práticas possam ser particularmente benéficas às comunidades próximas localizadas nas áreas de mineração. Eventos como os rompimentos das barragens recentemente acontecidos em Mariana /MG e em Jacareí/SP, aqui no Vale do Paraíba, poderiam ter sido evitados se a legislação brasileira sobre mineração fosse mais moderna, mais rígida e se houvesse efetivo acompanhamento e fiscalização dos projetos de mineração que são desenvolvidos no Brasil.

Por conta disso, foi elaborado pelo governo federal e está tramitando no Congresso Nacional, um Novo Código de Mineração, para definir novas práticas operacionais e novas possibilidades de ação das atividades minerárias.  Entretanto, é bom lembrar que os interesses ambientais costumam ser contrários aos interesses dos empresários e também não refletem obrigatoriamente os interesses de agentes e setores políticos, principalmente num país como o nosso, onde se compram leis como está sendo comprovado pela OPERAÇÂO ZELOTES da Polícia Federal. Além disso, também é bom ter em mente que nem sempre novas leis devam indicar melhores práticas, principalmente no que se refere a mineração. Um texto novo não quer dizer um texto melhor. Desta forma é preciso acompanhar proximamente os trâmites do Novo Código de Mineração no Congresso Nacional e exigir que o meio ambiente e a comunidade sejam contemplados prioritariamente no novo texto. Aos interessados devo finalmente dizer que o Novo Código de Mineração que está tramitando no Congresso Nacional é o Projeto Lei 5807/2013 e que a necessidade de ler o referido texto, acompanhar sua tramitação e propor as devidas mudanças e um direito de qualquer cidadão brasileiro. O texto pode ser conseguido na INTERNET e as propostas de mudanças devem ser encaminhadas ao Congresso Nacional, em Brasília.    Luiz Eduardo Corrêa Lima]]>

14 abr 2015

Refletindo sobre alguns valores esquecidos pela vida moderna

Resumo: O texto dessa semana traz à baila uma questão séria, que está cada vez mais preocupando algumas pessoas e que precisa ser mais discutida e refletida pela sociedade. Trata-se do uso exagerado das novas tecnologias e do consequente afastamento entre as pessoas que esse uso tem trazido. Com o uso desregrado das tecnologias e com os superpoderes a elas concedidos, a humanidade parece estar perdendo sua relação direta com os ambientes primários da natureza e com os demais seres vivos, inclusive com os próprios seres humanos, o que tem trazido consequências progressivamente mais trágicas para a natureza e mais desagradáveis ao relacionamento humano.


Refletindo sobre alguns valores esquecidos pela vida moderna

Ultimamente tenho me preocupado muito com o rumo dos relacionamentos entre os seres humanos e ainda que eu não possa taxativamente afirmar que a fragilidade desses relacionamentos seja uma verdade mundial, eu tenho quase certeza que os relacionamentos humanos atuais pelo mundo afora são meras externalidades. Com certeza, essa é uma verdade brasileira, porque aqui em nosso país, as pessoas efetivamente, têm progressivamente caminhado para trás, no que diz respeito aos relacionamentos humanos e também às coisas da natureza, das tradições, dos valores culturais e morais em geral.

Também não sei se posso e nem quero considerar como uma verdade absoluta de que a causa dessa condição seja exclusivamente da tecnologia, mas infelizmente, tenho que considerar o fato de que o avanço tecnológico tem ajudado bastante no atual estado da arte e no momento, vou me ater exatamente ao seguinte questionamento: porque a tecnologia parece estar nos arrastando cada vez mais para longe das coisas e dos valores que nos deveriam ser mais importantes?

A propósito, devo dizer que não tenho absolutamente nada contra o avanço tecnológico e nem mesmo sou avesso aos novíssimos e diversificados aparelhos eletrônicos. Ao contrário acho todos eles ferramentas importantíssimas e que bom que nós conseguimos desenvolvê-los para facilitar muitas das diferentes tarefas que temos que resolver. O problema é que muitos de nós somos incapazes de entender que esses aparelhos são apenas e tão somente ferramentas. Esses aparelhos não são e nem podem ser considerados, de maneira nenhuma, como se fossem elementos vitais, que precisamos para continuar vivos, como o ar ou a água, pois já vivíamos anteriormente independentemente da existência deles. Como disse antes, esses aparelhos são úteis, mas certamente não são fundamentais. Obviamente existem alguns casos em que peças tecnológicas foram desenvolvidas exatamente para auxiliar a vida de algumas pessoas, mas essas são situações excepcionais e não regras.

A tecnologia está aí para tentar nos fazer mais capazes, mais eficientes e consequentemente mais felizes e tudo isso é obviamente muito bom num primeiro momento. Entretanto, será que essa felicidade inicialmente prevista tem sido secundariamente uma verdade em si, quando o avanço tecnológico nos leva a esquecer, ou pelo menos, nos afastar de outras coisas que, na nossa condição de seres vivos e principalmente de indivíduos humanos, talvez nos fossem muito mais importantes? Será que o nosso apoderamento tecnológico não nos coloca frente à questões que, talvez, possam estar nos trazendo mais prejuízos do que benefícios, apesar de nos permitir soluções aparentemente mais efetivas? A eficiência tecnológica nem sempre tem se mostrado eficaz sob vários aspectos, principalmente nas questões socioambientais. Bem, vou exemplificar meus questionamentos para tentar ser um pouco mais claro.

Imagine que quando não tínhamos agendas eletrônicas ou objetos semelhantes (alguns de nós nem conseguem imaginar isso), éramos obrigados a guardar os números de telefone, anotando ou mesmo decorando esses números e isso era bom para nós, porque nos forçava a escrever e pensar. E mais, quando íamos ligar para aquele número, necessariamente tínhamos que discar ou digitar, o que nos obrigava também a realizar um exercício físico, ainda que pequeno. Quando queríamos falar com uma pessoa e não podíamos ir à casa dela, nós telefonávamos e conversávamos com essa pessoa. Muitos de nós ficavam horas no telefone, o que era ruim, porque a conta a ser paga era alta. Entretanto, hoje usamos o “Whats App” e não pagamos nada e isso é bom, mas também não conversamos verdadeiramente com ninguém, apenas mandamos mensagens simples, sem qualquer conotação pessoal. Assim, as inter-relações são frias e de pouquíssimo conteúdo. Não escrevemos mais, apenas trocamos recados cheios de frases viciadas, com códigos, abreviaturas e símbolos, muitas vezes insuficientes para definir ou mesmo apenas para indicar uma determinada condição.

Tudo bem, é claro que essas mensagens de internet também são uma forma de linguagem, mas certamente essa não é uma linguagem que sirva para aproximar os seres humanos, porque ela é superficial e não expressa sentimento nenhum. O “internetês” é a comunicação pela comunicação e nada mais que isso e por mais que ele aproxime (facilite) as informações ele afasta as pessoas, que ficam cada vez mais isoladas em seu mundo exclusivo com seu celular, seu “tablet” ou seu computador de última geração. Posso estar errado, mais isso absolutamente não é humano, pelo menos do ponto de vista sensitivo.

Chamamos as redes de “internet” do tipo “facebook” e “linkedin”, por exemplo, de “Redes Sociais”, mas eu pergunto: essas redes são sociais mesmo? Tudo bem, elas envolvem grupos de pessoas da sociedade, mas elas não se comportam como algo que socialize as populações? Não, elas fazem exatamente ao contrário, pois elas excluem pessoas, quando não permitem sua participação em determinados grupos e isso ao meu ver é uma atitude antissocial. Talvez, fosse interessante chamar essas redes de outro nome, porque “Redes Sociais” é que elas não são mesmo. Porém, deixemos essa questão de lado, porque não é disso que quero eu tratar aqui.

Na minha infância, nós convivíamos muito mais com a natureza e com as pessoas do que qualquer criança de hoje em dia, mormente nos últimos anos com o advento da internet. Nós brincávamos de pique, jogávamos futebol, bola de gude, rodávamos pião, soltávamos pipa e várias outras coisas que hoje, tem criança (talvez a maioria delas) que nem sabe do que se tratam essas coisas, simplesmente porque nunca as viram e não têm nenhuma relação com outros humanos, além da internet e das “Redes Sociais”. Quer dizer, quase não há convivência efetiva com outros humanos, a não ser nos meios de transportes, quase sempre particulares e nos ambientes corporativos familiares, escolares, culturais e laborais. Hoje inventamos até “bichinhos virtuais” até para afastar mais as pessoas umas das outras e o que é mais grave, em certo sentido, para afastar as pessoas dos animais também.

Essa situação atual de contraste com que havia em épocas anteriores, pode até ser vantajosa em determinados aspectos, mas certamente é prejudicial em outros tantos. Se for colocado numa balança de custos X benefícios, acredito que certamente há menos vantagens e mais desvantagens no atual modelo, que é resultante do uso inadequado e excessivo da tecnologia.

A meu ver isso tem afastado cada vez mais as pessoas umas das outras e assim também dos valores e das tradições. As diferentes formas de expressões culturais vão ficando esquecidas e a natureza está sempre mais longe e menos importante, pois a vida humana passou a ser quase que exclusivamente urbana e tecnológica. O natural e o rural perderam o sentido e não interessam em praticamente nada na paisagem antrópica atual. Os humanos tendem a viver isolados em seus espaços artificiais.

Esse isolamento, por sua vez, leva cada vez mais ao egoísmo e ao olhar para dentro de si mesmo, o que também aumenta os preconceitos e o medo generalizado das diferenças. O outro humano cada vez importa menos para os humanos. Lamentavelmente, nós temos caminhado no sentido de achar que a felicidade é quase um sinônimo de solidão, porque nos preocupamos apenas conosco e tudo fazemos apenas no nosso interesse individual.

Enfim, reflitam comigo e digam se eu não tenho razão. Penso que está na hora de começarmos a fazer alguma coisa para mudar essa tendência, porque acredito que ela seja muito maléfica aos interesses e valores reais da humanidade. Acredito que nós, os seres humanos, estamos precisando de menos tecnologia e mais humanidade, para podermos engrandecer as nossas vidas, solidificar as nossas sociedades e principalmente estreitar as nossas relações com os demais seres humanos.

Segundo o pensador russo, Lev Semenovitch Vygotsky, nós não nascemos humanos, nós nos tornamos humanos ao longo de nossa vida, pois s nossa humanização é construída progressivamente. Esse mesmo autor vai mais fundo ainda, quando diz que: “o homem só pode se tornar homem na presença de outro homem”, isto é, só nos tornamos homens convivendo com outros homens. Pois então, penso que temos andado na contramão da humanidade e estamos precisando conviver mais com outros humanos para nos humanizarmos mais.

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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02 abr 2015

O Direito, a Economia e a Sustentabilidade

Resumo: O novo texto aborda a questão do descaso com a prática da sustentabilidade planetária em relação aos interesses estritamente econômicos e em consequência disso, identifica a situação progressivamente mais complicada que a população humana vem sofrendo, porque continua crescendo indefinidamente e necessita cada vez de recursos naturais, os quais, por sua vez estão mais escassos. É fundamental que a sustentabilidade passe efetivamente a ser condição obrigatória nas diferentes atividades antrópicas para que a espécie humana possa se manter por mais algum tempo no planeta.


O Direito, a Economia e a Sustentabilidade

Estamos efetivamente num “mato sem cachorro”, porque estamos num mundo de faz de contas, onde os interesses econômicos se sobrepõem ao direito e onde a sustentabilidade é palavra muito dita e repetida, mas parece ser pouco (nada) ouvida e, o que é pior, quando é ouvida, não é nada entendida. Isto é, a sustentabilidade é letra morta, mormente pelos poderes constituídos, que deveriam ser os responsáveis pelos direitos comuns e pelos interesses comunitários e coletivos. Quer dizer, tudo virou um grande “boné velho” que serve na cabeça de qualquer um e quem tem o poder, mormente o econômico, é favorecido pelo Direito e acaba usando esse boné com mais frequência. Aliás, usa por quase toda vida, enquanto os demais têm que sofrer as interferências das intempéries diuturnamente nas suas respectivas cabeças.

Aquilo que se deseja, ou melhor aquilo que é bom para a comunidade e que deveria ser defendido pelo direito comum, porque é o melhor ao interesse público, acaba sendo minimizado pelo interesse econômico. O Poder Público que deveria primar pelos interesses comuns, em consequência das grandes investidas fraudulentas do poder econômico, que embora exista de fato não é legal porque não existe de Direito, acaba cedendo aos interesses desse “pseudo-poder” e determinando o prejuízo da comunidade e do planeta. Quer dizer, vivemos um estado de caos social, no qual quem tem dinheiro (poder econômico), independentemente do interesse coletivo, determina o destino e pode fazer praticamente tudo. Por outro lado, quem não tem dinheiro, mesmo tendo razão, acaba não podendo nada. O pior é que alguns chamam esse estado de coisas de “Estado Democrático de Direito” e dizem que nosso país é uma Democracia.

Nesse momento, alguns leitores dirão: mas não há mudança nenhuma nessa situação, porque a história brasileira e quiçá mundial, sempre representou algo mais ou menos assim, ou seja, “os economicamente pequenos que não podem nada obedecem aos economicamente grandes que podem tudo”. É verdade! Porém, hoje há um dado novo que nunca foi considerado e que é preponderante à própria existência humana no planeta. Hoje, existe a questão da sustentabilidade que não é, nem pode ser de maneira nenhuma, mais uma simples falácia de ambientalistas de plantão ou de “ecochatos”. A sustentabilidade é uma necessidade premente, com a qual o gênero humano necessita estar preocupado e envolvido se quiser continuar existindo no planeta por mais algum tempo. A sustentabilidade, por conta de sua importância preponderante na atualidade, deveria inclusive ser considerada como o principal referencial social e mesmo democrático.

A sustentabilidade, além de ser um interesse coletivo maior é uma necessidade fundamental para o próprio planeta e assim ela transcende o simples interesse coletivo antrópico. Assim, a sustentabilidade é muito maior que o gênero humano, pois ela é de interesse planetário e não apenas antrópico. O Direito coletivo, no que se refere a sustentabilidade, não diz respeito somente às populações humanas, mas sim à Terra e à todas as espécies planetárias e por isso mesmo deveria ter um peso coletivo muito maior. Infelizmente não é isso que tem sido visto, porque o homem continua privilegiando os interesses econômicos sobre os interesses ambientais e relegando qualquer coisa que não tenha a ver com dinheiro a planos secundários. Desta maneira apenas o interesse antrópico dos poucos humanos que são economicamente privilegiados continuam tendo prioridade.

Enquanto isso, a temperatura do planeta continua crescendo; as geleiras seguem derretendo rapidamente; as áreas verdes e reservas florestais vão desaparecendo; as jazidas minerais estão se exaurindo; as reservas de água potável sempre diminuindo; as áreas desertificadas perigosamente aumentando; a poluição do ar, do solo e das águas estão chegando em níveis absurdos e inimagináveis em algumas áreas do planeta; as populações naturais e a biodiversidade estão cada vez menores, pois a extinção provocada pela atividade humana, principalmente com a destruição dos ambientes naturais é cada vez maior. Parece que a humanidade não se apercebeu que todas essas coisas têm, além do significado natural, também grande importância econômica e esse comprometimento gera escassez cada vez maior e consequentemente isso tem tornado as coisas progressivamente mais caras e mesmo para aqueles humanos que ainda (em breve também não terão) têm algum dinheiro as coisas estão progressivamente mais difíceis.

Não considerar a sustentabilidade é “um tiro no pé”, mesmo para os que têm visão curta e estritamente econômica, porque essa atitude compromete o planeta com todas as espécies vivas, inclusive e principalmente os humanos, e obviamente também o “bolso” (ou a bolsa se preferirem) da humanidade, porque aumenta a dificuldade de exploração e consequente aquisição de certos produtos. Os consumistas mais ferrenhos são incapazes de perceber esse problema, mas infelizmente ele existe e, o que é pior, talvez esse seja o principal problema da humanidade na atualidade. O desperdício de recursos naturais por conta do descaso com a sustentabilidade e do consumismo exacerbado tem levado à carência de muitos recursos naturais e paralelamente a destruição de ecossistemas e a degradação planetária quase que total.

No caso específico dos seres humanos, como a nossa população cresce absurdamente, a dependência planetária só aumenta e o consumismo transcende largamente o limite da necessidade. Os espaços físicos são ocupados aleatoriamente e de maneira totalmente incoerente, não respeitando os atributos naturais e muito menos a geomorfologia planetária, o que é extremamente perigoso. A exploração irracional dos recursos naturais renováveis ou não renováveis pela nossa espécie na busca insana de novos materiais e no desenvolvimento de novas tecnologias para consumo é cada vez mais significativa e já existem recursos totalmente exauridos há muito tempo, mas a degradação continua.

Os alimentos naturais estão cada vez mais caros e mais difíceis de serem conseguidos e assim a fome humana já atinge cerca de ¼ da população. A alternativa de usar os agrotóxicos já se mostrou, além de extremamente perigosa e daninha, também pouco eficaz, pois contaminou grandes áreas, destruiu solos férteis em vários locais do planeta, envenenou alimentos e matou muitos humanos e inúmeros outros organismos vivos. O desenvolvimento de transgênicos, os famosos “Organismos Geneticamente Modificados” – OGMs, que muitos dizem ser a salvação da humanidade para a carência de alimentos, poderá, pelo contrário, ser a nossa aceleração para a extinção, haja vista que não temos ainda como avaliar definitivamente os possíveis males, considerando o uso desse tipo de alimento ao longo das sucessivas gerações. Entretanto, a julgar pelo que já foi possível avaliar, o risco do uso continuado de transgênicos é, no mínimo, bastante perigoso e por isso mesmo não deve ser recomendado.

Já atingimos o limite físico do possível e já superamos a capacidade natural de resiliência do planeta e este, por sua vez, já tem demonstrado sua “irritação” e tem produzido um aumento significativo das grandes catástrofes ambientais pelo mundo afora. Os eventos catastróficos crescem em número e em grau e avançam em novas áreas de forma generalizada e assustadora. Não temos nenhum poder contra as forças da natureza e não temos nenhuma noção de como fazer para minimizar ou pelo menos, tentar controlar alguns desses acontecimentos catastróficos, quando muito nós apenas podemos prever a ocorrência de alguns deles, o que de fato não resolve nada.

Enfim, os cientistas do mundo inteiro já cansaram de informar que a situação já passou da condição de normalidade e hoje está efetivamente catastrófica e ao que parece, estamos de fato e rapidamente a caminho da extinção final da espécie. Mas aí vem a pergunta: o que pensam disso os economistas e administradores públicos preocupados apenas com o dinheiro? O que pensam disso os homens que tratam do Direito Internacional?

Grandes acordos Internacionais são feitos para não ser cumpridos e outros acordos só são cumpridos no interesse puramente econômico de quem os propõe. A Economia pode até ser algo importante, mas só existe Economia se existir ser humano, pois a Terra e as demais espécies vivas não precisam de Economia. Parece que nós estamos tão empenhados no dinheiro que esquecemos que o dinheiro só serve para nós e que nós só poderemos usá-lo se estivermos vivos. Estamos brincando com a possibilidade real de extinção prematura de nossa espécie sobre a superfície da Terra e não estamos nem aí com essa fato.

O que os poderes constituídos estão fazendo para acabar com isso? O que o Direito Internacional pode fazer para tentar resolver o problema? Como vamos chamar mais a atenção dos administradores públicos para que eles pensem mais na vida e menos no bolso?

Não sei, mas gostaria de saber até quando vamos nos manter omissos quanto a esta situação, até porque eu realmente não sei se teremos tempo para resolvê-la a contento. Aliás, acredito que não temos mais tempo para sanar definitivamente o problema, haja vista que nossa população não para de crescer de maneira absurda. Entretanto, talvez ainda seja possível amenizar e assim retardar o fim trágico que nossa espécie terá, mais cedo ou mais tarde. Certamente não viverei para ver tal fato, mas desde já peço perdão aos meus filhos, netos, bisnetos e demais descendentes, que por ventura venha possuir, porque acredito que nossa bomba já explodiu e agora é só uma questão de tempo.

A Ecologia é uma ciência primária que só foi (começou a ser) entendida tardiamente e, ao que parece, irá morrer virgem, pois o homem não conseguiu (não quis conseguir), ao menos até aqui, desvendar seus mistérios mais simples. Por outro lado, o Direito que deveria ter interferido para salvar a vida, ficou perdido nas teias difusas da subjetividade, do interesse pessoal e da injustiça. A sustentabilidade deixou de ser sonho romântico, utopia infundada ou realidade possível, para ser uma inviabilidade física comprovada exclusivamente pelo desinteresse, pela inescrupulosidade e pela ganância da raça humana.

O “economês” desenvolvido com a força do capitalismo, mas não esquecido pelo socialismo, fez valer o seu ideal de riqueza, deixando para traz a verdadeira riqueza que é a vida planetária, em particular a vida humana que virou brinquedo no interesse do “deus moeda” e do capital. Saímos por aí a destruir a natureza, a construir artefatos, a fazer compras e a consumir sem sentido. O homem esqueceu que tudo que existe naturalmente tem valor e que o dinheiro é uma criação humana que não existe naturalmente e que deveria apenas representar o valor daquilo que de fato existe, os recursos naturais. Subestimamos a droga monetária que criamos e ela está nos destruindo, da mesma maneira que temos feito com a natureza.

Triste fim da espécie humana e triste fim da história da humanidade nesse planeta, a qual poderia ser contada de maneira distinta se o homem, apenas o homem, assim o quisesse. Mas, ele não parece querer, ele parece preferir a glória de morrer em vão, na ilusão de uma vida pessoal curta e efêmera, do que a objetivar concretamente a realidade de tentar ser naturalmente feliz, através de uma vida real e verdadeira construída na determinação de permanecer o maior tempo possível como espécie planetária e temporária que certamente somos.

Infelizmente, na maioria das vezes, cada um de nós pensa apenas e tão somente em cada um de nós. De maneira geral, nós somos extremamente egoístas e não pensamos como espécie, pensamos e agimos apenas como indivíduos. Para a maioria de nós, os outros seres vivos, inclusive os demais seres humanos, simplesmente não existem ou se efetivamente até existem, não são entes importantes.

E digo mais, nem mesmo a criação de uma figura maior, um Deus, o Criador, o Todo Poderoso, fez o homem temer ou pensar um instante, porque o homem continuou egoísta e seguiu firme no seu propósito insano de destruir o planeta e toda a criação divina. Assim, o que é pior ainda, posso drástica e lamentavelmente concluir que Deus provou sua incapacidade ou, quem sabe, sua inexistência quando deixou o homem programar rápida e eficientemente a autodestruição da humanidade, além da degradação da criação planetária.

Que destino! Trágico fim! O homem soberano, a besta mor, o deus da Terra, feito a imagem e semelhança do Criador para crescer, multiplicar, dominar e reinar sobre as demais espécies da Terra, agora jaz. Vou torcer para que meus pensamentos não se efetivem tão brevemente e que ainda seja possível controlar a besta humana e manter ao menos parte de nós ainda vivendo no “planeta azul” por mais algum tempo.

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima

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